Acontece que, através da civilização, estamos contendo os limites da nossa moralidade inata. Com a civilização, estamos expandindo o círculo de moralidade. Então, você esperaria que nos tornássemos melhores ao longo do tempo.
Mas quem fez a pergunta acredita que isso não ocorre, que nos tornamos piores. Acontece que existem dados a respeito disso. Durante minha palestra, projetei uma imagem de um livro de Steven Pinker chamado “Os anjos bons da nossa natureza”, e nesse livro, em várias páginas, ele defende muito bem uma tese.
E essa tese surpreenderá algumas pessoas. Ela afirma que, através da história, ficamos menos violentos. O século XX foi horrível em termos de pessoas sendo mortas por outras pessoas.
O único século que eles acharam pior do que esse foi o século XIX. E, então, o que tinha sido pior ainda, foi o século XVIII. Acontece que, comparativamente, observando as chances que temos, enquanto seres humanos vivendo agora neste planeta, temos uma menor probabilidade de sermos assassinados do que em qualquer outro momento da história.
Só que não parece. Nunca parece, pois as notícias, a mídia, sempre se foca na violência, sempre se foca nas guerras. Mas se você observar as estatísticas, estamos vivendo um período de extraordinária paz.
Obviamente, essa é uma afirmação relativa. Temos ainda um enorme caminho pela frente. Mas, se o mundo permanecer.
. . Se sobrevivermos aos próximos mil anos, em projeção, seremos gradativamente menos violentos e melhores uns com os outros.
E, colocando de lado aspectos como a violência, de certa forma, eu comparo o mundo de hoje com o de quando eu era criança, e em termos de atitudes em relação às pessoas de diferentes etnias, aos direitos morais das mulheres, aos direitos morais de minorias sexuais, vejo uma mudança profunda em uma direção positiva.