[Música] Oi gente eu tenho certeza que Vocês riram muito lendo o livro mas também ficaram muito pensativo sobre questões importantes que o romance traz E aí a gente vai conversar agora sobre essas questões sobre algumas dessas questões Aí a gente vê que o livro ele é todo tempo uma crítica a ideia de uma nação que busca uma originalidade e uma pureza né ou seja Policarpo é aquele personagem que vai tentar provar o tempo inteiro e a nação é original e pura o que ele tá tentando fazer é construir uma identidade nacional só que isso se
mostra um poço sem fundo ou seja uma busca sem uma sem uma verdade ele não chega Nessa verdade sobre a nação e como a gente pode provar que é isso que o Lima Barreto faz porque em todos os signos que ele transita durante o livro ele vai buscar essa originalidade como é que nós vamos ver que isso não deu muito certo quando a gente vê que todos os signos que Lima Barreto busca Para comprovar essa originalidade acabam mostrando a ele que ele não vai conseguir achar essa verdade sobre a nação essa pureza sobre a nação
em nenhum desses signos primeiro a gente pode pensar na biblioteca depois no Tupi como uma língua oficial depois na terra e depois na modinha na biblioteca acontece o que ele lista aqueles livros todos os livros importantes onde ele estudava e buscava conhecer a nação só que quando ele começa a listar os livros os livros são quase todos escritos por pesquisadores estrangeiros Viajantes cronistas que interpretaram o Brasil a partir do Repertório cultural Euro ocidental Então o que Policarpo conhecia sobre a nação ela é uma representação europeia sobre o que nós éramos então ele não ia chegar
a uma verdade sobre a própria nação lendo livros que foram feitos sobre a nação por pessoas estrangeiras que ele queria negar é um paradoxo é o primeiro paradoxo é uma impossibilidade de achar essa pureza depois na língua tupi ele quer provar que a originalidade do Brasil pode ser demonstrada pela língua tupi como a língua oficial e todo mundo né porque aquilo não fazia mais sentido aquela origem longínqua perdida no tempo e na memória não fazia sentido material para a população daquela época identidade é reconhecimento as pessoas não se reconheciam naquilo então aquilo não podia ser
afirmado como um ponto de identidade provocava o que riso como vai se repetir ao longo do romance Policarpo é vítima de riso né o tempo inteiro e aí a gente vai pensar esse riso dentro de uma cadeia já já a outra coisa é a modinha Lima Barreto encontra a modinha e nela Ele acha que encontrou um signo estético da originalidade nacional o violão a modinha e ele estuda e depois ele entende pesquisando ele vê que a modinha veio da Europa de Portugal e que aqui ela foi reinventada pelo violão que era um signo cultural ligado
à população negra e periférica e ele fica triste porque a modinha não era brasileira e a outra coisa é a terra né que ele quer defender que a terra se plantando tudo dá recuperando pela voz de Caminha o texto dos cronistas e remontando a primeira coisa que eu digo quando ele entende quando ele acha que essa terra tudo dá que é maravilhosa ele tá editando o mito romântico do Paraíso e da terra perfeita Então esse Brasil que ele procurava na biblioteca dele chega pela lente estrangeira que ele queria negar na terra especificamente ele é levado
não só ao riso mas como em outros signos a loucura né Ele é tido como louco internado porque aquilo não fazia sentido e o que não faz sentido o que tá fora de uma lógica racional provoca riso e é tido como loucura então Policarpo ele passa por um ciclo de classificação após cada um desses fracassos que é o riso a loucura a violência e a morte é isso que acontece com Policarpo todo tempo é o efeito a reação que Policarpo provoca da sociedade leva a esses quatro núcleos estruturantes ele é visível ele beba uma certa
ingenuidade é infantil Ele é tido como louco e depois surge a violência ele é preso e depois a morte o que é que cada coisa dessa significa velha amarrada significa que aquele projeto de nação de base romântica idealizado que se buscava a pureza a origem é visível Aquilo é bobo Lima Barreto era um grande irônico Ele tá dizendo vocês acreditam mesmo nisso impureza em origem a gente é tudo misturado culturalmente Nossa cultura é misturada é uma modinha que é feita no piano que chega aqui vira para o violão que é do subúrbio e o negro
toca maldito é isso e também pensar o seguinte esse projeto de nação aí já é uma crítica ao Realismo esse projeto de nação por limitação com o estrangeiro esse projeto de nação romântico que se afirma por uma homogeneidade por uma identidade pura só é possível por no meio por violência física e ostensiva o que é que essa violência vai gerar um país controlado policiado em guerra como o livro começa a ficar para o seu final né onde era impossível discordar de Floriano Peixoto ele é Preso e Morto porque discorda de Floriano Peixoto e a morte
dele significa o quê a impossibilidade real material de se executar um projeto de nação desse tipo ele tá dizendo esse projeto de nação que é um projeto de modernidade não nos interessa não vai servir para a gente como não serviu a gente vê hoje o resultado desse projeto Entre nós somos um dos países que mais tem violência contra pessoas negras contra mulheres contra a homossexuais porque é um projeto de nação de uma identidade que não reconhece a diferença como valor multiplicante de si mesmo como valor de definição do que o país é Lima Barreto ele
vai pensar a rua como eu disse na primeira aula e a multiplicidade tá na rua pessoas bancas negras mestiças vários tipos de língua de arte de espaços o Subúrbio centro da cidade os trens o Manicômio a casa tudo aparece Lima tudo é múltiplo e Lima Barreto os espaços são múltiplos a língua é múltipla o sujeito são múltiplos porque a multiplicidade Lima Barreto é um valor civilizatório e ético e político que não fazia parte dos outros projetos nacionais nem romântico e nem realista Então a gente vai passar agora para pensar topicamente como essa crítica da modernidade
que Lima Barreto faz e ele faz de várias formas eu vou pensar aqui só duas formas pra gente ilustrar como isso é feito a primeira dessas formas é quando ele tá na fazenda E aí ele quer plantar ele estuda pesquisa ele adquire um conhecimento de base científica moderna compra máquinas equipamentos para que a plantação funcione e ele não consegue se livrar das pestes na plantação a plantação não vinga porque tem muita peste e ele tenta de tudo dentro da lógica ocidental da Ciência da Medicina e da tecnologia e não consegue mas aí uma feiticeira uma
preta velha que é uma figura Central em todos os livros de Lima Barreto por onde circula esse negro e periférico no Brasil a mulher vai lá faz um feitiço e todos os bichos saem da plantação de Lima Barreto Ele tá dizendo o que a gente com isso ele tá dizendo há várias formas de saberes no mundo e eles são válidos o que Lima Barreto faz é radical no campo da literatura brasileira porque ele vai quebrar aquilo que o modernismo de 22 fez e as outras tradições anteriores fizeram que era hierarquizar as formas de saberes ele
não hierarquizava os saberes negros e os saberes médicos eram igualmente válidos E aí tem um outro episódio que é a segunda coisa quando um médico atendia na cidade e era muito procurado e uma curandeira também era muito procurada na cidade isso não tá em Policarpo apenas está nas obras de Lima Barreto Então vale a pena a gente citar isso como uma crítica ao projeto ocidental de objetividade científica de monopólio do saber né como se só um saber fosse válido que é o Saber científico moderno Lima vai mostrar aqui não que tanto o médico era importante
da Cidade quanto a curandeira era importante na cidade e assim ele vai fazendo uma crítica dessa lógica ocidental aonde tudo que não era europeu aonde tudo que não era científico era inválido e era inferior dessa forma a esculturas negras os saberes periféricos emergem em Policarpo Quaresma com uma potência criativa ética política e civilizacional que não tinham aparecido em nenhum romance da literatura brasileira eu acho que vocês podem dar um tempinho voltar de novo olhar o livro reler o livro ver porque sempre surgem coisas novas nessas releituras ler os textos que compõem pela obra né No
início e no final e partir para ler também outros livros de Lima Barreto que dialogam muito com Policarpo Quaresma E aí vocês vão fazer relações impressionantes que vão com certeza mudar e ampliar a leitura que vocês tiveram do próprio este fim de Policarpo Quaresma um abraço gente [Música]