Olá pessoal hoje nós vamos dar continuidade a unidade 3 insurgentes negras e indígenas e hoje vamos dialogar com a Monalisa Carlos sobre as leis 10. 639 e 11645 doutorando a educação na Universidade Estadual de Campinas Monalisa Carmo é mestre em educação pela Universidade Federal de Viçosa e graduada em história pela mesma instituição ela foi professora da rede Municipal de Viçosa e professora substituta no departamento de educação licena da UFV é integrantes do lucro de estudos afro-bras de Viçosa vunerabe Viçosa e do grupo de Estudos em educação gênero e Raça ela esteve vinculada a universidade pedagógica de matuto e Moçambique para realização do Estado científico avançado nível doutoramento ela tem interesse por temáticas envolvendo educação para diversidade relações éticas e ações afirmativas seja bem-vindo ao professor Obrigada primeiramente eu gostaria de agradecer pelo convite né para participar e compor a construção dessa iniciativa que é tão importante eu fico muito feliz em ver que alguns passos estão sendo dados e são Passos orientados nessa legislação que nós vamos conversar agora né então fico muito feliz em poder contribuir de alguma forma nesse espaço formativo Então a gente vai para nossa primeira questão né de nossa entrevista professora Monalisa Quais foram os avanços no campo Educacional e social a partir da frente 13º 139 de 2003 e 11. 645 de 2008 então a lei das 1639 que torna obrigatório o ensino de história Cultura Africana e afro-brasileira ela é um uma grande conquista do movimento negro assim como a sua alteração né para ler 11.
645 em 2008 que é a partir que vem né a partir da demanda dos povos originais Então essa legislação ela possibilita a construção de uma outra narrativa acerca da história do Brasil então a medida que os desafios que enfrentamos com uma escola que diariamente mata né os conhecimentos indígenas e africanos a medida que nós nos deparamos com isso com essa formação que torna a Europa algo Central como base de conhecimento essas legislações elas caminham no sentido de uma contrapartida né de uma resposta de uma reivindicação de um lugar e um lugar contrário a todo esse movimento de apagamento Então o eurocentrismo que ainda sobrevive enquanto uma grande herança colonial né diante de uma legislação que vai nesse sentido contrário ela pode ser transformadora então nós nos deparamos com uma legislação que vem em Oposição a toda essa base de formação de conhecimento e reconhecimento do que é o próprio conhecimento né do que é legítimo de ser entendido como conhecimento Então essa legislação muito mais do que a possibilidade de alterar os currículos escolares ela reivindica esse espaço né Essa abertura para ouvir todas as outras vozes que também contam a história do Brasil e a partir dessa legislação os educadores educadores são tensionadas para rever suas práticas e podem ser questionados e até mesmo punidos pela não aplicação dessa legislação então isso exige um movimento e é o que temos observado ao longo de todos esses anos né são quase 20 anos de quase 20 anos que essa legislação ela tá em vigor e a escola ela está se movimentando mesmo que muito lentamente como a gente vem dialogar aqui né então hoje nós observamos a universidade construindo disciplinas como essa estudantes que questionam a ausência de relações étnico-raciais nas diferentes áreas de formação e isso é um grande avanço que não se fecha no campo Educacional né então da mesma forma como as ações sociais reivindicaram essa legislação a sua transformação Educacional a aplicação dessa legislação impacta também e gera uma transformação social e mesmo diante de todo esse silenciamento e impunidade mesmo que a gente vai observando né e vivenciando nós observamos alguns avanços que esses avanços mesmo que poucos né diante da Necessidade eles geram o impacto e eles também mostram o quanto ainda precisamos caminhar e o quanto isso é benéfico para toda a população brasileira né entendendo aí que conhecer a nossa história é fundamental para nossa sobrevivência e para o nosso fortalecimento enquanto o povo também né [Música] sim e a partir dessa dessa sua resposta é nós percebemos que o ensino de história e cultura afro-brasileira e Africana e indígena assim como a educação para as relações sétima faciais ainda estão a Passos muito lentos a serem concretizados efetivamente nas instituições de ensino é quais são os fatores que podemos relacionar essa realidade Olha sem sombras de dúvidas o racismo é o grande responsável por essa lentidão As instituições não querem se movimentar e romper com essa narrativa e é uma narrativa que privilegia as pessoas que estão nessas instituições ocupando espaços de poder Então hoje quase 20 anos após a aprovação dessa primeira lei né Essas instituições tem conhecimento sobre a urgência em se movimentarem existe existem grupos reivindicando isso reivindicando esse espaço mas ainda assim após 20 anos é esse processo é muito lento as instituições são formadas por sujeitas né então obviamente que esse racismo institucional ele também está fundamentado por essas pessoas e Eu sempre gosto de repetir né o tempo dessa legislação Porque por mais que a gente fique buscando ali né no fundo do baú é todas as ações que a gente vem conquistando E são muitas ações é quando a gente analisa o período a gente visualiza que ainda falta muito ainda precisa de muito não certamente né não se esperava que 20 anos após a aprovação dessa legislação estivéssemos aqui ainda conversando sobre a necessidade de aplicar ainda precisassemos de espaços tanto nas universidades quanto na educação básica para dizer que é necessário implementar essa legislação então é um intervalo de tempo muito longo e a gente precisa olhar para ele reconhecendo os avanços realizados mas exigindo mais avanços porque a demanda é muito grande né o intervalo de tempo para isso ele também aponta para essa necessidade né Com certeza e sobre o ensino superior e a educação básica Quais as afetações sobre as ausências da aplicação das leis das 639 11. 645 olha desde 2003 quantos profissionais foram formados sem ter um conhecimento básico sobre essa legislação Então a gente tem uma gama em todo Um percurso que aponta para essa relação entre o ensino superior e a educação básica na responsabilidade né de implementação dessa legislação ainda hoje nós enfrentamos grandes dificuldades para que ela seja aplicada na Educação Básica e muito disso parte da ausência no ensino superior se as vezes sem criaturas ainda hoje mantenha seus currículos eurocêntricos a gente vai perceber que fora das licenciaturas é a situação é ainda mais grave é quando eu penso as licenciaturas a gente tá aqui falando sobre espaço de formação de educadores e educadoras Então existe uma formação que não se baseia nessa diversidade racial que compõem a sociedade brasileira então toda essa juventude que concluiu a educação básica após 2003 e eu sou fruto dela somos fruto dela né chegou na universidade e saiu sem acesso essas mudanças curriculares Então hoje nós somos profissionais que se tivemos acesso a Tais debates é porque buscamos outros espaços formativos para assumir esse papel uma vez que muitas essas instituições que percorremos né ao longo de todo esse período não assumir esse compromisso da forma que era necessário assumir né e diante dessas afetações é quais são os possíveis Quais são os possíveis intervenções diante essas afetações Quais são as possíveis intervenções diante E deste contexto de ausências felizmente nós podemos acompanhar as constantes e crescentes mobilizações realizadas pelos movimentos sociais em todo esse processo Então esse tipo de intervenção eu entendo como fundamental eu mesma tive uma mudança curricular a partir desses espaços constituídos por pelos movimentos sociais reivindicados e construídos por esses movimentos então a aplicação da Lei 10. 639 e 11.