[Nátaly] As pessoas têm questionado as cirurgias da Madonna. As pessoas têm apontado a gravidez da Claudia Raia depois dos 50 anos. Algumas falas no programa Big Brother Brasil, nessa edição de 2023, têm usado a idade de duas participantes, como a Domitila e a Aline, de 38 e 41 anos, pra apontar valorizações.
. . "Ah, que bom que ela faz isso, é uma mulher adulta".
Ou descredibilização. "Nossa, mas ela é uma mulher de mais de 30 anos, 40 anos". "Por que ela faz isso?
" Além disso, recentemente a gente viu um caso super triste que teve um final feliz! Em que três meninas adolescentes, bobas, ingênuas e muito mal educadas criticaram a presença de uma mulher de 40 anos no mesmo curso que elas estavam fazendo em uma faculdade em Bauru. E, no fim, essa estudante de mais de 40 anos recebeu uma bolsa pra fazer o mesmo curso no Reino Unido.
E as meninas saíram da faculdade. E tudo isso, a gente chama de etarismo. Um conceito que eu vou explicar mais ao longo desse vídeo.
E que, ao longo dos últimos anos, tem se tornado muito mais popular. Eu escuto falar, vez ou outra, nos últimos anos. Mas foi agora, nesses últimos meses, que eu me aprofundei verdadeiramente.
Depois de ter visto tudo isso e muito mais outras coisas acontecendo. Eu tenho acompanhado essas discussões sobre etarismo principalmente no que tange a internet que, como vocês sabem, além de ser meu trabalho, é uma grande fonte de reflexão e interesse. Gosto de ver como as pessoas se comportam online.
E mais do que nunca, o TikTok pelo menos e as tendências norte-americanas que a gente tá importando. Tem trazido uma rinha, uma guerra geracional gigantesca. Geração Z versus Millennial.
Millennials versus Baby Boomer. Baby Boomers versus Geração Z e Millennial. E tudo isso é uma grande bagunça.
E eu acho uma grande patacoada. E eu já falei, inclusive, num vídeo específico sobre isso. Chamado "Rinha de Gerações", que vai estar aqui no card.
Mas o assunto não é sobre a rinha de gerações. Mas a gente entende que a discussão sobre "a quem pertence a internet", com muitas aspas, tem sido cada vez mais frequente. E as pessoas têm usado esse espaço pra caçoar da presença de uns.
E das habilidades específicas de outros de acordo com a geração em que as pessoas estão. E de como elas usam esse espaço. O que é totalmente contraditório.
Já que a presença de diversas gerações tem sido cada vez maior na internet. E são essas gerações, inclusive, os maiores consumidores atuais que movimentam o que a gente vai ver mais tarde nesse vídeo. Que é a chamada Economia Prateada.
O etarismo tem várias facetas na internet, ele é extremamente presente. Uma dessas formas que ele existe, por exemplo, é tentar caçoar de determinadas formas em que gerações e pessoas produzem conteúdo. Não sei se vocês têm visto as discussões no TikTok que virou um mundo sem fim, que eles falam da Millennial Pause que é um segundo de gravação em que pessoas, sei lá, de uma geração surreal que vai dos 27, eu acho, aos 41.
Enfim, é um gap muito gigante de pessoas. Faz uma pequena pausa antes de começar o vídeo. Enquanto a Geração Z, de 17 a sei lá quantos anos também chacoalha o celular antes.
Então, as pessoas ficam tentando buscar características pra falar que tipo de produção, que tipo de comunicação que tipo de presença na internet é relevante, legal e cool. E que tipo de presença é atrasada, brega, caricata. "Ah, mas são pessoas conservadoras, atrasadas" e bla-bla-blá.
Assim, assiste meu vídeo sobre rinha de gerações. Esses conceitos e essas ideias, eles podem até fazer sentido principalmente num contexto norte-americano, mas aqui as coisas são diferentes. E também temos conservadores e preconceituosos, de mente atrasada com 20, 30 anos.
Então, se é uma questão geracional, a nossa geração e várias outras gerações também estão com vários problemas. Em resumo, o ambiente digital sempre foi muito pouco empático com a diferença, com a diversidade, principalmente se ela for geracional. As gerações mais novas, os nativos digitais, que cresceram com essas habilidades usam isso como uma característica de diferenciação.
Quando, na verdade, saber estar aqui, saber se comunicar através do online é só uma forma de comunicação e expressão que todos nós devíamos ter acesso. E, com certeza, por conta disso e de várias outras demandas que envolvem inclusão digital, acesso a essas ferramentas. .
. A EBAC tá apoiando mais um vídeo aqui no canal. E eu agradeço muito pela confiança e parceria.
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Ele vale por tempo limitado e o link e as informações dele estão aqui na descrição desse vídeo. Bem, a gente já falou um pouco sobre a internet sobre esses bafafás que ocorreram aí, ligado a essa faculdade, sobre o BBB. Mas essa discussão sobre etarismo é muito comum em um determinado campo há muitos anos.
Que é o da indústria e da produção audiovisual. De cinema, filmes. .
. Hollywoodiana. A cantora Cher, por exemplo, lá na década de 80, quando ela tinha por volta dos 40 anos.
Falou que ela não foi considerada pra fazer participação em um filme As Bruxas de Eastwick. Porque ela já não era mais sexy e atraente o suficiente E a gente sabe que aquela mulher é uma deusa em qualquer idade. Ela, realmente, sempre foi muito bonita.
E ainda segue sendo. Claro que a gente vai falar mais daqui a pouco sobre procedimentos estéticos mas sempre foi uma mulher muito linda. Inclusive, também, aos 33 anos, a Anne Hathaway que é uma atriz consagradíssima, respeitadíssima.
Falou que vinha perdendo cada vez mais papéis. Pra mulheres na faixa de 20 e poucos anos. Aos 33 anos, gente.
Inclusive, em uma entrevista super icônica da Meryl Streep ela também fala sobre como ela teve que começar a negar vários convites depois que ela fez determinada idade. Pra fazer o papel de bruxa em filme. Porque é assim, também, que a indústria hollywoodiana vê.
Ou é a bruxa sexy, que a Cher não serve. Ou é a bruxa de nariz, muito velha e maldosa que eles esperam que as mulheres sejam. Inclusive, tem uma entrevista da Claudia Raia que eu assisti que eu já vou contar mais pra frente sobre ela.
Em que ela fala que aos 27 anos, ela fez o papel de uma mulher de 50 e poucos. Olha como as referências também são distorcidas pelo cinema do que é ser uma mulher mais velha, do que é ser uma mulher 50+. Do que é ser uma mulher madura.
E justamente por isso, além de várias outras questões envolvendo a nossa sociedade. É muito comum que a gente fale: "Nossa, mas você tá tão enxuta, tá tão novinha pra parecer ter tal idade". "Nossa, mas nem parece.
. . " Como se isso fosse um elogio, né.
E trazendo o caso da Claudia Raia, a gente também tem a Glória Maria. Nossa grande jornalista, que infelizmente faleceu nesse ano de 2023. E sempre trouxe essa questão do etarismo, né?
Só que as pessoas falavam: "Ah, ela não falava a idade dela porque ela não queria ser confundida com uma mulher mais velha. Porque ela queria parecer novinha". E essa não é uma realidade.
Ela mesmo disse que ela não dizia a idade dela porque a idade dela só importava pra ela, não importava pra mais ninguém. Por que você quer saber a idade dela? Pra justificar se o que ela tem ou não na vida é válido pra idade que ela tem.
Se é suficiente pra idade que ela tem. Ou se já tá na hora de aposentar. Porque, enfim, ela tem a idade que ela tem.
Então, ela teve uma postura muito rígida ao longo disso na vida. Porque ela entende como esse peso do etarismo é ainda maior. Principalmente pra mulheres nessa indústria.
Que envelhecem muito mais cedo. Enquanto os homens, cada vez mais velhos, são galãs, enfim. Bons vinhos, que envelheceram da melhor maneira possível.
Inclusive, recentemente, a gente teve uma coisa muito positiva sobre isso. Que foi o posicionamento da atriz Michelle Yeoh que aos 60 anos ganhou o Oscar de Melhor Atriz por Tudo Em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo. [aplausos] Além do fato dela ser a segunda mulher amarela a receber a estatueta.
Ela também falou que nenhuma mulher deveria aceitar que as pessoas digam que o auge delas já passou. Aquilo ali era uma prova disso. Até porque a cerimônia do Oscar, desde que foi criada, lá em 1929.
. . Só premiou 30 atrizes com mais de 50 anos.
Desde 1930! E quando a gente vai falar de homens com mais de 50 anos, esse número dobra. Tá, mas por que a gente tem tanto medo de envelhecer?
Por que a nossa cultura, o tempo inteiro, tá obrigando a gente a querer permanecer jovem? A sentir e ter certeza de que envelhecer é uma coisa ruim quando, na verdade, se você tiver sorte na vida, você vai envelhecer. Porque se você não envelhece, significa que você morreu, né.
Não existe uma outra alternativa ao não envelhecimento, a não ser a morte. -Morreu. [ri] Desculpa.
[Nátaly] E pra responder essa pergunta, eu fui atrás do que a professora e antropóloga Mirian Goldenberg fala. Ela é aposentada, ela é a professora aposentada, na verdade, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e é uma referência nos estudos de gênero e envelhecimento. E ela resume a ideia de velhofobia, enfim, etarismo, como uma postura, como um pânico, um asco, um medo em relação à ideia de envelhecer.
Não necessariamente só o fato de você não contratar. Mas a própria ideia de você não querer envelhecer, e o medo disso pode ser traduzido como velhofobia. E aí, o preconceito, etarismo.
Inclusive, alguns estudos mostram isso que a professora Mirian fala. Tem um estudo de 2018, feito no Reino Unido pela sociedade real, para a saúde pública. Que fala que 40% dos entrevistados entre 18 e 24 anos tinham visões negativas sobre a velhice.
E um estudo da Pfizer, encomendado em 2015 disse que 90% da população brasileira tinha medo de envelhecer. E aí, isso se chama, também, gerascofobia. Existem vários nomes e termos que eu tô usando aqui que todos estão dentro desse mesmo campo, do medo.
. . ao maduro, ao mais velho.
E a si próprio, né, já que todos nós vamos envelhecer e estamos envelhecendo. Mas talvez eles sejam um pouco mais profundos do que isso. Vale dizer que tô trazendo essas informações pra gente começar essa conversa.
Definitivamente, não sou uma especialista. Mas acho importante conversar sobre isso. Pra gente aprender e conseguir perceber as nossas posturas etaristas.
Porque como a gente tem visto na internet e na vida, tá muito fácil fazer isso. E eu li também uma entrevista do jornal O Globo com um pesquisador, sobre envelhecimento. O professor Valmir Moratelli, lá da PUC Rio.
E ele falou o seguinte na entrevista, abre aspas. . .
Ele afirmou que a lógica que enaltece os jovens surge no final do século XVIII com a Revolução Industrial, no momento em que os corpos velhos são descartados por não terem tanta capacidade de produção. O jovem é visto como aquele que é capaz de mover a economia. E essa visão fica ainda mais exacerbada com a tecnologia.
Que é o que a gente tá falando aqui. Tudo que é moderno é atrelado ao jovem. E os valores capitalistas muito ligados à produtividade.
E nesse meu vídeo que eu citei aqui pra vocês, que eu falo sobre a rinha geracional, eu trago muito dessa discussão. Como o que é a geração legal, o que é a geração chata, o que é a geração atrasada. Tá muito ligado, principalmente, à habilidade e familiaridade dessas gerações com a tecnologia.
E a tecnologia e a presença no digital, e o prazer ou a facilidade que você sente nesses espaços é posto como um status como uma característica distintiva que traz valor e traz demerito também pra quem não tem essas habilidades. No caso, pessoas de outras gerações, mais velhas. Isso, num contexto brasileiro, é extremamente contraditório.
Já que os Estados Unidos, de onde essas teorias e referências vêm que são pura e exclusivamente mercadológicas. Toda a ideia geracional, ela tá fundamente ligada a tendências de mercado pra você aprender quem é o seu público consumidor, quem tá comprando, quais são os interesses das pessoas nascidas em determinada data o que elas querem consumir. Como eu vou movimentar todas as minhas ferramentas de marketing pra ativar esse target, essas pessoas estarem consumindo os meus produtos.
Enfim, fecha parênteses. Toda essa discussão, ela é muito norte-americana, é muito mercadológica. E quando ela é importada aqui pro Brasil, sem nenhuma reflexão crítica, a gente só reproduz essas ideias que lá são até recorrentes porque, realmente, a diferenciação tecnológica marca as distinções entre essas gerações.
Mas aqui nem são tantas, né. Porque se a gente for pensar no acesso ao digital, o Brasil teve um acesso muito mais tardio do que o do próprio Estados Unidos, né. Lá, quando no início dos anos 2000 os adolescentes já tinham fácil acesso a internet, a computador, aqui a gente não tinha nem ideia!
Muitos de nós fomos. . .
Eu sou uma pessoa de 94, né. Eu tenho 28 anos agora. Eu fui, no início dos anos 2000 inteiro, tendo pouquíssimo acesso à internet.
Justamente porque era muito caro. E a maior parte da população brasileira não podia comprar. Eu tive meu primeiro celular aos 14 anos, mesmo já indo e já consumindo muito sobre uma cultura digital.
Porque, enfim, eu assistia canais da TV que abordavam essas questões. Como, por exemplo, a falecida MTV. Eu também passava muito tempo em lan house.
Então, o consumo que a gente tinha, ele era extremamente específico. E muito restrito! E isso muda a forma como você interage com a tecnologia também muda a definição de gerações.
Muitas pessoas, até hoje, pertencentes, teoricamente, à Geração Z ou aos nativos digitais, 100% digitais. Que são a nova geração. Alpha, beta.
. . Enfim, acho que é alpha.
Enfim, são pessoas que teoricamente deveriam ter esse acesso inato mas, na verdade, não têm. Por conta das condições sociais e econômicas brasileiras. Em que o acesso à internet, à tecnologia, não é tão popularizado e massivo.
Quanto é, por exemplo, nos Estados Unidos. E essa visão capitalista, neoliberal, que incentiva a juventude, né. Que tá ligada à produtividade.
Também pode ser interseccionada e fica ainda mais intensa e grave. Quando a gente falou, como eu disse, sobre gênero. Mas também sobre raça.
Inclusive, sobre essa questão de gênero, eu falei um pouco, mas quero trazer um pouco mais. Porque eu acessei essas discussões de uma forma mais intensa e refletir sobre elas, num episódio do podcast Mamílos. Cris Bartis e a Ju Wallauer.
O episódio chama "Maturidade 2. 0: o que esperar dos 50+? " E foi um podcast em que a Cris e a Ju entrevistaram a Claudia Raia.
Que é atriz, 50+. E a Layla Vallias, que é fundadora do Hype50+ Ou 50 "plus", não sei. E é consultora de marketing especializado no consumidor sênior.
O podcast é muito interessante, porque elas abordam todas essas ideias sobre o envelhecimento, sobre a maturidade essas discussões sobre a estética. Uma mulher mais velha pode ou não se encher de procedimento? Ela pode ou não tentar retardar esse envelhecimento?
Como é que ela se posiciona em relação a isso? O que o mercado tem oferecido? Que é uma discussão bem interessante, que vale a pena vocês ouviram.
Mas elas falam no podcast sobre como a maioria das pessoas que menstruam param de ter importância pra sociedade, pro capitalismo, pro mundo, quando elas entram na menopausa, quando elas não estão mais em idade de produzir mais massa de manobra, mais mão de obra, mais pessoas, quando elas já cumpriram o papel delas, de reprodutoras na Terra. Inclusive, elas falam no podcast sobre os avanços médicos em relação à redução dos sintomas da menopausa. Como isso é extremamente recente, mesmo sendo algo que existe desde que seres humanos existem, né.
Isso porque todo o mundo médico, científico, não estava interessado, até então, em reduzir esses vários sintomas que a pessoa, durante a menopausa, tem. E que incomodam muito e prejudicam muito a forma como se leva a vida. E assim como gênero é um fator agravante quando a gente fala sobre etarismo a racialidade também, ainda mais quando a gente fala de um país tão racista e desigual como o Brasil.
De herança escravocrata, que não trouxe nenhum tipo de estrutura ou condições materiais pra que ex-escravizados tivessem condições mínimas de prosperar. Ou de, enfim, vida e acesso à comida e dignidade. E aí, nesse caso, a gente não tá nem falando sobre péssimas condições de vida pra pessoas negras na maioridade.
A gente tá falando sobre a impossibilidade dessas pessoas chegarem à essa idade. Sobre a impossibilidade de pessoas negras envelhecerem! A velhice é negada!
E quem tá falando isso não sou eu, é o professor Alexandre da Silva que é doutor em Saúde Pública pela Faculdade de Medicina de Jundiaí, a FMJ. E é o nosso atual Secretário Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa. Que é uma pasta do Ministério de Direitos Humanos e Cidadania que tá com o professor Silvio Almeida.
Ele fala sobre toda essa trajetória da pessoa negra, que já começa a vida, mesmo na fase pré-natal, com a falta de acesso e com a violência obstétrica, que é ainda maior em mulheres negras sem muita perspectiva de um amadurecimento ou de uma chegada à vida adulta e depois sênior saudável. E claro que passar por todos esses obstáculos que começam lá do pré-natal à vida adulta, traz uma fase de envelhecimento muito diferente de vários outros grupos que já têm suas dificuldades no nosso país. Enfim, mas como eu citei lá no começo, uma contra-narrativa dentro do sistema capitalista também tem sido trazida, que é da Economia Prateada.
As pessoas têm falado cada vez mais como toda a riqueza tá concentrada na geração X, nos Baby Boomers e como Millennials e Geração Z, na verdade, são as gerações com menos acesso a bens materiais, com menor poder de compra. E eles têm chamado, justamente, de Economia Prateada o surgimento desse novo mercado que pensa na pessoa idosa. Nas suas necessidades de lazer e entretenimento, na sua saúde no acesso ao mercado estético e cosmético.
Que por mais que esteja lá, falando da negação do anti-aging que por mais que esteja falando do empedimento do envelhecimento precoce às vezes pode cruzar uma linha delicada ali e utilizar essa fragilidade de gênero nas discussões. Sobre o que é belo, sobre o que é interessante sendo que esse interessante e belo é sempre o jovem. E levar mulheres, cada vez mais, a dependerem de procedimentos estéticos.
"Você é contra procedimento estético? " Não sou, gente. Inclusive, a Claudia Raia fala bastante sobre isso no podcast.
Que ela não é contra mulheres que escolhem fazer procedimentos estéticos assim como ela também não é contra mulheres que escolhem envelhecer. Tem se falado muito sobre o orgulho do cabelo branco. Eu acho que essa foi uma das discussões, das referências mais interessantes que eu achei um tempo atrás, quando nem tava procurando sobre isso na internet.
Sobre mulheres assumindo os grisalhos, assumindo os fios brancos. Debatendo na internet, como elas não precisam ter vergonha e compartilhando ferramentas pra cuidar desse novo cabelo que a indústria não olha e não se interessa. Afinal, produto pra grisalho é só pra homem.
Afinal, só homens grisalhos são interessantes. E mulheres grisalhas podem ser facilmente descartadas. E não precisam mais serem olhadas ou cuidadas.
Então, existe sempre essa linha muito tênue quando a gente tá falando sobre essa Economia Prateada, pelo menos pra mim. Porque se de um lado existe a criação de produtos pra valorizar pra aumentar a longevidade, pra dar qualidade de vida, principalmente, pra fazer com que essas pessoas tenham ferramentas e formas de se cuidar, da mesma forma que pessoas de várias outras gerações tenham também existe um lucro em cima de todas essas fragilidades de imagem, por exemplo. E as mulheres vão ser sempre o público consumidor.
Mas por bem ou por mal, a indústria tem mudado, principalmente em sua terminologia, a indústria cosmética, por exemplo. Tem sido cada vez mais comum ver empresas mudando embalagens retirando ideias de anti-aging dos produtos, né. Você não fala mais "produto anti-envelhecimento" porque você entende que é impossível não envelhecer.
O que muitos falam agora que são produtos pró-idade produtos pra aperfeiçoar a idade, ou produtos pra cuidar da pele madura. E aí, eu também tenho visto muitos conteúdos sobre isso. Recentemente eu vi um vídeo da Vanessa Rozan muito legal em que ela fala como mulheres com mais de 40 anos são sempre alvos de produtos de beleza.
Produtos pra, enfim, trazer firmeza, repor. . .
incentivar a produção de colágeno. Mas são pouco vistas por marcas de maquiagem. A marca, a indústria de maquiagem quer embelezar aquilo que já é socialmente belo.
Mas essas mulheres com rugas, com linhas de expressões, não são tratadas não são chamadas pra ser estrelas de campanha. E são, de forma oposta, muito presentes em campanhas de cuidados com a pele e redução das marcas expressão e linhas, enfim, criadas pelo tempo. E aí, como a gente muda tudo isso?
A gente muda observando as nossas posturas. As nossas posturas enquanto pessoas que nos alimentamos e alimentamos essa cultura. Eu me peguei e eu acho que eu trouxe esse vídeo e comecei a me interessar justamente por isso.
Quando eu me peguei, aos 27 anos, achando que eu tava velha demais. De alguma forma, um dia eu falei "cara, eu tô muito velha, tô com 27 anos". E, do nada, eu parei e falei "eu estou delirante!
" A minha vida só está começando, os meus 20 e poucos anos foram um caos completo e absoluto e pela primeira vez eu tenho um pouco mais de saúde e eu já sinto que eu perdi tempo, eu já sinto que minha vida mal começou e terminou. De onde surgiu essa ideia? E eu comecei a reparar nas coisas que eu consumia eu comecei a reparar nas coisas que o algoritmo mandava pra mim eu comecei a reparar que tudo na minha vida.
. . que tudo em torno de mim valorizava e incentivava e era só sobre juventude, adolescência eterna.
Eu falei "cara, isso não reflete o mundo, isso não me reflete". "Com sorte, todos nós vamos envelhecer e eu preciso urgentemente mudar as minhas referências". Eu preciso, urgentemente, começar a consumir e procurar diversidade geracional não só de gênero e racial, enfim, como eu geralmente faço.
Inclusive, eu fiz um vídeo sobre isso, quando eu passei por essa crise, né, que eu comecei a ver que nas séries adolescentes que eu assistia eu me identificava tanto com os adolescentes das séries não porque eu era uma adolescente mas porque a indústria cinematográfica usa pessoas mais velhas pra fazer adolescentes. E, ao mesmo tempo, usa pessoas muito mais novas pra fazer pessoas mais velhas. Ou seja, você só pode existir entre os seus 20, no máximo o início dos seus 30 anos pra produzir ou ser uma referência pra idade e beleza, enfim, vida.
Eu também vou deixar aqui no card esse vídeo que é um vídeo que eu falo sobre a minha crise dos 20 e tantos anos. E tô indo pros 30 já, né, gente. Tô com 28, vou fazer 29, em breve 30.
E nunca me senti tão. . .
caóticamente preparada. Eu ia falar bem, mas não vou falar essa palavra, não vou mentir pra mim mesma. Tão caóticamente preparada pra viver.
E buscando essas referências, revisando essas minhas posturas. Não só em falas. Claro que às vezes a gente pode soar e ser etarista, e a gente tem que se observar o tempo inteiro.
Mas principalmente naquilo que a gente consome, naquilo que a gente vê, naquilo que a gente valoriza, como é belo, como é interessante. Isso ajuda a gente, isso ajuda na minha postura com a minha mãe, por exemplo. Incentivando ela a continuar buscando os sonhos dela.
Ela acreditando e me mostrando que ela tem esse desejo, sabe. A gente não precisa entregar, a gente tem que incentivar nossa família, as pessoas que nos rodeiam, a continuar vivendo. Enfim, e quais são essas referências?
Eu tenho algumas, mas eu vou pedir a sua colaboração nos comentários. Por favor, mande conteúdo "age generational friendly". [ri] Coisas que mostrem gerações e pessoas falando sobre diversas perspectivas de uma forma positiva na internet já que esse é o nosso lugar de habitação, basicamente.
Pelo menos é onde eu tô, infelizmente, na maior parte do meu tempo. Infelizmente e felizmente. Mas eu indico muito que vocês sigam as Avós da Razão, elas são um perfil super grande, duas mulheres com mais de 80 anos.
Duas, três mulheres com mais de 80 anos. Falam sobre suas experiências, sobre suas vidas de uma forma super divertida e interessante de ver. Sigam também o perfil do @bee40tona aqui no Instagram, no YouTube, também tem o podcast, que é muito importante!
Porque eu não citei especificamente, porque esse é um outro babado. Mas sexualidade e etarismo também é muito constante e gigante essa discussão, né. Vide que se a pessoa tem mais de 27 anos, ou 28 anos, a comunidade gay já chama de maricona, já tá velha.
A gente tem isso no nosso palavreado. Às vezes, claro, não é tão vexatório e violento, etc. Mas essa ideia existe, de que a pessoa envelhece dois minutos e ela já é dadduy, sabe.
Principalmente na comunidade gay, a gente tá falando de envelhecimento em relação a pessoas trans, fica ainda mais difícil. Porque a expectativa de vida de pessoas trans é ainda mais baixa no Brasil. Então, existem várias intersecções aí, muito mais amplas quando a gente fala sobre etarismo com várias comunidades.
Comunidade negra, comunidade LGBT, mulheres no geral. E o perfil do @bee40tona fala isso, sobre ser LGBT com mais de 40 anos e é muito interessante! Sigam também o perfil no Instagram chamado @beyond.
age de uma psicóloga e pesquisadora de gerontologia. Candice Pomi, desculpa se eu tô falando o nome errado. Mas comecei a seguir há pouco tempo, pra esse vídeo.
Em que fui procurar referências. E ela fala justamente sobre longevidade. Dá novas referências, referências de séries, de filmes.
Enfim, conversas sobre a vida de adultos e idosos. É um perfil muito bonito, o conteúdo que ela faz também é muito interessante. E sigam também a maravilhosa Zezé Motta, grande atriz!
Que tem falado muito sobre isso. Que tem mostrado seu sucesso em qualquer idade. E mostrado que não existe idade, não existe tempo pra brilhar e ser feliz, gente.
É sobre isso. Que possamos ser menos etaristas, que possamos ser mais amorosos com nós mesmos. Porque, com sorte, como eu já disse duas ou três vezes.
Todos nós iremos envelhecer. Enfim, compartilhem as referências de vocês aqui nos comentários me indiquem pessoas, me indiquem conversas. Me indiquem lugares nessa internet ou, enfim, produções audiovisuais, filmes e séries.
Que vocês gostem e que a gente possa compartilhar e construir uma nova ideia do que é a maturidade. Do que é a vida idosa depois dos 60, 70, 80 anos. Que a gente possa abrir essas portas de conversa.
Pra que a gente possa compreender o que é diversidade, de fato. Como abrir essas pontes, como fazer essas conversas esses diálogos geracionais. E, com certeza, como se respeitar.
Porque se a gente ainda não chegou lá, a gente vai chegar muito em breve. E, como eu disse, novamente, com sorte. .
. Vocês estão entendendo esse conceito? De que é bom envelhecer, porque se você não envelhecer, você morreu, né, gente?
Pra mim, isso aqui é o maior argumento contra o etarismo. Tipo, querido. .
. Você vai ser, seremos, se não somos. E se somos, que bom que somos.
Porque ainda existimos. Deixa um like, se inscreve nesse canal. Não se esquece do código da EBAC, de desconto pra qualquer curso e principalmente pro curso de digital influencer que eu comentei aqui com vocês.
Vale a pena aprender em qualquer idade, em qualquer lugar em qualquer momento da sua vida. Deixa um like, se inscreve nesse canal, como eu já disse, novamente. Um grande beijo, até o próximo vídeo.
Tchau.