O estresse é um dos problemas mais graves que atinge o ser humano e sobretudo os brasileiros. Isso porque nós estamos vivendo, talvez a crise mais profunda da nossa história. Não sabemos se já chegamos ao fundo do poço, mas estamos num descrédito num nível internacional e estamos como que perplexos, chocados, horrorizados com os múltiplos escândalos que todos os dias surgem anunciados pela grande mídia.
Nós estamos vivendo uma crise institucional grave, de falta de confiança naqueles que deveriam merecer o nosso maior respeito e admiração. Líderes que deveriam ser exemplo e modelo acabam se envolvendo com práticas nada republicanas. que trazem uma espécie de instabilidade e descrédito nas instituições.
É óbvio que a grande corrupção que se alastra e enfia os seus tentáculos em todos os poderes constituídos e acaba respingando na liderança dos três poderes da República, emanam do próprio coração, porque todo o mal que há em nós não vem de fora. vem de dentro. Não é o meio que corrompe o homem, é o homem que corrompe o meio.
Discordo de John Luck, o pensador, quando disse que o homem é uma tábula rasa, uma folha em branco, que ele é produto do meio. Muito embora o meio possa de fato influenciar, mas o homem é que influencia o meio. O mal está no coração, disse Jesus.
É do coração que procedem todos os maus desígnios. Não é o poder que corrompe. O poder revela os corrompidos.
Toda todo o potencial do mal está no coração humano, de tal forma que aquilo que vaza, aquilo que transborda, aquilo que vira uma torrente caudalosa, aquilo que vira uma enchurrada que vai arrastando tudo e devastando tudo, procede do próprio coração do homem. Quando olhamos esse cenário que traz constrangimento e traz quase que desesperança para tantos, nós chegamos à conclusão de quão corrompido é o coração do homem. Certamente Augusto Conte, o pai do positivismo, quando diz que o principal problema do ser humano é educação, é instrução, nós temos que concordar em parte.
Precisamos mesmo de educação, precisamos de formação, precisamos de instrução, precisamos do melhor ensino, das melhores escolas. Precisamos buscar excelência tanto no ensino quanto no aprendizado. Porém, precisamos também destacar que só a informação não é suficiente, é preciso transformação.
Talvez os crimes mais vergonhosos que assolam a nossa nação não procedem daqueles que foram menos instruídos ou não receberam nenhuma instrução, mas de gente com formação acadêmica robusta, gente que alcançou os lauréis dos diplomas mais cobiçados nas universidades mais desejadas, que tem um lastro de conhecimento acadêmico invejável, mas toda a instrução que receberam não puderam livrá-los dos escorregões morais, das quedas vergonhosas, dos problemas que não só os atingem, mas atingem também a nação brasileira. Então, Augusto Conte não estava completamente correto na sua análise, porque não basta informação, é preciso transformação. E precisamos reconhecer que transformação não é algo que nós mesmos produzimos.
Nós não mudamos a nós mesmos. Na linguagem do profeta Jeremias, um leopardo não pode mudar suas manchas, nem um etípo, a cor da sua pele. Nem muito nós, nem muito mais nós podemos fazer o bem, estando nós acostumados a fazer o mal.
Em outras palavras, a transformação não é autoproduzida. Nós não conseguimos mudar a nossa mente, o nosso coração e termos uma nova vida quando nós simplesmente somos o agentes dessa mudança. Ou essa mudança é operada em nós, ou ela não acontecerá.
É por isso que a Bíblia fala de um novo nascimento que representa uma nova vida, um novo coração, uma nova mente, novos desejos, novos projetos, novos anseios, novas realizações. É ser nova criatura. Quando as coisas antigas ficaram para trás e tudo se faz novo.
Então, não há esperança da transformação do homem a não ser em Cristo. Só o Espírito Santo de Deus pode nos dar uma nova vida. Só o Espírito de Deus pode arrancar o tampão dos nossos ouvidos, a venda dos nossos olhos e nos dá um coração de carne em lugar de um coração de pedra.
A conversão não é um ato religioso no sentido de que uma religião possa promovê-lo. Por mais eh antiga ou respeitada que seja essa religião, só Deus pode mudar o nosso coração. Então, o que o Brasil precisa, o que os nossos poderes constituídos precisam, o que as nossas egrégias instituições precisam, é desta experiência, de uma genuína conversão, de uma mudança de dentro para fora, de não apenas ter discursos eloquentes, bem formatados, com retórica irretocável.
O que nós precisamos é de uma mudança interior. Porque quando o nosso coração muda, os nossos pensamentos mudam, as nossas ações também mudam, porque o homem é aquilo que pensa. E quando o nosso pensamento muda e o nosso comportamento muda, então os nossos sentimentos também mudam.
Estamos vivendo uma época de batalhas homéricas, de corda esticada, de muros altos, onde olhamos para o próximo como alguém que precisa ser derrotado para nós prevalecermos. A geração contemporânea cava abismos em vez de construir pontes, estressa ainda mais as relações em vez de buscar o convencimento, a conquista. Como dizia Daily Carnage no seu livro, como fazer amigos influenciar pessoas, a melhor maneira de você derrotar um adversário é conquistá-lo, é fazer dele um amigo, porque não se colhe bons frutos com ódio, não se pavimenta caminho de reconciliação com acusações pesadas.
Precisamos resgatar os valores do cristianismo que tem sido o mundo afora tão perseguido, tão escarnecido, tão desprezado. Eu estou certo de que a maior necessidade do ser humano é conhecer a Deus. Esse stress que estamos vivendo, esse cansaço não só físico, mas emocional, psicológico, tem levado tanta gente a andar de tanque vazio na reserva, com os nervos a flor da pele, com tolerância zero no que tange a paciência na convivência com o diferente.
Parece-nos que nós somos a geração do espelho. Só conseguimos conviver com gente igual a gente. Não sabemos lidar com os diferentes.
Não sabemos lidar com o contraditório. Não temos espaço na nossa agenda para amar quem seja diferente de nós. Quando, na verdade nós precisamos é de uma nova compreensão do que é amor, porque é bem verdade que o amor é a marca de um cristão, é o cumprimento da lei, é o maior de todos os mandamentos, é amar a Deus e ao próximo.
Mas há quem amar e quem é o próximo? A Bíblia estabelece alguns ângulos ou alguns níveis ou alguns aspectos deste amor, porque em primeiro lugar nós devemos cuidar dos da nossa própria casa. Porque se não cuidarmos da nossa própria casa, nós seremos pior do que os incrédulos.
Então você não pode amar o próximo se você não ama quem mora debaixo do mesmo teto, quem tem o mesmo sangue, quem convive com você na mesma família. As famílias estão em pé de guerra. Há batalhas entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre filhos e pais, entre irmãos.
Há famílias onde não se conversa um com o outro. Como diz o profeta Miqueias no capítulo 7, os inimigos do homem são os da sua própria casa. É o pai contra o filho, é o filho contra a mãe, é a mãe contra, é a sogra contra a nora, é a nora contra a sogra.
E a família vira então esse campo de guerra. Mas em segundo lugar, nós devemos amar os domésticos da fé e cuidar deles e suprir suas necessidades, porque somos um só corpo, uma só família, mas em terceiro lugar, nós devemos amar e servir a todos os homens, não com palavras, não com discursos, mas com prática, como diz Tago. Se você receber em sua casa alguém dizendo: "Eu preciso de comida, eu preciso de roupa".
E você disser pra pessoa: "Vai em paz, Deus te abençoe, Deus te aqueça, Deus Deus te sustente, tendo você oportunidade e condições de ajudar essa pessoa e encolher a mão, que aproveita isso. A fé sem amor, sem boas obras é morta. Mas a Bíblia diz que devemos ir além, que nós devemos amar e servir aos nossos próprios inimigos.
Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer. Se tiver sede, dá-lhe de beber. Você deve vencer o mal com o bem.
E desta maneira é que precisamos nos relacionar amando e buscando oportunidade de servir até aqueles que falam mal de nós e fazem o mal contra nós. Preciso concordar com aquele autor do livro Em Busca de sentido, Víctor Frank, o pai da longoterapia. Ele viveu num campo de concentração nazista.
Ele sobreviveu. E ele diz nesse livro, em busca de sentido, que a única coisa que ninguém pode tirar de você é o direito que você tem de fazer suas próprias escolhas. As pessoas podem tirar seus bens, elas podem tirar sua liberdade, elas podem tirar sua família, elas podem tirar sua saúde, elas podem tirar sua própria vida, mas elas não têm o poder de tirar o direito que você tem de fazer suas escolhas.
Se elas falam mal de você, você fala bem delas. Se elas perseguem você, você intercede por elas. Se elas odeiam você, você passa a amá-las, você é livre.
Mas também estou certo de que nós não conseguiremos essas reações transcendentais pela nossa própria habilidade humana. Talvez o nosso problema não é ação, é reação. Talvez você consiga conviver muito bem com alguém que mora do seu lado, porta a porta.
Se durante toda a vida ele te tratou bem, então você devolve a relação tratando bem também. E eu lhe pergunto: "E se essa pessoa lhe tratar mal? Se ela for indelicada com você?
E se ela for agressiva, agressiva com você? Qual é a sua postura? " Jesus disse: "Se alguém te ferir uma face, dê a outra.
Se alguém te constrangir uma milha, vai duas. Se alguém quiser tomar a tua túnica, dê a capa também. Do que Jesus tá falando?
Não tá falando de ação, ele tá falando de reação e de reação transcendental. Porque Jesus está pontuando três coisas essenciais: a honra, a liberdade e os bens inalienáveis. Bater na cara de um homem é uma deshonra.
Constranger alguém a fazer o que ele não deseja é atentar contra a sua liberdade. Tomar uma roupa que não se podia pagar dívida com essa roupa é afrontar ao máximo no que tange a vida financeira. E no obstante uma ação tão dolorosa e injusta, a reação é transcendental.
Mas eu estou seguro de que essa transformação do homem que vai produzir a transformação da família, que vai produzir a transformação da sociedade, que vai transformar, produzir a transformação da nação, não se faz com decretos, não se faz com uma canetada, é só Deus pode fazer isso. E é por isso que quando o Estado envida seus esforços para derrubar, dilapidar, solapar os alicerces daquilo que nós chamamos da cultura judaico-cristã, são os valores, os princípios absolutos que tratam da vida, do casamento, da família, das transações comerciais, das relações sociais, da governança, da submissão às autoridades, que é esse padronamento que tem sido o sustentáculo das da cultura ocidental, levando a sociedade a um colapso moral, à destruição dos valores, ao arrancamento dos dos fundamentos, Porque destruindo os fundamentos, diz Davi no Salmo 11, o que poderá fazer o justo? Então, quando a sociedade vai perdendo esses pilares, esses marcos, essas balizas, os absolutos vão acabando.
O que vai prevalecendo é a ditadura do relativismo. O que vai acontecer é que a sociedade vai se tornar gelatinosa, flácida, que vai se conformar com o caos, que vai se render e se capitular ao desastre. E a sociedade vai então perdendo seus referenciais e a vida vai se tornando brutalizada.
Então, se nós queremos uma vida digna, proa, íntegra, honesta, do trabalho honrado, da prosperidade, não por meio de falcatruas e corrupções, mas do trabalho, da integridade, da bênção de Deus. Nós precisamos resgatar esses valores que estão sendo perdidos. Não há outra alternativa, não há outro atalho, não há outro caminho.
Porque o sucesso sem Deus é fracasso. O estado absolutista divinizado, que tenta adestrar as consciências, encabrestar as consciências e empurrar guela abaixo, ideologias perniciosas, ateístas, é laaborar contra nós mesmos. A história é nossa pedagoga ou será a nossa coveira?
Se não aprendermos com o que acontece na história, vamos repetir seus erros. É por esta causa que todas as nações que aderiram a esse absolutismo ideológico, esse patrulhamento do Estado, onde o indivíduo perde a sua independência para pensar e agir ou às vezes até para se expressar, aconteceram o quê? Caíram em ditaduras, em regimes totalitários.
que fiscaliza até o que o homem pensa. Ele perdeu a sua liberdade de expressão. E aí entra o quê?
Entra a opressão, entra o medo, a miséria, opressão. E precisamos resgatar, portanto, esses valores da verdadeira democracia, do governo do povo, onde as autoridades constituídas reconhecem que elas estão debaixo da autoridade, da autoridade de de Deus. Elas são ministros de Deus para servir ao povo e não para se servirem do povo.
Então, os valores de Deus são eternos. Eles são aplicáveis ainda hoje, hão de ser sempre, porque a palavra de Deus não é velha nem nova, ela é eterna, ela não passa. e feliz é a nação cujo Deus é o Senhor.
Trago, portanto, esta reflexão a você de que a única maneira de nós vivermos com serenidade, com respeito mútuo, com amor ao próximo, com a capacidade de ajudar o próximo, estendendo-lhe a mão, ajudando-lhe a ficar de pé e a caminhar. São os valores, são os princípios que estiveram sempre na base das nações que prosperaram, que são os valores cristãos, os valores judaicos cristãos. Não sei como você tem olhado para o cenário brasileiro e mundial, mas nós estamos vivendo um tempo difícil, perplexo, confuso, onde impera a violência, onde o crime se agiganta, onde aqueles que deveriam estar velando pelo povo acabam se mescuindo em práticas reprováveis.
Os escândalos mudam de endereço, mas não cessam. Entra partido, sai partido. Entra político, sai político.
Entra uma filosofia, desce outra filosofia. E parece-me que o mundo caminha para um abismo da perplexidade entre as nações. Guerras e rumores de guerras, catástrofes naturais, esfriamento do amor, crescimento da violência, a multiplicação da iniquidade, a perseguição religiosa.
E este é o cenário que Jesus traçou de fato do fim do mundo. Sinais esses que vão anteceder a sua segunda vinda gloriosa para julgar as nações. Porém, a minha palavra agora é para você como pessoa, como indivíduo.
A minha palavra é pro meu próprio coração. Quando eu trago essa reflexão a você, eu estou falando para mim mesmo. Eu sou a primeira pessoa a ser confrontada, a primeira pessoa a ser desafiada, a amar a Deus e amar o meu próximo, a servir, a não buscar os meus próprios interesses e sim os dos outros, a não me render à sedução ou à pressão para abrir mão de princípios e valores.
E desta forma, certamente Deus há de compadecer-se de nós. Tá escrito lá em segundo Crônicas 7:14, uma promessa que Deus fez no tempo de Salomão, quando o templo de Jerusalém estava sendo inaugurado. Se o meu povo que se chama pelo meu nome se humilhar e orar e me buscar e se converter de seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.
Este Deus nunca mudou. Ele é o mesmo ontem, hoje, para sempre o mesmo. Se nós nos voltarmos para Deus, ele se voltará para nós.
Se os nossos caminhos forem emendados e nos arrependermos e nos convertermos ao Senhor de todo o nosso coração, ele nos encontrará com graça e com restauração. E a mudança da família, da igreja, da cidade, da sociedade, da nação, enfim, começa é com a mudança interior. É quando você busca Deus, é que este exemplo começa a se irradiar, a reverberar na vida de outras pessoas e de repente algo novo pode acontecer, trazendo esperança para nós, paraa nossa casa, pra nossa nação.
Que Deus abençoe sua vida, que Deus abençoe sua família, que Deus abençoe o Brasil.