Tudo bem pessoal? Os comentários sobre G20 que é o novo filme dirigido por Patricia Rigan, lançamento da Amazon que já está disponível no catálogo do Prime Video. Esse é um longa que a Amazon faz toda a promoção especial em torno da presença da Vaiola Davis, o que faz muito sentido, é uma grande atriz e eu já manifestei aqui no canal várias vezes como eu admiro a Vaiola Davis.
E até por isso é triste ver um aproveitamento tão ruim para um filme desses de ação, em que nenhuma situação quanto a monólogo, desenvolvimento prestigia o talento da Viola Davis. Muito pelo contrário, aliás, coloca Viola Davis como uma atriz comum que tá restrita apenas a clichês e diálogos de pouco impacto, além da super exposição, porque é o tipo de filme de ação que acaba subestimando a capacidade do público de fazer conexões simples. E até por isso esse filme me lembrou muito Vários Longas Direto pra DVD no começo dos anos 2000, estrelados pelo Dolf Lund, Grenou pelo Steven Seel, que tentavam dar conta de sucessos do cinema dos anos 90, como por exemplo Air Force One, em que você tem uma situação isolada, urgente, e aí só uma pessoa consegue resolver.
No caso do filme de hoje, seria a Vaiola Davis como presidente dos Estados Unidos. Claro que esse é um tipo de desenvolvimento para lá de comum na ação, que não seria novidade, mas me lembrou esses longas direto paraa DVD pela produção extremamente precária. Então, da mesma forma que poderia chamar atenção colocar Viola Davis como uma veterana das Forças Armadas, que tem todo um passado, que vira presidente dos Estados Unidos, que está sob ameaça e ela precisa aí tomar conta de uma situação, pegar em armas.
Por outro lado, tem a questão da ambientação na África do Sul, que se torna praticamente um playground exótico para várias cenas desconexas. Além disso, é o tipo de filme que tenta pautar situações contemporâneas e que joga, por exemplo, fala sobre criptomoeda e faz um diálogo quanto ao uso na economia e a um plano econômico que é muito ruim. É um filme que vai tratar sobre deep fakes, mas não vai abordar nada, aliás, vai subestimar o público ao colocar que todo mundo vai acreditar no deep fake.
E além disso tem toda uma questão interessante quanto ao uso de inteligência artificial secundário, que poderia render alguma coisa, mas afinal de contas G20 realmente acha que o público não consegue fazer conexões simples, como eu disse, que se eles desenvolvessem duas frases por personagem seguidas já seria demais. Aí talvez chegue no momento que algum fã de ação pergunte o seguinte: "Tá, a história pode ser fraca? é o desenvolvimento ruim, mas e as cenas de ação, porque é isso que a Amazon tenta promover no catálogo do Prime Vídeo.
Tem inclusive um investimento muito grande no longa para colocar como essa experiência de ação. E eu digo para vocês, as cenas também são bem ruins, não só na questão da captação em que precisa um complemento gráfico que é praticamente inexistente, especialmente quando precisa reforçar a tensão, como também no próprio processo todo de montagem, os vários cortes e aquela tentativa de surpreender, que na verdade mais se torna, quem sabe uma sátira. A presidente dos Estados Unidos, Daniel Suton, interpretada por Vaiola Davis, viaja à África do Sul pro G20 para apresentar um ambicioso plano de criptomoedas, visando salvar os agricultores pobres.
Porém, durante a cúpula, mercenários liderados pelo ex-militar Edward Rodled, interpretado por Anthony Sar, tomam o hotel e usam deep fakes para acusar líderes globais de corrupção, desestabilizando toda a economia mundial e colocando os líderes mundiais em risco. Logo, na primeira cena do filme, existe um roubo de criptomoeda que mostra que, quem sabe, eles queriam explorar o conceito da criptomoeda para um plano econômico que acaba sendo desenvolvido, mas eles não sabiam como fazer isso, até para facilitar na questão de como você rouba uma criptomoeda. Eles ignoram, blockchain, não tem nada muito profundo.
É aquela superficialidade que se resume a um dispositivo. A mesma coisa, eu poderia dizer do uso dos deep fakes, né? O deep fake ele surge como aquela ferramenta mágica, aquela ferramenta de virada de roteiro, bem como aconteceu já, por exemplo, nos anos 90 em variados filmes de ação, só que aqui ainda aprofunda mais aquilo que eu disse de subestimar o público, porque o filme ele não te faz considerações para lá de óbvias quanto a questionamento, não tem repercussão alguma.
você que aceite e os líderes que tratem de lidar com essa superficialidade. É triste também notar que o contexto africano é descartado e usado só como um playground para ação, que também recicla alguma das piores ideias possíveis de como pautar justamente essa salvação que viria por um plano econômico de criptomoedas muito mal articulado, em que só tem como interesse colocar um vilão interessado em lucrar bilhões. A questão geopolítica, se você pegar em conta o título do G20, gente, ela é completamente descartada, porque o resort precisa virar um palco para tiroteios.
Então, assim, não tem debate sobre acordos, não tem absolutamente nada. Os líderes mundiais se tornam reféns, reféns mudos e quem sabe para aparecer, para chorar por conta de uma situação mais forte. É impressionante como o título do filme, na verdade, ele remete para uma situação que não tem nada quanto aprofundamento da história, porque essa questão aqui desenvolvida nesse longa poderia acontecer em qualquer outra situação, em qualquer outro resort.
O filme aí trata de ignorar o que que significa o G20 e coloca, na verdade, como um grande clube de amigos que estão assustados. Aí eu até volto, né, pra questão da África do Sul. África do Sul seria a anfitria, só que ela acaba sendo rebaixada porque não é interesse dar algum tipo de prestígio pra África do Sul, porque afinal de contas, adivinhe, quem precisa resolver tudo é a presidente dos Estados Unidos.
Então, as cenas de agressão, ameaças, a questão da tomada do G20 por um grupo terrorista, isso tudo é feito de uma maneira bem ruim, porque aí chega um momento, eu acredito que quem estava produzindo filme, inclusive a Vaiola, é uma das produtoras, pensou no seguinte com a equipe criativa. Olha, não dá só para construir um filme de ação, de uma invasão no resort, da tentativa de salvação, de que tudo fique certo? Vamos adicionar mais pontos de interesse no roteiro.
Aí que entram slogans vazios, tentativa de vínculo familiar, um líder mundial que vira saída cômica. Eu notei em diversos momentos de G20 que o interesse real, o interesse que existia era fazer com que a Vaiola Davis tivesse o seu momento alá, Air Force One. E aí o filme quer em moldurar esse heroísmo.
É uma personagem forte, uma mulher guerreira que ela não pode se permitir o luto, porque o luto diminuiria o seu próprio heroísmo. São várias dessas contradições armadas, seja pra economia deep fake, seja pro próprio plano pra talva da África. Então isso vai tomando um rumo de cenas mais intensas que na minha leitura mais se tornaram sátiras, porque são poucas coisas que realmente dá para aproveitar aqui quanto a base toda de construção de G20.
algumas poucas cenas de tensão, alguma cena de invasão que chama mais atenção. Nada além disso. É um lançamento típico de streaming contemporâneo que você, quem sabe temas que estão em alta.
Criptomoeda, inteligência artificial, a questão da desinformação que nem é tratada, mas enfim, envolve deep fakes e coloca uma protagonista, né, uma atriz que chama a atenção teoricamente para jogar no catálogo de alguma maneira. Pra G20, nota 3. Falta e intensidade é um filme que não tem confiança no seu texto pelo viés ultra expositivo até paraas mais óbvias considerações.
E além disso, para um filme de ação, não existe uma grande cena de ação. Existe um final que você acaba dando risada porque celebra justamente o plano bizarro que é montado. Certo, pessoal?
Muito obrigado pela atenção.