para mim eu acho que o audiovisual ele entra um pouco nesse lugar assim de ser uma ferramenta de transformação mas também uma ferramenta de [Música] luta o canal Preto ele chega para mim né de uma maneira muito especial que era um momento em que eu tava abrindo o laboratório que é a visionária Lab e nosso laboratório tava começando a dar os primeiros passos né então eu já vinha de um longa metragem do um document que a gente lançou a partir de um coletivo periférico chamado visionários da quebrada que foi o meu primeiro projeto audiovisual onde
a gente faz a partir de um grupo de pessoas que se reúnem ali um coletivo e aí a gente começa a fazer essa pesquisa que durou ali em torno de uns 2 anos de pesquisa até a execução desse filme E aí eu tava nesse momento dando o próximo passo pós filme que era abrir não uma produtora porque a gente nunca teve essa visão de produtora audiovisual acho que a gente teve sempre muito uma visão de ser um laboratório de inovação de pesquisa de novas narrativas então a gente fazer esses encontros e aí vem esse convite
pro Canal preto que de alguma forma nos faz inclusive nos formalizar e dar esses primeiros passos dentro do mercado com Produções audiovisuais O Grande Desafio do canal para mim naquele primeiro momento quando né quando me dou de cara com esse convite eu acho que era compreender a profundidade do que tava por trás desse trabalho quando a gente pensa em produção de conteúdo parece uma coisa relativamente simples né você pensar ah a gente já tava muito conectado com as pautas raciais então eu sempre estava muito já Envolvida com pesquisas com enfim né com esse lugar de
letramento formação educação social então eu vinha desse Campo de alguma forma da desse olhar educativo mas a produção de conteúdo eu acho que ela vai muito além do que só uma boa pesquisa um bom roteiro né como você de fato consegue construir um ritmo uma linguagem uma narrativa então era isso toda semana tinha um vídeo que precisava sair esse vídeo precisava representar que eu acho que isso é o grande desafio representar né várias organizações porque era um projeto todas essas vozes consigam ter uma consonância eu acho que é um grande desafio como a gente tem
uma restrição de acesso a tudo que o mundo do audio visual acaba demandando por conta de ser uma área muito elitizada muito branca e muito cara muito cara mesmo porque a gente tá falando de um programa de edição que você vai demandar quase R 200 mensais para poder trabalhar de uma maneira e segura e tranquila com aquilo uma câmera qualquer que você vai pensar em comprar hoje custa R 5.000 assim e você vai pensar quem da comunidade preta majoritariamente tem r$ 5000 hoje para falar assim eu vou comprar uma câmera são coisas difíceis e coisas
que acabam sendo limitantes quando você quer e realizar e produzir mas nós temos uma criatividade que é inata que veio com a gente veio de Quem veio antes da gente assim que a gente tem a a a graça de poder trazer essa bagagem e utilizá-la assim muita gente teve muita dor para para aprender e para criar e hoje a gente pode se beneficiar disso então necessário fazer isso com muito respeito e muito muito carinho também sempre tivemos uma uma vertente assim como viés de trabalho atender eh empreendedores pretos e periféricos aqui da região e o
a produtora foi se desenvolvendo nisso até que eu soube do do canal Preto soube do edital e a gente acabou eh se inscrevendo passamos por todo o processo e fomos contemplados assim no momento que a produtora já vinha num numa crescente assim Por conta desses quase 5 anos anos já já de trabalho acontecendo ali de 2017 pra frente eu acho que o primeiro episódio que é um episódio sobre cinema eu tava em Brasília no evento E aí eu resolvi falar bom já vou fazer o primeiro episódio do canal em Brasília num evento de mulheres negras
e cinema na Universidade de Brasília né na Universidade Federal na UnB E aí eu tive oportunidade de falar com mulheres muito importantes do cinema assim percursoras do cinema negro que é a Adélia Sampaio então pude entrevistar A Adélia pude entrevistar a Vanessa pude fazer uma série de entrevistas com mulheres negras do audiovisual muito importantes né a Ed leus a Penha e enfim a Vanessa do 3% do Netflix então eram mulheres muito assim importantes e foi um baita desafio porque a gente tava que é isso né os bastidores do audiovisual a gente estava lá para gravar
elas todas muito empolgadas mas a gente tava correndo atrás dela num evento que já tava acontecendo mil coisas e aí de repente a gente tava né Assim de verdade gravando de madrugada dentro do quarto de hotel aquela correria que eu acho que é isso que a gente faz nos Bastidores né encontrar soluções constantemente para resolver Porque toda semana precisa esse episódio tá no ar Então acho que me marca nesse pontapé dessa surpresa dos inesperados né dos Desafios de produção de quem tá por trás das câmeras o canal Preto em 2018 numa parceria com a organização
internacional do trabalho e a ono mulheres Nós demos início a esse bonito projeto de garantir o protagonismo de pessoas negras num sistema de redes sociais centrado nos temas de trabalho raça e gênero eu até brinco que é uma tradução livro título de uma importante obra de Angela Davis ao longo desses muitos anos do canal nós conseguimos dar visibilidade dar voz a múltiplas pessoas negras dos mais variados setores da sociedade pessoas famosas pessoas anônimas todas vindo voluntariamente trocar experiências relatar seus momentos de vida das suas carreiras profissionais estabelecendo um diálogo com a sociedade brasileira um trabalho
que garante conscientização social contra o racismo e que tem se mostrado muito importante para o nosso país o acervo do canal Preto ele costuma ser utilizado por espaços acadêmicos instituições de ensino é um material muito rico que é produzido por equipes afr centradas que tem uma sensibilidade e propriedade no trato da temática da Equidade racial e equipes que são coordenadas por pessoas negras assim o canal mantém uma coerência sistêmica daquilo que entrega a sociedade um conteúdo de enfrentamento ao racismo ao machismo no mundo do trabalho e que assegura o trabalho de pessoas negras dos bastidores
desse projeto então é uma iniciativa da qual nós do Ministério Público do Trabalho temos um enorme orgulho e portanto nesse período em que estamos festejando o aniversário do canal preto eu venho aqui dizer que o canal ele é necessário para o Brasil e portanto eu desejo uma longa vida no canal Preto [Música]