Eu ouço muito a seguinte frase: "Na minha época autismo não existia" E a internet ela contribuiu muito para popularizar isso Um dos grandes problemas que a gente enfrenta hoje que são os auto testes diagnóstico Todo mundo tem um pouco daquelas características mas não é isso que importa é o quanto que ela me prejudica e qual é o impacto daquilo na minha vida Não se faz avaliação saúde mental com Pressa Luís Eduardo médico psiquiatra e psicoterapeuta Diagnóstico é reconfortante Quando eu dou um nome pro que eu tô passando isso cria uma identidade Eu tô cansado de
ver pessoas na rua assim meu TDAH fez isso comigo A pessoa nunca foi num profissional de saúde O médico bom no imaginário comum é um médico que pede muito exame ou que intervém muito ainda que desnecessariamente Uma experiência ruim não necessariamente significa uma vida Ruim Então todos esses componentes vão moldar a forma como a gente adoece mentalmente Isso tem a ver com inteligência emocional Exatamente Como que eu posso desenvolver essa inteligência emocional a primeira coisa para eu desenvolver a inteligência emocional é ó pessoal rapidinho antes aqui da gente começar Eu tava olhando as métricas do
canal outro dia e eu percebi que 83,8% das pessoas que assistem os nossos Episódios não são inscritas do canal Então gostaria de pedir um favor para vocês de conferir se vocês já estão inscritos porque quando vocês se inscrevem vocês ajudam a gente a escalar os nossos convidados a gente produzir melhores episódios e levar cada vez mais conteúdos para vocês Então se inscreve aqui no canal não custa nada e vai fazer uma diferença gigantesca pra gente Muito obrigado Luiz por que que todo mundo acha hoje em dia que tem um transtorno Mental fermento isso é um
fenômeno que a gente vai perceber por dois motivos Primeiro deles é o fato de que hoje a gente fala muito mais sobre transtornos mentais Então tem muita coisa que a gente via no passado mas a gente não sabia explicar exatamente o que era Por exemplo eu ouço muito a seguinte frase: "Na minha época autismo não existia" Isso é uma coisa da contemporaneade E na verdade não a gente não tinha um nome para aquele aquela Condição aquela neurodivergência E hoje a gente sabe o que que é Uhum Então o primeiro motivo que a gente pode explicar
o porquê das pessoas se identificarem tanto com o transtorno é o fato de que transtornos mentais são muito mais falados hoje em dia Uhum Mas eu não diria que esse é principalmente depois da pandemia também né teve um papel Exatamente Porque a pandemia ela agravou o nosso isolamento social e a gente começou a a entender e buscar mais Experiências que falem sobre o nosso bem-estar nossa saúde e automaticamente a gente se depara com a questão do sofrimento mental Uhum Mas eu acredito que esse não é o principal fator A gente tem um conceito muito usado
na psicologia e na psiquiatria que chama análise dimensional O que que é uma análise dimensional a gente pode definir doença ou transtorno ou ausência de uma doença ou transtorno com um número de critérios Diagnósticos E isso pode ser separado de uma visão que a gente chama de categorial ou dimensional categorial é quando eu falo que ou eu tenho ou eu não tenho aquela condição Por exemplo não tem como eu ter um pouco de câncer ou eu tenho diagnóstico de câncer ou eu não tenho Não tem um meio termo nessa história Já uma condição que a
gente chama de dimensional ela funciona de uma maneira um pouco diferente Dimensional significa que todo mundo tem um pouco Daquelas características mas se eu atingir um determinado ponto de corte eu passo a ser chamado ou ser identificado por um transtorno Enquanto se aquelas características ou elas são poucas ou elas geram um prejuízo ou uma intensidade de sofrimento baixo não necessariamente eu tenho aquela condição Uhum Então vamos colocar a implicação prática disso no fato de que todo mundo acha que tem vários transtornos Vamos pensar aqui o conceito por exemplo de TDH Dentro do TDAH existe uma
queixa muito comum na vida humana que é a desatenção Se eu falar para você assim Fermento você conhece alguém que já esqueceu a chave de casa na pressa ali na fechadura ou já se atrasou para uma reunião porque se esqueceu ou fez uma pergunta duas vezes porque não lembrava a resposta anterior Eu não tenho dúvida que 100% vai responder que sim Exatamente Eu acho que todo mundo que eu conheço por sinal né exatamente E é para Ser assim porque pontualmente na nossa vida a gente vai cometer pequenos deslizes que vão simbolizar ali uma desatenção Uhum
Agora imagina que se por outro lado eu te falo assim Fermento todo dia eu chego atrasado no trabalho tomo bronca do meu chefe apesar de acordar cedo minha namorada reclama que tudo que ela me conta eu tenho que perguntar a mesma coisa várias vezes Eu sou uma pessoa que entrega um trabalho pela metade Eu faço uma prova de um lado Da folha e esqueço de olhar se tem um verso Eu já perdi ali a luz da minha casa porque eu esqueci de pagar Eu começo a est falando talvez ali de um nível de desatenção que
não é mais todo mundo que tem naquele nível de intensidade naquele nível de sofrimento Então talvez essa pessoa se eu avaliar ela com muito cuidado pode ser que eu encontre um diagnóstico Uhum Então por que que todo mundo se identifica hoje com um transtorno que as pessoas avaliam A característica sem se preocupar com a intensidade nível de prejuízo E a internet ela contribuiu muito para popularizar isso porque eu divulgo por exemplo um dos grandes problemas que a gente enfrenta hoje que são os autotestes diagnósticos Eu digito lá no Google como saber se eu tenho TDAH
Aí vai aparecer ali pelo algoritmo ou pela inteligência artificial uma série de critérios aleatórios esquecimentos dificuldade de cumprir prazos tendência Ao tédio Aí eu começo a ler e falo assim: "Cara caraca eu tenho tudo isso aqui então eu tenho TDAH" Só que acabam sendo essas características justamente genéricas que qualquer pessoa se identifica Exatamente E aí que tá o problema São características que em maior ou menor grau todo mundo pode ter Então o trabalho do psiquiatra do psicólogo é entender o quanto isso te afeta e como isso te afeta porque se aquilo gera um prejuízo e
um impacto Significativo eu posso estar lidando com o transtorno Então é natural as pessoas acharem que elas têm quase todos os transtornos mentais porque se elas se baseiam em análises rasas a gente começa a confundir Mas a gente tem um terceiro problema aí também que é o número de informações incorretas imprecisas sobre diagnósticos Se eu entrar em plataformas por exemplo de rede social é muito comum eu encontrar pessoas influencers falando Sobre como que elas identificaram um transtorno com características que não são do transtorno Então eu já vi absurdos do tipo olha o jeito que o
TDH sorri um meme sobre isso Não existe nenhuma evidência que um cara com TDH sorri de um jeito diferente de uma pessoa sem TDH Uhum Aí começa aquela disseminação de fake news Ah eu vi que tal pessoa falou que ela tem tal condição por causa dessa característica Talvez nem faça parte ali dos critérios Diagnósticos Então é uma mistura disso tudo Acesso ao conhecimento que de fato fez quem tem o diagnóstico buscar Banalização daquele conhecimento que é tirar ele do contexto ou dar informação errada E o fato de muitos diagnósticos serem dimensionais Ou seja todo mundo
tem um pouco daquelas características mas não é isso que importa é o quanto que ela me prejudica e qual é o impacto daquilo na minha vida Mas em algum nível todo o diagnóstico Ele ele nunca é 100% preciso vamos dizer assim por causa desses níveis diferentes Então eh pô tem vamos supor que seja uma pontuação de zer a 10 né qual o teu nível de desatenção de 0 a 10 ah o meu nível é set Qual o teu nível de esquecimento de coisas aleatórias de 0 a 10 ah o meu nível é seis lá Tá
mas quais são os prejuízos que tu teve na vida por causa disso pô às vezes tu não teve tantos prejuízos porque tu conseguiu adequar a tua realidade né eu Por exemplo eu sou diagnosticadamente bipolar mas eu sou uma pessoa que conseguiu mitigar muito os malefícios da bipolaridade por saber por ter aprendido a lidar com eles né por entender o jeito que eu funciono e ter encontrado muitos mecanismos inclusive na minha vida profissional que fizeram eu lidar Então dependendo da do olhar diagnóstico a pessoa poderia olhar para mim: "Não pô tu é tu as características e
tal blá blá blá mas tu Não teve prejuízo então tu não se enquadra" Então sempre em alguma instância esse diagnóstico ele vai ter um qu de subjetividade dependendo do olhar de quem tá dando o diagnóstico Não só de quem tá dando o diagnóstico mas de quem tá contando aquele sintoma A gente primeiro precisa pensar o seguinte como você pontuou muito bem não basta eu saber se você tem aquela queixa mas como aquela queixa te afetou Então por exemplo para eu nível de desatenção eu Preciso de ouvir de você exemplos práticos de situações do seu dia
em que a desatenção te impactou Onde que foi isso quando como qual o prejuízo que você teve o problema aqui é que dentro da saúde mental a gente estabelece algumas arbitrariedades que são espécies de ponto de corte pra gente poder definir o que é normal e o que é patológico Porque se a gente não tiver uma certa arbitrari eu não consigo definir mais nada Por exemplo se eu Olhar lá os critérios diagnósticos de depressão eu vou perceber que a tristeza ela é relatada como um sintoma que tem que estar persistente por pelo menos 14 dias
Uhum Então é tristeza persistente na maior parte do tempo por pelo menos 14 dias Agora você concorda comigo que e se eu tiver a 13 dias com sintomas de tristeza acompanhado de outros teoricamente para um critério diagnóstico eu não pontuo Se eu tiver 14 dias e uma hora eu já pontuei para Aquele critério diagnóstico Então os critérios diagnósticos eles tentam organizar mas eles acabam sendo muito reducionistas porque eles precisam travar um determinado ponto de corte para eu falar que aquilo é normal ou não Eu eu tenho um exemplo que talvez seja até mais mais claro
da pessoa perceber a diferença né no DSM foi incluído o transtorno de pessoas que têm vícios em jogos né e o o critério salvo engano diz Que a pessoa tem que ter isso há pelo menos um ano Cara tem gente que que baixa o tigrinho e em três meses perdeu a casa a família o carro Pô essa pessoa tem problemas com jogos ou não pô às vezes ela nem sobrevive um ano às vezes ela tira a própria vida em menos de um ano né então existem eh subjetividades né que acho que vai depender um pouco
do tato da pessoa que tá querendo dar aquele diagnóstico Exatamente Por isso que a gente tem hoje alguns modelos como O harddoc que é um modelo americano que tentam trabalhar uma perspectiva mais dimensional dos diagnósticos e que não seja tão 880 como é o DSM que é o manual diagnóstico de transtornos mentais porque são modelos mais reducionistas na tentativa ali de simplificar para gerar uma forma de padronização eu acabo reduzindo a subjetividade do ser humano Então o que é critério diagnóstico baseado no DSM para um não se enquadra necessariamente para outro ainda que o Prejuízo
do outro seja igualmente ou mais devastador Então nesse exemplo que você citou do transtorno de jogo para mim não tem o menor cabimento eu contar um período de um ano para eu fazer uma intervenção ou para eu dizer que essa pessoa tem um transtorno embora exista ali uma preconização de data A gente tem que trabalhar um pouco mais essa subjetividade senão a gente começa a encachotar os sintomas de uma maneira muito reducionista Mas hoje a gente é é Sempre uma linha tênue né entre a gente ser extremamente objetivo e criterioso com o diagnóstico e com
os protocolos adequados de tratamento e a gente explorar demais essa subjetividade de maneira que fique incerto qual o protocolo a ser seguido Eu vi um vídeo outro dia cara de um rapaz que decide fazer uma espécie de experimento social assim aquelas pessoas que têm dinheiro e um pouco de tempo para testar algumas coisas né e ele vai em diversos Psiquiatras isso no nos Estados Unidos que normalmente é mais criterioso com quem pode ser um psiquiatra e quem não pode ser E ele relata exatamente os mesmos sintomas para todos os psiquiatras ele recebe mais ou menos
as mesmas perguntas de volta só que os diagnósticos e os tratamentos que ele recebe são simplesmente completamente diferentes Então ele relata exatamente os mesmos problemas e para um ele é depressivo para outro ele é TDH pro Outro ele é bipolar E ele reproduziu isso com assim tipo 20 psiquiatras e foram muitos diagnósticos diferentes Qual é a solução para esse tipo de problema a primeira coisa que a gente precisa entender é que não se faz avaliação de saúde mental compressa Eu não preciso saber apenas qual que é o sintoma que você tem mas o contexto por
trás daquele sintoma Tem um exemplo que eu gosto muito de usar que mostra o tanto que saúde mental é complexa Vamos Supor que eu chegue aqui e você é meu psiquiatra e eu falo para você o seguinte: "Eu sou uma pessoa muito impulsiva Eu ajo muito no calor das emoções Eu tenho uma tendência a assumir risco Só baseado nisso que eu te falei eu vou presumir que eu esteja diante de um diagnóstico Eu não tô falando de uma pessoa sem diagnóstico Essas características que eu descrevi elas estão presentes no TDH na bipolaridade no transtorno de
personalidade Borderline Três condições completamente diferentes mas que a clínica da impulsividade tá presente nas três Uhum Então não basta você me contar que você tem isso Eu preciso saber Isso é fico ou isso é o tempo inteiro isso acontece quando você sofre uma experiência de rejeição abandono ou isso acontece independente de algum gatilho isso parece uma característica sua de sempre ou é algo que surgiu depois de alguns anos da sua vida uhum Quem convive com Você te descreve como quais ambientes isso te afeta é no trabalho é no estudo é nos relacionamentos ou em mais
de uma dessas esferas que aí eu começo a dimensionar melhor Por exemplo o transtorno bipolar ele tem uma fase de impulsividade num contexto de uma hipomania ou mania O TDAH ele é impulsivo ao longo da vida de uma maneira mais constante O borderline ele tem tendências impulsivas muitas vezes para se sentir vivo ou para lidar com Sensações de tédio ou uma sensação crônica de vazio Claro que o que eu tô dando de exemplo aqui ainda assim é reducionista porque tem muito mais elementos pra gente olhar mas é uma exemplificação clássica de como que uma mesma
queixa ela pode estar sendo apresentada em áreas muito diferentes Mas aí eu vou trazer um outro ponto para você que é obscuro que tem atrapalhado muito a vida dos profissionais de saúde Da mesma forma que o acesso à informação Foi muito positivo e muitas pessoas hoje buscam avaliação de saúde graças à disseminação de informação muita gente traz isso pro psiquiatra de uma forma tendenciosa Do tipo eu leio ali mais ou menos quais que são os critérios diagnósticos de TDH e eu descrevo pro psiquiatra de um jeito muito bonitinho uma figura de livro Uhum Claro que
um profissional bem treinado ele consegue entender se esse paciente ele tá simulando ou se ele tem um potencial Ganho secundário de descrever daquela forma ou mesmo que por ingenuidade ele tá me contando porque ele entendeu daquela maneira Mas eu também tenho que tomar cuidado com o fato de que o paciente pode me relatar de uma maneira tendenciosa Se eu me identifico afetivamente com diagnóstico de TDAH eu posso até não te contar mas aquilo vira um grude e na minha identificação Às vezes eu já saio falando pros outros que eu tenho TDAH Eu tô cansado de
ver Pessoas na rua assim a meu TDH fez isso comigo A pessoa nunca foi num profissional de saúde Então ela já relata a própria queixa descrevendo como que seria numa pessoa com TDH que não necessariamente é a condição que ela tem Uhum Mas tu acha por exemplo eh adequado que o psiquiatra dê um diagnóstico porque o que que eu penso sempre o o psiquiatra é uma pessoa que no melhor dos cenários ele tem a oportunidade de passar uma hora com a pessoa quando ele Decide passar uma hora quando ele não decide resolver a consulta inteira
em 10 15 20 minutos E enquanto que um psicólogo é uma pessoa que tem a oportunidade normalmente de fazer intervenções e ter uma relação e escutar sobre os problemas da pessoa por mais períodos de tempo né na minha cabeça o que que faria mais sentido uma pessoa não poder ter acesso ao psiquiatra a menos que fosse uma questão eh emergencial né obviamente eh a menos que Ela tivesse simultaneamente fazendo uma consulta com um psicólogo porque eu acho que o diagnóstico do psiquiatra ele é muito rápido e eu acho que isso leva ele a ser impreciso
como no caso que eu apresentei aqui da pessoa que foi nos Estados Unidos em 20 psiquiatras diferentes recebeu muitos diagnósticos diferentes e remédios diferentes etc etc e tal Alguém acertou alguém errou mas meu Deus do céu Eu acho que a gente responde essa pergunta de duas maneiras Diferentes Primeiro se eu avaliar o viés técnico o psiquiatra ele tem competência técnica assim como o psicólogo para fazer diagnósticos Então o Conselho de Psicologia ele também permite que o psicólogo faça um diagnóstico O que que eu vejo hoje como um grande problema o primeiro deles é a pressa
por diagnóstico tanto por parte do profissional quanto por parte do paciente É muito comum que as pessoas quando vão agendar uma consulta que elas Já perguntem assim: "Como que eu faço para ter um laudo de autismo não sei nem quem que é a pessoa não sei qual que é a queixa Ela já traz uma demanda de que ela quer saber quanto tempo vai demorar para ela saber se ela tem aquele diagnóstico Não existe essa resposta Pode ser que eu esteja acompanhando um paciente que eu vou precisar ali de quatro seis sessões de avaliação para eu
entender o que que ele tem Uhum Só que eu tenho que ter a humildade de mostrar Essa limitação pro paciente E muitas vezes os profissionais se sentem ou coagidos ou pressionados a dar uma resposta para confortar aquele indivíduo Uhum Em outras condições específicas a gente pode ser um pouco mais rápido Por exemplo você citou a questão da bipolaridade vamos supor que tá muito bem documentado que você teve um episódio de hipomania ou mania tem o seu relato bem descrito tem um acompanhante que tá com você na consulta que consegue Trazer aquilo bem tem uma histórica
uma história familiar positiva você já teve episódios depressivos ao longo da vida que não responderam antidepressivo tá tudo muito bem amarrado Posso fazer um diagnóstico de bipolaridade inclusive dentro de uma consulta A questão é quanto tempo eu tenho para atender não dá para fazer uma avaliação mínima decente com menos de uma hora Muitas vezes a gente vai gastar 2 horas para ter uma noção inicial do que que aquele Indivíduo tá passando Eu tenho que entender o contexto familiar ou dos informantes Mas aí eu vou colocar um terceiro ponto que eu acho que o psiquiatra peca
absurdamente Psiquiatra tem que ter contato com o psicólogo do paciente Então sempre que eu atendo um paciente eu entro em contato com o psicólogo e eu pergunto: "Qual que é a sua análise sobre esse caso?" Justamente com essa argumentação que você citou: "Olha eu tô avaliando aqui o João a Primeira vez Eu queria saber de você que já acompanha ele há mais tempo qual que é a sua impressão clínica como que anda o tratamento porque isso é uma discussão muito rica É muito comum que o psicólogo venha e traga informações que o paciente não conseguiu
expressar muito bem Então isso é um ponto que independente do diagnóstico ser feito na primeira ou na quinta consulta para mim é mandatório que o psiquiatra e o psicólogo comuniquem porque o tratamento em saúde Mental ele é multidisciplinar Isso vale também numa esfera contrária Quando eu recebo um paciente de uma psicóloga ou psicólogo uma das coisas que eu mais gosto é quando o psicólogo entra em contato comigo e me fala: "Luí quero te passar as impressões desse paciente que você acabou de atender ou vai atender porque aí eu consigo interpor a minha análise com a
análise de um outro profissional que já acompanha aquele paciente há mais tempo." Mas isso é um Fenômeno eh raro de acontecer Não diria muito raro né eu não sei a estatística disso mas eu acho que o fenômeno mais raro ainda é a pessoa ir até um psiquiatra e sair de lá sem um remédio Isso é uma sensação que eu tenho pelo menos de tudo que eu ouço Eu não tenho a estatística precisa disso mas é meio que consenso né pô tu vai no psiquiatra sai do psiquiatra com remédio sai E e aí fica esse questionamento
Isso é uma má postura do psiquiatra ou isso é uma má Postura da pessoa que tá frustrada buscando um diagnóstico buscando um remédio buscando projetando a solução da vida dela em um diagnóstico em um remédio E o psiquiatra acaba tendo que atender essa pressão e essa demanda né de quem é a culpa tem duas perspectivas Existe uma questão que a gente não pode desconsiderar que é o seguinte: o psiquiatra ainda que a saúde mental tem evoluído muito ele é muito visto ainda como fim de linha do tipo eu vou tentar Outros recursos antes de chegar
no psiquiatra E não tô falando só de psicólogo é muito comum que o paciente ele já tenha sido tratado de uma depressão ou de uma ansiedade pelo ginecologista pelo cardiologista pelo neuro E aí aquele paciente tá grave ele vai e procura o psiquiatra Então comparativamente se eu pegar uma amostra de pacientes de um psiquiatra esses pacientes eles tendem a ser mais graves do que a média de pacientes de um Psicólogo porque o psiquiatra ele pega muitos casos que já são de fim de linha pelo menos culturalmente falando É aquela pessoa que já passou por outras
intervenções ou tentou outros tratamentos antes E existe sem sombra de dúvidas esse ponto que você comentou que é uma visão mais medicamentosa da medicina ou seja aquela ideia de que o médico ele só trata se ele passa um medicamento Mas isso também enfermento é uma dimensão cultural nossa Vou te dar Um exemplo que esclarece muito bem isso Vamos supor que você tá com resfriado e aí você vai na UPA de madrugada e aí eu te avaliei lá como médico generalista e falo para você o que é medicina baseada em evidências fermento seu caso é um
resfriado causado por um vírus Vírus geralmente tem nesse contexto um quadro auto limitado ou seja você vai dar conta de melhorar sozinho com sua própria imunidade Seu tratamento vai ser beber bastante água Se você tiver dor ou febre Você vai tomar uma de pirona Culturalmente se eu fizer isso com você eu só visto como médico ruim que eu não pedi um raio X eu não te passei um antibiótico ou algo mais forte e eu não te passei um remédio para tosse Porque o médico bom no imaginário comum é um médico que pede muito exame ainda
que desnecessariamente ou que intervém muito ainda que desnecessariamente porque o ser humano ele se sente aliviado quando ele sai com uma trouxa de papéis e Exames que atestam que ele não tem uma determinada condição Então existe também essa pressão social por uma questão medicamentosa Já do ponto de vista do médico Então me colocando aqui no lugar do psiquiatra eu vejo que sim tem muitos profissionais que tentam reduzir questões complexas com medicação que não vão funcionar E isso eu entendo que é um trabalho de capacitação técnica do profissional para saber até onde ele vai Por exemplo
tem várias condições na Psiquiatria inclusive de transtornos como é o caso dos transtornos de personalidade e do autismo que não existe uma evidência de um tratamento medicamentoso como primeira linha E aí muita gente assusta quando eu falo isso do tipo você tá me dizendo que autista não deve tomar remédio ou que um paciente com transtorno de personalidade borderline não deve tomar remédio primariamente não Pela condição estrutural não Pode ser que essa pessoa Tenha uma comorbidade ou seja um problema a mais Talvez além daquela condição ela tem insônia ela tá deprimida ela tá passando por um
transtorno de uso de substâncias Então talvez eu vou precisar usar uma medicação Mas o psiquiatra ele tem que saber muito bem bater o pé no freio e falar: "Esse paciente não se beneficia de um tratamento" Uhum Uma outra condição que é muito confundida com depressão que gera muita confusão o luto Vamos supor que você passou por um término de relacionamento agora você chega uma semana depois desse término para mim na consulta e fala assim: "Luí eu tô triste eu perdi o apetite não tô conseguindo dormir só penso agora na minha vida que não vejo futuro."
Exatamente Olha que interessante Tudo que isso que eu tô contando lembra muito uma depressão Talvez se eu olhar o DSM e ignorar o período eu vou até falar assim: "Esse cara tá deprimido na minha Frente" Mas você não tá deprimido você tá enlutado Que que faz uma pessoa sair de uma situação de luto ela é elaborar o luto Isso leva tempo e leva um processamento que a terapia pode te ajudar Se eu for um psiquiatra miojo com aquela ideia assim vou te dar uma solução que em alguns minutos você vai ficar bem Eu posso cair
na tentação errada de te passar um antidepressivo Mas será que você realmente teria um benefício então eu Preciso ter a ética de te falar: "Olha eu entendi toda a dor que você tá passando Vou te ajudar da melhor forma Vou te encaminhar paraa terapia mas eu preciso ser realista em relação às próximas semanas que provavelmente não vão ser fáceis Uhum isso não vai ser resolvido com um atalho medicamentoso Então realmente a gente tem que ter esse rigor Eu fico me perguntando às vezes eh até onde os diagnósticos não são uma consequência das exigências do mundo
Moderno porque se a nossa demanda moderna não existe por exemplo que uma pessoa precisasse ter a capacidade de sentar durante x horas e se concentrar numa determinada tarefa uma pessoa que não consegue fazer isso não seria considerada disfuncional Então talvez uma pessoa que tivesse que tem TDH ela não fosse considerada disfuncional se o funcional e usual do mundo não fosse uma demanda por concentração e capacidade de Elaborar um raciocínio Então eu fico me perguntando até que ponto as nossas mentes né a nossa nossa cabeça realmente não é saudável e até que ponto é uma imposição
do mundo moderno e uma necessidade por produtividade foco inteligência emocional que faz com que a gente tenha que se adequar e por essa existência dessas demandas isso faça com que exija cada vez mais de nós e a gente se enquadre em caixinhas que estão fora dessas necessidades Sem sombra de dúvidas existe sim tanto um papel adoecedor da sociedade e aí a gente pode entrar em várias características A felicidade superficial que a gente tem quando a gente se compara através das redes sociais os discursos meritocráticos que às vezes são reducionistas do tipo basta querer para você
ser alguma coisa e o próprio contexto social e cultural E isso acho que é um ponto importante da gente colocar também que é não descaracterizar Qual que é a sociedade que aquele indivíduo vive Por exemplo vamos pegar aqui de uma forma estereotipada a cultura oriental falando especificamente dos japoneses Uma conhecida me trouxe recentemente que ela foi no Japão e ela ficou impressionada com o fato de que o japonês ele respeita regras sociais de uma maneira extremamente rígida Por exemplo se eu tiver numa faixa de pedestre não tiver passando carro mas a faixa tiver vermelha a
rua pode estar Deserta O japonês não atravessa até o sinal ligar Uhum Esse comportamento se a gente tivesse falando de uma pessoa fazendo isso no Brasil talvez ela passasse até como muito rígida esquisita ou certinha demais Talvez algumas pessoas tentariam até encachotar essa pessoa num comportamento auto por exemplo tentando fazer aqui uma extrapolação mas culturalmente aquilo é extremamente adequado pro japonês enquanto que o brasileiro muitas vezes Tá naquela cultura do jeitinho Então não tá passando carro ainda que seja errado atravessar no sinal vermelho eu vou atravessar porque eu ganho ali alguns minutos Uhum Então eu
sempre preciso avaliar como que a instância cultural normaliza ou não um determinado comportamento Se a gente parar para pensar nisso a cultura ocidental por exemplo ela tem preconizado uma ideia de sucesso muito baseado na individualidade Ou seja para eu atestar para alguém que Eu tenho sucesso eu tenho que me sacrificar muito correr muito atrás do meu status de poder ou status econômico ou de liderança no meu trabalho para eu atestar socialmente ser validado como uma pessoa feliz ou bem-sucedida Uhum Então essa cultura ela fomenta a competitividade Eu vou trabalhar muito muitas vezes eu vou fazer
uma cultura predatória ou seja aquele imaginário que para eu tá bem talvez eu tenha que passar por cima de uma outra pessoa Enquanto que outras culturas que prezam mais pela comunidade pelo senso de pertencimento talvez não sejam tão predatórias assim Então a influência que a cultura faz no meu ritmo de trabalho na forma como eu entendo ou não felicidade ou sucesso isso também vai fomentar o adoecimento mental Então então de alguma forma essas exigências do do mundo moderno elas podem levar a gente a se enquadrar em transtornos que talvez se As [ __ ] se
as exigências fossem outras sequer existiria esse diagnóstico Exatamente Eu vou te dar um exemplo de um livro extremamente polêmico e muito bem escrito que eu li recentemente O título dele é burnout a doença que não existe Basicamente o que que esse livro vai trazer ele começa a problematizar alguns conceitos do burnout Primeiro deles que o burnout é o único diagnóstico médico que tem mais de 130 critérios para eu poder diagnosticar Critérios extremamente aleatórios dentro do contexto Segundo o burnout se eu começo a avaliar um trabalho extremamente exaustivo que explora o funcionário eu posso chamar de
doença um indivíduo que tá esgotado porque ele tá se matando de trabalhar porque a empresa tá exigindo isso dele Então eu começo a patologizar alguns fenômenos que não necessariamente deveriam ser chamados de doença Então esse é um exemplo de livro que ele Começa a trazer um um contracenso do que a gente estuda que é: "É normal eu dar o nome de doença para um fenômeno que tá acontecendo por um processo de exaustão por busca por uma produtividade utópica ou talvez eu deveria trabalhar esse esforço em cima das metas que uma empresa deveria seguir saudável para
um nível de produtividade que não adoeça aquele indivíduo mentalmente Então repara como que é tão sutil que a gente começa a questionar a própria validade De um diagnóstico E lembrando aqui que muita gente quando eu falo sobre esse livro ou sobre esse ponto traz para mim a seguinte crítica Então você tá falando que o que eu tenho é mentira E aí a gente vai entrar agora num outro contexto que é o papel do diagnóstico Diagnóstico é reconfortante Quando eu dou um nome pro que eu tô passando isso cria uma identidade uma justificativa para o jeito
que é a tua vida de certa forma Exatamente Ainda que aqui eu não Tô desmerecendo ninguém que passa por um transtorno mental mas o que que eu tô querendo dizer com isso se eu dou um nome pro seu sofrimento isso em algum grau produz um alívio Imagina que você chega para mim e me conta que você nunca conseguiu concluir uma tarefa Você tem vários critérios ali que de fato são critérios diagnósticos para eu trazer ali a hipótese de transtorno de déficit de atenção Olha o alívio que você vai sentir quando você entender que tinha um
Nome para tudo aquilo que você passou Então as pessoas elas se reconfortam com o diagnóstico elas tendo esse diagnóstico ou não Uhum Só que aí a gente vai entrar num segundo ponto que eu acho que é o que de fato deveria preocupar as pessoas quando a gente fala de transtornos ou de diagnósticos Diagnóstico é uma explicação pro sofrimento que eu tenho mas ele por si só não resolve nada porque eu preciso trabalhar um outro conceito em saúde Mental que é autorresponsabilidade Ou seja o que que eu posso fazer a partir do momento que eu recebi
o diagnóstico que eu recebi então qual é a utilidade do diagnóstico ele é um guia para eu saber o que que eu preciso fazer para ter uma vida melhor e mais significativa Por exemplo se eu te falar agora assim fermento você tem diabetes e aí você consegue agora lincar o por que comer doce te faz tão mal ou porque que seus exames estava tão Estavam tão desregulados Agora você sabe que você tem um diagnóstico isso pode te dar um alívio de entender que aquilo tem um tratamento Agora imagina que ao invés de buscar o tratamento
você começasse a se desresponsabilizar pelo que eu te dei na mão agora que é a possibilidade de usar uma insulina fazer atividade física ter um uma melhor rotina ali de sono E aí você começa a querer que as pessoas ou o mundo se adaptem à suas Restrições Então as pessoas não podem comer doce na sua frente porque você é diabético Você é um sofredor porque você é diabético O mundo é injusto com você porque você é diabético O mesmo diagnóstico que produziu alívio ele pode te paralisar no processo de tomada de decisão A única utilidade
de você saber que você é diabético é você buscar um tratamento Uhum Então a autorresponsabilidade ela entra aí Então a partir de agora que eu sei que eu Tenho depressão que eu sei que eu tenho ansiedade TDAH ou qualquer condição mental eu tenho que buscar ou a psicoterapia ou o tratamento psiquiátrico associado à mudança de estilo de vida Ou seja o diagnóstico ele só abriu a luz de qual caminho que eu devo trilhar para eu ter uma vida melhor Mas ainda assim eu devo trilhar Exatamente Se você não trilhar você tem agora uma maldição na
sua mão Você tem um conhecimento inútil Você sabe o que Você tem mas não faz nada a respeito Hum Mas muitas pessoas usam isso como uma desculpa para tudo né tipo cara encontrei a justificativa do meu fracasso e agora eu posso justificar o meu fracasso Ah não eu não dei certo em nada mas é porque eu sou o TDH eu sou o TDH eu sou o TDH eu nunca vou dar certo em nada e tal E se isenta dessa responsabilidade né exatamente Que é a postura vitimista Um exemplo que eu gosto de trazer que eu
acho que Esclareça isso melhor Vamos supor que chegando aqui para gravar esse podcast eu estacionei o meu carro aqui em frente e na hora que eu tô saindo do podcast meu carro tá todo amassado traseira todo amassado Não tem câmera de segurança não tem testemunha ninguém viu quem bateu no meu carro Eu só sei que ele tá amassado Uhum Que que eu devo fazer agora arrumar o carro e seguir com a outra vida Arrumar o carro O problema é meu Eu posso não ter sido culpado pelo problema Que aconteceu mas eu sou responsável por consertar
o estrago que tá na minha vida Uhum Diagnóstico é muito parecido com isso Eu sou responsável por fazer um tratamento se eu descobrir que eu tenho uma determinada condição Imagina que eu começasse a falar agora assim: "Eu vou andar com carro amassado porque a culpa é da cidade a culpa são das pessoas desonestas ou a pessoa que bateu em mim que não vale nada Isso não muda nada Meu carro tá lá amassado e eu tô precisando Consertar Então autorresponsabilidade é pegar o que acontece de ruim na nossa vida e focar na solução Ao invés de
ficar lamuriando pelo problema o vitimista ele foca no problema e a pessoa que tá centrada na resolução do problema é a pessoa que se responsabiliza pelo que ela pode fazer diante daquele sofrimento Tem uma frase que acho que eh contribui bem com essa ideia que é criança reclama e adulto resolve né exatamente Acho que é uma Postura a seguir Cara eu queria entender eh uma uma a diferença que existe entre a ansiedade e um transtorno pior a sociedade associado à ansiedade Porque até onde vai a minha compreensão eu entendo que todas as pessoas têm ansiedade
em algum nível e isso deve ter uma utilidade biológica né senão a gente não teria exatamente esse conceito para eu explicar ele vai de novo naquela ideia que a gente falou sobre aspecto dimensional ou seja não é o sintoma que Me importa é o quanto que eu tenho daquilo e o quanto me prejudica Então a primeira coisa que a gente precisa entender o ser humano evolutivamente ele selecionou algumas emoções como vitais paraa nossa sobrevivência enquanto espécie Por exemplo vamos pensar o conceito de ansiedade Ansiedade é preocupação Imagina que eu não me preocupasse que eu tenho
que comer pouco se eu quero emagrecer ou que eu tenho que poupar dinheiro para eu me aposentar Ou que eu tenho que ensaiar o que a gente vai falar aqui se eu quiser dominar o assunto Se eu não me preocupasse com isso eu não me planejaria para ter sucesso ou pelo menos para eu ampliar a minha chance de sucesso Então a ansiedade ela não só tá presente na vida de todo mundo como ela é uma emoção necessária para nossa vida Se eu não sentisse ansiedade eu ficaria completamente paralisado deixando a vida me levar O mesmo
vale paraa raiva paraa Tristeza pro tédio paraa preocupação de uma forma geral Então o que que a gente deveria se preocupar é se o meu nível de ansiedade me paralisa ou me traz algum tipo de prejuízo Por exemplo se eu for dar uma aula daqui uma hora para 50 psicólogas de um tema que eu não domino tanto sentir um frio na barriga a boca secar me dá um medo de falar algo errado é completamente compreensível Eu tenho um gatilho e esse gatilho me desperta uma preocupação Uhum Agora imagina se Por outro lado eu te falasse
o seguinte: "Isso foi tão ansiogênico que eu tive um episódio de vômito meu coração disparou e eu achei que eu tava sofrendo um infarto ou eu desmarquei aquela aula de última hora porque eu tive um pensamento de que com certeza seria um fracasso." Aqui o meu nível de preocupação ele foi exagerado ele foi desproporcional mesmo que exista um gatilho Então se a gente pudesse resumir quais que são os sinais pra gente imaginar que o meu nível de Ansiedade ele saiu do normal Pode ser que eu esteja diante de um transtorno Primeiro se o meu nível
de preocupação ou de tensão ele é desproporcional aos eventos Segundo se eu passo a não conseguir me desligar dos problemas Eu tô no final de semana num momento com os meus amigos em momentos de descanso mas a minha cabeça não se conecta mais com o presente e na maior parte do tempo eu tô preocupado ou pensando no futuro ou catastrofizando que é esperando o pior Que pode acontecer Então isso também é um sinal de transtorno de ansiedade E por último a gente precisa lembrar um ponto muito importante que confunde as pessoas sobre ansiedade Eu costumo
falar que o ansioso ele confunde possibilidade com probabilidade O que que eu quero dizer com isso a maioria das nossas preocupações são preocupações plausíveis mas pouco prováveis Tem um estudo muito interessante inclusive que mostra que Com um grupo de universitários mais de 90% deles tiveram ou melhor mais de 90% das preocupações desses indivíduos não se concretizaram Ou seja o ansioso ele preocupa com situações pouco plausíveis embora elas sejam possíveis Eu posso me preocupar de não conseguir um dia me aposentar de não conseguir encontrar o amor da minha vida de não conseguir ser um profissional de
excelência como eu espero Mas na cabeça do ansioso essa probabilidade ela é muito maior do que Parece Então eu começo a ter uma distorção cognitiva principalmente catastrófica de esperar que o pior vai acontecer e de ter um viés mais pessimista ou negativo especialmente com fatos projetados pro futuro Uhum de de que maneira que os aspectos da vida moderna além daquelas exigências que trazem em relação a tu se enquadrar dentro de um transtorno ou não de que maneira que esses aspectos como a piora do nosso sono da nossa alimentação do Sedentarismo eh agravam ou desenvolvem problemas
de saúde mental isso sem sombra de dúvidas tem sido um dos principais causadores dessa epidemia de transtornos mentais que a gente tem visto Existe um alicerce básico que não vai valer só paraa saúde mental mas paraa saúde como um todo para alguém que quer alcançar uma longevidade né ou seja um envelhecimento saudável Uhum Então essa estrutura ela se baseia no sono de qualidade numa alimentação de qualidade Atividade física e um perfil de inteligência emocional que eu vou separar um pouco melhor aqui de como que eu lido com as adversidades da vida Então explicando resumidamente cada
um desses pontos Quando a gente fala de sono a gente precisa lembrar que sono não é simplesmente descanso Sono hoje já tem vários estudos que mostram por exemplo que as toxinas do cérebro elas são depuradas e retiradas pelo sistema linfático que é um sistema imune que vai Tá ativo ali no período noturno Então eu durmo não só para descansar eu durmo para desintoxicar o meu cérebro O sono ele tem a ver com reintegração de aprendizado Então o que eu aprendo durante o dia para ser processado a longo prazo eu preciso dormir para que o meu
hipocampo que é a área cerebral de memória de longo prazo trabalhe em cima dessas experiências Eu preciso sonhar para eu ter criatividade e integração de experiências com a minha imaginação Isso Assim sem contar centenas de benefícios E o sono ele tem que ser um sono reparador Muita gente acha que dormir bem é simplesmente não acordar cansado ou não acordar no meio da noite Dormir bem é ter um sono com uma quantidade mínima de horas Isso tem variações individuais mas em média adultos variam de 7 a 8 horas de sono por dia embora isso vá diminuindo
com a tendência do envelhecimento Então o recém-nascido muitas vezes vai dormir 20 horas Enquanto um idoso vai dormir 6 horas a gente tem que preocupar com o horário do sono Então embora existam cronotipos que sejam preferências de biológicas né predisposições biológicas na verdade de dormir tarde e acordar tarde ou dormir cedo e acordar cedo a gente sabe que cientificamente falando quem tem uma tendência matutina ou seja de dormir cedo e acordar cedo tem uma predisposição a ser mais resiliente ou seja adoecer menos mentalmente Nesse Caso quando a gente fala agora mudando um pouco o foco
para alimentação a gente deveria buscar uma alimentação menos processada Então de todas as dietas que a gente ouve assim o que tem mais estudo mais evidência hoje é a dieta do Mediterrâneo que se a gente pensar reducional sendo de um pouco reducionista dieta do Mediterrâneo ela diz pra gente o seguinte: "Desembale menos e descasque mais Coma alimentos mais naturais menos processados sem Paranoia de não comer gordura de não comer carboidrato mas comer alimentos menos processados." Uhum E quando a gente pensa em atividade física a gente precisa lembrar que o ser humano foi feito para se
movimentar Ou seja essa ideia de ficar sentado numa cadeira 16 horas por dia sem exposição solar com uma exposição excessiva à tela sem fazer o mínimo de atividade física isso é extremamente adoecedor E a atividade física não é só aeróbico não é só ganho De força é um tratamento que ele visa ser combinado ou seja idealmente eu devo combinar fortalecimento muscular com exercício aeróbico pensando em saúde mental Uhum Agora quando a gente fala do último fator que também é estrutural que é a inteligência emocional que que a gente precisa entender que eu acho que é
o mais desafiador hoje pro ser humano muita gente me pergunta Fermento se pessoas mais felizes ou mais fortes mais resilientes elas necessariamente São pessoas que passaram por menos provações de vida Uhum E hoje todos os estudos do ponto de vista neurocientífico demonstram que o conceito de felicidade e de bem-estar ele tá mais atrelado à minha interpretação sobre o que acontece comigo do que o que acontece comigo necessariamente Então vamos pensar aqui num protótipo Por que que algumas pessoas passam por adversidades terríveis que a gente nem se imagina Passando e essas pessoas eles se tornam grandes
líderes ou inspirações apesar da diversidade enquanto talvez o meu vizinho tá passando por um problema que de fora eu olho e parece pequeno e aquele problema destruiu a vida daquela pessoa Porque o problema ele é menos importante do que a reação que eu tenho sobre o problema Uhum E existem perfis de personalidade que são moldados tanto pela nossa genética quanto pelo nosso estilo de vida e o que acontece com a Gente que determinam a forma como eu reajo a uma situação Por exemplo existe um traço da personalidade muito vinculado ao adoecimento mental que chama neuroticismo
Pessoas que têm o traço de neuroticismo são pessoas que tendem a ver a vida de uma maneira mais pessimista desconfiada sendo que as pessoas estão mais dispostas a passar elas para trás E são pessoas com viés mais negativo da realidade Então são pessoas que distorcem a realidade para Um lado mais catastrófico e mais pessimista Por exemplo eu posso sofrer uma reação muito traumática ali de ser traído no meu relacionamento Uma pessoa com traço de neuroticismo ela tende a generalizar uma experiência ruim com base na essência dela ou no mundo por exemplo dizer que o mundo
tá perdido que não existem pessoas confiáveis para namorar ou dizer que isso aconteceu com ela porque ela não merece ser feliz Uhum Embora a situação que ela passou seja Traumática a forma como ela lida com essa situação tá muito mais responsável pelo sofrimento dela Quantas pessoas hoje não são traídas e mesmo assim não desistem de procurar um relacionamento saudável Mesmo assim vão ter aquelas que vão se tornar desacreditadas com os relacionamentos enquanto outras vão aprender que uma experiência ruim não necessariamente significa uma vida ruim Então todos esses componentes vão moldar a forma como a gente
adoece mentalmente Isso isso tem a ver com inteligência emocional Exatamente Como que eu posso desenvolver essa inteligência emocional a primeira coisa para eu desenvolver a inteligência emocional é entender quem eu sou É o autoconhecimento A maioria das pessoas quando eu pergunto quem é você por exemplo eu posso falar assim fermento quem é você maioria das pessoas se descreve pela profissão pelos amigos que ela tem pelo que elas fazem ou pelo que Elas gostam Mas autoconhecimento é uma percepção muito mais profunda É quem sou eu no mundo quais são meus pontos fortes meus pontos fracos do
que que eu gosto e do que que eu não gosto Quais são os meus limites as minhas dificuldades quais são as minhas potencialidades então o primeiro passo para desenvolver inteligência emocional é entender quem eu sou Para entender quem eu sou eu atrelo essa habilidade à capacidade de identificar e Nomear as minhas emoções meus pensamentos A maioria de nós vive os pensamentos e emoções de uma forma muito automática E o problema desse automatismo é que eu perco a consciência do que é real ou não Por exemplo vamos pensar que um processamento emocional instantâneo que acontece com
o ser humano A gente tá conversando aqui de repente eu vejo que você riu Automaticamente eu vou desenvolver um pensamento Esse pensamento vai ser Diferente para cada pessoa baseado nas experiências e na construção de quem aquela pessoa é Eu particularmente posso interpretar a sua risada como o fermento tá rindo porque tudo que eu falei para ele foi uma piada Ele detestou a minha fala Uma outra pessoa pode interpretar esse sorriso como o fermento tá gostando do que eu falei Esse riso dele é de aprovação Uma terceira pessoa pode supor fermento rio porque eu falei algo
engraçado Isso me parece bom Percebe que para cada pessoa para cada experiência houve uma interpretação daquela situação Mas a realidade a realidade é só que você riu é mesma a realidade objetiva é você riu A minha interpretação é individual O problema aqui tá no quê a minha interpretação não necessariamente é uma realidade Eu posso de fato acreditar que você riu da minha cara e você riu de uma piada ou a pessoa que achou que você riu de uma piada na verdade não sabia que você riu porque Você tava gostando Uhum Quando eu aprendo a entender
as minhas emoções identificar quais me aparentam ser distorcidas ou não eu começo a ter muito mais autocontrole sobre a minha vida É é como se a gente desenvolvesse um senso crítico sobre a nossa própria percepção sobre a nossa subjetividade Eu devo ponderar e racionalizar inclusive as coisas que eu sinto Exatamente É um é uma espécie de crítica sobre a realidade Vamos voltar nesse exemplo do sorriso Você riu Eu tive um pensamento automático Você riu da minha cara porque eu não sou bom Aquilo me gera uma emoção desagradável Então me dá um frio na barriga uma
tristeza aqui agora e aí me vem um pensamento ainda mais distorcido Eu sou um fracasso Agora imagina que eu tô trabalhando a minha inteligência emocional Então eu senti tudo isso que eu te falei aqui Eu preciso lembrar fermento um ponto que muita gente me pergunta: Eu consigo controlar ou Impedir uma emoção ou um pensamento automático não eu não controlo nem pensamento nem emoção Eu controlo a reação que eu tenho diante daquele pensamento e emoção Hum Então vamos supor que nesse exemplo que eu te dei eu começo a questionar a validade do meu próprio pensamento Será
que necessariamente o fermento riu porque eu falei algo errado ou talvez ele tenha rido por alguma coisa positiva um riso de aprovação ou De algo engraçado que ele lembrou ainda que ele tenha rido da minha cara Se alguém riu da minha cara isso significa que necessariamente eu sou um profissional ruim ou que eu sou um fracasso Uma opinião isolada é suficiente para destacar quem eu sou ou a minha percepção de quem eu sou não necessariamente Então agora eu começo a trabalhar um pensamento mais funcional que é o que a terapia chama de reestruturação cognitiva Então
agora eu Mudo um pensamento disfuncional por um pensamento substitutivo mais funcional Rir de alguém não significa rir de deboche Ainda que essa risada tenha sido de deboche alguém rir de mim não significa que eu sou um fracasso Logo agora que eu tenho uma consciência do meu pensamento distorcido isso é um movimento mágico eu começo com o tempo desenvolvendo essa habilidade a enxergar a vida com um viés menos pessimista ou menos catastrófico Então aí a médio Prazo longo prazo eu posso sim mudar o meu padrão de pensamento e emoção mas a curto prazo eu não mudo
o pensamento e emoção eu mudo a minha resposta a ele Tu acha que é válido eventualmente desenvolver sistemas de crenças e de interpretações da realidade que te levem na direção que você quer ir mesmo que isso não represente a realidade do tipo eh talvez eu pensar que toda vez que alguém ri mim a pessoa tá rindo porque ela tá tendo um Sentimento divert um um sentimento positivo em relação ao que eu falei mesmo que isso não seja verdade talvez eu me esforçar para crer em algo que não é verdade mas que se torne útil e
me faça desempenhar mais isso é válido É válido dentro de algumas limitações Tem vários estudos que demonstram por exemplo que quando eu imagino ou verbalizo uma situação que eu desejo que aconteça eu aumento a minha motivação pela busca daquela recompensa Por Exemplo alguns trabalhos relacionados com situações de meditação ou de trabalhos de autoconhecimento e de desenvolvimento de autoconsciência reforçam a ideia de eu imaginar aonde eu quero estar Então por exemplo eu posso imaginar aqui eu fazendo uma palestra grande para pessoas que eu admiro muito sobre um tema que lá na frente no futuro eu vou
dominar muito Uhum Imaginar esse cenário pode aumentar a Minha motivação para me esforçar para um dia talvez chegar lá ou me aproximar em algum grau daquilo que eu desejo O cuidado que a gente precisa ter aqui quando a gente fala disso sobre situações do presente que estão acontecendo ali naquele momento é não confundir reestruturação cognitiva com otimismo O trabalho da terapia não é te tornar uma pessoa mais otimista é te tornar uma pessoa mais realista E o ansioso ele é pessimista ele não é Realista Então o que que eu tô querendo mudar aqui é o
viés de sempre interpretar as coisas por um lado catastrófico ou negativo Isso não significa que o antídoto para ter uma inteligência emocional seja esperar que aquilo que tá acontecendo é necessariamente positivo Uhum É muito mais uma postura de questionamento Será que realmente é negativo ou pode ser que seja neutro ou pode ser que seja positivo uhum Então a ideia aqui não é Pensar positivo do tipo sempre que alguém rir eu tenho que imaginar que a pessoa tá gostando Não é mais simples do que isso Sempre que alguém ri eu tenho que considerar que não necessariamente
a pessoa tá rindo porque eu sou ruim ou porque eu fiz algo de errado Pode ser que seja isso mas pode ser que não Então eu não posso assumir isso como uma realidade automática na melhor na maioria das vezes a melhor forma de interpretar a realidade é como ela é Realmente para tomar decisões baseadas em fatos vamos dizer assim né ao invés de eu alucinar alguma coisa né não não é bom alucinar positivamente nem alucinar negativamente Acho que exatamente tem uma forma que a gente gosta muito de trabalhar em termos de inteligência emocional que é
a postura do observador O que que significa isso eu vou avaliar as minhas próprias emoções e sentimentos como se eu fosse um espectador que tá sentando me vendo do palco Uhum Então Por exemplo eu tô aqui pensando que tudo que eu tô falando tá errado que foi um desastre e aí me vem um pensamento automático Eu sou um fracasso Que que seria uma postura de observador nessa situação me colocando aqui como espectador do meu próprio pensamento Eu Luiz me vendo falar sobre o que eu tô discutindo aqui com o fermento estou sentindo desconforto por considerar
que eu sou um fracasso quando Eu vejo que o fermento riu do que eu falei Uhum O próprio fato de eu terceirizar eu Luís estou sentindo isso já me despersonalizo Ou seja eu não sou um fracasso eu estou me sentindo um fracasso Uhum Quando eu tomo essa postura de observador de olhar mais de longe isso facilita com que eu tenha uma crítica de que aquele pensamento não necessariamente é uma realidade A gente faz muito uma coisa extremamente nociva em termos de saúde mental que é fusão Pensamento realidade É aquela ideia distorcida de que se eu
penso algo aquilo diz respeito necessariamente a quem eu sou Então ter um pensamento ruim não significa que eu sou ruim Ter uma expectativa de aprovação que não é concretizada não significa que eu sou um fracasso E ter um pensamento negativo não significa que aquilo seja necessariamente uma verdade Me afastar um pouco desse pensamento no sentido de observá-lo como uma pessoa externa ele Me ajuda a retomar essa crítica Mas é desafiador fazer isso né não é algo é um exercício de certa forma diário né exige uma uma exige um esforço ativo fazer isso né exatamente A
gente não pode esquecer aqui que tudo que eu tô descrevendo pensamento automático estereótipo visões imediatas que a gente tem sobre a vida tiveram um papel evolutivo A gente só mantém isso hoje porque isso era uma economia cognitiva uma economia de recurso Se eu Olho para uma cobra e automaticamente eu tenho medo isso é importante evolutivamente senão minha vida estaria em risco O problema é que hoje a gente é exposto a tantos estressores que esse mesmo pensamento automático que nos salvou de alguns perigos e nos trouxe aqui onde a gente tá são os mesmos pensamentos que
nos fazem ter uma visão extremamente negativas de nós mesmos e do futuro Então agora a gente tá tendo que reaprender Exatamente Ou enfartar Sei lá né pessoa muito examente Você pode começar a desenvolver uma série de problemas associados Cara a aonde tu acha que se insere nesse contexto o o peso das redes sociais né nessas dinâmicas humanas de estresse vida moderna sono e tal tu acha que elas têm um papel significativo e quais são os aspectos que tu vê como positivos e como negativos desse desse fenômeno dessa dessa disseminação dessa tecnologia eu sou um grande
crítico fermento de Qualquer pensamento polarizado As pessoas tendem a reduzir hoje qualquer fenômeno em simplesmente bons ou terríveis Primeira coisa que a gente precisa entender rede social ela tem sim vantagens assim como a tecnologia Então vamos começar a falar de vantagens de rede social Por exemplo eu tenho acesso a pessoas que geograficamente estão longe Eu consigo me conectar com pessoas que talvez eu não conseguiria antes Eu consigo me inspirar e conectar com Pessoas que têm avaliações ou valores parecidos com os meus Então a rede social ela pode me inspirar Por trás disso tudo a rede
social tem uma série de problemas adoecedores mentalmente E eu sou um crítico ferrenho desses problemas também Eu só não gosto de ter essa visão extremamente maniqueísta de que algo é totalmente bom ou totalmente ruim Mas vamos falar agora assim dos critérios que tornam as redes sociais uma faca de Dois gumes O primeiro deles é o seguinte: redes sociais ampliaram de uma forma transversal o nosso contato com as pessoas ou seja agora eu tenho cada vez mais acesso a comunidades a mais e mais pessoas porém as custas de superficializar os relacionamentos Então eu não tenho muitos
amigos em rede eu tenho um monte de conhecidos Talvez eu não conheça minimamente a vida de cada um deles Essa superficialização ela vem acompanhada de outros fenômenos muito Destrutivos O primeiro deles a comparação Rede social hoje é uma vitrine extremamente editada de momentos felizes Se eu entro hoje ali no meu Instagram eu vou ver stories de pessoas que estão na praia que estão tendo uma promoção de trabalho que estão fazendo uma viagem super bacana que talvez eu nunca fiz Raramente eu vou postar na minha rede social uma demissão uma negativa uma frustração Uhum Então eu
já começo a ter o primeiro problema que é a Grama do vizinho é mais verde que a minha Todo mundo tem uma vida boa todo mundo é feliz menos eu Uhum Isso já vai gerar uma série de sentimentos de comparação e frustração porque eu vejo uma conquista descontextualizada da realidade Talvez aquilo seja verdadeiro e ainda que seja verdadeiro eu não vejo o sacrifício que a pessoa chegou para alcançar aquilo Tu tá sempre vendo a ponta de vários icebergs né e as pessoas têm uma tendência a querer exibir o lado Positivo da própria vida Então a
gente tá fazendo um Instagram por si só já é um um cherry picking né você só revela os lados positivos lados positivos e tu vê aquilo tu fica: "Meu Deus" O Instagram e as redes sociais de uma forma geral são extremamente narcisistas porque a gente vai postar o que a gente quer que o outro enxergue o que a gente quer que o espectador veja sobre a nossa realidade Uhum O problema é que isso é tão engenhoso que a partir do momento Que eu entro numa rede social e me deparo com isso instintivamente a minha tendência
é fazer o mesmo Afinal eu não quero ficar para trás isso vai ferir o meu ego Então eu vou postar também exatamente o que todo mundo faz os momentos editados da minha vida os momentos felizes editados da minha vida Logo a gente entra numa massificação de todo mundo postar de maneira superficial as suas conquistas e todo mundo tá ali se iludindo numa sociedade utópica em Que todo mundo é feliz o tempo inteiro todo mundo tá sendo exposto ao prazer o tempo inteiro quando na verdade isso não acontece Uhum Agora eu vou te falar um problema
ainda maior disso que é a questão hoje que a gente enfrenta com o acesso precoce à rede social que eu vejo como um problema muito maior do que simplesmente o acesso de um adulto à rede social Uhum O que que tu consideraria precoce abaixo ali de depende na verdade de um contexto Realista e um contexto ideal tá se a gente fosse pensar num contexto ideal as pessoas deveriam acessar redes sociais depois dos 18 anos talvez depois dos 25 anos que é quando o nosso córtex pré-frontal ele já tá consolidado Mas isso é isso é inviável
Exatamente Então eu nem me engano em relação a isso Alguns estudiosos no assunto apontam uma expectativa de idade de 16 anos que ainda assim eu considero extremamente difícil de ser colocado em prática Mas Eu vou te explicar o por que é tão danoso a gente ter uma inserção de crianças e adolescentes em relação à rede social Existem algumas habilidades prossociais que a gente só aprende no mundo real Por exemplo para eu aprender o limear de dor eu tenho que cair e machucar Uhum Para eu aprender o limite do não eu tenho que ter um coleguinha
que eu peço um brinquedo emprestado e ele não me empresta e eu lido com a frustração de não ter o meu desejo Atendido Uhum Para eu aprender a conquistar uma amizade eu preciso entender que isso leva um esforço Talvez eu vou ter que me aproximar daquela pessoa várias vezes para aquilo gerar uma confiança E quem faz isso muito bem são as crianças que vivem no mundo real Hoje a gente tirou as crianças do mundo real com uma visão de que o mundo é muito perigoso e deixou essas crianças totalmente desprotegidas do universo digital Então a
gente tem aí criança de 8 10 12 anos com conta em rede social sem um córtex pré-frontal maduro para isso que estão tirando um custo de oportunidade de aprender a viver no mundo real Então hoje o lazer da criança é digital ele não é mais real E aonde que tá o problema disso essas habilidades prossociais que deveriam ser desenvolvidas na vida real são substituídas por relacionamentos frágeis e superficiais na rede social Uhum E essas crianças acabam não desenvolvendo Essas skills sociais e consequentemente no futuro vão ter prejuízos significativos Exatamente Olha o problema disso Você e
eu que somos adultos e não entramos nesse universo na adolescência a gente já tinha construído o nosso padrão de desenvolvimento de estratégias pró-sociais A gente é danificado prejudicado por isso mas muito menos do que alguém que nem teve a oportunidade de fazer isso no mundo real Uhum Então aonde que tá o problema eu Moldo as crianças e os adolescentes para uma inserção que eles não estão preparados e coloco eles a mercer de vários problemas Então aqui dá para cetar dezenas Cyber bullying Hoje eu consigo difamar uma pessoa e soltar isso numa rede igual pólvora Se
eu quiser destruir uma pessoa eu posso implantar uma calúnia que vai atingir milhares de pessoas que vão saber daquilo sem uma comprovação de que aquilo de fato é verdade Isso é um dos grandes problemas Outros problemas predadores sexuais A gente sabe que muitas pessoas usam o material de conteúdo digital para se aproximar inclusive também de crianças e adolescentes que muitas vezes não tm nenhuma verificação de idade mínima para acessar determinados sites como a gente vê na pornografia mas também para conteúdos impróprios para crianças e adolescentes que estão nas redes sociais Isso é comum Mas esses
problemas que você tá relatando são supers Extremamente comuns E hoje é muito fácil eu enganar uma rede social e colocar que eu sou maior de 18 anos Isso em qualquer site pornográfico ou de rede social o que confirma a minha idade é eu marcar um botão que eu sou maior de 18 anos Não tem nenhuma segurança de que de fato a pessoa que tá por trás da tela ela tem a capacidade de tomada de decisão Isso seria facilmente solucionado também né poderia com políticas mais rigorosas Ter que colocar o CPF ou subir um documento Para
tu criar um Instagram Bom um documento não Exatamente Mas agora eu vou te falar o que eu acho que é o que mais me preocupa como profissional da saúde com essa inserção precoce Todo ser humano vai aprender através do espelhamento a admirar determinadas pessoas E hoje as pessoas que são admiráveis graças às redes sociais são os influenciadores Uhum Mas boa parte dos influenciadores são os chamados famosos por serem famosos Ou seja são Pessoas que não têm necessariamente algo para agregar na sua vida como ser humano mas que são famosos e vão ditar o o modelar
o seu padrão de busca por sucesso Se a gente abrir hoje o mundo dos podcasts tem um monte de adolescente de 12 13 anos se vangloriando que não vai fazer faculdade Uhum Porque faculdade é para as pessoas que não querem crescer Então olha o nível de estupidez que a gente começa a ouvir na internet eu começo a seguir um padrão de Pessoas que não necessariamente vai me espelhar ter comportamentos pró-sociais ou vai me fazer ser um ser humano melhor Então aqui eu tô sendo modelado por pessoas que não inspiram Eu tô gerando um nível de
sofrimento por comparar a minha felicidade com uma felicidade utópica que é o que as pessoas colocam nas redes sociais Eu tô mais disposto ou mais vulnerável a predadores sexuais e outras pessoas mal intencionadas numa idade que não é adequada para tá ali E Eu superficializo as minhas relações e não aprendo os comportamentos pró-sociais que eu aprenderia numa vida real e não numa vida virtual Hoje as crianças elas têm menos capacidade de reconhecer facialmente a expressão emocional de uma outra criança de desenvolver empatia porque elas estão com essa falta de experiência que é o laboratório da
vida é o que eu aprendo na vida real Uhum Mas eu vou colocar um outro ponto também que tem gerado muito Sofrimento que são os transtornos de imagem corporal principalmente graças aos filtros de redes sociais eu consigo modelar através da tudo começou né com smartphone com câmera frontal e depois com os filtros apostar uma versão editada de mim mesmo Então eu começo a criar um padrão utópico de beleza e de identificação de imagem que tem feito com que muitas meninas principalmente embora isso também aconteça com meninos sofram com transtornos de imagem bulimia Anorexia comportamentos alimentares
distorcidos busca por procedimentos estéticos exagerados e desproporcionais que é o que hoje a gente chama de transtorno dismórfico corporal que as pessoas elas se baseiam num padrão de beleza completamente editado Então nem os corpos que são mostrados ali os fços que são mostrados são reais são versões extremamente editadas do que parece ser a realidade mas não é Isso mais uma vez agride a saúde mental Eh existe exatamente é possível ter uma relação saudável com redes sociais O que que seria uma relação saudável para um adulto por exemplo a primeira coisa que eu gosto de separar
nesse ponto Fermento é que não dá para voltar atrás Não existe um mundo sem redes sociais Uhum Então essa ideia que as pessoas colocam de nunca mais vou ter rede social eu acho isso um pouco ingênuo porque hoje o mundo corporativo os nossos relacionamentos as nossas amizades em Algum grau elas dependem das redes sociais e tem muita gente fazendo um trabalho extremamente positivo através das redes sociais que podem ser usadas Exatamente De veicular informação técnica científica e responsável A questão que a gente deve colocar aqui primeiro é: selecione quem são as pessoas que te inspiram
quem que é seu ciclo social em rede social As pessoas têm uma mania de deixar perfil aberto ou seguir qualquer um ou deixar de ser Seguido por qualquer um mas o mesmo respeito que a gente tem numa privacidade de um relacionamento a gente deveria ter num perfil físico Não tô falando aqui do perfil nosso por exemplo que é comercial mas se eu tenho um perfil de vida pessoal eu deveria ser mais seletivo sobre quem eu sigo e eu deixo ali me inspirar e ao mesmo tempo quem é ou quem pode me seguir ou seja quem
pode ver a minha vida que não é mais privada através das redes sociais O Segundo ponto que a gente precisa definir é qual que é o limite saudável Um dos grandes balizadores para isso é colocar temporizador no celular Isso não faz milagre mas permite que eu tenha uma certa crítica do tempo que eu passo nas redes sociais Impede aquele sequestro de tempo absurdo né que a pessoa nem percebe o que passou Por exemplo se eu perguntar para 100 pessoas quanto tempo cada uma passa em rede social a imensa maioria vai subestimar esse tempo Então É
muito comum as pessoas falarem: "Ah eu fico uma meia hora 1 hora aí eu peço a pessoa para abrir o temporizador tá lá 4 horas" Então as pessoas são sugadas por aquela dopamina barata porque eu não fico 2 horas no Instagram eu fico dezenas de vezes no Instagram por 5 minutos 10 minutos Então eu perco essa capacidade de quantificar quanto da minha vida real tá indo embora por esse custo de oportunidade que eu tô ali atordoado vendo a vida dos outros e que Muitas vezes não vai me acrescentar nada Então a gente começa com isso
Limite a quantidade que você usa limite quem você segue e por quem você é seguido Uhum Um terceiro ponto que eu coloco sobre redes sociais é a gente aprender as oportunidades que elas podem te dar Por exemplo hoje a gente encontra perfis extremamente sérios para falar de desenvolvimento pessoal de saúde mental de qualidade de vida Então a gente deveria procurar seguir esse tipo de Perfil esse tipo de conteúdo porque dá sim para aproveitar muita informação extremamente rica e útil pra nossa vida mas a gente tem que saber filtrar dentro do algoritmo o que que eu
tô vendo Mas aproveitando que a gente tá falando de algoritmo eu queria trazer só um adendo de dois fenômenos que a gente tem visto mais modernos em relação a adoecimento mental e tecnologia O primeiro deles Fermento é o que a gente chama hoje de polarização Ideológica O algoritmo de uma rede social ela entrega um conteúdo baseado na minha retenção naquele conteúdo Então vamos supor que eu tô ali venha no site de viagem e eu gostei O Instagram já percebeu que eu passo mais minutos vendo conteúdo de Instagram de viagem ou de um determinado posicionamento político
ou de qualquer outra coisa Que que essa rede social vai começar a fazer ela vai começar a me entregar mais daquele conteúdo Uhum Isso tem diminuído a nossa Capacidade de expressar e sentir empatia Porque a partir do momento que eu fico mergulhado com uma realidade que é aquela que eu compactuo eu passo a achar que aquilo é a realidade mas aquilo é a minha realidade Logo eu tenho mais resistência a encarar e lidar com pessoas que pensam diferente de mim Repara hoje como que a internet ela é extremamente polarizada Ou eu sou estúpido ou eu
sou um gênio As pessoas não conseguem mais definir que uma Pessoa ainda que discorde de mim ela pode ter algo que eu possa aprender com ela E o mais engraçado desse fenômeno é que todo mundo tem certeza de que tá certo né para todos os lados todas as direções todas as religiões todos os alinhamentos políticos Isso é muito louco né exatamente Quando eu começo a separar o mundo nessa dicotomia em algo totalmente bom totalmente ruim totalmente certo totalmente errado eu perco a oportunidade de ter uma postura De curiosidade que é ter um pensamento crítico A
partir do momento que eu tenho abertura para considerar o que o outro tá me falando ainda que eu discorde eu tenho a possibilidade de aprender Uhum O maior ignorante é a pessoa cheia de certezas porque ela já não abre as portas para avaliar se uma situação ela realmente ela tá fazendo sentido pra vida dela se ela pode pensar algo diferente ou se ela pode aprender algo de diferente É tipo essa ideia assim eu Sou uma pessoa maravilhosa que hoje é o que acontece com os linchamentos na internet Sou uma pessoa maravilhosa eu falo tudo bom
as pessoas me amam Se eu fizer uma coisa que for avaliada pelo Tribunal da Internet como inadequado ainda fora de contexto a internet deu o poder para que o tribunal que são os usuários acabem com a minha carreira com a minha vida e com a minha reputação por um fato isolado Uhum Que nem necessariamente é verdade ou ainda que Seja verdade não é o meu todo Eu não posso ser resumido aquele fato Então as pessoas elas são colocadas em gavetas Eu te amo eu te odeio você sabe tudo você não sabe nada E o ser
humano cheio de certeza ele se perde nessa oportunidade de aprender com o outro Eu sempre tenho como aprender com o outro Esse fenômeno tem algo a ver com e esse comportamento que tu tá descrevendo ele tem a ver com o fenômeno desse apodrecimento cerebral que o Pessoal chama de é brain hot brainhoot não sei exatamente como é que se fala tem uma relação mas vai entrar num campo ainda mais obscuro que é o seguinte e o o termo brain ano passado ele foi definido pelo dicionário Oxford como o termo do ano pra gente ver o
tanto que a nossa saúde mental tá deteriorada O apodrecimento cerebral é um termo que ele não é muito adequado para explicar esse fenômeno Hoje a gente tem chamado isso de intoxicação digital tá o que que Significa isso basicamente o ser humano ele tem muita dificuldade de separar o que é descanso ativo de descanso passivo Uhum Às vezes eu tô cansado entediado triste e aí eu pego o meu celular e eu tô lá passando os rios ou vendo os vídeos no YouTube ou qualquer rede social Ainda que eu tenha sensação que aquilo tá me distraindo eu
tô sendo hiperestimulado Aqui tem informação em áudio em vídeo em legenda nos stories Que eu tô assistindo Então eu tô usando o meu processamento cerebral para absorver um monte de informação inútil Uhum Isso é diferente de eu falar por exemplo para você o seguinte fermento você vai fazer uma pausa de 5 minutos e vai ficar olhando para essa cortina sem pensar no futuro sem pensar no passado ouvindo o som que o ar condicionado faz prestando atenção no ambiente A gente não dá conta disso mais A gente se viciona esse Modelo de hiperestimulação É uma a
versão ao tédio né ex ao tédio a contemplação Então o meu cérebro hoje ele é hiperestipulado o tempo inteiro Agora imagina comigo eu tô lá por exemplo no Instagram vendo 4 horas do meu dia um monte de informação aleatória Algumas eu gosto algumas eu não gosto e eu tô ocupando ali o HD do meu cérebro com um monte de informação inútil Uhum Meu cérebro até esse momento não tá sabendo discernir o que é relevante ou Não Eu fiz isso nessas 4 horas mas eu tive 8 horas de trabalho eu tive coisa para resolver em casa
eu tive conta para pagar Como que vai ficando a minha capacidade de foco de atenção sustentada vai ficando exaurida porque minha cabeça já tá lotada de informação inclusive informação inútil Ela é finita né em algum nível ela vai sendo gasta ao longo desse período com recursos completamente desnecessários e desordenados Uhum Então o que que começa a acontecer Esse termo intoxicação digital ele tá mostrando um fenômeno que é as pessoas estão ficando cada vez mais intolerantes ao esforço intolerantes ao tédio com nível de atenção reduzida porque elas já estão extremamente sobrecarregadas mentalmente com uma dificuldade de
começar uma coisa e levar até o fim estão se tornando mais procrastinadoras ou seja elas demoram mais para começar a fazer algo que é importante ou necessário E isso muitas vezes inclusive É confundido com a banalização do tema TH porque se eu tô lá mergulhado em formação inútil o tempo inteiro naturalmente eu fico desatento irritado impaciente sinto que eu não consigo absorver mais as informações de longo prazo e aí muitas vezes eu começo a achar que aquilo necessariamente é um transtorno Pode ser que seja mas a gente tem que ter cautela para não patologizar tudo
Às vezes a gente só tá passando tempo demais com comportamentos que não Estão fazendo bem Quais são as consequências sociais que tu vê desse fenômeno individual que acontece tu acha que as pessoas estão por exemplo de fato ficando mais burras isso eh sem sombra de dúvidas tem um efeito muito interessante que chama Dunin Kruger e é a curva da ignorância Ele mostra o seguinte: "Quanto mais eu sei sobre um assunto mais eu sei que nada sei ou seja que o buraco é mais embaixo." Uhum Pessoas que são muito cheias de certeza Que tem conclusões muito
rápidas que são seguras demais ainda que num assunto extremamente complexa na verdade elas são ignorantes sobre aquele conteúdo Uhum E a rede social ela amplificou essa necessidade nossa de querer se posicionar sobre tudo dar opinião de tudo ou achar que a gente sabe tudo sem um embasamento para aquilo Então hoje as pessoas estão com preguiça de ler de estudar de debater de olhar um ponto de vista diferente do deles de questionar a Validade daquele argumento e elas já têm respostas prontas para tudo Então as pessoas sem sombra de dúvidas estão ficando emborrecidas de tantas certezas
sobre coisas que elas não conseguem se aprofundar Uhum E tu tu isso é estatisticamente mensurável né uma vez eu escutei falar por exemplo que o coeficiente de inteligência né o Q tá de fato diminuindo que a gente talvez a geração da nossa cidade tenha sido a geração mais inteligente e daqui paraa Frente só para trás Exatamente E a gente tem que entender que quando a gente fala de inteligência um grande mal entendido que acontece é pensar inteligência num modelo padrão lógico matemático ou linguístico Existem algumas formas de mensurar inteligência inclusive existe a teoria das nove
inteligências que vai falar por exemplo inteligência corporal intrapessoal interpessoal musical visoespacial Então inteligência não é só essa inteligência Lógico matemática ou linguística que é a mais valorizada Agora pensa comigo Se eu perco a oportunidade de aprender com o mundo real a me relacionar com as pessoas a ler as emoções das pessoas a explorar o meu corpo a entender a dimensão do ambiente ao meu redor eu tô prejudicando todos esses outros níveis de inteligência Então é incompatível eu ter um desenvolvimento saudável de QI se eu tô me privando dessas experiências ambientais que me fariam ter esse
acesso Uhum E tu tu acredita que é uma afirmação válida dizer que essa geração nova então ela é de certa forma mais burra mas de certa forma também mais fraca por ter essa falta de inteligência emocional que a gente conversou até aqui A gente pode dizer que é uma geração mais fraca Sem sombra de dúvidas O que que a gente precisa entender aqui o primeiro ponto eu falo que a geração que a gente vive hoje a geração floco de neve As pessoas para alimentar o próprio Ego elas são muitas vezes super protegidas pelos pais com
a ideia de que elas são especiais grandiosas ou que elas terão que dar uma grande contribuição pro mundo para que a vida delas façam um sentido Uhum Ao mesmo tempo são as mesmas crianças e adolescentes que têm dificuldade de ouvir um não de saber que nem tudo que elas querem elas podem de saber que as coisas têm o tempo para acontecerem de lidar ali com as negativas e as dores da Vida Uhum Se eu cresço com uma ideia de que tudo é muito fácil essa geração hedônica de que eu não posso ficar entediado eu tenho
que mexer na rede social eu não posso ouvir um não eu tenho que fazer uma birra e eu não sou estimulado a entender a vida sobre uma noção concreta de limite a vida vai me ensinar que esse limite tá ali eu só não consegui enxergar Uhum Então hoje por exemplo a gente tem uma geração extremamente frustrada no trabalho e Mesmo que a gente coloque aqui os componentes de que hoje o trabalho ele é muito predatório existe uma certa toxicidade nesse ambiente corporativo as pessoas estão desistindo rápido demais Repara isso assim pessoas que têm um ano
de formadas dois anos de formada falando que elas estão frustradas com carreira Que carreira que a gente constrói com dois anos assim sim Você teve tempo de aprender de quebrar a cara de errar ou você tava achando que você ia terminar Uma faculdade e que as empresas iam te dar um abraço e falar que você vai ser o CEO existe um imediatismo né exatamente Porque elas aprenderam isso assim que elas querem elas vão ter na hora que elas desejam Então aqui eu coloco até um adendo para quem tá ouvindo a gente Fermento que tão danoso
quanto a negligência é a super proteção parental Ou seja quando os pais eles dão tudo pros filhos mas não dão mais importante que é limite Eu só consigo crescer se eu Tenho essa dimensão de que eu não posso tudo que eu quero Tu acha que isso não tem uma conexão com esse aumento de diagnósticos e busca por soluções por exemplo medicamentosas em relação à saúde mental não é um pouco de cara você não tem skills de inteligência emocional logo você tem mais dificuldades para lidar com a vida logo você eh acaba tendo um desdobramento negativo
de características que pode te levar a ter problemas de saúde mental Mas o que deu Origem a essa saúde mental a esse problema de saúde mental de alguma forma é a fraqueza e falta de skills que levou a esse problema de saúde mental e que leva essa busca por um diagnóstico e por medicamento É a falta de treinamento dessas habilidades Aqui é importante a gente colocar que não é uma fraqueza num conceito moralista do tipo uma pessoa que não tem força de vontade ou uma pessoa que é fraca literalmente É uma pessoa que ela não
desenvolveu as Competências emocionais para lidar com esses desafios Uhum Hoje a gente vive uma ideia de que as soluções para elas serem eficazes elas têm que ser rápidas Por exemplo a gente pode citar aqui a epidemia de Zopden As pessoas tiveram uma aceitação maravilhosa do ZPD que se tornou assim um estrago na saúde mental de muita gente porque o Zopd ele é o protótipo de uma solução mágica Eu vou ter um dia extremamente caótico vou ficar no Computador vou fazer hábitos péssimos para minha vida e eu tomo uma pílula mágica que vai apagar o meu
cérebro e vai me fazer dormir Uhum Aí quando eu falo para essas mesmas pessoas Fermento sobre higiene do sono que são os hábitos que eu faço sem tomar nada para desacelerar e conseguir dormir as pessoas começam a bocejar na própria consulta e fala assim: "Isso aí dá muito trabalho meu dia é muito cheio eu não dou conta" Ou seja tem muita gente que Não tá disposta a fazer o sacrifício necessário para ter uma vida melhor Então a gente precisa ter uma solução fácil e instantânea imediata Exatamente E aqui com um problema muito grave A gente
tá com uma miopia temporal que é uma dificuldade de enxergar o futuro a longo prazo As mesmas pessoas que estão dispostas a uma solução rápida elas não pensam se aquilo vai sustentável a longo prazo Então tá você vai tomar um remédio para dormir talvez seja necessário Não Tô negando essa indicação mas por quanto tempo quanto tempo você vai adiar uma mudança de estilo de vida para te ajudar a dormir melhor as pessoas não pensam nisso Elas querem resolver o problema de agora Uhum Que é a mesma coisa que a gente viu por exemplo com o
fenômeno Monjaro Ozenique É uma medicação extremamente indicada pro emagrecimento e pro diabetes quando acompanhadas por um profissional sério Mas quantas pessoas estão usando esse tipo de Medicação sem previamente ter feito uma mudança de estilo de vida então o que eu critico aqui não é a medicação eu uso de uma forma precoce e indiscriminada que não necessariamente vai ser o melhor caminho para todo mundo A pessoa quer em todos os aspectos da vida uma solução mágica instantânea e que não exija esforço dela Ela quer um remédio para dormir um para acordar um para emagrecer um para
ficar forte e tudo num estalar de dedos Exatamente E aí ferrou Eu Queria que tu deixasse um recado aqui final tanto para essas pessoas vamos dizer assim dessa geração atual que passa por essas eh vamos supor o acho que essas dificuldades né de conseguir navegar no meio dessas águas turbulentas e lidar com esses problemas por já terem nascido dentro de um mundo tão digital E também queria que tu deixasse um recado para essa geração um pouco mais velha que tem que lidar com essa geração fraca vamos dizer assim A primeira coisa que a Gente precisa
trabalhar é a valorização da soft skills que são as habilidades de inteligência emocional A gente cresceu numa cultura de valorizar muito o aprendizado técnico Eu tenho que saber inglês eu tenho que saber muito bem a área que eu domino mas eu negligencio coisas muito mais básicas Eu sei ouvir um não Eu sei comunicar uma notícia difícil Eu sei lidar com uma frustração no meu ambiente de trabalho no meu relacionamento Então valorizem as Habilidades de inteligência emocional da mesma forma que vocês valorizam a capacidade técnica se vocês querem ter uma vida gratificante E isso é aprendido
Muita gente acha que inteligência emocional é uma pílula que eu nasço com ela e de repente outras pessoas não têm elas estão sentenciadas Competências emocionais são moldadas Eu posso ter uma maior ou menor dificuldade para moldar mas todo mundo é capaz de moldar características que são mal adaptativas Paraa vida eu consigo aprender isso Eu eu acho que uma outra um outro erro de de interpretação eh além de acreditar que isso pode ser um domado nasce com inteligência emocional acreditar que inteligência emocional só se desenvolve através do tempo de vida e da experiência sem exigir atenção
e treinamento Eu eu tem algo que que eu que eu costumo eh refletir sobre né as pessoas maduras elas não são maduras por causa da idade elas são maduras por Causa da forma com a qual elas encararam uma situação e viveram uma experiência e tiraram de aprendizados daquilo Tem pessoas mais maduras de 25 anos do que a gente de 40 50 anos Tem gente de 40 50 anos e matura e sem inteligência emocional Exatamente E lembrar que maturidade é a forma como eu aprendo com erro Eu posso aprender muito bem com eu erro aos meus
20 anos enquanto tem gente de 90 anos que continua quebrando a cara com os próprios erros Então maturidade a Capacidade de aprender com as experiências ruins que eu vivo Quando eu olho para alguém maduro eu não tô olhando para alguém que toma boas decisões porque nasceu assim Eu tô olhando para alguém que provavelmente errou para caramba quebrou a cara para caramba até aprender o jeito certo de lidar com uma determinada situação Tô olhando pro ponto final e não para como a pessoa necessariamente era lá no início Uhum E um segundo ponto que eu Acho muito
importante falando agora dessa dúvida de como que as gerações esses conflitos geracionais devem ser resolvidos Quando a gente fala da geração principalmente ali dos millennials que são a geração anterior ao que a gente tá vendo agora com a geração Z a gente deve se preocupar com o fato de que criar os nossos filhos e as próximas gerações que é uma parentalidade responsável é chegar no meio termo entre a superproteção e a Negligência Ou seja um pai ou uma mãe bom é um pai ou uma mãe suficientemente bom O que que é uma pessoa suficientemente boa
é uma pessoa que dá o seu melhor sem perder a noção de limite Ser um bom pai ou ser uma boa mãe não é dar tudo que o seu filho quer é oferecer o que seu filho precisa inclusive os nossos que a vida vai ensinar se você não ensinar Então a gente precisa ensinar pros nossos filhos que as coisas não acontecem quando eles Querem que existem fatores externos para além do nosso desejo de mudança de que tudo aquilo que a gente deve dar valor vem com o tempo e com o esforço contínuo que a dor
não é um mal a ser evitado A gente aprende muito com a dor e aprende muito com a negativa e entender que nós não somos especiais Isso é uma frase dura para muita gente mas a gente tem que parar de ter essa visão narcisista de que a gente é especial demais pro mundo A gente tem que cultivar a nossa Autoestima que é saber encontrar o nosso próprio valor no mundo O que eu tô falando aqui é de combater aquela visão arrogante de que o mundo me deve alguma coisa de que as pessoas devem se curvar
para me oferecer alguma coisa Não não sou melhor que ninguém Uhum Então aprendam a lutar com essas limitações e desenvolver as competências emocionais que sem sombra de dúvida a gente vai ter uma qualidade de vida muito maior Perfeito irmão Para quem quiser Encontrar teu trabalho em redes sociais aonde que tu produz conteúdo sobre o que que tu fala tu atende pessoas tu disponibiliza curso para profissionais para legos o que que tu tem para oferecer pra galera através tanto do Instagram quanto do YouTube a quem quiser me acompanhar vai encontrar através do nome Dr Edu Xavier
psiquiatra O Xavier com X apesar de ser meio óbvio muita gente escreve ch e acaba não encontrando por conta disso Agora eu também desenvolvi um curso de inteligência emocional com dois psiquiatras justamente para tentar protocolar de uma maneira científica quais são os passos que a gente precisa usar para chegar ao nível de inteligência emocional saudável é um protocolo que ele é baseado na terapia de aceitação e compromisso que é um desmembramento da TCC que é a terapia cognitivo comportamental com uma aplicabilidade mais prática ou seja com Exemplos de vida real para que as pessoas possam
olhar mais a fundo para essas competências que precisam ser desenvolvidas Perfeito irmão Obrigado demais por ter vindo aqui compartilhar eh esse conhecimento Eu acho que tu tem uma habilidade muito grande de elencar muito bem os raciocínios e e ser muito claro e específico assim a uma comunicação realmente muito muito impressionante cara Tu consegue ser conciso com clareza assim tu é na na Minha percepção um excelente professor assim foi uma conversa muito agradável Obrigado cara Prazer foi todo meu Te vejo em breve né daqui dois dias estaremos gravando novamente aí pro pessoal que tá assistindo futuro
Em algum outro momento terá um outro episódio aqui contigo Obrigado irmão Tamos junto Fazer um brindezinho Valeu