Oi pessoal, tudo bem? Eu sou Rodrigo Monteiro, trabalho aqui na Embrapa Uva e Vinho em Bento Gonçalves, e tô aqui novamente para apresentar para vocês mais um vídeo que nós preparamos sobre os cuidados na viticultura. O vídeo de hoje é sobre as etapas do bom plantio das mudas de videira.
Para isso nós convidamos o nosso colega, o engenheiro agrônomo Daniel Grohs, para apresentar, na prática, cada uma das etapas desta tão importante fase que é a implantação dos vinhedos a partir do plantio das mudas. Então, agora a gente vai acompanhar as dicas do Daniel que tá lá no campo e vai apresentar pra gente cada passo do plantio das mudas. Olá!
Meu nome é Daniel Grohs, sou engenheiro agrônomo da Embrapa e nesse vídeo irei mostrar sobre os principais cuidados com a escolha o preparo e plantio de mudas de videiras do tipo raiz nua em condições de invernos bem definidos. Inicialmente, eu quero explicar sobre o que é uma muda de videira de raiz nua. É uma muda como esta, onde nós temos: a região das raízes do tipo raiz nua e por isso é o nome, porque ela não vem acompanhado de solo, o ponto de enxertia, onde ocorre a união do enxerto com porta enxerto e a cultivar copa, que é a variedade enxertada.
Esta muda ela é produzida, tradicionalmente, nessas regiões onde há invernos. Por quê? Porque o viveirista precisa de um ano para produzir essa muda.
Isso nos leva à questão da época de reserva de mudas do tipo raiz nua. Esta muda precisa ser reservada junto aos viveiristas com pelo menos um ano antes da realização do plantio. Então, em meados do mês de setembro do ano anterior ao plantio, o produtor deverá buscar viveiristas para realizar a reserva dessas mudas.
A importância da muda enxertada é a possibilidade de utilizar o porta-enxerto mais adaptado para a sua região de plantio. Na região sul do Brasil, especificamente na Serra Gaúcha, se utilizam porta-enxertos resistentes a determinadas doenças de solo. É por isso que nós recomendamos a utilização de mudas enxertadas em porta-enxertos e não a chamada muda em pé franco, que é a muda sem a utilização de porta-enxerto.
Como falei anteriormente, em regiões com estações bem definidas, como por exemplo no sul do Brasil, especificamente também, no Rio Grande do Sul, a época de plantio de mudas de raiz nua mais recomendada é do final do mês de julho até o início do mês de outubro. O que define o início o fim desse período é o risco de ocorrência de geadas tardias. Quanto maior o risco de ocorrência de geada tardia mais tarde deverá ser o plantio desta muda, a fim de que a eventual ocorrência de geadas não cause danos no início da brotação das mudas que é a época em que as mudas são mais sensíveis a esse evento.
Uma vez o produtor realizando a reserva da sua muda e, no ano seguinte, indo ao seu viveiro recolher essa muda ou recebendo a sua muda, uma etapa muito importante é a vistoria da qualidade dessa muda. Atualmente a Embrapa trabalha com uma série de viveiristas chamados licenciados que são indicados para a obtenção de mudas com uma qualidade superior, uma qualidade tanto morfológica quanto sanitária. Porém, mesmo adquirindo mudas desses viveiristas, o produtor deverá fazer o que nós chamamos de vistoria da qualidade.
Então aqui novamente eu tenho uma muda do tipo raiz nua onde eu irei mostrar a primeira vistoria que o produtor deverá fazer, que se refere à morfologia desta muda. Basicamente dois pontos devem ser observados: inicialmente o ponto de enxertia e, posteriormente, o ponto de emissão de raízes. O ponto de enxertia, deve ser plenamente soldado e isso será testado a partir do teste da torção do enxerto.
Aplicando-se uma torção média, esse enxerto não poderá ceder, isto é sinal de que a soldagem foi bem feita e não há fissuras e, no ponto de emissão de raízes, deve haver o que nós chamamos de simetria radicular. Ou seja, raízes de finas a médias devem circundar toda a região basal do porta-enxerto. Da mesma forma, nós temos que ter apenas um nível de raiz.
Outro aspecto a se observar se refere à distância entre o ponto de enxertia e o ponto de emissão de raízes. O tamanho mínimo varia de 20 a 30 centímetros, podendo ser mais, mas nunca ser menos. Esta muda ela poderá vir já podada, feita toalete, como é este caso, onde nós temos, no máximo, duas gemas na região da enxertia e as raízes em torno de 10 a 15 centímetros pelo menos de comprimento de raiz.
Bom pessoal, então agora vou mostrar uma muda de raiz nua fora do padrão morfológico. Aqui, nesse caso então, nós temos uma muda onde nós observamos uma assimetria do tronco. O porta-enxerto já está mais torto mas, principalmente, os maiores defeitos dessa muda se referem à raiz torta e aqui nós temos, inclusive, ferimento na base do porta-enxerto que é porta de entrada, possível porta de entrada para fungos de solo.
Dois níveis de raízes e nós temos aqui, na região do ponto de enxertia, a gente tem a presença de fissuras, que podem ser constatadas ao fazer o teste da torção, onde nós observamos que essa muda facilmente quebrou no ponto de Enxertia. Ou seja, aqui com essa quebra de enxerto provavelmente essa muda não se desenvolveria bem nos primeiros meses de crescimento. Além de realizar a análise morfológica dessa muda, que se refere aos aspectos de formação e externos dela, será realizada a análise sanitária dessa muda, que se refere aos aspectos internos de qualidade de formação desta muda.
Para tanto, nesse caso, iremos fazer, inicialmente, uma amostragem do lote de muda. O produtor irá coletar cinco mudas desse lote, as cinco melhores mudas. Serão realizados dois cortes em cada muda, inicialmente, em torno de um centímetro abaixo do ponto de enxertia será realizado o primeiro corte e em torno de um centímetro acima do ponto de emissão de raízes será realizado o segundo corte.
Nessas regiões internas o produtor irá verificar se há a ocorrência de necrose interna. Essas necroses internas, quando ocorrerem em percentuais muito elevados, (se utiliza como o valor padrão 50% de área necrosada em relação à área total) se considera que há um elevado risco dessa mulher estar contaminada por doença de tronco. Deve-se ressaltar que essa análise é muito importante porque há muitos casos relacionados ao declínio de vinhedos associados a mudas com problemas de doenças de tronco.
Uma vez verificada a ocorrência de necroses internas acima desse percentual em mais de uma das mudas mostradas, o produtor deverá imediatamente entrar em contato com o viveirista do qual obteve o seu lote e solicitar esclarecimentos com relação a essa necrose, a garantia sobre o plantio de muda ou a troca desse lote. Cabe salientar que mudas com esse grau de incidência de necroses não devem ser plantadas pelo viticultor até que ele solucione junto ao seu viveirista essa situação, com riscos de implantar o material contaminado em seu parreiral Antes do plantio da muda deve-se ter atenção com o preparo da área de plantio da muda. Aqui na Embrapa Uva e Vinho nós fizemos uma preparação de uma pequena área demonstrativa com os principais cuidados a serem tomados.
Então nós observamos que, na entrelinha, é mantida a cultura de inverno, que é semeada os meses de outubro e, no caso aqui, nós temos nabo e azevém. Na linha é onde é feito o revolvimento pra a realização do plantio da muda. É muito importante destacar que não se recomenda a utilização de herbicidas pré-emergentes antes do plantio da muda em função dos riscos de fitotoxidez.
Por isso a utilização de enxadas rotativas para o preparo de área é bastante eficiente para controlar as plantas que venham a exercer algum efeito de competição sobre esta muda. Além das plantas de cobertura, também deve ser considerada a adubação de correção desta área para as futuras mudas . Neste caso se considera a calagem e a aplicação do fósforo e do potássio, todos esses aplicados em cobertura e uniformizados num período mínimo de quatro meses antes do plantio.
A adubação nitrogenada será realizada após o início da brotação das mudas. Uma vez a muda sendo aprovada pela etapa de vistoria e o produtor estando na época recomendada de plantio realizaremos então o plantio desta muda. Porém deve-se destacar que algumas mudas algumas vezes, apesar de virem dentro do padrão morfológico e sanitário, elas vêm sem ter feito o que chamamos de toalete de mudas que, basicamente, é a poda do broto e a poda de raiz.
Como eu falei, esta muda ela deve ter no máximo duas gemas. Então nós iremos fazer o corte desse broto. Deve-se destacar que, muitas vezes, os produtores acabam optando por deixar esse broto, o que é um erro, pois esse broto ele brota mais fraco que o broto da base.
Então nós recomendamos a retirada desse broto. Com relação às raízes, apesar de bem formadas estão muito compridas essas raízes. Então nós recomendamos a distância em torno de 10 a 15 centímetros e realizaremos, também, a limpeza dessas raízes, fazendo então, a toalete.
Esse mesmo processo de limpeza e toalete de mudas também deve ser realizado quando forem compradas aquelas mudas em que o broto é extremamente longo. Há mudas em que há uma brotação com mais de um metro de comprimento. Da mesma forma, esta muda deve ser podada com duas a três gemas.
Após a realização da toalete dessa muda ela está preparada para a etapa de hidratação. A etapa de hidratação é muito importante para a aclimatação dessa muda pré-plantio. O que significa isso?
Muitas vezes essa muda fica algum tempo em câmara fria e pra ela ser repassada ao campo ela precisa de uma fase de transição, isso a gente realiza em tanques de hidratação com água. Esse período ele varia de 8 a 24 horas antes do plantio, imediatamente após a limpeza e a toalete da muda. Cabe destacar também que, se a área em que essa muda for plantada tem histórico de declínio e morte de plantas por doenças de solo ou doenças de tronco, esta água de hidratação pode ser tratada com fungicidas para proteção das raízes durante o período de desenvolvimento inicial da muda no campo.
Com relação ao plantio da muda, apesar do processo parecer simples, é nesse momento que determinadas técnicas que alguns viticultores aplicam há um elevado número de mortes de mudas. Basicamente por dois fatores. Primeiro - adubação na cova da muda: nós falamos de adubação de correção no preparo e adubação nitrogenada será feita após a brotação.
Então nesse momento não irá adubo no fundo da cova. O segundo se refere à profundidade de plantio, com relação ao sobre-enterrio da muda. Por ocasião do plantio, nós iremos enterrar essa muda ao nível da emissão das raízes.
Por isso que é importante a vistoria morfológica. Então nós iremos realizar uma profundidade de tal forma que nós acomodemos as raízes na sua forma simétrica e, ao realizar o enterrio, nós iremos fazer ao limite do ponto de emissão de raízes. Posteriormente faremos a compactação desse solo, a manutenção da simetria da muda e já colocaremos um tutor de condução do futuro broto.
Nessa área demonstrativa nós estamos colocando um tutor simples porque não foi montada uma estrutura de vinhedo. Em determinadas situações, como o sistema de latada ou sistema de espaldeira, o produtor já poderá deixar um fio de suporte. Não havendo o sistema já implantado, é comum colocar um tutor ou uma própria taquara para conduzir a brotação.
Outro aspecto relacionado ao momento do plantio se refere à necessidade ou não de irrigação. Dentro daquela janela de plantio recomendada para as regiões de clima de estações bem definidas, em geral, não há necessidade de irrigação suplementar. Porém, quando a primavera se mostrar com regime hídrico abaixo da média, especialmente nos 30 a 45 dias pós-plantio, é sim necessário realizar alguma suplementação com água, pra que essa muda, então, não sofra estresse e possa brotar.
Nesta área que nós preparamos pra essa demonstração há algumas mudas que estão em estágio recém plantadas e algumas mudas que já estão numa situação no estágio que estariam de 30 a 45 dias após o plantio, com a emissão dos primeiros brotos. Então agora vou mostrar o que nós faremos nesta próxima etapa, que é do início da brotação. Nesta fase nós iremos fazer a aplicação do adubo nitrogenado, caso a análise de solos indique.
Isso é muito importante, o produtor sempre considerar a indicação da análise do solo pra saber o tipo de adubo e a quantidade de adubo nitrogenado ser colocado. Iremos, também, fazer o alceamento, ou tutoramento desta muda e também iremos fazer o início do controle das plantas daninhas. Então, inicialmente, nós utilizaremos aqui, como demonstração, um adubo à base de composto orgânico.
Nnós sempre damos preferência a adubos de composição orgânica como cama de aviário, esterco bovino ou engaço de uva ou compostos de origem da viticultura. Sempre bem estabilizados e bem curtidos, secos e sem cheiro. Também pode-se utilizar a adubação mineral como diversas fontes hidrogenadas, como ureia ou nitratos, porém a utilização de compostos orgânicos, além de incrementar a matéria orgânica do solo, ela melhora a biota, os microrganismos deste solo.
Então, com relação à forma de aplicação desse adubo, que pode ser manual ou mecânica, indiferente da forma como for aplicado, ele deve ser aplicado na região da coroa, no entorno da muda. Então nós estamos utilizando aqui a dose recomendada para a nossa área e nós estamos colocando adubo, não diretamente em cima da muda, mas sim no seu entorno, fazendo o coroamento. Nunca colocar uma dose direto sobre a muda, porque isso pode causar sérios riscos de salinização e de toxidez e morte desta muda.
Realizada a aplicação do adubo nitrogenado, essa é a etapa em que se realiza, também, o tutoramento desta muda. Então nós observamos que nesta muda nós temos dois brotos sendo emitidos. Em geral, mudas do tipo raiz nua, enxertadas nesse sistema, elas tendem a ter um grande número de brotações na região da enxertia.
O que nós faremos nessa fase é tutorar e alcear esses dois brotos, basicamente em função da ocorrência eventual de geadas tardias ou de granizo no final da primavera. Havendo algum desses eventos, com dois brotos, temos chances de salvar essa muda. Então aqui nós estamos utilizando um alceador com fitas plásticas, porém o produtor poderá utilizar também o vime, o fitilho, ou outra forma de fazer este amarrio.
É muito importante realizar o amarrio, principalmente porque a ocorrência de ventos pode levar ao quebramento desses brotos. Como foi feita a limpeza da linha com enxada rotativa e as temperaturas do ambiente agora começam a se tornar mais elevadas, começa a haver uma maior proliferação de plantas daninhas que irão competir com essa muda. A Embrapa tem priorizado a utilização do controle alternativo ao uso de herbicidas pois a deriva de herbicidas pós-emergência de mudas nessa fase pode causar danos fitotóxicos nessa muda.
Tem algumas opções, a capina na no entorno da muda o coroamento da muda, a utilização de cobertura morta no entorno da muda, palha de outras culturas ou temos recomendado a utilização do disco de papelão que é uma opção utilizada em outras fruteiras e se aplica após a colocação do adubo no entorno da muda com a utilização de presilhas metálicas para evitar que o vento movimente esse disco. Com isso nós teremos um bom controle das plantas daninhas durante um prolongado período de tempo sem a necessidade da capina. O cuidado que se deve destacar com a utilização do disco de papelão é que, em condições de ano ou regiões em que chove muito durante a primavera e o verão, se recomenda o tratamento do disco de papelão com alguns fungicidas para que se diminua a sua degradação por ocasião da ocorrência das chuvas.
Na medida em que essa muda for crescendo e o período de risco de ocorrência de geadas tardias ou de granizo for terminando, o produtor deverá selecionar um daqueles brotos como principal e fazer o descarte do outro. Isso é importante para que essa planta tenha o vigor necessário para que ela se desenvolva e atinja o primeiro fio de condução ainda no primeiro ano, para que a gente possa fazer a poda de formação ainda no primeiro ano de plantio. Então, nesse caso, a nossa muda nós já observamos que ela já está em um estágio suficiente para que se escolha um dos brotos para a condução principal.
Então, simplesmente, nós iremos escolher o mais vigoroso, iremos descartar o outro broto e, agora, iremos novamente, então, alcear ou conduzir esse broto e, na medida que ele for crescendo, nós vamos conduzindo ele. Durante a etapa de crescimento inicial dessa muda, a partir da sua brotação, é muito importante o produtor considerar que, dependendo da variedade, o tratamento fitossanitário já deverá ser realizado. A doença que mais ocorre no período da primavera, principalmente em condições em que há ventos frios, é a antracnose.
Por isso o produtor deve se ater aos sintomas dessa doença e ao seu controle. Bom pessoal, aqui nós mostramos as principais etapas para o plantio de mudas. Isso é muito importante, pois o plantio da muda é o primeiro passo na formação de um vinhedo de qualidade.
E aí gente? Tudo bem? Gostaram do vídeo?
Conseguiram aprender bastante coisa com as explicações do Daniel? Eu tenho certeza que sim! Caso tenha ficado mais alguma dúvida vocês sabem que podem continuar contando com a Embrapa Uva e Vinho.
Acessem o nosso portal, o endereço está na descrição do vídeo. Assim como algumas das nossas publicações que tratam especificamente sobre o assunto do vídeo, por exemplo, esse guia prático para plantio de mudas de videiras. Vocês encontram essa publicação aqui na descrição do vídeo e também esse guia, que traz como identificar uma muda de qualidade, tudo aquilo que o Daniel acabou de explicar no vídeo.
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