[Música] uma vida dedicada à antropologia com análises urbana e da violência uma referência nos temas da atualidade a nossa entrevista de hoje é o alba zaluar muito obrigado por nos receber alba como é que você define o seu encontro com a sociologia da faculdade professor de antropologia também na verdade foram os únicos professores que se mantiveram ao longo do período porque o curso foi interrompido pelo golpe militar vários professores foram demitidos não tiveram que embora a tecnologia continuaram mais de feto antropologia me sentindo quando eu fui já então exilado voluntariamente para europa e terminei em
manchester onde há uma escola de antropologia muito importante e eu fiquei justamente foi aceita como do departamento de sociologia e antropologia social e que influências você teve na sua trajetória foram muitas a demanda foi de antropologia foi bastante grande professores muito importante mas para o max mosley e depois na minha vida depois 25 meu pai morreu e eu estava lá na inglaterra sob um mês depois que está amamentando meu primeiro filho e aí eu tenho que voltar pro brasil porque eu estava muito abatida mãe quando eu voltei eu descobri que havia que uma é pelo
museu nacional então eu vim fazer esse concurso enquanto estava aqui editou na minha família e fazendo luto nem eu não tinha conseguiu sozinho na inglaterra direito e aí entrei e consegui uma bolsa esse que é que algum tempo depois voltei com a bolsa para manter o sonho onde estava meu marido não pai dos meus filhos continuei estudando lá fazendo cursos lá mas por pouco tempo porque comecei esteve até do que voltar então essa minha tese é justamente por conta do fato de eu ter tido professores de antropologia muito bons também aquilo museu nacional vai comover
da mata foi meu professor orientador roberto cardoso de oliveira eu voltei rapidamente pra cá e e aqui fica a minha tese de mestrado sobre o excesso de fãs do catolicismo popular essa tese acabou sendo publicada dez anos depois que sempre foi mesmo desligada nesses assuntos e aí começou uma outra trazendo na minha vida que foi o fato de que eu fui perseguido politicamente eu sou realmente uma coisa uma tragédia nossa sucessão de tragédias a perseguição ela ela é o que termina por dentro não sai você perder também no jato sentindo a crença em você mesmo
a autoestima vai por água abaixo também porque você fica se perguntando não o tempo todo não é o que eu fiz foi mexer nisso né o arroubo juvenização era um desejo de melhorar o país de fazer um país mais justo mais igualitário na sua história está muito ligada a trajetória do seu pai era médico e também tinha estudado na escola militar no isso se acredita que a sua opção por se especializar no tema violência vindo dessa questão com relação ao ipi tem alguma relação à sua vida não não foi um acaso porque eu fui fazer
pesquisa em cidade de deus pensando nessas infância finais não é porque se a adesão conjunto habitacional onde se concentrar em sua vinda de vinte e tantas favelas do rio de janeiro na eu estava interessado em saber o que ele seu feito com todas aquelas associações que existirão sempre existiu na favela ela sempre teve uma vida associativa muito rica e aí eu me concentrei no bloco porque eu fiquei impressionada com a história desse bloco cheguei numa praça e aí procurando a terra é um time de futebol que estava mais interessado então e aí eu descobri que
eles iam acabar e fundar um bloco de carnaval estava preparando seu primeiro filho por conta da morte do manel galinha quem era vizinho deles de que eles gostavam muito e eles fundaram o bloco justamente para lutar contra tristeza que tinha batido todos a ler resolveram fazer esse bloco de carnaval eu fiquei fascinada com essa história porque era uma é uma maneira de lidar com a tristeza não trauma que era muito carioca não é como eu sempre gostei de carnaval na desde menina eu pegar meu pai levar um centro da cidade para ver os blocos naquela
época um bloco do eu sozinho né voltando à cidade de deus década de 80 pesquisa dirigida por você aproximadamente a gente tenha um livro que foi inspirado nessa nossa realidade a máquina ea revolta news fm até doutorado na usp eu fui lá encontrei esse bloco se esse bloco eu vou estudar porque aqui tem tudo né então estudei a vizinhança né a relação de que os moradores tinham com o pessoal que já estava no tráfego ali tinha se acabado já acontecia a primeira guerra do tráfico no rio de janeiro que foi registrada de aguiar que está
no romance do paulo lindu no filme de fernando meirelles os dois chamados cidade de deus o paulista trabalhou comigo nove anos eu consegui bolsa pra ele escreveu o romance durante alguns anos também depois a que ele teve um ano de bolsas da fundação vida então a minha tese de doutorado ela foi muito elogiada e logo surgiu a o convite para publicá la por coincidência quem estava dirigindo a editora que publicou meu livro e depois fundou a companhia das letras saiu dessa vitória são da companhia zero hora o tema violência você foi uma das primeiras a
se dedicar a essa questão foi como surgiu isso pra você não foi assim eu cheguei lá e vi que é que ele falava muito de seus personagens uma nova linha eu tô batata é pequeno e eu comecei a me interessar eu comecei a colher as primeiras entrevistas na redação mas essas pesquisas estavam todas localizadas nos moradores depois que eu fiz essa pesquisa com os moradores eu comecei a fazer publicar o livro o livro são nove capítulos tem 11 sobre o tráfico né a presença dos praticantes relação que ele tinha com os moradores tinham constance cans
chamada pra falar sobre isso que ninguém tem escrito sobre isso e saber o que é eu mantenho uma equipe tocou fazia parte paulista e mais três oradores nesses a deus que ela estudante universitário e eles começaram a fazer entrevistas pra mim porque eu achava que ele não viu se abrir comigo né com muita razão por que as únicas tentativas que eu fiz' mentindo pra mim o tempo todo me enrolar então e aí que não foi aqui cima porque eles conseguir entrevistas muito bom e dispensa mesmo - quando eu voltei eu vi que realmente é um
assunto vasto que eu precisava me aprofundar mais escrevi vários artigos e tal e percebi que havia uma já uma mudança na organização anti era o fato de que havia a presença dos comandos que tinham começado na prisão e foi estudar por colegas meus na paixão e desmontam escolher estudaram um dos primeiros a revelar como que eu como o primeiro surgiu dentro da prisão a partir do encontro de exames como o teço políticos e as facções elas já estavam aparecendo eram mencionadas e só depois de entrevistar várias vezes traficante convívio do batata é que percebi que
realmente uma mudança que a partir de meados da década de 80 o pessoal do comando vermelho desistiu de bancá la salsa banco do time e e conseguir dinheiro para se manter bem dentro da prisão a partir dos assaltantes de banco e passar o dia inteiro está pelo tráfico é a história do comando vermelho é essa de hoje qual a etapa que você acredita que a gente está vendo nós estamos vendo ela estava quieta só que fãs criminosas elas tornaram nacionais especialmente o pcc eo comando vermelho mas o tc mais ainda do que eu comando vermelho
e como é que só cedeu justamente através do regime rb na que fez com que se espalhasse pelo brasil todo frisou mesmo outro estado e isso fez com que se organizassem nacionalmente vamos tentar esclarecer um pouco como é a origem dessa violência em alguma entrevista no passado você falou que a pobreza ea desigualdade mostrar um tom ligados à a as origens ainda continua amigo que não têm claro cada vez mais a corrupção que foi ativamente proporcionada por camadas da população agora nem de muito rica muito poderosa membros da elite membro da oligarquia de outros estados
envolvidos em atividades criminosas à vontade se dar bem ganhar mais e mais gravidez de ganhar mais dinheiro afeta todas as classes sociais não faz patos mas a existência de um contingente de jovens que vive e que observa essa desigualdade pode desmatar violência quem pode pode ser algo como eu quero meu também [Música] eu quero sair da pobreza certamente tem essa é assim empurra diz já é uma tentação de ficar rico sair da pobreza mas não é só isso a busca do poder busca do prestígio a atração que eles exercem sobre as mulheres no anzhi ans
tudo isso faz parte desse quadro de atração dos jovens vulneráveis dentro da favela e nas periferias de são paulo também por essa atividade criminosa o um conjunto de elementos que fazem com que é essa transição para uma carreira criminosa seja muito complexa não se pode reduzir a questão da pobreza na emenda desigualdade embora eu acho que a desigualdade tem um um peso maior do que a do que a pobreza a realidade passada pela própria mídia a senhora acredita que é um pouco deturpadas nação a violência tem alguma falha na divulgação do que a violência dependendo
do órgão não depende do canal programas policiais são lamentáveis do crime com o negro o pobre quem vive na periferia na favela e se é lamentável porque isso cria um estereótipo alimenta reforça o estereótipo que já existe dentro das instituições que têm mais pobre na prisão tem mais gente pobre sendo processadas justamente porque a esse pressuposto de que o criminoso e kobe negro favelado chegamos à prisão nos acredita que a prisão é pode ser classificada de que forma dentro dessa reintegração de quem comete um crime no brasil contou pra nóis minha amiga sobre alguém acreditava
ter uma idéia de tudo na cantina substâncias que alteram a mente também prisioneiros sabre com mesmo bebidas alcoólicas dentro da prisão reforma das celas quando eles têm dinheiro por isso é importante ter o apoio dos que continuam na atividade criminosa fora os mesmos que não essa visão que existe no brasil não tem nada a ver gostar de uma casa de madeira porque as correções vidas humanas da sujeira na falta de higiene é a exposição a pressões nem chantagens e certa tanto dos guardadores governadores quanto dos outros exames são mais sagradas como é que uma pessoa
pode ser recuperada qual é a saída da crise dos pólos quem comete um crime como a gente consegue combater a chamada violência e conseguir recolocar essa pessoa na sociedade o método mais barato é a prevenção tem que se pensar como prevenir vou fazer com que esse jovem entenda que ele pode conseguir tudo aquilo que ele quer poder prestígio e até sair da pobreza por outras vias isso é fundamental mas também é preciso pensar em como evitar que as armas de fogo chega com tanta facilidade nesses locais onde estão os jovens mais vulneráveis que no desespero
e na vontade de se afirmar como um homem acaba marcando nessa canoa furada achando que com a arma eles vão estar reconhecidos como homens como parte dessa categoria tanto masculinas né é e ao mesmo tempo a impor a sua vontade das pessoas tendo poder esse poder despótico naqueles adquirem além do mais nós sabemos que a cocaína o uso da cocaína pura siga também o desenvolvimento de estados paranóico uma coisa vai puxando a outra então eles desconfiado até mesmo dos seus amigos mais próximos dizem eles que aquele que mata o chefe é sempre oficial o mais
próximo dele nem no fiel eles podem realmente confiar de maneira absoluta mas esse livro mais recente geralmente fica mais nem tão assim é de que forma ele surgiu como que foi a inspiração para escrever salto alto essa é uma história também é interessante eu sou marcada por acaso e por também em situações bem complicadas em que eu me sinto de alguma forma e injustiçada bom é assim é o taurino escrever um romance [Música] seu nome é luiz publicou um filme mais um filme na minha pesquisa meu nome no entanto estão batata que estava preso há
menção ao filme guerra então ele foi uma saída da prisão ele estava no regime que ele podia sair da prisão ele não erre a tomar satisfação primeiro me telefonou graças a deus porque ele sempre foi muito bom eu fiquei lá os escritórios modelo não é ele conseguiu a liberdade condicional e aí como ele não obteve nenhuma indenização praticamente nenhuma que há muito pouco e não deu a falta mesmo uma maneira com o tema ele a história de vida dele eu tô batata parte inicial que é sobre na história da infância dele né as tentativas dele
de trabalho né são várias na relação deles com as mulheres com os filhos e depois na segunda parte que é a trajetória dele mesmo o tráfico de drogas naquele antro tráfico de drogas depois a relação dele com a polícia depois do período em que ele passou preso experiência todo aquele tempo nas prisões no e um capítulo em que foi negativa dele que ele contando a guerra só narrativa dele que é o capítulo que eu mais gostei de ter ditar as oito treinar porque ficou muito bacana foi muito bonito então a partir daí eu comecei a
achar que o problema da violência tanto ódio à violência por cento juntos combater essas explosões de raiva justificada que movem impedem o entendimento é nem a troca de idéias quero que as pessoas achem da silva falava que ele mais gostava e cidade de deus durante o período que estive na fazendo pesquisa na toca e nem se e começou essa influência da cultura popular na sua vida acompanha até hoje lógico que me acompanha até hoje então é é uma experiência ascende já a acreditar que o povo tem uma resiliência enorme que o povo sabe encontrar alegria
de viver apesar de todos os problemas que enfrenta apesar de todas as tragédias não encontrando com esclarecida e para ilustrar um sofrido vista muito importante é muito importante que esse povo continue ativo de ser ativo ter prática não é que podem realmente é moldar suas próprias vidas isso é muito importante eu acho isso uma coisa única que o brasil tem felizmente está sempre sendo ameaçados uma forma ou de outra não é preciso mais cultura para aspirar superar o desafio refletido mais essa sensação precisa acreditar mais na capacidade que esse povo tem de se associar para
enfrentar essa dificuldade produzir alegria todas e cultura uma cultura alegre isso aqui é um bacana algo muito obrigado pelos entrevistados de nada pra ver [Música] [Música]