Olá pessoal, eu sou a professora Thís Gois aqui da Japs e nessa aula nós vamos falar sobre a obra do Maurício Tardif, Saberes docentes e formação profissional, tá? Nessa obra, basicamente, o Tardifa ele vai refletir sobre eh o trabalho do professor, tá? E ele parte de uma questão central, tá?
Que faz ele pensar sobre eh tudo que ele escreve nessa obra. De onde vem os conhecimentos que sustentam o ofício do professor? ou seja, de onde vem toda a fonte de conhecimento que o professor utiliza ao longo da sua carreira para ensinar, para educar, né?
E aí, ao longo da obra, ele vai nos mostrando que esses saberes são construídos em um equilíbrio entre dois fatores, tá? Entre a formação acadêmica e a experiência prática do professor. Então, só aqui, gente, a gente já entende um ponto crucial e fundamental do que o Tardif defende ao longo da obra.
Ele vai dizer que em contrapartida tem pessoas que tem tem dois extremos que ele não é a favor. Ele fala que tem o extremo do mentalismo e do sociologismo. O que que significa isso?
O mentalismo são aquelas pessoas que acreditam e que reduzem o saber do professor à sua formação acadêmica e cognitiva. Ou seja, vai dizer que o conhecimento, a fonte do conhecimento do professor que sustenta o seu ofício, é o conhecimento que ele adquire formalmente, né, como aluno, seja na graduação, na pós-graduação, na formação, mas é dentro dessa estrutura acadêmica, tá? Então isso faz com que a gente desconsidere completamente a experiência do professor na prática docente.
Então o mentalismo para ele são as pessoas que acreditam apenas na formação acadêmica. Em contrapartida tem o sociologismo, que é exatamente o contrário, que ignora, né, a participação do professor como produtor de conhecimento e considera apenas como um reflexo da sociedade. Ele vai atuando conforme o que ele é eh instigado, alimentado ali pelas experiências que ele tem, sem considerar, por exemplo, a construção do saber desse professor numa formação.
Então, são dois extremos que o Tardif não é a favor. Ele vai dizer o seguinte, ó. Ele vai propor um caminho intermediário entre essas duas coisas.
ele vai dizer o seguinte: "Os saberes de um professor não são uma realidade social materializada através de uma formação de programas. Aliás, são, tá, desculpa, eh os saberes de um professor são, eh, materializados através da formação de programas, de práticas coletivas, de disciplinas escolares, de uma pedagogia institucionalizada. É de tudo isso que é uma questão mais formal.
e também são ao mesmo tempo saberes dele, ou seja, da experiência dele. O que o Tardif vai propor é exatamente um caminho intermediário entre esses dois fatores, reconhecendo que a formação acadêmica, a formação institucionalizada, a formação em serviço, formações coletivas ou individuais são fundamentais pro saber do professor, paraa constituição do que ele sabe sobre o seu ofício, mas junto disso a prática de do dia a dia, a experiência como o professor também enriquece esse repertório. Contando esses dois fatores, é isso que para o Tardif sustenta o ofício do professor.
Essas duas coisas juntas é praticamente eh a teoria com a prática, né? Então tem essa sustentação de desses dois fatores, não só um ou outro, certo? Eh, quais são os fios que conduzem então esse raciocínio do Tardif?
Então, Tardif vai organizar essa análise que ele faz no livro e através de seis fios condutores que conduzem essas ideias dele, tá? que vão ajudar a entender a complexidade da profissão do professor, né, profissão docente. Então, ele vai fazer falar sobre a relação saber e trabalho.
Então, aqui é o conhecimento que o professor eh está sempre a serviço, que o conhecimento do professor tá sempre a serviço da sua prática. Então, tudo que o professor busca aprender é para subsidiar a sua prática. Então, que ele eh adquire de conhecimento na academia, por exemplo, na na formação acadêmica dentro das universidades, dentro das formações coletivas, é para subsidiar a sua prática em sala de aula.
Então, um eh o primeiro fio com que conduz esse raciocínio dele é essa relação entre teoria e prática. Segundo ponto, então esse aqui é o primeiro. O segundo é a diversidade do saber.
Nesse fio condutor, ele vai dizer que o saber do professor ele é muito diverso, ele é muito plural. Eh, por quê? que ele é formado por diversas fontes e experiências.
Então, só a experiência isoladamente do professor em sala de aula é suficiente? Não. Os professores têm as mesmas experiências em sala de aula?
Também não. Cada um tem a sua própria. A formação acadêmica é igual para todos?
Não. As experiências acadêmicas são iguais para todos? Não.
Tudo isso gera uma diversidade de possibilidades de aprendizagem. Então o professor ele adquire saber de diversas fontes, seja de colegas mais experientes, seja de alunos que são mais desafiadores, seja com professores mesmo que ensinam algo para esse professor. De um jeito ou de outro, o professor ele tá lidando com diversas fontes de conhecimento, tá?
O terceiro fio condutor é a temporalidade do saber. Isso quer dizer que os conhecimentos dos professores são adquiridos ao longo da sua história de vida e da sua carreira profissional. Por exemplo, Tardik vai dizer que a relação que o professor quando aluno teve, por exemplo, com seus professores, vai interferir na sua prática docente.
Se esse professor, por exemplo, teve professores muito autoritários, muito rígidos e inflexíveis, de uma a duas, ou esse professor carrega isso para si e ele também é um professor mais autoritário, mais rígido, mais inflexível, ou com a experiência que ele teve e vendo como isso foi talvez negativo para ele, ele vai querer ir pro outro caminho. Mas com certeza essa experiência de vida que ele teve vai interferir na sua prática de um jeito positivo ou negativo. Eh, enfim, cada um vai ressignificar sua experiência de de acordo com a sua visão de mundo.
Mas o que ele tá querendo dizer é que tudo que a gente vive na nossa vida, não apenas profissional, mas na nossa história de vida, a nossa história com as nossas famílias, com as com a escola, qual foi a tua relação com a escola, como foi a tua relação com a universidade, toda essa experiência de bagagem de vida junto com as experiências do cotidiano de professor mesmo, as experiências como professor, elas moldam o nosso saber e o nosso conhecimento. Elas faz elas elas elas trazem muitas bases necessárias para que a gente molde o nosso saber docente. também.
Então, por isso é temporal. Além disso, o quarto fio condutor é a experiência como um fundamento do saber. A prática cotidiana, então o dia a dia, como professor vai modificando e ressignificando o conhecimento adquirido.
Obviamente, se eu sou uma professora que acabou de começar a trabalhar como professor, tenho um ano de experiência, 2 anos de experiência, a minha visão é uma. daqui 5, 2, 3 anos, 10, 20 anos, a minha, o meu olhar, a minha experiência vai me dizer outras coisas completamente diferentes. Pode ser que eventualmente no início eu tenha sido muito flexível com coisas que eu não deveria ser e aí com o tempo eu percebo isso, eu modifico a minha ação.
Pode ser que eu tenha sido muito inflexível com algumas coisas que eu também não deveria ser. E aí, com experiência eu percebo isso, eu me torno mais flexível com o tempo. Então, eh eh esse fio condutor do Tardif vai dizer que a experiência molda muito a ação docente.
Então você nunca vai ser um professor igual você foi no primeiro ano, no segundo ano, no quinto, no 10º ano de experiência como professor, porque você vai sendo moldado através da sua própria experiência. O quinto fio condutor do raciocínio do Tardif é que os saberes humanos, eh, saberes humanos a respeito de seres humanos, ele vai dizer o seguinte, que a docência é uma profissão que lida diretamente com pessoas e depende dessa interação entre o professor e aluno. Como foi, como tá sendo essa essa relação?
É uma relação mais horizontal? É uma relação mais vertical, autoritária, eh com mais liberdade, com diálogo, com empatia ou eh com menos diálogo, com mais ênfase? A depender de como o professor olha para esses seres humanos que ele interage, isso também vai interferir diretamente na experiência dele.
A concepção que ele tem de aluno, por exemplo, interfere profundamente no fazer dele como professor. Por exemplo, ele considera o aluno um ser ativo no processo de construção do conhecimento. Ele considera que o aluno ele precisa entender e e relacionar com o significado desses conhecimentos, dessas competências.
Então, a ação dele vai ser uma. Agora, se ele considera que o aluno só tem que aprender aquilo e pronto, não necessariamente entender qual a aplicabilidade, porque talvez ele vai aprender isso só mais paraa frente, a ação dele como docente vai ser outra. A concepção que ele tem para a pessoa, para o aluno que tá ali diante dele, interfere diretamente no trabalho, tá?
E o último fio condutor que o outardif destaca é formar professores é articular saberes. O que que seria isso? Ele vai dizer que o ensino é deve equilibrar saberes acadêmicos e as experiências vividas na sala de aula.
Então, uma nunca pode sobrepor a outra. Muitas vezes a gente olha pela via acadêmica, formação acadêmica, como mais importante do que a experiência. O que o Tardifí vai dizer que a gente precisa equilibrar esses dois fatores.
A formação é importante desde que ela seja significada através da prática. E a prática é importante desde que ela esteja subsidiada pela teoria. Então, as duas precisam caminhar juntas, tá?
Então, esses são os fios que conduzem a os pensamentos do Tardiv para sustentar essa essa necessidade do equilíbrio entre entre esses dois fatores. E ele vai destacar os quatro tipos de saberes que os professores carregam. Então, gente, eu tô mostrando aqui para vocês os tantos fios condutores são potenciais questões ali de prova para vocês, eh, quanto os quatro tipos que ele destaca, tá?
Então, o primeiro tipo de saber docente é o saber da formação profissional. O que seria isso? Esse saber de formação profissional, lembra de formação, ele vem das transmissões que são feitas através de instituições de formação, então das universidades, dos cursos de pedagogia, formação continuada, aquelas formações que a gente faz quando a gente já tá trabalhando.
Eh, esses são possíveis lugares da gente eh conhecer, ou seja, da gente eh eh ter saberes, né, adquirir conhecimento sobre o nosso fazer, sobre a nossa docência, tá? Então, é uma fonte de conhecimento. Segunda, fonte de conhecimento do professor são saberes disciplinares.
Aqui no caso ele fala relacionado as matérias que o professor leciona. Então, são os conhecimentos que o professor tem sobre a matéria dele em si. No caso dos pedagogos, sobre pedagogia, tá?
Então, é os relacionados às matérias que os professores ensinam, oriundos da tradição acadêmica e cultural, ou seja, aquilo que é valorizado. Saberes curriculares. Esses saberes são outras fontes, né?
São definidos pelas instituições escolares, ó. desse conhecimento da matéria. Então, por exemplo, a gente tem muitos conhecimentos pedagógicos.
Quem é formado em pedagogia tem lá a sua formação pedagógica sobre desenvolvimento humano, psicologia, eh, e uma série de fatores, né, metodologias, enfim, uma série de questões. Só que nem tudo que a gente aprende na faculdade é trazido para os currículos. Por quê?
Lá na faculdade a gente vai aprender sobre diversos teóricos, a gente vai aprender sobre diversas concepções sobre criança, infância e tudo mais. Só que as redes elas têm as suas próprias concepções. Então tem redes que são construtivistas, tem redes que são sócio interacionistas e que se alinham mais com uma teoria do que com a outra.
Então, a depender desse alinhamento, a rede faz escolhas. E aí aqui é onde entra os saberes curriculares, aquilo que a rede eh escolheu como conteúdos, como práticas. Então, eh, aqui tá baseado nas instituições escolares e vai incluir os métodos, os conteúdos que serão ensinados por aquela rede, valorizados por aquela rede específica.
Então, é uma rede sociointeracionista, então ela vai trazer ali concepções alinhadas ao sócio interacionismo. Eh, os métodos vão ser alinhados a isso, as metodologias, os conteúdos, então tudo que tá alinhado dentro da rede que a rede valoriza. E por fim, o último saber docente que constitui o fazer do professor são os experi, ou seja, a experiência do professor, certo?
Aqui é baseado no dia a dia do professor, no cotidiano, na experiência, na interação que ele tem com o contexto escolar, nas experiências que ele vai tendo com os alunos. Isso vai trazendo bagagens de saberes para esse professor. Resumidamente, os quatro saberes são formação profissional, disciplinares, curriculares e experienciais.
Esses quatro tipos, tá? E esses quatro tipos, eles não nunca estão isolados. Ah, uma hora o professor usa um saber, outra hora outro, não.
Ele vai usando todos esses juntos concomitantemente, tá? eh o papel do da formação e da identidade docente. Bom, a identidade do professor de acordo com o Tardif, ela vai se construindo na interação entre teoria e prática.
E aí o Tardif ele vai criticar o distanciamento entre a pesquisa universitária e a realidade dos professores. E ele vai depender um modelo de formação que vai interagir mais com a com a teoria e experiência. Então ele vai dizer que a forma com que as pesquisas são feitas hoje, em que há um distanciamento muito grande entre a universidade e o professor lá da educação básica na no dia a dia é um problema, porque o que que acontece muito, essas falas são muito comuns.
Na escola você vai ver o tipo de, na escola de educação básica você vai ouvir professores dizendo assim: "Ah, mas na teoria é tudo fácil. Ah, na teoria é tudo maravilhoso. Eu quero ver, vir aqui e colocar isso em prática com 30 alunos".
Por que que essas falas são tão recorrentes? Porque há esse distanciamento entre teoria e prática, o que não é positivo. Ninguém ganha com isso, nem as instituições universitárias de pesquisa, nem os próprios professores na através da sua experiência prática, porque a prática vazia de teoria ela não se sustenta, assim como a teoria vazia de prática também não se sustenta.
Então ele vai dizer: "Olha, a gente precisa pensar num modelo diferente que aproxime mais esses dois ambientes, o universitário de pesquisa com eh o de educação mesmo prática, tá? E aí ele vai apontar três modelos de identidade docente que vão que vão influenciando as reformas educacionais. Então ele vai dizer que tudo que vai acontecendo de novo paraa educação tá permeando por um desses três olhares.
ou olhar tecnólogo, que olha o professor como um especialista e aí é focado apenas nas aplicações técnicas e teóricas do conhecimento do professor, ou o olhar do professor eh prático reflexivo, que é aquele professor que vai equilibrar teoria e prática eh refletindo sobre a sua experiência embasado na teoria. Isso aqui é o que ele defende, tá? essa concepção e ele gostaria que as teorias fossem basadas através desse olhar.
E o terceiro ponto é o ator social, que é quando o professor é visto como agente de mudança, que vai influenciar o contexto social e educacional. Então o ideal para pro Tardif é um professor que tem esse olhar crítico reflexivo, sempre reavaliando a sua própria prática, certo? E aí pra gente poder fechar, que é o ponto, é só pra gente poder fechar bem o pensamento do Tardif, eh, o que que significa ser professor pro Tardif?
que é muito mais do que transmitir conteúdo. Para ele isso é muito pouco, né? Eh, o docente é um profissional que constrói o seu saber de forma dinâmica, ou seja, o professor nunca tá formado, ele sempre tá construindo o saber, né?
E ele vai combinar a formação acadêmica, a experiência, a interação social e a prática cotidiana. Basicamente, gente, teoria e prática para sustentar o seu conhecimento e a sua ação docente, certo? Qualquer dúvida sobre a obra tá aqui à disposição embaixo no campo de comentários.
A gente se vê numa próxima aula. Até mais.