s eu sou Aline Costa Eu Sou professora de Filosofia na puque Rio sou também pesquisadora independente da pph associação de pesquisas e práticas em humanidades e sou também uma das coordenadoras junto com Fernando Silvio Silva da coleção desnaturadas né para Editora Bazar do tempo que tá lançando agora em setembro de 2023 o livro uma outra ciência possível dessa filósofa belga contemporânea tão importante que se chama Isabele stanger e que eu vou apresentar um pouquinho aqui do trabalho para vocês né então a sangers tem uma uma formação e Um percurso intelectual interessante né ela tem uma
formação sólida em química né E ela mesma diz né que para Além do fato dela não ter muita habilidade com as mãos para fazer Os experimentos ela sentia falta de espaço ali na sua formação de pesquisadora para colocar perguntas importantes sobre a própria prática científica né E sobre as consequências que essas práticas científicas que as descobertas científicas podiam ter no mundo né quando elas saem do laboratório né então a stanger eh por uma série de de de de acasos também ela acaba eh tendo contato com pensamento de filósofos como eh Sobretudo o Alfred whitehead né
e o jiles de né que são eh pensadores que influenciam muito a maneira como gueras coloca questões né também vale mencionar eh a importância do willam prigogine que foi seu professor de da química né e com quem a stanger escreveu alguns livros livros o prigogine convidou a stanger para frequentar o seu laboratório né então a stanger fala ela se torna uma filósofa mas ela não deixa de se interessar por ciência né ela só apenas encontra na filosofia um espaço para fabricar suas próprias perguntas e perguntas que pensem a vínculos da prática científica com o mundo
né maneiras de maneiras como a própria ciência intervém no mundo para além de um discurso de uma mera descoberta né de de verdades que já estavam ali que meramente foram eh desvendadas pela ciência ou e sobretudo para além de uma narrativa que embala a ciência num discurso de progresso de né de uma marcha linear da racionalidade a sang gueras é bastante desconfiada desse tipo de narrativa né de questões imperativas que colocam alternativas né ou a ciência enquanto única prática de verdade do mundo Ou vamos eh eh resvalar no obscurantismo né não tem não temos mais
não teremos mais fundamento algum on de buscar a verdade né Então essa nanger tem bastante cuidado e problematiza muito tematiza muito na sua obra essas né eh essas narrativas ligadas à Ciência essas questões imperativas que se colocam de forma consensual como se a gente não pudesse hesitar diante dessas eh desse modo como a ciência se apresenta no mundo né ela tem interesse então em colocar uma história que a gente poderia dizer problemática das ciências né en contar uma história problemática em que a ciência não seja tratada com como né uma mera ferramenta de de evolução
da nossa racionalidade né mas ao fazer isso a contar essa história problemática das ciências o interesse dela não é desqualificar a prática científica ao contrário é torná-la uma prática mais eh mostrar oferecer uma descrição mais realista de como é que a ciência realmente opera no mundo e torná-la assim uma prática mais conectada com as consequências né dessa dessa produção né no mundo né Para aqueles que vão sofrer é justamente os efeitos daquilo que é desvendado descoberto inventado dentro do laboratório né então a posição das tanguer an das ciências ela não é nem crítica de denúncia
né como se não houvesse mais n não houvesse nada a se Celebrar na na na na prática científica mas também não há nas tangueras uma aceitação ingênua né como se eh para né como se eh pudéssemos eh subscrever essa narrativa de uma ciência meramente desinteressada objetiva distante né não se trata disso para sangers Há Uma Aventura na prática científica a ciência se trata de uma aventura né que permite a produção de novidade no mundo né E essa novidade não é da Ordem do estava lá e meramente foi descoberto né e a essa essa produção a
produção científica a prática científica envolve exigências e obrigações muito rigorosas que quando atendidas permitem que a realidade mostre uma faceta que a gente ainda não conhecia né então e essa novidade esse novo vínculo que se estabelece ele precisa ser celebrado né ele não é algo meramente esperado né ele precisa ser celebrado cuidado né os fatos precisam então Eh de uma série de atender uma série de exigências para se sustentar eles não estavam lá pairando esperando meramente o cientista desvendá-los né Essa é a própria mágica que que a stanger diz isso não tem nada a ver
essa produção de novidade do mundo não precisa eh lança a mão né daqueles daquelas oposições que desqualificam outros modos de produção de conhecimento e outros saberes né então stanger ela recusa veementemente eh para celebrar a mágica da ciência ela recusa veementemente aquela oposição fato versus crença fato versus opinião há outros modos de investigar o valor de práticas outras que científicas que não passem meramente por essa eh essa referência essa indexação ao único modo possível de produzir de falar alguma coisa sobre o mundo né então vai dizer beleza é importante a gente lembrar que os fatos
devem resistir a objeções para se sustentar né um fato confiável é aquele que resisti a uma série de objeções que permitem dizer bom isso aqui é um fato que não depende da subjetividade do cientista né Essa é digamos é o a característica de sucesso de um objeto científico né mas para Além disso os fatos capazes de de resistir a objeções fora do laboratório fora do Meio onde eles são né cultivados né Será que as ciências podem aceitar as objeções né ou acolher as angústias acolher o interesse daqueles que vão sofrer as consequências né daquilo que
foi descoberto né então será que a ciência Pode admitir que a sociedade tenha algo a dizer sobre a sua prática e com isso que ess os cientistas podem reorientar suas decisões suas escolhas a partir dessas indagações dessas objeções dessas angústias né isso tornaria a ciência uma prática um pouco mais conectada com as questões que realmente eh incidem no mundo né então há uma uma uma uma um componente uma uma visão uma perspectiva política muito importante sobre o que que é a prática científica que também eh conecta ou a permite a gente entrar num conceito importante
difícil de de de resumir mas eh que eu vou tentar pelo menos trazer aqui para vocês um um dos aspectos eh eh talvez mais cruciais que é o conceito de cosmopolítica que é um pouco essa aposta especulativa da tangers ela diz uma pensadora especulativa ou seja ela aposta com possibilidades para além das probabilidades né Será que a ciência poderia eh coexistir melhor com outras práticas Será que em vez dessa oposição fato versus opinião fato versus crença da qual a ciência se Valeu por tanto tempo para se impor impor sua autoridade Será que em vez dessas
oposições a gente pode pensar a relação das ciências com outras práticas por meio de contrastes entre divergências legítimas contrastes e não necessariamente oposições né então um aspecto importante da da proposta da stang e política que ela faz por meio desse conceito de cosmopolítica né e eh traz em si também essa eh proposta essa aposta de que a ciência de que a política a ciência prática política possa se manter aberta a outras exigências e outras obrigações que não as do Consenso da deliberação então cosmopolítica é também um chamado para que a gente desacelere as nossas conclusões
diante da possibilidade de que outros saberes outras práticas Outros Mundos possam ser destruídos né quando a gente vai com muita sede para afirmar só H esse modo único de dizer a verdade né então a cosmopolítica tem a ver então com essa chamado a desaceleração né e não é à toa que é um conceito que por par além de por mais que tenha sido pensado na relação das ciências sobretudo das ciências eh eh uma certa guerra das ciências né em que uma uma certa imaginação sobre o que que é a prática científica acabava desqualificando outros modos
de fazer ciência mas também eh a stanger se preocupa e não é à toa que esse conceito de cosmopolítica tenha sido mobilizado em outras áreas do saber também sobretudo na antropologia cosmopolítica como esse espaço possível especulativo de cois existência entre eh modos distintos de dizer verdade sobre o mundo né nesse sentido né Há outros ideias que a gente pode eh reabilitar ou retomar né reativar para usar algumas das traduções possíveis de uma noção importante para stanger que é reclaim né então pensar como é que a stanger eh mobiliza conceitos como magia como animismo né dentro
para pensar as práticas daqueles que não se consideram animistas né os herdeiros da modernidade toda uma tensão interessante justamente para escapar da oposição fato valor fato crença né e de uma certa imaginação corrente de desanimação do mundo que anima né desanimação do mundo que de certa forma e narrada por aqueles que se dizem herdeiros da modernidade né Então nesse sentido também é importante mencionar que ainda mais recentemente a stanger tem sido muito mobilizada muito trabalhada por autores que estão pensando né A questão ecológica o antropoceno né porque a sangers também tem uma maneira muito bonita
de interpretar o conceito científico de Gaia né elaborado por James lovelock por limar gullis né esse conceito de Gaia é tão importante pro desenvolvimento das ciências do sistema terra que permitem hoje a gente entender justamente a entrada do planeta no antropoceno pensar o planeta não como uma mera fisicalidade mas como sendo produto de relações históricas entre mundo orgânico e inorgânico relações que de longa data que foram constituindo essa estabilidade que a gente experimenta hoje né então Gaia tem um papel importante na no desenvolvimento dessa nova imaginação científica sobre o modo como a terra se comporta
E stang gueras então lê Gaia sobre a a a ótica de um sujeito uma espécie de sujeito que né faz sua intrusão em nossa vida achávamos que éramos apenas humanos né habitando a natureza fazendo a natureza de recursos e Gaia nos convoca a repensar essa relação entre mundo né humano e mundo natural entre mundo eh orgânico e inorgânico né Gaia Então faz sua intrusão como um agente político em nossa história é uma espécie de sujeito que nos convoca Mas a gente não sabe muito bem o que que ele nos exige né então Gaia tem eh
Gaia é um nome para uma convocação a uma investigação coletiva sobre novos modos de habitar essa terra hoje em em vias de transformação né então também é importante pensar a a eh a obra das stanger né Eh A partir dessa nova reorganização que a questão ecológica eh promove no modo como ela pensa né na nos novos enquadres que ela faz os enquadramentos que ela pode fazer justamente dessa relação entre ciência e política né sobretudo para pensar o papel que experimentações eh políticas como ecovilas como né movimentos de pessoas que estão indo pro campo como é
que tudo isso tem tanta importância para pensar né Como responder a intrusão de Gaia quanto também os avanços científicos né o trabalho dos cientistas que estão ali investigando eh essas novas facetas né novas maneiras de terra se apresentar n então espero ter eh apresentado um pouquinho eh do pensamento das tangers aqui para vocês e com isso ter suscitado o interesse na obra dessa autora tão importante aproveito aqui então para agradecer ao projeto mulheres que liem mulheres pelo convite eh para tá aqui hoje falando dessa autura tão importante e é isso obrigada essa aí vai ser
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