Todo processo terapêutico precisa ter início, desenvolvimento e fechamento, assim como todas as sessões. As sessões elas não podem ficar livres, elas não podem ser soltas. Se você não entender cada etapa da sessão, você corre o risco de administrar muito mal o seu tempo.
Deixa eu te explicar porquê. Quando você começa uma sessão e o seu cliente ele não é conduzido pro resultado que se espera, você corre o risco do seu cliente começar com uma conversa trivial, você entender que ele já está entrando no conteúdo principal, não colocar limites e assim quando tiver mais ou menos faltando uns 10, 20, 15 minutos para concluir A sessão dele é ele virar para você e falar que o tema é outro. Isso é assustador.
Isso já aconteceu comigo e é por isso que eu estou aqui para te preparar. Você precisa saber o que fazer, quando fazer, como fazer em cada etapa da sessão. O início, ele tem uma perspectiva.
O principal ponto do início é você conseguir quebrar o gelo. É você conseguir ajudar o cliente a se soltar um pouco para encontrar nele uma facilidade maior de se abrir para você. Afinal de contas, essa tarefa não é uma tarefa fácil você se abrir para uma pessoa que você conhece tão pouco.
Por mais que você tenha certeza que a pessoa tá ali para te ajudar, é uma tarefa muito desafiante para quem está procurando ajuda. Então, quem precisa facilitar essa tarefa é o ajudante. O quebra gelo, ele tem que ser muito específico, como eu já disse, dependendo do conteúdo que você entrar, pode se estender de maneira indevida.
Por exemplo, vamos supor que você já conhece essa pessoa, né? Você já tem um conhecimento prévio dessa pessoa. Ela foi encaminhada por uma amiga em comum e aí você pergunta para ela: "Como é que tá seu marido?
" ou então como é que tá sua mãe? ou e os seus filhos. E aí ela começa a te contar, não, até que ele tava bem, meus meninos estavam bem, mas você acredita, menina, ele foi pra escola, pegou uma virose e aí às vezes a mulher ela é muito detalhista e ela vai contar uma história muito longa.
Então, quebra gelo tem que ser perguntas superficiais, só para dar uma relaxada, coisas do tipo assim: "Nossa, eu não esperava por esfrio, hoje esfriou, né? " Olha, mas e essa chuva que caiu? Você tava esperando?
Você veio de onde? Lá tava chovendo? Alguma coisa assim, entendeu?
Coisas mais superficiais. Ah, me conta como você ficou sabendo do meu trabalho. Quem te recomendou?
Ah, eu vi na internet. Ah, que bom, seja bem-vinda. Ou se a pessoa veio presencial, você pergunta assim para ela: "Foi difícil encontrar o endereço?
" Ou se for online, você pergunta para ela, você já tinha o Zoom, já usou o Zoom? Sabe como ele funciona? Quebra gelo.
Não tem que demorar mais do que 5 minutos. 2 minutos é o suficiente, só pra pessoa se acomodar para você dar início ao conteúdo principal. Você precisa discernir.
Tem pessoas que ficam 15 minutos no quebra-gelo. Isso é tirar tempo da sessão do seu cliente. E a responsabilidade da administração do tempo da sessão não é do seu cliente, é sua.
E você vai fazer isso de duas maneiras, tendo habilidade para persuadir e colocar limite. É uma delas. E a outra delas é fazendo acordos bem feitos, ensinando ao seu cliente já no início de do processo como vai funcionar para que ele também fique atento e você tenha liberdade de colocar limite nele na hora que for necessário, porque se você não fizer isso, você vai perder a autoridade com o seu cliente.
OK? Quebrou o gelo. Agora você precisa ir pro ponto essencial.
Se você perguntar pro seu cliente o por você está aqui, inevitavelmente dentro dele ele vai perguntar, ele vai dizer assim: "Uai, mas se eu soubesse, eu não estaria. " Porque às vezes o cliente chega, a vida dele tá funcionando muito bem, tem um bom marido, os filhos estão saudáveis, ganha dinheiro suficiente para ter uma certa tranquilidade, ainda assim existe um vazio ou ainda assim essa pessoa está num nível extremo de ansiedade. Então, a gente não pergunta pro cliente nenhum momento por expressão que leva o seu cliente imediatamente pra racionalização, tá?
Aqui nós vamos sempre preferir o para que, como, quando, qual motivo, OK? A gente vai sempre centrar nisso. E para introduzir, depois que o gelo já foi quebrado, você pode fazer algumas perguntas, como por exemplo, o que te trouxe até aqui?
O que te fez me procurar? Como eu posso te ajudar? O que você precisa para hoje?
Qual é a sua necessidade? Tem 1000 maneiras de você perguntar a razão pela qual a pessoa está ali. Você já sabe internamente que ninguém vai te procurar porque a vida tá funcionando bem.
Se você é um profissional da ajuda, essa pessoa vai te vai te procurar porque ela tem um problema, mas ela precisa te entregar esse problema. Se ela não te entrega um problema, você não pode seguir. Entenda bem, entregar um problema não é desabafar.
Às vezes o cliente fala para você assim: "Ah, sabe o que que é, Mirela? É porque eu briguei com meu marido e aí ela conta a briga inteirinha dela, uma briga que já dura 15 dias e no final ela não diz o para que que ela tá ali e ao final ela não te explica o que ela espera de você. E você precisa entender que essa comunicação, principalmente nas primeiras sessões, em todas elas, precisa ser muito clara.
Eu falo nas primeiras, porque nas primeiras sessões você educa o seu cliente para entender como ele vai agir com você, como ele vai funcionar durante o processo. Então a gente acaba tendo que ser mais cuidadoso na direção do cliente nas primeiras sessões, tá bom? Então, quando o cliente tiver desabafando e ele ainda não te entregou algo para você começar a trabalhar, você diz para ele assim: "Olha, eu entendi bem o que você me relatou.
Você me contou algo que aconteceu, você desabafou, mas eu quero entender o que você precisa. Quando você me conta essa história, para que você está me contando essa história? Porque dessa maneira você vai levando o seu cliente para uma profundidade maior e principalmente para uma responsabilidade com que ele tá te pedindo.
E se você não fizer isso, você vai se perder na condução. Eh, no início da carreira, eu lembro que eu deixava o cliente desabafar e ele desabafava, desabafava, desabafava. E às vezes eu achava que o cliente tava desabafando, por exemplo, falando do marido ou da esposa porque queria reconciliação.
E aí eu começava a conduzir percepções para que ele pudesse encontrar a solução para reconciliação. Quando eu menos esperava, o cliente soltava uma: "Não, mas eu não quero me reconciliar, eu quero me separar, entende? E aí eu e agora que que eu faço?
Então o seu cliente está confuso, você não deve estar. O seu cliente está perdido, você não pode estar. O seu cliente acha que não tem saída, você tem que ter certeza que tem solução.
O seu cliente tá sem esperança, você tem que ter coragem. O seu cliente não sabe se posicionar, por isso ele buscou alguém que precisa saber se posicionar. E o posicionamento, ele tem a ver com a sua habilidade de conduzir a sessão.
Então, todas as sessões, você precisa ter clareza o que você está fazendo nela, como você está fazendo e qual resultado você precisa alcançar. Mirele, qual o resultado que eu preciso alcançar nas minhas sessões? Primeiro é que você não é um profissional para gerar alívio apenas.
A maioria dos processos que existem no mercado, eles provocam alívio, mas não trazem solução clara. Você não, você é um profissional que vai ajudar o seu cliente a enxergar no invisível o que não está visível. Você vai trazer da escuridão o problema e colocá-lo na luz.
Quando esse problema estiver na luz, você vai ensinar o seu cliente a resolvê-lo no dia a dia. Compreenda, resultado não se tem dentro da sessão. O verdadeiro resultado é o que o cliente faz a partir daquilo que ele aprendeu, que tanto ele consegue aplicar aquilo que foi ensinado.
Então, a precisão do início da sessão é fundamental, fundamental para que você consiga chegar ao final dela com excelente resultado, fundamental para que você tenha clareza de como conduzir o fechamento. Então, o início ele precisa ser bem estratégico e o desenvolvimento ele precisa ser calculado. Então vamos falar agora um pouquinho do desenvolvimento.