Os cristãos devem obedecer o Antigo Testamento? Essa é uma pergunta que a gente tá respondendo ao longo de vários vídeos aqui nesse canal. Hoje a gente vai falar especificamente sobre a carta de Paulo aos Gálatas.
Esse é um vídeo inteiro só sobre Gálatas. A gente vai falar só dele e do argumento do livro. Se você chegou aqui de para-quedas, não viu nenhum outro vídeo da nossa série, você pode assistir só esse vídeo.
Se quiser, assista ele inteiro primeiro e se isso lhe instigar, volta lá para assistir a nossa série inteira com todos os nossos vídeos sobre o relacionamento do cristão com o Antigo Testamento. A ideia aqui é simplesmente responder qual é o nosso relacionamento com o texto da antiga aliança. A gente segue o Antigo Testamento, não segue o Antigo Testamento.
Nos vídeos anteriores, eu argumentei que o nosso relacionamento com o Antigo Testamento é um relacionamento que tem características de continuidade e descontinuidade. E fiz uma crítica a uma série de tentativas de explicação desse relacionamento entre o antigo e o novo tachamento. Existe a ideia de uma lei tripartite, a ideia de que a gente segue só os 10 mandamentos e mais nada.
o argumento que ten estabelecido aqui, que é um argumento que provém de algumas correntes teológicas diferentes, como a teologia da nova aliança, como o luteranismo modificado, como o aliancismo progressivo e algumas outras correntes menores, de que o nosso relacionamento com a lei é totalmente descontínuo no que diz respeito ao seu aspecto normativo. Nada da lei é norma pra igreja, nem os 10 mandamentos, nada é norma. No entanto, ela toda é didática pra igreja, até nos seus detalhes aparentemente mais bobos, de coisas super específicas, de leis envolvendo questões cerimoniais e tudo isso serve didaticamente pra igreja.
Tenho argumentado acerca disso nos outros vídeos. Aqui a gente vai discutir especificamente uma coisa. O que é que o livro de Gálatas fala sobre o nosso relacionamento com a antiga aliança?
A gente vai ler vários textos, olhar vários comentários teológicos e encerrar essa série no vídeo de hoje. Se você ainda não fez isso, não deixa de se inscrever no canal e assinar as notificações para você ficar sabendo sempre que houver vídeo novo. Chegamos a 1 milhão de inscritos.
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[música] Vamos lá. A carta aos Gálatas, ela vai receber um vídeo especial, que é esse aqui, porque é uma carta muito voltada paraa temática que a gente tá discutindo aqui. A carta aos Gálatas é um tipo de manifesto pastoral em defesa do evangelho da graça.
É escrito por Paulo para as igrejas que estão sendo seduzidas por um tipo de cristianismo adulterado, onde a fé em Cristo era apresentada como insuficiente se não fosse acompanhada da observância da lei do Antigo Testamento. Desde as primeiras páginas, Gálatas é um dos textos mais urgentes de tudo que Paulo já escreveu. É a única carta que Paulo não elogia aqueles que ele critica.
E é uma carta que ele trata aqueles homens como indo para um outro evangelho, abandonando a salvação. E por isso Paulo escreve para proteger a liberdade que é conquistada por Cristo, reafirmar a justificação somente pela fé e mostrar que qualquer tentativa de dependência ainda da lei do Antigo Testamento como tipo de norma para a vida da igreja era uma forma de negar a vida da cruz. Então, Gálatas confronta o legalismo, expõe o perigo do moralismo que é travestido de de piedade, condena um tipo de relacionamento exageradamente contínuo com a lei do Antigo Testamento e convida a igreja a viver na liberdade do espírito, onde a obediência nasce da graça e não da lei.
O primeiro texto relevante paraa nossa discussão tá em Gálatas 3:17 a 19, que diz assim: "E digo isso, uma aliança já anteriormente confirmada por Deus não pode ser revogada pela lei, que veio 430 anos depois, a ponto de anular a promessa. Porque se a herança provém de lei, já não decorre de promessa, mas foi pela promessa que Deus a concedeu gratuitamente a Abraão, logo para que é a lei. Ela foi acrescentada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem se fez a promessa, e foi promulgada por meio de anjos pela mão de um mediador.
Ora, o mediador não é de um só, mas Deus é um só. Aqui a gente tem Paulo tratando sobre um tipo de descontinuidade já no Antigo Testamento, ele fala de uma descontinuidade entre a aliança abraâmica e a aliança mosaica. O argumento dele é que a aliança mosaica não pode revogar a aliança abraâmica, uma vez que a aliança mosaica veio 430 anos depois da aliança de Abraão, de modo que a aliança mosaica não veio para anular a promessa, porque a herança não provém da lei.
Se viesse da lei, não viria da promessa. Então, existe aqui um contraponto entre a promessa de Deus, um ato unilateral de fazer aquilo que ele deseja e a lei, que é a nossa resposta em obediência àquilo que Deus espera de nós. Então, para que que serve a lei?
É a pergunta que Paulo vai fazer aqui. Ele vai dizer que a lei primeiro é acrescentada. É a ideia de uma coisa que vem posteriormente, é um acrésco, que vem por causa do pecado, por causa das transgressões e foi promulgada de forma menor.
Foi por meio de anjos, não por meio do mediador que é Deus. Então ele trata já a lei aqui de uma forma muito interessante. O Nji Gupta no seu comentário de Gálatas vai dizer que Paulo trata a lei como se fosse uma influência externa, tentando minar, alterar ou substituir a aliança abraâmica, a fé ou promessa.
Ou mais propriamente, Paulo desconsidera qualquer entendimento da lei que a visse como substituta da aliança abraâmica. Paulo apresentou a aliança promissória abraâmica como mais permanente, mais fundamental do que a aliança mosaica. Dito de outra forma, a vida de Israel deveria ser mais dependente das promessas cheias do evangelho de Deus do que da expectativa de obras pactuais da lei.
Gupta vai dizer também que enquanto a maioria dos judeus da época de Paulo teria olhado pro Pentateuco como uma única história da formação de Israel, de Abraão, a Moisés e tudo mais, Paulo não olha o Antigo Testamento nesse olhar de tão profunda unidade, não. Ele vai criar uma distinção entre a promessa que se expressa em Abraão e a lei que se expressa em Moisés. Ele vai dizer que a lei não representa o o início do cumprimento das promessas de Deus a Abraão.
Na verdade, a lei seria uma espécie de interrupção dessas promessas. Paulo tá argumentando que a lei não foi de forma nenhuma um tipo de melhoria da aliança abraâmica ou um tipo de substituição da aliança abraâmica. Pelo contrário, veio adicionada posteriormente, promulgada por meio de anjos, não por meio do mediador, que seria Deus.
exclusivamente por causa da transgressão e do pecado. Ou seja, é muito provável quando Paulo diz no verso 19, "Por causa das transgressões, o que ele quer dizer é que a lei de Moisés foi, na verdade uma medida temporária para conter o pecado. Até quando?
até que o Messias transformasse o seu povo. Ou seja, quando Paulo escreve isso aqui, ele tá mostrando a inferioridade e o estatus secundário da lei mosaica em comparação com a promessa em Abraão e com o cumprimento em Cristo. A lei cumpria uma função, era tentar conter o pecado.
Qual foi o efeito? Foi escravizar os homens no caminho do pecado. Porque a lei é má?
Não, porque os homens são maus. Mas a lei não era capaz de resolver isso. O que é que resolve isso?
o cumprimento em Cristo da promessa a Abraão. Até mesmo o Rider Boss, não é, no seu comentário de Gálatas, vai dizer o seguinte, uma sensação muito poderosa, ele diz assim, ó, a lei, ao contrário da promessa, não veio diretamente de Deus para o povo, mas por intermédio de anjos. E até mesmo estes novamente a proclamaram através do serviço de um mediador humano, a saber Moisés.
Paulo não está se opondo à lei como tal, cuja santidade e origem divina ele reconhece plenamente, mas ele vê na maneira como a lei foi comunicada uma confirmação adicional do fato de que a salvação não vem por meio da lei, mas por meio das promessas. A lei é certamente de Deus, mas o poder para guardá-la não foi dado junto com ela. Deus fez o homem transmitir a lei, mas ele próprio não vem com a lei para efetuar obediência a ela.
Isto é deixado a homem. É por isso que a lei não pode redimir o homem. Gálata já se inicia dando pra gente uma visão que encapsula a lei mosaica como um parêntese nessa história de promessa e cumprimento.
Alguns dispensacionalistas mais tradicionais, mais clássicos vão argumentar que a igreja é um parêntese na história da salvação. Mas lendo Gálatas dessa forma, a aliança mosaica foi um parêntese na história da salvação. A promessa abraâmica e o cumprimento em Cristo sobrepõe completamente o papel da aliança mosaica.
Agora, o texto de Gálatas 3:17 19 tem um detalhe também aqui muito poderoso. Quando Paulo argumenta que a lei veio 430 anos depois da promessa a Abraão, a fim de estabelecer que a promessa messiânica se cumpre por meio da promessa abraâmica e não pela lei mosaica, ele diz o seguinte no verso 19: "Logo, para que é a lei? Foi ordenada por causa das transgressões até que viesse a posteridade a quem a promessa tinha sido feita?
" Ou seja, a lei dura até o cumprimento da promessa que se dá na vinda de Cristo. Aqui ele tá falando diretamente da lei mosaica. E veja, os 10 mandamentos é lei mosaica.
Os 10 mandamentos foram transmitidos por Moisés, tá dentro da aliança mosaica. Os 10 mandamentos não são exceção ao que Paulo tá dizendo aqui. O texto de Gálatas 3: 1719 trata a lei como a unidade, o contraste entre Abraão, Cristo e Moisés.
Não existe nenhuma exceção aqui aos aspectos mosaicos da antiga aliança que incluem os 10 mandamentos. Então, para que é a lei? A lei existe por causa do pecado.
E ela existe até que existe o momento em que a lei deixa de servir, deixa de ser uma ordem até que viesse a posteridade a quem a promessa tinha sido feita. No caso, a lei mosaica tem uma função até a vinda de Jesus. Após a vinda de Jesus, ela deixa de ser ordenada a nós.
Agora, um pouco mais à frente, no mesmo capítulo que a gente leu do 17 ao 19, indo do 23 ao 27, Paulo vai deixar isso mais claro ainda, argumentando que a lei só serve até que venha a fé que seria revelada em Cristo, aprofundando ainda mais esse argumento de que a lei tem um aspecto temporal. No verso 23 em diante, ele fala assim: "Mas antes que viesse a fé, aqui vir a fé é uma referência à vinda de Cristo Jesus, estávamos sob a tutela da lei e nela encerrados aqui falando de toda a aliança mosaica, inclui os 10 mandamentos. tudo aquilo que tá vindo a partir de Moisés para essa fé que no futuro haveria de ser revelada, de maneira que a lei se tornou o nosso guardião para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados pela fé.
Mas agora que veio a fé, que veio Jesus, já não permanecemos subordinados ao guardião. Quem era o guardião? A lei que existia para quê?
Para nos conduzir até Cristo. Agora que Cristo veio, já não estamos mais debaixo dessa lei, pois todos vocês são filhos de Deus, mediante a fé em Cristo Jesus. Porque todos vocês que foram batizados em Cristo, de Cristo se revestiram.
Então a lei tem uma função temporal, funciona até Cristo vir, Cristo veio. Não precisamos mais da lei. A lei era um guardião até que esse momento acontecesse.
Esse momento já aconteceu. Não estamos mais subordinados a ela. Lembrando que aqui dentro do contexto que a gente leu nos versículos anteriores, ele está falando de toda a lei mosaica, tudo aquilo que Moisés foi o mediador para trazer a gente.
O que inclui os 10 mandamentos. Meu professor Romblo Monteiro foi meu professor no mestrado em teologia. Ele diz três coisas sobre esse texto aqui.
Ele diz que primeiro o contexto de Gálatas claramente é histórico e ou temporal. Paulo faz referência a três estágios na história da salvação. A promessa Abraão, a lei de Moisés e a fé em Cristo.
Paulo não está falando da experiência do indivíduo, mas da função da lei na história do povo de Deus. A nuança pessoal que isso possa trazer não é o foco de Paulo. Seu foco é corporativo.
Provavelmente a palavra nosso faz referência a Paulo e a seus patrícios judeus e não a Paulo, a seus irmãos da Galáxia. Os versos 23 e 25, ou seja, o contexto imediato também traz elementos temporais antes que viesse a lei e tendo vindo. Ou seja, Paulo está falando dessa história da salvação, não da vida pessoal da pessoa, porque muitos leêem esse texto assim, não.
Ele tá falando sobre a nossa vida. A gente precisa da lei até encontrar Jesus. Então, eu não vivo debaixo da fé.
Eu sou um descrente e aí quando eu encontro a fé em Jesus eu não preciso mais da lei. Aí só preciso Não é disso que ele tá falando. Ele não tá falando da vida pessoal do indivíduo, mas da história da revelação.
Em segundo lugar, e aqui a gente entra um pouco no grego, a preposição pode ser traduzida por envolver objetivo ou lugar em direção a para. Pode ser um marcador de grau, um marcador de objetivo envolvendo aspectos afetivos ou abstratos. Pode ser um marcador de ponto de referência, pode estar ligado a tempo, a até em.
E como todo o contexto geral imediato é histórico ou temporal, a melhor tradução seria até ao invés de nos conduzir. O NTLH e a NVI tendem assim quando traduzem: "A lei ficou tomando conta de nós até que Cristo viesse". O que é uma percepção muito clara sobre o aspecto temporal.
É só até aquele momento. A lei, então, não tem função como ordenança, como mandamento depois disso, uma vez que Cristo já veio. Em terceiro lugar, a palavra que a gente traduziu aqui por guardião é traduzido em outros lugares como guia, como líder, não é?
Aí a palavra grega pedidagogos de onde vem pedagogo. O Rômulo Monteiro, citando aqui o Douglas M, o Douglas Mo inclusive foi meu professor de mestrado também, ele vai argumentar que Pedagogo era alguém que tomava conta da criança, uma babá. E por isso a preferência do Kenner e do Vincent em traduzir pai da Goggos como guardião.
Sua função está ligada à custódia e à disciplina e não à educação ou instrução. Esse é o modo como o pai da Gogos é usado, por exemplo, em Platão, em Sócrates e Aristóteles e tal. Ou seja, a função da lei aqui na passagem era a função de um governador de meninos durante o seu período de imaturidade.
Era função que alguns escravos cumpriam e que era tratado na cultura grega como papel de alguém que era até opressor, né? Pedagogo hoje é um professor de criança. Ah, pedagoga, coisa linda.
Ela é pedagoga, tem jeito com criança. Dentro da cultura grega, a ideia de um pedagogo era o papel de um escravo que era duro, era severo com seus alunos. Ou seja, a função que é atribuída aqui à lei não é a função de alguém que tá dando educação gradual, formativa, positiva, mas sim alguém tá trazendo um tipo de opressão.
Até quem vai aguentar assim é o Rio de Boss, quando ele diz que a lei torna o homem insatisfeito, de modo que a lei impele a Cristo para que possamos então ser livres dela, emancipados da impotência e da maldição que é gerada por esse pedagogo, né, por essa lei. Ou seja, Paulo tá dizendo pra gente que a lei tanto guardava quanto disciplinava, tanto ensinava quanto oprimia, em certo sentido, aqueles que viviam, não é, debaixo dela. A lei não vinha para libertar ninguém, vinha para apontar pro libertador que viria.
Ou seja, Paulo está rebaixando o Antigo Testamento, a Torá, a lei mosaica, a um a um mero pedagogo, alguém como o Jerônimo, não é, já no período primitivo argumentava, que era responsável apenas para refrear paixões e frivolidades juvenis até que a maturidade viesse. Maturidade essa que se expressava em Cristo Jesus por meio do poder do Espírito Santo. Depois que a maturidade vinha, você não precisava mais de um pedagogo.
Ou seja, tentar voltar a uma obediência ao Antigo Testamento, olhar para as leis cerimoniais judaicas, leis alimentares judaicas, leis havendo guardas de dias do Antigo Testamento, é ser um adulto que ainda precisa de babá. É você ser um adulto. Você é um adulto, já plenamente formado, mas você precisa ainda de uma babá que lhe ponha para dormir, de uma babá que lhe dê a sua roupinha, de uma babá que lhe vista, que lhe dê a mamadeira.
Essa é a linguagem que Paulo tá tá apresentando aqui. Você é um homem adulto. Por que é que você tá voltando a precisar de um de um guardião, de um de um pedagogo, de uma babá que cuide de você?
Isso é próprio das crianças. Vocês cresceram. Vocês não deveriam voltar para isso.
É assim que Paulo trata a lei mosaica na sua epístola, no capítulo 3. Agora, quando a gente chega no capítulo 4ro, Paulo entra, não é, argumentando a mesma coisa ainda nesse aspecto não apenas temporal, mas também de escravização da lei mosaica, a partir do versículo um, ele vai dizer: "Digo, porém, o seguinte: durante o tempo em que o herdeiro é menor de idade, em nada difere de um escravo, mesmo sendo senhor de tudo, mas está sob tutores e cuidadores até o tempo prédeterminado pelo pai". Assim também nós quando éramos menores estávamos escravizados aos rudimentos do mundo.
A gente olha isso e diz: "Ah, ele tá falando da nossa escravização ao pecado". Não tá falando da nossa escravidão a lei verso 4 diz: "Mas quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu filho nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei". Deixa eu começar dizendo o seguinte.
Muitos leem Gálatas e muitos que estão me ouvindo aqui, ó, já tô vendo já o pessoal dizendo: "Não, Igo, Gálatas está falando sobre a maldição da lei. " Ele tá falando contra o legalismo, tá falando sobre a maldição que o Antigo Testamento traz sobre as pessoas. O que é que o texto tá dizendo?
Que Jesus Cristo nasceu sob a lei. O que é estar sobre a lei? está debaixo da necessidade de obedecer a lei.
É isso. Está debaixo da necessidade de obedecer a lei. Porque se fosse sobre a maldição da lei, Jesus não foi amaldiçoado pela lei, porque ele não descumpriu a lei.
Ele obedeceu a lei plenamente. Então, se Jesus nasceu sob a lei, o que é que significa estar sob a lei em Gálatas? É estar sujeito à obediência da lei como a norma.
Então, ele nasceu sob a lei para quê? Para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêsemos a adoção de filhos. Então, estar debaixo da obediência da lei é ser criança, é ser escravo, é estar debaixo dos rudimentos do mundo.
Enquanto está em Jesus é ser resgatado disso. E ele vai dizer no verso seis, e porque vocês são filhos, Deus enviou o espírito de seu filho ao nosso coração. E esse espírito clama: "Aba, pai, assim você já não é mais escravo.
Você não segue mais o Antigo Testamento. Você não vive mais na lei judaica. A lei judaica te escraviza.
Jesus te liberta para filiação, porém filho. E sendo filho também herdeiro por Deus". Há um contraste muito claro aqui, não é?
em que enquanto a lei é uma autoridade externa, o espírito é enviado aos nossos corações. Essa morada plena do Espírito Santo, que é um dom da nova aliança, não foi alcançada por meio da lei. É esse espírito que clama aba pai, um tipo de de recebimento interno de filiação que a lei não podia conceder.
Ou seja, a nova aliança muda o status do crente. Ao deixar de estar sob a lei para receber o espírito, o crente está em um novo tipo de relacionamento com Deus, um relacionamento mais íntimo. A nova aliança aprofunda aquilo que a antiga aliança preconizava.
E assim nós não estamos mais sob a lei. Isso não quer dizer que não existem regras, mas que por termos um pai nós não precisamos mais de tutor. Crianças órfã precisam de um tutor em uma casa de adoção.
E ali elas aprendem algumas normas de convivência, alguns princípios individuais, mas quando são adotados não precisam mais serem chamados de órfãos, não segue mais as regras do orfanato. Agora eles têm pai, tem mãe, são filhos. O antigo modelo façou, eles não voltam para as regras do orfanato.
Agora eles vivem novo tipo de relacionamento baseado, acima de tudo, no amor. Um pouco mais à frente, ainda no mesmo capítulo, ele vai dizer: "Mas agora que vocês conhecem a Deus, ou melhor, agora que vocês são conhecidos por Deus, como é que vocês estão voltando outra vez aos rudimentos, fracos e pobres? " É assim que ele trata a aliança mosaica.
São rudimentos, são coisas introdutórias, são fracas, são pobres, aos quais de novo querem servir como escravos. Vocês guardam dias, meses, tempos e anos. receio que o meu trabalho por vocês tenha sido em vão.
Paulo trata a guarda de dias como rudimento fraco e pobre, típico da escravidão da antiga aliança. Eu sei que meus amigos adventistas vão olhar para isso aqui e vão tentar se defender dizendo: "Não, Iago, ele tá falando não do sábado, que é uma vez por semana, mas de outros sábados, outras guardas de dias". Mas não existe nenhuma divisão no livro de Gálatas acerca de elementos da lei.
Toda a lei mosaica é tratada como uma unidade. Se Paulo queria tratar o sábado como uma coisa particular, por que que ele não fala disso em nenhum momento no livro de Gálatas? Por que que ele trata toda a aliança mosaica como unidade?
Não tem como escapar disso aqui. Então ele começa o capítulo seguinte, dizendo: "Para liberdade foi que Cristo nos libertou. Por isso, permaneçam firmes, não se submetam de novo a julgo de escravidão.
Não volta a cumprir as leis da antiga aliança. Não tem que guardar sábado, não. Não tem que deixar de comer comida impura.
Isso é julgo de escravidão, não tem que voltar para isso. Eu, Paulo, lhes digo que se vocês se deixarem circuncidar, Cristo não terá valor nenhum para vocês. De novo, testifico a todo homem que se deixa circuncidar que o mesmo está obrigado a guardar toda a lei.
Vê só o ponto de Paulo aqui. Paulo está tratando a lei como uma unidade. Você quer cumprir parte da lei, então você vai cumprir a lei inteira.
Por que que você tá cumprindo uma parte da lei? Aceitando a circuncisão, aceitando algumas partes da antiga aliança? Não, não, não.
Você quer seguir a antiga aliança? Pois siga toda. O ponto de Paulo é uma crítica direta à aqueles que querem escolher parte da aliança mosaica para cumprir.
Eu vou cumprir essa parte, não cumpro essa parte. Eu guardo o sábado porque tá no 10 mandamentos da aliança mosaica, mas eu não sigo as leis envolvendo tercido porque isso não, isso ficou para trás. Eu sigo as leis dietéticas da antiga aliança.
Ah, mas eu não sigo as leis civis da antiga aliança. O que Paulo tá dizendo é: "Você quer seguir parte da lei, querido? Então você vai seguir a lei inteira.
Siga tudo. Que que você tá escolhendo parte da lei para seguir? Se Cristo te libertou da lei toda.
Você quer circuncidar, quer fazer parte da antiga aliança, então você está obrigado a guardara inteira. Vocês que procuram justificar-se pela lei estão separados de Cristo. Vocês caíram da graça de Deus.
Porque nós, pelo Espírito aguardamos a esperança da justiça que provém da fé. Porque em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão tem valor algum, mas a fé que atua pelo amor. Porque vocês, irmãos, foram chamados à liberdade, mas não usem a liberdade para dar ocasião à carne.
Pelo contrário, sejam servos uns dos outros pelo amor, porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber, ame o seu próximo coma você mesmo. Como é que a gente cumpre a lei? amando, porque essa é a epítame do que Cristo veio expressar.
A gente não volta aos ditames, à regras da antiga aliança. A gente segue o princípio básico que se expressa por meio de Cristo, que é o amor ao próximo. Não tem por voltar à escravidão do Antigo Testamento.
Cristo nos libertou disso. Por isso que ele diz no verso 18: "Mas se são guiados pelo Espírito, vocês não estão debaixo da lei. " Se vocês são guiados pelo Espírito Santo, eles não estão debaixo da lei.
Não estão mais debaixo da lei. O que é estar debaixo da lei? É estar debaixo da necessidade de obediência à lei do Antigo Testamento.
Como Jesus veio alguém que estava debaixo da lei, então nos liberta para que não estejamos mais. Qual é o argumento comum dos meus amigos aliancistas mais clássicos, mais tradicionais com relação a isso? O Herman Hiderboss na obra Paul An Outline of His Theology vai afirmar que o crente não tá mais sob a lei de Moisés em relação à sua função condenatória, mas está sobre a lei em relação à sua função de orientação, o que é um argumento que não subsiste, considerando que o texto vai dizer que Jesus nasceu sob a lei.
Então Jesus nasceu debaixo da condenação da lei? Claro que não. Então essa essa divisão que ele tenta propor o texto não condiz com que tá escrito no texto.
Já o Richard Gffing no livro By Faith, Not by Side, vai argumentar que a lei em sua codificação específica no Sinai foi posta a termo em sua totalidade por Cristo em sua vinda. Mas o núcleo moral da lei mosaica especifica imperativos que transcendem a economia mosaica. Aí o GFIN esclarece dizendo o seguinte, que em seus mandamentos centrais, a lei dada no Sinai, notavelmente aqui os 10 mandamentos, o decálogo, revela a vontade de Deus como o que é inerente em sua pessoa.
Portanto, é o que se incube à suas criaturas feitas conforme a sua imagem, independente do tempo, do lugar, seja judeu, seja não judeu. A leitura do GF entende justamente a falha de não conseguir lidar com o modo como Paulo estabelece a temporalidade de toda a aliança mosaica, incluindo os 10 mandamentos no seu texto de Gálatas. O Jason Meer, no capítulo A lei mosaica, os sistemas teológicos e a Glória de Cristo, no livro Aliancismo Progressivo, ele vai dizer que o problema com essa visão aqui, criticando esses autores, não é o que ela afirma, mas o que ela nega.
Certamente, a libertação da lei significa que o crente foi liberto da penalidade de condenação que a lei nos traz em termos de sua capacidade de amaldiçoar e condenar. Mas é incorreto dizer que Paulo restringe a expressão sobre a lei apenas a sua função condenatória. E aí aqui ele vai citar o Douglas Mu no artigo The Law of Moses or the Law of Christ.
mudar o que talvez seja a melhor resposta a essa linha de raciocínio. O problema é que o contexto desses textos não pode restringir-se à pena do pecado através da lei, porque Paulo enfatiza a libertação do poder do pecado através da lei. O contexto é o rei nessa interpretação.
Ou seja, o livro de Gálatas nos dá uma base muito profunda e muito coerente com tudo aquilo que a gente já viu nos outros vídeos para entendermos que o nosso relacionamento com a antiga aliança, com a aliança mosaica especificamente, é um relacionamento de profunda descontinuidade. Nós não seguimos o antigo tachamento mais em sentido de norma, apenas como princípios didáticos que a gente aplica na nossa vida. Deixa eu levantar aqui alguns pontos conclusivos que eu sei que vocês vão levantar só para amarrar algumas coisas, talvez possa ter ficado um pouco soltas aí ao longo dessa série.
Você pode colocar agora aqui Iago, mas sem a lei, sem o antigo tá cham, sem a lei mosaica, só sobra o pecado. Se não houver, ó, escrito lá, tipo um vado, pode isso, não pode aquilo, pode isso, não pode aquilo. Não existe mais santidade, obediência, nada.
Calma, capitão. Paulo já tratou isso em Romanos capítulo 6. Ele diz o seguinte: "Da mesma forma, considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus.
Portanto, não permitam que o pecado continue dominando os seus corpos mortais, fazendo que vocês obedeçam seus desejos. Não ofereçam os membros dos seus corpos ao pecado como instrumentos de injustiça, antes forneçam-se a Deus como quem voltou da morte para a vida e ofereçam os membros dos seus corpos a ele como instrumentos de justiça. " Aí ele vai dizer, verso 14, "Pois o pecado não os dominará, porque vocês não estão debaixo da lei, mas debaixo da graça.
" Ou seja, o ponto de Paulo é: é justamente porque não estamos mais debaixo da lei mosaica. O mesmo Paulo que vai usar a expressão em Gálatas está sobre a lei para falar da questão de ter que obedecer a lei, vai dizer que é porque não estamos mais em obediência à lei, mais debaixo da graça que a gente não é mais dominado pelo pecado. Verso 15 vai dizer: "E então vamos pecar porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça de maneira nenhuma".
Não sabem que quando vocês oferecem a alguém para lhe obedecer como escravos, tornam-se escravos daquele a quem obedecem? Escravos do pecado que leva à morte ou da obediência que leva à justiça? Mas graças a Deus, porque embora vocês tenham sido escravos do pecado, aqui ele tá falando do nosso momento debaixo da lei.
Debaixo da lei, nós éramos escravos do pecado. Passaram a obedecer de coração a forma de ensino que lhes foi transmitida. Foram libertados do pecado e tornaram-se escravos da justiça, que agora seguimos.
Aí você também pode dizer: "Ah, não, Iago, mas Iago, você não tá entendendo. E tem que ter a regra, Iago. Tem que ter a regrinha.
Como? Então, beleza, não estou mais escravo do pecado. Como é que eu vou saber o que é pecado se não tiver dito lá claramente a mais b, o que pode, o que não pode?
Se eu ficar só com as leis do Novo Testamento, eu não tenho o suficiente para criar um sistema ético e moral pra vida de forma ampla. Eu vou dizer: "Não, certo? " Não.
Se você lê o Novo Tchamento e exclusivamente o Novo Tchamento, você já tem uma série de princípios morais e éticos, o bastante, para balizar toda uma vida cristã. Agora, isso não significa que a gente também não tem ética, comportamento público, certo e errado a partir da antiga aliança, não. Nós podemos voltar à aliança mosaica e também encontrar ali princípios didáticos para nossa vida ética.
Como é que Cristo usou a lei no Sermão do Monte? Ele não olhou pra lei como norma, ele olhou pra lei como princípios balizadores que foram aprofundados por ele para que a gente possa viver uma vida cristã muito mais profunda e muito mais madura. Se você quiser saber como é que a gente lê com o sermão do monte, vai no nosso vídeo que a gente avalia o texto de Mateus 5 e todo o discurso de Jesus ali sobre ele não vir, não é, revogar ali os profetas.
Tem um vídeo inteiro só sobre isso e que a gente mostra como é que Jesus usa o sermão do monte, como é que ele aprofunda a visão da lei. Se a gente olha pros textos de Paulo, Paulo usa o Antigo Testamento para balizar moralmente muito do comportamento da igreja, mas ele o faz não olhando pra lei de forma normativa, porque a lei era normativa pro povo judeu, mas de forma didática para servir a igreja, seguindo um princípio moral superior de equidade. A lei é vista por Paulo pelo filtro de Jesus e os princípios morais são aplicados.
Vê primeira Coríntios 9:8, em que ele vai citar a lei sobre não amarrar a boca do boi enquanto ele pisa o trigo como base ética para falar sobre salário de pastores. Vê só que texto intrigante. Em primeiro Coríntios 9:8, ele vai dizer assim, ó: "Será que eu digo isto apenas como homem?
Não é verdade que a lei também o diz? Porque na lei de Moisés está escrito: "Não amarre a boca do boi quando ele pisa o trigo". Aí olha só o que ele diz aqui, ó.
Por acaso Deus está preocupado com bois? Segundo Paulo, Deus escreveu no Antigo Testamento, por meio de Moisés uma lei sobre bois, sem estar preocupado com boi. Como que ele tava preocupado?
Então ele vai dizer, é claro que é por nossa causa que isso está escrito. Ou seja, a lei do Antigo Testamento e seu sentido normativo, que era uma lei sobre boi para os judeus, não foi escrita pensando em boi para judeu, foi escrita pensando em uma aplicação moral muito superior que viria para nós a nova aliança. É claro que é por nossa causa que está escrito: "Pois quem lavra deve fazê-lo com a esperança e o que colhe deve fazê-lo na esperança receber a parte que lhe é devida".
Paulo não tá preocupado com a norma judaica, mas com o princípio moral que se aplica em um contexto de nova aliança. Por isso que nós seguimos a lei de Cristo. O Novo Testamento fala muito comumente sobre a lei de Cristo em contraste com a lei de Moisés.
Gálatas 6:2 afirma: "Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo. " A lei de Cristo é uma nova expressão da lei que se dá exclusivamente na nova aliança. É a lei de Cristo que Paulo afirma que está sujeito em Primeiro Coríntios 9:21.
e pode ser entendida como associada ao princípio do amor. Em Gálatas 5:14, ao próprio ministério do espírito. Em Gálatas 5:16 a 26.
Em primeiro Coríntios 9:21, Paulo é muito claro quando ele fala que nós não estamos sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo, criando um contraste com a lei mosaic. Nós não estamos sem lei. Seguimos a lei de Jesus por meio do amor, através de uma aplicação da lei do Antigo Testamento, por meio de Jesus, não como norma, mas como princípio.
Como diz o Douglas MU, a lei de Moisés é indiretamente aplicável a nós através do cumprimento dessa lei em Cristo e de sua lei. A lei de Moisés não se aplica mais diretamente, apenas indiretamente por meio de Cristo. Para concluir, toda essa série de vídeos faz uma citação do meu professor Romblo Monteiro, quando ele diz: "A lei em algum sentido foi abolida na comunidade cristã".
Há vários elementos temporais atrelados à lei. Realmente, na forma escrita, as leis de Moisés foram claramente temporais, visto que são impraticáveis em outras realidades, devido ao clima, a cultura, a cultura religiosa, já que muito das regras instituídas aos levitas está diretamente ligada aos povos vizinhos. A estrutura governamental da igreja ser totalmente diferente de Israel, que era uma nação, como leis relacionadas aos reis, à cidades refúgio, ao tratamento dado aos prisioneiros de guerra, etc.
A negação categórica do novo Tchamento no tocante, a descontinuidade do culto sacerdotal. Como a lei é um todo, não podemos pensar que somente a lei sacrificial ou cerimonial foi abolida. Não existe essa lei.
Existe uma única lei, a lei de Moisés. Lei essa que nós não seguimos como norma, apenas como princípio. Aqui a gente encerra essa nossa série sobre o nosso relacionamento com o Antigo Testamento.
Se você não viu os outros vídeos, por favor, vá lá, vá assisti-los e deixa aqui o seu comentário. O que é que você achou disso tudo? Essa série já gerou vídeo, resposta aí de um monte de gente.
Eu não quis assistir nenhum para poder fazer essa série de forma como eu tinha planejado. E quem sabe agora eu começo aí a levantar os questionamentos de vocês, ler os comentários, ver os vídeos, respostas, fazer um vídeo completo aí só para arrematar, quem sabe, as perguntas que ficaram. Então deixa suas perguntas sobre a questão da lei, relacionamento com antiga aliança para que a gente possa construir mais desse saber teológico aqui com vocês.
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