Superadas maquetes as cartolinas da vida mas eles ainda usam outros recursos que podem ser utilizados né eu lembro que quando eu fiz faculdade de pedagogia em 2005 eu tinha um professor que ele falava que sim uma pessoa de idade média acordasse na nos dias de hoje a única coisa que ia ser igual essa escola tudo mudou na sociedade menos a escola já que eu acho que eu nunca tive de Coque não não primeiramente ela deixa sou eu sou eu é porque meu cabelo ele está sujo e aí que que acontece eu fui gravar um vídeo
hoje de um documentário E aí eu falei bom não vou lavar o cabelo né temos visita hoje mamãe tá aqui passando foi lanchar Oi tudo bem com a senhora Tudo ótimo então tá bom um abraço para vocês para você também aí eu falei que demora muito né meu Cabelo ele tá muito comprido então demora tipo Quase duas horas para secar e eu tenho muito cabelo muito cabelo tô até pensando em cortar porque eu não aguento mais assim demora para secar dá trabalho para cuidar trabalhoso Pois é mas levou o quê Dois anos para ele chegar
no complemento que ele tá aí você fica pensando qual que não corta corta não corta meu dilema até hoje uma vez eu cortei porque quando eu começo a demorar muito tempo para desembaraçar e Secar eu falei poxa quando ele tá curto é tão rapidinho até para finalizar é exatamente isso mas ele tem uma coisa o cuidado com o cabelo sempre foi do lugar de muito sofrimento né porque vendo Então hoje Se eu tiver que investir tempo no cabelo para mim é é tipo eu passei anos querendo não ter que investir tempo no cabelo agora que
eu tenho essa possibilidade eu não quero nada que me faça ficar muito tempo Eu não olho para o lugar de auto cuidado para mim é outra coisa não investir tempo e ficar cuidando do cabelo que eu passei muito tempo preciso usar shampoo sem usar nem finalizador Entendi então é engraçado essa questão do cabelo né Ela é bastante curiosa porque eu não acho também que cabelo tem a ver com autocuidado Mas é porque eu acho que apesar da minha pele ser mais escura do que a sua Nós somos mulheres negras de Pele clara e a nossa
feminilidade ela não é questionada Ela não ela não é algo que as pessoas duvidam se nós somos capazes de sermos ou não femininas então para a gente talvez cabelo nunca tenha sido algo que a gente é Dedicar se muito tempo ou tivesse um foco de angústia muito profundo porque eu tenho uma uma paciente na clínica uma mulher negra de pele tinta e era Engraçado que a última sessão que a gente fez ela passou uma hora falando Sobre o cabelo e ela falava para mim assim eu não tenho cabelo anelado igual ao seu o meu cabelo
não tem não balança igual o seu o meu cabelo não é como seu o meu cabelo foi engraçado né Depois dessa sessão ela não voltou mais tá análise e aí eu já tinha Claro livre sobre isso pensado sobre isso Teoricamente mas eu nunca tinha ouvido uma mulher negra elaborar tanto sobre o cabelo então ela tem agora ela tá com 52 ela disse que a Última vez que ela viu o cabelo dela de forma natural sem a extensão fazia 15 anos que ela tira uma extensão e coloca outra tira mais atenção e coloca outra daí ela
não consegue sair de casa sem a extensão então quando ela precisa trocar demora né tirar e colocar outra demora ela sai de manhã vai para o salão e passa tipo o dia inteiro lá fazendo isso e ela mora nos Estados Unidos então nos Estados Unidos é caríssimo Caríssimo caríssimo caríssimo e ela tava me contando que não tem coragem de usar leite de usar peruca Então ela prefere fazer extensão Porque ela disse que tem pesadelo de tá de peruca e a peruca cair e o cabelo dela é natural aparecer E aí eu fico pensando que tem
um lugar muito forte do gênero mesmo do ser mulher de negras de pele retinta e de uma geração ainda há bem né quem teve adolescência nos anos 80 Imagina você Cresceu com Luiz Caldas cantando no Faustão de domingo tipo a nega do cabelo duro Então não é um negócio de pentear é não é um negócio não é uma coisa que você né digere com facilidade então eu entendo por isso tipo para mim cortar grande loiro Preto marrom branco azul não tem muita questão mas para mulheres pretas de pele retinho tá é um problemático é uma
questão mesmo não é à toa que anima fez após o outro lado dela só sobre isso É fogo é difícil de hoje isso olha essa tese da Sueli que presente dela e o poder eu não terminei porque eu tô eu tô eu não consigo só fazer uma leitura leitura dinâmica eu vou fazendo um esquema escrevendo para poder entender para porque o conceito para mim é muito importante né eu faço um fluxo eu gosto de fazer um diagrama e Conceitos e eu conheço um pouco de vulcões lá acompanhando toda o referencial teórico dela para entender e
eu tenho uma pergunta eu tenho uma curiosidade que eu queria muito ver a perspectiva da Jaque a gente tá na aula 7 a gente tá trabalhando com a tese de doutorado da Sueli Carneiro a construção do outro Como não ser como fundamento do ser Dentro da programação da nicanda diga Joana Jaque eu fiquei surpresa a Sueli faz uma menção aqui a profecia Auto realizável certo tá é mais uma dúvida porque eu já estudei esse função Esse é um tema que é tá dentro dos conteúdos da empresa que eu trabalho que a gente dá treinamento sobre
isso ele usa eles usam a partir de uma outra Ótica e Eu tinha visto uma tese também não não foi uma tese acho que foi uma dissertação de Mestrado onde pega os estudos do rosental e reaplica na escolas públicas aqui em São Paulo inclusive na cidade de Mogi e aí chega a conclusão de que não dá para afirmar que a o pressuposto em relação ao grupo de pessoas o comportamento isso vai reafirmar né vai buscar ali um viés de confirmação ou que vai induzir aquele aquele grupo até aqueles comportamentos Esperados ou que foram criados expectativas
Apesar de que quando eu isso dentro de não da perspectiva racial Apesar que dentro da perspectiva racial eu toda eu sou junto com a Sueli assim tipo isso acaba historicamente né olhando o processo histórico que isso acaba e você acha que fala muito isso aqui nas aulas né já tem um pressuposto que é ser uma pessoa negra e aí às vezes as pessoas ficam tentando encaixar a sua história Naquilo que se espera de uma pessoa negra mas eu queria ver um pouco você A partir dessa Perspectiva da profissão realizável você vai ter que me relembrar
a profissão que realizável eu nem cheguei nessa parte na introdução ou no próprio Os quatro pontos no início ela fala antes dos quatro pontos ela fala isso do início para justificar a importância de olhar para as crenças relacionadas à população né a população Negra e ela aí quando ela começa a falar o conjunto de valores que vem lá desde a escravização que isso vai estruturar nossa sociedade e aí os estudos da profissão tão realizava que aí tem uma pessoa né que é um psicólogo americano que é o aposentar o que também depois acho que falam
que é efeito pigmaleão que ele fez um estudo dentro de uma escola americana onde ele deu dois pressupostos dividir um grupo de estudantes em de Forma aleatória e diz para os professores o seguinte esse grupo de estudante tem uma predisposição a serem mais inteligentes e o outro grupo são as pessoas menos inteligentes E aí os professores já entravam na sala dessas dessa turma que já tinha né que chegou a informação de que eles são mais inteligentes com uma postura isso reafirmava no resultado das aulas das notas no final do semestre no final do Ano letivo
enquanto que o outro grupo é afirmava essa crença porque tinha um rendimento menor só que o que mudava era que a postura a forma que o professor estruturava a aula forma como professor se dedicava para aquela turma A forma como tudo era desenhado para aquela turma era diferente então não é porque criou a expectativa que o que tinha algum efeito algum comprovação científica que aquelas pessoas fossem mais inteligentes mas a postura do Professor fez com que os comportamentos dos alunos fossem de que eram mais inteligentes E aí fizeram com que eles fossem mais preparados e
isso fizeram com que reafirmasse essa expectativa certo ela usa a ideia o conceito de alta essa como é que é auto realizável não ela não desenvolve ela não desenvolve eu tô olhando aqui que eu tô atrás aberta ela não desenvolve o Conceito ela menciona entendi porque eu não conseguia lembrar aonde ela trabalha essa ideia eu já li as peças com umas 8 vezes mas ouvindo você falar no meu mapeamento do texto eu achei uma situação que eu acho que é mais ou menos isso que ela tá dizendo ela fala assim na página 33 se a
racialidade é um elemento tático que pode atender a necessidade de justificação legitimação e realização de um objeto estratégico e a configuração que esse objeto Estratégico adquire adquirirá irá redefini-lo apontando-lhe novos conteúdos dimensões e possibilidades numa interação contínua que vai adequando tanto a racionalidade como os objetivos que acionam de acordo com as mudanças conjunturais que eu acho que essa narrativa que se constrói em torno da ideia de racionalidade tanto no sentido negro quanto no sentido branco e quanto mais ela é construída e afirmada mas ela vai se Tornando concretizável sem que o sujeito precise ter dispositivos
prévios para isso então não a pessoa negra não precisa ter nenhuma vivência que dê para ela um repertório sobre o que é ser negra porque dentro dos elementos sociais narrativos que a sociedade a única coisa que ela precisa é ser lida como Negra uma vez que ela foi vista como Negra ela é automaticamente enquadrada nesse lugar de negro e levada a performar Realizável é produzir essa forma específica de vida de do que é ser uma pessoa preta essa é acho que é a parte mais difícil da dimensão do racismo porque ela tem a ver com
estruturas culturais rígidas que estão dadas dentro da própria estrutura social embora não seja uma coisa que a Sueli que ela vai jogar isso Pela chave do dispositivo ela vai usar os dispositivos de poder do focou para dizer como é que Essa ideia de um sujeito negro subalterno é produzida para alimentar a ideia de um sujeito negro de um sujeito branco é alterno né que é que é visto na sua singularidade é respeitado na sua singularidade É valorizado na sua diferença estimulado a esse lugar de circularidade Porque quanto mais se afirma essa presença onipotente onisciente do
sujeito branco mas se afirma a ausência onipotente onisciente do sujeito negro ela é um impotente Porque ela é uma ausência poderosa porque ela essa ideia de onipotência da ausência da minha é uma coisa que já vem pensando é um tempo tô usando aqui como recurso para a gente poder trabalhar aqui na aula essa ideia de uma ausência onipotente ela tem um poder porque ela fomenta e consolida narrativas então de tanto ver pessoas negras ausentes nos espaços de tomada de decisão nós naturalizamos essa ausência e ela passa a ter um poder de validação ou seja o
Lugar do negro é na senzala o lugar do negro é na cozinha o lugar do negro é servindo a mesa porque a ausência dele nos espaços de tomada de decisão confirma a sua falta de habilidade para isso né ausência que na verdade ela é uma presença é dialética a dialética a tese antíteses e a síntese ou a antítese a síntese não me lembro agora mas é esse jogo de estrutura uma ausência que confirma o seu lugar no Padre social e legítima narrativas e Discursos de um lado a representatividade ela é importante porque ela quebra o
ciclo da ausência Ah então agora a gente tem pessoas negras em espaços de poder deputados senadores prefeitos governadores motivos pesquisadores doutores por outro lado que é Esse aspecto que a Sueli Carneiro chama atenção no texto a narrativa a episteme a lógica a razão ainda é branca a presença do corpo negro o único Exclusivamente não resolve o problema se a forma de produção da experiência ainda se mantiver entrada no modelo branco de experiência você substitui uma coisa pela outra mas no fundo a prática ela ainda é a mesma Esse é o ponto do que ela vem
trazendo com a ideia de abstemicídio na tese né Então quais seriam as três ideias que ela diz que tá por trás da homicídio os saberes os poderes e a subjetivação Ou seja a ausência de saberes negros a confirmação Da ausência do Poder negro e o fomento incentivo a manutenção de uma subjetividade alterna porque o sujeito não se vê essa função da filosofia mesmo ele não se vê representado na forma de produção da vida Eu acho que um bom exemplo disso é a ideia do marketing de alienação o que que o Marcos vai definir por alienação
é o fato de que o trabalhador não faz parte ou não se reconhece no Processo de produção da mercadoria e Portanto ele não se vê na mercadoria é como se ele tivesse fora desse processo não existe mercadoria sem trabalhador Porque o mercado é alimentado pelos trabalhadores e o produto é feito pelos trabalhadores o mercado é alimentado no sentido de Quem produz de quem consome porque 90% das coisas produzidas no capitalismo são produzidas para serem consumidas em larga escala em larga escala é a classe trabalhadora né a Burguesia no medicamente a burguesia no Brasil por exemplo
é composta de dez famílias a burguesia brasileira então não chega nem aos pés do que é a classe trabalhadora no Brasil e Marcos vai dizer que a janela a hora do bate-papo dos cachorros a para Marques a alienação é justamente o trabalhador não se reconhecer no processo de produção da mercadoria e nem na mercadoria ou seja o trabalhador faz Casa carro celular comida caneta a roupa sapato e muitas vezes ele não pode nem acessar essa mercadoria porque ele não tem recursos pelo acesso e ele não se reconhece como parte daquilo que o seu trabalho gera
aquele produto que gera riqueza a consciência de classe é a compreensão do seu lugar no processo de produção da riqueza se você tá no lugar de quem produz a riqueza ou de quem controla a riqueza é essa que a ideia de consciência de classe Digamos que o Processo de produção racial dentro de uma ideia de auto-realização ou nessa perspectiva para trabalhar com que a Joana trouxe hoje para gente é um processo de construção de alienação racial ou seja o sujeito negro não se vê como parte do processo de produção de uma identidade racial ele não
entende que essa identidade racial ela é construída a partir da sua experiência a gente só consegue pensar é por exemplo Em acarajé porque existiram pessoas que a partir da sua experiência portanto do seu saber mantiveram viva a forma de produção do acarajé e a gente associo acarajé a uma identidade preta não por causa da história porque é contado que a cada gel é um alimento preto mas por causa do corpo que faz o acarajé é essa Associação que a gente faz só que em algum lugar tem um clique que não conecta as pessoas nessas duas
coisas é O corpo preto que faz acarajé o acarajé é uma narrativa é um objeto um alimento é resultado de uma junção de gestos que leva a produção de um alimento que só existe porque tem uma prática preta que mantém ele só que essa ação preta ela não é reconhecida não é vista como saber e por não ser vista como um saber ela é destituída de uma ideia de poder poder como algo que possibilita atuar na estrutura que mantém as ideias funcionando E aí isso leva para uma ideia de subjetivação subalterna saber é só o
que está nos livros dentro da Universidade tanto que no curso de gastronomia se aprende a fazer comida francesa e não comida africana porque gastronomia é francesa comida pode ser indígena ou africana tem uma diferença entre esses dois lugares Porque tem uma diferença da conotação e do reconhecimento na estrutura do que essas duas coisas representam Não não deu mas eu eu reconheço que é um texto não é um texto simples para a gente ler né não é nada simples a tese dela é profundíssima eu acho até que assim se você me permite eu achei não sei
se tem algum outro texto né eu tenho poucas leituras nesse sentido mas eu achei inovador para mim o diálogo o início dela o diálogo profundo falar eu falo dessa postura de uma fala de uma escrava né com eu hegemonia Mas a forma como ela Dialoga eu achei assim muito interessante para uma tese né Eu adorei achei muito legal do que é um texto esse texto é uma tese uma tese de doutorado é isso que ela produz ali então quando a gente pensa em ideia o que que se espera na minha orientadora que fala isso quando
a gente está falando em tese de doutorado a gente está pensando o material como esse que a Sueli produziu pela pela profundidade do debate que ela faz e Pela forma como ela conduz o debate mas na eu Jaqueline a única coisa que eu critico nesse texto é o diálogo com focou porque eu acho que ela já tava no momento histórico aonde a gente não precisava mais ter que ler construir pensamento racial com autores brancos ele ainda é um autor Branco preocupado com a condição do mundo branco que é o Mundo Pequeno Burguês porém contudo nem
tanto vale a pena a Gente pensar que a Sueli fez filosofia da educação na USP e naquele contexto mesmo sendo no começo dos anos 2000 de 2006 a tese não tinha ainda e não tem mesmo até nos dias de hoje um reconhecimento da produção intelectual Negra como teoria o que a gente tem é uma o reconhecimento de uma narrativa crítica A lélia Gonzales é uma autora crítica do feminismo mas ela não é vista e percebida como uma teórica então uma das coisas por exemplo que eu Desculpo na Minha tese é que a Lelia afetou a
forma de produzir na antropologia no Brasil com as questões que ela traz ela inverteu a lógica da produção de antropologia e que ela precisa ser vista como uma teórica e não como uma narrativa crítica E aí tem uma baita diferença quando você olha para esses autores no lugar de teóricos e quando você olha para eles um lugar de reflexões críticas sobre feminismo ela tá fazendo uma Reflexão crítica sobre Antropologia Não ela tá produzindo teoria porque ela tá criando categorias ela tá propondo perspectivas de análise ela tá propondo formas de Interpretação da realidade e tudo isso
no caso do Brasil tem a ver com a compreensão que a universidade tem sobre o feminismo negro então a universidade gente que a gente já falou sobre isso em algum lugar olha para o feminismo negro como um campo de estudo e não como uma teoria qual que é A diferença de uma coisa para outra quando a gente pensa em termos de campo de estudo a gente está pensando na experiência tem um texto de um Scott Joe Scott que é mais Historiador inglesa e a gente usa muito ele na antropologia inclusive é um texto antigo dos
anos 90 que ela chama de a experiência e qual que é a discussão que ela faz nesse texto ela disse que a historiografia Pensa a experiência em duas Chaves tem a experiência e a experiência a Experiência é a vida cotidiana é a opinião dos interlocutores na pesquisa são os dados coletados no campo é uma experiência mera uma coisa Qualquer não tem nada de significativo e a experiência é toda narrativa produzida em torno das teorias que aí é visto como algo Sublime superior Fantástico então é a experiência e o que ela é problematiza é que não
existe diferença entre a experiência e a experiência tudo é Experiência o que muda é a chave de interpretação então enquanto a experiência cotidiana ela é vista como uma experiência sem valor acadêmico porque ela não parte do Olhar do intelectual branco que tá fechado dentro da Universidade que normalmente é de origem pequeno burguesa que não que não é trabalhador hoje para nós talvez essa discussão sobre ser Pequeno Burguês sou trabalhador ela seja uma discussão que não faz muito sentido mas a gente tem Que pensar que até os anos 90 com a queda no mundo de Berlim
esse posicionamento entre esquerda e direita era uma coisa muito mais rígida porque tinha a ver com seu lugar na produção histórica então para Marx a história escrita pelos trabalhadores e pela burguesia né só deu resultado da disputa entre esses dois lugares entre essas duas narrativas e narrativa é resultado da experiência então se a experiência que eu reconheço é a experiência do Burguês logo tudo aquilo que a classe trabalhadora faz Inclusive a mercadoria aquela luz não tem nenhum valor social nem histórico nem político nem filosófico nem geográfico nem pedagógico porque só vale o conhecimento produzido pela
burguesia por mais que focou sejam cada de esquerda ele é um cara de origem pequeno burguesa Então o que é que o foco sabe sobre pegar o trem das seis da tarde na central do Brasil nada né O que é que o foco sabe da vida no subúrbios De Marselha de Paris nada a não ser aquilo que ele leu ou aquilo que ele deduziu a partir da teoria essa é uma diferença considerável e lá no fundo a parte da discussão do pensamento da Colonial passa justamente pelo ponto de partida da produção teórica E aí olhar
experiência da população preta ou das mulheres pretas ou dos trabalhadores ou de qualquer grupo que não tá no topo né não é a narrativa escolhida como a narrativa que representa o período Histórico não é só uma questão de lugar de fala eu tenho uma birra com essa ideia porque eu acho que a ideia noção de lugar de fala mas foi muito mal apropriada porque quando desenvolve a ideia de lugar de fala ele tá fazendo uma discussão teórica como o partido comunista da valorização da produção teórica com o partido tinha ele não tá falando que lugar
de fala é o direito de fala de cada um ou a Valorização da fala de cada um Ele tá dizendo que a perspectiva da fala do sujeito ela tem que ser tão importante quanto aquilo que os livros produzem que a ideia de intelectual orgânica que o grande defende que a grande tese dele então a gente olha lugar de fala como esse lugar da experiência e como se essa experiência não tivesse nela uma camada complexa inclusive de saberes mesmo necessários para decifrar essa experiência para Entender como ela funciona que não é só uma questão de o
meu lugar meu posicionamento ou a forma como meu corpo é produzido Mas isso é complexo isso não é simples não é simples porque é um duelo em que as ideias é materialidade então de um lado a gente articula que as ideias são relevantes para a produção da realidade do outro lado a gente diz que é o corpo que ainda termina então se é o corpo Quem determina o lugar de fala de nós Quatro aqui presente por exemplo a única que poderia falar seria Viviane porque dentro de um modelo de corpo negro o dela é o
que mais se assemelha a esse modelo Mas e aí então a gente tira a possibilidade de olhar por um outro ângulo dessa mesma experiência a ideia aqui todas as experiências sejam tidas e validadas como experiência e que todas elas passam produzir conhecimento e uma multiplicidade de conhecimento não sei Se fica Claro porque é uma ideia complexa em alguma medida ela é antagônica às vezes não parece Mas explica eu tenho uma uma pergunta assim para até pensar junto eu já vi até você trazer isso em outras em outras aulas e que eu vejo que faz sentido
né quando a gente fala que a identidade racial ela é construída a partir da experiência né de como aquele corpo foi experimentou a Vida né Não só núcleo familiar como também só segura para a gente fazer um parênteses tem muita racial acho que eu já falei isso aqui também ela se baseia em dois pilares política e afetiva quando a gente pensa em experiência racial afetiva ela tá diretamente conectada à vivência do sujeito e aí tem uma diferença entre experiência entre vivência então é possível que uma pessoa Socialmente lida como Branca tenha sido socializada no Espaço
estruturalmente Negro num bairro periférico num Quilombo por educada por mulheres negras e ela tem uma identidade subjetiva e afetiva toda baseada nessa vivência mesmo que ela seja lida fisicamente como uma pessoa branca e a identidade racial política ela vem desse lugar da afirmação da negritude de da intencionalidade qual é a intenção quando uma pessoa diz eu sou lésbica ou Eu sou evangélica ou eu sou macumbeira ou eu sou economista eu sou médica tem uma intencionalidade nesse Terra nomeação do sujeito então houve esse espaço da construção política da identidade racial negra que é esse é um
espaço delicado aqui a gente pode pensar numa ideia de lugar de fala porque tem a ver com uma conexão de experiência mas aí não é vivência do sujeito a partir do seu eu para o mundo mas a forma como o mundo constrói essa ideia de eu que tá Na experiência do sujeito Preto então por mais que nós tenhamos uma educação uma identificação afetiva com lugar racial dependendo do contexto do jogo político não é interessante que a gente coloca como mulheres pretas e que a gente tome a narrativa política é a frente de mulheres pretas retintas
porque politicamente é aquela pessoa da Fabiana coisa fazer essa ideia então tem um lugar que ele é Político e que ele por ser político ele é estratégico performático intencional e esse é público e poder ser público por seres estratégico a gente tem que saber quais estratégias a gente utiliza para mobilizar ele dessa identidade preta é interessante que a gente tenha um número significativo de pessoas pretas na estrutura social isso também é político mas é também é importante entender como é que essas Identidades ou esses lugares vão sendo construídos né então quando a gente está falando
identidade racial É sempre bom pensar esses dois lugares o lugar político e lugar afetivo Ambos são relacionados porque depende do jogo de relações que tá dado nenhum deles é fixo e mutável porque se ele é relacional ele vai estar sempre dizendo visto pensar em repensado e eu acho que eles não têm o mesmo valor e por que eu tô chamando atenção para isso Porque quando a gente trabalha com desenvolvimento de pessoas pretas na clínica ou no seu caso por exemplo no desenvolvimento de carreira é importante considerar como essa identidade ela é mobilizar é possível que
uma pessoa preta de pele retinta produz uma identidade racial política mas não afetiva e é possível que uma pessoa preta produz identidade racial afetiva mas não política o ideal dos Mundos é uma identidade Afetiva e política por exemplo é possível que eu me veja como uma pessoa preta me coloca politicamente nesse lugar publicamente nesse lugar mas alise meu cabelo me relacionar apenas com pessoas brancas tem casado com uma pessoa branca tem filhos de pele clara desejo e projete o mundo branco como meu lugar ideal Seja lá o que isso queira dizer é possível que eu
seja uma pessoa que sei que sou preta que cresci Numa família de Pessoas pretas que cresci no samba indo para Macumba é entre uma comunidade preta mas tem a zero consciência política disso inclusive diga que cota é coisa de coitado porque politicamente eu não entenda a necessidade disso e o ideal dos Mundos é possível que tem uma coisa nem outra que eu só esteja no mundo vivendo e não tenha nenhum tipo de reflexão sobre ser negra ou ser branca e eu só sou uma pessoa que tá aí no mundo e é possível que eu tenho
as duas coisas Uma identidade isso é afrocentrismo é quando você tem uma construção afetiva sobre a sua identidade e política sobre sua identidade e Produza as ações da sua vida pautadas nesse lugar nessa ideia de um sujeito racial afetivo e político Então se relaciona com pessoas pretas consomem de pessoas pretas de pessoas pretas produz para pessoas pretas são essas as diferenças mas continua a raciocínio não foi bom você Abrir porque sabe o que que é curioso E por que que eu ia perguntar isso porque agora que na formação eu tô conseguindo meio que preencher algumas
lacunas da minha experiência com aporte teórico porque eu sempre tive esse lugar muito intuitivo Tanto que por exemplo eu não deixo usar a minha imagem como mulher negra na empresa nem rede social e absolutamente lugar nenhum né depender nem falo sobre isso E aí tendo agora a oportunidade de acompanhar um grupo de Pessoas negras né dentro desse dessa perspectiva do desenvolvimento pessoal é claro que ali eu percebo que tem pessoas que facilmente também são lidas como brancas não necessariamente tipo uma Ivete Sangalo eu gosto muito do exemplo da Ivete Sangalo é por exemplo né São
pessoas que não necessariamente tem peles Claras mas que são lidas e tratadas como pessoas brancas e tem mulheres pretas retintas e aí eu não acho que a Anitta tratada como uma Mulher branca Anitta ela é emocionalmente vista e percebi eu acho que é por isso que ela vive bem nos Estados Unidos no Brasil ela ela é vista como uma mulher negra embora a questão da racialidade do Brasil ela é um mal estar verbal então tanto pessoas negras têm dificuldade de dizer eu sou negra como pessoas brancas têm dificuldade de dizer que as pessoas negras que
elas são negras é um negócio muito doido e eu vejo isso na clínica com as Mulheres a dificuldade que elas têm de elaborar sobre a sua racionalidade é muito difícil falar agrada falar nisso memórias a plantação é muito difícil elaborar a menos que seja algo inegável tipo tem a pele retinta e isso é inegável mas ainda assim é difícil elaborar sobre chegar nos detalhes mesmo de elaborar Essa racialidade eu não acho que a Anitta é vista como Branca mas também não acho que ela é nomeada como Preta Mas ela é no jogo das relações sociais
era o tempo todo enquadrada no lugar da mulher preta que é um lugar que ela entendeu que era interessante que dentro dos seis lugares fala ela tá no lugar da prostituta da mulata é esse lugar e aí quando ela tenta dizer que ela é empresária aquela inteligente que ela tem outras habilidades além do corpo as pessoas reforçam de novo no lugar do corpo porque na experiência preta o corpo ele é o portador da racialidade Porque é no corpo que a gente reconhece que é preto é na cor da pele é um tipo de cabelo Então
é ele a razão preta é a razão corporal que a gente silencia porque não reconhece como razão na Minha tese O Que Eu Discuto é justamente essa razão preta que tá no corpo que a gente vê no gestos tal e que ela precisa ser pensada porque ela quer pisou na experiência Preta quando vai para fala já é um outro processo que normalmente está ligado Essa ideia do político é quando eu me reconheço como preta e elaboro na minha fala esse lugar político intencional Eu sou preta e ser preta significa isso aquilo aquilo mas no corpo
todo mundo reconhece que é preto na relação social Todo mundo sabe quem é preto que é branco isso tá o tempo inteiro colocado nas relações e acho que a Anitta vive bem nos Estados Unidos porque lá era Latina E aí então é como se esse mal-estar Racial que não pudesse ser nomeado no Brasil nos Estados Unidos finalmente pode ter um nome e aí dá uma certa paz porque em quadra em algum lugar então lá ela é Latina e tá tudo bem ela não é preta nem branca ela é Latina e ela pode fazer coisas de
latina né Por exemplo rebolar a bunda porque se espera que uma Latina é bola é bunda porque mulheres Latina são hipersexualizadas dentro da estrutura racial norte-americana mais do que as mulheres negras muito mais do que As mulheres negras nos Estados Unidos então a Ivete Sangalo Não a Ivete Sangalo Branca mas aí no caso da Ivete entra daqui ou a intersecção de Classe A Ivete nunca foi pobre tem a narrativa da menina igual Caetano Caetano nunca foi pobre então na estrutura social das cidades pequenas vem ter um pai funcionário público ou ter uma casa ou poder
estudar já demonstra dentro da dinâmica baiana o seu lugar de classe então Ter dinheiro em alguma medida para pessoas de pele clara como no caso da Ivete ou do Caetano possibilita passa habilidade que é isso né no caso de São Paulo toda a pele clara possibilita acesso a outras classes econômicas porque você pode ter trabalhos melhores inserção melhor no mercado de trabalho vai ter mais chance de contratação no caso Deles ter da pele clara mais o dinheiro é uma chave de aquecimento e aí então ele não é nem Preto nem Branco porque ele é baiano
é preto por direito branco por prazer então ele pode gozar em toda a moralidade os dois mas eles são vistos na sociedade pelo dinheiro com o brancos O que é muito curioso isso né Tem vários estudos sobre isso na Bahia dos anos 30 porque o sociólogo já tinha percebido isso lá mas continua sim e aí o que que eu percebo né desse grupo bom tem pouco meses ainda mas é algo que eu já venho Percebendo inclusive algumas falas de desconforto porque as pessoas eu percebo as pessoas que são pessoas pretas né e indiscutivelmente pretas e
que assumem essa postura política de ser preto porque aí Traz o tema racial como Central no debate ainda que esteja falando sobre desenvolvimento de lideranças e as pessoas que se autodeclaram como como negras né entra ali na história individual mas que também assume essa essa Identidade política e aí é que entra como é um programa específico para pessoas negras as pessoas se autodeclaram assume essa questão a identidade política mas não necessariamente ela tem essa que você fala né da do afetivo da socialização São pessoas que já não querem tanto falar sobre as questões de Negritude
percebe que não tem valores Não tem necessariamente Uma visão de mundo afro centrada E aí eu percebo que é isso às vezes da minha correlação né com o lugar de fala Porque o fato de se auto declarar como né até ali características que demarcam a Negritude que isso também é indiscutível mas talvez esse não seja o ponto quando a gente fala numa perspectiva social dessa confusão entre identidade política e identidade afetiva porque agora como se tem as ações afirmativas E aí para entrar nesse Processo de elaboração de São jornada individual porque isso não é trabalhado
ainda em Campos públicos não é um tema que é debatido como é debatido lugar de fala lugar de fala ele fica apenas minha percepção né no lugar social então o ponto é quando se fala de lugar de fala ser uma problemática porque o que eu mais escuta ainda organizações é não eu não posso falar sobre isso porque eu não tenho lugar de fala como se é a única possibilidade lugar de falar sobre Seriado perspectiva de uma pessoa negra uma pessoa que tenha marcadores sociais que não sejam hétero normativas né brancas normativas então seria essa problemática
que a gente vive e que é uma questão Como não se discute dessas duas identidades que ela pode ser gravar e aí tem uma situação como ACM de se auto declarar Pardo é mas pera aí eu acho que vamos voltar um pouquinho quando a gente pensa em Duas chaves para entender a identidade É como se a identidade Negra ela pudesse ser olhada ou por um ou por um lado ou pelo outro não é a mesma coisa não são os mesmos processos de produção de chegar porque o que que é identidade no que que a gente
está chamando de identidade então a gente pode pensar em identidade pela psicanálise pela antropologia pela psicologia Vamos fazer um mix dessas três coisas e pensar que identidade são os mecanismos de Alto Determinação do sujeito para o seu enquadramento no mundo é a forma como eu me Aff determino e a partir disso me localiza no mundo então eu posso me auto identificar né auto me determinar Negra a partir da minhas experiências afetivas daquilo que eu vi na minha vida pessoal ou pelas minhas escolhas políticas politicamente eu entendo pelas cotas porque entrar no mercado de trabalho é
melhor eu e político no sentido partidário esquerda direita político no Sentido clássico francês de politique de qualquer ação como a finalidade intencional qualquer coisa que eu faça que eu quero chegar no lugar com isso nesse sentido de uma ação dirigida de uma ação planejada então eu chego numa grande companhia e me autodeclado Negra porque eu tenho a intenção de ocupar espaço de poder econômico dentro dessa companhia não espaço de tomada de decisão espaço de poder econômico porque é comum executivos pretos dizerem que São rifados dentro das empresas e que as suas decisões ou as suas
contribuições não são valorizadas como os colegas brancos talvez daí que vem o desejo da mediunidade porque quer de alguma forma aparelhar né o colega branco então eu quero acessar esse espaço de poder econômico Então eu vou me declarar Negra tipo Fernando Holiday o que ele faz é usar a chave da racialidade para poder acessar espaços de poder que é a política então ele usa Essa identidade Negra porque ele não nega aquele negro ele reconhece que ele é negro até porque é fisicamente impossível ele dizer que não é negro mas não tem nenhuma outra intencionalidade Nisso
porque não tem um pilar afetivo aí vale a pena a gente colocar uma caixinha aqui nesse Pilar efetivo para olhar como psicanálise pensa isso a ausência da afetividade não quer dizer desculpa A negação da afetividade não quer dizer a ausência da afetividade ou seja por mais Que ele não reconheça lugares afetivos essa memória preta isso não quer dizer que ele não tem ao longo da vida dele está nesse lugar afetivo E aí como afeto eu não estou falando só coisas positivas ou prazerosas como afeta eu tô dizendo qualquer coisa na ordem do emocional e do
relacional que afete a estrutura psíquica da pessoa desde a ausência total da discussão racial em casa que é um tipo de afetamento até uma educação Completamente racializada do tipo você é preto e você tem que ter orgulho de ser preto ou qualquer coisa que nega essa racionalidade porque na psicanálise a ausência não quer dizer a não existência ausência quer dizer só não advertência aquilo que o sujeito não elabora tá ausente no discurso dele não quer dizer que não existe quer dizer que não foi advertido mas em algum momento isso vai ser divertido Para psicanálise ainda
não tem nenhuma diferença entre a identidade afetiva e política porque para psicanálise o político também é afetivo e afetivo também político mas eu acho que essa separação ajuda a gente a entender como é que as pessoas vão produzindo a sua autodeterminação racial ao longo da vida esse é um aspecto o outro é que vale a pena a gente pensar e acho que isso está muito no texto da Sueli por isso que eu Escolho esse texto para a gente trabalhar que essa ideia da construção de um sujeito racial dentro da forma como a nossa sociedade vai
produzindo as identidades dos lugares de determinação aonde as pessoas vão projetando a sua vida ela é uma forma de construção que ela é totalmente coletiva ela é totalmente amparada pelos lugares coletivos sejam os lugares Coletivos presentes ou os lugares coletivos ausentes só que aqui a gente vai pensar a presença como ausência e ausência como presença quando eu vou no pelourinho que é um bairro né dentro do coração de uma cidade vista como preta que nem é a cidade numericamente mais preta do Brasil mas ela tem essa fama e eu vejo uma ausência de pessoas pretas
e imediatamente essa ausência me remete a presença que é a ideia de que aqui é um Lugar Preto presença que não tem pessoas pretas ausência Mas mais mais menos é meu Deus do céu como é que é menos mais mais é igual a menos acho que é isso a fórmula matemática e ao contrário também então quando eu olho para um lugar como Cracolândia e só vejo corpos pretos e os únicos corpos brancos presentes ali é no âmbito da repressão isso me remete a uma interpretação a uma compreensão dessa dinâmica e a nossa sociedade por mais
Que ela Valorize a razão o corpo é um elemento muito importante muito importante porque o corpo é marcador de hierarquia gesto é marcador de hierarquia um exemplo bem clássico que eu adoro sobre gesto como marcador de hierarquia um dia eu tava com herpes labial E aí eu fiquei na farmácia e comprei a pomada caríssima vir é caro para e o antibiótico para poder tomar porque a minha Ginecologista tinha falado que tinha que tomar um antibiótico porque senão ela ela infeccionava e tem dia a machucar a boca toda então eu tô na farmácia comprando remédio e
pensando né na vida no remédio caro eu lembrei há muitos anos quando eu trabalhava como Educadora de rua e trabalhava com pessoas a situação de rua e uma das mulheres que eu tava atendendo no programa tava com a boca toda machucada E aí eu fiquei pensando como o gesto de Poder comprar o remédio já demonstrava o marcador de classe de nós duas porque eu pude acessar o médico e pude comprar o remédio como um gesto tão simples de comprar o remédio passado ele na boca demonstrava o meu lugar na estrutura social comparado com dela isso
para a gente pensar como o corpo é um marcador importante da organização da vida embora a gente não valoriza o corpo e sim a razão mas o corpo ele tem uma razão própria porque ele tem uma narrativa Ele Conta coisas então quando você fala por exemplo a Joana aí eu não finalizo meu cabelo esse não ato né ou ato ausente da finalização do cabelo fala de uma série de histórias memórias e vivências que estão conectados com a sua jornada e que estão conectados com os lugares que você transitou com as memórias que você acumulou para
relação com cabelo nesses espaços o ato de pensar o cabelo né o ato de colocar uma peruca ou de pintar o cabelo De raspar o cabelo são pequenos gestos mas que estão encarnados de uma série de repertórios que vão falar do sujeito isso é um conflito porque imagina uma pessoa preta de pele retinta que não pode negar racialidade porque ela tá encarnada no corpo mas que não consegue elaborar um lugar afetivo né de afetamento sobre essa racionalidade mas ao mesmo tempo pela intenção política de ocupar espaços de poder econômico tem que performar uma racionalidade ela
não Se identifica com essa racialidade do ponto de vista afetivo Mas ela é levada a performada uma racionalidade que já está pronta que já foi dita então uma roda de conversa entre executivos então tem lá homem branco uma mulher branca um homem negro gay uma mulher negra lésbica uma mulher trans Branca Então essas pessoas conversando determinadas falas são esperadas de Determinadas pessoas dentro desse contexto então é esperado que a mulher branca passa fala de defesa da maternidade porque no Imaginário social mulher é igual maternidade mas não é esperado que ela faça fala sobre a generalidade
E aí essa é a diferença do lugar político porque quando ele é política de todos ele é meu é seu é nosso para este lugar afetivo da Farma da forma como a gente olha lugar de fala me parece que a Forma como a gente tem pensado a gente não né mas coletivamente tem sido produzido da ideia de lugar de fala é um lugar que ele responsabiliza o sujeito pelas escolhas que são coletivas inviabiliza a possibilidade de responsabilização Coletiva e ainda reforça o status quo da forma de funcionamento porque se eu preciso ter o autor o
corpo que produz a fala daquela experiência para que as decisões possam Ser tomadas se aquele corpo não ocupa aquele espaço eu isento as pessoas aquele espaço de tomar decisões porque não é responsabilidade daqueles corpos que estão ali tomar as decisões que depende de um corpo específico que tem lugar de fala isso é um problemático isso é um nó então ou a gente entende que racismo é um problema estrutural que coletivo ou a gente continua achando que racismo é uma questão individual Depende de empatia de bom senso de boa Vontade são duas formas de olhar a
mesma coisa e as duas formas estão presas dentro de uma ideia sobre racialidade que é o que a Sueli problematizando o texto Qual é a ideia de racionalidade que a gente tem mobilizado para entender racismo a gente tá partindo de uma ideia de racionalidade pré-concebida dentro de um pensamento branco que condiciona o que é ser negro há lugares e ações específicas ou a gente tá pensando uma ideia de racionalidade que foi Construída ao longo da história e mobilizada de acordo com interesses específicos que a ideia de dispositivo de poder Então qual é o interesse coletivo
da sociedade brasileira em construir a ideia que tem construído sobre ser mulher negra imagina se a Anitta fosse publicamente reconhecida como Negra e isso ia ser um negócio de doido no Brasil ia ser assim Acho que o maior dedo no cu e gritaria da história brasileira porque ia quebrar Vários estereótipos sobre a ideia de ser negro e ao mesmo tempo ia trazer outras problematizações eu gosto de exemplo do Caetano também porque o Caetano ele é um cara que só tem ensino médio porque ele tem descalculia ele não conseguiu terminar a faculdade ele descobriu já bem
tarde que tinha descalculia E também porque quando ele fazia Faculdade de Filosofia na UFBA ele precisou vir para São Paulo ficar com a Betânia então ele largou a faculdade ele não concluiu a Faculdade e ele é visto como intelectual o Gilberto Gil é formado em administração e as pessoas não reconhecem intelectualidade do Gilberto Gil pelos parâmetros legais sociais a nossa sociedade o intelectual seria o Gilberto Gil e não Caetano Veloso Porque quem tem faculdade é o Gilberto Gil e não Caetano Veloso no entanto a gente reconhece o Caetano Veloso como um grande intelectual e ele
é de fato porque intelectualidade não Tem a ver com a universidade mas não nomeia e não reconhece o Gilberto Gil como um grande intelectual e é um cara que tem uma discussão crítica é muito mais profunda Caetano é um excelente poeta mas era discussão crítica profunda a nível que o Gilberto Gil faz assim tem um período da produção musical do Gilberto Gil que são álbuns de crítica abertos as questões raciais na sociedade de uma forma não explícita mas ele tá ali problematizando implicando com essas Ideias das músicas que ele escreve Esse é um exemplo de
como essa essa que a Sueli tá trazendo no texto né essas ideias de construção racial elas são problemáticas quando elas são enquadradas dentro de um pressuposto que não é o pressuposto que nós pessoas negras criamos Isso é uma pegadinha se nós somos socializados dentro do mundo Branco O Nosso repertório sobre ser negro vai ser Qual o número Branco porque é o espaço de socialização como é Que a gente modifica essa possibilidade quando a gente colocar pessoas negras contando produzindo narrativas teóricas sobre o que é ser negro a partir de uma experiência Negra o que ela
não fez na tese né porque ela tá discutindo com foco ao contrário do que ela fez aquela propõe isso é pensamento afropistêmico é a partir da experiência preta seja ela qual for cinema música teatro arquitetura A partir da experiência negra para criar narrativas que possam permitir que a gente Produza outras ideias de ser pessoa negra de subjetividade Negra Essa é a minha aposta na psicanálise porque eu acredito que a psicanálise como ela parte da experiência do sujeito ela possibilita uma ressignificação desse lugar do ser negro não é toda pessoa negra que consegue fazer psicanálise Porque
se o fá não tiver certo maior trauma de uma pessoa negra Ser negra Então não é tão simples lidar com isso não é só uma questão de desejo é uma coisa muito colorida é muito dolorido pensar sobre algo que você não muda tô ansioso tomou ansiolítico tô com insônia toma um remédio para dormir a minha maior angústia ser uma mulher negra e na imobiliária pegar uma informação de uma sala e ser tratada de forma inadequada isso se nitidamente porque eu sou negra como é que que você muda isso não tem Remédio não tem o que
fazer isso é muito angustiante muito mas assim pensando nesse nessa última fala que você fez já que a Sueli não fez o que ela propõe a discussão dela com focou você teria em mente assim com quem ela poderia discutir uma intelectual negro um fanão da vida um outro aí agora me passou isso na mente né Talvez um baby fosse um cara que ela pudesse pensar só Talvez o a imensa rir é um cara que tá então tem dois grandes autores pretos africanos é isso sem mencionar as feministas africanas que elas são acho que depois da
tese da Sueli precisa rim não são depois não são dois autores pretos que inclusive tem aula deles aí é ótimo que vocês acham a ideia de Negritude o que a gente chama de Negritude é um conceito desenvolvido por ele que estão pensando produção de Subjetividade preta a partir do jogo Colonial Porque também tem essas camadas né subjetividade preta na Ásia uma coisa na Europa é outra na África é outra na América Latina é outra no Brasil é diferente da Argentina nos Estados Unidos é diferente da Inglaterra no Caribe é diferente da América Central Então são
formas diferentes de pensar subjetividade mas eu acho que se a Sueli Carneiro tivesse usado seja rir ou em Bang ou até o fanon ou até a geladeira Isso também tá pensando sobre atividade na filosofia ela não tinha conseguido defender a tese porque os brancos não aceitam a teoria preta como teoria ela é vista como narrativa crítica mas não como teoria Isso aqui é uma teoria que tá me ajudando a explicar este problema de pesquisa e a gente também não tem hoje mais na época da Sueli talvez menos repertório teórico para conseguir embasar isso acho que
hoje a gente tem bem mais repertório Teórico também academia foi obrigada a se abrir muito para essa intelectualidade preta e aí é isso é uma boa tese é uma tese muito bem feita muito bem escrita é um trabalho primordial da Sueli tem muitas questões interessantes que ela traz na tese a única crítica que eu Jaqueline faço é isso assim né correu correu correu correu tá falando de epistemicídio e tá produzindo Teoria com branco mas até esse período muitos Intelectuais negros fizeram isso alera produziu a teoria dela com a cam por exemplo né no Lacan que
ela vai buscar repertório para discutir a questão da mulher negra e no dele a Beatriz Nascimento que é o texto da próxima aula discutiu com Deus e com esqueci o nome do outro filósofo francês que ela usou que na época era bastante comum que era da escola do satanie Sartori porque era o que tinha de repertório Para elas na época né Sueli a Beatriz Nascimento fez uma teoria linda toda baseada na filosofia francesa porque era o que tinha de acessível era o que tinha de repertório era que tinha de tese hoje a gente não precisa
fazer mais isso hoje a gente pode produzir Teoria com elas hoje a gente pode olhar para essas mulheres e para esses homens Abdias pobres Moura Sueli Milton Santos é Nilma Beatriz e produzir Guerreiro Ramos tem um outro cara que esqueci o nome agora Que ele também é da administração e que ele tem umas reflexões bem críticas sobre gestão de empresa gestão de pessoas gestão de carreira é ironia eu tava vendo o texto dele esses dias com professor medo doutorado a gente tava discutindo um texto dele eu vou lembrar o nome dele até o final enfim
hoje a gente tem outro repertório né bom neste texto temos mais alguma questão de trazer Olha eu acho que só esse texto daria Dario vikanda quase quase quase ai ai vamos voltar né ler mais ler acabar né porque eu não acabei de ler e aí nas próximas a gente vai fazendo essa essa né já que você a sua proposta que você falou desde o início o primeiro texto conversar até com o último Então é isso mesmo a gente vai fazer essa textura vai se encontrando isso que eu acho que Tem uma ideia no feminismo negro
pensando o feminismo enquanto aporte teórico e também é um texto que é uma coisa da psicanálise né psicanálise ela não se xinga não existe a coisa de eu vou fazer um curso de três anos de psicanálise e acabei minha formação desse análise não existe um lugar nenhum do mundo só nas escolas daqui do Brasil de psicanálise porque é contínuo né então quando a gente pensa na produção teórica é das Mulheres negras por exemplo é contínuo o processo de formação de pesquisa de leitura porque ele não se xinga isso a gente vai continuar percorrendo esse caminho
por muito muito tempo porque eu acho que essa ideia o pensamento ele é circular ele não é acumulativo né não se acumula ele continua sendo visto e revisto pensado e repensado bom então eu vou encerrar essa aula eu acho que dessa vez eu consigo encerrar sem que eu precise o parágrafo