tem se popularizado cada vez mais o uso do termo hiperfoco Como o próprio nome diz esse termo tem sido usado para se referir a algo que a pessoa gosta muito algum tema algum assunto que ela realmente se interessa muito sobre ele eu diria que o uso desse termo quase se tornou já parte de uma subcultura ali na comunidade do autismo É frequente você encontrar uma pessoa encontrando outra pessoa autista e perguntando sobre seus hiper focos e compartilhando seus hiper focos como se fosse uma via para se conhecer mesmo o sucesso foi tanto que na verdade
isso extrapolou para além da comunidade do autismo outras pessoas diagnosticadas com TDH por exemplo tem usado esse termo hiperfoco para se referirem ali alguns Episódios de grande interesse por alguma atividade algum tema no entanto em meio de tantas pessoas usando esse termo agora coloquialmente nas redes sociais acho que sem querer estamos perdendo o sentido Inicial que se refere a algo importantíssimo quando falamos do transtorno do espectro autista E é exatamente isso que nós vamos entender nesse vídeo para quem não me conhece o meu nome é William timura sou doutorando em psicologia cognição e comportamento pela
Universidade Federal de Minas Gerais também sou mestre em informática na educação e especialista em análise do comportamento aplicado ao autismo bom vamos começar falando do ponto de vista Clínico quando estamos falando de autismo necessariamente estamos falando de um transtorno e por estarmos falando de um transtorno também necessariamente estamos falando de prejuízos que afetam a qualidade de vida daquela pessoa e nesse sentido uma das características do autismo é justamente esse interesse restrito intenso fora do típico fora do convencional que algumas pessoas autistas podem apresentar e para entendermos na prática então como é o hiperfoco no autismo
primeiramente a gente precisa lembrar sempre que o autismo é um transtorno o espectro E pelo fato do espectro ser muito amplo justamente esses interesses vão se manifestar de formas diferentes de caso para caso usando o meu próprio caso como exemplo desde os meus primeiros anos de vida eu tinha um interesse muito grande um Fascínio mesmo por tudo que era interface digital desde rádios digitais calculadora até caixas eletrônicos de banco por exemplo o que naturalmente também me levou a gostar muito de videogames e jogos digitais e tudo mais e claro não é surpreendente que uma criança
goste de videogames mas no meu caso não se tratava de qualquer tipo de videogame ainda na pré-escola eu me lembro de observar o meu irmão jogando jogos de RPG japonês que são jogos extremamente complexos para minha idade naquela época e eu tinha um verdadeiro Fascínio por isso a tal ponto que eu chegava na pré-escola com os meus coleguinhas ali e queria falar com ele sobre esses jogos que o meu irmão estava jogando e que eu adorava só que literalmente nenhum coleguinha conhecia esse jogo E é claro não teria nem sequer idade para estar jogando esses
tipos de jogos e tudo mais então acho que você consegue imaginar que ficar falando a todo momento sobre jogos RPG japoneses não necessariamente me fazia a criança mais popular da escola por outro lado pensando em outra parte do espectro Principalmente quando estamos falando de maior nível de suporte o hiperfoco não necessariamente será assuntos ou uma temática pode se tratar na verdade de um determinado objeto ou uma categoria de objetos e muitas vezes pode envolver um interesse muito grande por objetos nada convencionais como por exemplo gravetos ralos tampas de panela em alguns casos pode até envolver
algum brinquedo que de fato é popular entre as crianças entre os jovens da idade da pessoa só que a pessoa autista não necessariamente vai interagir brincar com aquele objeto ou brinquedo da mesma forma como as outras pessoas tipicamente estão fazendo por exemplo a criança autista pode manifestar um interesse por um determinado boneco de ação que é muito popular entre as crianças típicas também mas ao invés de brincar de uma forma funcional com aquele brinquedo andando simulando ali algumas ações do brinquedo ela pode se interessar por algum aspecto algum detalhe como algo relacionado à costura da
roupa do brinquedo ou algum mecanismo específico de ação também pode existir o caso de uma pessoa que gosta de um determinado desenho animado de um determinado filme mas especificamente Demonstra o interesse bem claro em uma determinada parte daquele filme em uma determinada cena daquele desenho animado E aí ela repete várias e várias e várias vezes a mesma cena esses interesses restritos eles podem ter algum nível de variabilidade ao longo da vida Eu me recordo por exemplo por volta dos 6 anos de idade mais ou menos eu tinha um grande interesse em pedras preciosas e semipreciosas
e eu me recordo que eu gostava muito de enfileirá-los e categ oriz al-las entre preciosas e semipreciosas eu gostava de saber o nome de cada uma das Pedras e assim por diante gostava de falar sobre elas para as outras pessoas e um pouco mais adiante na minha vida ali já no início do Ensino Fundamental eu gostava muito de um desenho animado O Chamado Pokémon só que por volta dessa mesma época também outro desenho similar começou a passar na TV que era o Digimon e muitas pessoas conseguiram ver ali uma semelhança muito clara entre Digimon e
Pokémon e era muito comum para os meus colegas ali na escola de alguma maneira compararem Pokémon e Digimon e ao mesmo tempo brincarem com bonecos do Pokémon e bonecos do Digimon ao mesmo tempo fazerem perguntas Será que o haixu do Pokémon é mais forte do que o Greymon do Digimon mas para o pequeno William do Ensino Fundamental era impossível comparar monstros de um universo fictício do Pokémon com o universo fictício do Digimon os atributos de força defesa e elementos de um Pokémon só fazem sentido no universo dele e a escala de força e outros tipos
de evolução e assim por diante de um Digimon só faz sentido no universo dos digimons e enfim isso me rendeu diversas dores de cabeça de socialização na época porque era muito comum de misturarem os personagens ali dos dois universos nas brincadeiras lúdicas e eu simplesmente não aceitava isso afinal de contas o meu interesse era em Pokémon e não em Digimon mas na verdade depois de uns anos eu naturalmente fui flexibilizando isso e até passei a gostar de Digimon na verdade isso aconteceu porque na época eu gostava muito de videogames só que o meu videogame ele
não tinha jogos do Pokémon por outro lado lançaram um jogo do Digimon para o videogame que eu tinha então acabou sendo um evento aleatório que realmente contribuiu para minha flexibilização e também para a minha socialização na época o ponto principal desse vídeo é conseguirmos entender que por conta do interesse restrito Muitas vezes os autistas perdem oportunidades valiosas de interação social perdem pistas importantes na socialização e interação e justamente por perderem essas pistas eles acabam não desenvolvendo habilidades essenciais que vão servir de base para outras habilidades sociais mais sofisticadas no futuro e isso pode se tornar
uma bola de neve na vida da pessoa a tal ponto em que se nota os característicos déficits na interação social e comunicação como é diagnosticado no autismo e para ficar claro na prática Como isso acontece eu trago aqui alguns exemplos para vocês acompanharem comigo e a gente vai notar aqui alguns sinais de autismo nessas crianças e como isso pode levar elas a justamente perder essas oportunidades valiosas de socialização este aqui é o primeiro caso de uma criança de 20 meses em avaliação Para autismo e no cenário podemos ver a criança do do seu pai e
esse pote com chals né que são pequenos cereais e daqui a pouco uma profissional vai tentar interagir com a criança vamos ver a criança demonstra né ali uma um certo interesse em abrir o pote Note que a profissional estende a mão mas na verdade a criança não olha para profissional e também não olha para o seu pai ela quer abrir o pote mas ela não olha de volta para o seu pai numa intenção de solicitar ajuda a mãe abre o pote e a criança imediatamente presta muito mais atenção na tampa do que no conteúdo do
pote e ela fica virando e virando e virando a tampa repetidamente e repetindo mais uma vez o vídeo aqui nós podemos também notar que a profissional ela tenta interagir com a criança né então ela nota que ela tá interessada na tampa Então ela coloca um tial ali em cima da tampa só que a criança não liga ela continua girando e girando e girando a tampa e nem faz contato visual com a profissional vamos para outro exemplo agora está com dois objetos na mão um são Chaves convencionais e outro é uma chave de fenda de brinquedo
a filmagem começa no corredor enquanto a criança interage aqui né com esses objetos na mão a mãe começa a chamar ele na sala ele sem querer deixa um objeto cair né uma chave de fenda ali cair Ele pega a chave de fendo né então tem uma boa motivação de continuar ali carregando ela e aí ele se senta ao colo da mãe onde a mãe vai tentar contar uma história para ele mas note como ele engaja e continua engajado na chave a mãe Tenta tirar a chave da mão da Criança e aí a criança imediatamente começa
a mexer na pulseira da mãe e não presta atenção na história depois ela começa a brincar com a chave de fenda Até que a chave de fenda cai e ela imediatamente vai atrás da chave de fenda Caída no Chão repetindo aqui a cena note como a criança presta muito mais atenção na chave até o momento que a mãe tira a chave da mão da Criança e depois a criança presta atenção na chave de fenda de brinquedo na mão dela e depois na pulseira mas não presta atenção na história ela não reage com as interações da
mãe e ela só presta atenção e foca restritamente nesses objetos de grande interesse dela naquele momento não tem a ver com a interação com a mãe ali e nem com a história e mais um exemplo essa criança aqui tem 3 anos de idade e é ela tem demonstrado o interesse por objetos longos e finos ao longo da sua vida então você nota aqui que a mãe dela ela tenta fazer uma atividade com bolhas de sabão clássica Bolha de Sabão a criança não olha não faz contato visual com a mãe ela explora muito bem o ambiente
A Bolha de Sabão até pega nela ela parece se incomodar E aí de repente ela encontra um galho né um graveto E aí ela começa a interagir com as bolhas né usa o graveto para estourar as bolhas e tudo mais só que em nenhum momento ela responde à interação da mãee a mãe fala que legal que bacana só que a criança não olha para a mãe ela só fica focada nas bolhas inclusive até quase que de costas para a mãe enquanto ela tenta caçar as bolhas e eu espero que esses vídeos aqui também sirvam para
deixar mais claro o quanto o autismo é uma questão séria e que nada tem relação com criação ou se a criança foi mimada ou se ela não recebeu afeto do pai ou da mãe e assim por diante e um outro ponto importante a se ressaltar aqui é que não necessariamente a pessoa precisa de um hiperfoco tão característico para necessariamente fechar um diagnóstico de autismo na Perspectiva do dsm5 por exemplo ou seja se a pessoa de fato tem um interesse Muito restrito intenso em gravetos em fitas cassete em tampinhas de garrafa dentes de câmera dinossauros astronomia
vetas de telejornal ou enfim interesses como esse de fato podem sugerir um caso de autismo entretanto se a pessoa em questão não tem um hiperfoco tão característico como esses isso não necessariamente descarta uma hipótese de autismo e por fim algo interessante que eu também posso compartilhar aqui com vocês é que ao conversar com o meu irmão e os meus familiares sobre eventos do passado quando eu era realmente criança ainda né eu consigo Comparar as minhas memórias e os pontos que eu prestei atenção em determinados eventos sociais e comparo a memória e a narrativa de outras
pessoas que também estiveram presentes nesses mesmos eventos sociais muitas vezes eu consigo lembrar de detalhes Muito específicos todos relacionados às interfaces digitais aos jogos em qual momento do jogo a pessoa estava jogando alguma fala que o jogador emitiu por conta do jogo isso eu consigo me lembrar mas não costumo me lembrar nem sequer as pessoas muitas vezes que estavam envolvidas ali naquele evento talvez essa minha memória detalhada no que envolve jogos e interfaces digitais Possivelmente tenha relação justamente com essa característica do autismo que são esses interesses restritos e intensos a determinadas coisas mas então quer
dizer que hiperfoco é algo ruim clinicamente falando quando estamos falando de diagnóstico de autismo a regra é se não causa prejuízo então não estamos falando do hiperfoco característico do autismo já em conversas informais hiperfoco tem quase sido sinônimo de uma grande preferência e não necessariamente de algo característico de um transtorno Então nesse sentido quem teve contato com esse termo pelas redes sociais Possivelmente pode desenvolver a noção equivocada de que se trata apenas de algo que te Eng bastante algo de grande interesse para você e que na verdade em alguns casos sim de fato pode se
tratar de algo que seja muito divertido para você mas como acabamos de ver nesse vídeo na verdade notamos que hiperfoco é algo muito mais profundo do que somente isso e que muitas vezes é um ponto crucial que se relaciona a uma série de prejuízos que aquela pessoa vai ter na vida e algo que requer uma intervenção muito cautelosa e efetiva Espero que você tenha gostado desse vídeo e se você achou esse tipo de vídeo útil eu peço para que você compartilhe ele com outras pessoas nas redes sociais que isso ajuda o canal a continuar crescendo
e também sinta-se à vontade para deixar um comentário aqui para compartilhar a sua visão ou se você tiver alguma dúvida e como de costume Muito obrigado pela sua visualização