Então, agora nós vamos ver a professora Denise falando sobre o curso de Pedagogia, a entrada dela no curso de Pedagogia, então narrativas compartilhadas. Continuando a ouvir a professora Denise Lemos Gomes, logo que eu saí do curso de Letras, já resolvi fazer também Pedagogia. E, ao mesmo tempo, assim que finalizei o curso de Letras, eu fui contratada para dar aulas no colégio que hoje é o Colégio Objetivo.
Na ocasião, era Ciências e Letras daqui de Sorocaba. A gente tinha, inclusive, uma seleção tenebrosa, né? Porque eram todos os candidatos inscritos e a gente passava por uma banca de entrevista; depois, tínhamos que dar uma aula.
Até aí, parece comum, não é? Porque hoje os RHs estão fazendo até esse tipo de seleção. Só que a diferença é que a gente tinha que dar a aula para os concorrentes, e então era uma coisa artificial.
E, ao mesmo tempo, você sabia que o outro parecia que estava torcendo para que não desse certo. Então, eu preparei a minha aula e fomos para a sala, mas também achava que não seriam tantos candidatos. A sala estava lotada e eu tinha que vir para a aula de Pedagogia.
A seleção começou à tarde e foi se prolongando porque teve entrevista, várias fases e a banca até colocou assim à disposição para que a gente dissesse que ia se apresentar logo ou aguardar que eles fizessem as indicações de quem seriam os primeiros. Como eu tinha um compromisso, levantei a mão e falei: "Olha, eu gostaria de ser uma das primeiras porque eu tenho compromisso logo mais. " E aí também tinha um outro colega que, inclusive, trabalhava no jornal, que também disse que tinha um compromisso já no jornal, e acho que mais umas três pessoas se disponibilizaram a iniciar esse processo.
Entre eles, acredito que eu fui a terceira a apresentar a aula para os colegas, né? E apesar de ser esse clima, os colegas acabaram se envolvendo na aula que eu tinha preparado para comentar com eles. Mas finalizei pedindo licença e vim à universidade porque eu tinha aula.
Sempre fui muito caxias, não faltei de jeito nenhum, nem doente. Então, vim para a aula e fiquei aguardando, mas sem muitas expectativas, porque sabia de pessoas muito experientes. Tinha, inclusive, uma prima minha que ficou, foi ficando para o final, e ela até mandou, telefonou, porque na época não tinha nada de mensagens instantâneas.
Mas ela telefonou e falou assim: "Olha, Denise, sabe que eu acho que foi bem. Eu fui lá e não vi nela os outros. E você, como é que foi?
" E eu fiquei por último porque não queria ser espectadora. Aí ela disse: "Você foi muito corajosa. " Falei: "Não, eu acho que eu tinha que ser tratada da vida.
" Outras coisas, então, por isso que apresentei, mas não era tanta coragem assim, afinal. Mas todo mundo se envolveu, acho que você tem grandes chances. Mas fiquei com esse comentário dela e aguardei até que recebi o telefonema e fui convidada para trabalhar lá no Ciências e Letras.
E lá, dei aula também para inúmeros cursos: Magistério, Ciências Contábeis, EJA, Ensino Médio, EJA Fundamental, Ginásio, Ensino Fundamental anos finais, Ensino Médio, e por aí foi. E aí, paralelamente, fazendo o curso de Pedagogia, também encontrei pessoas maravilhosas que hoje também reencontro nos corredores: Professor Santano, Professora Vânia, que também foram excelentes professores, né? Que deixaram saudade como docentes.
E hoje eu tenho o privilégio de tê-los como amigos aqui na instituição. Depois que terminei o curso de Pedagogia, eu também fui fazer um concurso que também foi rápido; eu tive até uma relativa sorte de terminar o curso de Letras e já iniciar um concurso público estadual. Eu fiz esse concurso; na época, as vagas eram para o estado inteiro, então era complicado, a gente não sabia para onde ia, porque poderia ser qualquer parte do estado de São Paulo.
Eram muito concorridas as vagas e eu me lembro que estava bem nervosa nesse momento de escolha. E eu tinha uma tia que morava em Reginópolis, uma cidade desse tamanhinho, uma rua só praticamente, a trabalho de Bauru. E ela dizia assim: "Denise, não se incomode se você não conseguir uma vaga pertinho da sua cidade.
Na região, você vem morar comigo. " E assim para tentar me tranquilizar. E eu fiquei com aquilo na ideia, eu falei: "Ai que bom, né?
Eu tenho alguma coisa para recorrer. " Então, eu fiz uma listagem de escolas e fui no primeiro dia, no período da tarde, porque eu era a décima do segundo dia da classificação geral do estado. Então, eu falei: "Vou chegar e eles chamam de 10 em 10; eu não vou saber nem que vagas foram escolhidas e o que não foi.
" Então, eu fui numa segunda-feira à tarde para ver o que estava sobrando das vagas. Chegando lá, eu comecei a observar que todas as vagas de Bauru estavam indo embora, porque Bauru tem uma universidade muito forte, né? Então, teve pessoas que foram aprovadas no concurso, inclusive na minha frente, né?
Melhores classificadas. E começou a me bater aquela ansiedade. Eu falei: "Nossa, aquela minha última cartada, que seria morar com a tia, não vai dar certo.
" E nem fiquei atenta que a região de Sorocaba, e mesmo Sorocaba, não estava sendo escolhida. Até que eu falei: "Nossa, eu preciso começar a pensar em outra alternativa, que eu acho que não vai dar certo. " E foi aí que eu comecei a observar que muitas escolas de Sorocaba não tinham sido escolhidas da região Alumínio, que tinha, inclusive, a CBA.
Né, tinha um forte acompanhamento nas escolas boas de Votorantim, então estava tudo lá. E daí é que eu voltei para Sorocaba e fui rodar pela cidade através dessas escolas, porque eu não tive a pretensão de fazer uma lista da cidade de Sorocaba nem das escolas daqui; não conhecia e acabei, é, daí fazendo uma lista de Sorocaba e acabei por escolher mesmo uma escola aqui em Sorocaba e não saí daqui no dia seguinte quando me chamaram lá, pois, como eu. .
. Mas foi à escola Joaquim Izidoro Marins, na Vila Angélica. Então, foi a minha primeira escola e já tinha substituído; a minha primeira substituição foi na escola Jorgina do Amaral Arruda, que era na Nova Sorocaba, mas quando eu ingressei eu tinha 15 dias de substituta, e isso também entrava na classificação, mas nos meus pontos isso não fez diferença, porque a substituição era anterior ao período em que contaram esses dias e também seriam dias sempre um pouco significativos para gente fazer essa soma para minha classificação, né?
Então, depois, como eu já estava dentro, né, de uma escola estadual e já tinha também terminado o curso de Pedagogia, nunca quis parar de estudar. Falei: "Então, agora eu vou fazer uma especialização. " Aí fui fazer uma especialização em Gestão Educacional também.
E aí foi nessa época, quando eu finalizei em Gestão Educacional, que estava abrindo em Sorocaba o CE FAN (Centro de Estudos, Formação e Aperfeiçoamento do Magistério), que era para alunos do ensino médio; era quase que equivalente ao magistério, só que era um curso em tempo integral, num modelo novo para ser implementado aqui em Sorocaba. Então, daí, como eu tinha gestão, como eu tinha até que um bom desempenho como docente lá na escola, fui convidada para assumir a coordenação desse projeto novo. Era um projeto e até quem fez o convite foi o professor Wilson Santana, que na ocasião estava como dirigente regional de ensino.
Aí eu aceitei, precisei me afastar da docência e fui coordenar a implantação mesmo desse projeto. Funcionou no CEONC, que era a Escola Otávio Novaes de Carvalho, onde tinham algumas salas ociosas. Então, nós começamos o curso com quatro salas, só que eram umas salas emprestadas.
Então, também foi um período difícil de conquista de espaço, porque lá funcionava uma escola, então um projeto entrando parece que era alguma coisa intrusa, né, num espaço que já era daquele corpo docente, daquele grupo que estava ali. Então, também foi um período de muita conquista da gente tentar mostrar o trabalho, mostrar a seriedade do curso. E, infelizmente, o curso foi se expandindo, né, de quatro para oito salas, de oito para dezesseis salas, até que atingiu também o limite máximo nesse espaço que era adotado, não vai se cavado.
E, neste período também, eu comecei já a almejar continuar de novo os meus estudos, me aperfeiçoar mais. E aí foi que eu tentei o mestrado, escrevi um projeto e, de novo, vim parar para cá, trouxe para apresentar esse projeto e fui aprovada para ingressar no mestrado. As horas do mestrado eram com maior exigência e eu precisava de mais tempo, porque tinha os créditos a serem cumpridos e o momento da escrita do projeto.
Então, eu tive que fazer uma opção de novo, abrir mão da coordenação do curso. Esperei terminar a primeira turma, então eu fiquei os quatro anos, fiz o fechamento da primeira turma e uma colega que já estava na equipe deu sequência junto com. .
. era a professora Denário, o professor Og, que na ocasião já estavam na equipe do CE FAN, e eles deram continuidade à coordenação. Eu retornei para minha sede, que é a escola Joaquim Izidoro Marins, que foi coordenador.
. . foi também coordenador de História aqui.
Aí ele foi coordenador depois que eu saí do CE FAN. E, nesse momento também, o CE FAN saiu desse espaço que é Otávio Novaes de Carvalho e foi transferido para um asilo dos velhinhos. E eles brincavam comigo que eu saí porque não queria ir para o asilo.
Fiquei com essa marca lá, né, mas a título de brincadeira. Até hoje, eu ainda me comunico com alunos daquela época que foram como coordenadores. Reencontrei alunos também daquela época aqui na instituição; a Silvana é uma delas.
Vira e mexe, ela diz que lembra do Brasil Vana, que quebrava, estão dispensando, né? E lá do CE FAN fez também o CE FAN lá e ela diz que ainda se lembra dos meus acompanhamentos e que eu registrava tudo, que tinha um caderninho preto onde eu anotava tudo, e eles morriam de medo desse caderno. Então, são lembranças boas, né, que fazem parte dessa história que a gente vai construindo, e esses reencontros também são muito bons.
Então, eu ainda me comunico com estes alunos. Eles gostam de contar o que já conquistaram. Então, eu tenho alunos que já fizeram mestrado, doutorado, que estão bem empregados na prefeitura, que atuam na própria rede estadual, em escolas privadas, alunos que abriram suas próprias escolas.
Então, é muito gratificante, né? E esse retorno e, mais ainda para mim, essa manutenção desse vínculo que ainda tenho depois de tanto tempo, né, que foi em 1990, há mais de 30 anos atrás, isso praticamente. Então, é muito tempo, né, para a gente manter esse vínculo.
Isso é tão verdade que esse problema que, segundo o Cabo, disse também hoje o professor, hoje a professora da instituição. . .
Então, são histórias que se cruzam, e isso é muito bonito, né? A gente encontra assim nos corredores e saber que também fez parte da história dessas pessoas. E, depois de fazer, aí, o mestrado aqui também foi assim muito enriquecedor.
Equipe muito competente é o meu orientador. Foi o professor Luiz Percival El-Brito, foi em Educação. Não é o meu mestrado, mas como eu tinha uma ligação forte também com Letras, então o meu trabalho foi envolvendo a análise de livros didáticos de Língua Portuguesa, desde a capa, imagens, propostas metodológicas e também um documento do MEC de escolha de livros didáticos.
Então, foi um cruzamento entre esse momento da escolha. O título era "Guia de Labirinto" porque se tratava desse documento como guia, mas nem sempre ele era um guia. Não por isso, e por isso, labirinto.
Assim, foi também um momento que me abriu os olhos para muitas coisas subliminares dos livros, das formas como a gente faz propostas, às vezes até com as melhores intenções como docente, e acaba por cometer falhas, por inculcar certas ideologias, marcas e estereótipos. Então, isto também foi um momento muito marcante em que eu pude rever, inclusive, a minha própria tática. A pelo procurador fez aquilo que eu não fazia com tanta propriedade.
Eu acho que todo estudo ele requer esse olhar para a gente mesmo, o próprio umbigo. A gente tem que ter essa humildade também de rever práticas, metodologias, concepções e quebrar a todo instante para se renovar, para conseguir entender o processo educacional, que é um processo muito vivo. Apesar de lento, a forma como nós caminhamos, a nossa sociedade é muito viva e os reflexos estão na sala de aula.
Então, a gente precisa dessa reflexão constante para que possamos fazer essa transposição entre teoria e prática, para que possamos fazer com que o aluno se envolva naquilo que estamos trabalhando. Então, depois de fazer o mestrado, também enquanto estive no CEFFAN, conheci um casal de professores que estavam vindo de São Paulo. Ele veio ministrar Psicologia da Educação, ela, Estrutura e Funcionamento do Ensino de Primeira e Segunda Graus.
Tinha um sonho de montar uma escola de Educação Infantil e acabei fazendo uma sociedade com esses dois professores. Também tive, por 15 anos, a escola de Educação Infantil que, na verdade, ainda existe. O pronome é "O Farol".
Na ocasião, começou num espaço físico que eu tinha ocioso e nós fizemos as devidas adaptações. Como eu já tinha uma certa prática da parte de gestão, cuidei desta parte administrativa de escrita de planos, regimentos, enquanto o casal, por ter mais tempo e, na ocasião, estar no CEFFAN, ficava o período integral. Eu acabava por não ter a possibilidade de ficar na escola, apenas em alguns momentos em que eu tinha a possibilidade, mas, na verdade, a escola foi quase que na totalidade mantida por ele.
Eu dava algumas orientações de nível pedagógico e mesmo administrativo. E aí, depois dos cinco anos, quando vim fazer um mestrado, como eu disse, tive que fazer opções. Uma das opções foi essa de deixar a escola, sair da sociedade e também sair do CEFFAN.
E aí voltei para a Escola Joaquim Izidoro Marins, reduzindo minha carga horária. Ficava com pouquíssimas aulas, o que significava também menos dinheiro, mas são sacrifícios que a gente faz na vida por um ideal e também por pretender galgar outros espaços. Aí foi quando acabei por optar por isso e consegui terminar o mestrado.
Logo em seguida, também teve uma vaga, ao término do mestrado teve uma vaga de aulas de Didática aqui na instituição que a professora Ana, digna, que ministrava um curso, não estava muito bem de saúde e precisou reduzir as horas dela. Então, vim, fiz o processo de entrevista e acabei sendo selecionada. Iniciei aqui e agora, completou 20 anos que estou aqui.
Então, há 20 anos, sou substituta em Pedagogia, com um componente de dar a dica. Bem, foi a professora também. Então, vamos finalizar este bloco e a seguir ouviremos a professora Denise falando sobre a presença dela dentro da Universidade de Sorocaba como professora.
Veja.