Narrativas compartilhadas têm um brasileiro ouvindo o professor Roberto Gill Camargo, que só narra. A compartilhar desse projeto, continuo ouvindo o professor Roberto Gill Camargo, que agora vai falar um pouquinho a respeito dessas questões: o que é o teatro estudantil, o que é o teatro amador, o que é o teatro profissional. E aí, também dentro do estudantil, o universitário José, cada um deles tem a sua característica.
Gozador, eu nunca consegui me fixar; por exemplo, no caso do profissional, nunca me interessou ser profissional e viver disso. Eu gosto de transitar entre essas coisas, então estou sempre em um lugar, sempre entrando e saindo, porque vejo que consigo estar em todos sem estar em nenhum. E acho muito confortável, muito confortável.
Inclusive, às vezes me convidam para trabalhar como iluminador, e já fui várias vezes para dirigir ou fazer a iluminação do espetáculo. Eu já… eu não gosto, porque não sei se vou falar aquela língua, se vou entender, porque tenho uma ideia tão pronta na minha cabeça, tão construída, que tenho muita dificuldade de entrar em outra linguagem. Eu respeito, mas não sei se consigo dialogar com aquela linguagem.
Então, às vezes, peço até um preço bem alto. Se me pagarem, vou, mas é mais para não pagarem. E às vezes pagam, e da passagem aérea, anunciam que vai pagar.
Mas assim, eu não me coloco por inteiro; não consigo colocar por inteiro uma coisa que vejo que está bloqueada. Já atravessei essa fase lá atrás, não vou voltar atrás. Não vou pôr dinheiro nisso.
Então, quando a pessoa insiste, muitas vezes dançam, convidam também… Eu já aceitei, já fui a algumas coisas. Eu fiz com o caseiro pelo programa Onda, da Unicamp, um trabalho que foi apresentado inclusive no Rock in Rio, iluminação. Fui lá fazer.
Não cobro nada; é um prazer para mim, é uma honra poder fazer. Agora, tem outras coisas que vejo que têm outra finalidade e não me interessam. Eu tenho dificuldade de transitar em alguns espaços, assim, de vez nesse cenário que você traçou.
E de teatro estudantil… de teatro estudantil, também não consigo ter a voz. Já passei por isso. O teatro profissional tem muitas características repertoriadas.
É uma coisa que não curto: fazer peças de repertório nem colocar o produto na prateleira. Eu não sou empresário e tenho dificuldade; inclusive, respeito quem faz. Mas sei que temos que saber qual é o nosso lugar.
O meu lugar não é lugar nenhum; é entre. Eu fico em todos eles. Gosto de todos, mas não quero me fixar em um, porque acho que a proposta que temos de trabalho é uma proposta que está subjacente a todos e independe de mercado, depende de público, independente de tudo.
Eu não faço para o público; eu faço. Quero fazer um bom trabalho, e é claro que respeito tudo o que quer que o público venha assistir. Mas eu não faço pensando no público, é uma maneira de vocês, um trabalho, né?
Esperar que as pessoas vejam, as pessoas digam, mas não que eu queira exatamente atingi-las com determinados recursos e modos de fazer. Respeito as pessoas que fazem assim, mas é uma opção. Eu me sinto bem assim, um trânsito por essas áreas.
Eles têm um respeito grande pelo meu trabalho também, me aceitam daquela maneira que é. E eu gosto assim, acho muito bem, é confortável e satisfatório. Porque você não se arrepende de nada e eu não quero me arrepender das coisas.
Quero fazer e me sentir bem com as coisas que faço. É meio isso. É por isso que fico transitando pelos estilos, meio como um japonês de arquitetar minha profissão, mexendo com os painéis e reconstruindo os espaços, não fixando-os em lugares determinados.
Brinco e falo um pouco sobre você, que é ato, Gil, professor, bossa. Até parece que vão na bola de maneira… então, é a arte, e um pouco de teatro também; é bastante, né? Talvez eu, como ator, já esteja ali, né?
Gosto muito e me dedico. Preparo todas as minhas aulas. Às vezes me falam assim: “Se não aprendeu ainda…” e eu falo: “Nunca vou aprender!
Nunca! Eu estou aprendendo. Quero aprender junto com os alunos e quero mais informação, mais coisas pra levar para eles”.
Então, é um prazer muito grande poder transmitir para as pessoas, de um modo mais leve, mais próximo, aquilo que acho importante e que as pessoas têm que saber. Acho que é isso que move a sua vontade de trabalhar, né? De criar o seu estilo de atender os alunos.
Nesse sentido, sou um professor da moda antiga. O Roberto gosta da teoria, gosta de ficar falando e passando informação, informação, informação, não dá muito espaço para o aluno, não. Infelizmente, não tenho esse lado, quer dizer, do espaço na minha fala e dialoga com a mente dele, né?
Com o conhecimento dele, pensando em fazer isso, esta minha forma de trabalhar. E apesar de ter aulas que são práticas de tudo, é um trabalho meio nessa maneira. Me sinto confortável, os alunos eu acho que gostam e vai, voando, momento de muita alegria dentro do teatro.
No entanto, sem entendê-la. E Roberto. No mês que vem, assim se lembra: na hora, deu muito.
Por exemplo, não consigo te dizer, são muitos. É, são muitas. Não existem alguns desprazeres também.
Quando eu queria atingir uma coisa que eu era mais jovem, eu não atingi; fiquei assustado para de perseguir as coisas. Vão ou não. As coisas que vêm também.
Ver, eu vou por um caminho, e esse me dá um prazer muito grande, um nome, dá muita segurança, muita diferença. É um ter um foco no que eu quero e perseguir aquele, aquele, né? Aquele sentido da faixa.
Assim, você vai pra lá, e é isso que você tem que chegar. Se você desviar desse percurso, aí você se fragiliza e fica dependendo do olhar externo, da aprovação externa. Eu não quero aprovação externa; eu quero que as pessoas.
. . nós nos aprovemos ou nós nos envolvemos, mas nada que seja uma coisa.
Eu estou aqui, você sai; é uma troca. No mesmo lugar, pra mim, o teatro é esse conjunto de coisas, assim. Não tem um momento, mas tem muitos momentos que eu passei em festivais, em viagens externas.
Agora, recentemente, na Bélgica, o espetáculo foi muito bem recebido. As pessoas perguntam: como é que vocês fazem? Como é que é isso?
Como é que aquilo? Conhecemos grupos de Doha, da Europa, que estão vivendo debaixo de bomba. É o caso do grupo da Ucrânia, na que o crânio é uma pressão da Rússia em cima deles, falando como é que eles fazem teatro, a dificuldade que têm para sair do país, para eles irem a um país vizinho do lado.
Quase não tão bonzinho, mas é muito mais próximo. Que morre! E então, aí você vê que você tenta inicializar que o Brasil é outra coisa, né?
Apesar dos problemas que tem, são problemas que é fácil; é só política. Os políticos quererem resolver envolve mais! Não havendo guerra, não explodindo bomba na sua casa na hora do almoço, tá bom, Joss?
Esses países, como as pessoas na Síria, por exemplo. . .
Nos meus antepassados, aliás, que o cara chega naquela tarde e a casa não existe mais entre os irmãos, e os pais não existem mais. Acabaram de soltar um negócio e explodiu. Então, essas coisas a gente não tem aqui.
Isso é algo, o motivo de a gente viajar, a cabeça num momento desse difícil, econômico, que a gente está passando, né? E a desinibida respinga na política, obviamente, mas não chega aos pés do que a gente vê por aí, muito pior. Então, nesse momento, são muito legais de encontrar outros núcleos, de conversar, de ver premiações, e tem todo aquele auê volta.
É muito legal. A gente não esquece. Você se vê como educador, é também, né?
Sim, do meu jeito, né, Roberto? O meu jeito é o jeito que eu sou, daqueles que eu aprendo aprendendo, o que eu faço fazendo. Eu não sigo; eu leio tudo que tem, mas eu dou muita importância, sabe, para essa coisa mais pragmática mesmo de você botar a mão na massa e ver como é que ela funciona.
E aí, como é que você vai trabalhar dentro dos. . .
Importância? E nesse sentido, acho que é uma forma linha do Carlinhos e educador, na, que é baseada mesmo em Pirituba. Um dia D, nas descobertas, né?
Na experiência que a gente traz, o corpo da gente traz, que a voz da gente traz, que o olhar pra gente traz. E que estou, é muito bem recebido pelos alunos, e eles retornam pra você uma energia que te dá mais força. É muito legal, muito bom, Gil.
Muito obrigado. Não é por eu ligar pra dizer que você tem feito. Você realmente, durante mais de 50 anos que a gente está por perto, e eu tenho observado bastante você nesse sentido.
Você é realmente um grande doador. Não é só o grande teatro, a obra do professor; você é amado por todas essas pessoas, o seu contexto familiar, seus alunos, as pessoas, o respeito à sua história realmente chama bonita. Isso aqui é só uma parte, né?
É daquilo que você está fazendo, porque vai muito além. E obrigado por essa partilha de todas essas coisas boas que têm a ver com você e que você consegue passar pra todos nós com tanta simplicidade, com tanta humildade, então, um. .
. tanta grandeza que existe aí. Viu?
Muito obrigado, em nome de todos esses alunos e todas as pessoas que você tem formado. Eu que agradeço ao Brasil, acho que esse convite, essa oportunidade de poder falar e a gente remexer a história da gente. A história, a gente aqui na universidade, esse trabalho que está fazendo também, um resgate de diálogo, é muito importante.
Acho que é a primeira vez que eu paro pra falar bastante. Eu sou dessas coisas todas, e com a sua presença, que você sempre acompanhou o meu trabalho. Sempre admirei, sempre soube da importância, né, que teve, com a sua presença, teve na minha vida, na minha carreira; não só na educação, como no teatro.
E que a gente sempre trocou essas informações a respeito dessas duas áreas. Você também está nas ruas, e eu. .
. Esse convite para vir aqui, eu falei: "Meu Deus, o que será que eu vou ter que falar? " E eu me senti muito à vontade.
Espero que tenha colaborado com as pessoas, curtem um pouquinho do daee, mas é uma delícia, porque, conforme for falando. . .
Da mesma deles, pelo menos começamos a localizar os espaços em Sorocaba. É que o teatro foi acontecendo e tenha sido, e as pessoas nem vindo. Então, é uma delícia, realmente, uma retrospectiva maravilhosa.
Você é uma figura muito importante e respeitada no teatro sorocabano, e não só. Lembro de açúcar, mulher do teatro sorocabano, que você leva as pessoas e mexe com a cabeça de muita gente. Leva também.
O nome da Uniso não é pra muitos espaços, então a nossa gratidão por tudo isso. Você, muito obrigado, muito obrigado! Ok, eu sonho.
Muito obrigado por nos acompanhar, mais ativas, compartilhados. Aquela peça.