Por que garimpo é uma ameaça às terras indígenas? De acordo com a nossa legislação, não é possível realizar atividades garimpeiras dentro das terras indígenas. Ainda assim, aqueles que lucram com a exploração ilegal de ouro continuam avançando sobre os territórios dos povos originários.
O garimpo causa impactos devastadores para a floresta e seus povos. Para além dos prejuízos ambientais, como contaminação e assoreamento de rios, desvios dos cursos fluviais e mortes de animais, essa atividade causa também graves problemas sociais, como prostituição, condições insalubres de trabalho, aumento do consumo de drogas e perturbações severas na organização social e política das populações que vivem na região explorada. Uma das piores consequências do garimpo é a contaminação por mercúrio.
Utilizado para facilitar a mineração de ouro, esse metal pode causar irreversíveis danos ao sistema nervoso dos seres vivos, entre eles os seres humanos. Segundo o MAP Biomas, de 2010 a 2020, a área ocupada pelo garimpo dentro de Terras Indígenas no Brasil cresceu 495%. Entre as áreas mais ameaçadas, hoje estão os territórios dos povos Yanomami em Roraima, e Munduruku e Kayapó, no Pará.
Na terra indígena Munduruku, por exemplo, houve um aumento de 363% na área degradada pelo garimpo entre 2019 e 2021.