[Música] Olá, pessoal! O tema da nossa aula, né, da semana dois, são os gêneros textuais no ensino de língua portuguesa, esta semana, que vai de 17 a 23 de março. Muito bem!
Quais são os objetivos que nós pretendemos alcançar ao trabalhar esse tema? Vamos lá! Levar os alunos a produzirem ou analisarem eventos linguísticos variados, tanto orais como escritos; identificar as características dos gêneros textuais em seus mais diversos usos autênticos no dia a dia; distinguir gêneros de tipos textuais; identificar as propriedades linguísticas formais e funcionais que distinguem um gênero textual de outro; e reconhecer a importância dos gêneros textuais para o desenvolvimento da competência comunicativa dos usuários da língua portuguesa.
Muito bem! O tema da nossa aula é gêneros textuais no ensino de língua portuguesa. Então, nós vamos iniciar falando sobre a noção de gênero textual e tipo textual.
Bom, é preciso lembrar que, por muito tempo, né, no ensino de língua portuguesa, quando o assunto era produção de texto, vinha à tona, né, três tipologias ou três tipos de texto: narração, descrição e dissertação. Então, essa trilogia é apenas três das tipologias textuais, né, que constituem os gêneros. Então, nós vamos aqui falar dessa noção de gênero e tipo textual para explicar melhor esses termos, uma vez que se faz necessária a definição desses conceitos, né, para que nós possamos entender que essa mudança não foi apenas uma mudança terminológica, mas uma mudança, né, um novo enfoque para o ensino de língua portuguesa.
Muito bem! Então, o que é o gênero textual? Segundo o Bakhtin, a comunicação verbal, seja ela falada ou escrita, só é possível através de um gênero textual; ou seja, só é possível se comunicar verbalmente, ou seja, por meio das palavras, né, por meio de um texto que se realiza em algum gênero.
Então, para Bakhtin, a comunicação, a interação por meio das palavras, seja através da palavra falada ou da palavra escrita, isso só é possível por meio de um gênero textual. Já Markus, né, afirma o seguinte: os gêneros textuais são textos materializados que encontramos em nossa vida diária e que apresentam características sociocomunicativas definidas por conteúdos, propriedades funcionais, estilo e composição. Observem que, para Bakhtin, a nossa comunicação só se faz por meio de um gênero, né?
A comunicação verbal, ou seja, a comunicação por meio das palavras, seja ela falada ou escrita, ocorre somente através de um gênero textual. E Marc fala que os gêneros são textos materializados que nós encontramos em nosso dia a dia. Então, são eventos comunicativos que apresentam características sociocomunicativas e esses textos materializados são definidos por conteúdos, por ades funcionais, estilo e composição.
Muito bem! Então, o que é um gênero textual? Gênero textual é todo e qualquer meio de interação verbal, ou seja, interação através das palavras, né, denominada socialmente, que cumpre uma função comunicativa.
E os gêneros se definem principalmente por sua função social. Gêneros textuais são, portanto, meios de interação verbal denominados socialmente, isto é, textos orais ou escritos encontrados na vida diária através dos quais escritor ou leitor, falante e ouvinte, interagem, socializando-se e inserindo-se nas atividades comunicativas humanas. Então, vamos aqui ver alguns exemplos de gêneros textuais.
Nós temos aí o conto, o e-mail, o sermão, o relatório, poema, notícia jornalística, crônica, lista de compras, anúncio publicitário, horóscopo, receita culinária, bula de remédio, fofoca, confissão, entrevista televisiva, cardápio, bilhete; enfim, há um número variado, um número muito extenso de gêneros textuais, né? Então, assim, segundo estudiosos, há mais de 4000 gêneros, né, que são esses textos materializados, esses textos que socialmente recebem o nome de textos, através dos quais nós estabelecemos uma comunicação. Tá bom?
E como vamos nomear um gênero? Então, como nomear os gêneros? Para falarmos sobre isso, nós temos aqui alguns gêneros.
Então, vamos lá à análise do primeiro. O que nós temos aí no primeiro? Então, observando as imagens, observando o texto verbal, né?
Porque nós temos aí um balão. Vejam que é a quem se dirige ou de a quem pertence a fala. Próximo, né?
Observem bem que nós temos aí a morte chamando o próximo e nós temos aí no outro quadrinho a sigla SUS, que é o nosso Sistema Único de Saúde. Então, olhando para esse texto, observando a linguagem, observando as características, percebendo que o texto aqui tem uma função e uma finalidade, que é exatamente fazer uma crítica ao Sistema Único de Saúde, percebam que as pessoas que dependem desse convênio público estão fadadas a morrer; a morte está aí esperando, não é isso? Então, perceba que é um texto que tem, né, como função, através de uma linguagem que provoca humor, né, através de uma linguagem irônica, que tem o propósito de fazer uma crítica.
Esse gênero textual, que apresenta características como humor, né, ironia, e que tem o propósito de fazer uma crítica, seja a uma pessoa, seja a um acontecimento, seja a uma questão social ou política, ele recebe o nome socialmente de charge. Então, percebam que, para dar nome ao gênero, nós precisamos considerar características como forma, propósito, conteúdo, o meio de transmissão, o suporte em que o próprio texto é divulgado, o papel dos interlocutores, do escritor, leitor, do falante, ouvinte, o contexto em que esse texto é produzido. Tudo isso vai determinar, né, tudo isso vai determinar como ele será denominado, como o gênero será denominado.
Vamos então ao segundo texto: "Fui viajar, volto logo. " Analisando os dois textos, fazendo uma comparação, nós vamos perceber que a linguagem, né, vejam que aqui já não temos mais a linguagem não verbal, tá? O que nós temos aqui.
. . A linguagem verbal, a linguagem das palavras.
O que nós temos aqui é uma linguagem, prevê, né? É um texto curto, é um texto simples, tá? O objetivo aqui é passar a informação de maneira simples, rápida, e esse tipo de texto, percebam, ainda que nós temos um "alfinete" Zinho, um "ã" Zinho colocado no papel, porque até o papel também vai ser um fator determinante na nomeação, na denominação do gênero, tá?
Então, facilmente nós vamos identificar o texto como um bilhete. Então, no primeiro, uma charge; no segundo, quer dizer, no primeiro uma chave; no segundo, um bilhete. Então, nós somos capazes de observar essas distinções, essas diferenças, e nós somos capazes de identificar o gênero.
Então, no primeiro uma charge; no segundo, um bilhete. Vamos, então, a mais um exemplo, né? O que que nós temos aqui?
Nós temos aqui, se olharmos assim rapidamente, qualquer leitor vai dizer: "É uma tirinha. " Por que que vai dizer que é uma tirinha? Porque, do nosso conhecimento de mundo, né?
É que uma tirinha é organizada, estruturada dessa forma, né? É uma história curta, dividida horizontalmente, né? Tem um número limitado de quadrinhos, né?
É constituída de balões, né? As falas, elas são apresentadas nos balões e também, né, trabalha com o elemento humor. Então, aqui, o leitor não vai dizer: "Ó, isso aqui é um bilhete.
" Não, ele vai dizer: "É uma tirinha. " Então, nós temos essa capacidade de identificar os gêneros textuais. Vamos a mais um exemplo.
Dizem que, com esse exemplo, eu posso até afirmar a vocês que pessoas, né, não escolarizadas ou com baixo grau de escolaridade, tá? Pelo próprio conhecimento de mundo, elas são capazes de dizer: "Isso é um cheque. " Elas não vão dizer: "Isso é uma narração.
" Isso é uma descrição, é uma narração, é uma dissertação. Elas vão dizer: "É um cheque. " E por que o nome cheque?
Porque esse é o nome conhecido socialmente, esse é o nome dado a esse texto materializado, ao texto que apresenta características que lhe são próprias, né? O cheque, nós sabemos que é um documento. O cheque é uma ordem de pagamento.
O cheque, diferentemente da tirinha, diferentemente da charge, diferentemente do bilhete, ele tem sua estrutura, ele tem sua forma, ele tem seu conteúdo. Observe que, aqui, nesse cheque, nós temos, por exemplo, o valor, né? O valor que será pago por extenso.
Primeiro que o cheque é uma ordem, né, de pagamento, e nessa ordem de pagamento é necessário vir elementos como o valor por extenso. Então, nós temos aí: "R milhões, 500 mil reais. " Nós temos também, né, como um outro elemento, o nome do banco.
Qual é o banco? Nós temos aí: "Banco Panamericano. " Um outro elemento que é próprio do cheque é o nome do beneficiário.
O nome do banco, o valor escrito por extenso, o nome do beneficiário. Nós temos aí, né: "Senor Abravanel. " Então, esses elementos são próprios do gênero cheque, né?
Então, como disse Markus: O que é um gênero textual? Gênero textual não é um meio de interação verbal, denominado socialmente. É um texto materializado, é um texto que vai apresentar uma estrutura, que tem um propósito, um conteúdo que tem uma finalidade, uma finalidade comunicativa.
Ok, bom. E o que levamos, então, em conta para nomear cada um dos gêneros acima? O que foi que nós levamos, então?
Nós levamos em conta a estrutura, nós levamos em conta o propósito comunicativo, ou seja, a finalidade com que o texto foi produzido. Nós levamos em conta o próprio conteúdo, né, a linguagem em si. Nós levamos em conta o meio de transmissão, o papel dos interlocutores: escritor, leitor, falante, ouvinte, e levamos também em conta o contexto situacional, né?
O contexto em que o texto foi produzido. Então, a denominação dos gêneros não se trata de uma invenção pessoal. Não sou eu que vou dizer: "Ah, o nome desse gênero é esse.
" Não, não é você que vai dizer: "Ah, esse texto tem esse nome. " Não é. Não se trata de uma invenção pessoal, mas de uma denominação histórica e socialmente constituída.
Então, embora a maioria tenha características de fácil reconhecimento, como bilhete, cheque, né, então é preciso considerar que os gêneros se imbricam. Quando olhamos um texto escrito em versos, nós vamos dizer: "Isso é um poema. " E não uma carta, e não um bilhete.
Então, o que nós levamos em conta para dizer que determinado texto é o gênero poema? A própria forma estrutural. O que nós levamos em conta para dizer que é um cheque?
A forma também estrutural do cheque. Outro critério: o propósito comunicativo, né? Então, nós sabemos que uma errata, um endereço, eles têm um propósito comunicativo.
A errata tem o propósito de corrigir, né, de retificar algum problema no texto, né, algum equívoco no texto, e o endereço, de informar a localização, né, de alguém, de um imóvel, enfim. Outro critério é o conteúdo. Por exemplo, se nós pegamos uma nota de compra, nós vamos saber que é uma nota de compra só pelo conteúdo, tá?
Então, nós pegamos aqui, vamos ao supermercado, fazemos uma lista para comprar, então é feijão, arroz, frutas, legumes. Então, quando nós olhamos essa lista, nós claramente vamos ter essa noção de que se trata do gênero nota. Ou melhor, eu fiz uma lista de compra, né?
Mas a nota de compra, que quando nós recebemos, nós compramos em determinada loja um produto, nós recebemos aquela notinha de compra, que também tem suas características e é completamente diferente de uma lista de compra, tá? Então, resumo de novela: como é que nós somos capazes de identificar o gênero através do conteúdo apresentado pelo texto? Um outro critério: meio de transmissão.
O telefonema, o telegrama, o e-mail, o e-mail. . .
É transmitido de uma forma completamente diferente, por um meio completamente diferente do telefonema, assim como o telegrama. Então, o próprio meio de transmissão da mensagem pode até ser o mesmo, mas o meio de transmissão faz dessa mensagem um gênero diferente, tá certo? O outro critério é o papel dos interlocutores.
Então, no exame oral, a autorização. . .
Então, qual é o papel do interlocutor? Dependendo do papel, nós vamos saber se é uma autorização, se é um pedido, né, se é um exame oral. E, por último, o contexto situacional: é uma conversa espontânea?
É uma carta pessoal? Então, o próprio contexto situacional vai determinar se o texto pertence a um gênero ou a outro, tá bom? Uma outra questão que precisa também ser abordada é sobre a transmutabilidade e a intergenericidade.
O que vem a ser isso? O que acontece? Os gêneros, né, eles não são… como eu disse, há um número muito grande de gêneros, e a evolução tecnológica, o avanço tecnológico, ele também é um fator determinante no surgimento de gêneros textuais.
Então, por exemplo, antes nós tínhamos a carta pessoal e a carta comercial, que são cartas, né? Mas o que acontece com esses gêneros textuais hoje? A comunicação se faz frequentemente por meio do e-mail.
E o que é o e-mail? O e-mail é um gênero textual que tem suas próprias características. Então, o que aconteceu com a carta pessoal e com a carta comercial?
Elas, né, caminharam, tá certo, para o e-mail. Então, essa forma, esse gênero que se apresenta com a função de outro gênero. .
. Então, veja que o e-mail é um gênero com características próprias, mas que tem a função de um outro gênero: a função, por exemplo, da carta pessoal, a função da carta comercial. Então, a carta comercial migrando.
. . a carta pessoal também migra para o e-mail.
Assim, o e-mail acaba apresentando a função de outros gêneros, como carta comercial e carta pessoal. Então, a esse fenômeno em que um gênero assume a função de outro dá-se o nome de transmutabilidade e intergenericidade, ok?