algumas histórias não precisam de sustos repentinos para nos arrepiar Às vezes o verdadeiro terror está nas entre linhas nas pequenas omissões nos silêncios que pesam mais do que qualquer palavra dita há lugares que parem parados no tempo carregados de memórias que ninguém ousa mencionar e Há momentos em que a solidão nos força a enxergar o que os outros fingem não ver a história que está prestes a ouvir é uma dessas aproveitando que está por aqui permita-me fazer companhia enquanto você se dedica às suas tarefas diárias seja arrumando a casa preparando uma refeição ou simplesmente desfrutando
de um momento de descanso se desligando um pouco de qualquer problema se puder Coloque seus fones de ouvido preferidos prepare uma bebida quente ou aquela que você mais gosta e vamos para o Episódio de hoje antes de começarmos Quero Agradecer profundamente a todos vocês que estão presentes aqui hoje Este é apenas o início de um projeto ao qual me dedicarei muito para entregar o melhor para vocês obrigado de coração vamos ao primeiro relato Boa noite Dom me chamo Camila Eu nunca achei que fosse escrever tanto sobre esse assunto mas Ultimamente tenho sentido que preciso colocar
para fora o que passei há mais ou menos 6 anos quando eu tinha 13 perdi minha mãe de forma repentina isso abriu um vazio enorme na minha vida uma dor que sinto até hoje como eu não tinha para onde ir e não existiam outros parentes próximos fui enviada para a casa de um tio distante no interior de Minas Gerais alguém sobre quem eu sabia quase nada mas em quem apostei todas as minhas esperanças de acolhimento porque não tinha escolha o nome dele era Eustáquio lembro perfeitamente quando cheguei desci de um ônibus velho que parou no
meio de uma estrada de terra segurando minha mala e olhando para aquele lugar que parecia isolado de tudo a casa ficava longe tive que andar um bocado Eu tentava me convencer de que daria certo porque afinal eles eram minha família ainda assim um aperto crescia no meu peito a casa era grande mas parecia largada tinha um ar de abandono como se o tempo tivesse estacionado ali as janelas eram pequenas e deixavam o interior meio escuro as paredes externas tinham rachaduras que pareciam veias cinzentas quando pisei na varanda senti um frio na barriga mesmo sem saber
o que me esperava algo me alertava para ter cuidado bati na porta e ela abriu com um rangido alto meu tio estava ali me esperando mas não demonstrou nenhum entusiasmo não perguntou como foi a viagem e nem se eu precisava de água só falou entra logo quando entrei na sala senti um cheiro forte de mofo um ar pesado os móveis eram antigos quase todos de madeira escura e o ambiente inteiro parecia parado no tempo vi um relógio de pêndulo que não funcionava o que me deu a sensação de que nada andava ali a casa toda
me deixava arrepiada mas não tinha opção a não ser seguir adiante minha tia Neusa estava sentada de costas numa poltrona surrada Tentei falar com ela mas tudo que ouvi foi um oi tão baixo que nem sei se ela realmente disse algo os dois filhos dela meus primos estavam na cozinha me olhando como se eu fosse uma estranha que apareceu do nada ninguém se apresentou nem tentou me receber com algum gesto de afeto naquele momento a saudade da minha mãe bateu ainda mais forte porque ela sempre foi carinhosa comigo mas eu engoli a tristeza e tentei
manter a calma acreditando que com o tempo as coisas poderiam melhorar meu tio me levou por uns corredores escuros passando por portas fechadas que eu não ousava abrir a casa era cheia de ramificações corredores compridos e cômodos que eu nem sabia quantos eram tinham quadros velhos nas paredes retratos de pessoas sérias talvez parentes mas tudo tão empoeirado que era difícil ver direito os rostos a cada passo o assoalho rangia E ecoava chegamos a uma escada de madeira Estreita e ele murmurou que não tinha outro lugar para me colocar fez um gesto com a cabeça para
eu subir achei que fosse só um sótão velho de guardar tralha mas percebi que era onde eu teria que dormir subia à escada morrendo de vergonha de reclamar cada degrau rangia muito e o cheiro de poeira se misturava com um mofo horrível lá em cima uma lâmpada amarelada piscava projetando sombras estranhas quando abri a porta vi um lugar muito sujo com caixas empilhadas móveis quebrados e teias de aranha num canto tinha um colchão velho e rasgado que soltava um cheiro rançoso tinha também um cobertor fino e cheio de manchas e era só isso naquela hora
me perguntei por que eu merecia aquilo não tinha culpa de ter perdido minha mãe nem de não ter outro lugar para morar queria muito descer e exigir um quarto decente mas o olhar duro do meu tio e o clima frio de toda a família me calaram eu só me sentei no colchão fingindo que ia dar um jeito depois assim que me sentei porém tive a Estranha impressão de não estar sozinha olhei em volta mas não vi nada além das caixas e da poeira meu Meu Coração batia forte mas fingi que estava tudo bem dormi muito
mal naquela primeira noite qualquer barulho me fazia acordar assustada o vento passava por alguma fresta Produzindo um som que parecia um lamento às vezes eu ouvia Passos lá embaixo Mas não sabia se eram reais ou fruto do meu medo acabei pegando no sono já de madrugada completamente Exausta e tomada pela saudade da minha mãe no dia seguinte acordei cedo e desci encontrei meu tio na cozinha bebendo café meus primos comendo pão com manteiga e minha tia lavando louça sem me dar atenção tentei dizer bom dia mas só recebi uns resmungos o clima era tenso como
se eu fosse um peso sentei num canto e só ouvi meu tio dizer tem pão aí se quiser Quando peguei percebi que tinha pouco quase contado vi meus primos comendo bastante mas fiquei calada não queria conflito depois ele me mandou ajudar minha tia na cozinha limpar o quintal e o galpão de ferramentas falou para eu não ficar à toa Passei o dia todo fazendo o que mandavam enquanto lavava pratos senti a minha tia me olhando de rabo de olho sempre com uma expressão fechada meus primos apareciam de vez em quando pegavam algo e saíam rindo
como se estivessem falando de mim à tarde fui ao quintal que tinha um muro de pedras com musgo e organizei o galpão cheio de ferramentas velhas E latas de tinta meu tio me vigiava de longe sempre com cara de de reprovação como se tudo que eu fizesse estivesse errado quando a noite chegou me mandaram subir pro sótão logo após o jantar que Aliás era bem simples e regrado meu tio disse de um jeito duro sobe e fica lá não queremos ninguém rodando pela casa a essa hora eu fiquei com raiva e me sentindo humilhada mas
tinha medo de bater de frente então subi o sótão parecia ainda mais escuro do que antes coloquei uma cadeira Bamba contra a porta porque além de Temer a família eu ainda senti aquela presença estranha e de madrugada voltaram os barulhos Passos rangidos sussurros parecia que alguém chamava meu nome mas sa distorcido fiquei paralisada de medo mas não tinha para onde correr acabei dormindo quase de manhã e acordei cheia de olheiras meus primos Riam meu tio continuava me mandando fazer tarefas pesadas e quando reclamei que o chuveiro saía Água Fria eles só disseram problema seu conserta
você mesma me senti menos que uma convidada eu só queria fugir mas não tinha para onde ir com o tempo notei que a casa tinha algo misterioso um dia arrumando umas caixas no sótão para liberar espaço Achei um caderno velho com a capa rasgada na primeira página estava escrito Clarice em letras infantis meu coração disparou lembrei que numa das minhas noites eu sonhei com uma menina que murmurava esse nome passei a ler as anotações dela eram confusas mas falavam de barulhos à noite de sensação de estar sendo observada de um medo constante naquele lugar parecia
que ela também tinha sido obrigada a dormir ali contra a vontade fiquei arrepiada pensando que outra menina Já tinha vivido esse pesadelo porque ninguém nunca falou dela será que meus tios e primos sabiam do caderno ou teria acontecido antes deles morarem ali à noite eu não consegui tirar da cabeça prendi a cadeira na porta como sempre mas a tensão só aumentou os dias se arrastavam eu limpava ajudava na cozinha tentava não incomodar mas estava sempre de olho nas reações dos meus tios e primos de vez em quando via minha tia me olhando com algo que
parecia culpa ou medo um dia enquanto eu limpava outro cômodo cheio de entulho escutei meus primos lá fora discutindo peguei fragmentos do tipo ela não pode descobrir ou se soubesse fugiria isso me gelou por dentro o que eles não queriam que eu descobrisse outra noite voltei ao sótão e achei um recorte de jornal amarelado falando da morte de uma menina ali na casa o nome Clarice Fernandes de Souza disseram que ela foi encontrada sem vida de um jeito misterioso e que a polícia abriu investigação mas não resolu nada fiquei em choque se Clarice morreu ali
porque tudo era mantido em segredo também Vi roupas infantis bonecas quebradas fotos antigas coisas que me davam arrepios a lâmpada do sótão piscava cada vez mais às vezes achava ver um vulto no canto Mas quando olhava não tinha nada fui ficando apavorada mas sem saída eu tinha medo de acabar do mesmo jeito que Clarice em uma das madrugadas ouvi sussurros perto da porta ajude-me suou infantil e desesperado perguntei baix era clar mas só tive silêncio tive a impressão de que alguém tocou meu ombro mas não vi nada eu rezava para sair dali mas não havia
para onde fugir um dia vasculhei um antigo escritório que achei aberto numa gaveta encontrei documentos velhos incluindo a certidão de óbito de Clarice também fotos dela uma menina de tranças que parecia feliz havia uma anotação dizendo ela não resistiu não contamos a ninguém minha cabeça deu um nó Será que minha família era dona daquela casa havia muito tempo será que foram eles que fizeram algo Voltei pro sótão e enquanto folheava o caderno senti um peso enorme na consciência Clarice escreveu que tentou fugir mas parecia presa como se o sótão não a deixasse sair eu tentava
entender mas tudo era confuso a noite caiu e meu tio surgiu de repente no sótão aos berros o que você Andou fuçando porque perguntou de Clarice para Neusa ele estava furioso me sacudiu pelo braço gritou para eu não me meter em assunto que não era meu disse que agora eu já sabia demais depois me empurrou e me trancou lá dentro fiquei batendo na porta implorando mas ninguém abriu passei aquela noite inteira chorando achando que eu ia ter o mesmo fim de Clarice a fome e a sede começaram a bater forte escutei um dos meus primos
sussurrar do lado de fora se contar para alguém o que sabe vai acabar como ela percebi que não podia mais esperar ou eu tentava fugir ou ia ficar ali até morrer então na noite seguinte usei as caixas e cadeiras para alcançar a janelinha do sótão empurrei a janela velha me Arranhei em pregos e farpas mas consegui passar metade do corpo as caixas caíram quase me levando junto Mas agarrei o beiral com força depois me soltei caindo no gramado do quintal torci o tornozelo mas continuei Pulei o Muro coberto de musgo com muita dificuldade e caí
numa estrada de terra ainda doía para andar Mas corri chorando até achar um casebre simples onde um casal de idosos me atendeu contei o básico sem falar de assombrações eles chamaram a polícia fui encaminhada a um abrigo de menores não sei o que aconteceu com meu tio e meus primos depois só ouvi dizer que a polícia fez perguntas mas não sei se chegaram a descobrir algo concreto sobre a morte de Clarice até hoje lembro da sensação de ter alguém comigo no sótão e sinto um aperto quando penso naquela menina às vezes sonho que ela me
chama pedindo ajuda me sinto culpada por não ter feito mais por ela mas eu mesma estava encurralada escrevo isso porque ando tendo pesadelos de novo vejo Clarice nos meus sonhos o rosto triste me chamando na escuridão Pode ser que ninguém acredite ou que digam que tudo foi fruto do meu trauma Mas lembro muito bem do caderno dela dos arranhões na parede do recorte de jornal e também lembro do jeito que minha tia reagiu quando ouviu o nome de Clarice torço para que em algum lugar a alma dessa menina encontre paz eu mesma preciso de paz
contar tudo isso é a maneira que encontrei de tentar me livrar dos fantasmas que ainda me perseguem mesmo assim às vezes no escuro Parece que ainda ouço uma voz Suave dizendo ajude-me e sinto que tanto eu quanto el ainda estamos a tudo o que aconteceu naquele sótão Algumas pessoas dizem que o tempo cura tudo mas tem marcas que ficam para sempre mesmo que a gente tente seguir em frente antes de irmos para o próximo relato se você é novo por aqui não se esç de se inscrever no canal e ativar o Sininho para reber as
próximas hisas sua presença é importante e seu apoio é essencial bem vamos continuar Oi Dom Meu nome é Danilo tenho 27 anos e estou escrevendo aqui porque sinto que preciso tirar um grande peso das minhas costas eu e minha esposa Bianca Vivemos em Santos no Estado de São Paulo desde que casamos há cerca de 2 anos sempre acompanhei relatos de pessoas que passam por situações estranhas e sinceramente nunca pensei que fosse vivenciar algo do tipo mas algumas coisas aconteceram nos últimos meses e mexeram demais com a gente a sensação de estar preso num pesadelo e
não conseguir acordar é muito real estou aqui para contar como tudo começou não foi nada súbito os sinais foram se acumulando Até que a nossa vida ficou de ponta cabeça em abril quando percebi que a coisa estava saindo do resolvi anotar cada evento na esperança de encontrar alguma lógica agora compartilhar pode ser a minha forma de lidar com o trauma e talvez alertar outras pessoas eu e a Bianca sempre sonhamos em Abrir nosso próprio negócio uma pequena lanchonete simples mas com a nossa cara meu trabalho como auxiliar administrativo e o dela como cabeleireira não rendiam
muito além do básico mas a gente vinha guardando um dinheirinho achávamos que poderíamos contar com o apoio da família principalmente de parentes mais próximos Foi aí que entrou o Mário meu primo em segundo grau que até então Parecia um cara bem legal embora um pouco ambicioso demais ele começou a falar em parceria prometendo ajuda com contatos e até um pequeno investimento no começo ficamos animados hoje daria tudo para não ter aceitado nada já estávamos quase fechando o contrato de aluguel de um ponto quando o locador recuou de forma pentina alegando ter ouvido histórias estranhas sobre
a gente fiquei confuso pois sempre fomos vistos como bons pagadores sem dívidas grandes logo depois começaram os boatos de que a Bianca não seria confiável profissionalmente de que eu estaria atolado em dívidas fofocas muito específicas que se espalhavam rápido demais Parecia um ataque orquestrado e eu tinha quase certeza de que vinha de alguém que nos conhecia bem tentei argumentar mas quanto mais eu falava menos as pessoas acreditavam cheguei a me perguntar se estava ficando paranoico Mas Era óbvio que havia algo muito estranho ali as primeiras brigas entre mim e a Bianca surgiram nessa época por
puro estresse os clientes dela sumiam do nada eu não conseguia falar com o dono do ponto que quase tínhamos fechado tudo ficou carregado em casa e a gente começou até a ter problemas de saúde passei a dormir mal acordava suando frio sem entender direito onde estava durante uma discussão A Bianca perguntou se eu não achava estranho o Mário ter desaparecido exatamente quando a confusão estourou mesmo tentando dar o benefício da dúvida aquilo ficou martelando na minha cabeça tentei falar com ele por telefone e WhatsApp mas nada ele chegava a visualizar as mensagens porém não respondia
então decidimos ir pessoalmente até a casa dele mas a recepção foi péssima a tia Denise mãe dele atendeu com uma expressão de desconforto Evidente falando que o Mário não estava enquanto o carro dele permanecia estacionado na frente a sensação de ter entrado num lugar onde não éramos mais bem-vindos foi terrível Saímos de lá sem respostas e a Bianca teve a primeira crise violenta de enxaqueca algo que jamais acontecera antes para piorar descobrimos que um outro parente também primo do Mário andava espalhando histórias ainda piores sobre nós diziam que demos um golpe para juntar dinheiro e
que estávamos devendo para meio mundo eu mal podia acreditar mas as pessoas pareciam comprar aquela história sem questionar a Bianca começou a ter fraqueza desmaios repentinos no salão os clientes se assustavam e marcavam distância como se tivéssemos alguma Nuvem Negra rondando Foi aí que a gente começou a pensar em olho gordo inveja e até maldição apesar de eu ser bem cético a Bianca tentando achar qualquer forma de melhorar sugeriu uma visita a uma benzedeira conhecida confesso que fui com pé atrás mas também sentia que precisávamos de ajuda lembro que a senhora olhou para mim e
para a Bianca e pediu que sentássemos disse que sentia energias bloqueadas e alertou para termos cuidado com quem se aproximava com sorrisos fáceis aquilo Me deixou pensativo passei a rever mentalmente cada o procurando indícios de que ele pudesse estar fazendo algo para nos prejudicar a Bianca por sua vez voltou a ter pesadelos dizendo ver uma figura encapuzada dentro de casa eu tentava racionalizar dizendo que devia ser o estresse e a insônia que ela estava enfrentando mas no fundo eu mesmo andava com um mau pressentimento um amigo nosso o Davi veio me avisar que o Mário
dizia por aí que eu era perigoso e que teriao com agiotas Ele perguntou se havia algum fundo de verdade e eu fiquei sem chão de tanta indignação pedi que ele ficasse do meu lado e desmenti essas histórias mesmo assim senti que até o Davi ficava meio inseguro como se não quisesse se envolver numa briga de família a sensação de estar isolado era enorme resolvi não desistir e marquei um encontro com um conhecido que trabalha na prefeitura para ver se ele podia indicar Outro ponto para abrir nossa lanchonete Ou pelo menos ajudar a desfazer essa má
impressão na véspera dessa reunião acordei de madrugada com a Bianca chorando suando frio dizendo que via sombra se mexendo no quarto fiquei assustado porque se fosse apenas fruto do nervosismo seria compreensível mas ela realmente parecia aterrorizada Fui pra reunião sozinho já que a Bianca estava completamente sem forças meu conhecido mudou de atitude e não quis se comprometer disse que ouviu história complicadas sobre a gente e preferia não associar o nome dele ao meu voltei para casa me sentindo um fracasso quando cheguei encontrei um embrulho esquisito na caixa de correio sem remetente dentro havia um pano
preto enrolando uma pequena boneca de Barro rachada com um cheiro muito forte quase de queimado ou podre joguei tudo fora mas foi impossível não sentir um arrepio a Bianca passou mal na hora teve ânsia de vômito tentei com consolá-la dizendo que talvez fosse só uma brincadeira de mau gosto mas nem eu acreditava nisso contei para ela sobre a reunião fracassada na prefeitura e vi que o desespero aumentou ela sugeriu ligar para um pai de santo que a mãe dela conhecia pois já não víamos mais saída Apesar de eu ainda duvidar de coisas espirituais me vi
cedendo porque tudo ao nosso redor parecia desmoronar enquanto a gente marcava de falar com esse pai de santo veio mais um golpe o dono do salão onde a Bianca trabalhava decidiu rever o contrato alegando baixa clientela ele claramente queria dispensá-la por causa dos boatos ali eu senti que não tinha mais para onde correr nós fomos à tal consulta espiritual o pai de santo nos recebeu numa casa simples cheia de imagens e velas a Bianca tremia pálida quase sem conseguir falar ele pediu que colocássemos as mãos em bacias com água e sal grosso dizendo que ajudaria
a limpar a energia depois de alguns cantos e defumações comentou que percebia uma carga negativa direcionada a nós e que isso poderia envolver inveja dentro da própria família não falou exatamente em feitiçaria mas mencionou ter trabalhos pesados em Ação saí de lá com uma mistura de descrença e alívio mas não dava para ignorar tudo o que vinha acontecendo parecia que a cada dia alguma peça nova surgia para confirmar que tinham forças sejam elas quais fossem agindo contra nós quando voltamos encontramos sinais de arrombamento Na fechadura nada parecia roubado mas o quarto estava revirado as gavetas
mexidas no chão perto da cama havia um pedaço de pano vermelho sujo de terra que não nos pertencia a Bianca desabou a chorar e eu fiquei andando de um lado para o outro sem saber se chamava a polícia ou se tentava falar com o Mário de novo acabei ligando pra polícia e fiz um boletim de ocorrência mas não havia provas concretas de nada então não demonstraram muito interesse a sensação de vulnerabilidade era Cada Vez Pior qualquer barulho na rua me fazia pular da cama e a Bianca acordava chorando repetindo que se sentia vigiada decidi Ligar
pra tia Denise mais uma vez implorando por uma conversa séria com o Mário ela parecia nervosa ao telefone gaguejando de disse que ele não estava e desligou horas depois Recebi uma mensagem anônima no meu celular melhor não insistir ou vai ser pior Me senti tão furioso quanto assustado mostrei para Bianca que na hora sugeriu irmos embora de Santos sem rumo Mas para onde estávamos sem dinheiro sem emprego sem apoio de ninguém Fiquei ali na sala imaginando todas as possibilidades mas só me vinham à cabeça aqueles episódios estranhos como a boneca de Barro os boatos as
tentativas de arrombamento no fim decidi encarar o Mário pessoalmente descobri o endereço de um pequeno escritório que ele alugava e fui até lá sem avisar a Bianca quis me acompanhar mas pedi que ficasse em casa pois eu temia algum confronto mais sério chegando ao local bati na porta até um homem desconhecido me atender perguntando o que eu queria falei que precisava falar com o Mário e ele ligou para alguém uns 10 minutos depois o Mário apareceu ele estava com uma expressão estranha quase indiferente comecei perguntando por ele tinha sumido e o que estava acontecendo conosco
ele não admitiu nada diretamente mas também não negou Então disse algo como Danilo você não entende as coisas que eu preciso resolver tem muita gente envolvida tentei cobrar explicações sobre as mentiras que ele tinha espalhado mas ele só balançava a cabeça e trocava olhares com o homem que estava ali da invasão na minha casa das ameaças veladas mas ele apenas murmurou que eu deveria tomar cuidado e que às vezes certas ambições acabam cruzando o caminho de outras pessoas a sensação que tive foi de que aquilo era um aviso para eu recuar e que se não
o fizesse as consequências poderiam ser piores voltei para casa angustiado querendo contar tudo para Bianca mas a encontrei estirada no sofá ofegante ela disse que tinha visto uma sombra do de fora perto da janela e sentiu um cheiro forte algo que lembrava enxofre ou borracha queimada poderia ser só uma sensação causada pelo Pânico mas depois de tudo o que passamos ficava difícil desacreditar completamente naquela noite resolvemos juntar as poucas economias que restavam e nos mudar para a casa de um tio no interior precisávamos fugir dali Nem que fosse por um tempo para nos recuperarmos e
quem sabe dar outro rumo à nossa vida até hoje não sei ao certo o que o Mário pretendia ou se ele realmente mexia com algo além de fofocas e difamação só sei que sempre que lembro do jeito frio com que ele falava um arrepio me percorre da cabeça aos pés talvez a maior lição disso tudo seja que às vezes o maior perigo pode vir de onde menos esperamos até mesmo da própria família compartilhar essa história é a forma que encontrei de avisar a quem puder confie nos seus instintos preste atenção aos sinais e se tiver
que se afastar de alguém nocivo não hesite seu bem estar pode depender disso se estiver gostando dos relatos não se esqueça de já deixar o seu like ele é muito importante bem vamos continuar Boa noite Dom Eu nunca fui de contar meus causos Mas o que aconteceu comigo ainda não saiu da minha cabeça e achei que seria bom dividir isso com alguém eu moro no interior do Maranhão numa comunidade pequena e sempre trabalhei na roça uns dois meses atrás eu passei por uma situação que me deixou arrepiado até hoje não que eu fosse muito de
acreditar nessas histórias de assombração mas eu também não conseguia ignorar Os relatos de gente sumindo naquele Brejo maldito O pior é que mesmo sabendo de tudo resolvi arriscar por pura teimosia tava com pressa de chegar em casa depois de um dia puxado no roçado e achei que cortar caminho não teria problema agora me arrependo de cada passo que dei naquele lugar eu sou o João tenho 48 anos e vivo da Agricultura desde que me entendo por gente a rotina de acordar antes do sol nascer e voltar só quando o escuro já tomou conta do mato
nunca me incomodou Na verdade eu até gosto de ficar sozinho na roça é um momento de paz de pensar na vida e esquecer os problemas da cidade mas sempre me ensinaram a respeitar as coisas que não entendemos ainda mais aqui no interior onde os mais velhos contam Cada história de arrepiar e olha que eu cresci ouvindo várias delas Principalmente as do Brejo falam que lá já sumiram mais de três pessoas e até o hoje ninguém sabe o que aconteceu naquele dia eu tinha saído de casa às 5 da manhã trabalhei a terra plantei uma sementes
de milho e ainda ajeitei a cerca antes do fim da tarde quando vi o sol já tava começando a se pôr e ainda tinha um bom caminho até em casa pensei em seguir pela estrada principal Mas seria meia hora a mais de caminhada a fome e o cansaço me convenceram a tomar a trilha que passa por dentro do Brejo que todo mundo chama de Brejo do perdidos não é sempre que aquela trilha tá seca mas na época de menos chuva dá para encurtar a viagem eu só não contava que o silêncio e as sombras me
deixariam com uma sensação estranha logo nos primeiros metros só que eu ignorei o desconforto pensei isso é bobagem minha coisa de quem já ouviu muita história e tá cansado segui em frente firme pisando na lama e desviando dos tou de capim o brejo estava mais silencioso do que o normal mas ainda dava para ouvir un sapos coachando e grilos cantando no meio do mato tentei me distrair focando no barulho dos meus próprios passos mas a cada vez que eu olhava pro caminho sentia aquela pontada de medo me Subir pelo pescoço Foi aí que começou a
me incomodar uma sensação de ter alguém ali comigo como se alguma coisa me observasse por trás eu balancei a cabeça tentando afastar essa ideia mas mal sabia eu que aquela sensação ia ficar muito pior a alguns minutos de caminhada comecei a perceber algo que até hoje me deixa arrepiado o som dos sapos e dos Grilos foi diminuindo até sumir por completo como se alguém tivesse baixado o volume do Mundo ao Meu Redor na hora senti o coração disparar mas tentei manter a calma segui pisando na lama ouvindo o barulho meio oco das minhas botas afundando
o problema é que a cada passo meu pareciam existir outros Passos logo atrás mais leves como se algo ou alguém imitasse o meu ritmo tentei me convencer de que era só uma ilusão TZ um Eco estranho ouha própria respiração mais ofegante não ali e vez mais perto fii de ol noin à frente me obrigando não olhar para TRS como se um medo instintivo me dise que se eu virasse veria algo que não deveria acelerei o passo mesmo já sentindo o corpo cansado depois de um dia inteiro de trabalho duro Minha vontade era sair correndo mas
a lama escorregadia do Brejo me impedia de ganhar Velocidade sem correr o risco de cair de cara no chão e aquela sensação de que alguma coisa tava prestes a me agarrar se intensificava a cada metro em alguns momentos achei que ouvi uma respiração que não era a minha um som rouco e abafado que gelou minha espinha tentei engolir o pavor mas meu Coração batia tão forte que eu quase podia ouvi-lo latejar dentro dos meus ouvidos era como se o ar estivesse mais denso e eu comecei a suar frio apesar do clima fresco da noite que
já despontava teve uma hora em que quase perdi a coragem e pensei em virar para trás de uma vez só para encarar o que quer que fosse Mas minhas pernas não obedeciam elas só andavam pra frente Como se eu tivesse entrado em modo automático no fundo eu tava com medo de ver algo impossível de explicar sei que não sou homem de se impressionar com qualquer coisa mas ali naquele Brejo parado e silencioso eu sentia a presença de alguma força algo que não parecia humano a cada passo que eu dava o lugar parecia se fechar mais
com as árvores meio retorcidas projetando sombras esquisitas no chão eu jurava que elas se mexiam como braços tentando me agarrar eu não sei dizer quanto tempo fiquei naquele estado de pânico Mas minhas pernas começaram a tremer parecia que o brejo tinha se esticado que eu nunca ia chegar ao outro lado o tempo também parecia diferente lento demais como se os segundos durassem minutos tentei rezar baixinho mas as palavras saíam pela metade em certo momento ouvi um barulho forte como se algo grande tivesse pisado na lama a poucos metros de mim meu corpo inteiro ficou arrepiado
e eu quase soltei um grito mas controlei a voz ainda sem olhar para trás dei um impulso para tentar correr mesmo sabendo que aquela lama poderia me engolir qualquer tropeço naquele segundo senti a certeza de que se eu caísse não levantaria mais eu não sei explicar direito como consegui atravessar oo do Brejo naqua noite que há umha naqu pto como se meu bloqueado eu não enou de vezen deito que podia me arriscando em cada passo até que o som daqueles Passos atrás de mim ficou distante não sei se a coisa cansou de me seguir ou
se eu mesmo perdi os sentidos quando dei por mim já tava fora do Brejo com as pernas bambas e o estômago embrulhado a única certeza que tive naquele momento foi a de nunca mais botar os pés ali por mais que eu precisasse rezei tanto depois disso pedindo para Deus afastar todo o mal que pudesse existir naquele lugar na hora eu só queria ir para casa fechar a porta e esquecer tudo que passei no dia seguinte acordei no meu quarto sem nem lembrar como havia chegado lá minha mulher disse que me encontrou deitado na varanda completamente
sujo de lama falando coisas desconexas enquanto eu dormia mas que não quis me acordar de imediato com medo de me assustar senti um aperto no peito quando tentei remexer nas lembranças da noite anterior e só me vinham flashes do Brejo o silêncio pesado e aquela presença me rondando depois de uma caneca de café forte criei coragem para voltar até a entrada do Brejo mas só porque achei que tinha esquecido minhas ferramentas de trabalho pelo caminho quando cheguei lá me deparei com as minhas botas jogadas perto da Lama sujas até o cano e o mais estranho
é que eu tava calçando um par de chinelos velhos que nem sabia de onde tinham saído a visão daquelas botas encharcadas me deu um arrepio insuportável eu não conseguia entender como eu tinha voltado para casa descalço nem o que podia ter acontecido no meio daquele percurso que minha mente simplesmente apagou peguei as botas e fui embora sem querer ficar mais nenhum minuto naquele lugar passei a tarde toda tentando lembrar dos detalhes mas minha cabeça latejava e só a ideia de reviver o brejo já me deixava enjoado contei para minha mulher o que lembrava E ela
ficou me olhando com uma expressão de quem não sabe se consola ou se sente medo também as histórias antigas desse lugar sempre rondaram a a do povo daqui e agora eu fazia parte delas mas de um jeito que eu nunca imaginei até hoje quando tento dormir tenho pesadelos com aquela trilha enlameada e o som dos Passos atrás de mim minha esperança é que esse meu relato sirva de aviso para quem pensa em cruzar esse Brejo achando que é só mais um atalho sem perigo não sei se o que me seguiu naquela noite é algo que
dá para explicar mas sinto que se eu tivesse olhado para trás não estaria aqui para contar a história tem gente que diz que esse brejo é amaldiçoado outros juram que é a alma de quem já morreu por lá que vaga em busca de companhia eu só sei que o medo que senti não foi nada normal e ainda não tenho respostas é uma agonia que não me larga e não sei se um dia vou esquecer tudo isso bom pessoal chegamos ao fim do nosso primeiro episódio você que ainda está por aqui está fazendo parte do começo
de algo muito especial aprecio demais sua companhia eu desejo a você uma boa noite e um ótimo descanso te vejo amanhã e o último a sair por favor olhe para trás e certifique-se de que ninguém mais ficou