Se na alegoria do sol Platão fez a divisão entre visível e inteligível, é na alegoria da linha dividida que o filósofo vai fazer a divisão das divisões, ou seja, ele vai dividir em duas partes tanto mundo visível quanto o inteligível. Nas palavras do filósofo, suponha então uma linha cortada em duas partes desiguais. Corte novamente cada um dos segmentos seguindo a mesma proporção: o da espécie visível e o da inteligível.
Assim, AB representa os reflexos de espelhos, reflexos na água e as sombras de todas as coisas existentes, e BC as próprias coisas físicas, todas as coisas que conseguimos visualizar na natureza, todos os objetos, as plantas, as pedras e assim por diante. Estes correspondem a dois tipos de conhecimento: a ilusão de nossa experiência cotidiana comum e a crença. O segmento CE representa todo mundo inteligível, ele é dividido na mesma proporção de AC, fornecendo as subdivisões CD e DE, sendo CD o mais baixo deles.
É onde se dá o entendimento e envolve conhecimentos como o de raciocínio matemático, onde são discutidos objetos matemáticos abstratos como as linhas geométricas. Tais objetos estão fora do mundo físico. Outro exemplo clássico seriam os números, no entanto, são menos importantes para Platão do que os assuntos de entendimento filosófico.
O mais alto dessas duas divisões: o DE. É onde habita a inteligência em si, é onde estão as ideias, as formas e o belo. No final do livro seis Sócrates nos aconselha aplicarmos as quatro operações da alma: inteligência, entendimento, fé e suposição, nos quatro segmentos.
A opinião, por exemplo, que eles chamam em grego de "doxa", é própria do mundo sensível, pois, como já vimos anteriormente, o conhecimento baseado em opiniões não é confiável, pois não chegamos a fazer qualquer investigação intelectual, coisa que só ocorrem no campo inteligível. E, é próprio do mundo inteligível o conhecimento verdadeiro que eles chamam em grego de "episteme". Neste ponto, o conhecimento verdadeiro não se serve de dados provindos do mundo visível, passando diretamente de ideia para ideia, fazendo exatamente esse movimento dialético e, é desta forma que ocorre a contemplação onde é obtido o conhecimento verdadeiro.