Olá pessoal hoje vamos falar sobre lembrar repetir e pabor um texto de Freud de [Música] [Aplausos] 1914 pessoal vou ler esse texto A partir dessa edição da autêntica tá aqui fundamentos da clínica psicanalítica tradução bem bacana desse texto de 1914 que Aliás foi o primeiro texto que eu fiz aqui no canal né uma aula sobre esse texto já em 2016 8 anos atrás é uma aula bem sem edição bem mambembe Dei uma procurada aí no canal para vocês verem a diferença hoje vai ser uma aula mais curtinha né uma aula de oito partes aquela primeira
aula hoje vai ser só uma notícia desse texto para quem quiser ainda ter né interesse em debulhar bem o texto passo a passo recomendo aqueles vídeos lá de 8 anos atrás que provam a persistência aqui do trabalho né desse projeto que é conversas virtuais sobre psicanálise Então vamos ao texto a ideia principal aqui do Freud em lembrar repetir e pabor é fazer um pouco o percurso dele da passagem entre a Catarse método catártico método hipnótico e a descoberta da livra Associação da resistência e da transferência que vai determinar o outro método Clínico que é o
método da livre Associação que vai perpassar pela análise da transferência análise da resistência e esse termo novo que começa a aparecer né aqui a partir de 1914 um termo que já tá presente a gente sabe disso né na história da psicoterapia nos textos de Freud a ideia de per laab durch arbeiten durch arbeiten que em inglês ficou working through né dá essa ideia de atravessar né alguma coisa a própria ideia do termo né per laborar né atravessar trabalhar através né é o que o paciente faz quando tá falando em livre Associação retomando seus afetos o
método catártico importante né mencionar isso aqui de saída ele não tá descartado de forma alguma né a catarres ainda continua como elemento central da psicanalítica né sentir os afetos novamente ligar os afetos à palavras tudo isso faz parte de uma maneira ou outra da perlaboração então a perlaboração é atravessar isso é atravessar os seus afetos atravessar a sua história ligar os afetos de novo a aquelas coisas que estão no passado que tão perpassando sua história detalhe interessante assim é por que no título do texto né Tá lembrar repetir per laborar porque a lógica da análise
seria repetir primeiro né o paciente fica repetindo essas coisas né E a gente não sabe Exatamente porque repete depois a gente lembra porque que repete a gente começa a ter interpretações sobre isso e a partir disso longamente né a gente vai prlabor tentando dar sentido né mudar também essas repetições Por que que lembrar vem primeiro no título Eu acho que um pouco em homenagem ao percurso da própria teoria psicanalítica né primeiro o Freud estava interessado em lembrar né a psicanálise muito atrelada aind da Hipnose a sugestão ainda tava presa a ideia de que o trabalho
por Excelência da psicanálise era fazer com que as lembranças viessem a tono a lógica portanto da lembrança tá desde o início presente na psicanálise mas Óbvio quando a gente entra em análise é claro que a lembrança também vai ter prioridade absoluta a gente de maneira geral começa uma psicanálise falando de coisas do passado tentando fazer uma história uma historicização de si mesmo isso é muito frequente mas a ideia aqui do Freud é mostrar que a repetição é uma forma estranha de lembrar repetir algo e não saber exatamente porque que você repete alguma coisa Um Sintoma
né uma história amorosa um tipo de relação ou reação ao trabalho né a gente repete uma série de coisas é uma forma de lembrar uma estranha forma de lembrar Até que a gente desvende quais são os afetos as fantasias inconscientes que estão por detrás dessas repetições a gente continua nessa compulsão a repetição Até que a gente consiga atrelar a essa repetição uma memória alguma coisa que faça sentido a partir da nossa história a ideia de lembrar na análise vai caindo muito cedo né desde lembranças encobridoras por exemplo um texto né anterior ao século XX no
Freud isso já tá claro a gente inventa memórias As Memórias são reconstruídas as memórias servem para encobrir outras lembranças ou para de alguma maneira construir algo que de fato a gente nunca vai se lembrar o Freud né se a gente pensar um pouco no percurso da obra do Freud Né desde lembranças encobridoras até construções em análise né uns dos últimos textos dele essa ideia de que a memória vai ser construída de fato vai ser algo que a gente não vai poder confiar 100% né que o paciente Na verdade ele tá inventando né Um pouquinho né
da sua história e a partir dessas invenções que ele vai dando sentido pra sua história essas invenções fazem parte do que a gente vai chamar de construções e análise mas também desse trabalho de perlaboração um elemento interessante que o Freud vai falar nesse texto aqui no repetir que a convicção do paciente é independente da lembrança tese que ele vai repetir mais tarde lá no construções e análise então né essa pergunta fica sem sentido a pergunta de que mas paciente lembra mesmo né É verdade o que que ele tá construindo sobre a sua história é válido
né a partir de uma memória como se fosse uma certeza né uma evidência por assim dizer empírica da memória então se ele lembrou de fato Então agora ele tem um pouco da historicização de si mesmo correta né não tem nenhuma dúvida quanto a isso não é esse o caminho que Freud vai apontar Aliás a primazia da fantasia né que vai ganhando relevo depois do abandono da Hipnose vai dando ao Freud essa lógica da convicção de que o paciente tem que estar convicto com relação a si mesmo essa história faz sentido para mim é dessa maneira
que eu vejo é assim que eu leio e construo a minha própria história não é a partir de uma memória real e uma leitura imaginariamente aqui né um DVD que eu vou encontrar E aí eu vou ter efetivamente né o relato real da minha história e a partir daqui né eu vou ter efetivamente a certeza da minha própria história não é isso a convicção né que o Freud tá falando aqui no texto tem mais a ver com sentir na própria pele a sua história ver que faz sentido de alguma maneira se sentir bem sentir que
há um valor de verdade na construção da fantasia sobre si mesmo e aí o Freud anuncia tese genial desse texto absolutamente incrível que o paciente não se lembra das coisas mas atua ao invés de lembrar essa ideia de que a gente repete ao invés de lembrar é incrível porque situa a memória em outro Campo não é mais uma memória discursiva né uma imagem que eu vou tá por assim dizer tentando recuperar não não a memória tá inscrita no nosso próprio corpo a memória tá inscrita nas nossas ações nos nossos comportamentos e no modo de como
a gente se relaciona consigo mesmo com o mundo com o outro e a gente repete essa repetição é uma maneira de se lembrar essa ideia do Freud que tá absolutamente bem descrita na frase o analisando não se lembra de mais nada do que foi esquecido e recalcado mas ele atua com aquilo ele não o reproduz Como Lembrança mas como ato ele repete sem obviamente saber o que repete essa ideia de que ele vai repetir para lembrar ou melhor ele vai repetir porque não não se lembra né uma maneira dele se lembrar então o frud tá
né usando de alguma maneira aqui um paradoxo né assim eu me lembro repetindo mas ao repetir eu não me lembro né E aí é interessante Porque a partir desse momento quando o Freud associa memória e repetição ele traz pro Primeiro Plano A ideia de transferência o exemplo que ele traz aqui é o seguinte o analisando não conta que lembra ter sido Rebelde incrédulo diante da idade dos pais mas se comporta dessa forma diante do médico então a transferência com o analista Repete aquilo que ele não se lembra da sua relação do seu comportamento com relação
aos pais por exemplo mas na transferência a repetição no texto isso vai ficando cada vez mais claro a transferência vai ganhando uma importância gigantesca porque na transferência há uma repetição daquilo que a gente foi sem saber que foi há uma repetição de comportamentos de estilo de afetos de fantasias que são eliciadas produzidas na relação analítica das quais a gente não tem ideia a gente não se lembra delas narrativamente verbalmente a gente se lembra atuando isso aos poucos na relação transferencial é que a gente vai conseguindo nomear isso inclusive com a ajuda do próprio analista r
[Música]