Caros alunos da Fitref, Graça e Paz, aqui é o professor Márcio Alonso do curso de Livros Poéticos do Antigo Testamento. E essa é a aula de número 14 do nosso curso, quando vamos estudar o enigma do filho. Um enigma que está proposto lá em Provérbios, capítulo 30, versículo 4.
Você sabe o nome do filho de Deus? Como devemos interpretar esta passagem do livro dos Provérbios? Será que ela contém um elemento de antecipação da pessoa do Senhor Jesus Cristo?
Eh, essa leitura cristocêntrica, essa leitura cristã, melhor dizendo, da passagem que nós vamos fazer na aula de hoje, na sequência daquilo que já fizemos estudando o capítulo oito, que tratava da sabedoria personificada. O enigma do filho, basicamente, é a pergunta: Qual é o seu nome? E qual é o nome do seu filho, se é que você sabe?
Bom, a gente vai ver daqui a pouco que existem questões importantes de tradução do texto e inclusive e isso vai afetar até mesmo a pergunta e como o enigma é colocado. Mas o fato é que eh em toda a Tanacá, como nós vimos, né, Torá, Nevim, Quetuvim, eh leis, profet lei, profetas e escritos, eh o Messias está sendo revelado. E aqui há uma revelação, ainda que incompleta, não é?
parcialmente escondida, enigmática da pessoa do Senhor Jesus. E como nós vamos interpretar eh esta passagem de uma maneira cristã e de forma que possamos enxergar nela a pessoa de Jesus? Bom, nós vamos fazer uma análise estrutural do livro dos Provérbios, vendo como ele é esboçado e também vendo a intertextualidade, como Provérbios deve ser interpretado em referência ao restante do cân do Antigo Testamento e até mesmo em relação à sua posição no canânico.
A primeira coisa que devemos destacar é que quando nós falamos sobre a sabedoria personificada como uma mulher que tinha uma casa no alto da cidade, eh lá dentro daquele contexto da mulher sabedoria, em Provérbios capítulo 9, nós temos um excelente resumo do livro. O temor do Senhor é o princípio da sabedoria e o conhecimento do santo é prudência. Esse conhecimento do santo é retomado aqui em Provérbios capítulo 30 nos ditos de Agur, sobre quem daqui a pouco vamos falar mais.
Mas Agur vai dizer: "Não aprendi sabedoria, nem tenho conhecimento do santo, segundo a tradução da NVI em português. " Mas conforme a gente vai ver eh no próprio texto de leitura que acompanha essa aula, essa não é a melhor tradução. Segundo nos propõe o texto que teremos de ler, a ideia seria eh não aprendi sabedoria, mas tenho conhecimento do santo, no sentido de que não sei muitas coisas, mas eu sei quem é.
o santo. A a ideia, portanto, é que o temor do Senhor é sabedoria, o conhecimento do santo é prudência. Eu não tenho muito entendimento de todas as coisas, mas eu tenho o principal.
Eu conheço o santo, tenho conhecimento dele. A autora do capítulo que você terá de ler, a Eva Ridelnick, se é que é assim que se diz o nome dela em inglês, menciona esse conhecido e muito importante autor sobre o Antigo Testamento, John Sa Hammer. E como eu tenho o livro dele aqui e fiz a pesquisa da nota de rodapé, eu trouxe aqui para você a referência eh sobre o o a parte citada, né, o comentário desta sessão do livro dos provérbios e transcrevi aqui para você e nós vamos recorrer a ele durante a esta videoaula.
Eh, Se Hammer vai propor aqui exatamente isso, que o texto hebraico, eh, embora tenha como possibilidade a tradução oferecida lá na NVI, nem ten o conhecimento do santo, mas ah, o correto seria eh eu tenho, mas eu tenho sim conhecimento do santo. E isso muda bastante coisa. E o que é que muda?
muda que se você entende a divisão do livro dos Provérbios em três blocos, sendo o primeiro bloco dos capítulos 1 a 9, o segundo bloco dos capítulos 10 a 29 e o terceiro bloco dos os capítulos 30 e 31, você teria exatamente no final do primeiro bloco aquela afirmação eh feita pela mulher sabedoria, que o conhecimento do santo é que é o temor do Senhor e que revela prudência. E agora no comecinho do terceiro bloco, já no final do livro, ou seja, encapsulando aí o bloco dois como um inclúi eh nós vamos ter novamente a expressão o temor, o conhecimento do santo. E agora a Gur vai dizer: "Eu não sou um homem muito instruído, mas eu tenho o conhecimento do santo.
" Então, é como se ele tivesse aprendido aquilo que a mulher sabedoria eh lhe propôs lá no começo, no final do primeiro bloco. E agora nós vamos terminar, né, o livro dos Provérbios, iniciando o terceiro bloco, diz com a Gur, dizendo: "Sim, eu aprendi isso". E então, eh, eu não vou entrar nos detalhes aqui, não é, de cada um desses blocos.
é uma questão mais introdutória, você vai ter uma leitura sobre isso também daqui a pouquinho. Então, eh, mas o ponto é que há uma moldura estrutural no texto. O enigma do filho em Provérbios 30 funciona aí como um contraponto àquela pergunta, né, aquela afirmação que foi feita pela mulher sabedoria lá em Provérbios capítulo 9.
Mas existe uma diferença muito importante aqui. Enquanto as declarações proverbiais, os ditos anteriores eram aquele tipo de revelação que surge da reflexão e convida a pessoa a pensar. Agur aqui está dizendo que ele traz mais do que ditos de sabedoria.
Ele traz agora oráculos. O oráculo, como vai nos lembrar Seio Hammer, é um tipo de escrita bem diferente de um dito de sabedoria. Um dito de sabedoria, uma conclusão tirada da observação da vida cotidiana.
é inspirado e é uma regra de fé para nós, é palavra de Deus para nós. Mas um oráculo tem um tipo de revelação diferente. É um conhecimento dado por Deus e comunicado pelo seu mediador.
Então, eh, embora seja verdade que Salomão recebeu a sua sabedoria de Deus, no entanto, essa sabedoria de Salomão foi mediada por sua própria observação do mundo ao redor. Já Agur tem o seu conhecimento eh que nos é dado por meio do livro dos Provérbios, vindo a ele por meio de uma revelação direta de Deus. É por essa razão que o conteúdo dos seus ditos, vai nos lembrar Se o Hammer, vai além do que foi apresentado no livro até agora.
A identidade de Agur é debatida. A visão da Midrache e muitos autores antigos tentavam enxergar nele um pseudônimo para Salomão, de modo semelhante ao que alguns também pensam que aconteça no livro de Eclesiastes, onde o pregador, o Chalelet, eh parece ser para alguns um pseudônimo para Salomão. Eh, isso foi sustentado, por exemplo, por Jerônimo e agora parece ser uma opinião minoritária.
Então, a visão predominante atualmente é de que se trata de um personagem histórico e que seria um sábio que foi contemporâneo de Salomão, como Etã ou Emã, que são autores, né, de de Salmos, como a gente já viu. E então seria alguém sobre quem temos poucas informações, mas seria uma pessoa que teve a sua importância a tal ponto de ter esta revelação incluída nas escrituras. O mais importante, no entanto, é que seja qual for a sua identidade, a sua mensagem nos traz um enigma que fala a respeito do filho de Deus.
Como vamos ver, uma das primeiras coisas que precisamos fazer, portanto, é estabelecer o texto que vamos utilizar, como vamos ler o que está escrito lá em hebraico. E eu estou colocando aqui para você o texto da NVI, porque ele se aproxima muito mais da tradução que é proposta pela Eva Ridonick no seu livro. Então, ah, a gente tá olhando para o texto da NVI, vendo muito mais semelhanças com a proposta de tradução que é apresentada no capítulo do que o texto da Almeida revista e atualizada.
Daqui a pouco a gente vai fazer uma comparação e vai perceber que é assustadora a diferença e existe explicação para isso e ela está lá no capítulo do livro que você vai ler. E embora eu vá mencionar alguns detalhes aqui, eu não vou entrar em todos os detalhamentos possíveis, mas o importante para nós neste momento é: tratam-se dos ditados de Agur, filho de Jaque. E massá é uma palavra que pode descrever um local, mas também pode descrever um oráculo.
E o ramassá aqui é traduzido na NVI como um oráculo e segundo pensa a nossa autora, acertadamente e me parece ser realmente o caso, né? E aí então também há a palavra neum que é traduzida como dentro desse conjunto como o oráculo. Então essa seria uma indicação muito forte de que o que a Gur está nos trazendo não é um dito de sabedoria, não é uma revelação que lhe veio por conta da observação da vida, mas é algo que veio da parte de Deus.
E qual é o fundamento que a Eva Rednick nos apresenta para sustentar essa tese? O fato de que quando essas palavras aparecem no Antigo Testamento e elas são raras, elas aparecem sempre em conexão com revelações que são dadas a respeito da pessoa do Messias. E se você faz uma busca pela palavra neum no Antigo Testamento, você vai encontrar exatamente essa questão de oráculo, de palavra e de neum.
Por exemplo, quando Balaão está tentando amaldiçoar Israel, mas Deus o obriga a abençoar, ele acaba falando da estrela que virá de Jacó. ou quando Davi está proferindo as suas últimas palavras como o ungido do Deus de Jacó, ou seja, como o Messias de Israel. E aí então ele acaba falando de si e ele aponta para a pessoa de Cristo.
O que então faz bastante sentido. Esse oráculo que é dado como uma revelação vinda do Senhor, essa palavra rara acaba sempre apontando para a pessoa do Messias. E então, esses dois termos, Ramassá e Neum, quando são somados, eh, mostram que em Provérbios nós estamos tendo agora uma mensagem profética messiânica e não mais apenas ditos de sabedoria.
E então, eh, esse é o peso que essas duas palavras que mal são traduzidas nesse sentido na Almeida revista e atualizada, esse é o peso que essas duas palavras devem ter para o estabelecimento do texto e também para a conexão do enigma com a figura de Cristo. Compare aqui comigo brevemente o texto da Almeida revista e atualizada com o texto da NVI e você verá o problema. Massá no texto da Almeida, revista Atualizada, é considerado um local.
Eh, no entanto, massá no texto da NVI é traduzido por oráculo. Perceba e o nome de Itiel, que é um uma pessoa que voltou do exílio com Neemias, é um possível candidato a que seja a mesma pessoa, uma vez que só tem ele com esse nome em toda a Bíblia. Eh, o seu nome pode ser associado com a ideia de fatigar-se, de estar cansado.
E a Almeida, revista Atualizada traduz isso como não palavras, oráculos que foram declarados por Agurtiel, mas palavras de Agur dizendo que ele era um camarada de maçá e ele dizia que estava cansado. A pergunta é por que Almeida revista atualizada optou por isso? Bom, o fato é que no versículo 3, a Gur está dizendo que não aprendeu a sabedoria.
Então, ele está meio que depreciando a si mesmo e ele está, portanto, dizendo no verso dois que é tolo, que é estúpido. A diferença de linguagem não é tão grande assim entre Almeida revista atualizada e NVI. E então, se ele está falando mal a respeito de si mesmo, a Almeida revista e atualizada prefere pensar que ele está cansado e fatigado do que pensar que ele está conversando com Itiel e declarando um oráculo.
A mesma coisa tem a ver com o nome de Ucal, que pode significar inclusive que é uma pessoa forte, mas que pode outra vez ser traduzido de outro modo, dependendo da vocalização, e a então atribuir uma exaustão a Agur. É, veja, é possível, não é? E interpretar assim, mas não parece ser a melhor tradução.
Por quê? Porque eh a ideia de que eu tenho o conhecimento do santo, apesar de ser uma pessoa que não tem grande entendimento e grande sabedoria, que eh ele pode dizer eh estou trazendo um oráculo e estou declarando isso a esses dois homens, Itiel e Yukal. E saibam, eu não tenho grande entendimento, mas eu conheço o santo.
Essa é a vertente que a Eva Ridnick está nos dando e que faz todo sentido e nos faz interpretar esta passagem eh com justiça, como algo que aponta como um oráculo que dirige a nossa atenção para a pessoa de Jesus. Então esse é o ponto, né? Eh, não se trata do eh agur de maçá, mas o agur que traz um massá oráculo.
Ele não está exausto e e cansado e fatigado, mas ele está falando com Itiel e com o Cal. E ele não é alguém que, apesar de ser tolo, não conhece o santo, mas alguém que, apesar de ser tolo, tem sim conhecimento do santo. E esse santo que é um título tão apresentado por Isaías para a pessoa do Senhor, né, o ser supremo em sabedoria, poder e pureza, agora então vai transformar a o texto de ditos de sabedoria num oráculo dado por Agur, alguém de quem temos poucas informações, praticamente só isso é que sabemos a respeito dele.
a Itiel e o Cal, sobre quem também temos poucas informações, mas e temos o escrito dele no final do livro dos Provérbios, fazendo um contraponto muito claro com a declaração da mulher sabedoria na primeira parte do livro, que diz que o temor do Senhor e o conhecimento do Santo é que é prudência. E aí então temos a resposta estrutural dentro do livro dos Provérbios a essa questão. O enigma pode ser então respondido dentro das informações que nos são trazidas dentro do próprio livro de Provérbios.
Quando Agur começa a fazer perguntas eh que vão nos levar ao enigma, né? Quem subiu ao céu e desceu, ele está fazendo alusão àquilo que Moisés disse em Deuteronômio 30. E nós vamos ver daqui a pouquinho como isso inclusive é apontado no Novo Testamento.
Quando ele pergunta: "Quem ajuntou o vento na concha das mãos? " Ele também está eh nos remetendo à sabedoria que foi o arquiteto ou o artesão da criação em Provérbios capítulo 8 de 27 a 30. Ou seja, a gente vê eh sobre o conhecimento do santo em Provérbios 30, mas já tinha visto sobre o conhecimento do santo em Provérbios 9.
A gente vê agora sobre aquele que criou o mundo e fez todas as coisas e tudo estabeleceu como arquiteto da criação em Provérbios 30, mas também vimos isso lá em Provérbios 8, antes de chegarmos no discurso da mulher sabedoria no comecinho de Provérbios 9. Então fica claro aqui essa moldura que liga o enigma de Provérbios 30 com a sabedoria personificada de Provérbios 8 e 9. E as perguntas são eh [roncando] muito estruturadas também, né, num quiasmo aí que tem inclusive moldura, né, externa e um núcleo interno.
Então o domínio de Deus sobre todas as coisas, o céu, né, e a terra, e ele eh controlando e sustentando todas as coisas. Então você vai ver nisso também outras eh invocações de passagens, né, outras referências a passagens do canon da literatura de sabedoria e até mesmo dos profetas. Então vamos ver nessa passagem muita semelhança com o que está escrito em Jó, capítulo 38, e daqui a pouquinho a gente vai apontar isso para você mais.
E outras referências com relação ao controle soberano de Deus sobre todas as forças da natureza que ele mesmo criou. Olha aqui, por exemplo, a primeira pergunta, né? Quem subiu ao céu e desceu?
Bom, ah, isso está, evidentemente, eh, trazendo à memória o texto de Deuteronômio 30. Esse mandamento, esta palavra que eu estou te dizendo agora, né, não está longe de você e nem está lá no céu para você falar como é que eu subo lá para pegar essa palavra. Então, ah, é o que Moisés vai nos dizer em Deuteronômio 30.
E você vai encontrar paralelos também entre a questão dos ventos, como está em Provérbios 30, na segunda pergunta, e o que vai nos dizer Jeremias. Você vai encontrar questões de águas, eh, na terceira pergunta, semelhante ao que se fala em Jó e ao que se fala em Isaías, e questões sobre estabelecer ou lançar fundamentos da terra eh em Provérbios e também em Jó. Então você percebe que há todo esse paralelo onde a Gur busca outros eh elementos da revelação já dada e vai responder ao enigma dentro do contexto, embora ele não transcreva a resposta, né?
Eh, olha, tô falando de Jesus que criou todas as coisas. Ele vai nos remeter a ao criador que participou de todas as coisas, que eh somos lembrados a a pensar lá na mulher sabedoria de de Provérbios 8, que participou da criação de todas as coisas. Somos lembrados da dádiva da lei de Deuteronômio 30.
E aí quando chegamos ao Novo Testamento, nós vamos encontrar isso. O criador, que é o verbo, que é a palavra de Deus, que não está longe, desceu do céu e veio até nós. Como a gente vai ler em João capítulo 1, a gente vai ver que ninguém subiu ao céu senão aquele que de lá desceu, a saber, o filho do homem, que é Cristo.
A gente vai ver que Paulo aplica essa passagem em Romanos 10, mostrando, né, não perguntes ao teu coração quem subirá ao céu? E aí essa é a pergunta de Moisés em Deuteronômio, né? E é a pergunta de Agura em Provérbios 30.
E o que é que Paulo explica aqui? Quem isto é para trazer do alto a Cristo, que é a palavra, o verbo. Veja, tá tudo encaixando certinho aqui, né?
Eh, e aí, então, o que se diz? Pergunta Paulo, a palavra está perto de ti. É aquilo que foi dito lá em Deuteronômio 30 por Moisés, né?
Esse mandamento não está longe de você. E como é que Paulo aplica isso? Se você, a palavra da fé que nós pregamos, então se você confessar com a tua boca que Jesus é o Senhor, você vai ser salvo por causa da palavra da fé em Cristo.
Ou seja, Deuteronômio 30 tava falando da dádiva da lei que desceu do céu para, não é, ser dada ao povo de Deus. E isso era uma referência a Cristo. E agor está agora citando [roncando] tudo isso e jogando todos esses elementos intertextuais para falar: "Você sabe quem foi que fez essas coisas todas?
Sabe qual é o seu nome? Sabe qual é o nome do seu filho? Bom, a resposta do enigma vai se desenhando aqui.
Veja que nós temos uma dupla indagação de identidade, né? Você sabe qual é o seu nome daquele que fez todas as coisas? Bom, a gente vai se lembrar agora de Êxodo 3, quando Moisés pergunta, né?
Quando o povo lá no Egito me falar, qual é o nome dele, que nome que eu digo? É Yahé, é o Senhor, né? Refletindo a sua essência, seu poder, a sua autoridade como criador.
Mas e qual é o nome do seu filho? Esse é o grande enigma do texto, né? Então, eh, o texto vai associar esse filho a ao criador, falar do seu papel na criação.
E a gente vai lembrar disso à luz do conhecimento do santo, que está associado com a sabedoria e que vai nos remeter aquela parte estrutural do do final da primeira sessão de Provérbios, OK? Vai lembrar dos ecos Jó, capítulo 38, e vai perceber que tudo isso se amarra. Vamos avançar agora um pouco para Jó.
>> Perceba então agora o paralelo entre Provérbios 30 e Jó 38. As perguntas de Agura em Provérbios são: quem? Quem foi?
Quem fez, né? Quem? E as perguntas de Deus para Jó em Jó 38 são exatamente as mesmas, né?
Então você sabe a resposta do enigma? Eh, são questões aludidas tanto em Provérbios 30 quanto em Jó 38. E Deus está se apresentando para Jó na figura do criador que fez todas as coisas, que é a mesma figura que está sendo invocada por Agur.
Em Provérbios 30, a Eva Ridonick comenta que o livro de Jó eh tem uma angústia muito interessante, a ideia de que Jó busca profundamente um árbitro que esteja entre ele e Deus, né? Então, eh, ele não tem condições de conversar de igual para igual com Deus, porque Deus não é homem, não é? Então, não há entre Jó e Deus um árbitro.
E Jó também fala muito sobre a busca da sabedoria. Onde se achará a sabedoria? De onde vem a sabedoria?
Onde está o entendimento? E aí então ele quando discursa a respeito disso também no capítulo 28 do livro ele fala a respeito de Deus como aquele que regulou o peso do vento, fixou a medida das águas e tudo mais e novamente invoca a mensagem do criador. E aí então ele diz aqui no verso 27 que Deus viu a sabedoria e a manifestou.
Então, ah, e ele vai falar aqui: "Eis aqui o temor do Senhor é a sabedoria". E aí a gente vai se lembrar do livro dos Provérbios, dando-nos uma pista interessante, que Jó estava nessa busca sobre alguém que estivesse entre ele e Deus. Jó está procurando pela sabedoria e ele está dizendo que Deus viu a sabedoria e a manifestou e que o temor do Senhor é essa sabedoria personificada, como nós já falamos.
E quando a gente compara o que Ag está dizendo em Provérbios 30 com Jó, capítulo 38, a gente percebe a grande semelhança entre os dois livros. No capítulo lido na aula anterior sobre Provérbios 8, escrito por Setel, nós vimos ali que a posição de Provérbios no canon deve ser levada em consideração na hora de interpretarmos o livro. E embora o canonista não seja inspirado, eh, parece-nos bastante sugestiva a posição de Provérbios logo depois de Jó e imediatamente antes de Rute.
Sete Postel vai falar ali que eh durante todo o livro de Jó, o tema da mediação aparece com grande importância, não é? E em pontos decisivos do livro, Jó pede a Deus um mediador que fique entre ele e Deus. E por quê?
Porque há uma linha de divisória entre ele e Deus, que é a sabedoria divina. O o ele não tem a sabedoria para argumentar com Deus. Ele precisa de um mediador que esteja nesse meio.
E então você vê esse Jó esperando por essa sabedoria. E essa sabedoria vai se manifestar de maneira pessoal agora no livro dos Provérbios. E o livro dos Provérbios vai terminar no próximo capítulo que vamos estudar na próxima aula, com uma mulher virtuosa que é mencionada, né, em Provérbios 31.
E essa é a descrição que é feita para Rute. Em Rute capítulo 3, verso 11. Ou seja, você tem então uma sequência, um encadeamento lógico percebido pelo canonista que arquitetura a disposição dos livros de sabedoria nos escritos, né?
Eh, no canon hebraico, os escritos são arrumados eh de forma que a pergunta de Jó é respondida em Provérbios e o exemplo prático de Provérbios, com o qual o livro é encerrado, né, no na sua culminação e é demonstrado através do exemplo de vida de Rute. E aí, então, eh, temos o Agur, um personagem histórico que está trazendo um oráculo e não tem nada a ver com ele ser de massá. Ele está declarando isso a Itiel e a Oau, que são dois personagens históricos também.
Na passagem não fala sobre ele estar cansado. E ele está dizendo: "Eu sou tolo, eu não tenho muito entendimento, não aprendi sabedoria, mas eu tenho sim conhecimento do santo. Eu tenho eh um segredo para te contar.
Você quer saber quem é o santo? Então eu vou te fazer umas perguntas. Quem subiu aos céus e desceu?
Quem ajuntou nas mãos os ventos? Quem embrulhou as águas em sua capa? Quem fixou os limites da terra?
Qual é o seu nome e o nome do seu filho? Conta aí, porque você sabe. Olha só que legal.
Ficou muito mais fácil, muito mais tranquilo, né? Então, eu estou falando do conhecimento do santo, que é a sabedoria, o temor do Senhor, e eu estou falando da sabedoria como filho de Deus. E a gente viu que isso é perfeitamente compatível com a interpretação de Provérbios 8, 9 e a interpretação disso no Novo Testamento.
Agora, será mesmo que a gente pode enxergar isso? Veja que interessante a sequência do texto. Cada palavra de Deus é comprovadamente pura.
Ele é um escudo para quem nele se refugia. Você lembra dessa história de alguém que se refugia em Deus? Olha só que coisa interessante, né?
Provérbios 35:5. Toda palavra de Deus é pura. Ele é escudo para os que nele confiam.
É o texto de Provérbios 30. E essa é uma citação extremamente paralela ao que Davi vai dizer em Segundo Samuel 22:31. Então, o caminho de Deus é perfeito.
A palavra do Senhor é provada e é o mesmo termo hebraico para pura. Ele é escudo, mesmo termo para todos os que nele se refugiam, que também é a mesma palavra hebraica. Ou seja, Provérbios 35 é um eco das declarações de Davi, o rei messiânico.
E o que acontece quando você vai ao salmo dois, que é um salmo messiânico no livro dos Salmos, que fala do filho ungido de Davi, né, que foi recusado pelas nações. Eh, eh, a promessa citada, né? Eu vou tratar o seu descendente como meu filho.
Deus falando com Davi, segundo Samuel 7. E isso está presente lá no texto dos Salmos. e filho, filho, filho.
Do mesmo jeito que nós temos o filho em Provérbios 30, não é? E bem-aventurados os que nele se refugiam. Meus queridos, essas coincidências todas aí só podem apontar para uma resposta ao enigma de Agur.
Estamos falando do filho messiânico de Davi, que é a sabedoria encarnada. A Eva Ridnick nos aponta algumas possibilidades de interpretação alternativas de quem seria esse filho de Deus seão Jesus. E ela nos mostra no livro que a primeira possibilidade é que esse filho seria eh o próprio Itiel e o seu companheiro, o Cal.
Mas há vários problemas porque filho é um só e Itiel e Uau já são dois indivíduos, não estão no singular, já é um problema. Etiel e não estariam envolvidos na criação. Então, também já era.
Não há nenhum endoço de intertextualidade bíblica. Isso também já tira os dois da jogada e eles não são divinos, então já saíram da questão. A mesma coisa acontece com relação à hipótese de ser o povo de Israel, né?
São problemas. Existe a possibilidade de que se fale de um demiúgo, uma palavra um tanto incomum, mas é um conceito da filosofia de alguém que participou da criação. Então, seria um indivíduo singular, estaria envolvido na criação, mas não há endoço nenhum disso pela intertextualidade e ele não seria plenamente divino.
Também ela fala sobre uma quarta possibilidade de que seria um filho ideal que adquiriu a sabedoria com o seu pai, que lhe ensinou as escrituras e tudo mais. Eh, OK, é um indivíduo no singular, mas ele não estaria envolvido na criação. Também não há endoço de intertextualidade, ele não é plenamente divino.
Ou seja, a única possibilidade de interpretarmos a resposta, quem é esse filho? É o Messias divino. Ela é a única alternativa exegética que preenche todos os requisitos para responder ao enigma de Provérbios 34.
Então, como comenta John Seil Hammer no seu comentário compacto da NVI em inglês, a sabedoria retratada aqui incorporada nos ditos de Salomão se torna, portanto, emblemática da sabedoria do divino filho de Deus, conhecido nos outros textos bíblicos. A sabedoria prática do livro de Provérbios é assim colocada a serviço de um propósito ainda maior do que o de se dar bem nesta vida. Ela oferece o caminho de escape no dia vindouro do julgamento.
Então, se você eh vai ser julgado, né, à luz da sua sabedoria de vida, se você na verdade confiar no filho de Deus e se refugiar no filho de Deus, que é a sabedoria encarnada, que criou todas as coisas, então ele será um escudo para você que nele se refugiar. Aí as coisas todas fazem sentido. E aí o livro de Provérbios termina realmente num grande clímax.
e um climax clímax que vai ser ainda, né, eh, expandido agora com o capítulo 31, que nós vamos estudar na próxima aula. Então é isso, pessoal. Eu espero que vocês tenham entendido este texto complexo, eh, que requer aí uma tradução específica do texto hebraico, que requer um grande conhecimento de intertextualidade, mas que responde a esse enigma, mostrando a coerência interna do livro dos Provérbios.
até mesmo a sua posição dentro do canon hebraico, que faz justiça a várias outras passagens do Antigo Testamento que nos remetem a Deus como criador e a sabedoria como um ser pessoal. E tudo isso com amplo apoio do Novo Testamento, a mostrar para nós que o enigma de Agur é de fato um oráculo que nos faz olhar para a pessoa de Jesus Cristo, filho de Deus, a quem toda honra, toda glória seja sempre pelos séculos dos séculos. Espero que essa aula tenha sido edificante para você, trazido conhecimento e aguarde então a sua leitura do material, que basicamente é o texto que inspirou essa aula toda, tá certo?
E para você fixar bem o conhecimento, aguarda suas dúvidas lá no fórum e aguarda você na próxima aula pra gente encerrar o livro de Provérbio, se Deus quiser. Até lá. Ok.