Se em algum momento eu precisar me afastar de tudo, não há nada melhor do que subir em uma rocha e sentar por horas sem nada à vista, mas apenas mar e céu. Embora o ritmo das ondas marque uma espécie de tempo, não é o tempo do relógio ou do calendário. Não há urgência.
Acontece que é um tempo atemporal. Eu sei que estou ouvindo um ritmo que tem sido o mesmo por milhões de anos, e isso me tira de um mundo de relógios incansavelmente tiquetaqueando. Neste momento; Contemple o Fluxo da Natureza.
Alan Watts. Todo indivíduo inteligente quer saber o que o faz funcionar, mas fica ao mesmo tempo fascinado e frustrado pelo fato de que conhecer a si mesmo é a coisa mais difícil a ser feita. Mas vou lhe dizer o que os eremitas percebem.
Se você for para uma floresta muito, muito distante e ficar muito quieto, você vai entender que você está conectado a tudo. Se você perceber que tudo faz parte de um evento – que tudo é um aspecto ou uma fase diferente de um mesmo evento – então você entende que tudo está simplesmente acontecendo. As coisas são como são.
Olhando para o universo à noite, não fazemos comparações entre estrelas certas e erradas, nem entre constelações bem e mal arranjadas. Tudo está simplesmente acontecendo. Tudo é muito simples.
. . As coisas só se tornam complicadas quando pensamos sobre elas, e isso acontece porque estamos tentando traduzi-las.
. . Aqui, na montanha, observo o Tao, o caminho da natureza não-humana (se é que existe algo assim) e me sinto dentro dele, para descobrir que nunca estive fora.
Para perceber isso, é preciso ir além do que tanto nos distingue quanto nos segrega como seres humanos – nossos pensamentos e ideias. Nos enganamos quando acreditamos que nossas ideias representam ou espelham a natureza, pois isso nos coloca fora da natureza, como meros observadores. Na verdade, nós não “chegamos” a este mundo; saímos dele, como folhas de uma árvore.
Assim como o oceano “ondula”, o universo “povoa”. Cada indivíduo é uma expressão de todo o reino da natureza, uma ação única do universo total. A questão é que os nossos pensamentos e ideias são naturais, tanto quanto as ondas no oceano e as nuvens no céu.
A mente cultiva pensamentos como o campo cultiva a grama. Se penso nos pensamentos, como se houvesse algum “eu”, algum pensador observando-os de fora, surge a regressão infinita do pensar sobre o pensar, e etc. , pois este “eu” é ele mesmo um pensamento, e os pensamentos, como as árvores, crescem de si mesmos.
Seres humanos, são tão agitados quanto a natureza, e os nossos cérebros são uma incrível bagunça de movimentos, e essa é a parte de nós mesmos que menos entendemos. Na solidão, é mais fácil para os pensamentos se soltarem. Quando os pensamentos se soltam, a mente fica clara.
Há muitas palavras aqui, e tudo foi colocado de forma mais sucinta e clara por um mestre zen a quem foi perguntado: “Como alguém entra no Tao? ” Ele respondeu: “Você está ouvindo o som do riacho? ” “Pois sim” .
. . “Aí está o caminho para entrar.
” Lao-Tsé foi talvez contemporâneo daquele maravilhoso e negligenciado filósofo grego Heráclito, e ambos ensinaram exatamente os mesmos princípios. “Panta rhei” – tudo flui, tudo está em fluxo e, portanto, a compreensão da água é a compreensão da vida. Da mesma forma, o fogo é a água caindo para cima.
E a compreensão do fogo é a compreensão da vida. Neste momento, deixe os pensamentos se soltarem. Apenas contemple.