[Música] muito boa noite senhor os acadêmicos distinto público internautas que os acompanham pela web a academia brasileira de letras dar hoje continuidade conclui o ciclo sobre patrimônio cultural brasileiro no contexto geral de atividades coordenada pela coordenada pela acadêmica ana maria machado e hoje o nosso conferencista o professor o piano bezerra de menezes nos falará sobre patrimônio cultural brasileiro abordagens desafios e políticas o doutor o piano é professor emérito da faculdade de filosofia letras e ciências humanas da usp titular aposentado história antiga docente do programa de pós-graduação em história social e também licenciado em letras clássicas
doutorado em arqueologia clássica pela sorbonne dirigiu o museu paulista da usp organizou museu de arqueologia e etnologia é membro do conselho superior da fapesp da missão arqueológica francesa na grécia do codefat o patrimônio cultural estadual de são paulo e do conselho consultivo do patrimônio cultural do iphan desde 2005 onde somos colegas fez pesquisas e público no brasil e no exterior nas áreas de história antiga história da cultura a pintura helenística urbanismo antigo cultura material cultura visual patrimônio cultural museus e museologia e recebeu a comenda da ordem nacional do mérito científico com a palavra o professor
o piano de reserva de mesa eu gosto muito boa tarde eu compro o ritual dos agradecimentos pois o cuco com muita sinceridade agradecendo intensamente é singular de falar nesta casa e com esta seleta platéia agradeço em particular o coordenador desse ciclo meu dileto confrade o historiador meu presidente do instituto histórico e geográfico brasileiro e colega no conselho consultivo do iphan a no velho assim como o presidente marco lucchesi que aceitou a indicação do meu nome espero que nenhum deles se arrependa para falar de patrimônio cultural eu me inspiro no movimento internacional de revisão de conceitos
e práticas proposta desde 2010 por uma associação internacional de estudos críticos do património carioca no brasil desde 1998 a nova constituição federal encerrou uma renovação de conceitos a partir da aceitação à final do patrimônio cultural como fato social não se eliminou porém a persistência de algumas perniciosa de economias sobre as quais convém refletir escolher apenas cinco entre as mais relevantes cultura versus cultura entre aspas isto é coisas versus razão social versus versus razão técnica material versos em material ou coisas versus sujeito processo versus produto o patrimônio vivo versus patrimônio morto valores imanentes versus valores contingentes
o patrimônio atribuído ou reconhecido e finalmente continuidade verso ruptura o essencialismo versus historicismo primeira economia cultura e cultura entre aspas ao falarmos do patrimônio cultural costuma ficar implícita a noção de cultura no máximo se diz partir de um conceito antropológico em que a cultura inclui ados modos de dizer crenças valores práticas tradições etc não vou aqui discorrer sobre o tema tão complexo de longa história apenas direi que nada dessa formulação descritiva explica a matriz cultural e sim apenas expressa produtos os sintomas dessa matriz não é qualquer modo de ser o de fazer que pode ser
considerado cultural o protocolo de um robô produz modos de fazer mas não cria uma cultura robótica cultura robótica é coisa de humanos e solicita outros requisitos se porém tomamos como premissa a cultura entendida na forma de potencial de qualificação e qualificação diferencial e qualificação pelo sentido de qualquer segmento qualquer momento qualquer contexto da vida social começaremos a entender o que distingue radicalmente o comportamento humano cultural alisados do comportamento animal tão só biologicamente o programado assim alimentasse para nós humanos não é apenas no trecho se assegurando a sobrevivência próprio e de seus dependentes mas catarina formas
significados valores propostos variados já o filhote de leão por exemplo ignoro que seja um almoço de aniversário o melhor exemplo um banquete pelas suas proporções deveria ser uma reflexão para uma refeição para os mais famintos e mais numerosos e costuma ser justamente o inverso a qualificação de que falo deriva de escolhas mas que importam salas de nível coletivo e que se expressam por padrões não são aleatórias mas realizam significados valores e expectativas consciente ou inconscientemente e por óbvio são históricas isto é além de produtos de forças dinâmicas atuando no contexto elas continuam permanentemente sujeitos a
tais forças a creche que a qualificação de é diferencial isto é separa e hierarquiza entendo que o valor cultural precisamente esse potencial de qualificação diferencial tocar violino como modo de fazer como o processo como a memória hábito pode ser comparado a guiar um carro ou andar de bicicleta mas do ponto de vista do valor cultural não ocupam o mesmo lugar na escala podemos considerar que o que chamamos de patrimônio são os conjuntos selecionados de espaços coisas e práticas com que os grupos humanos transforma em ação a intervir no mundo real os seus sentidos valores e
expectativas e motivações com recursos recebidos do passado claro apropriados inovados resigna ressignificados e sempre sujeito a transformações cultural não existe em si só existe incorporado é um adjetivo não substantivo um exemplo claro ficará até a afirmação a feira de campina grande na paraíba foi recentemente registrada como patrimônio cultural brasileiro mas em que difere ela substantivamente de um sem número de feiras que tem despertado a atenção como as feiras nordestinas a matéria prima de que é feita qualquer feira popular está ali presente mas que qualquer singularidade o que se deve levar em conta entretanto a intensidade
consistência com que a feira de campina grande tem funcionado dentro de padrões comunitários atos a qualificar a culturalmente isto é de fazer que tudo aquilo que uma feira faz seja feito com uma espécie de fermento que também faz crescer sentido significados e valores capazes de favorecer inteligibilidade horizontes de reorganização simbólica dos diversos modos de ser humano combustível para ações todo tipo inclusive na resistência ameaças que ela vem sofrendo mas o que significa a registrar a filha de campina grande como patrimônio brasileiro a patrimonialização é normalmente considerada a seleção objetivado de bens mas deslocada dos contextos
em que foi gerada e opera em pão doce tempos e dinâmicas diferentes e tendo em geral como sua principal justificativa a preservação do que se representou esta metamorfose pode ser claramente percebida no cartoon que há tempos encontrei numa revista americana trata-se de semana passada no interior de um museu tudo leva a crer que se trata do museu de história natural em nova york em que o índio vestido de penas vestido de tanga todo paramentado de nogueiras de ouro e adornos de penas e portando que parece ser um punhal além de um pouquinho passar diante de
um vigia ele pergunta esbaforido onde ficam os altares sacrificiais da polinésia não há resposta mas a reação de surpresa do vigia permite supor como resposta senhor aborígine aqui não é lugar de sacrifício sangrentos somos civilizados e apenas representando os sacrifícios como referências com efeito a musealização que é uma variante da patrimonialização funciona como poderoso metamorfose a dor de significações transfigurando as trajetórias originais dos objetos na vida corrente um relógio por exemplo é um artefato destinado ao registro da passagem do tempo contudo ninguém vai ao museu dos relógios para saber que horas são pelo contrário fica
desnorteado mas vai sim para outras feições fruições como por exemplo conhecimento confrontos apreciação estética devaneio e assim por diante o museu é um conversor da biografia das coisas e isso pode ter aspectos muito positivos que não me cabe discutir aqui quando em nome do estado reconhecemos a existência de um patrimônio cultural introduzimos sempre ingredientes externo na intimidade da esfera cultural observadas e de sua dinâmica o que nos obrigaria considerar que estamos participando da construção de algo diverso do vivido basicamente uma representação entretanto no exemplo de campina grande parece não haver essa dicotomia extremada agricultura vivida
e cultura patrimonializar dada a diferença está nos modos de fruição como supõe ocorrer com o índio do cartoon nas suas práticas religiosas fora do museu os feirantes de campina grande e todos os que participam da feira dela desfrutam por experiência não por contemplação que o modo próprio de fruir representações inclusive as práticas transformadas em representação como espetáculo quero crer que não só é possível mas necessário procurar meios de diminuir o fosso entre as práticas e as representações - que de maneira de mesmo que de maneira difusa incompleta prova de uma interação positiva tive uma experiência
pela qual passei na mesma visita de campo à campina grande já referida ao final de uma das manifestações culturais aqui estive presente um bêbado que perambulava pela ffer pela feira e se sentou ao meu lado abre um largo sorriso e disse na voz pastosa dos bêbados pela qual muitas vezes se desvendam verdades profundas isso é que é cultura doutor não ou se imaginar o que ele pensava ser cultura nem que fosse isso e muito menos se ele considerava feira patrimônio cultural imaterial do brasil tenho certeza porém de que sua fala expressavam uma sensação de prazer
e orgulho afinal ele estava tendo acesso pessoal e direto é um bem isto é algo bom ainda que tomasse de empréstimo os especialistas para reforço de reconhecimento o termo que manuela carneiro da cunha transcreve entre aspas cultura entre aspas para distinguir da cultura vivida no seu próprio fluxo meu interlocutor já estava contaminado pela metalinguagem por último uma observação sobre propriedade da dicotomia razão social o património considerado como um fato social versus razão técnica o patrimônio dos especialistas em economia que só existe nas más práticas profissionais de ti por autoritarismo segundo a dicotomia material versos de
material o sujeito de coisas o filósofo italiano roberto spósito num livro important de 2016 traduzido em português para com o título de as pessoas e as coisas analisa criticamente a tradição ocidental com raiz no direito romano que opõe popularmente pessoas e coisas a distinção é marcada pelo direito de propriedade ser livre é ser proprietário de si e de coisas que estão a seu ciclo está seu serviço submetidas à servidão como tácitos escravos os escravos falantes por sua vez são tratados na condição de coisas a dignidade exclusivo das pessoas proprietários das coisas cujo usufruto inclui até
a eliminação gratuita no entanto pode-se observar nas práticas legais e econômicas e tecnológicas em nossos tempos confusões de pessoas com coisas e coisas que parece terem assimilado um conteúdo pessoal de todo modo quando entra em cena o estatuto do corpo a dicotomia radical entre pessoas e coisas se vê abalada com efeito o corpo nem é inteiramente pessoa nem inteiramente coisa mas oscila num clima de ambiguidade que espósito bem exemplifica com a subtração de um embrião ou de um cadáver ela tá se de roubo se for coisa o seqüestro se for pessoa o corpo assim mostra
se capaz de transformar essa relação e prover uma rota de escape a oposição excludente e degradante penso no antropólogo francês philippe de escolar dos que militam pela paridade de direitos humanos e não-humanos caminho para o equilíbrio no pacto com a natureza não existem pessoas em coisas também não existem coisas 100 pessoas basta portanto eliminar nossa tendência de pensar de pensar com polaridades e aceitar o conceito hoje dominante no florescente campo de estudos da cultura material e da arqueologia o de entendam manter inglês emaranhado enredamento armadilha que impede a fuga da coisa e da pessoa obrigada
a interagir permanentemente a produzir-se um sentido social mutuamente em várias dimensões e várias combinações separar-nos pessoas e coisa estaremos separando do mundo real o patrimônio cultural seja ele material ou imaterial laura jeans me preocupada com o caráter da ação humana ea capacidade das coisas no patrimônio cultural disse que a palavra patrimônio deveria ser usada como verbo não como substantivo como verbo sim mas acrescento como verbo transitivo direto aquele que demanda um objeto para completar seu sentido e produzir efeitos se passarmos a examinar nossa problemática do pato no patrimônio cultural na ótica da observação jurídica verificaremos
que a norma constitucional de 1988 resolveu finalmente ainda que só como norma problema demográfico que aflige nosso campo desde a sua institucionalização em 1937 a ausência de pessoas cito famoso artigo 216 constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial tomados individualmente ou em conjunto portadores de referência à identidade à ação à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira nos quais se inclui e aí vem uma listagem dezembro até então patrimônio estava fantasmagoricamente povoado de coisas e aqui por coisas significam sempre espaços objetos inclusive estruturas complexas e práticas sempre tratadas como autosuficientes
ao transferir a matriz do valor cultural do estado para as praias sociais de identidade e memória a constituição introduziu na arena a figura do sujeito porque somente o sujeito podem exercer identidade memória identidade memória esta última suporte insubstituível da identidade são atributos de sujeitos agora transformados em protagonistas as coisas agora referências à validação constitucional da referência categoria operada amplamente já nos anos 1990 por luís magalhães abriu horizontes extremamente férteis pense que salientar contudo algumas limitações da referência quando era tomada como mediação num sentido único quase mecânico vetor por intermédio do qual o sujeito se projetam
diretamente nas coisas isto é no mundo sensorial que inclui como não poderia deixar de ser também o patrimônio material pois o patrimônio material só existe socialmente na comunicação sensorial mas é preciso explicitar um pouco essa melhora essa cautela básica essa cautela básica relativa referência diz respeito a esse processo de objetivação de que já falei de mobilização de coisas para materializar sentido de valores mas quando se assiste acredita erroneamente que tal processo se realiza num sentido único produziram mobilizar objetos por exemplo uma obra de arte é forma de dar corpo à idéias há motivações várias valores
a expectativas e aspirações tornando os visíveis e assim capazes de operar no mundo natural e social impõe-se porém evitar o engano grave supor que a idéia valores etc vem primeiro já prontos ou quase prontos e resolvidos bastando encontrares a posteriori um vetor material apropriado e eficaz como quando no candomblé o santo baixa num cavalo piedosamente à sua espera trata se de uma perspectiva idealista que não se sustenta e que ao invés de reconhecer relações dinâmicas e dialéticas ressuscita dualistas estéreis como espírito matéria pessoas e coisas sujeito objeto ativo e passivo na verdade o processo de
perda de referência têm sempre dupla mão de direção seja como for mattel e imaterial são opostos sim mas não se excluindo ea constituição define uma única matriz para todo tipo de património cultural o que na prática das agências de preservação não bastou para diminuir o abismo que ainda separa o tratamento do patrimônio material e do imaterial ainda que se reconheça que o material está sempre presente não se trata é claro de privilegiar uma concepção materialista do patrimônio mas o reconhecimento de que não podemos negar nossa condição corporal mas que ter um corpo material somos um
corpo é nossa maneira de estar no mundo isso todavia não nega a possibilidade da transcendência transcender ir além não é ignorar é outra passar as instâncias corporais sem negá las daniel milha antropólogos e pesquisador da cultura material apontam paradoxo crucial nessa área a imaterialidade só pode se expressar por intermédio da maternidade para completar o filósofo da técnica francês bernard este blair cunhou a expressão materialismo espiritualista para referir se aquela abordagem que não diz que o espírito é redutível a matéria mas que a matéria é condição do espírito em todos os sentidos da palavra condição imposta
depois superar dualistas insustentáveis como esse em que a matéria e espiritualmente mão são mutuamente excludentes nessa linha convém sempre lembrar o grego nas águas no primeiro na primeira metade do século 5o antes de cristo acreditava ser o homem a mais sensata isto é equilibrada das criaturas por causa de suas mãos séculos depois marcel moço reforça dizendo o homem eo animal que pensa com os dedos a terceira antinomia processo produto ou vivo e morto na formulação de antropólogos maria manuela carneiro da cunha a diferença entre ambos patrimônio material e imaterial está na atitude que comandam nas
medidas que ele citam conservar o património material é sobretudo conservar objetos já produzidos o imaterial contudo não consiste em objetos mas sim na virtualidade de objetos sua concepção seu plano o saber sobre eles conservar virtualidades ou seja o imaterial é conservar processo ainda a citação com precisão para definir a diferença é significativa todavia jogo ver o jogo valer a pena neutralizar o caráter excludente que pode ser atribuído essa diferença entre processo e produto e que entre patrimônio material eo imaterial é sobretudo de escala e de visibilidade a práticas manifestações celebrações saberes do patrimônio imaterial como
mencionado na constituição além de contarem sempre com o complemento indispensável de artefatos de artefatos só atuam por vetores sensoriais que são os vetores corporais por exemplo aquele mesmo corpo que como se viu transita entre as pessoas e as coisas na produção do património de que falo na verdade os processos são sempre conservados como virtualidades e visíveis no material mas no patrimônio material eles existem sim só estão embutidos no produto assim acredito que neste último caso não basta a preservar os produtos como se os processos estivessem já encerrados mas levar em conta os processos de sua
produção no sentido mais amplo eles continuam a ser produzidos por que estão vivos continuam a ser lembrar se por exemplo de que o habitar faz à habitação tanto adaptação fácil habitar portanto além do processo do trabalho morto embutido nas coisas materiais elas continuam com o processo de resistência viva também não há produtos em processo nem processos em produto inclusive no fracasso como demonstra times ficaram no livro estranhamente intitulado a cultura material do fracasso o processo no patrimônio material e insisto está embutido na produção realizada com todas as motivações recursos forças saberes valer valores e teta
interagindo mas se encontra também implícito nos usos materiais e simbólicos e nas apropriações no passado e no presente inclusive nas representações sociais que alimentou convém lembrar também que a função de gatilho presente em certos artefatos como acontece nos objetos afetivos os objetos mnemônicos nos objetos transicionais ou naqueles que são uma espécie de interruptor para deslanchar práticas culturais o antropólogo james rainford na o projeto do museu de arte de portas no oregon estados unidos de convocar anciãos de um grupo indígena do noroeste americano para dar mais autenticidade no tratamento de uma famosa coleção etnográfica a coleção
rasmussen todos os anciãos demonstraram grande respeito pelos objetos mas não se importar muito com eles salvo quando serviu de suporte para cantos e narrativas em suma os cantos e as narrativas isto é os componentes performático da cultura é que tinha propriamente o potencial identitário os objetos eram apenas um gatilho mas gatilho necessário outra polaridade a de patrimônio vivo seria do imaterial versus patrimônio morto que seria do material me parece também inaceitável pois ignora uma dimensão fundamental dos objetos materiais a agente idade a agência a capacidade sócio-cultural de agir mesmo na roma antiga em que como
foi dito acima a relação entre as pessoas e coisas colocava as entidades imposições excludentes o tratamento de imagens como se fossem seres vivos expressava o que hoje se chama animação de objetos carulla em vanak por exemplo um estudo histórico etnográfico descarta explicações da psicologia do desenvolvimento do século passado já que tais respostas às imagens e objetos não são para ela aberrações isoladas próprias de um estágio incipiente de desenvolvimento da humanidade mas um componente fundamental daquela característica única dessa mesma humanidade a capacidade de fabricar representações e dotá-las de vida e ação michel sérgio carlos echeverry e
tantos outros vêm da animação a concessão de palavra as coisas para si de empatia contágio maggi mt ativa e não se pára por aí alfred gel constrói uma antropologia e da arte na qual as obras são agentes sociais bruno latour e michel calom fundamento a teoria do ator rede na simetria generalizada das interações entre humanos e não humanos roy wagner ressalta o papel das coisas na produção social do sujeito rosto do rei de camp fala das imagens como atos da figura bits à semelhança dos atos de fala são intervenções no mundo real a matéria vibrante
de james peters sincero em uma ecologia política das coisas já mencionei entre os arqueólogos o conceito de integralmente enredamento que une simbioticamente às pessoas e às coisas que engorde prefere falar de meshworks emaranhado o teia risomar fica postulada por ozzie guardar e guattari influídas de matéria que se cruzam em configurações não hierarquizadas de pessoas e coisas o que conclui de todas essas afirmações tão peremptória que trata de metáforas ou de fato de uma febre talita ou pelo menos de um carro de fetichismo nada disso a meu juízo das posturas abrem caminho para uma compreensão mais
aprofundada de que as coisas têm potencial de produzir efeitos de gerar transformações de interagir era são integrantes do jogo social objetos não seria então o pólo passivo diante de sujeitos ativos mas amos se configura na interação se separarmos pessoa e coisa estaremos separando do mundo real património cultural seja ele material ou imaterial ea popularidade vivo morto incide também sobre uma modalidade especial de valor cultural o valor histórico é comum que a história seja como o processo seja como forma de conhecimento vulgarmente vem é tratada como cativa de um passado morto basta um exemplo para desfazer
tal entendimento o património urbano é um espaço privilegiado para observar as dinâmicas da sociedade ea produção da diferença examinamos na morfologia urbana não a mera cronologia do passado ao presente mas a presença sincrônica de diversos tempos e interação aqui e agora compreendemos que o tecido urbano de nossas cidades comporta temporalidades diferentes com o passar do tempo é como na fotografia de família que no mesmo instante se registam os diversos representantes das várias gerações com suas aparências corporais posturas roupas e adereços na sincronia de uma mesma imagem visual o histórico no património urbano não é um
resgate do passado mas uma mistura viva das temporalidades no presente que estamos vivendo além desta forma de consciência histórica que é a percepção da existência social nas suas temporalidades a outra perspectiva de uma história fenomenológica que o patrimônio cultural pode mobilizar como a proposta por temer ficar em que ele se pergunta como a história se apresenta nós como ela entra em nossas vidas e quais são as formas de experiências pelas quais isso ocorre afirma ainda que nesse contexto experiência conta não apenas como observação mas também como envolvimento em integração um engajamento não se pode imaginar
nada mais vivo a produção do passado no presente não é resgate de um corpo morto é a produção de um organismo vivo quarta antinomia valores imanentes o contingente isto é reconhecidos ou atribuídos retoma minha premissa a cultura como dimensão qualificadora como o objetivo do social como um substantivo ora se um substantivo é ativado isso significa que lhe foi atribuída uma qualidade qualidade do latim quartas a palavra derivada de qualis que introduz uma interrogação qual a natureza quais as qualidades naturais das coisas a natureza das coisas apreensíveis pelos nossos sentidos é dada por suas propriedades materiais
físico químicas e espaciais as propriedades das coisas materiais como a forma textura dureza cura fund habilidade etc etc etc podem ser valorizadas mas não em si por serem iminentes mas o prestar por se prestarem a conveniências humanas conveniências várias externas as coisas se qualificar um substantivo pode significar o reconhecimento de uma propriedade manente como quando por exemplo digo pedra dura também sempre abre espaço para alternativas quando por exemplo digo pedra rara mas e pedra rara diz respeito ao valor de conveniência não é uma propriedade inerente à pedra mas sim a escassez de sua disponibilidade para
atender a interesses humanos enfim se seguirmos o conselho de max weber e procurar entender valores na experiência histórica e não na sua conceituação abstrata concluiremos que o valor não escapa às oscilações da contingência é o que permite concluir que no campo do patrimônio os valores são essencialmente fruto de atribuições e não de reconhecimento como inseridos na intimidade do bem a universo do fetiche feitiço é a coisa autosuficiente que tem em si mesma seu significado e seu poder seu valor à consideração da imagem visual como artefatos permite ir além já em 1935 raider a origem da
obra de arte afirmava se considerarmos as obras de arte em sua presença em tocada e não nos iludirmos o resultado é que as obras estão tão naturalmente presentes como são coisas mais claras de gol mas está em nós fruto de um diálogo entre as propriedades imanentes não contam claro que contam e muito pois tais propriedades é que sempre fornecem as condições essenciais para sua seleção nos processos de mobilização cultural limito-me aqui a mais importante dessas propriedades nas propriedades estéticas que pelo orçamento da percepção fornecem oportunidade qualificada para gratificar sensorialmente tornar mais profundo o contacto do
eu com o mundo externo scrum conceito corrente de beleza e toma estético no sentido original do grego as teses que significa percepção sensível e portanto diz respeito aquela ponte fundamental que a sensorialidade produtos para que se possa sair de dentro de si e construir e intercambiar significados e ações e fundar a sociedade não se trata de complemento da vida biológica psique social nem da percepção cura imediata que aliás não existe mais de uma mediação que nos faz humanos o que equivale a dizer que a estética condição insubstituível da vida social pinta falsa de economia a
continuidade ou ruptura essencialismo ou historicidade a identidade tem papel central na definição constitucional de patrimônio ora uma das exigências fundamentais para a identidade é continuidade mas como conceber essa mudança lei geral da vida o que pode significar a expressão continuidade histórica se a história pode ser concebida como rupturas na visão de futuro ou o como inventário das diferenças na ótica mais tranquila de povo ele marca o workshop historiador arguto embora cientista político conservador discutir o caráter paradox paradoxal de uma combinação de alteração com permanência de algo se a alteração se teria manifestado informalidade contínua dizer
mas desmentida pela observação do que aparecia inexplicávelmente mas sem permanência se teria recordação do que desapareceria também inexplicávelmente em ambos os casos a inteligibilidade uma das necessidades críticas da espécie humana a inteligibilidade possível que a entidade poderia fornecer fica comprometida o nó da questão estaria investigar o que permanece na mudança o quixote ilustrou o caso com uma história famosa das meias de seda de ser jônica clã membro da gente entre a nobreza rural inglesa sem grandes patrimônios johson escasso de recursos dispunha de um único par de meias de seda constantemente usadas por isso investir na
manutenção com remendos de algodão mais barato que a seda tantos remendos ocorreram todas e acabou substituída pelo algodão o que houve um par de meias de seda que se foi um par de meias de algodão que chegou não o reconhecimento da continuidade na operação eixo de referência permitir reconhecer a mesma meia descida de ser john a identidade nesta instância não diz respeito a uma essência imutável mas há uma equivalência socialmente atribuída e sancionada pessoalmente acredito que é nossas transformações corporais ao longo do tempo né em nossas transformações corporais ao longo do tempo que temos a
melhor ilustração da identidade preservada a despeito das mudanças ainda que o otimismo transformado seu conhecido com o mesmo o bebê que nasceu há muitas décadas atrás embora as células de meu organismo tenham passado por substituição radical assim como a aparência com as cicatrizes e efeitos decorrer dos anos que mudar minha filha a anatomia fisiologia personalidade etc continua porém o mesmo eixo de referências que me singulariza pelo menos é o que disse seu documento de identidade que é permanente eu fico imaginando o que aconteceria com minha identidade se eu fosse submetido a um restaurante que como
às vezes ocorre no patrimônio material escolhe a opção de retroceder a um estado de origem a record ainda a uma outra teoria meio filosófico sem saída semelhante disse john ilustra outros paradoxos da autenticidade é a história de teseu herói mítico ateniense narrada por plutarco historiador grego da época imperial trans entre o século 1º e 2º depois de cristo o navio de teseu grande marinheiro necessitando de reparos foi trazido ao porto cada prancha velha sendo progressivamente substituída por novas pranchas quando deixou de ser o barco original quando se substituirão 100% das pranchas 70% 50% 30% temos
aí ou nunca a resposta teria que partir daí a referência básica forma ou substância autenticidade depende se aceitar a identidade do barco como equipamento de navegação morfologicamente específico e no caso ainda mais específico para o vínculo teseu ou então como uma coleção de pranchas substâncias fragmentárias e efêmeras no ocidente industrializado a tendência dominante a fertilizar as coisas na sua materialidade o que leva a crer e roni a mente que os significados e valores seriam imanentes imanentes as coisas materiais o confronto e teve ser a cultura consiste na posse efetiva simbólica de um lote de objetos
materiais no ver corrente hora nas sociedades e grupos tradicionais as coisas podem servir apenas de caminho para práticas como se viu no oriente sabemos quanto mais as práticas os processos como ocorre na reflexão cerimonial periódica de certos edifícios de ritual xintoísta seja como for é tempo de convocar de novo o sujeito ea história eles é que fornecerão o critério para qualificar um tipo de relação com as coisas nesse caminho mas ainda insuficientemente e os senhores e triângulo rumo inspirado nos regimes de autenticidade e historicidade de fã sua cartola fórmula a necessidade de investigar os regimes
de autenticidade historicamente definidos isto é os padrões sociais de relação dos objetos e atos com o tempo espaço o outro nos quadros da memória patrimonial de certa forma no mesmo horizonte vai anotar a distinção que fez denis takoulo válida não só para obra de arte em autenticidade expressiva que ela relativa ao crato é do bem como expressão verdadeira dos valores e crenças de um indivíduo ou de uma coletividade mantendo porém uma autenticidade nominal definida simplesmente como a identificação correta das origens autoria ou permanência do bem indispensável acrescentou para atender a exigências documentais particulares concluindo escolhi
para refletir entre outras cinco de economias que identifiquei como as mais danosas para o conhecimento e análise do fenômeno do patrimônio cultural espero ter demonstrado que transformar diferenças em polaridades mutuamente excludentes é um caminho preguiçoso demais para enfrentar a variedade e complexidade de nossa problemática variedade e complexidade inevitáveis por se tratar de um campo em que mais plenamente e mais visível e invisível mentisse a risa se realiza em nós da espécie humana precisamente o que nos faz humanos muito obrigado pela atenção [Aplausos] muito obrigado o piano o professor o piano bezerra de menezes nos dá
um excelente fechou para o nosso ciclo sobre patrimônio cultural e essa opção que ele seja pela discussão de algumas economias realmente destaca alguns problemas que são problemas teóricos e ao mesmo tempo muito práticos do do património que a outra dicotomia também muito complicada é nesse tema e ele nos mostra sobretudo que eu posso sintetizar muito rapidamente esse aspecto que essas bipolaridade são instrumentais que elas não devem ser vistos de modo absoluto não é como se elas fossem contou logicamente diversas umas das outras aquilo que é material é ontologicamente material aquele material e ontologicamente material e
assim por diante porque essas economias se interligam é elas interagem que no fundo ela só existem como de economias por um problema do observador que diz somos eu diria quase uma limitação do nosso espírito e acho que o piano desenvolveu muito bem essas cinco de economias que ele selecionou como ele diz mesmo entre outros agradeço muito a presença dos acadêmicos a all a presença dos assistentes do ciclo aqui na nossa sala e na internet e é briga e agradeço obviamente muitíssimo a o piano que se deslocou de são paulo e que como sempre foi profundo
brilhante extremamente claro juntando markarián na mente o espírito de geometria com espírito finance e sempre um grande prazer ouvir o piano e eu tenho esse prazer nas sessões lado o conselho quer ele como relator de processos quer nas intervenções é muito obrigado o piano pela tua presença e convido a todos aliás são dois convites o primeiro é para a próxima terça feira dia 30 às 17 30 no seminário brasil brasília a coordenação geral do acadêmico domício proença filho filho e literatura imea e mercado coordenado pelo acadêmico antonio torres com um palestrante sônia machado jardim e
paulo roberto pires e o próximo ciclo mensal agora coordenado pelo acadêmico merval pereira que será sobre barroquismo brasileiro a primeira conferência conferencista jorge maranhão exatamente com esse título o barroquismo brasileiro muito obrigado a todos [Aplausos] [Música]