Módulo 5 Aula 6 Outra forma de fazer avaliação de preferências é utilizando o que nós chamamos de operante livre. Nessas situações de operante livre, a criança está livre para escolher quais são os itens, objetos ou brinquedos com os quais ela quer interagir. A primeira maneira de fazer é uma observação planejada.
Nessa observação planejada, o aplicador deve distribuir itens que são potencialmente preferidos ou potencialmente reforçadores no ambiente, na sala de atendimento, por exemplo. É preciso que essa estratégia seja conduzida numa sala de preferência com pouco acesso a outros itens para que ela funcione melhor. Então, a criança deve ser capaz de ter acesso a todos os itens que eu disponibilizei e ela é que vai escolher quais são os itens que ela vai querer brincar naquele momento da avaliação de preferências.
Antes de iniciar a avaliação de preferências, propriamente falando, geralmente a gente deixa a criança manipular os brinquedos ou os itens. Então essa criança precisa conhecer os itens que vão estar disponíveis para ela antes de iniciar a sessão de avaliação de preferências. Cada item deve ser manipulado pela criança por alguns segundos, não por muito tempo, para que também não haja saciação, mas essa criança deve saber quais são os itens, ela já deve conhecer aqueles itens.
Às vezes a gente vai utilizar brinquedos que têm sons ou que têm algum tipo de mecanismo e é importante que a criança saiba como manipular aquele brinquedo antes de fazer uma sessão de avaliação de preferências. Essa sessão, ela deve durar tempo suficiente para que a criança consiga manipular cada um dos itens. O número de itens pode variar, a gente pode escolher entre, sei lá, 8 a 16 itens, por exemplo, a gente geralmente não põe pouquíssimos itens, mas é possível colocar poucos itens e fazer sessões mais curtas.
Geralmente essas sessões vão durar de 15 a 20 minutos, a depender do número de itens que a gente escolhe. E a gente, nessa sessão, registra o tempo que a criança fica brincando com cada item. E depois a gente soma esses tempos e vê qual foi o item que a criança interagiu por mais tempo.
Nessa observação planejada, nós é que escolhemos os itens a partir de outras informações, provavelmente a partir das entrevistas que foram feitas com terceiros, com familiares, com professores, ou observações que nós já fizemos de maneira informal da criança interagindo com objetos ao longo da sessão, na clínica ou na escola onde você trabalha. Nessa observação planejada, a gente preenche uma folha de registro. Nessa folha de registro, você tem lá os tempos, a contagem de tempo, normalmente nas linhas, e nas colunas você tem qual é o item que a criança está interagindo.
Você deve pintar as casinhas conforme o tempo vai passando, o cronômetro vai rodando, e essa criança está manipulando um determinado item. Se ela solta aquele item, você não vai preencher a próxima casinha, e se ela vai para um outro item, você começa a preencher casinhas, as células ali da planilha conforme essa criança vai interagindo com esse brinquedo. Ao final da sessão você tem cada casinha, é um intervalo de alguns segundos e você deve somar essas casinhas e você terá o tempo total que essa criança interagiu com cada um dos itens ao longo daquela sessão.
Outra forma de fazer avaliação de preferências utilizando operante livre é uma observação naturalística, nesse caso ela não é planejada. Ela deve ocorrer da maneira menos intrusiva possível, ou seja, eu não devo interferir no comportamento da criança ao longo dessa sessão, a menos que essa criança esteja apresentando algum comportamento que envolva risco ou perigo para ela ou para outras pessoas. Nessa sessão, o aplicador registra a duração total da sessão e a duração manipulando cada estímulo.
A diferença para a observação planejada é que eu não escolhi quais são os estímulos que vão estar disponíveis para a criança. Eu só vou atrás da criança, observando o que essa criança está fazendo, qual item que ela está manipulando, e ao longo dessa sessão eu vou escrevendo. Olha, ela pegou aqui um lápis, ela ficou tanto tempo com o lápis.
ela pegou uma boneca, ela ficou tanto tempo com essa boneca, e eu vou marcando o tempo que essa criança ficou interagindo com cada um dos objetos. A gente pode usar a mesma folha de registro que a gente usa para a observação planejada, o mesmo modelo de folha de registro, mas a diferença é que nós vamos ter que ir preenchendo pouco a pouco o que essa criança pegou qual foi o item, sendo que na observação planejada nós já sabemos antes de iniciar a sessão quais são os itens que nós vamos disponibilizar naquele espaço.