As narrativas compartilhadas têm o prazer de ouvir hoje Silvânia Gabaldo, o nome completo Silvana Maria Gabaldo Xavier. Eu conhecia Silvana há alguns anos, quer dizer, há muitos anos. Ela foi minha aluna na escola Posse, sobre Extreme Mendes, escola da rede pública estadual, e naquela época, lá tinha 10 anos.
Sempre que eu chegava no estacionamento, ela vinha correndo, pegava meu material e me ajudava a levá-lo para dentro, tanto para a sala dos professores quanto para a sala de aula. Ela já era uma aluna exemplar, extremamente carinhosa e sempre estava presente nas atividades que nós resolvíamos desenvolver. Depois, eu acabei tendo a felicidade também de ser o professor dela no curso de Letras.
Além disso, trabalhei com ela como e não, ela puxou o direito posteriormente, e atualmente, ela trabalha na pró-reitoria de extensão. Além disso, ela fez o mestrado aqui dentro, passou a dar aulas na universidade e hoje está desenvolvendo o doutorado. Mas, logicamente, tudo isso quem tem que contar é ela.
Silvana, seja muito bem-vinda aqui nas narrativas compartilhadas. É um grande prazer recebê-la e fique à vontade para contar um pouco da sua história para nós, desde onde nasceu, o início da sua educação, a formação educacional e profissional também, até hoje. Seja bem-vinda, Silvana.
Obrigada, Roberto. Bom dia a todos. Com certeza será um prazer contar essa minha trajetória.
Eu comecei a ter essas experiências com teatro, né, ainda que dentro de sala de aula, na apresentação de um trabalho, coisas bobas ali, mas que já me despertavam esse interesse, e o interesse pela docência também, que o senhor pode se recordar que eu adorava a Pagu Logo, né? Assim, sempre gostei dele. Eu ajudava o professor Roberto, a professora Maximina, né, vários professores ali, sempre querendo ser ajudante da sala.
Acho que ajudava também a biblioteca. A biblioteca foi criada conosco, né? Os alunos trocavam horários, cada um atendia em alguns horários lá na biblioteca, né?
Numeração e não era um empréstimo rigoroso, nada. Era tudo na amizade, a gente só marcava num caderninho, né? Nós ganhamos, naquela época, 400 livros do governo do estado e, como tinha uma movimentação da biblioteca, tinha comprovado, nós ganhamos mais de 400.
Inclusive a série Vagalume, que eu me recordo assim que praticamente ele ia uma por semana. Quando eu vejo em feira de livro, às vezes aqui, com a professora Ana Paula e Germana, eu olho lá, bate aquela saudade e falo: “Nossa, eu li esse livro, né? ” Entendeu?
Você lembra quais você leu? Mas eu sempre gostava dos policiais primeiro, mas tinha tudo que queria ouvir a morte, crime, eram os primeiros. Então, eu lembro que tinha um que era o mistério das cinco estrelas.
Aí tinha O Rapto do Garoto de Ouro. Faz tanto tempo que eu não lembro, assim que eu ia pegando, eu olhava na capa e falava: “Agora vou ler isso aqui. ” Então, era o meu controle, né?
Mas eu lembro que eu li muitos, muitos mesmo. Ali também o Menino do Dedo Verde, né? O Pequeno Príncipe, que é clássico.
Assim, por meus quatro anos lá na escola, ao sair de lá, eu fiz a inscrição para entrar no Estadão para fazer magistério e no Cefan, que era um programa novo do governo aqui em Sorocaba, que era período integral. A gente tinha 10 aulas por dia e ganhava um salário mínimo por mês, né? E aí a prova lá, o processo seletivo, era uma redação: "Por que você quer ser professora?
" Bom, então eu fui aprovada, né? Aí não fui para o Estadão, fui fazer o Cefan. E lá, praticamente, eu acho que eu vivi os quatro melhores anos da minha vida, porque a gente tinha 14, 15, 16, 17 anos, né?
As amizades que se construíram lá, que a gente mantém até hoje, a gente passava o dia todo na escola. Lá, eu tive a oportunidade de conhecer a Denise Lemos Gomes, que foi a coordenadora por um tempo e hoje é a coordenadora de Letras, mas ela foi a coordenadora do Cefan. Eu sempre fui muito ativa com biblioteca, com sala de aula.
Lá, a gente tinha muito teatro, né? Tinha muitos seminários. Então, você se lembra de algo que você fez nessa parte da tia Trola?
Olha, a gente fazia muito na parte da língua portuguesa, porque como a gente tinha a parte prática de língua portuguesa, a parte prática de matemática e de ciências, então a gente tinha a parte curricular normal de manhã e à tarde a gente tinha prática das disciplinas que a gente poderia aplicar com as crianças. Então, a gente tinha estágio para fazer, né? Eu tomava a tarde toda em várias escolas, então às vezes a gente levava proposta de algum teatro, mas de algum assunto específico para ficar mais legal, sabe?
Ou até mesmo na língua portuguesa, a gente pegava os erros comuns e fazia essa representação, né? Para poder corrigir, porque a gente pensava que quando a gente vê de uma forma diferente o aluno guarda. Aqui vai um exemplo comum: a criança falava errado e a gente colocava na forma de teatrinho.
Em português, era Nilo Peçanha. Nos quatro anos, ela foi a nossa professora. Aí, me formando lá, é claro que eu fui fazer aquilo que sempre sonhei: dar aula, né?
Então, me formando, eu usei e entrei a trabalhar como bolsista aqui na Uniso, né? Surgiu a oportunidade, eu trabalhava na biblioteca e em troca do meu boleto. Então, eu estudava de manhã e à noite.
Eu vou estar na biblioteca em troca do boleto e, à tarde, eu ministrava aula numa escolinha para crianças de 2 anos. Então, lá tinha muito, né? Toda a didática que eu tinha aprendido no Cefan, com o que eu estava aprendendo em Letras, né?
Eu lembro que eu contava muitas histórias para crianças. Então, com dois anos, eles entendiam, prestavam atenção e tal. Eu lia, sempre pedia, eu dava uma folha e pedia para eles desenharem a história.
Era só rabisco, e aí eu chamava um por um, aquelas mesinhas pequenas, e falava: "Olha, vamos escrever aqui para mamãe ver, depois da história. " Aí, quando tinha um rabisco mais acentuado, né? Eu falava: "Isso aqui é da nossa história," e ele falava: "Eu leão.
" Então, a professora vai colocar aqui: "leão, esse daqui. " Então, eu recontava a história com cada um, e eu ia assinalando, né, no papel, marcando para depois os pais verem nas atividades o que tinha sido. Eu colocava o título da história que tinha sido contada.
Então, eu fiquei ali um ano, né, com essas crianças de um ano e meio a dois anos, que eu gostava muito, e sempre acentuando que é o que eu escolhi, que eu queria ser professora, né, desde aquela minha vivência lá na horta, pegando a lousa, pegando o material do professor, ajudando, sempre proativa. E, agora, eu tinha o meu apagador, né, as minhas coisinhas, o meu avental. Isso tudo fazia muito sentido para mim.
Sim, aí depois eu fui estagiária doce e, lá na biblioteca, como passou a ter período integral, eu precisei sair da escolinha. Eu saí da escolinha e fiquei período integral, estudando ainda no meu segundo ano de Letras. E, no curso de Letras, a gente fazia muita atividade prática, né?
Porque a gente estudava literatura brasileira, literatura portuguesa, norte-americana, inglesa, né? Então, era sempre assim: "Vou estudar a leitura dos clássicos e leituras de poemas, de poesia. " Eu lembro até hoje da professora Flávia, que a gente estudava Florbela Espanca, né, com ela, e literatura infantil, que o professor Roberto ministrava.
Então, eu trago muitas lembranças boas dessa época porque era muito teatro. E a classe era dividida em grupos, então cada grupo ficava nesse take tativo do teatro do outro. Então, a gente revezava no salão vermelho do Trujillo porque a gente não deixava ninguém ver, né?
Assim, o outro grupo também não deixava porque a gente queria que fosse a novidade. Então, era tudo sigiloso. E tudo isso, pensa bem, num grupo, numa sala.
Ali eu entrei com as Letras com 17 anos, né? 17, 18, 19, né? Vivendo uma outra experiência, aquele sonho de fazer um curso superior, né?
É que, nesse tempo, não tinha tanta facilidade como hoje de ter ProUni, FIES, bolsas institucionais. Então, tinha muita opção. Muitos professores, muitos alunos já foram dar aula em São Paulo, para Vargem Grande, já começaram aquela vida de carona, né?
E eu acho que eu não tinha coragem, né? Eu achava legal eles irem, mas eu fui ficando por aqui. Aí, no meu último ano, fui contratada como funcionária da biblioteca, né?
Então, eu fiz o meu terceiro ano já como funcionária, né? E eu até tenho, né? Ontem eu fiz uma busca dos meus arquivos, né?
Lá de fotos, né? Na época era máquina mesmo, né? Então, eu tenho algumas fotos de representações que foram feitas.
Essa daqui, por exemplo, foi uma manhã de poesia, e a gente escolheu poesias que retratavam a morte, a tristeza, né? De uma escola literária que foi muito marcada por isso. Os autores escreveram muito sobre a melancolia, sobre a morte, né?
Então, foi bem legal. A gente ficou tudo de roupa de gol. Então, isso era o auge para nós, né?
Esse daqui foi na literatura brasileira. Isso era literatura brasileira, o que é. E aí, depois, a gente teve uma outra experiência de teatro infantil: "A Bruxinha Amar.
" Eu fui a bruxinha. Não sei por que eu sempre ficava com os papéis polêmicos, né? Aí tem aqui o grupinho.
Pena que a gente só tem essa foto, mas foi muito legal também fazer esse teatro infantil. Depois teve um outro teatro que eu não me recordo muito bem. Eu só sei que eu fui a sogra, toda maquiada.
Possivelmente também foi uma peça, mas que eu não consigo abrir a gaveta do cérebro nesse dia. Não lembro qual a disciplina, não lembro. Aí, depois, na literatura inglesa, a gente representou cada grupo.
E, na representação, uma festa de Chekhov, e o meu grupo ficou com "A Megera Indomada. " Quem foi a Megera, Silvaninho? Então, eu fui a bruxa, a sogra, e fui a Megera Indomada, né?
E sempre assim, semanalmente, a gente estava na frente fazendo alguma coisa. Tinha muita atividade que ela dava em sala de aula mesmo. E eu lembro também que, como Letras tem muita poesia, muito poema, muito interpretação e, às vezes, subjetiva, né?
O meu grupo sempre tinha que ter dois trabalhos porque a gente brigava. Dois achavam uma coisa, dois ou três achavam outra. Então, a gente chegava e falava: "Professora, são dois trabalhos porque dois entenderam uma coisa e três entenderam outra," né?
Porque análise de poesia é muito subjetivo, né? Então, era muito gostoso. A gente falava muito na biblioteca, né, e buscava informação nos livros.
E, nessa época, não tinha esse acesso tão livre de internet. Era livro mesmo, físico, lá na biblioteca, né? Quem dava aula de inglês era a Daniela, já não era a professora Fernanda, Fernanda Maia exatamente.
A Daniela era minha colega. Eu estava, por exemplo, no terceiro ano, ela era do segundo. O professor Bonito, Letras Inglesa, coordenador, né?
Atualmente, por. . .
Uma pequena pausa, e nós já voltamos com um pouco mais para nós dessa experiência com as atividades teatrais. Até já!