Eu eu sei que você passa porque em menor escala eu passo por isso. Fala, eu já fique eu fiquei doente, sei lá, um tempo e começou a me bater uma tristeza. Cara, eu não posso ficar doente porque se eu ficar doente uma semana, não sei o quê, tem tanta gente que depende de mim.
Aí você começa a entrar numa neura de que se eu ficar mal, >> olha esse pensamento aí, tem tanta gente que depende de mim. Esse pensamento é o que é pesado. >> Pois é.
>> Tem tanta gente que depende de mim e você. >> É. É.
>> E você, >> mas se passa por mim, imagino que a tua cabeça também já passou. na clínica tem uma história que eu conto do show lá no no show conto mais detalhado e tal e aí fala que eu eu fala eu que falo, como é que fala? >> É [risadas] uma terceira pessoa >> igual quando a mãe vai contar sonho, né?
Aí disse que chegou um homem, que ele disse? [risadas] E aí? E aí?
Aí nessa parte do show eu falo sobre um negócio que eu conheci, chama Terapia Ocupacional, que ontem a gente até tava assistindo um filme da Nise da Silveira, um filme interpretado pela Glória Pires. >> Nise da Silveira foi uma das pessoas que primeiro lutou contra os manicômios, né, no Brasil. Porque o manicômio antigamente era quando eh empurra para lá.
Ah, >> joga para lá. Então assim, ali iam as pessoas que eram >> rejeitada pela sociedade. A moça é e tem 18 anos, engravidou sem casar interna lá para ninguém saber que Deus me livre saber de um negócio desse.
Mancha a honra da família, entendeu? É doido, joga para lá. É gay, >> bota para lá.
>> É droga, volta para lá. Aí dava choque nos bichinhos, você vai voltar a ser normal. pegava os gay da choque, dava, batia, agredia, botava para lutar, botava para transar uns com os outros, botava para fazer, enfim, >> as piores coisas, >> uma coisa horrível de se viver.
E aí chegam pessoas que querem tratar as pessoas com acolhimento, >> é, >> entendeu? Querem tratar as pessoas com afeto, que acham que o afeto funciona, começaram a botar as pessoas para desenhar. >> Hum.
E viram que através dos desenhos eles começaram a >> melhorar, >> melhorar pessoas esquizofrênicas que desenhavam coisas muito abstratas no começo e depois começaram a voltar à realidade e começar a desenhar coisas, flores, pessoas, gatos, pessoas interagindo e até revelar coisas antigas. A mãe do rapaz vai ver a quadra que ele fez e fala: "Ó, essa é a casa de fulano de tal que eu trabalhei. " Ele era apaixonado por uma menina dessa casa aí.
E essa menina casou, ele colapsou mentalmente, >> cara. >> E foi bater num manicômio, né? >> Sim, sei.
>> E aí ela introduziu esse trabalho chama Artapia, Nise da Silveira, entendeu? E lá eu tive >> lá, >> é esse daí mesmo, da loucura. >> Lá eu tive contato com a terapia ocupacional pela primeira vez, que foi desenhar, né, e a mulher reconhecer um padrão nos meus desenhos e me dar um um parecer sobre aquilo.
Eu >> tinha a ver. Então >> sim, eu >> o que você bota para fora artisticamente, >> eu eu desenhava um quadro para cada paciente por dia, porque era uma clínica, >> não desenhando eles que eu conto no show, não para eles >> que eu conto no show que é a clínica de Jared, né, que era que era car de Jared, né, >> que era cara, era R$ 80. 000 por mês.
>> E que que tipo de paciente tinha lá? >> Aí os pacientes com poder aquisitivo um pouquinho mais era >> artista. problemas.
>> É, é de problemas e >> ah não, não eram pessoas assim, eram pessoas assim do meio empresarial, alguns problemas >> diversos, diversos problemas. Tinha pessoas por bebida, tinha pessoas por químico, tinha pessoa por depressão mesmo, tinha pessoa por, >> enfim, inúmeros problemas assim. Então, o que acontecia era que as pessoas eram tranquilas, mas a gente sabia o que cada pessoa tinha, né?
Então, assim, o que que eu fazia por dia? Eu dava uma desenhada, conversava com alguém e ficava desenhando. >> Sei.
>> E aí a pessoa ia me contando coisa, ah, você tá aqui porque pá e tudo mais. Eu ia desenhando egegs do desenho, fazia coisas assim. E aí tinha uma senhorinha lá que ela tinha um cabelo muito branquinho, uma mobilidade muito ruinzinha.
Ela andava bem devagarzinho, cabelo bem branquinho. E eu pensando, cara, como é que uma assim que diabo essa mulher fez para ela vir bater numa clínica psiquiátrica? Essa altura do campeonato, né?
Você pensa assim, não, quando tá assim deixa, >> né? >> Pois é. >> Não tem uns velho que você passa filmando às vezes.
Bom dia, ele vai tomar no cu, né? >> E ninguém liga, né? >> Então deixa, deixa, deixa para lá.
Não é não. Bota para dormir, a comida, faça as coisas, né? Faça companhia, brinque.
Mas o que é que ela veio fazer aqui? Aí eu >> nem um Chevete 82. Quebra o câmbio.
Ninguém vai falar: "Nossa, quebrou não, tu não falar. É assim mesmo, é quebra, >> quebra. Ele quebra".
E aí eu e aí eu eu perguntei, eu conversando com ela, ela me contou a vida dela, contou que era educadora de português, que era que ela fez, ela educou em Moçambique, em Angolaxa, >> no Brasil, em vários lugares do Nordeste, em alguns presídios no Brasil também, ela levava professores pros presídios para alfabetizar os presos, né? Hoje é uma época que nós temos a era digital, os presos, cada um já tem seu celular. [risadas] Dá para pesquisar, você adquire conhecimento de qualquer lugar, entendeu?
Mas antigamente não era assim. A pessoa, poxa, >> já marem da sociedade, >> tá preso, saiu daqui 30 anos, sem educação vai fazer o quê? Nada, vai roubar, não é não.
Então eles iam ensinar dentro dos presídios. E aí ela foi, ela, ele me contou um fato, um negócio interessante que foi, ela foi ensinada numa cidade na China que chama Macau, que fala português, que foi acho que colonizada por portugueses, eu acho, e aí ficou. Hoje fala chinês e >> tá acabando o português.
Ela foi educar professores de português para continuar ensinando português, pro português não morrer lá. E eu, minha, nossa senhora, como é que essa senhora tá internada, gente? uma mulher tão formada, tão capacitada dessa.
Eu perguntei: "Minha senhora, se não for invadir sua vida, por favor, >> por que que você tá aqui? " >> "Por que a senhora tá aqui? " Ela disse: "Olha, eu tinha 50 anos de casado, meu marido terminou comigo nas bodas de ouro.
" >> O quê? >> E aí eu já muito idosa, pensando viver a minha vida inteira com o cara, como é que eu vou? Me botou para fora de casa.
Aí ela disse: "Vou dar um fim na minha vida". Ela morava no 15º andar. Uma mobilidade muito ruinzinha assim, bem idosinha, subiu na na janela, balançou, balançou, caiu para dentro do apartamento, tuco, a cabeça no chão, puc, os meninos chegaram, mamãe tá doida, internaram a ver, >> cara, olha isso, >> a [ __ ] eu, ou mano, >> mano, >> aí fiz um quadro dei para ela, aí fui fazendo os quadros pra turma, de vez em quando alguém me pedia, ei, faz um para mim assim, a gosto da galera gostava do desenho que eu fazia.
faz o para mim assim hoje. Aí eu tá. >> Quanto tempo você ficou lá?
>> Eh, fiquei uns uns 15 dias da primeira e aí eu fui para casa com a companhe terapêutica, era para eu ficar em casa e eu comecei a estranhar o cara. Como >> assim começou a estranhar. Como assim?
>> E aí eu fui para outra clínica. Eu comecei a dar uma estranhada porque o cara >> bateu >> não, tipo assim, >> cara, você quando você quando você passa por um momento assim de internação, não é um Big Brother, você tá bem vulnerável, você passa os poderes da sua vida para outras pessoas, >> entendeu? E aí eu comecei a ficar assim, cara, eh, eu eu quando der 15 dias eu posso ir para casa e fal: "Então, você faz o teste, se você quiser ficar mais, você aí quando deu os 15 dias, eles eu eu acho que é melhor você ficar mais".
Eu falei: "Ah, depois vocês começam a dizer que o índice de verdade tá aqui fora fazendo sucesso e que eu sou fal, vocês estão aqui dentro dizendo: "Eu conheço esses filmes, eu já assisti". Ah, >> e aí? Aí eu fui para casa, eles deixaram um acompanhante terapêutico comigo, uma pessoa que fica todo o tempo dando remédio e tudo mais, pá, pá.
Um cara de 1,90 m, lutador de gilgits lindo, [risadas] unitão, cara. E aí eu comecei bicho, a olhar esse cara diferente, assim, interessante, porque eu foi a primeira vez que um homem cuidou de mim bem, >> sei. >> Com carinho, afeto.
>> Homes, homens são difíceis de se abrir. A gente não fala muito as coisas uns pros outros, mesmo amigo, entendeu? Assim, quando tá pela hora da morte, o cara chama para tomar uma para desabafar.
>> O cara tá morrendo e fala: "Eu te amo, hein? Morre, né? dia seginte >> em vez de dizer o que é que tá acontecendo, entendeu?
>> Então assim, o cara me tratando bem, tava acordando todo dia com remédio na mão, bom dia, bebê, >> aquela vozinha, né? >> Cedão assim, eu olhava assim para ele, falava: "Para, me dá esse remédio aqui, né? >> Bista, [risadas] >> bobo".
Aí o cara reflete, mano. É >> porque mulheres t momentos, a mulher fica pelada com a outra sem ser sexualmente. >> Olha, nossa, teu peito é tão bonitinho, mulher.
Redondinho, né? >> Quando nós não fica pelado, pega, >> nós não fica pelado um com o outro para dizer assim: "Olha, o teu ovo é um pouco mais [risadas] caidinho, né? >> Olha aqui, olha aqui, olha aqui, cara.
Olha aqui >> ver o movimento, né? Porque o testículo é uma coisa que tem um movimento interessante. >> É, às vezes um tá para cima para >> Não, então ele não para nunca.
Isso que é interessante. Ele tá sempre no movimentinho assim do >> mulherada não sabe, né? >> De um breakinho assim, ó.
[risadas] Você fica olhando, ele não para. É uma bola desce, a outra sobe. Não é que elas são diferente >> não.
Elas estão em movimento >> de polaridade, tentando encontrar ali o >> É >> temperatura muda, ela muda. >> Então aí você reflete, né? [risadas] Aí um dia eu tava na sala em casa e eu pensando assim, cara, eu acho que talvez seja isso que seja o meu problema da minha vida.
>> Ah, é? Passou isso pelo sua cabeça. >> Eu sou gay, cara.
É, mano. Ah, mas se eu foguei eu vou ter que eu vou ter que fazer também o que gay faz, né? João Cláudio Moreno fala uma frase muito massa.
Ele disse assim: "Se eu foguei, eu vou só chupar mesmo. [risadas] Se eu foguei, eu vou só chupar.