o calor abrasador do meio-dia fazia o ar tremular sobre estrada de terra que levava a Fazenda São Miguel o vento seco carregava poeira vermelha deixando o cheiro de terra quente no ar mas não foi o calor que fez Jorge Amaral apertar o volante de sua caminhonete lá na frente bem na entrada da Fazenda uma multidão bloqueava passagem cerca de 200 pessoas vestidas de vermelho empunhavam Bandeiras e cartazes algumas gritavam palavras de ordem outras seguravam celulares filmando MST Jorge sentiu o maxilar travar ele não estava surpreso na verdade esperava por algo assim em algum momento o
que o irritava era ousadia Ele desligou o motor e saiu do carro sem pressa diferente de muitos fazendeiros Jorge não estava com medo ele sabia exatamente o que fazer o homem que parecia liderar o grupo percebeu a movimentação e caminhou em sua direção era magro de Barb rala vestindo uma camisa vermelha com punho Cerrado estampado no peito um líder de ocupação ele sorriu segurando um megafone Bom dia patrão a partir de hoje essa terra pertence ao povo Jorge não respondeu de imediato apenas olhou ao redor analisando cada detalhe não estavam improvisados tinham faixas presas na
cerca barracas começando a ser montadas um descarregando mantimentos eles não estavam ali para negociar eles estavam ali para ficar finalmente Jorge sorriu de canto Eles não sabiam com quem estavam lidando ele pegou o celular e discou o número falou apenas duas palavras código vermelho do outro lado da linha a resposta veio rápida confirmado Jorge desligou guardou o telefone no bolso e voltou a encarar o líder eu te dou a chance só uma o líder do MST franziu o senho e se não aceitarmos Jorge sorriu novamente então vocês vão entender o que significa medo de verdade
o líder do MST deu uma risada curta olhando para os militantes ao seu redor eles estavam em grande número 200 talvez mais a maioria segurava cartazes algumas mulheres filmavam com celulares e outros traziam ferramentas improvisadas inchadas facões e pedaços de madeira era uma multidão barulhenta e confiante Jorge por outro lado estava sozinho ou pelo menos era o que eles achavam o líder da ocupação cruzou os braços medo meu amigo isso aqui não é um confronto é um movimento social você pode chamar quem quiser polícia segurança até juiz não importa estamos protegidos pela lei Jorge arqueou
uma sobrancelha protegidos pela lei ele tirou o boné e apontou para uma cicatriz discreta na testa Eu já vi a lei em Ação então deu um passo à frente perto suficiente para que o líder do MST ouvisse apenas ele já viu alguém ser esfaqueado num beco e não poder gritar para não chamar atenção já ficou na mira de um fuzil dentro de um barraco esperando o primeiro tiro já sentiu o cheiro de pólvora e sangue misturado no chão quente o militante piscou desconcertado o que Jorge interrompeu sem desviar o olhar eu já por isso você
não me assusta o líder engoliu seco Foi então que ouviram os motores lá no alto da estrada três caminhonetes surgiram descendo rápido poeira subiu no ar os militantes pararam de gritar o silêncio cai sobre a multidão os veículos estacionaram em linha estrategicamente as portas se abriram e os homens que saíram não eram seguranças comuns eram operadores cabelos raspados camisas escuras justas Botas reforçadas o olhar de quem já Sobreviveu ao inferno e voltou para contar a história o líder do MST sentiu um calafrio quem quem são esses caras Jorge sorriu pela primeira vez velhos amigos então
o caos começou a tensão explodiu no ar os militantes do MST se entreolharam confusos e inquietos o barulho dos motores ainda eava no campo aberto e a poeira que as caminhonetes levantaram se misturava ao calor sufocante os homens que haviam saído dos veículos não pareciam convencionais eram soldados vestiam calças táticas Botas reforçadas e camisetas escuras com posturas de quem já passou por situações muito piores do que aquela o líder do MST tentou esconder o nervosismo ele ergueu o Megafone e gritou companheiros não se deixem intimidar Isso aqui é uma ocupação legítima a Terra é do
Povo Mas ninguém respondeu a multidão não gritava mais eles sentiam que algo estava errado foi então que um dos esope caminhou até Jorge era um homem alto de cabeça raspada braços cobertos de tatuagens antigas de Batalhão ele parou ao lado do ex-capitão olhou para o líder dos invasores e falou baixo mas firme dá o sinal chefe Jorge assentiu lentamente então veio o primeiro recado ploft ploft ploft três granadas de fumaça foram lançadas no meio da multidão o estouro seco e repentino fez o grupo inteiro se encolher a fumaça branca cobriu tudo a confusão começou o
que é isso estão atacando a gente corre corre os militantes começaram a tcir e recuar entrando em Pânico o líder do MST tentou gritar algo no Megafone mas já era tarde os homens de Jorge avançaram com precisão cirúrgica eles não precisavam de armas apenas seus corpos treinados e a intimidação psicológica já eram suficientes para desestabilizar o grupo em segundos a ocupação virou uma debandada os primeiros militantes começaram a fugir pela ada de terra toindo e tropeçando largando Bandeiras e cartazes para trás Jorge olhava tudo com as mãos no bolso não havia pressa o líder do
MST agora com os olhos vermelhos da Fumaça ainda tentava resistir isso isso é crime isso isso não pode ficar assim Jorge riu ele pegou um rádio do bolso e falou calmamente área limpa iniciar a segunda fase do outro lado da linha a resposta veio seca confirmado e a humilhação dos invasores estava só começando a fumaça começava a se dissipar mas os efeitos ainda estavam presentes os militantes torciam e esfregavam os olhos completamente desorientados o grupo que minutos antes gritava e erguia bandeiras agora cambaleava sem rumo a ocupação estava ruindo os homens de Jorge não precisavam
correr apen caminhavam devagar sem pressa mantendo a formação imponente eles sabiam que já tinham Vencido o líder do MST ainda tentava salvar a situação companheiros fiquem firmes Isso é só intimidação eles não podem nos tocar a justiça está do nosso lado mas ele percebeu algo ninguém mais o ouvia os militantes estavam largando Bandeiras no chão tirando os bonés vermelhos apagando celulares alguns começaram a correr em direção à Estrada enquanto outros simplesmente se afastavam confusos sem saber o que fazer o medo já estava no ar foi então que Jorge decidiu encerrar o espetáculo ele pegou o
seu rádio novamente iniciar segunda fase do outro lado a resposta foi imediata confirmado um dos esope um homem musculoso com olhar de predador caminhou até a carroceria de uma das caminhonetes Ele puxou um saco grande amarrou a ponta e o despejou no chão centenas de cartuchos deflagrados caíram na Terra eram cápsulas de bala de fuzil de pistola de escopeta Memórias de guerra o líder do MST arregalou os olhos o recado era Claro Jorge deu um passo à frente encarando militante nos olhos você ainda acha que tem controle da situação o líder tentou falar mas nenhum
uma palavra saiu o medo já estava em sua expressão Jorge Então falou calmamente quase sussurrando Última Chance quem quiser sair andando saia agora quem ficar vai sair de outro jeito foi o Golpe Final os militantes que ainda estavam ali não hesitaram mais a debandada começou homens e mulheres correram em direção à estrada sem olhar para trás o barulho de pés batendo na Terra tomou conta do ambiente o líder do MST ficou sozinho o último homem do seu grupo ele tentou recuperar o fôlego olhou ao redor mas não havia mais ninguém seus seguidores o abandonaram Ele
engoliu seco Foi então que os homens de Jorge começaram a avançar lentamente Sem pressa como Caçadores cercando uma presa o líder do MST finalmente entendeu Não havia mais luta ele virou-se e correu e quando seus pés Bateram na terra Jorge sorriu pela última vez ele sabia que nunca mais voltariam o líder do MST corria pela estrada de terra o suores correndo pelo rosto o peito arfando ele não sabia para onde ir só sabia que precisava sair dali atrás dele A Fazenda já estava limpa as bandeiras vermelhas foram jogadas no chão os panfletos e faixas voavam
ao vento os militantes que antes gritavam por justiça agora fugiam como ratos e no Alto da Colina Jorge Amaral observava tudo o esope não disse nada apenas tirou um cigarro do bolso acendeu e soltou a fumaça lentamente ao seu lado um dos seus homens um ex operador do Batalhão de Operações Especiais Rio Baixo parece que o bicho aprendeu a lição Jorge assentiu ele pegou o rádio pela última vez confirmar retirada completa a resposta veio imediata nenhum Rastro deles por aqui chefe sumiram E assim terminava a invasão mas Jorge sabia que precisava resolver um último Detalhe
ele caminhou até a caminhonete pegou uma pasta preta dentro do porta-luvas e abriu lá dentro Estavam todos os registros que precisava nomes contatos registros de comunicação tinha tudo a prova de que aquela invasão não foi espontânea mas sim organizada por peixes muito maiores ele tirou uma foto com celular e enviou para o número salvo como Comandante a mensagem foi curta caso encerrado agora é com você segundos depois uma resposta veio entendido isso não vai ficar barato para eles Jorge guardou o celular e Sorriu os militantes fugiram da fazenda mas a guerra deles estava apenas começando
a naquele pedaço de terra eles nunca mais voltariam ele jogou o cigarro no chão pisou na brasa e voltou para casa o silêncio da Fazenda voltava a reinar e agora Jorge tinha certeza nada nem ninguém tomaria aquilo dele