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Bom, e a meses a gente vem acompanhando aqui no Conexão Futura as consequências provocadas pela falta de chuva para o abastecimento de água, principalmente na região Sudeste. O agravamento da crise hídrica e a possibilidade do país enfrentar também um racionamento de energia a curto prazo tira aí o sono da maioria da população, seja do consumidor doméstico a grande indústria. A gente sabe que na região metropolitana de Belo Horizonte, por exemplo, cerca de 15.
000 empresas já sofrem com restrição no abastecimento. A companhia de saneamento de Minas Gerais, inclusive, determinou que a população reduza o consumo em 30% por 90 dias, o que também vale para as empresas. E o cenário também não é animador para o bolso do brasileiro.
Decisões anunciadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica mostram que a conta de luz de pelo menos parte da população pode subir acima de 50% em 2015. A relação entre a crise da água e a crise energética é o tema do nosso programa de hoje. E aí vamos tentar discutir.
Será que é possível mensurar até que ponto a falta de planejamento no passado contribui para essa situação atual? Bom, para essa conversa, recebemos aqui no estúdio o Guilherme Dantas, que é pesquisador do grupo de estudos do setor elétrico do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Guilherme, tudo bem com você?
bem-vindo à Conexão. Bom, agradecer em nome da UFRJ, agradecer pelo convite e conversar um pouco sobre esse esse assunto tão tão eh que deixam a população brasileira tão aflita no momento e com toda a razão, porque as perspectivas são as piores possíveis. Pois é, também conosco aqui no estúdio para discutir esse assunto, tá?
O David Z ao meu lado, ele é professor de oceanografia da faculdade de Oceanografia do Instituto lá da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Tudo bom, David? Bem-vindo mais uma vez à Conexão.
Um prazer tê-lo aqui. Igualmente, muito obrigado pelo convite. Bom, e daqui a pouquinho a gente conversa também direto de Brasília com Patrick Tadeus Thomas.
Ele especialista em recursos hídricos e superintendente adjunto de regulação da Agência Nacional de Águas. E você em casa, como sempre, é claro, também é nosso convidado. Então aproveite aí para tirar suas dúvidas.
Participe da conversa mandando mensagens, comentários, opiniões pra gente. Se você já tá vivendo aí algum momento de racionamento de água ou já vivenciou um dos apagões recentes que aconteceram aí no país, compartilhe essa história com a gente ou mande a sua dúvida. Aproveito aí para registrar aqui o nosso Facebook.
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Bom, a primeira pergunta que eu fiz ali enquanto apresentava, David, quero passar para você a questão dessa crise que vivemos agora, né? Seja a crise da água, que São Paulo já vem vivendo há mais tempo e que agora a gente começa a perceber também em outros estados do país. Tem mais a ver com de fato a falta de chuva ou a falta de planejamento?
Não tinha como ter sido planejado ou pensado que esse problema poderia acontecer? É, sem dúvida nenhuma, eu acho que tá todo mundo careca de saber que tá ocorrendo essas mudanças climáticas, que alguma coisa tá acontecendo de estranha, um aumento de ressaca, chuvas desregulada, hora chove mais, hora chove menos. Então, alguma coisa todo mundo tava sabendo que tá iria acontecer.
Faltava apenas a confirmação. Mas para uma população enorme como é São Paulo e Rio de Janeiro, eu acho que a gente tinha que fazer o planejamento para não deixar acontecer o que tá acontecendo, né? Hoje o risco de haver um aumento da tarifação da energia elétrica é uma realidade, poderia ser diferente, né?
Hoje nós temos uma dificuldade, uma briga até política entre o estado do São Paulo, Rio de Janeiro, podia ser plenamente evitado. Quer dizer, isso uma coisa que eu acho que qualquer síndico de condomínio, qualquer dona de casa começa a perceber isso. Quando uma dona de casa ou um síndico recebe a notícia que em vez de receber água todo dia, só vai receber água dia sim, dia não, o que que ele faz primeiro?
Compra mais balde, compra mais e caixa d'água, vai estocar a água que vai estocar água de alguma maneira. Então, se existia esse risco, nós tínhamos que já começar um planejamento já de um certo prazo anterior, até porque nós precisamos de obras para de contenção dessas águas, como açudes, represas, reservatórios, uma série de mecanismos que não sai do dia paraa noite, então deveriam ser sido planejados ou previstos antes de acontecer o problema. Além disso, quando existe essa reservação de água, o que que a gente faz?
A gente cobre a caixa d'água para que ela não se evapore. Uhum. Isso na natureza representa diminuir a devastação da cobertura vegetal, que a cobertura vegetal é uma grande esponja, uma grande tampa que retém a água por mais tempo na bacia hidrográfica e em locais que eventualmente a gente precisa de água.
Então são mecanismos, né? são estratégias que qualquer pessoa dentro da sua realidade consegue perceber que tem que ser feito. Então eu acho que a gente tem que passar isso eh pros estrategistas, pros governantes, esse tipo de mensagem que o grande problema hoje o planejamento é conter a água mais os locais que precisam, não deixar a água se misturar com a água do mar, porque aí depois não tem que desalinizar.
Aí o processo de desanilização sai muito mais caro e na verdade a gente pode tentar prever isso um pouco antes. A gente volta essa questão daqui a pouquinho. Eu quero ouvir do Guilherme que já começou aqui se apresentando já dizendo que as perspectivas não são boas.
A gente sabe dessa relação direta aqui no país. O nosso modelo de matriz energética depende muito da água disponível para produzir energia elétrica, das luzes que nos abastecem aqui, que abastecem você em casa que tá vendo aí, seja pela TV, pelo computador. Devemos dar água para ter tudo isso disponível.
Então, Guilherme, você já colocou que as perspectivas não são boas, mas é possível a gente ainda reverter o caminho, colocar esse treino no trilho novamente? A médio e longo prazo, sim, mas a curto prazo a gente vai passar por um estresse grande. O racionamento acho que é uma coisa que era para ter sido decretada há algum tempo, acho que vai ser inevitável.
Agora, é preciso e eh separar as coisas. É, é innegável que a crise que a gente vive atualmente é derivada em grande parte da da da crise hídrica. Os últimos os últimos anos em termos de de hidrologia foram muito desfavoráveis e tal.
Porém, a questão vai além. Primeiro ponto, o sistema ser hídrico é muito bom, é maravilhoso. A gente tem uma base hidrelétrica, só que a gente ao longo do do século XX conseguiu desenvolver esse sistema hidrelétrico com reservatórios de de acumulação associada.
Ou seja, eu estoco água no período úmido para regularizar a a oferta ao longo de todo o ano. De 15, 10, 10, 15 anos para cá, eu não consigo construir mais reservatório de acumulação. Uhum.
Então tô expandindo até a potência hídrica na Amazônia, mas não tenho reservatório de acumulação. Que é que acontece? A a capacidade de regularizar a oferta nitidamente decrescente.
Uhum. Vou precisar diversificar matriz. Esse diagnóstico está feito lá 2008, 2009, 2010.
Ponto. Só que você previa que isso seria um problema de médio prazo e concentrado no período seco do ano. O que essa crise hídrica tá fazendo é antecipar um problema que a gente sabia que ia ter lá na frente e não estavam nos preparando de forma adequada para lidar com esse problema lá na frente.
O problema chegou antes. Então a necessidade de diversificar matriz elétrica agora tá mais do que dada. a gente vai precisar de cada vez mais eólica também de biomassa, porém tem uma questão que acho que precisa estar muito claro pra sociedade no no nesse momento.
Eh, energia e desenvolv energia e meio ambiente é uma relação por definição conflituosa. Eu não expando oferta de energia sem ter impacto ambiental. Então é muito bonito, embora quando se discute, ah, vamos preservar a a região amazônica, todo mundo concorda com isso, não vamos construir reservatório de acumulação lá, até porque o planalto da região não é favorável a isso.
Porém, tem que se saber que se eu não vou construir reservatório de acumulação lá, eu tenho que botar térmica, porque só é óleo que biomassa, não vamos deixar meu sistema de pé. É porque eu o Brasil de fato se engloria de ter um dos tipos de produção de energia mais limpos, mas tem o ônus e o bônus essa questão, né? Por um lado, pelo meio ambiente é positivo, mas talvez outros tipos de geração de energia poderiam nos ajudar a esse momento, por exemplo, a evitar essa crise que vivemos agora.
Mas eu vou chamar também para conversar com a gente direto de Brasília o Patrick Tade Thomas, que é especialista em recursos hídricos e superintendente adjunto de regulação da Agência Nacional de Águas. Patr, Patrick, perdão, Patrick, bem-vindo à Conexão Futura. Tudo bem com você?
Boa tarde, Cristiano. Tudo bem? Bem, obrigado por ter topado nosso convite, conversar com a gente um pouquinho.
A gente sabe que foi divulgado que a Ana abriu uma licitação para contratar um plano nacional de segurança hídrica com objetivo de definir as principais intervenções estruturantes pro país, né, seja com barragem, sistemas eh adutores e canais. De que forma então essa medida pode tentar aliviar um pouco a crise do abastecimento? Então, a crise é causada por um desequilíbrio entre oferta e demanda, né?
No momento, como não é possível no curto prazo, se aumentar a oferta, todas as ações da Ana estão voltadas para reduzir a demanda, ou seja, diminuir a captação de água para as indústrias, paraa irrigação e para as cidades, como você mesmo mencionou no início do programa. Agora, no médio e longo prazo, tem uma outra solução que é o aumento da oferta por meio da construção de obras de infraestrutura hídrica, como transposições, como construção de reservatórios, adutoras, canais e etc. Então, o Plano Nacional de Segurança Hídrica, ele visa justamente identificar que obras são essas que são necessárias para aumentar a oferta em regiões mais críticas e indicar então as melhores soluções, né, e o momento, o melhor momento em que essas soluções devem ser implementadas.
Mas isso agora são soluções de médio e longo prazo, né, Patrick? Exatamente. Em relação a esse momento que a gente tá agora, né, inclusive já foi enunciado eh aumento de tarifas, por exemplo, da energia elétrica em curto prazo.
Existe algum tipo de medida emergencial sendo estudada? Bom, desde o início do ano passado, quando se percebeu, né, na região Sudeste, esse evento extraordinário, né, de seca, se começou a adotar uma série de medidas regulatórias para enfrentar esse problema e elas estão relacionadas principalmente à diminuição da demanda. Ou seja, como eu falei, se não é possível, né, compatibilizar a oferta com demanda e no curto prazo não dá para aumentar a oferta, então você precisa reduzir a demanda.
Então eu cito, por exemplo, na região metropolitana de São Paulo, o sistema Cantareira, desde março do ano passado, se começou a reduzir a vazão que é retirada do sistema para atender a grande São Paulo, começando com 31 m³/ segundo, chegando agora início do ano a 15 m³/, menos da metade do que a vazão original que era utilizada pela região metropolitana de São Paulo. Pois é, a gente sabe que esse problema de abastecimento em São Paulo, né, foi aos poucos ganhando espaço, né, e de cada vez mais ganhando também a preocupação de outros estados. David Z, gostaria de fazer uma pergunta também pro Patrick.
Eh, eh, a gente vem percebendo que essa, essa questão das mudanças climáticas, esse essa variabilidade do clima, então a gente pode dizer até que uma oferta da água, né, e distribuição da água, isso é uma discussão que vem desde 1995. Então, nós temos alguma coisa, um interstício de uns 20 anos para cá. E 20 anos é um tempo suficiente, caso nós tenhamos, tivéssemos tido uma um política de efetivamente preservar, olhar essa questão com mais eh, digamos assim, com mais seriedade, de forma que a gente não precisasse agora ter que reduzir, né, ter que fazer a sociedade sofrer um pouco.
fica muito aquela questão, parece que na hora do problema a sociedade dá um jeito para eh tentar nos ajudar. Isso aí eu acho que eu digo, nós da da academia também temos uma responsabilidade muito grande que nós devíamos ter batido com mais intensidade nessa questão de efetivamente alertar não só as autoridades competentes, mas principalmente a sociedade como um todo, dizendo que puxa vida, ó, se vocês vão começarem bater os tambores, a gente não vai ter o planejamento e vai ser um negócio de assodado de última hora para poder conter a situação que nós chegamos hoje. Quer dizer, se isso se fosse uma coisa que fosse anunciado há 5 anos atrás, eu acho que esse seria o cenário.
Mas quando a gente tem uma noção aqui, desde 95 a gente vem discutindo isso e muita gente acha que isso é balela, que é conversa, não é? essas flutuações, essas variações, é que a gente não resiste. É a mesma coisa dizer o seguinte: "Olha, não vai ter oxigênio durante a noite inteira, você vai ter que resistir, aí vai todo mundo morrer.
" Então a gente não, a sociedade não tá preparada para essas flutuações por muito longo prazo. E aí vai começar a ter inclusive prejuízos econômicos pro país, que o país eminentemente é o o país que precisa de água, porque é um país produtor de alimento da agropecuária. E cada quilo de filé de boi, cada tonelada de soja, é uma quantidade enorme de água.
E a gente fica nessa disputa da agricultura, da indústria e do consumo humano. E aí isso causa prejuízo pro país. Agora, Patrick, eu queria voltar a chamar você rapidamente pra gente comentar em relação a essas medidas de curto prazo que a gente pode pensar eventualmente.
Eh, o David apresenta aqui esse histórico de fato que, enfim, não se foi não foi feito um planejamento, né, nos últimos dois eh nas últimas duas décadas, como o David apresentou, mas agora o que que tá sendo discutido de fato? O que que a gente pode tentar adiantar para quem tá em casa acompanhando essa questão e preocupado, né? A gente sabe que é um problema que tem tirado o sono de muitos brasileiros, tanto a falta d'água quanto a falta de energia, por consequência.
Uhum. Eh, Cristiano e David, é innegável que nós temos observado, né, a intensificação dos eventos extremos, né? O que são eventos extremos?
É o excesso de água, são as inundações e a falta de água são as secas, né? O Nordeste já tá no quarto ano seguido de seca, a região Sudeste entrando no segundo ano, né? Eh, no entanto, é muito difícil de prever o que vai acontecer, né, nos próximos anos, em que intensidade e quando vai acontecer.
Por exemplo, em dezembro de 2013, ninguém previu que ia acontecer em janeiro e fevereiro de 2014 essa anomalia, né, de chuvas na região Sudeste que afetou, por exemplo, o sistema Cantareira, né? Para vocês terem uma ideia, o sistema Cantareira ele é operado com o que a gente chama de garantia de 100%. Então, considerando toda a série histórica, né, de chuvas naquela região, o sistema garante o atendimento de São Paulo por 2 anos na ocorrência do pior evento do histórico, que foi a cerca de 53, 54.
Só que o que aconteceu em 2014 foi três vezes pior do que o pior do histórico. Então, não tinha como prever a ocorrência desse fenômeno, né? Tanto que ninguém previu isso em dezembro de 2013.
E agora também ninguém tem condição de dizer como vai ser o ano de 2015. até a próxima estação chuvosa. Então, a grande dificuldade é saber o que vai acontecer, quando vai acontecer e com que intensidade, né?
Porque pode acontecer também inundações. Nós tivemos no ano passado, ao mesmo tempo em que teve a seca na região Sudeste, nós tivemos a maior cheia da história na região de Porto Velho, no bacia do rio Madeira. Então, é muito difícil fazer uma previsão.
E aí, se você não tem a previsão do que vai acontecer, você não consegue eh adotar as medidas necessárias. com relação à sua pergunta do que tá sendo feito. É que a gente sabe que a Ana determinou inclusive a redução da vazão de alguns dos reservatórios.
É uma das medidas entre elas. Queria que você falasse um pouquinho sobre esse assunto. Então, eh nós temos atuado, né, reduzindo as demandas, ou seja, os usos para compatibilizar a oferta com demanda e as vazões que são retiradas dos reservatórios para preservar esses reservatórios o maior tempo possível.
Então, no Paráíba do Sul, por exemplo, que é a bacia que atende a região metropolitana do Rio de Janeiro, né, nós reduzimos desde maio do ano passado até agora em 50 m³/ segundo a vazão que chega a Santa Cecília. E se a situação continuar como está agora, ou seja, chuvas, né, e vazões abaixo do que a gente verificou em 2014, repara, em 2015 nós estamos com uma estiagem pelo menos até agora, mais severa do que em 2014, né? Então, se continuar esse quadro, vai ser necessário fazer novas reduções de vazão e isso vai acabar levando a reduções também na no uso da água nas cidades, indústrias e para irrigação também.
Muito bem, Patrick, eu sei que você está aí em meio a um dia tribulado com uma agenda complexa, então agradeço muito você ter aceito o nosso convite e ter participado aqui do Conexão Futura com esses esclarecimentos. Muito obrigado e bom trabalho para você. Foi um prazer.
Um abraço, Cristiano, David Guilherme. Muito bom. Lembrando que a nossa produção entra em contato também com a Agência Nacional eh Reguladora de Energia Elétrica, a ANEEL, mas infelizmente a NEL não respondeu ao nosso pedido de que enviasse um representante para falar um pouquinho sobre o setor elétrico no país.
Mas as decisões anunciadas recentemente pela Agência Nacional de Energia Elétrica mostram que a conta de luz de pelo menos parte da nossa população pode subir acima de 50% ainda esse ano. Pois é, a Nel autorizou aí os primeiros reajustes do ano para seis das 63 distribuidoras do país e o maior reajuste foi autorizado paraos consumidores do interior paulista, atendidos pela CPFL Jaguari, que terá um aumento aí de 45,7% em média. Indústrias e grandes consumidores de energia na área de atuação da empresa terão um reajuste aí de 48,85% em média.
Pois é, um grande aumento no preço da energia. Eu pergunto pro Guilherme, né, a gente voltando um pouquinho no tempo, em 2013, o governo federal anunciou uma grande eh medida de redução do valor da energia elétrica. Todo mundo lembra disso, né?
Foi capa de todos os jornais, todo mundo esperou aí a redução da conta de luz e agora esse grande aumento em mais de 50%. Foi uma decisão estratégica correta, reduzi-la atrás para agora tem que aumentar tanto frente a uma crise que a gente tá vivendo. Quer dizer, a medida 579 de 2012, 11 de setembro de 2012, ela tem um problemas.
Agora acabou que a gente olhando hoje de forma retroativa, ela incentivou o consumo e a gente eh eh num numa conjuntura que a gente já não já não tinha sobra de energia, mas também não podia se prever o caos que ia vir como eh eh que a gente tem verificado nos últimos anos. Agora, eu acho que nesse nesse aumento anunciado pela Anel alguma coisa algumas coisas tem que ser esclarecido para não pegar como vilão quem não é vilão. Uhum.
A Nel não é vilã. Uhum. As empresas também não são violães.
As empresas estão entubando um grande prejuízo ao longo de 2014 todo e mesmo grande par de 2013, porque a partir do momento que você não tá tá despachando o parque térmico e de forma contínua, esse parque térmico tem um custo de geração muito maior do que o parque hidroelétrico, isso tem um custo. A sociedade era para est lá atrás já ciente do custo dessa energia. Porque se a partir, se a sociedade tá desde 2013 ciente quanto tá custando energia, o consumidor teria a escolha de não vou consumir menos porque eu não quero, não quero arcar com isso tudo.
Aí as bandeiras tarifárias que hoje já estão em vigor, que se tá despachando o parque, a situação tá mediana, você tá amarela, se tá muito ruim, tá vermelho, que é uma sinalização de preço, foi postergado ao máximo, entrou em vigor esse ano. Isso era para ter entrado lá atrás. Talvez tenha sido um erro do governo que estaria sinalizando pro consumidor que a energia tá caro, porque a energia de fato está muito cara.
E não podia continuar na situação que o efeito da da crise física, crise a crise física do sistema, tá uma situação financeira no setor elétrico caótica, por causa que as distribuidoras tinham uma previsão de um de arcar com custo de energia X, estão arcando na prática há dois anos com um custo muito maior e você não tem caixa. Então o reajuste é mais do que necessário. Agora o problema é que agora o reajuste foi feito, agora o consumidor só resta pagar.
Ele não teve a opção lá atrás, não vou consumir mais, vou consumir menos porque o preço da energia tá mais caro, como qualquer bem na sociedade, você consumir mais ou menos agora com preço. Então essa sinalização de preço, faltou um pouquinho de você comunicar que ano passado a gente estava com o mercado, o preço da da energia no mercado da vista é de R$ 800 MWh. Quem tinha noção disso?
Quem fora de quem é do setor? Então, eh, teve um problema e você, clara, gera e a grande a a grande contradição de ter anunciado em rede nacional uma redução do do preço da energia e agora tem que anunciar um aumento, um grande aumento, né? A gente tá aqui, infelizmente, encaminhando pro finzinho já do programa, uma discussão importantíssima que a gente vai voltar a tratar aqui no Conexão.
Mas antes eu quero mostrar para você de casa eh os sites oficiais das agências para você também buscar outras informações, buscar diretamente as fontes oficiais do governo, o que tá sendo discutido em relação à energia elétrica. Então, primeiramente, o site da ANEL, vamos colocar na tela anel. gov.
br, tá aí para você. e ainda o site da Ana, que é a Agência Nacional de Águas, com a qual conversamos com o representante Patrick Tadeu Thomas agora a pouco aqui no Conexão. Eh, vou registrar também as participações que chegaram pra gente aqui.
Basicamente o pessoal falando muito sobre planejamento, que agora a gente tem que, né, tentar se readaptar frente a esse problema da falta de planejamento lá atrás. E o júnior urbano, ainda sugerindo a questão que o Guilherme já abordou de explorar outras fontes de geração de energia no país. E é uma discussão que a gente pode começar aqui num outro programa novamente, mas por agora a gente já tá encaminhando.
Eu quero rapidamente ouvir de vocês uma conclusão. A gente tem aí 30 segundinhos para cada uma em relação ao que que o espectador que tá vendo a gente, né, frente a todas essas discussões, crise da água, crise da energia, conta mais cara. Eh, 2015, de fato, é um ano complicado em relação a isso.
Resta o que o consumidor é reduzir o consumo. David, eu acho que 2015 foi um ano muito bom para nós, porque agora nós não temos expectativas, não sabíamos, né, essa coisa. Agora nós sabemos da situação, somos realistas.
Agora a situação tá muito ruim, porque bem levantou o Patrick, bem levantou o Guilherme. Então, a gente tá sabendo que notamos uma situação crítica. Então, eh, nesse cenário paraa frente, nós temos que trabalhar para que amanhã, daqui a 5 anos, daqui a 10 anos, não, a gente não tava prevendo isso, nós estamos prevendo agora porque nós chegamos no fundo do buraco.
Então é a oportunidade da crise pra gente poder rever os processos e quem sabe melhorar a partir de agora. Guilherme, eh, o planejamento tem problemas, tem. Talvez a raiz dos maior maior raiz dos problemas do planejamento seja essa crença que Deus é brasileiro.
Se vale no folclore o planejador não pode. Mas ninguém viu o passaporte dele ainda, né, para poder comprovar agora. A execução tem mais problema do que o planejamento.
E no setor elétrico, a execução tem uma relação muito conflituosa com a esfera ambiental. Então a gente grande a gente fica nessa questão, não vamos construir mais reservatório de pedra elétrica, OK? Só que aí a gente não tá não não construiu o reservatório e hoje a nossa situação é tá operando termoelétricas movida como a óleo que é a coisa mais poluente, pior coisa do mundo de forma contínua.
Então dar mais racionalidade a discussão ambiental no Brasil também é muito importante pra gente conseguir avançar. Muito bem. Energia que vem do vento, que venha do sol e outras tantas formas de energia.
A gente vai voltar esse assunto com certeza aqui no Conexão, mas por agora Guilherme e David, foi um prazer conversar com vocês. Muito obrigado pela presença hoje. Você de casa, obrigado pela companhia de sempre.
Eu te espero aqui de segunda a sexta ao vivo às 2:30 da tarde. Temos reapresentações meite:30, 7:30 da manhã ou então qualquer hora do dia e da noite temos um encontro marcado lá no site do canal Futura. Um abraço para você e até a próxima.