[Música] então para começar Qual vocês consideram que é a nossa principal ferramenta de trabalho eu pergunto isso porque toda tem uma ferramenta né a gente geralmente precisa dominar conhecer essa ferramenta para que a gente consiga executar ela com mais funcionalidade com mais eficiência com mais maturidade e no nosso caso também não é diferente então eu queria provocar vocês a pensarem um pouco sobre isso assim nós da área da arte eu não vou nem especificar a escrita agora nós artistas né quem trabalha com escrita com teatro com audiovisual com psicologia eh com música e com qualquer
maneira de expressão da subjetividade humana com quem trabalha com humanas Qual é a nossa ferramenta de trabalho eu gosto de usar uma palavra que eu acho que meio que sintetiza tudo que do que do que nós somos compostos que é a palavra psiquê então eu começo esse curso assumindo para nós aqui é que a gente vai usar a palavra psiquê como se fosse a nossa principal ferramenta de trabalho por quê Porque é ela que tá por trás eh desse teclado é ela que tá por trás de uma caneta né Tem uma ferramenta principal por trás
dessas ferramentas secundárias e é nela que a gente vai trabalhar que a gente vai focar um pouco eh Porque toda profissão precisa dominar Como eu disse então a gente precisa eh estudar um pouco a psiquê humana e a nossa própria psiquê para tentar ganhar intimidade com essa ferramenta como a gente tá falando de de algo que é da Ordem da natureza humana não dá para falar que a gente vai dominar né a gente não tem como dominar algo que muitas vezes nos domina né somos seres naturais então a gente tá falando aqui em ganhar intimidade
com a ferramenta em ganhar intimidade com a gente mesmo e aí eh Se vocês forem procurar dar um Google aí na palavra intimidade é muito interessante que muitas muitos temas vão associar a intimidade à relação sexual né se fala muito em ter contato íntimo com alguém sempre vai aparecer uma questão sexual junto e aí eu fiquei tentando entender e fiquei pensando um pouco sobre isso eh ganhar intimidade Então tá muito associado a gente literalmente entrar dentro desse outro né claro que no campo da questão da sexualidade a gente tá falando de uma coisa muito específica
e muito limitada né a gente tá falando de uma relação de de corpo ter um contato é entrar dentro do outro e e quando esse outro é a gente mesmo como é que a gente tem um contato íntimo com a gente mesmo que poder a gente acessa para conseguir eh entrar num estado de presença e de união com aquele que nos habita dentro de nós para além do que a gente pensa que somos e que se expressa através de nós como que a gente conversa com esse outro eu eh e aí essa é um pouco
a provocação que eu vou trazer pra gente aqui como é então que a gente faz para ganhar essa intimidade com a nossa psiquê com essa ferramenta é uma coisa que não vai ter manual não vai ter listinha não vai ter tutorial no YouTube porque é muito pessoal é um processo de escavação interna e aí É sim um processo de autoconhecimento eu sei que essa palavra ganh ganhou um ranço gigantesco ela tem um ranço ela expressa um ranço gigantesco hoje principalmente nas redes sociais porque assim é uma palavra que foi cooptada pelo sistema cooptada pelo capitalismo
Então hoje em dia quando a gente fala em autoconhecimento né tem tantos perfis aí tantas pessoas tentando vender pra gente quem a gente é né ou tentando vender pra gente quem a gente quem elas querem que a gente seja né Para que se possa lucrar em cima um pouco da própria subjetividade a gente tem visto isso acontecer né hoje em dia isso é é um programa é um programa de de de sequestro e distorção da subjetividade humana e como eh o sistema entendeu que pode lucrar com as pessoas querendo se expressar através das redes querendo
eh entender um pouco mais o contorno de si mesmo mas a gente sabe que isso acontece porém o que eu queria trazer aqui para vocês de forma muito singela é de verdade um processo de autoinvestigação sincera né de olhar para dentro de vocês e começar essa viagem de perceber Quem tá habitando aí nos mínimos detalhes cada um de nós aqui tem uma história tem uma miografia tem traumas tem caverninhas secretas que a gente não quer entrar de jeito nenhum Tem lugares que a gente apresenta para todo mundo todo mundo aqui tem varanda e porão sabe
varanda é aquele lugar que a gente apresenta para todo mundo é onde a gente é legal onde a gente sabe que a gente se comunica bem aquilo que a gente tá num lugar mais cômodo aquele lugar que a galera vai entrar chegar em casa e gostar é a nossa varanda depois de muito tempo convivendo com uma pessoa a gente começa a acessar o porão dela a gente começa a entrar na casa começa a ver a lça em cima da pia a cama desarrumada começa a ver eh os rastros que essa pessoa deixa em volta de
si quando ela vive né E aí a gente vai entrando no porão se a gente esconde o nosso porão dos outros via de regra a gente também esconde da gente mesmos é muito da gente mesmo é muito difícil a gente entrar nesse purão e é lá que moram os nossos maiores tesouros então a gente vai fazer esse processo agora de parar um pouco e antes da gente tentar violentar ou forjar eh um tema uma narrativa forjar algo que tá difícil de nascer a gente vai parar dar um passo para trás e começar esse processo do
zero que é conhecendo a nossa ferramenta porque uma vez que a gente se domina se conhece tem intimidade com a gente mesmo a gente vai perceber direitinho como é que a gente funciona inclusive para escrever e quando é que a gente ao longo da nossa vida está mais propício a acessar esse outro Campo a acessar esse outro mundo que é de onde a gente vai trazer os temas para serem expressos numa linguagem artística não é sempre que a gente tá é com esse canal eh desobstruído né com esse processo de canalização fácil então a gente
vai aqui aos pouquinhos Começar a se pesquisar a se perceber a se mapear eh a gente precisa Então ganhar intimidade com essa ferramenta e não tem segredo é auto-observação e percepção dos próprios processos a gente vai desenvolver aqui um método eu vou dar um exercício para vocês que tem a ver com um processo de mapeamento cada um de vocês agora vai começar a existir a viver com mais atenção a detalhes internos que geralmente passam despercebidos e isso vai ser precioso para esse processo eh de download do campo subjetivo pro campo objetivo da expressão Então tá
aqui essa frase que eu gosto muito eu sempre abro o o o os meus cursos com ela porque eu acho que ela sintetiza muitas coisas nessa aparente simplicidade escreva com vinho Reescreva com café bauque eu gosto dessa frase porque a maioria das pessoas que geralmente chegam me falam muito da questão do bloqueio com a escrita né quando senta para escrever existe um bloqueio o que eu gosto dessa frase é que o que que é o vinho o que que o vinho representa ele representa esse estado de ser que a gente fica que é um estado
mais desbloqueado que o nosso campo de julgamento ele fica mais baixo né a gente se julga menos julga o outro menos a gente entra num estado onde as coisas fluem com mais facilidade Então esse primeiro processo da escrita ele precisa ser um processo fluido ele precisa começar sem preocupação com quem vai ler sem preocupação com a gente mesmo se lendo Então nesse primeiro processo de escrita quando a gente abre um caderno e eu vou falar muito de caderno que a gente vai usar caderno mesmo caderno eh e caneta eh quando a gente abre esse caderno
e coloca as coisas ali a gente precisa precisa est num estado completamente desobstruído Qual é esse estado que a gente acessa quando a gente abre um caderno e escreve como se nunca ninguém fosse ler é um estado que a gente precisa est de colocar ali coisas para serem queimadas sabe ninguém vai ler eu eu posso eu posso tomar contato com aquilo que vai sair de dentro de mim eu aguento eu não preciso ter medo do que vai sair de dentro de mim eu não preciso nem sequer ler depois se eu não quiser É esse o
estado que a gente precisa tá quando a gente abre a tela de um computador pela primeira vez ou que a gente pega um caderno pela primeira vez esse primeiro estado precisa ser aquele lugar de joga o que precisar sair seja feio seja bonito seja lodoso deixa vir e a gente sempre tem algo para vir a gente não precisa ter dedos com a gente mesmo nesse primeiro momento e muitas vezes a gente tem a gente tem muito medo de tomar contato com aquilo que vai sair de dentro de nós então a gente vai precisar se nesse
primeiro estado essa escrita com vinho deixa vir o que precisa Então muitos exercícios vão existir e aí sim vocês podem dar Google download vai ter um monte que são exercícios de te provocar a jogar tudo que tá aí dentro de vocês para fora sem se preocupar com métrica com ordem com rima com com lógica com coerência a gente não é coerente o ser humano não é coerente a coerência é um estado posterior na hora que a gente vai se expressar e criar estratégias para se fazer entendido mas a nossa natureza não é coerente né então
a gente precisa eh deixar que ela venha com o vulcão que ela é E aí Reescreva com café aí sim uma vez que a gente produziu esse material que essa avalanche nasceu aí a gente entra num processo de pensar no interlocutor como é que eu quero que isso vá para alguém e aí você vai olhar e aí sim tem aquele processo de Nossa isso daqui eu só construí essa esse Manancial de palavras elas podem todas ser desperdiçadas não preciso delas elas estavam me ajudando a chegar eh perto de outras coisas presta atenção numa coisa que
eu vou falar aqui para vocês eh existe uma coisa no teatro que é um exercício que a gente gasta os nossos gestos o que que é isso a gente põe uma música todo mundo começa a dançar e vai e vai e vai geralmente a gente tem eh repertórios muito definidos que são mais confortáveis pra gente tem gente tem pessoas que tem mais movimento de ombro tem pessoas que T mais movimento de cinturas abraço aí cada um é o mundo né e chega uma hora que a gente vai chegando numa exaustão que os repertórios conhecidos que
o nosso consciente conhece ele já gastou não tem mais para onde ele ir geralmente a hora que o exercício fica mais difícil você fala agora não ten mais nada para sair e aí se você insistir é aí que começam a sair movimentos que talvez você nunca tenha feito na vida é aí que partes do teu corpo que estavam adormecidas que nem sabiam que podiam Dançar porque tinha outras partes que dançavam na frente delas que tomavam o lugar delas essas partes começam a se expressar porque as outras já ficaram cansadas foram gastas E aí você começa
a entender que existe um mundo dentro de você que você não sabia que tava ali porque ele não tinha tido oportunidade de se apresentar para você com a escrita acontece a mesma coisa quando a gente começa a jogar palavras jogar jogar jogar vai vai geralmente a gente tá escrevendo para chegar mais perto de algo que a gente ainda não sabe o que é então a gente precisa gastar as palavras as palavras que nascem geralmente elas são um processo para que a gente chegue em outras palavras não é ela mesma logo de cara que vai ser
um um produto final pode ser depois você faz essa escolha mas geralmente elas estão vindo como isca como isca para fazer a gente pescar o que tá por trás dela a palavra que nos ajuda a pescar a palavra Então ela precisa ser gasta Então a gente vai muito aqui escrever escrever escrever escrever para Tent entender onde a gente quer chegar é um processo lento é um processo de formiguinha e depois quando a gente descobre onde a gente quer chegar a gente pode jogar fora tudo que veio a gente vai continuar esse processo Porque a gente
sempre tem degraus para alcançar dentro de uma narrativa ou dentro de um processo de diário dentro de um processo de autodescoberta então aqui eu convido a vocês no processo com vinho a jogar tudo que vocês precisam dentro de um papel logo mais a gente vai falar sobre o nosso caderno de processo mas eu quero primeiro que vocês fiquem com essa metáfora do vinho e do café bem bem sedimentadas dentro da cabeça de vocês então é isso então aqui nesse momento as palavras Elas vão vir vão precisar serem gastas para te ajudarem a chegar nas outras
palavras que vão se constituir na obra final que vocês querem levar a público e aí sim o café aí a hora que vem o café então depois que você teve essa avalanche de palavras de ideias de sentimentos pensamentos esse caos todo é a hora que você vai olhar e falar Tá o que que eu quero construir com isso né então você vai começar a selecionar aqui né que que tipos de texto que vocês escrever que tem um tipo de temperamento que tem um tipo de emoção que tem um tipo de pensamento tem um tipo de
sentimento você pode até colocar cor se você for pintando e eu f grifando você vai entender que essas coisas se dividem muitas vezes por temperamentos e isso vai te ajudando a mapear eh por onde você tem circulado dentro de você então então aí isso ainda é um segundo mapeamento ainda a gente não tá nem pensando na expressão para um outro você tá primeiro pensando na expressão para si esse primeiro café ele entra no momento em que você ainda tá precisando se traduzir para si mesmo tá então olha como tem escadas o processo da escrita depois
que você se foi eh atropelado por uma avalanche de si mesmo aí você vai entrar no segundo processo de escavar ainda é para você se entender e aí é um primeiro mapeamento Ah isso isso daqui significa isso nossa isso daqui olha como isso tem a ver com isso nossa eu disse isso mesmo começa a separar né coloca categorias e aí o terceiro momento que é que quando você fala não com isso o que que eu quero fazer eu quero escrever um conto um conto sobre esse medo esse medo que apareceu aqui vamos fazer um conto
sobre o medo um exemplo Aí sim que palavras eu vou usar disso daqui eu entendi o que eu quero aí você vai se convidar a escrever novamente já pensando numa narrativa já pensando que é para uma outra pessoa ler você vai continuar essa escrita aí você vai entrar no processo de editar Essa palavra não é boa Qual outra eu posso trocar esse raciocínio ele tá duplicado tá prolixo Ou não Aqui tá pulando muito rápido de um pro outro não tá dando tempo para quem for me ler entender como eu fiz essa construção Aí sim é
o café por que a gente não começa pelo café porque se você for começar escrever pens numa forma final você geralmente não vai sair da primeira linha você não vai ter conteúdo que chegue até você porque todo o conteúdo vai est bloqueado com uma para de com uma placa de par gigante dizendo que ele não tem roupa para se apresentar por quê Porque a roupa é o estado final primeiro você precisa entender que corpo isso tem que tamanho qual é a textura para depois você vestir você precisa deixar a coisa se expressar Então essa é
a metáfora que a gente vai usar o curso inteirinho vinho e café vinho e café que é uma costura que a gente vai fazer o tempo todo em todas as etapas do nosso processo ele não é só para essa primeira a gente vai usar muito vinho e café lá na frente quando a gente já tiver em processo de estruturação porque também um processo de organização tem o seu modo vinho antes do modo café tá bom [Música]