Olá vamos dar continuidade hoje a discussão que vimos fazendo do livro de Friedrich engels a situação da classe trabalhadora na Inglaterra entramos hoje na discussão do capítulo terceiro que trata sobre as grandes cidades um problema que estava dado à época de engs na aquela primeira metade do século XIX mas também que é extremamente contemporâneo na medida em que as grandes cidades têm evidenciado todos os contrastes sociais possíveis produzidos pelo movimento do Capital quando vemos por exemplo tragédias como Aquela que se abate sobre o Rio Grande sobre o Rio Grande do Sul podemos centrar a atenção
nos efeitos climáticos Mas temos que olhar também como é que o espaço está sendo ocupado e como a dinâmica do Capital produziu este espaço de tal modo a atingir de uma maneira mais intensa as camadas mais pobres da população do que aqueles que dispõe de recursos mais avantajados é curioso observar por exemplo que nos abrigos que foram montados não encontramos ali os extratos Altos da sociedade mas tão somente os deserdados da terra que vivem em regiões insalubres que muitas vezes resultam de especulações imobiliárias e que portanto colhem todas as consequências negativas dos efeitos climáticos neste
sentido sempre temos que olhar para a cidade não como a cidade na qual uns são afetados mais pelas águas e outros menos pelas águas ou então pelos tufões pelos tornados é necessário olhar para a cidade como a cidade do capital para retomarmos aqui uma expressão do livro de Henry lefevre neste capítulo TR engs Analisa Exatamente isto O que é a cidade com a sua as maravilhas e com os seus desdobramentos as suas configurações produzidas pelo capital engs vai observar e aqui vamos fazer uma exposição bastante sintética uma vez que a análise de engels vai ser
extremamente detalhada a respeito de cada cidade inglesa na qual a grande indústria havia ser implantado escapa as nossas intenções aqui ficar reproduzindo os detalhes das mais de 30 páginas de análise de engels mas tão somente apontar para os elementos centrais desta discussão neste capítulo três engels vai observar portanto que as grandes cidades elas são o resultado de um de um desenvolvimento específico que é o desenvolvimento do capitalismo Eng não fará grandes voos teóricos dentro deste Capítulo ele realizará sobretudo uma radiografia do desenvolvimento capitalista em várias cidades da Inglaterra de tal modo a mostrar como que
a ocupação do espaço ela vai sendo cada vez mais uma ocupação que segmenta os os contingentes humanos em regiões específicas regiões que são salubres e regiões que são insalubres portanto este Capítulo 3 não é propriamente dito um texto teórico e sim uma coleta minuciosa de dados empíricos capazes de fornecer os elementos para a construção de uma teoria e o que interessa a engels é compreender a classe trabalhadora na Inglaterra de maneira rigorosa Engel fez um levantamento das condições de existência das grandes cidades que se constituíram a partir da segunda metade dos anos 1700 e com
isso procura revelar como a Revolução Industrial criou no interior do mesmo modo de produção Ou seja no interior do modo de produção capitalista a cisão entre o reino da abundância material e o reino da miséria material e espiritual para as grandes massas o ponto de partida de engels na análise do capítulo 3 é a cidade de Londres e suas transformações e a partir da realidade Londrina angios vai explicitar como que as demais cidades eh elas cresceram trazendo consigo as mesmas consequências negativas que se verificava em Londres ao lado de conquistas positivas também lembremos que para
engels a vida urbana é um avanço civilizatório no entanto a vida urbana tal como ela se configura sob o controle do Capital tende a produzir mais desdobramentos negativos do que positivos Eng vai destacar vários aspectos da nova vida urbana tocando inicialmente em um ponto específico ou seja a da atomização que acontece que ocorre ou que se abate sobre os indivíduos na vida citadina vale aqui resgatar esta passagem de os na sua integralidade dirá ele uma cidade como Londres onde é possível caminhar horas e horas sem sequer chegar ao princípio do fim sem encontrar o menor
sinal que faça supor a vizinhança do campo é verdadeiramente um caso singular essa imensa concentração essa aglomeração de 2 milhões e meios de seres humanos num só local elevou Londres à a condição de capital comercial do mundo criou Docas gigantescas reuniu milhares de navios tudo é tão extraordinário tão formidável que nos sentimos atordoados com a grandeza da Inglaterra antes mesmo de pisar no solo inglês mas os sacrifícios que tudo isso custou só os descobrimos mais tarde só então começamos a notar que esses londrinos tiveram de sacrificar a melhor parte de sua condição de homens para
realizar todos esses milagres da civilização de que é pródiga a cidade só então começamos a notar que mil forças neles latentes permanecem inativas e foram asfixiadas para que só algumas pudessem desenvolver-se mais e multiplicar-se mediante a união com as dos as de outros portanto a cidade aglutina mas esta aglutinação também atomiza os indivíduos em seres privados so o controle da lógica da acumulação capitalista qual o primeiro limite que se verificava na grande cidade de Londres e também em outras tal como engels observa para os se tratava do fato de que embora aglutinados os indivíduos nas
cidades nada mais eram do que seres de todas as classes sociais atomizados as pessoas diz ele as pessoas se cruzam como se nada tivessem em comum como se nada tivessem a realizar uma com a outra e entre elas existe o Tácito acordo pelo qual cada da uma só utiliza uma parte do passeio para que as duas correntes da multidão que caminham em direções Opostas não impeçam seu movimento mútuo e ninguém pensa em conceder ao outro sequer um olhar por outras palavras o que Eng está procurando acentuar aqui é que nas cidades se encontravam indivíduos de
todas as classes porém estes indivíduos não formavam pela própria natureza de classes que os aglutinava no espaço no espaço urbano verdadeiras comunidades de hom e prossegue ele essa indiferença brutal esse insensível isolamento de C um no tereno de seu interesse pesso é tanto mais repugnante eoc quanto maior é o número desses indivíduos confinados nesse espaço limitado e mesmo que saibamos que esse isolamento do indivíduo esse mesquinho egoísmo constitui em toda parte o princípio fundamental de nossa sociedade moderna em lugar nenhum ele se manifesta de modo tão impudente e claro como na confusão da grande cidade
a desagregação da humanidade em mônadas em unidades isoladas cada qual com o princípio de vida particular e com um objetivo igualmente particular essa atomização do mundo é aqui levada a suas extremas consequências ou seja englos está procurando destacar aqui como que as verdadeiras relações comunais que poderiam existir entre os indivíduos são sobrepostas na realidade pelo princípio da exploração e da vontade do mais forte sobre o mais fraco portanto os indivíduos estão aglutinados na cidade mas eles se comportam não como membros efetivos de um coletivo e assim como membros individuais de uma aglutinação de pessoas que
também se tratam cada uma delas como indivíduos isolados daí engs também observar os homens só se consideram reciprocamente como objetos utilizáveis cada um explora o outro e o resultado é que o mais forte pisa no mais fraco e aos poucos fortes e aos poucos fortes Isto é os capitalistas se apropriam de tudo enquanto aos muito fracos ou seja os pobres mal lhes resta apenas a vida o que é verdadeiro para Londres também também é para Manchester birmingham e leds é verdadeiro para todas as grandes cidades em todas as partes indiferença Bárbara e grosseiro egoísmo de
um lado e de outro miséria indescritível para Engel na escala em que as armas de combate social são o capital a propriedade direta ou indireta dos meios de subsistência e doss meios de produção é óbvio que todos os os de tal situação teriam que recair sobre o pobre os quais não tinham condições de existência assegurada e que só podiam tê-la minimamente caso encontrassem trabalho Ou seja caso vendesse a sua energia física e mental para o capital portanto caso se submetessem a relações de exploração este ponto é importante pois já evidencia a compreensão de engels de
que o salário não era não representava a remuneração pelo trabalho efetuado pelo Trabalhador em uma jornada de trabalho de 10 12 14 ou 16 horas e sim que o salário era a remuneração pelo uso da força de trabalho ainda que estas categorias trabalho e força de trabalho não compare não compareçam na análise do os de juventude é somente momento posterior que tanto ele quanto Marx encontrarão a diferenciação científica entre o que representa trabalho e o que representa força de trabalho no entanto aqui já se revela a intuição de Engel de que trabalho e força de
trabalho são coisas distintas que trabalhador não recebe pelo trabalho que realizou e sim pela força de trabalho que dispendeu trocando por essa força de trabalho um Quantum monetário a fim de continuar se mantendo vivo engels a respeito desta relação envolvendo o trabalho e o capital coloca a seguinte passagem se tem a sorte de encontrar trabalho Isto é se a Buru lhe faz o favor de enriquecer à sua custa espera-o um salário apenas suficiente para o manter vivo se não encontrar trabalho e não temer A polícia pode roubar pode ainda morrer de fome caso em que
a polícia tomará cuidado para que a morte seja silenciosa para não chocar a burguesia Quais as consequências diretas das relações sociais de exploração estabelecidas Engel procurará elencar algumas que apontaremos aqui apenas brevemente inicialmente destaca ele a frequência com que ocorria a morte por inanição Ou seja a morte em razão de fome a situação era escamoteada pela própria burguesia pois como dizend se a burguesia trouxesse à tona a verdade das relações de exploração portanto colocasse à luz do dia o que significa a relação capital e trabalho isto equivaleria a condenar a si mesma Ou seja a
condenar a si mesma enquanto burguesia enquanto classe que explorava amplas camadas da classe trabalhadora junto a fome as doenças várias suficientes para que entre os operários ing Ingleses fosse junto à fome se colocava também observa angos as várias doenças que eram suf ou que atingiram um tal patamar que conduziram os trabalhadores Ingleses a chamavas por assassinato social ou seja o grau pelo qual as condições péssimas de existência e de saúde atingiam a classe trabalhadora fez com que eles percebessem empiricamente que não era fruto do acaso e sim um verdadeiro assassinato social no sentido de que
as condições burguesas de produção não permitiam a grande massa ter uma condição de existência minimamente saudável soma-se a isso a instabilidade da existência de cada Trabalhador de cada indivíduo uma vez que os empregos jamais estavam assegurados uma vez que dependiam das necessidades do próprio Capital em produzir mercadorias Essa era uma marca do cotidiano Operário Para Não Dizer que continua sendo uma marca do cotidiano dos trabalhadores ainda nos dias de hoje destas condições instáveis de existência perpassada por salários que mal garantiam a existência física dos próprios trabalhadores decorriam outras degradações Nas condições de existência tais como
a degradação das condições de habitação tema ao qual Engel voltará anos depois quando redige o seu clássico texto a questão da Habitação momento no qual vai analisar não apenas a situação inglesa mas fundamentalmente também a situação na Alemanha ou seja como que a o desenvolvimento capitalista ele não coloca apenas problemas de emprego ou desemprego de saúde ou não saúde ele também avança Nas condições materiais de moradia dos trabalhadores fica portanto aqui o convite para que se Leia o texto de Engel os três grandes artigos que engs escreve eh alguns deles polemizando com prudom a respeito
da questão da Habitação portanto para Engel uma Tríade básica se constitui a partir da relação salarial Isto é se constitui a partir da relação salarial a precarização objetiva das condições de alimentação as condições extremamente limitadas para se ter vestuário adequado e junto a isso as condições precárias de habitação a estes três elementos poderia ser acrescentado também um outro que é o da degradação das condições de saúde no que concerne a habitação observará Eng que todas as grandes cidades tem um ou vários bairros de mafama onde se concentra a classe operária mafama era como a burguesia
chamava a estes bairros Operários bairros de mafama onde se concentra a classe operária em geral é reservada à classe operária uma área à parte longe do Olhar das classes mais afortunadas bairros onde habitualmente as ruas não eram planas e nem calçadas e sim sujas tomadas por detritos vegetais e animais eram ruas ou regiões sem esgoto ou canais de escoamento cheias de charcos estagnados e fétidos acrescentava se a esse quadro já extremamente degradante o fato de que a ventilação nestes bairros era extremamente precária de tal modo que o ar ali se respirava era de péssima qualidade
portanto as condições ambientais também também contribuíam para degradar ainda mais as condições de existência dos trabalhadores Engel se lança então Nesta parte de sua análise a apresentar as condições de existência social nestes bairros para mostrar como em todos eles O que dominava eram as condições mais miseráveis de habitação e de existência em geral mas para além das moradias precárias ele vai observar também que há ainda os que se encontravam em situação mais desfavorável refere-se aqui a quantidade de indivíduos sem teto portanto indivíduos que nem moradia dispunham aquilo que hoje poderíamos chamar de moradores Rua engs
retorna aqui ao fato Central que produz toda esta miserabilidade humana e para ele o que ele estava verificando em seus vários meses de observação empírica era as consequências da revolução industrial na Inglaterra sobre imensos contingentes populacionais observará ele observará os que a indústria algodoeira foi o grande terreno de atividade na primeira fase da revolução industrial nela e aqui podemos pegar uma passagem não muito extensa de engels nela o aproveitamento das forças da natureza a substituição do trabalho manual pelas máquinas e a divisão do trabalho chegaram ao Extremo e se localizamos nesses três elementos os traços
eh e se localizamos nesses três elementos os traços característicos da indústria moderna devemos reconhecer que a indústria algodoeira de seus primórdios a atualidade continua na Vanguarda de todos os Ramos industriais mas é também nela que ao mesmo tempo desenvolvem-se na forma mais pura e mais completa os efeitos da Indústria moderna sobre a classe operária e nela o proletariado Industrial revelou sua mais clássica característica nela elevou-se ao máximo a degradação a que o emprego da força do vapor das máquinas e da divisão do trabalho submeteu O Operário e as tentativas do proletariado para superar essa situação
aviltante chegaram aqui ao Extremo e tornaram-se lucidamente com cientes aqui engels está apontando para como que naquelas condições de existência começava a se desenvolver também um embrião de consciência de classe junto ao proletariado inglês a exploração sobre os trabalhadores cujas condições de existência limitada podiam ser verificadas também eram extensivas e aos destacará isso olhando-se para as vestes desgastadas que em geral os trabalhadores da fábrica ou das unidades produtivas utilizavam portanto a miséria do trabalho ela ia para além do horizonte da fábrica ou para além das dependências da fábrica ela se estendia para um Horizonte externo
aquele da unidade Fabril ISO quer dizer que o trabalhador ele era dado não apenas no momento que em que estava em atividade no seu trabalho mas também após o seu trabalho convivia com situações de degradação cada cada vez mais intensas sendo que a forma como eles se vestiam era também um testemunho dessa situação de degradação social na qual viviam fora das fábricas os operários das cidades eram por tanto também explorados pelos Comerciantes é um outro aspecto que engels coloca aqui como se não bastasse morarem em bairros insalubres em condições subumanas que comprometiam até mesmo a
possibilidade de terem uma roupas minimamente decentes os trabalhadores eram explorados também pelos Comerciantes e de duas maneiras básicas primeiro os Comerciantes adulteravam todos os gêneros alimentícios e não contentes com isso também fraudavam as balanças para obterem maiores ganhos com estes elementos que resgatamos aqui de uma maneira bem geral para não entrarmos nas minúcias de Exposição de engels encerramos a nossa discussão de hoje no entanto não poderíamos deixar de fora desta exposição o próprio texto de Henry lefevre que está em seu livro A Cidade do Capital lefevre fará uma análise bastante rápida do livro A situação
da classe trabalhadora na Inglaterra e em particular deste Capítulo terceiro de engels é importante observar Como que o lefevre vai resgatar esta discussão e com elas encerramos efetivamente a nossa exposição dirá lefevre na parte de seu livro intitulada as grandes cidades os descobre a realidade Urbana todo seu horror no entanto jamais essa realid se identifica para ele com uma simples desordem ainda menos com o mal com uma doença da sociedade com como em muitos textos literários e científicos que então existiam Londres Manchester outras aglomerações em inglesas engels as toma como os efeitos de causas e
razões a conhecer portanto a controlar primeiro pelo conhecimento em seguida pela ação revolucionária a burguesia detém o capital Isto é os meios de produção ela faz uso dele ela determina as condições de seu uso produtivo sem tomar qualquer posição depreciativa os coloca em plena luz as fortes os fortes Contrastes da realidade Urbana a riqueza e a pobreza justapostas O esplendor e o horror a indignidade e a pobreza recebendo dessa vizinhança um colorido intenso e patético e é uma maneira bastante lúcida também de expor o que são os grandes núcleos urbanos e que também abre espaço
para que possamos entender um pouco a tragédia que se abate muitas vezes sobre cidades brasileiras onde em geral se culpabiliza o excesso de chuvas mas não se lança US sobre os mecanismos de exploração social que produzem a segregação espacial e também os grandes agrupamentos de indivíduos Miseráveis que quando tem as suas casas invadidas pela água ou então quando suas casas desmoronam embaixo da Lama acham que é vingança divina ou então que são individualidades sem sorte quando na verdade eles nada mais são do que o produto mais direto das relações de exploração do Capital sobre o
trabalho Espero que tenham gostado da discussão como sempre encaminhem suas considerações positivas ou negativas caso gostem dos vídeos procurem divulgá-los de modo a contribuírem com a formação de outras individualidades de jovens gerações de estudantes ou de jovens gerações de pesquisadores para não falar que a finalidade dos vídeos também é procurar fornecer material didático que possa ser utilizado em sala de aula ainda que as discussões sejam longas uma vez que a ciência se faz com paciência e a exposição se faz com perseverança com cautela para não deformar aquilo que os autores estão procurando expor até uma
próxima