pois é essa é a pergunta que me fazem sempre inclusive os meus pais e depois de fazer graduação mestrado e doutorado até hoje eles não sabem meu pai que tem 89 anos quando é abordado por alguém e perguntam para ele as suas filhas em duas uma advogada a outra causa peraí eu vou abrir a carteira e tem um cartão de visita ele suelen antropólogos bom essa é a maior dúvida q sic sic sempre mito que fazem é quem não é da área que me perguntam é principalmente por causa da tradição brasileira de concentrar ao a
área de antropologia dentro dos muros da academia a gente não se articula muito é com as outras áreas de conhecimento por isso que eu acabo me considerando uma profissional híbrida porque na verdade eu não sou uma antropóloga por isso o trabalho em empresas e ajuda as pessoas a pensar estratégias para entender melhor como as pessoas consomem como as pessoas a pensão lógicas de valor e eu vou contar um pouquinho pra vocês sobre isso ea experiência que eu tive e que está abrindo portas a dentro do brasil para outro ou outros profissionais então am e é
esse tipo de conhecimento aplicado empresa como é que isso é possível na primeira coisa de tudo é que eu imagino que a antropologia e se a gente for pensar na grafia antropo homem né e ser humano e elogia a razão é estudo é o estudo do homem ao estudo das diferenças culturais e quando a gente fala cultura a gente está falando de um mapa de um código de uma de valores neder identidades sociais então eu entendo que a antropologia foi justamente a aplicada nas empresas essa união entre clientes e há as empresas as indústrias as
agências e tudo mais então é mais como todo mundo comumente não entendi muito bem que a antropologia eu vou tentar dar uma pequena explicação é e antropologia ela começa na praia e aí vai ter lá uma foto a navegação não antes da topologia ser de fato uma disciplina na e ela só começa a ser tratada como uma disciplina de fato um campo de conhecimento foi entre sarkozy e 18 e 19 mas as navegações começaram bem antes e esse interesse de conhecer os povos exóticos ditos primitivos é começou a borbulhar na europa por causa dos diários
dos viajantes dos missionários dos comerciantes porque esses diários de viagem era na verdade muitas vezes prestações de contas né se a gente foi por exemplo olhar para o brasil a carta de pero vaz caminha fala muito do que ele viu né então eram relatos e aí quando eles chegavam com esses diários de viagem na europa é outros profissionais da área de botânica física astrofísica começaram a se interessar por que diabo é isso como eles são como que eles comem que eles acreditam que rituais são esses né porque se vestem dessa maneira ou não se vestem
e aí a surgiu uma espécie de é interesse e aí a gente chama que são os primeiros antropólogos que são aqueles antropólogos guia de gabinete eles estavam dentro das universidade e aí passaram até outras outras dúvidas e foi puxa é mas eu não tô com todas as respostas em mãos então aí que eu vou fazer eu vou até lá não vou mandar o estagiário ea estagiária ia para as tribos ea próprios outros continentes fazer as perguntas que não estavam respondidos nos diários de viagem antropologia assim se forma como um campo de conhecimento dentro das ciências
humanas e aí a começa muito forte no final do século 19 e início do século 20 onde os antropólogos começam a se misturar e assim vou ver naquele grupo que ele tinha interesse em entender né investigar e aí logo depois disso há a gente começa a estudar a nós as nossas tribos urbanas a e aí o marco nessa área é o antônimo sociólogos antropólogos chamado ele o futuro haiti que escreve um livro chamado sociedade de esquina ele era um jovem estudante de chicago que começa a ficar muito em dúvida e muito curioso acerca das gangues
italianas que assolavam a chicago e aí o que ele faz ele aluga uma um quarto na casa de uma família ítalo americana e se mistura com as pessoas ele fica amigo de um das pessoas nas grandes frequenta rua frequenta os lugares para entender a lógica que estava por trás das atitudes das acções daquele lugar e viram uma espécie de case de sucesso dentro da minha área e é por isso que hoje por exemplo desenvolver trabalhos dentro de uma favela e isso desde 2011 eu estou lá no meu terceiro endereço já vivendo e convivendo dentro de
uma favela de perto e por dentro e aí logo depois no final das cidadãs do java o século 21 no final dos anos 70 essa forma de trabalhar de dentro de perto ela começa a ser utilizado nas indústrias nas empresas de uma forma ainda muito iniciante inicial mas o marco foi achar óxi em 1979 acharam que estava com um problema grandioso porque as pessoas não sabiam mexer na máquina e aí eles não conseguiam vender a máquina e aí que fizeram botaram antropólogos do lado do sujeito que mexe na máquina e aí eles perceberam que o
problema estava no painel monocromático então se hoje você consegue tirar xerox fazer uma fotocópia e aquele botão verde o botão vermelho agradeçam antropólogos porque ele usou a linguagem universal do pari e prossiga então soluções às vezes muito simples que o antropólogos tem essa percepção e essa sensibilidade se colocar no lugar do outro pra poder perceber as questões que estão às vezes atrapalham imagens nem às vezes é uma pedrinha é ea gente tá lá pra resolver para tentar entender e aí o que acontece e aí eu vou falar do meu case eu era uma jovem formando
na já estava começando o primeiro mestrado e aí eu fui uma entrevista de emprego numa concessionária de energia elétrica e era para a vaga de analista social ea trabalhar com projetos sociais porque quando se pensa em pessoas da minha área sempre está ligada a questões relacionadas à responsabilidade social estava eu lá só que no seu diretor é meio maluco e fez e ele me fez uma pergunta é uma pergunta que foi o tom de toda a nossa conversa na entrevista e ele me fez a seguinte pergunta por que o júri clientes fazem gato se imagina
eu pensei por que ele é diretor de uma concessionária de energia elétrica não sabe a resposta vou saber é interessante pensar que dá tanto o nome do gato depois eu descobri tem esse nome por causa do rabo do gato que é arqueado além do da idéia de gato gatuno é trabalha na surdina nas escondidas rouba né comida dos outros e distrital mas o o fio é quando você fazer gato de energia elétrica ele o principal meio o mais comum é fazer um arquivamento de fio de cobre para ligar na rede então aí eu respondi que
o problema todo é que nós perdemos nós brasileiros 9 bilhões por ano com gasto de energia elétrica então é um problema que não consegue conseguiram resolver até hoje e ele foi me testar e aí eu respondi não sei mas eu acho que vocês também não sabe mas eu posso tentar descobrir e aí ele ficou encantado com isso e fui com essa menina pretensiosa neve usada como assim e aí eu falei olha na verdade essa é uma pesquisa que você não pode fazer as perguntas a e aí porque eu falei 'lógico chega um cara lá do
instituto de pesquisa minha senhora a senhora faz gato o gato ali no ar condicionado as pessoas vão dizer que não aí eu como é que você espera que as pessoas que respondam então antropólogos ele não faz pergunta ele convive ele participa ele observa ele entende as regras tácitas o que está por trás das ações das pessoas e aí a eu contei pra ele contém vários exemplos falei do fútil haiti falei de uma série de outros antropólogos se misturaram os índios yanomami é bob que se misturaram com outros tribos africanas e etc e tal companhia quis
te amo e aí todas as classificações e aí ele me faz a segunda pergunta você moraria na comunidade para tentar descobrir claro que eu não ia ser uma x 9 e eu deixei isso muito claro por ética não é por questões de ética mas ele queria entender as motivações o quê porque estava por trás das ações das pessoas acir arquias de valor as motivações o que é porque as pessoas fazem da maneira que fazem e aí óbvio pouco você está querendo um trabalho de fazer uma pergunta dessa é a mesma coisa que perguntar você venderia
sua mãe dizendo em 24 vezes então assim eu disse moro se vocês me deram todas as condições eu moro e eu fui né eu fui e é interessante que quando ele usou a comunidade adoro falar isso a comunidade é uma palavra politicamente correta que diz que representa muita coisa mas é vazio de significado né e aí só que normalmente quando se fala em comunidade da favela eu achei que eu ia pra favela mas não era por isso que deixei para o doutorado mas aí eu fui para um bairro pobre um bairro popular de classe trabalhadora
é que morava na sua grande parte o que é chamada de nova classe média que é uma categoria que eu detesto mas isso não vem ao caso é papo de uma outra conversa mas eu morei nesse nessa casa que na verdade era uma espécie de cortiço onde tinha 17 o meu era um deles mobiliei com os móveis populares de loja de departamento bem popular comprei roupas prade eu com essa cara estrangeira de gringa pra mim a ser melhor o máximo é com o público né pra não criar muito atrito e fui lá por oito meses
ininterruptos eu comi eu me divertir eu frequentei salão de beleza eu fui na padaria eu sentei na calçada eu convivi com aquelas pessoas eu entrei na casa das pessoas eu fui a festas ah eu fui a eventos da igreja de várias a igreja católica igreja evangélica eu queria entender por que isso e aí é o que aconteceu eu descobrir que a primeira coisa de tudo o que a gente pensa quando é leigo e aí a idéia toda ae quem faz gato é pobre né por necessidade é um malandro e aí eu vi que nós isso
não é uma realidade que nem sempre quem faz gato de energia elétrica é pobre nessa presa que me contratou 55 por cento do índice de perdas que é aaa a categoria que se que será utilizada é 55% é realizar algo de gato é realizado por comércio indústria e camadas médias e altas e aí eu falei no e aí as casas e os carros as viagens e fim eles fazem gato porque porque o consumo é uma prática cultural a gente tem que entender por que as pessoas que cultura é essa quais são as quais são esses
valores que o que movem as pessoas e as herarquias de valores totalmente sócio culturais para entender por que as pessoas escolhem agir da maneira que agem e aí o seguinte eu tava vi que estava dentro de uma caixa preta e quando se pensa na caixa-preta seplan bola logo no avião nem avião né o que a caixa-preta venham cá e vamos descobrir o que aconteceu só que a caixa preta é tem um outro uma outra a um outro conceito que é o do bruno latour que caixa preta está ligado à expressão em cibernética tem uma máquina
ou um conjunto de comandos que se revela complexo demais então eu vi que eu pra entender o que acontecia eu precisava abrir essa caixa preta eu precisava entender como é que era o mercado produtivo da energia elétrica e como é que as pessoas entendiam esse mercado percebiam a energia elétrica e aí eu encontrei não uma caixa preta mas encontrei duas uma a é da empresa que não conhece os seus clientes então um é o que eu percebi é que eles não sabem quais são os valores eles não sabem eles eles a eles não sabem por
que as pessoas agem de maneira lógica eles têm métricas etc tal várias estatísticas mas entender o que motiva sócio culturalmente essas pessoas eles não conhecem ea segunda caixa-preta é própria do cliente que não tem idéia do que significa energia elétrica porque a energia elétrica é um bem e é um serviço e ela não é natural e aí eu apliquei 380 questionários neste bairro que morei na região metropolitana do rio e eu perguntei de onde vem a energia elétrica e as respostas foram incríveis até foge iguaçu apareceu catarata vai da catarata e vem ver vai do
poste vem do fio né então eles não entendem qual é o mercado produtivo de geração transmissão distribuição eles não têm idéia de quanto isso custou zhu e ao mesmo tempo a gente lida com a ideia de que puxa a energia ou não pego né ela e você só sente falta dela em dois momentos porque é naturalizada vocês todos no primeiro momento quando a conta de luz chega em um segundo momento quando a carência na falta de energia então eu comecei a falar pô mas aí tudo bem a empresa não tem estratégia de combater o gato
de resolver o problema assim inclusive existe até em certas empresas uma espécie de lítio elite do corte de fornecimento que eles chamam de cobras heróis tipo bope op dos eletricistas existe é e aí eu falei pô mas eles estão combatendo mas eles dependem do cliente não é coisa meio louca a mas aí eles têm estratégias mas o problema todo lá o corte pessoal deixou no escuro só que aí os clientes têm táticas então eles desenvolvem estratégias mas os clientes desenvolvendo táticas e aí a gente precisa parar para pensar que primeiro não é uma guerra são
dois grupos que dependem um do outro para sobreviver 1 por causa da saúde da empresa lucro manter funcionários e outro por ter desde elétrica e aí o que aconteceu eu tinha um desafio porque seus clientes precisam fazer táticas aonde está você nesse processo onde está você empresa nesse processo e aí o seguinte aí eu fui entender a questão da energia elétrica como bem o serviço a energia é um produto só seu técnico ou seja enquanto ela não for entendida como um produto um bem ou serviço que tem uma relação direta com a sociedade e você
precisa prestar atenção na sociedade para saber como é que eles utilizam energia como isso é utilizado como isso é usufruído você nunca vai entender o seu cliente e aí uma vez que ela é um produto só se o técnico está o tempo inteiro em relação com relação às pessoas ela é passível de uso e manipulação você muda você resolve como você vai usar o seu produto/serviço você tem liberdade para isso então a gente tem que mudar o olhar ea primeiro passo é diferenciar dos conceitos primeiro é esquecer desse conceito de consumidor porque o consumidor está
passivo é uma ideia passível de de tota passividade é o cara que compra e consome a eu compro ao consumo ao seu consumidor agora o problema todo é que na nossa sociedade essa essa imagem lá tem que caducar porque nós somos usuários porque nós tenhamos poder de manipulação nós renovamos apropriamos e reapropriados de bens e serviços nos transformamos as coisas é é de acordo com o nosso critério valorativo ea nossa necessidade em situações cotidianas diversas todos nós fazemos isso então ao invés de ter estratégia como as empresas normalmente fazem e as estratégias elas são a
duras elas são inflexíveis porque são muitas reuniões nem até alguma coisa ser implementada é ela é uma forma de dominação é uma ação é forte enquanto ela está lá naquele modo dentro da caixa de pensar o usuário tá livre leve solto para desenvolver a tática ea tática é a criatividade é a inventividade é a arte da viração a tática é a arte do fraco esse usuário e ele tem de ter poder de de manipulação e resolver o problema dele independente da empresa ele finge conformidade mas ele só faz o que ele quer o que é
preciso ser feito então a gente tem que entender que existe uma nova ordem um novo paradigma a gente precisa sair dessa história dos quatro países para quem estudou administração todos os as estratégias são pensadas no preço promoção produto praça e olhar mais para as pessoas e as pessoas e como elas usam as coisas os bens e os serviços porque essas pessoas são imponderadas são complexas segmentação de mercado complicado né elas inovam e elas usam a tecnologia elas desenvolvem a tecnologia delas e eu vou dar um exemplo pra vocês então é esse todo esse trabalho hoje
que a gente faz a gente precisa tomar como premissa a conhecer o usuário tem que ser o ponto de partida então como é que a gente faz isso a resposta está nas pessoas o que elas fazem é o que elas se paulão é o que elas pensam eo que elas sentem e como é que eu descubro isso não é fazendo a luta porque uma hora que você faz a pergunta às pessoas racionalizam e aí você vai construir respostas racionais né e aí o seguinte ao invés de entender o consumidor eu tenho que entender as pessoas
então todas as relações que nós estabeleçamos a gente é são relações sócio técnicas então a sociedade mas tecnologia a gente tem os usos e contra o uso então vou dar um exemplo pra que serve uma bic vai falar pra escrever quem tem cabelo cumprido vai saber que babi que serve pra prender o cabelo abic serve para salvar uma vida pra matar alguém pra brincar tem gente que pinta o cabelo com a tinta fazer tatuagem então tá entidade para quem tem mais de 30 anos sabe que servia para enrolar fita cassete então quem nunca customizou dar
toda um jeitinho quem lembra do magaiver magar ver o rei da gambiarra e eu digo que não é gambiarra rearranjo técnico porque tem expertise essa história da máquina de lavar funciona eu já fiz lá em casa festinha deu certo a e aí você tem outros exemplos mais comuns os aplicativos isso aqui tudo saiu de semana passada na mídia o team df é um aplicativo de pegação passou a ser para encontrar pessoas desaparecidas na a mãe cria pp bloquear o celular dos filhos que não querem atender aos seus telefonemas que a mãe normalmente é chato e
aí o seguinte é porque meus clientes fazem gato essa pergunta não respondo porque vale um milhão de dólares porque os clientes não comprou meu produto etc e tal para tudo há a resposta está nas pessoas então vamos olhar as pessoas né é isso obrigada gente