As narrativas compartilhadas têm o prazer de continuar o Rio do Mar e Peste ou agora no quarto e último bloco. E agora nós vamos ouvir o Mari falando um pouco também sobre o teatro amador sorocabano. Mas, Mari, eu queria que você fizesse uma pergunta: quando você está trabalhando com seus alunos, crianças e adolescentes nos cursos que você tem ministrado, você percebe que os pais gostam que os alunos façam teatro e se profissionalizem na área?
Você chega a perceber isso ou não? É, sim, até porque essa é uma coisa que, pelo menos quando eu comecei, meus pais não gostaram nada da ideia, e muitos pais também não gostavam. E não era nem pela questão de ser teatro ou arte, mas a preocupação, sobretudo dos meus pais, era pela questão da sobrevivência.
Eles sabiam que não era uma profissão que tinha estabilidade, então era uma preocupação com o futuro mesmo. E eu tenho observado e percebido nos alunos, de uns anos ou mais décadas para cá, que essa preocupação, pelo menos, tem sido bem menor. Dos pais em relação aos filhos, tem havido maior liberdade sobre a questão da atividade artística no geral.
E na minha época, pelo menos, não havia esse respaldo. E você, eu queria que você falasse agora um pouco a respeito do teatro amador sorocabano e nos seus companheiros. Eu sei que você tem algumas figuras muito próximas de você, né?
Mas e o Diogo Rodrigues Capelli? Ou Cristo, o Rodrigo Sim? Outra, aí pode, né?
Então, o que acontece? Fale um pouco a respeito desse contexto e como você vê essa situação toda, mesmo com eles. Quando eu comecei no teatro amador aqui em Sorocaba, já havia algumas figuras em destaque na cidade, alguns diretores, como Roberto Gil, que está aí trabalhando hoje também com o teatro, é mesmo na Uniso, mas continua fazendo as suas atividades; e o Seu de Melo, que já apareceu.
O Carlos Roberto Mantovani aqui também já foi um desses grandes diretores daquela época. Eu só não consegui trabalhar com Roberto Gil. A gente até chegou a começar a fazer alguma coisa, mas foi uma peça que não foi para frente; acabou não acontecendo.
Então, existe só essa lacuna; aceitar única pessoa daquelas que já faziam teatro antes de mim. Ninguém eu não consegui trabalhar, a não ser alguns atores. A Cristina Labronici, admiro Feliciano, eu cheguei a fazer alguma coisa.
Pode dias, mesmo, a primeira peça que eu fiz foi Romeu e Julieta, ele fazia o Pão de Paris e fez uma participação lá. Não peguei, ele me convidou, mas ele estava lá junto. E aí fui conhecendo muita gente, porque a própria Fundec sempre propiciou mais de 100 pessoas por ano.
Então, muita gente passou por mim, gente que continua comigo, que formou outros grupos e que foi para outros grupos. Tem gente que eu até lembro mais porque eu estou há 21 anos na Fundec, por exemplo. Igual você, mais de 100 pessoas.
Então, é muita gente que passou pelo meu grupo e foi meu aluno de alguma forma. Eu sinto, assim, que não percebo o peso deste trabalho para lançar algumas pessoas. Por exemplo, Rodrigo Scarpelli, que não começou especificamente comigo.
Ele era aluno do Ademir Feliciano em uma escola particular, e o Ademir desenvolve esse trabalho de fazer teatro com os alunos. O Rodrigo Scarpelli foi pegando o gosto até que ele veio fazer a Gota D'Água. O YouTube Melo estava montando; o Ademir participava, ele partiu criança, então chamou o Rodrigo para fazer um personagem.
E aí acabou não dando certo a direção, o Gil passou por Mantovani e, depois, o botão vai me convidou. E aí eu conheci também o Rodrigo, e eu convidei para participar da sua clássica, que ele ficou muitos anos fazendo ela, quase uns dez anos, mais ou menos. Uns dez anos mesmo depois, quando ele foi para São Paulo e entrou na Escola de Arte Drmática, ele continuava, no final de semana, vindo para Sorocaba ensaiar e participar das nossas peças.
Enfim, teve o Robson Catalunha também que começou com 14 anos na Fundec. Hoje ele já trabalhou com Bob Wilson em Nova York, na peça que Bob Wilson dirigiu aqui. Ele abandonou o grupo do Satyros e está desenvolvendo agora uma carreira dele solo muito bem atendida.
Foi mais uma pessoa que começou lá e veio comigo na Fundec. Tem muita, mas muita gente que começou, ou do meu grupo, e que está aí desenvolvendo o trabalho, os seus próprios grupos. O Rodrigo Cintra conversou comigo da Tia Clássica e hoje tem o próprio grupo Barracão da Vó, que também desenvolve um trabalho sério na cidade.
Enfim, é um número grande de pessoas com quem eu tenho a felicidade e a alegria de ter, de alguma forma, passado, seja na Fundec ou esteja no meu grupo, e que hoje continuam desenvolvendo trabalhos na cidade. Tem uma menina que eu penteei comigo na Fundec, e, há dois anos atrás, só, essa pandemia, ela me ligou convidando para assistir. Não foi durante a pandemia, porque foi online, para assistir à dissertação dela.
E como é que se chama a pessoa que, quando você cola grau, é o trabalho de conclusão de curso? E tu da Uniso. E aí ela me convidou, me mandou o link, queria que eu estivesse lá assistindo, porque de certa forma era importante essa participação e sinistro que ela teve lá na Fundec.
Então, é isso, percebe-se que as pessoas se marcam, né? Ela se. .
. De alguma forma, a água é, quando esse tipo de reconhecimento, né? Alguém que te chama para alguma coisa importante da vida dela, porque você foi importante lá atrás de algum modo com o teatro, né?
Então, é muito legal essa própria toda aqui, e vai acontecendo ao longo desse trabalho todo. Oi, tudo bem? Eu queria que você tivesse agora, né, alguma coisa que você não falou ainda, que ele teria vontade de falar.
O que faltou? Fala o futebol! A senhora vai falando de tanta coisa assim, não é?
Esse universo de teatro, para você, a gente sabe da sua emoção. Você se emocionou em vários momentos. Como você se descreveria em algumas palavras do que é o teatro para você?
E aí. . .
Olha, eu não vou ser original. Eu acho que vai ouvir. Acho que isso aconteceu há mais de 30 anos atrás.
Eu vi a Fernanda Montenegro falando em um programa de TV: "O que eu faço teatro, eu respiro e vivo. " E por isso eu passo. .
. Teatro era algo mais ou menos parecido, mostrando o quanto isso era vital para ela, né? É, para mim também, essa atividade é extremamente importante e não me vejo fazendo outra coisa.
Mesmo a faculdade de Direito que eu fiz a duras penas, porque eu demorei 10 anos para sair da tarde. Porque eu não sei por que comecei aqui, eu não sei por que insisti para terminar, né? Eu sabia que eu não ia ser aquilo.
Sempre foi o teatro em primeiro lugar, né? Eu até brinco quando as pessoas às vezes falam: "Ah, eu não vou poder sair hoje porque tenho um aniversário. " Eu vou faltar porque eu tenho isso.
Vale, gente! Eu faltei na missa de sétimo dia da minha mãe porque eu não podia cancelar um ensaio. Eu era, se eu ainda fosse uma cor, pode ser, eu era o diretor.
Se eu cancelasse, o grupo inteiro ficaria impedido de ensaiar. Então eu não fui a essa missa para não faltar no ensaio. Então, é difícil para mim engolir que você tem um churrasco, que você tem um aniversário de uma pessoa muito querida que você não pode faltar por causa disso.
Então, eu tenho algumas pessoas que estão batendo do teatro que não entendem. Acho uma postura muito radical, mas é isso. É o que eu mais amo, né?
Que eu mais gosto. Então, isso aqui tem uma importância muito grande, é maior que tudo mesmo, né? Muitas vezes eu tenho atrito com pessoas, sobretudo alunos, é porque muitos não vêm porque querem ser atores, sair por causa daquelas coisas, né?
De perder a inibição e se desenvolver um pouco mais. Então, às vezes isso choca algumas coisas, né? E encontro em mim, às vezes, uma posição muito radical.
Mas, na verdade, é uma coisa saborosa, uma extensão do tempo que eu tenho por esse trabalho. E às vezes vai ter uma postura mais agressiva, mas é exigente. E olha aqui, ó: a memória do teatro pronto Sorocabana, usando.
. . E é uma coisa, acho que parece invertido a imagem, né?
Agora você aparece nesse aqui, ó! Se der oi, hahaha! Ela, memórias hiato Sorocabana dos anos 80 e você também está neste aqui, ó, dos anos 90.
A famosa! Então, eu emprestei esse aqui, logo terá que devolver. Aí você também está nesses aqui, né?
Lá, lá! É a pior, seria Marcelino Pão e Vinho, que se desenvolveu na Fundec 1900-2002. Este Anne Sullivan também na Fundec, Arco Núcleo Lar de Teatro da Semana.
Esse, em 2007, foi apresentado no teatro e no Teatro Teotônio Vilela e Teatro Municipal, né? Ali. E depois também tem esse aqui, que você apresentou também lá no Teatro Municipal Teotônio Vilela.
Ei, ei, delícia! Está sabendo? Legal!
Tentei descobrir, mas não sei se vai dar certo. Mas, enfim. .
. Você saber, né, que você já faz parte da história. Já não tem como escapar!
Quando três. . .
Do amor, muito obrigado, viu! Uma delicadeza com você. Queria ficar mais tempo, mas eu sei que você já vai precisar dar aulas da Capuchinho em cima da hora, então precisamos encerrar, né?
Então, a minha gratidão. A gratidão, acho que meu nome é de todos os seus alunos, vocês, alunos e alunas, de avulsas, não que passaram por você e seus amigos. Você é muito falado pelos seus amigos, muito respeitado, exatamente por essa exigência.
A minha, você exigente, que é necessário ser. Mas aí vem a seriedade, sua paixão, né? Por aquilo que você faz.
Para ser grande, se inteiro, nada teu exagera ou exclui. Se todo em cada coisa, põe o quanto és. No mínimo que fazes, assim, porque assim.
. . Ai, meu Deus do céu!
Porque agora esqueci. . .
Esse peixinho! Para ser grande, ser inteiro, nada teu exagera ou exclui. Se todo em cada coisa, põe o quanto és.
No mínimo que faz isso assim, em cada lago a lua toda brilha porque alta vive Fernando Pessoa. E você é um exemplo disso, né? Se coloca de corpo e alma, por inteiro, no seu trabalho, no seu ofício.
Então, por isso que você se emociona tanto assim ao falar sobre. . .
A minha gratidão, a Deus abençoe você, e até breve. Estaremos juntos sempre. Pé, tá!
Ó, o que é sim! Obrigado! Quer se despedir dos seus amigos, que com certeza estarão vendo você?
Muito obrigado por ter me aguentado, me ouvir falando tanto tempo. Desculpa ter me… a gente, muito obrigado a todos vocês que estão acompanhando. Deus abençoe, estaremos juntos, se Deus quiser.
Grandemente, tá? Tudo de bom, muito obrigado! Que há de novo, Marcos?
Fique com Deus! Todos, até breve! Carreira até!