Olá, moçada! Tudo bem? Denão aqui.
Sejam bem-vindos de volta para mais uma meditação. Hoje, toda estranha em termos de ambiente, por continuo aqui pelas terras paulistanas. Eu tô projetando um pouquinho mais a voz para que vocês possam me escutar adequadamente.
Deixa eu mostrar aqui para vocês: nós estamos num dos prédios mais altos de São Paulo, uma baita vista bem aqui atrás de mim é a Avenida São João, conhecida aí em verso e prosa. Hoje, para mais uma meditação estóica, que dia que é hoje? Hoje é dia 15 de março.
Dia 15 de março com uma meditação intitulada "O presente é tudo o que temos". O presente é tudo o que temos! Essa é uma noção bastante cara aos estóicos, a ideia de que o passado é algo que não deveria nos ocupar de nenhuma forma, porque já foi.
Não existe nada que nós possamos fazer a respeito do que já foi, e o porvir é absoluta incerteza, é absoluta incompreensão, é a absoluta possibilidade de qualquer coisa. Portanto, não temos por que nos preocupar com aquilo que pode ou não acontecer amanhã. Tudo que nós temos na vida, tudo que nos resta, é o presente, é o agora.
Uma meditação de Marco Aurélio que cito imediatamente: "Se viveres 3. 000 anos ou mesmo um incontável múltiplo disso, tem em mente que ninguém jamais perde uma vida diferente daquela que está vivendo. Ninguém perde uma vida diferente daquela que está vivendo.
Você só pode perder a vida que você está vivendo neste momento, e ninguém vive uma vida diferente daquela que está perdendo. " A vida mais longa e a mais curta, portanto, se equivalem, pois o momento tem a mesma duração para todos e é o único bem que possuímos. Vivi 3 milhões de anos, vivi 3.
000 anos, vivi 20 anos, vivi 10 anos. Essa extensão não conta porque o que conta no fim, no fim da ideia, no fim do cálculo, é a vida que eu tenho agora, é o que eu faço nesse momento. O presente é tudo o que eu tenho!
Inclusive, se vocês me permitem, eu sempre gosto de lembrar essa história: os gregos, quando vão conjugar o verbo no futuro, eles já consideravam isso na antiguidade uma excrescência. Quando você vai conjugar o verbo no futuro, você coloca um sigma na palavra, um "s", e uma desinência diferente para marcar que o verbo está conjugado no futuro. A gente chama de futuro sigmó.
Os gregos já entendiam que qualquer verbo projetado no futuro é uma intenção estranha. Dizer que amanhã eu vou almoçar com vocês é algo absolutamente estranho porque não tem como prever o que pode acontecer de agora até amanhã. Um milhão de coisas, inclusive nada.
Portanto, com a sabedoria que é própria, os gregos já entendiam a ideia de que nós precisamos explorar o agora, porque só agora está diante de nós. Ninguém pode perder o passado ou o futuro, pois como pode alguém ser privado do que não é seu? "Não, eu vou esperar porque amanhã eu vou fazer tal coisa, e minha vida faz sentido porque amanhã eu vou fazer tal coisa.
" Você não pode dar sentido à sua vida por algo que não é a sua vida. Você não pode conferir sentido à sua existência por algo que não é a sua existência. A única que dá sentido à sua vida é o que você está fazendo exatamente agora, exatamente nesse momento.
Porque, na hora que a pedrinha cantar — e ela canta em momentos inesperados — pode cantar agora, enquanto você está ouvindo essa reflexão, pode cantar amanhã ou daqui a 10 anos. Uma hora ela vai cantar, e você já não está mais aqui, e nada mais tem importância. No comentário dos nossos autores hoje, observe com que frequência você busca mais isto, querendo que o passado seja mais do que ele foi, querendo que o passado seja mais do que ele foi.
Diferente? Melhor? Ainda presente?
Tem gente que vive assim, com um olhar no retrovisor: "Ai, quando eu fiz, quando eu fui, quando eu tive". Já era, acabou. Essa não é mais a sua vida.
A meditação de Marco Aurélio quer dizer exatamente isso: você não perde o seu passado porque o passado já nem é mais seu. O que aconteceu no passado já não está mais na sua vida. O presente está!
Ou, querendo que o futuro se desdobre exatamente como você espera. Puxa vida, como nós desenhamos expectativas para o futuro! A gente só se esquece de que esse porvir é marcado pela mais absoluta incerteza, quase sem pensar em como isso poderia afetar, inclusive, outras pessoas.
Quando você faz isso, está negligenciando o momento presente. Veja que ingratidão! Há um dito atribuído a Bill Kane, o cartoonista, que merece ser lembrado: "Ontem é o passado, amanhã é o futuro, mas hoje é uma dádiva, e por isso é chamado de presente.
" Esse presente nos pertence, mas tem uma data de inspiração cada vez mais próxima. Cada momento desse que nós estamos vivendo nos aproxima mais do nosso fim. Nós começamos a morrer no dia em que nascemos.
Essa data começa a contar do momento mesmo em que nascemos. O que estamos fazendo a partir daí é o que conta. Se você aproveitar de corpo e alma esse tempo, será suficiente.
Você nunca vai reclamar da brevidade da vida. Poderá durar uma existência inteira. Então, se você pode fazer hoje aquilo que você gostaria de fazer, ah, vai lá e faça!
Vá lá e faça! Não fique jogando muito as suas expectativas para o amanhã, porque terá aí um desses amanhãs que não vai chegar. Para todos nós não vai chegar.
Uns partem um pouquinho mais cedo, outros partem um pouquinho mais tarde. Todos partem, mas nós podemos viver com a intensidade necessária para que a vida, no fim. .
. Das contas, tenha valido a pena que a gente viva uma vida refletida. Tem pessoas que passam uma vida inteira sem refletir a respeito do que realmente conta e aí só vão se dar conta disso no momento em que têm uma notícia ruim no leito de morte.
Puxa, eu devia ter feito isso, eu tinha todas as condições de fazer isso e fiquei esperando, esperando, e agora não dá mais. Eu digo sempre que vida boa é vida à sombra da morte. As pessoas têm medo da morte.
A gente não tem que ter medo da morte; a gente tem que ter medo da vida que nós estamos vivendo. Isso deve nos amedrontar. A morte não é como ter medo de ter dois braços; a morte é um dado da natureza.
Os estóicos vão dizer que a morte não é nem um bem nem um mal, é uma coisa indiferente, é só um dado, de fato, como o céu é o céu, a terra é a terra, e não tem bom e mau nisso. Mas é aproveitar da melhor maneira possível o tempo que nós temos. Nesse momento, uma das coisas mais belas que nós fazemos em vida é refletir com qualidade sobre a própria vida para dar um rumo diferente a ela.
Espero que vocês tenham me ouvido bem. Espero que vocês tenham gostado da vista com São Paulo ali ao fundo. Essa loucura aqui, eu peguei uma janelinha, não dá para ver tudo, mas tem um mirante aqui atrás, e a gente se encontra aqui amanhã para mais uma reflexão.
Não se esqueçam de ingressar no grupo de WhatsApp da Sociedade da Lanterna, porque lá o que nós fazemos de melhor é alta filosofia para fazer a vida valer a pena. Beijão para vocês, juízo! Tenham uma excelente jornada.