nome e favor. >> Gabriela Cavaco, eh, diretora do Ai, olha, já fiz o Não fica gravado, fica só para >> então vá. Gabriela Perdigão Cavaco, diretora da Casa Museu, Anastáia Gonçalves.
Vamos então começar a Gabriel. Vou vou podemos começar por como é que a Gabriel caracteriza este espaço, o edifício, a coleção e o Dr Gonçalves articulando também um bocadinho com com os propósitos da criação de do museu. >> Então esta casa é uma casa museu no seu na sua verdadeira asção.
Eh, a vertente de casa é é muito muito importante. a e a ao longo de muitos anos esta esta especificidade de ser uma casa e a casa não entrava no discurso museológico e deste espaço. a é uma casa que foi do do ponto de vista da arquitetura a extremamente importante na cidade na na na questão urbanística e e da das construções da cidade e nesta Nova Lisboa que surgiu com a a expansão das Avenidas Novas.
é o primeiro projeto do Norte Júnior, do arquiteto Norte Júnior, quando ele chega de Paris, eh, depois de ter estado com uma bolsa a estagiar num grande atelê de arquitetura eh em Paris. E, portanto, é uma das suas primeiras encomendas. Eh, é um projeto feito em 1904, que depois vai ganhar um prémio em 1905 e é também uma experiência do Norte Júnior e em termos de desenho de arquitetura, porque é uma casa que é encomendada pelo pintor José Malhoa para ser casa de habitação e ser também o seu espaço de atelier.
Eh, e nesse sentido, o Norte Júnior, quando começa a desenhar a casa, desenha com uma série de especificidades que tinham a ver com a personalidade que ia habitar esta casa. Portanto, é uma casa habitada e isso é extremamente importante depois no futuro da casa. A e é também muito suigéneres e muito eclética.
Eh, e esse primeiro desenho vai marcar também toda a história e todo o futuro até hoje e deste primeiro projeto, que é um projeto de facto e muito muito bom e vai levar depois a que o Norte Júnior tenha novas encomendas e que seja o grande arquiteto das Avenidas Novas. Eh, hoje em dia, a casa e a casa museu é é constituída por dois passos. a tal casa malhoa construída em 1904 pelo pelo arquiteto Norte Júnior e a junção posterior e de uma casa já nos anos 90 de uma casa que estava ao lado, que é uma casa também do Arquiteto Norte Júnior, mas feita mais tarde já em 1909, porque se e depois isto por diversas vicissitudes da vida do pintor José Malhoa, a casa acaba por ir parar a asta pública.
A, e em 1932 é comprada por um grande colecionador da capital, um grande oftalmologista da cidade, um grande médico da cidade, que era também o oftalmologmogista do senhor Globinken, eh, que vivia aqui ao lado e no Hotel Avis, portanto, o outro lado da rua. Eh, e o o Dr Anastácio Gonçalves sabe que a casa está à venda, compra a casa em asta pública, h, e, e compra a casa e quase como uma peça da coleção. Nós conseguimos perceber pelos textos, pelo sobretudo pelo testamento, pelas pela caderneta perdial onde onde pela eu nunca tinha visto uma caderneta perdeada onde viesse já em 1932 escrito que a casa se destina à habitação e a futuro museu.
É extraordinário a visão deste homem que compra a casa como uma peça da coleção e para pôr a sua coleção e para também para habitar, como é óbvio. Mas tem já esta visão a que depois mais tarde vai deixar em testamento, a dizendo, vai deixar em testamento da casa ao estado e a coleção dizendo exatamente que comprou a casa e que deixa a casa ao estado para que ela seja preservada, porque é um espécimo, ele diz mesmo que é um espécimo, talvez feliz da arquitetura do princípio do século, que necessita de ser preservada, assim como o seu conteúdo. O o Anastásio, o o António Anastásio Gonçalves quando compra a casa mantém exatamente porque tem esta noção de que era uma peça quase de coleção e de que era uma peça rara e portanto muito boa arquitetura.
Ele mantém toda a estrutura da casa que se mantém até hoje. Ou seja, esta casa hoje é a única casa da cidade de Lisboa que mantém eh a estrutura tal e qual eh como o Dr Anastácio Gonçalves encontrou. Eh, e mantém também estaura de Carizo, as as o espaço privado, onde só entrava a família e e e o e os muito próximos da família do Dr.
Anastácio Gonçalves e depois um carisma mais público, mais eh aberto que é o ateliê do do pintor José Malhoa, que ele transforma numa espécie de eh espaço museológico privado, onde tinha a sua coleção e onde que recebia eh pontualmente alguns e amigos ou alguns conhecidos mais próximos que vinham exatamente ver a coleção e falar sobre os leilões e a importância das peças. falar um bocadinho sobre eh este o que é que é colecionar e eh portanto que é uma tradição que hoje nós mantemos na casa no fundo com com os encontros com eh as pequenas tertúlias, com os lançamentos dos livros e de manter esta casa aberta. O Dr Anastácio Gonçalves, também no seu testamento, deixa a casa eh referindo ao estado para que ela seja um pequeno museu.
E é muito interessante porque ele no testamento refere, não é qualquer museu, ele indica qual é o museu e ao qual o futuro espaço deve assemelhar e indica o Sen Museum em Londres. Eh, e eu conhecendo um bocadinho da através de toda a história do do Dr Anastásio Gonçalves e olhando para este pedido específico, ou seja, à semelhança do Sen Museum para instrução e eh e divulgação e e e lazer, no fundo, que é também o objetivo com que o próprio Sen deixa a sua casa eh a em Inglaterra para a constituição do museu. é muito semelhante.
HH consigo perceber um bocadinho o que é que o o Consigo percecionar o que é que o o Dr Anastácio Gonçalves queria dizer com este pedido específico, é que de facto quando nós visitamos a SOEN em Londres há uma poética do espaço, uma poética de diálogo entre as peças que eu acho que era o que ele gostava também de ter na sua coleção e de ter na sua casa ao ver fotografias antigas, não é? eh antes de porque quando eh o estado no fundo herda esta este espólio todo e esta casa, é criada uma comissão em 65 pós morte do Dr Estácio Gonçalves, uma comissão de instalação do futuro museu, uma comissão que trabalhou até ao final dos anos eh 70, portanto, o museu abre pela primeira vez ao público em 1980. Em 79 é feita uma grande exposição na Goldben com espólio, nomeadamente pintura da coleção Anastácio Gonçalves, para no fundo mostrar ao público o que é que era esta coleção.
Eh, é uma exposição que tem um catálogo que esgota rapidamente e tem filas à porta e é assim um e é muito publicitada em termos e da imprensa da época. H, e dizia eu que eh vendo as fotografias que essa comissão fez quando chegou eh à casa ainda dela a abrir ao público, de ser trabalhada, não é? Porque a casa estava muito recheada e, portanto, é preciso retirar algumas peças eh para se fazer os circuitos.
Eh, percebe-se exatamente nessas primeiras fotografias que são feitas e nos acolates que nos são contados por pessoas eh que ainda estão vivas e que que trabalharam nesse projeto, que havia de facto essa poética, que havia aqui um um espaço muito muito interessante do ponto de vista da vivência das próprias da própria coleção. Eh, e portanto o Dr Está senhor Gonçalves, quando se refere a este pequeno museu em Londres, refere-se também eh com certeza a esse a esse gosto que ele gostaria que que se mantivesse eh na relação e nos diálogos eh desta coleção. Eh, e isso é muito interessante.
é um trabalho que nós, enquanto museólogos, enquanto técnicos a destas áreas aqui, especificamente na casa, tentamos hoje fazer h e e sobretudo e tentar que não seja um uma um espaço eh permanente, mas que, por exemplo, que o circuito da casa seja eh um circuito de longa duração, mas que, tal e qual como nas nossas casas, possa ter eh algumas alterações e se vá eh eh divulgando o espólio eh valorizando em diálogo com outras coleções, eh e e tornando muito mais aptecível para para visita. e sobretudo sublinhar esta questão da casa, que é extremamente importante. Há alguns espaços eh que derivaram de coleções privadas e que estão em espaços privados, em que há algum prorido em sublinhar esta questão.
Eh, porque durante muito tempo se achou que se calhar seria eh um um aspecto menorizante de um espaço museológico. O que é certo é que nós hoje e sobretudo aqui neste espaço, queremos mesmo sublinhar esse aspecto, porque as temos a certeza que é um um um sinal e um um uma forma de qualificar o espaço, de tornar esta casa habitada de uma outra forma, h, e de no fundo de a tornar um espaço de prestígio da cidade de Lisboa, um espaço de prestígio também para a própria entidade que foi criada para a gerir a Museus e Monumentos de Portugal. E, portanto, ela é talvez a unidade mais pequena de de todo dos 37 museus e monumentos que são geridos pela pel por pelo estado.
Eh, mas tem de facto esta vertente eh porque é uma casa também cheia de sentimentos e de emoções e é isso que também nós queremos passar ao nosso público, que se sinta aqui como em sua casa, no fundo. E e agora também exatamente a a casa do museu aberto à comunidade, como é que eh que era também um dos propósitos, não é, de vem no testamento Gonçalv que era seria um museu para público e educação. São que dois são dois conceitos muito >> muito grat ao pensamento republicano.
Mas como é que neste momento a casa museu se se acolhe essa comunidade de cinça e não só? >> Sim, o testamento do Dr Anastácio Gonçalves está muito presente no trabalho da casa e como tal nós temos uma missão e a missão é de abrir essa casa ao público. Eh, ele até eu lembro-me que no testamento e a certa altura está escrito com mais ou menos eh público, não é?
com mais ou menos visitantes. Eh, mas nós tentamos sempre fazer isso e nós não queremos concorrer com os grandes museus e com as grandes filas à porta, não é? É, não é de toda a missão de uma casa museu.
Queremos sobretudo que as pessoas se sintam bem eh e que haja uma programação eh diária, não é? uma espécie de um menu do dia. e e e que essa e que haja um planeamento que traga constantemente e públicos, os mais diversos públicos, h em visita, em tortúlias, em lançamentos de livros, em workshops de pintura, futuramente de cerâmica, h escolas, portanto, um público muito também muito eclético e muito eh ao qual nós queremos chegar eh desde da família que vem com as suas crianças ao fim de semana, à universidade ou ao especialista, ao colecionador.
E, portanto, nós tentamos, que não é fácil chegar a todos estes públicos, com uma programação que tem que ser muito planeada, como é óbvio, para que tudo corra com alguma naturalidade. E h agora nós, por exemplo, a visita há pouco há pouco tempo deixou de ser uma visita livre, passou a ser acompanhada. exatamente porque nos interessa chegar à comunidade eh de forma eh pessoal, ou seja, eh personalizada e também ir ao encontro do que é que a comunidade espera de nós.
Portanto, nós, para além de termos uma programação da casa, que é que no fundo é lançada pela equipa da casa, acolhemos também outras propostas que nos chegam da própria comunidade e interessa-nos trabalhar com essa eh nessa vertente, no fundo, de eh da casa estar mesmo aberta a projetos que possam ter lugar aqui eh e que a casa possa acolher, não é? Eh, mas também não vale tudo. Eh, porque às vezes na fúria da abertura destes espaços a outros e a outras a outros públicos, a outros visitantes, acabamos por desvirtuar também.
Portanto, interessam-nos coisas que nos que nos que eh eh no fundo interessam-nos projetos eh que a comunidade nos traga, que sejam trabalhados em conjunto eh mas que no fundo valorizem a própria casa, que valorizem a coleção e que sirvam também a comunidade de alguma forma, que não seja, ou seja, que haja esta partilha, mas que haja aqui um sentido mais profundo que tenha a ver com a GES, com o no fundo o ADN. da Casa Museu e desta Casa Museu em particular, >> reforçando esse essa esse compromisso da Casa Museu com os com com essa comunidade, com os públicos, e Gabriel tinha falado p de referir o a importância do do grupo de amigos e também dos voluntários, como é que é, no fundo é esse acolhimento, não é? E essa e é é promover uma cidadania ativa também.
>> Exatamente. Sim. A casa, por exemplo, há há eh está muito, nós estamos muito, por exemplo, em consonância, em temos trabalho conjunto com a Junta de Freguesia das Avenidas Novas, eh porqueê porque é um parceiro natural.
Eh, e a casa, por exemplo, tem um grupo de amigos ativíssimo, hh, que tem voluntários que todos os dias trabalham na casa. Há bocado quando eu falava do menu diário, nós temos mesmo, ou seja, temos eh imaginem à à quarta e sexta, eh temos voluntários que estão a trabalhar a documentação, eh nos outros dias temos voluntários que vêm ajudar na conferência de inventário, que nos vêm ajudar na inventariação, eh ou que trabalham connosco em termos de investigação ou que eh de alguma forma dinamizam eh eh atividades na própria casa e que divulgam a casa e que trazem também mais público, eh, e que, portanto, têm têm essa missão de, eh, no fundo, de divulgar e trabalhar em conjunto com a equipa interna da casa hh outras formas de estar. Eh, e isso é extremamente importante, nomeadamente, estou-me a lembrar, eh, de de pessoas que trabalham mesmo próximo de nós e em nas ruas limítroves da casa, que podem, por exemplo, ajudar na jardinagem, na pequena jardinagem e manutenção do jardim ou eh eh outro tipo de pessoas que, por exemplo, estou-me a lembrar, por exemplo, da sociedade portuguesa de psicanálise ou da sociedade portuguesa psicoterapia, que também são vizinhos que têm pouco espaço e que nos vêm propor h projetos que tenham a ver de alguma forma com a nossa coleção e que eles possam também desenvolver na casa.
ou, por exemplo, a escola de medicina tradicional chinesa, que faz algumas aulas, eh, porque nós temos uma coleção de porcelana chinesa enorme. Eh, estamos, por exemplo, também a avançar com aulas de chinês na casa, portanto, eh, com crianças ou com pessoas que ou pessoas mais velhas que não, que não, que querem aprender línguas e que possam fazê-lo na casa. E, portanto, a casa está sempre aberta, nesse ponto de vista, a a série de eh de projetos interessantes e o grupo de amigos sempre muito muito próximo e isso é extremamente importante para para a própria dimensão da casa.
>> E que memória é que Gabriel acha que a comunidade tem do Dr Anácia Gonçalves associam com a colecionador, associam à casa? O que é que o que é que hoje em dia o que é que hoje em dia que memória é que se tem da deste legado? Distácio Gonçalves >> hoje?
Como é que é? >> Eh, especificamente o Dr Anastácio Gonçalves, ou seja, muito em particular, hh, temos a memória de um homem eh de um homem bom, que eu acho que isso é extremamente importante, não é? Eh, e depois de um grande republicano e também de um médico de excelência na cidade de Lisboa, muito reconhecido.
Eh, começamos a descobrir também essa faceta, não é? Eh, o Dr Anastácio Gonçalves é muito trabalhado em termos de imagem e até por anteriores diretores da casa e como republicano, como colecionador. Eh, e hoje começamos também a querer saber mais sobre quem era este médico, quem era esta pessoa.
Hum, e depois como um grande mérito da cidade, eh, porque e penso que outros colegas também já falaram sobre isso. h que ao deixar este que ao deixar este legado a ao país, no fundo, não é só à cidade de Lisboa, é também ao país, h um grande benemérito, não só em termos de artes, mas depois também em termos de de eh, por exemplo, e de ajudar, por exemplo, a Santa Casa da Misericórdia, de ajudar pequenos projetos sociais, eh de ajudar pequenas e eh comunidades artísticas, estão-me a lembrar, por exemplo, eh, das academias de música. Eh, e, portanto, como um grande numérico e um grande bemfeitor.
Eu acho que isso é é a imagem oficial, não é? Eh, depois descobrem-se outras facetas e quem conhece melhor a casa e quem conhece melhor a coleção começa a a conhecer outras facetas h e do Dr Anastácio Gonçalves, que são também muito interessantes, mas aí é mais específico e e é mais como como e eh uma vida porque que era também uma pessoa muito recatada, não é? que não gostava muito.
Ele no fundo era um benemérito, mas não gostava que se soubesse que era. E, portanto, isso também é extremamente interessante na figura D. Universidade, um homem cultíssimo que viajava muito, portanto um grande viajante também, hh, e que tá por continua por descobrir.
Eu acho que há sempre quando me dizem que o Dr Anastácio Gonçalves já foi estudado e que a coleção já foi estudada, eu fico sempre muito admirada, porque eh todos os dias nós descobrimos mais qualquer coisa eh sobre sobre o Dr Anastácio Gonçalves, sobre a pessoa e sobre a coleção. E isso é extremamente interessante porque é um é um trabalho para para uma vida, para um para várias vidas, porque de facto era um homem com uma visão extraordinária, uma visão de futuro e extraordinária e e as suas palavras no testamento, aquilo que ele escreveu e toda a sua vida, eh, permitem-nos até hoje e continuar a estudar esta coleção e, nesse sentido, projetá-la no futuro, não é? porque enquanto produzimos conhecimento e e esta coleção está aberta para isso, não nunca será uma coleção vestada, como se dizia aqui há uns anos, mas será sempre uma coleção de futuro e de abertura a a a outras a outras histórias e a outras a outras realidades.
regiu este isto é uma casa museu que foi atida para a casa museu eh quando a as pesso a casa museu está a a a mergulhar na intimidade de um colecionador ou por outro lado está casa que projeta a a aquilo que foi a um amante da ou seja é virada para para a intimidade do coinador ou por outro lado Espanha aquilo que ele foi e aquilo que ele gostou e apreciou. Eh, quem visita a Casa Museu visita um espaço privado, um um uma eh tem contacto com uma história eh de um colecionador e nesse sentido, um espaço muito intimista e eh e muito eh do ponto de vista do conhecimento muito reservado, mas exatamente porque ele não é um colecionador qualquer por esta visão de futuro que ele tem. H, esta casa permite fazer links com outros espaços da cidade e com outros espaços a nível mundial.
Eh, ou seja, quando nós pisamos um tapete turco do melhor que existe a nível mundial, nós estamos também a pensar na viagem que ele fez à Turquia, e à a à ao interesse que ele tinha pelos museus na Turquia, às coleções que ele ia ver, há à eh e nós não nos podemos esquecer que ele tinha dois a três meses por ano, para além do grande estudo eh e da grande biblioteca que nós temos e belíssima do Dr na Estácio Gonçalves e toda a documentação, os cadernos de viagem, eh os as pequenas anotações que ele tinha nos catálogos eh de outros museus a nível mundial, nós conseguimos nós conseguimos percecionar que o Dr Anastácio Gonçalves tinha a sua coleção privada e como tal a coleção e quem visita a casa vê a sua coleção, mas há sempre referências eh a nível internacional. Nós não nos podemos esquecer que ele tirava dois a três meses de férias para viajar e ir ver outras coleções. E, portanto, esta coleção está sempre em referência.
E a visita na casa torna-se também interessante por isso, porque tem estas duas vertentes. Tem a vertente do colecionador privado, mas tem também esta vertente de abertura e de diálogo com outras coleções e com outros espaços e com outros museus e com outras casas de museu. E é por isso que esta casa é tão especial e que as pessoas, é muito interessante porque as pessoas entram um bocadinho a medo, mas depois quando saem da casa saem com um imenso com imensa vontade de voltar e com imensa vontade também de ver outras outros lugares.
E e esta casa é mesmo especial por causa por causa desta desta questão. Olhando para o o que é o que a cidade se tornou, princialmente esta zona da cidade, o que se tornou atualmente, o que é o que é hoje esta esta zona de Lisboa, como é que se olha para esta casa museu? É, e todo e todo o lugar que ela ocupou na cidade?
é, é um, é uma, é um, uma um mergulho no, no século, enfim, finais, do século XIX, princípio, do século X, a arte de dessa altura, é a peculiaridade do do espaço, é a memória de alguém que fez esta coleção, ou seja, o que é que no fundo esta casa m representa hoje no que é esta zona da cidade de Lisboa, >> a casa. A casa, ou seja, no contexto da cidade, nós temos aqui uma casa que é aquilo que nós chamamos uma casa prego, não é? É uma casa memória no centro de um carteirão e no centro de de um de um de um de um de um espaço maior da cidade, que é a tal cidade nova de que eu falava.
H constitui também um mistério. Ela tem esta vertente de mistério, não é? porque a cidade foi crescendo, nós estamos rodeados de arranha céus, eh, e de podemos só no carteirão fazer um bocadinho a história das construções da cidade e do seu espaço.
E, portanto, ela constitui um um um uma peça de mistério. Quando nós fazemos a Avenida 5 de Outubro e vemos no fim da Avenida 5 de Outubro um arranha céu por cima da casa e a casa cá embaixo, a parece uma é um uma experiência e eh estranha, não é? eh como é que isto ainda permanece, como é que este espaço ainda permanece aqui.
E quando entramos parece uma cápsula do tempo, mas ao mesmo tempo é também um um espaço de um espaço de encontro, porque ela mantém, como eu disse, também a casa mantém a a estrutura original. Eh, esta sucessão do ponto de vista da arquitetura é genial que isto se tenha passado e que ela se mantenha assim, porque nós mantemos a sucessão dos passos e da do habitar o espaço. Isso já é muito raro na cidade.
E, portanto, ela é quase como se fosse um uma eu não queria utilizar o termo, mas é um é um é não me vem outra à à cabeça. é é quase um uma preciosidade, uma raridade eh no centro da cidade que foi crescendo à sua volta. Portanto, ela foi, no fundo, há aqui uma série de layers de de e de camadas que se sobrepõem à sua volta e que a casa assistiu e que assistiram também as pessoas que a habitaram.
Isso é extremamente interessante, eh, porque porque ela se vai mantendo e nós queremos que ela se mantenha durante muitos anos e, portanto, e temos como missão preservá-la. H, e, e, e isso é extremamente interessante, que ela ela assiste a certa altura à a casa assiste e os seus donos assistiram à construção de de, por exemplo, à sua à frente da sua porta a ao início da construção de uma basílica da Imaculada Conceição, que anos mais tarde eh o Estado novo abandona e constrói a maternidade da Fre da Costa. Eu acho isto genial.
Só só, só em Portugal é que isto acontece. uma uma basílica da Conceição que gera uma maternidade eh que é a maior maternidade da cidade. Depois temos também o primeiro grande arranhacéus da cidade que é construído mesmo ao seu lado e que é é tipo um um nos anos 70, quando é construído o Sheraton, que inaugura em 72, está mesmo ao nosso lado, não é?
Eh, eh, e depois também eh eh o Monumental eh que era uma antiga quinta da condenaça de Camaride, que era dona também do espaço onde onde foi construída a casa malhoa. Eh, e depois o Monumental sai e vem também um outro ranhacéus. Eh, ao lado temos depois também um edifício feito pelo Bofil, que também ganha o prémio Valmor, a construção do do Liceu Camões.
Portanto, esta casa assistiu a este à construção da própria cidade e em si isso é uma memória, ou seja, ela ela por si é uma memória, não é, da cidade, mas ela também conta a história da cidade. A, e isso é extremamente interessante do ponto de vista do urbanismo, da arquitetura e do desenvolvimento deste centro a que é que é tão importante hoje em dia e que é que é utilizado por milhares de pessoas que chegam, que saem e que passam pela casa. E é muito engraçado porque eu acho que as pessoas que passam pela casa perguntam sempre: "O que é que será isto?
Que olha que bonito, o que é que o que é que estará lá dentro? " E isso é uma pergunta interessante e que muitas vezes há visitantes que nos vêm a bater à porta a perguntar o que é o que é que se passa aqui. E isso é interessante.
>> No fundo é um lugar de resistência que se perpetua no tempo. >> É um lugar de resistência que se perpetua no tempo e que nós queremos que se mantenha.