Inicialmente nós convidamos a todos para assistirem no telão a um vídeo de boas-vindas do idealizador do programa Educando Cidadãos, o que todos nós temos a ver com a corrupção. Promotor de justiça, Dr. Afonso Guiso Neto. >> Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só. Sonho que se sonha junto é realidade. E essa realidade começa no dia 27 de agosto de 2004 em Chapecó com o lançamento da campanha O que você tem A ver com a corrupção e a Assembleia Legislativa atenta, ao lado de mais 60 parceiros do programa Educando Cidadão,
institui o que nós chamamos do dia estadual de combate à corrupção, dia 27 de agosto. E essa semana, essa semana que não é o sonho de uma instituição, é o sonho de várias pessoas, de várias instituições que somam forças para dizer juntos nós podemos fazer a diferença. Senhoras e senhores, neste momento Especial da Semana Estadual de Combate à Corrupção, nós temos a honra de reconhecer publicamente lideranças que se destacam pela firmeza de princípios, pela atuação incansável em defesa da ética e da cidadania aqui no nosso estado de Santa Catarina. O programa Educando Cidadãos, o que
todos nós temos a ver com a corrupção, presta hoje uma homenagem mais que merecida à procuradoraagal de justiça do Ministério Público de Santa Catarina, D. Vanessa Cavalazi. Vem ela e abraça o projeto. Doutora Vanessa Vandalus em Cavalaz, nossa procuradora geral, num dos seus primeiros atos de administração, vem institucionalizar o programa Educando Cidadãos. Isso não só fez a diferença, Dra. Vanessa, como comprova que a sua participação ao lado da sociedade, ao lado de mais de 60 instituições, a qual está nossa Assembleia Legislativa, diz que o Ministério Público está atento. Sozinho podemos pouco, juntos podemos muito. A
você, Dra. Vanessa, o nosso reconhecimento. Para realizar a entrega da placa Amigo do Programa Educando Cidadãos, convidamos o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, deputado Júlio Garcia. Pode vir ao palco, deputado, por favor. E obviamente convidamos a homenageada da noite, Dra. Vanessa Cavalazi, para que venha ao palco receber a sua homenagem. Eu gostaria de compartilhar essa integra com o deputado Mário Mota, por favor, deputado. [Aplausos] Neste momento, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Júlio Garcia, ao lado do deputado estadual Mário Mota, fazem a entrega da placa Amigo do Programa Educando Cidadãos, a
Dra. Vanessa Cavalazi, procuradoraagal de justiça do Ministério Público de Santa Catarina. Угу. Isto é um reconhecimento pela sua trajetória que é marcada pelo compromisso com a justiça, pela integridade no serviço público e pela inspiração que oferece a todos nós na construção de uma sociedade mais transparente, justa e responsável. Parabéns e muito obrigado às autoridades. Os senhores estão convidados a ocupar assento na primeira Fileira e acompanharem a palestra. Hoje, senhoras e senhores, temos a honra de receber um dos maiores pensadores brasileiros na área de filosofia, ética e comportamento humano para uma palestra que certamente será inspiradora.
O nosso convidado é professor titular da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, conferencista renomado no Brasil e no exterior, autor de diversos livros e reconhecido por sua habilidade única de traduzir conceitos filosóficos Para uma vida prática. com o tema Ética e valores educando cidadãos, ele nos convida a refletir sobre a importância das escolhas morais no cotidiano e sobre como podemos formar uma cultura de integridade desde as pequenas atitudes. Convidamos com muita honra para proferir a sua palestra professor Cloves de Barros Filho. [Aplausos] Bem, boa tarde a todos. >> Espero que estejam
me escutando bem. Eu Agradeço demais o convite para estar aqui eh conversando com vocês sobre o tema que foi anunciado. A preocupação maior é a questão da corrupção e eu começaria propondo que as palavras que começam com co tem algo em comum. Se pensarmos em colaboração, temos laborado por mais de um. E não é só a questão de mais de um Enquanto pluralidade, mas enquanto interdependência funcional. Para dar certo, é preciso que haja trabalho onde cada um complementa o do outro, alcançando resultados que na individualidade não seriam possíveis. Assim, também a palavra cooperação é operação
no mesmo espírito, feita por mais de um. E o trabalho complementar leva mais longe do que a somatória dos Individuais. Coabitação é a habitação com mais de um. E poderíamos aqui ficar dando exemplos de co, mas é importante chegar logo em corrupção, porque falamos em romper, falamos em corromper, falamos em ruptura, esgarçamento, destruição. appequenamento e redução de valor Operado por mais de um. É sempre importante lembrar que o termo não é rupção, o termo é corrupção. E, portanto, invariavelmente havendo corrupção, temos pelo menos dois envolvidos. E é claro que é uma relação específica, muito específica,
em que há uma troca, uma troca onde O titular de uma deliberação no exercício do seu poder oferece o resultado dessa deliberação. a prêmio em função de uma contrapartida que lhe é oferecida, uma contrapartida que será mais ou menos patrimonial, mas que poderá ser estritamente simbólica, que poderá ser estritamente relacional. Não faltam ofertas menos tangíveis A compensar algum tipo de vantagem indevida em processos deliberativos. De tal maneira que aquele que oferece o resultado da sua deliberação em troca de contrapartida, já nos sugere que para participar de uma relação de corrupção, porque é disso que se
trata, é preciso ter algo a oferecer. É preciso ter algum poder que permita deliberar. E não é qualquer deliberação, é uma Deliberação cuja monta e importância é elevada a ponto de sugerir algum tipo de contrapartida que, mesmo oferecida, ainda valerá a pena para o corruptor. Portanto, aqueles que se envolvem em relações de corrupção não são quaisquer, porque precisam estar em condições de um certo exercício de poder, cuja instância deliberativa tem grande valor. E sabemos que isso acaba sendo bem Seletivo do ponto de vista do corruptor. É preciso que ele também tenha condições de oferecer alguma
coisa. e condições de oferecer, seja no âmbito estritamente econômico, seja no âmbito simbólico, indicando algum capital social e econômico relevante, a ponto de poder oferecer monta que justifique o risco de uma deliberação falseada, envieszada e indevida. Então, de novo, no polo do ativo Corruptor também não é qualquer um que tem condições de oferecer aquilo que possa fazer eh balançar a consciência moral do corrupto na hora de tomar a sua decisão. De tal maneira que se olharmos paraa sociedade como um todo, essa nossa sociedade de discrepâncias abissais, como é a do nosso país, é claro que
quem pode participar de relações de corrupção é um segmento muito restrito da sociedade. Portanto, se há que vasculhar Com e espírito seletivo de incidência e eficácia para parar a corrupção, não é difícil saber aonde é que ela mais se encontra possível e presente entre quem tem o que oferecer para comprar uma deliberação de quem tem poder e quem tem poder para deliberar. aquilo que é tão relevante que mereça essa contraprestação. Portanto, professores, por exemplo, estão fora, pelo menos isso, eles não conseguem nem Corromper, nem deliberar nada que valha eh o deslocamento. Por isso, eh, ficamos
à vontade para olhar com recu distanciamento e entender o processo dentro da sua lógica interna. É claro que quando falamos em corrupção, estamos falando na pretensão de obter alguma vantagem que, pelas vias eh do entendimento ético e jurídico vigente não seriam possíveis. Então, corruptores e corruptos buscam uma facilitação, Buscam uma comodidade, buscam a satisfação de um desejo, buscam alcançar um resultado pessoal que lhes é favorável e que normalmente não seria alcançável, eh, senão, pelo menos não tão facilmente. Então vou eu vou dar um exemplo e a partir daí começo alguns esclarecimentos conceituais que talvez possam
ser contributivos. Vamos imaginar que uma prefeitura Precise comprar material escolar para a rede pública do ensino fundamental que está sob sua custódia. Esse material escolar eh será comprado junto a empresários da região que produzem esse material. Então, temos ali dois candidatos. Um deles vai se esmerar para atender tudo aquilo que se espera de um produto de qualidade. Botará todo o seu dinheiro na qualificação do produto e assim fará o melhor possível, oferecendo na hora da Competição um produto de excelente qualidade para os alunos da rede pública municipal. O seu concorrente adota estratégia diferente. Supondo que
os dois tenham a mesma quantidade de recursos para que a compreensão fique facilitada, o segundo candidato pegará a mesma quantidade de dinheiro, mas distribuirá de maneira diferente. Ao invés de investir na qualidade do material, ele poupará na qualidade do material, obviamente produzindo um Material de qualidade muito inferior ao seu concorrente. Por outro lado, ele pegará o restante do dinheiro e oferecerá a quem for tomar a decisão. E naturalmente, eh, essa diferença é significativa. Ela é até superior ao que foi gasto com todo o material da rede pública. E aí então sendo significativa, ela, digamos, é
exerce enorme poder de sedução junto ao agente que deliberará em nome do Estado e, portanto, em nome do povo Soberano, escolhido que foi para isso. Bem, eh ele escolhe então o segundo concorrente. E aí acontece uma coisa fantástica, porque o segundo concorrente, tendo esse tipo de vínculo, prosperará. Quanto ao primeiro empresário, aquele que investiu tudo na qualidade do material, esse sucumbirá de tal maneira, sim, porque se você coloca todo o seu dinheiro numa aposta em que você vai eh apostar, digamos, na Licitude dos processos e você não triunfa, é claro, você fica sem condições de
continuar gerindo a empreitada, você sai de cena, você não compete mais. A partir daí, ano a ano, é renovado o processo e já se conhece quem é que vai ganhar. Tanto é assim que os eventuais adversários já são advertidos para não entrar na parada porque serão derrotados de qualquer maneira. Estabelece-se assim um vínculo entre corruptor e corrupto, um vínculo que Muitas vezes se converte num vínculo social, num vínculo partidário, num vínculo eh que se estreita em instituições sociais muitas vezes conhecidas. E aí, é claro, todo ano já se sabe o que vai acontecer. de tal
modo que o titular da deliberação incorpora uma verba anual já conhecida e já garantida pelo agente corruptor, que reiteradamente eh honra com fidelidade a sua prática, o seu costume de corruptor. De tal maneira que nesse caso, além de Termos um empresário corruptor eh na primeira página dos jornais como um case de sucesso, como alguém que soube ir do mil ao milhão tirando água das pedras e com grande lucidez de gestor, o seu concorrente inicial, que era apenas um indivíduo bem intencionado e com boa vontade, esse claro esse se sucumbirá nos nos alfarábios dos eh empresários
sem tirocínio, sem jeito para coisa, fracassados e, claro, candidatos a outro tipo de atividade, não são gestores eh Da fina cepa. Como podem perceber, é melhor para a corrupção, porque todo mundo perde a não ser a dupla. Aliás, um dia um palestrante disse que não há nada melhor na sociedade do que quando há um mecanismo chamado em inglês de win win, que quer dizer ganha ganha. O o A ganha e o B ganha. A corrupção é assim. O corruptor ganha e o corrupto ganha. É claro que o resto perde, mas que tem Dois wins na
parada, não há dúvida. É preciso ter dinheiro para corromper. É preciso ter poder para ser corrompido. Portanto, vamos parar de aborrecer quem não tem nada com isso, porque no final das contas só tem uma chance de a cada dois anos de tentar varrer os que poluem a nossa vida pública e a cada 4 anos. é pouco, as condições são singelas, o grau de politização é baixo, a incidência do marketing político é devastadora, as condições econômicas de campanha são Triunfais de tal modo que eh a varredura é sempre complicada. Então, se há alguém que é responsável
por um cenário que não é do nosso orgulho, esse alguém são eh os que de certo modo exercem no campo político e no campo econômico na nossa sociedade. Talvez você levante a mão e pergunte: "Mas se a sociedade fosse melhor instruída, ela teria mais astúcia sagacidade e condição de identificar onde estão os podres e inviabilizar a Continuidade de relações de corrupção?" Você tem toda a razão, mas para isso seria preciso uma nova educação, uma nova escolaridade, um novo mundo aonde a questão da vida cidadã, da ética na convivência fosse tema central da formação escolar, o
que nunca aconteceu no nosso país, nem está perto de acontecer. Bem, meus amigos, a questão da corrupção é uma questão moral e uma questão ética. além de ser uma questão política. Então, Três aspectos que norteiam eh o restante da minha fala. Se eu digo que é uma questão moral e uma questão ética, eu estou sugerindo que não são a mesma coisa. Então aqui peço a vossa atenção. Eh, a palavra ética entrou no cardápio do espaço público eh nos últimos 30 anos. Eu sei porque coincide um pouco com a minha trajetória na universidade como professor dessa
disciplina. Quando eu comecei a ensinar essa disciplina Ética em vários cursos da Universidade de São Paulo, a minha disciplina era em todos os cursos absolutamente secundária, periférica, irrelevante. Era uma disciplina obrigatória que os alunos tinham que fazer para obter o diploma. Isso era entendido como tal, um pedágio para se formar. Ora, as coisas mudaram certamente não por minha intervenção, nem por minha responsabilidade, muito menos por minha culpa. O certo é que a ética foi Ganhando centralidade. Centralidade quando eu me aposentei já era o principal tema dos cursos e a minha disciplina, a mais esperada dos
cursos. Não tenho muita coisa a ver com isso, não. Fui beneficiado por uma marola que me conduziu, tal como num jacaré, a uma velocidade de cruzeiro inesperada. Eh, antes de falarmos de ética, em tempos em que eu nem lecionava ainda, havia sim preocupação com o bom comportamento das pessoas, mas o termo Usado era o termo moral. Vocês se lembrarão de seus antepassados. Falava-se em fio de barba, falava-se no valor da palavra, falava-se em consciência moral, falava-se em imoral e falava-se em desmoralizar. A palavra moral era ultrapresente no nosso vernáculo, no nosso vocabulário. Essa palavra desapareceu.
Então, há várias razões para uma palavra desaparecer. Eh, pensemos numa outra que desapareceu, a palavra chapéu, né? Eh, eu me lembro Ainda, eh, cadê meu chapéu? Onde tá meu chapéu? Esqueci meu chapéu. Pego meu chapéu. Eu deixei meu chapéu não sei aonde. A palavra chapéu era usado o tempo inteiro. Por quê? Porque era usado o chapéu. Então, o uso do chapéu justificava o uso da palavra chapéu. Eh, com moral aconteceu parecido. Não falamos mais em moral porque deixamos de usá-la. A moral é uma questão de consciência. é o eu que pensa com o eu sobre
como o eu deveria agir. A moral, Portanto, ela é um processo deliberativo que respeita princípios a partir de uma liberdade de escolha, de conduta e, portanto, imune a qualquer repressão civilizatória. A moral nada tem a ver com o olhar externo. A moral nada tem a ver com o medo de ser pego, flagrado ou punido. moral. Nada tem a ver com a polícia, com os tribunais ou com os cancelamentos digitais. Toda vez que houver medo, não há moral. O campo da moral brilha quando há condições de Exercício de uma certa liberdade de escolha e adoção de
princípios que possam conferir dignidade à vida. Portanto, eh eh exemplo de erro do uso do termo, né? Eh, lá na cidade universitária, onde trabalhei a vida inteira, eh, instalaram-se câmeras de velocidade e disseram que era para moralizar o trânsito dentro da cidade universitária. Eh, não, eh, talvez seja útil o radar, mas moralizar não moraliza, na verdade desmoraliza. Quando Você eh constrange o bom comportamento pelo olhar externo, você tira do campo da moral. Você põe no campo da moral quando eu com o eu decide por ele mesmo em função de um princípio que livremente decidiu respeitar
que ele vai agir desse jeito. É ele com ele mesmo. Isso existe ainda. Eu imagino. Afinal de contas se alguém deixar cair uma carteira por aí, provavelmente quem achar vai devolver pro dono. Independentemente do conteúdo da carteira e independentemente de ter Câmaras fiscalizando, o que é cada vez mais raro. Então, eh, eu acho que você entendeu, eh, existe uma questão moral que permanece, que é você, por conta do aprendizado que teve, da socialização que teve, dos processos de moralização que teve, você entende que a eh o seu entendimento de si mesmo e da própria dignidade
tem a ver com o respeito de certos princípios que você mesmo não aceita transgredir. Então, eu me lembro de eh passear pela Cidade de Genebra de madrugada, encontrei uma banca de jornal aberta e para minha surpresa não tinha jornaleiro e portanto eu entendi que não atendo jornaleiro, não atendo câmera, não tendo transeúte, não tendo polícia, não tendo ninguém, pagar ou não pagar era uma questão moral. Acho que você entendeu agora. É uma questão moral, quer dizer, é é você que decide, né? Em algumas eh cidades, capitais, a tarifa do transporte público é uma questão moral.
Não tem cobrador e não tem fiscalização nem mesmo por amostra, nãoé? você sabe que não será verificado. E assim você eh frequenta o transporte público, pagando do seu jeito, sem jamais exibir título de transporte e você o fará em função de um certo entendimento que tem sobre como deve agir. Se você se sente constrangido ao olhar no espelho que frequentar o transporte público sem nunca pagar por ele é não parece certo, então nós estamos no coração da moral. Bem, eu não precisaria dizer que o o a moral saiu de cena ou se você quiser falar
como um erudito acadêmico, houve uma erosão do paradigma da moralidade, né? O que significa a moral foi pro saco. Aí é um termo mais chulo, mas mais compreensível. E e por que razão? Então, eu poderia sugerir a você alguns exemplos. Eh, eu ia comprar pão e leite para minha avó e eu não levava dinheiro. O padeiro anotava, a minha avó acreditava no padeiro. O padeiro Confiava na minha avó e assim eles conviveram por muito tempo. Até que um dia apareceu uma plaquinha dizendo: "Não insista, não aceitamos fiado". E a minha avó me explicou quando eu
voltei sem o pão e o leite que não aceitamos fiados significa passamos a desconfiar de você. Eu então perguntei: "A senhora não pagou?" Paguei: "Ué, mas então que que aconteceu? É que alguém não deve ter pago." Mas então por que não manda esse alguém que não paga pagar na hora e nós Continuamos na mesma no mesmo sistema? Perguntei eu pra minha avó. E a minha avó com sabedoria disse: "É que quando alguém entra pela primeira vez na padaria, não dá para saber pela cara se ela é do primeiro time ou do segundo time. Então é
preciso adotar um protocolo único e a partir de agora, o protocolo único é o da desconfiança. Estão todos submetidos à mesma desconfiança. Então veja, temos aí uma primeira consequência do esfaccelamento Da moral, que é uma sociedade regida pela desconfiança. Pouco importa o que você diga sobre o que vai fazer. É irrelevante você dizer porque não acreditarão mesmo, né? Segundo exemplo, eu já era palestrante, saindo de Porto Alegre e 4:30 da manhã para pegar o avião às 6 de saí do hotel e o rapaz do checkout me reconheceu. Professor, eu conheço o senhor, acompanho no YouTube,
sigo. Olha, na verdade quem é fã é a minha esposa. Ela adora o senhor, não Dorme sem o senhor. É sempre o fã é o outro. Eu nunca conheci um pessoalmente. É sempre a quando é mulher é o marido. Quando é o marido é a mulher, sempre o outro. Não dou sorte mesmo. E o senhor não podia dar um alô para ela num vídeo? Claro. Dei o alô, dei tchauzinho, dei coisal, dei, fiz tudo que ele pediu. Ele entrou para dentro do balcão e disse: "Teve algum consumo de frigobar?" Eu disse: "Uma água mineral." E
ele, sem ver nisso nenhum problema, tirou o fone Do gancho. Vai verificar o consumo do 14. 14. É um protocolo, não é um problema pessoal, né? Aí o cara foi lá e deve ter dito uma água mineral. Então ele desligou e disse uma água mineral. Veja você, ele, né, confirmou. Então eu eh paguei, né? E claro, é interessante porque o professor de ética com quem ele quis se fazer filmar, ele chamou de mentiroso, desonesto e ladrão na lata. Esta é a sociedade em que vivemos. Pouco importa o que você diga. Eu não sei nem Porque
que as pessoas perguntam. Por que que ele perguntou o que que eu consumi? Se ele ia mandar checar. Ele que checasse, pronto, né? Assim ficaria muito mais claro. Ninguém confia em ninguém sendo professor de ético. Não, não me importa, né? Eu vou chegar porque o senhor tem cara de ladrão de Kitcat, né? Eh, então, eh, temos aí um segundo exemplo. Um terceiro exemplo que eu adoro dar, porque me marcou muito, era uma palestra paraa indústria Farmacêutica em Caldas Novas, ali no Rio Quente, aonde tem aquele complexo turístico bonito com aquele rio com águas quentes, que
é muito legal mesmo. E a palestra era pra indústria farmacêutica, um evento eh de monta de de de muito refino. E aí então o meu anfitrião, depois da palestra, muito agradecido, disse: "Professor, antes do senhor voltar, dê um mergulho nas águas quentes". Eu não quis dizer nada, mas eu eu nunca levo sunga quando vou trabalhar. Eu não sei você, né? Por exemplo, hoje não adianta me convidar para dar um mergulho, eu vou dar vechame. Eh, mas ele insistiu tanto que eu entrei numa lojinha dessas que não se deve frequentar porque tem valores abusivos e perguntei,
tem uma sunga baratinha aí? Nós professores somos assim fiéis a esse estilo econômico de ser. É uma questão de sabedoria, né? De de simplicidade ao viver, né? É uma opção, não é? uma necessidade. Aí a moça sorriu e disse: "Eu tenho uma muito barata". Falei: "É essa não preciso nem é essa R$ 17. Achei justíssimo pro tipo de loja. Ela: "O senhor não quer ver antes?" Porque muita gente já se animou e depois desistiu. Falei: "Mostre". Entendi rapidamente porque custava tão Pouco, né? A estampa era uma estampa de estudo psicanalítico avançado, né? Eh, na parte
da frente havia um único coqueiro centralizado, um tronco vertical com galhos assim em cima. um único coqueiro no meio. Não eram vários em diagonal, era um único. E atrás, de maneira completamente harmoniosa, a bandeira do Japão. Eu não sei se você se lembra da bandeira do Japão, mas ela é branca com um buraco vermelho bem no meio. Como você vê quem montou a a sunga, né, precisa ser imediatamente buscar porque ou já causou ou vai causar problema pelo mundo. Mas eu pensei, é um mergulho só. Eu fico com a sunga. Aí eu experimentei, tava apertada,
Esgarçando um pouco o tronco do coqueiro. Mas não é propaganda enganosa, ficaria ruim para qualquer um. Mas eu pensei, vou com a toalha, entro na água, dou um tchauzinho pro cliente, saio da água, ponho a toalha, deixo a sunga ali e morreu o assunto. Então eu falei: "Eu vou subir lá, pego o dinheiro, já trago para você" ou o cartão, sei lá. Ela falou: "Ah, ah, eu lembro até hoje". Ah, ah, Como assim, senhor? Tira a sunga, vá buscar o dinheiro, volta, paga e leva a sunga? É que que passa pela sua cabeça que eu
vá sair daqui correndo, vestindo essa sunga ridícula para não pagar R$ 17? Como é que o senhor adivinhou? Mas da onde você tirou isso? De hóspedes. Como o senhor, assim, do mesmo jeito. Me disseram que eu não sei aonde tô esperando até hoje. Como você vê, os Desvios morais respingam. E é exatamente aqui que você entende a importância da ética. Porque a ética não é mais uma questão do eu que pensa com o eu sobre como o eu deve agir, mas é uma questão de nós que pensamos entre nós sobre a melhor maneira de assegurar
uma convivência razoável. A ética, portanto, é uma ética sempre circunscrita a um universo que pretenda o aprimoramento da convivência entre Seus membros. É por isso que você fala de ética médica, ética dos advogados, ética dos enfermeiros, ética na cadeia, ética da máfia, ética não sei aonde. Ou seja, em todo lugar em que se pretender um pouco mais de harmonia e justiça na convivência entre os membros que integram um coletivo específico, isto é, ética. Naturalmente que você rapidamente percebeu que você, enquanto agente moral Tem limites, mas enquanto integrante de um coletivo passará a ter os limites
do coletivo também. Muitas vezes a sua moral é mais rigorosa que a do coletivo a que pertence. E aí nenhum problema. Mas às vezes a ética do coletivo é mais rigorosa do que a moral individual. E aí é melhor que você suba o sarrafo sob pena de deslizar, sob pena de promover eh a ecatombe, promover o desgaste, a erosão, o atrito entre as pessoas, Fomentando eh de sídia eh através de busca de privilégios, através de eh iniciativas indevidas, trazendo assim malestar e tristeza aos integrantes daquele coletivo. Acho que você entendeu. Existe uma premissa inicial da
nossa conversa. A ética pressupõe entender que a saúde do coletivo tem um valor superior às veleidades individuais que possam comprometê-la. Eu vou repetir para ficar mais claro. A ética tem uma premissa óbvia. A saúde do Coletivo vale mais do que as veleidades individuais que possam comprometê-la. Então, se você vai ter uma iniciativa estratégica em busca de um resultado desejado, e essa estratégia exige condutas, atitudes e ações que respingam e poluem a convivência daquele coletivo de que faz parte, é preferível abortar a iniciativa. Por quê? porque estará talvez buscando uma satisfação pessoal, mas comprometendo a harmonia
do coletivo e com isso agindo de maneira eticamente Indevida. Acho que tá ficando claro, hein? Até porque se não ficar claro desse jeito, desista, né? Eh, aqui temos o arroz com feijão da coisa, né? Tudo até aqui parece bem simples. O problema é que, como costuma acontecer, o que é simples no começo vai se complicando. Vamos então entregar a cena a dois estudantes que dividem um apartamento. São estudantes que não se conheciam e estão montando uma república. Um lá tá lendo e o outro resolveu fazer uma vitamina. Aí o que pegou o liquidificador, viu o
barulho do liquidificador, viu que o cara tá lendo e perguntou: "Ô, atrapalha se eu fizer uma vitamina? Estamos diante de um caso concreto de convivência e naturalmente A coisa vai começar a partir daí. Mas você deve imaginar que eu não posso no dia seguinte perguntar: "Ô, eu vou ligar o liquidificador, só que hoje não é vitamina, hoje são legumes." Tudo bem? Aí no outro dia, viu? Eh, eu vou ligar aqui a máquina de lavar a louça, faz bastante barulho. Tudo bem? E você começa então a perceber que a Ética precisa resolver todos esses problemas de
uma vez só. Ou seja, nós saímos da particularidade de um caso concreto da vitamina, mas nós temos a pretensão de resolver mais casos. Por isso, toda a ética é uma reflexão no sentido de uma certa abstração, né? Ela sai do caso concreto, mas ela vai em direção a conclusões que servem para liquidificador, geladeira, microondas, eh rádio, televisão e de Tudo que faça, por exemplo, barulho. Então, entendendo isso, o outro lá disse: "Qual é a nossa o nosso objetivo aqui? estudar e aprender, disse o primeiro. Eu tô de acordo. Então, se o grande valor da nossa
relação é o estudo e o aprendizado e o conhecimento, então nós temos que nos impedir de, eh, digamos, agredir esse grande valor. Temos que protegê-lo. E o que que pode impedir o estudo e o aprendizado? por exemplo, o Seu liquidificador. Então, nesse sentido, surge um princípio ético de conduta que é o silêncio. Então, nós temos um valor, que é o estudo e o aprendizado, e um princípio ético que é o silêncio. O princípio ético é um limitador das ações individuais em função de um certo valor ético que se pretenda preservar. Então você entenderá que esse
mesmo princípio ético ele funciona paraa República, mas ele funciona em outros Cenários, como velórios, templos, bibliotecas, teatros, cinemas, etc. São vários lugares de convivência onde o princípio ético do silêncio é pertinente, é plausível. Naturalmente, o mesmo princípio não funciona para bares, restaurantes, espetáculos, né? Eh, casas de shows, estádios de futebol, etc. Portanto, perceba que a ética não é uma parada pronta que você respeita ou não Falando de tal ega. Por quê? Porque os distintos cenários exigem distintas elocubrações sobre o que é ou não é pertinente limitar. Não se pode exagerar no limite das condutas e
iniciativas individuais sob pena de semear uma espécie de de inanição, uma espécie de apatia. É preciso dosar. E essa dosagem pressupõe lucidez, entendimento, inteligência para saber que dentro do velório é melhor não levar uma corneta ou um, né, ou enfim, Eh, a inteligência ela está a nosso serviço para entender as distintas particularidades, sempre no escopo de uma certa abstração. Então, acho que ficou claríssimo até aqui, né? Mas não dá para fazer silêncio o tempo inteiro. Então, se nós temos um pé da ética, que é o valor, temos um pé da ética, que é o princípio,
nós precisamos de um terceiro pé, que é a gestão do princípio, que é a Aplicabilidade do princípio nos distintos casos. Eh, então eles pensaram, de manhã nós estamos na faculdade, então é irrelevante, à tarde nós queremos estudar, portanto vamos eh nos obrigar a fazer silêncio das 14 às 18. Tudo bem? Acho ótimo. A partir das 18 cada um tá livre para fazer o barulho que quiser. Pronto, nós temos agora uma norma, uma regra, um, né? Eh, então agora estamos completos. O valor é o aprendizado e o conhecimento. O Princípio é o silêncio e a norma
das 14 às 18. Temos tudo de que precisávamos. Mas ainda tinha lá um quarto vazio e os nossos heróis colocaram um anúncio na faculdade e apareceu o primeiro candidato. Olhou, olhou a casa, olhou o quarto, olhou tudo, olhou os colegas e tal, achou que tava tudo OK, perguntou quanto era o quarto, o aluguel do quarto, disseram: "O valor, eu posso pagar, que bacana. Vou buscar as minhas coisas. Mas aí os dois primeiros Disseram alto lá. Aqui pagar não é o único requisito, é importante, mas não é o único. Nós temos aqui um código ético provisório
vigente e tão sugerindo que eu vou roubar vocês. Não eh a subtração de coisas alheias móveis eh além de ser também um problema jurídico, é também um problema ético, mas não é único. é que aqui é a gente precisa estudar para aprender. É, coincidimos nisso. Então aqui nós temos um princípio ético Que é o silêncio e uma regra que é das 14 às 18. Ah, isso em época de prova, não, o tempo todo. Ah, isso segunda não, todos os dias. E 365 dias por ano. É tempo inteiro. 14 às 18 aqui é lugar de estudo.
Ah, vocês têm certeza? Temos. Ah, então não vai rolar. Não vai rolar porque eu tenho da faculdade uma expectativa um pouco diferente. Eu quero aprender, claro, mas eu também quero me divertir. Eu quero brincar, quero trazer os colegas, quero Tocar música, quero não sei quê. E não dá para ficar calado das 14 às 18. É um pouco restritivo para mim. Eh, não vai rolar. Muito obrigado. Passar bem. Eh, não houve problema ético nenhum. Uns explicaram uma situação ética já estabelecida e o outro disse que para ele não funcionava. É exatamente isso que hoje chamam de
conformidade. E alguns que gostam de mostrar que sabem inglês Usam o termo compliance, que é o mundo do capital gosta desse tipo de subserviência. é a adequação. Existe uma ética vigente. Quando o terceiro chega, não é, sabe, poder constituinte originário, vamos começar do zero. Não, já existe uma ética vigente. Então, é preciso que essa ética seja explicada, esclarecida, exposta e o outro observará se há ou não compliance to comply with. conformidade Há. E aí, havendo conformidade, há uma aceitação explícita e com isso uma expectativa de adesão ao que foi estabelecido previamente. Não havendo conformidade, é
claro, não haverá integração ao coletivo. O problema também deixa de existir. Só que esse que terceiro saiu dali e voltou pros amigos. E aí, cara, vai mudar? Gostou do pessoal? Não, gostei do pessoal, achei legal, pessoal, mas eles estudam muito. E aí eles têm lá um lance De fazer silêncio das 14 às 18, tal. E aí achei pesado para mim, então eu vou procurar outro lugar. E aí então aconteceu uma coisa interessante, porque essa república quando todo mundo se interessou pela pelo rigor da convivência, essa república passou a ser chamada por todos na comunidade universitária
de República dos Nerdocas. De tal maneira que quem queria ir para tal da universidade e estudar já ia Procurar a República dos Nerdocas. E nos anos subsequentes, os pais já diziam: "Eu deixo você morar lá desde que seja na República dos Nerdocas". E aí quem não é nerdocas vai em qualquer lugar, menos na República dos Nerdocas. não haverá conformidade. Então, perceba que aquele coletivo ganhou uma espécie de marca, uma um um conjunto de atributos, um uma uma distinção, um jeito de ser percebido, um, né, uma marca, a marca da seriedade no trato do relacionamento e
o Respeito aos princípios que foram deliberados pelos seus fundadores eh décadas atrás, né, de que se orgulham nome deles consta na nas paredes e e os seus retratos estão espalhados pela casa. São os fundadores da República e esta República é conhecida e reconhecida em todo meio estudantil, como sendo o lugar aonde moram aqueles que mais querem estudar. E aí eles se deram até ao luxo de começar a selecionar pelo desempenho, Pelas notas, pela seriedade, quem poderia morar ali ou não, reunindo cada vez mais gente de altíssima pegada acadêmica. Uau! Ficou legal, né? Porque nós tratamos
da questão do tripé valor, princípio e norma. Nós observamos que existe uma questão de compliance e, finalmente, mostramos que os valores éticos são a matériapra da marca. Se você quer saber com quem tá lidando, saiba que tá lidando com alguém Que respeita tais valores. Quem é você? Aquele que respeita tais valores. Quem é você? Aquele que na hora de viver respeita tais valores, né, professor? Não, não sei se eu entendi isso. Então eu vou dar um exemplo ainda mais cristalino. Você tá num momento de intressfa amorosa, momento de desagravo, momento em que você foi deixado
e você está só e você vai num bar, numa região noturna da cidade e você está sozinho afogando as mágoas, Tratando os cotovelos, lembrando daquele amor desagravado. E aí entra alguém apetecível. no bar apetecível aos seus olhos. Você jamais poderia imaginar que esse alguém apetecível lançasse olhares para você, mas talvez por um desagravo paralelo, viu que só tinha você ali, perguntou se podia sentar. Isso não é comum no seu caso, Porque você não tem um capital estético, digamos, destacável. Não é que seja medonho, mas como você tem quase todo mundo, né? Você se destaca assim
pela criatividade, mas sozinho ali no bar não deu tempo ainda. A pessoa senta, por favor, né? E a pessoa quer saber quem você é. Ela não vai perguntar quem é você. Dependendo do que você disser, eu me levanto ou fico. Mas é isso que vai Acontecer. Você já parou para dizer, para pensar o que é que você costuma dizer para dizer quem você é ou acha que é, né? Porque você poderia dizer, eu sou um espaço orgânico de mitos e meioses não é mentira, mas vai espantar, né? Não vai agradar. Você poderia dizer: "Eu sou
neurônios em sinapse ou intestino, em peristaltismo, sangue em circulação, tudo é verdade, mas não adianta muito, porque a pessoa quer saber quem você é e Isso aí sim acontece em você, mas não é quem você é".Então, quem eu sou, não é? Eu não tenho erro, costumo dizer, sou professor e claro, eu uso o meu, a minha profissão como porte estarte, até porque não tem outra coisa melhor para dizer. Senor professor, costuma suscitar desprezo, desden, compaixão, pena, né? É porque na nossa sociedade os Professores apanham em sala de aula e não são extraterrestres malvados. Na nossa
sociedade só tem nós. No meu estado, os índices são oferecidos pela Secretaria de Educação. Média de 10 ocorrências de violência física quandoor da rede pública por semana. só no meu estado. E aqui só tem nós. É preciso dizer, ah, só professor, pessoal, olha, bom, vou ficar mais 5 minutos, né? Professor do Quê? De ética. E porque, né, podia ser alguma coisa tipo mais útil, marketing digital, né, lá astrofísica, mais ética. É coisa horrível. É mesmo. Você dá aula onde? Ah, na universidade pública, pobre, ressentido e inútil. Eu não sei se você percebeu, mas no final
das contas eu, para dizer quem eu sou, disse coisas que eu escolhi para Ser. E quem para dizer quem é, diz escolhas que fez pra própria vida, acaba dizendo o que é importante para si. Por isso, se você escolheu ser professor, isso é indicativo, por inferência, que você considera valioso ou valoroso tudo aquilo que é inerente a essa atividade, como debate de ideias, Leitura, esclarecimento, didática, etc. Já dinheiro não é o caso. Tá sendo dito. Quando você diz o que você escolheu paraa sua vida, você também conta os critérios que usou para escolher. Você também
conta o que é, digamos, mais importante para você. E a partir dessas inferências, a pessoa poderá fazer um diagnóstico, porque bastam 5 minutos para você encontrar alguém que usa sapato mocacim Baixo, calça pulabrejo agarrada na panturrilha sem meia, dizendo que quer enriquecer. você já tem uma ideia dos valores, né? é o uniforme do enriquecido. Eu fui dar uma palestra aonde eles ficaram 11 horas ensinando a ganhar dinheiro e terminaram comigo. E eu então disse, você corre o risco de desaprender tudo que aprendeu, porque eu escrevi um livro do milhão ao 1000. Se Quer falir, pode
deixar na minha mão. Aí eu disse, se todo rico, já reparou, usa sapato sem meia com a calça puxada e coisa, quem sabe indo no sentido contrário, você não chega lá, joga fora a meia, se tiver em boas condições, em cima do palco e vai sem meia. Quem sabe isso atrai prosperidade. O certo é que as escolhas indicam valores, isso pessoal e coletivamente. E através dos valores, a gente conta pro Outro, mais ou menos indiretamente quem a gente é. A gente é em função do que é genuinamente relevante pra gente. Então, é claro, se você
passa a vida ensinando, empenhado e e não vê na educação do jovem um valor para você, viveu uma vida esquizofrênica, uma vida que não traz nenhuma clareza Para quem se relaciona com você. Uma vida de uma instrumentalidade fictícia, vazia, porque a vida terá substância e fundamento se a escolha corresponder a valores genuinamente respeitados, genuinamente, autenticamente. E você percebe no olhar de quem age se aquela ação é uma mera contrapartida para um salário que paga as contas ou se aquilo tem a Ver com valores que foram eh eh eu diria definidores de caminhos existenciais, de escolhas
de vida que você oferece para o mundo como bandeira definidora de si mesmo. Sim, individual e coletivamente, claro, porque uma empresa também tem valores e o que se supõe é que todo mundo ali falando em nome da empresa e agindo em nome da empresa é eh vá eh pautar sua conduta a partir daqueles valores. Sob pena de uma ecatomb. Se você tem num Banner um valor tipo honestidade e aí o cara te chama de lado assim e diz: "Olha, é aqui, né? nessa gavetinha aqui, se você deixar alguma coisa, eh, a gente pode botar você
na frente da fila, né? mas é a empresa diz que o valor é o cara aqui na base diz que com ele. Então, aí esse sai daqui e diz: "Olha, quando for lá, fala com fulano de tal que ele quebra seu galho, viu?" E aí, então você tem ali uma espécie de eh de destruidor Desse patrimônio que é a coerente construção dos valores que integram a imagem da empresa. Bem, eh, indo um pouquinho mais pra frente, pode se instalar no quarto ao lado, no apartamento ao lado, pode se instalar um um uma dupla de músicos,
por que não? E aí a dupla de músicos é músico, músico que estuda música, tipo com partitura Mesmo, estuda tal, e quer fazer composição de excelência, mas como é preciso viver, canta um sertanejo universitário enquanto isso, enquanto a música não vem. E eles conversando sobre a relação dizem: "Bom, a gente trabalha à noite, dorme de manhã, então a gente vai ensaiar à tarde." Ah, bacana. Que horas? Ah, das 14 às 18. pois a gente vai trabalhar. Então, no mesmo dia em que os estudantes fizeram silêncio para estudar agronomia, os músicos começaram um solo de tuba.
Aí a bater na porta, que é essa? É tuba. E é aqui que você percebe que a ética se torna complexa porque os valores são complexos. E o que isso significa? Significa que você pode problematizá-los o tempo Inteiro. Afinal de contas, a transparência está na moda. Quando eu estudei na física era atributo do vidro ideal. Alguém tirou da da física e trouxe para a ética, né? Da ótica para a transparência. O problema da transparência na ética é onde está o vidro e quem é que está de um lado e de outro do vidro. Porque você
pode pensar em transparência eh intraubjetiva, que é uma forma de autenticidade, você dizer o que pensa, Dizer o que sente, é uma transparência. Você pode pensar numa transparência eh eh intersubjetiva, que é ter com alguém condições de dizer o que pensa. Você pode pensar numa transparência interdepartamental ou pensar numa transparência do Estado com a sociedade ou pensar, mas só transparência é pouco, é preciso fuçar um pouco mais. Por que que é preciso fuçar um pouco mais? Porque eh na intrassubjetividade Existem filtros chamados de censura, que a psicanálise mostra muito bem e que falseiam a hipótese
de uma transparência absoluta. E transparência ou é absoluta ou chama opacidade, né? eh, o vidro ou é transparente ou é opaco, não tem essa. Então, eh, a censura psicanalítica, ela torna essa plena transparência intrassubjetiva um absurdo. ter subjetivamente. Existem eh condicionantes sociais de diferença de capital social entre os Contendores, entre os que estão interagindo, que faz com que muitas vezes eh seja praticamente impossível você eh enunciar exatamente o que pensa sobre o outro e vice-versa. Eh, e e como se não bastasse, eh, existem limites de privacidade, que também é um valor. Eh, a privacidade não
deixou de existir, porque a transparência é valor ético. A privacidade é o direito que você tem de não dizer tudo o que diz respeito a você. E isso existe também. Então, Quando há privacidade, não há transparência e vice-versa. Se você quiser, eu continuo. Uma empresa lança um projeto e esse projeto é um projeto arrojado, que busca lucro, como em qualquer empresa, mas que vai melhorar a vida de muita gente. Mas como há muitos competidores, a empresa guarda em absoluto sigilo o projeto. Já entendeu? Sigilo é o contrário da transparência. De tal maneira que se você
se envolve nesse projeto e você assume uma Responsabilidade de sigilo, você se for levar o projeto pro concorrente está agindo transparentemente, mas é canalha, é sórdido, está levando tudo a perder, está condenando a ruína, o projeto em nome da transparência, viu só? Eh, eh, a censura psicanalítica, a a privacidade e o sigilo são três exemplos de problematização possível da transparência. É. A aí você dirá: "Sim, Isso na iniciativa, mas o estado também tem suas informações sigilosas e eh vazá-las ou fazer vazá-las é até crime em certas situações. Como você pode perceber, a transparência pode ser
discutida o tempo inteiro, os valores são complexos e um quer estudar agronomia, o outro quer fazer música. E aí, eh, onde tá a balança que pesa? Qual que vale mais? né? Essa é a imensa complexidade da ética, onde tá a balança. E depois não é só estudante de Agronomia e músico, viu? Tem professor de ética, tem prostituta, tem sacerdote, tem coisa, tem técnico de natação, cada um com as suas pretensões, cada um com o seu universo, cada um com seus objetivos. Portanto, a ética é uma uma tentativa sempre provisória, sempre difícil e sempre eh comprometida
de solucionar situações de convivência sempre de modo tendencial, né, de provisório e tendencial. Quando não há ética, há canalice. Escrevi um livrinho. Somos todos canalhas porque a canalice é o atributo de um ato, não de uma pessoa. Todos nós já agimos canaliamente alguma vez, quçá várias vezes na vida. E a canalice é eh digamos o implemento de uma conduta na contramão do que é coletivamente aceitável. E isso com consciência é você então dar prioridade ao que é do seu interesse em detrimento do que é coletivamente tolerável. é a canalice. Portanto, a ética é a Vitória
da convivência sobre a canalice. E os casos de relação de corrupção encontram aqui o seu berço, porque no final das contas o que se estabelece é uma cultura de corrupção, aonde a canalice é condição de pertencimento. Se quiser entrar no esquema, é desse jeito que eu estou explicando. Senão não tem como. E é exatamente aqui que você percebe a Complicação das complicações. Porque nada impede que num determinado espaço, a maioria aposte em soluções canáhas. Portanto, não é nenhuma questão, porque até aqui deu a impressão que tem dois ou três mal intencionados e o resto todo
mundo eh em berço esplêndido. Mas isso às vezes não é assim. Eu percebo o silêncio que vocês fazem é tão impressionante Que se ouviria uma girafa que não emite ruído. Mas todos nós sabemos que o canalha não é necessariamente minoritário, sorrateiro, resvaladiço, escondidiço, matreiro. Não necessariamente, porque haverá espaços em que o canal se garba da sua canalice e constrange a Maioria segui-lo, tornando, digamos, a luta pelo zelo genuíno ao que é coletivamente auspicioso, uma luta impossível. exemplo de canalice. Não é preciso abrir a primeira página do wall, porque se saírem na rua e falarem de
corrupção, é possível que sejam levados a acreditar que a canalice É uma questão circunscrita na sociedade. A corrupção pode ser, mas a canalista não. É por isso que o argumento da renovação não é por si só auspicioso. A cada 4 anos você pode trocar todo mundo e trocar 6 por meia dúia. E no final o que acontece é que aonde você aponta a luz, né? Esse é o problema. O problema é que boa parte da canalice na Sociedade permanece anônima, escura, sombria. Exatamente por quê? Pelo excesso de luz em certos segmentos. Eu, minha filha era,
era pequenininha, mais nova, Natália, pai, me leva na piscina do clube. Várias pessoas frequentando, me leva na piscina. Porque ela pediu, eu levei. Mas só por isso eu tenho uma certa aversão a tudo isso. E e isso é um problema meu, né? Acho sempre a água fria. Mas eu entrei, diferentemente da maioria, fiquei parado esperando Natália brincar. Não gosto de me movimentar muito. Enquanto Natália brincava, um cidadão desses típicos frequentadores de clube de elite, que se considera alguém, digamos, mais importante do que a média, ele se aproximou, colocou os cotovelos sobre o parapeito Da piscina
e olhou para mim com uma fisionomia de alívio moderado, entendeu? ou não. Eu então olhei para baixo desconfiado, e tinha razão na minha suposição. Ele urinava, o amarelumbre se espalhava. Eu então perguntei a ele, por gentileza, eu vejo mal. Ali tem uma porta, tem algo escrito, pode me dizer o que é? E ele disse: WC. Eu falei, deixa ver se eu Entendi. Para não dar três passos, você urinou aqui do meu lado. É isso mesmo. O que é interessante é que depois eu descobri a esposa estava na piscina e os filhos aprendendo a nadar e
engolindo água também estavam na piscina. Veja que o canalha ele atira para todo lado. Ele prefere condenar a família a engolir seus excrementos a dar três passos. Esse exemplo do xixi na piscina, eu sei, ele é devastador. O constrangimento é Grande na plateia, porque cada um sabe de si, né? Às vezes tá frio do lado de fora. Conversando com uma professora de hidroginástica, ela me disse: "Nunca na minha vida um aluno de hidroginástica saiu durante a aula para fazer xixi". Então, ou a hidroginástica ela trava o sistema urinário ou a coisa é liberada. A ética
é a vitória da convivência sobre a canalice. O que é interessante é que eu fiquei observando e não havia gente entrando e saindo do banheiro. Na verdade, ninguém foi ao banheiro. E depois eu descobri, por necessidade, pessoal, que a porta estava trancada, que tinha que pegar a chave com um argentino dono do bar que vendia shope. Incrível, porque Lavoier diz, né, pai da química moderna. No mundo nada se cria, tudo se transforma. Bebem, bebem, bebem, bebem, bebem. A Transpiração não há de resolver todo o problema. Aquilo tem que ir para algum lugar. No banheiro ninguém
vai. A piscina é uma sopa. Segundo um pesquisador de ética do Canadá, uma piscina média de 25 m semiolímpica no Canadá tem em média 70 L de urina no Canadá. Para deixar claro que o problema de fazer xixi fora do vaso não é só nosso. No Canadá, veja que é uma escrotice de Grande monta e o termo aqui é bem aplicado, ele é adequado para o cenário. Eu fui dar um curso de ética na Universidade de Estocolmo, o que por si só é curioso. Eu tenho que dizer, mas chamar um professor de ética brasileiro para
dar um curso de ética em Estocolmo é curioso. Desculpa, mesmo sendo eu, eu achei Curioso, né? É mais ou menos como chamar, sei lá, um atleta de ginástica olímpica paraguaio para ensinar os chineses antes das Olimpíadas a Eu fiz essa piada no Paraguai. Eles riram até mais do que vocês. É verdade. Eles acho que foi a única coisa que eles entenderam do que eu falei. Eu sei que eu cheguei uma hora antes, porque quem mora em São Paulo sempre Acaba acontecendo isso, chega antes. E aí então para não ter que fazer em sala para mim,
eu resolvi esperar no carro. Eu cheguei 7 para começar aulas 8. Então cheguei no estacionamento da universidade, fiquei esperando e observei uma coisa curiosíssima. Quem chegava cedo como eu, parava longe da porta de entrada, mas bem longe, tipo, sei lá, 1 km longe. E aí os lugares foram sendo preenchidos de tal maneira Que minutos antes das 8 tinha lugar na porta. Achei curiosíssimo. Percebi até que tinha meio que transgredido aquilo porque eu não sabia. Então eu já parei tipo na porta. Mas tinha o benefício da de não saber do esquema. Aí eu entrei, encontrei meu
anfitrião e disse: "Gostei do esquema do estacionamento". Ele olhou para mim sem entender que esquema? Eu falei: "Isso de quem chegar cedo para Longe? Aí ele olhou para mim e falou: "Mas como seria se não fosse assim?" Eu falei: "Não, pensando aqui em termos teóricos, claro, não conheço nenhum lugar que não seja assim, mas eh quem chega cedo para onde quiser, tipo na porta para não para andar menos. E quem chega tarde, claro, para onde tem lugar, tipo longe." Ele falou: "Mas aí temos dois problemas. Quem chega cedo chega inutilmente cedo demais, se eh para
na Porta e vai fazer o quê?" enquanto quem chega tarde acaba chegando atrasado. Desse nosso jeito, a gente se preocupa para que todos cheguem no horário. Então, quem pode parar longe anda porque tem tempo, quem não tem tempo para perto. Eu falei: "Ah, comecei a ficar angustiado porque era nesse lugar que eu ia dar aula de ética, né? Aí eu eu falei: "E se uma pessoa Percebendo como funciona resolve dormir meia hora mais todo dia e parar todo dia na porta? Mas por que faria isso para dormir meia hora mais e andar menos?" Não, as
vagas da porta são feitas para ser usadas em rodízio para aqueles que tiveram algum problema circunstancial, problema de trânsito, problema de doença na família, sei lá o quê, qualquer Justificativa. Então, não são usadas pelas mesmas pessoas. As pessoas sabem que aquilo é usado para quem teve um real problema. Falei, mas tem alguém fiscalizando. Para que haveria alguém fiscalizando se funciona sem ninguém fiscalizando? E por que funciona assim? Porque as crianças já vêm, os pais fazendo isso. O senhor imagina que alguém pudesse se aproveitar? Eu falei: "Não, Imagina se alguém sabendo disso ia parar ele sempre.
Seria tão absurdo quanto parar em fila dupla um pouquinho para comprar uma Neusaldina na farmácia e vazar. Tão absurdo quanto. Imagina metade da rua é minha. Lá eu sei. Inaimaginável. É o que eu ia dizer. Inimaginável. Inimaginável. Então eu acho que aqui eu disse uma coisa muito bonita de dizer. O que que eu disse? Nós queremos que todo mundo se dê bem e todo mundo chegue no horário. Entendeu? Acho que ficou claro. E aí você volta de BH via São Gontijo e para no meio da estrada lá pelas 2:30, 3 horas e você sai embalado
porque comeu alguma coisa na rodoviária que estimulou o peristautismo. Você vai correndo pro banheiro, mas os usuários anteriores do toalete não pensaram no seu peristaismo. Não tem como sentar ali. Aí você vai procurar um gerente do negócio. Eu preciso de Instrumentos de limpeza para tornar usável. Essa hora não tem como manter uma vigilância e depois e para deixar do jeito que eu só quer, precisa lavar a cada usuário. O que ele tá dizendo é que eu moro num estábulo ou num chiqueiro. Mas tudo bem. E me dê. Eu não preciso que alguém lave. Eu lavo.
Aí você vai lá, limpa, deixa pelo menos o seu limpo, usa. Depois de usar, deixa impecável. E aí o rapaz que chega com o filho de Arreiko agradece e O menino senta e usa a ética, tem um pouco disso de você respeitar o outro conhecendo quem é o outro ou não. É esse outro com o grande da ética que um tal de Levinás tanto eh explicou para nós, né? O outro não é o Antônio Carlos. O outro é uma figura abstrata, genérica, que é respeitada por você por ter uma vida semelhante à tua, com igualdade
de direitos, pretensões, etc. Então, é claro que uma criança diarreica precisa sentar no vaso e é claro que ela precisa Encontrar condições de higiene que só o usuário anterior pode assegurar. E nesse momento você percebe que, embora o conceito de ética tenha mudado muito ao longo do tempo, Aristóteles já dizia que a ética é a medida da vida bem vivida. Ele dá até o exemplo. Uma pessoa que acabou de morrer, você vai uma dar uma nota para aquela nota, para aquela vida, quanto valeu aquela vida. A isso chamamos de ética, né? Eh, uma vida bem
vivida é uma vida eudaimônica com pleno Desabrochar da própria natureza. Jeito, viveu bem, a sua natureza resplandeceu. Ele apostou em si mesmo, viveu a vida que era sua, tornou-se quem ele era e assim ele alcançou a excelência. Aretê viva, eh, buscou a sabedoria, viveu uma vida dignamente humana. Então, isso é a métrica da vida ética. Ora, nós entendemos a ética como a inteligência compartilhada a serviço do aperfeiçoamento da convivência. Foi assim que definiam professor Cortela e Eu num livrinho intitulado Ética e vergonha na cara. Mas perceba, dado que a a vida de cada um de
nós é vivida 99% com alguém ou por perto ou intermediado por algo que tenha sido feito por esse alguém, né? Como por exemplo, alguém que fez a cadeira onde você tá sentado, alguém que fez esse microfone onde eu tô falando, alguém que, né, está diretamente conversando com você ou participa da sua vida por aquilo que fez. O certo é que a vida é o tempo Inteiro convivência. Uma vida feliz pressupõe uma convivência justa. A ética é a busca incansável de uma convivência justa, impondo-se limites na moral, mas impondo-se eticamente para o coletivo, restrições para que
a privação da liberdade de uns possa assegurar um quinhão de liberdade equivalente para o outro. Muito obrigado e até a próxima, se Deus quiser. Valeu, Pode permanecer conosco, aí professor. Que honra poder te ouvir, hein? >> Ah, obrigado. Prazer. Eu só te ouvia no YouTube, nas coisas assim, mas só achava teu jeito de falar, de raciocinar. >> Obrigado. Valeu. >> Pode permanecer conosco, por favor. Tá aí a brilhante palestra de professor Cloves de Barros Filho. Muito obrigado, professor, por participar e por abrilhantar aqui a nossa semana contra a corrupção. Eu vou convidar neste momento diretorgeral
adjunto da Assembleia Legislativa, Diego Vieira de Souza, para Entregar-lhe um presente. você vai levar lá paraa sua terra uma camisa também do da semana contra a corrupção. Mais uma vez, nosso muito obrigado. Nossa, muito obrigado por contribuir de forma tão significativa para esta semana contra a corrupção. Também agradecemos neste momento todas as autoridades, a todos os parceiros, a cada um de vocês que veio prestigiar este importante momento. Lembramos que a programação da Semana Estadual de Combate à Corrupção continua, vai até o dia 28 de agosto e ainda tem diversas atividades. Tenham todos uma ótima noite,
um bom restinho de terça-feira e até a próxima.