[Aplausos] [Música] na página pessoal de Marcelo de Salete aprendemos que esse quadrinista roteirista ilustrador e professor nasceu na capital paulista em 1979 e cresceu na zona leste Marcelo se graduou em artes plásticas na escola de comunicação e arte na eca da USP 2009 e concluiu o mestrado emem estética e história da arte também pela USP em 2018 recebeu o Prêmio o prêmio eisner conhecido como o Óscar e das histórias em quadrinhos pela obra cumbi de que a gente vai falar um pouquinho aqui também recebeu HQ Mix várias premiações eh Aliás o reconhecimento da obra do
Marcelo pode ser estimado É nos prêmios menções horros né vários que que ele tem recebido ao longo desses anos como o jabuti o grampo de H Mix vários o Rudolf dirks Awards da Alemanha assim como algumas inúmeras Exposições realizadas no Brasil no exterior seu site pessoal é muito bem feito aliás oferece um clipe muito completo né de tudo quanto é menção que tem saído sobre o seu trabalho Marcelo veio de uma família humilde e começou a desenhar na infância muito das suas referências vem da vivência nas ruas da Metrópole dos movimentos culturais de iia como
rap e o e o hip hop a literatura também sempre teve muito presente é muito marcante na Sua vida na sua obra Marcelo também enfrentou situações opressoras violentas típicas de uma sociedade como a nossa de passado Colonial escravista cujas marcas presentes mais visíveis são a brutal desigualdade econômica e o racismo e essa experiência é muito presente também na sua obra A gente vai falar um pouquinho da sua trajetória dos seus livros né suas histórias Marcel é um grande contador de histórias agora eu quero apenas expressar meu minha enorme Gratidão e a enorme honra que eu
sinto por eh você ter recebido o nosso atendido o nosso convite para participar dessa experiência de compartilhar um pouco da sua trajetória e das suas eh experiências de escrita conosco Obrigado Marcelo muito obrigado pelo convite bom já disse que você é um grande contador de histórias né do mais alto nível de refinamento mas Diferentemente de outros que contam histórias com palavras uma marca da tua obra Diferencial é o uso da imagem como o principal recurso não só visual mas narrativo mesmo né os teus livros eu vou evocá-las em seguida tem sequências inteiras mudas sem balões
né você usa muitas sarjetas as molduras os flashbacks eh evocando recursos da linguagem cinematográfica eh você não precin você não prinde você não abre mão do texto né Angola Janga por exemplo traz lá no final um glossário Linha do Tempo explicando os fatos os símbolos e Tal mas você não quebra a sequência narrativa né a narrativa sequencial típica do quadrinho né E também muito imagética com essas informações que você pensa lá no final a tua narrativa é sequencial mas não linear Por exemplo quando você usa a rememoração Por parte dos personagens como um recurso narrativo
recorrente na construção do enredo e a memória né que é tão central na construção e manutenção da ID da identidade né de comunidades cujo elã é A oralidade né você usa esse recurso muito bem Então conta pra gente um pouco Marcelo dessas especificidades né da complexidade de se contar uma história eh com esse objeto que você tem eh explorado eh usando a expressão eh verbal muito pouco né quase como um acessório né E esses aspectos da memória que não são eh recursos narrativos né A questão da memória é muito presente paraas comunidades que se retrata
Ah o meu interesse ele sempre foi Inicialmente a trazer algumas narrativas a partir da da linguagem das histórias em quadrinhos eu considero que o quadrinho ele tem um potencial enorme hã em narrar não é contar histórias e Há uma possibilidade aí Ah que ainda precisa ser explorada não é que merece ser explorada no sentido das possibilidades de você trazer essas narrativas a partir também ah das imagens dos símbolos de recorrer não é De certo modo a uma certa iconografia própria de determinados contextos culturais históricos eh como uma forma também de de narrar Eh esses fatos
de pensar esses personagens Então essas histórias elas surgem sempre de certo modo com esse compromisso muito grande de respeitar também a linguagem das histórias em quadrinhos e as possibilidades de contar histórias utilizando bem essa linguagem os recursos dessa linguagem então ah eu Tenho alguns vários alguns trabalhos em quadrinhos tem um tema histórico muito forte como é o caso do livro cumb Angola Janga e mukanda Teodora e tem alguns outros livros que eu trato de do Brasil e de São Paulo ah mais contemporânea também é o caso do livro noite luz e Encruzilhada são os primeiros
livros Ah e depois que eu parto para esses trabalhos mais históricos mais focados Em alguns momentos específicos e eu sabia que Eh eu não gostaria de trazer essas narrativas ah de uma forma em que apenas o texto conduzisse grande parte da trama e dos personagens a a minha tentativa é um pouco a trazer esses personagens mas trazer uma experiência de leitura que seja também de Sub no contexto nas paixões e medos não é de cada um desses personagens e a partir disso dessa vivência a partir dos Personagens o leitor ir compreendendo um pouco também daquele
contexto daquele universo ah são pequenos indícios não é São pequenas dicas que são apresentadas ali na narrativa que vão formando aí um grande quebra-cabeça vamos dizer assim daquele contexto eu acho que grande parte dos quadrinhos que eu tive contato que eu mais gosto não é ah como leitor são quadrinhos que exploravam isso muito bem em termos de imagem em termos de layout da página da História em quadrinhos em termos de pensar as diversas relações possíveis eh de apresentar Fatos e personagens utilizando esses recursos das histórias em quadrinhos Então o texto Sim ele é importante relevante
mas é a partir dessa junção do texto principalmente com a imagem e com essa Cadência das imagens que o leitor vai ter contato com com aquela narrativa e com aqueles fatos eu acho que é uma Essa é uma experiência ímpar que os quadrinhos Podem trazer que é diferente Eh vamos dizer assim da literatura não é da da prosa embora eu também Acredite por outro lado que a gente sempre tá lidando e perseguindo aí ah imagens e formas de pensar essas imagens um bom texto literário não é utilizando ah utilizando prosa ele também ah quando nós
lemos ele também está nos alimentando constantemente com imagens não é eh é quase como se em um Determinado momento você começasse a vivenciar aquilo ali como uma sequência não é de ações imagens e quase esquecesse do texto que está lá né Eu acredito que um bom texto também faz isso e nas histórias in quadrinhos É claro é possível fazer isso de um de um outro modo Você tocou nos teus primeiros livros né então eu quero fazer esse deslocamento e a gente vai e vem na tua produção né os teus primeiros livros são marcadamente urbanos né
como você falou Eh noite luz 2008 eh eh Encruzilhada acho que 2011 se eu não me engano né se trata se retrata pessoas eh das camadas sociais excluídas né periféricas mas urbanas né abordando questões ligadas ao desemprego ao machismo racismo né o medo né a decepção uma pegada muito Metropolitana mesmo né Paulistana em noite luz e para mim você já deixou E e esse esse lado essa sua sensibilidade né puxando o fio narrativo a partir do universo dessa boate né chamada noite Luz né o próprio nome da buate já joga com essa dualidade né Eh
muito humana né de luz e sombra de começo e fim né nesse ambiente obscuro aí dessas histórias paralelas onde os personagens e que são estranhos entre si eventualmente acabam se cruzando e tal né mas esse é um álbum de de é um uma obra de ficção né mas que retrata assim nessas eh desses contos que você traz ali a realidade dura da vida urbana além do traço muito singular o que me chama atenção ali é a Construção narrativa cadenciada né quase cinematográfica então eh eh abre esse esse álbum um texto do seu parceiro Alan da
Rosa né que te acompanha em vários outros trabalhos também fala um pouco desse livro pra gente que é esse livro inaugural né do do teu trabalho e e dessa parceria eh que você tem com Alan e tal por favor sim ah o livro noite luz ele foi publicado inicialmente em 2008 e ele é uma reunião de determinadas Histórias eu vinha fazendo desde 2003 2004 e lançando em algumas revistas Mix com diversos autores como é o caso da publicação Fronte eu participei a publicando algumas histórias e também como editor durante um certo período eh foi a
minha primeira experiência vamos dizer assim criando histórias em quadrinhos e publicando a partir de alguns temas específicos e foi também o meu primeiro momento no sentido de começar a pensar num certo Universo de Questões de personagens ah de versos que me interessavam ali daí veio esse interesse em falar sobre São Paulo muito a partir também da minha experiência como jovem negro da Periferia da cidade trabalhando como office boy no centro estudando no centro também tendo muito contato com grafiteiros com pichadores também e outros artistas de rua eh ah e esse contato inicial também com alguns
colegas amigos né como é o caso Do Alan da Rosa grande escritor e Historiador ah e também outros indiretamente que aparecem outros livros como é o caso do RIC nut que é músico e cineasta também eh E desde o início meu interesse por cinema Ah ele sempre veio muito próximo das histórias em quadrinhos eu tentei trazer ali pro livro noite luz Inclusive era essa experiência urbana do que a gente via e discutia Mas também de certo modo um Interesse Muito forte de falar da minha realidade naquele momento a partir também de algumas outras referências de
escritores e artistas que eu tava começando a me interessar e me aprofundar um pouco mais daí vem desde do rap com Racionais e outros grupos Taí também dj1 assim como a O Itamar Assunção pío Marcos também que é um autor que eu aprecio muito até hoje Geraldo filme sambista excelente ao falar também muito sobre a estrada de São Paulo Ah então foi essa primeira experiência de criar o universo de começar a pensar nisso a partir de determinados personagens que ah muitas vezes as histórias funcionam como contos isolados Mas tem uma um contexto maior que é
aquela casa noturna Ah esses primeiros livros tanto o noite Luz como Ecus ilhadas eles funcionam mais ou menos como uma reunião de determinados contos bem urbanos mas que Tem aí um um pano de fundo que é a cidade de São Paulo que me interessava bastante no caso do noite boa parte das histórias são um pouquinho mais ficcionais inspiradas levemente leituras em casos não é que eu acompanhava E no caso do livro Encruzilhada continua Mas tem uma das histórias que talvez seja um link an em relação inclusive aos meus outros trabalhos mais históricos depois comb Angol
Janga e tal que é a história Encruzilhada D nome a o livro Ah no livro Encruzilhada de 2011 a primeira versão e essa história ela trata do caso de um insegurança que foi preso no é que foi pego por Seguranças no supermercado aqui em São Paulo segurança um homem não é negro foi confundido com um ladrão Ahã acharam que ele tava tentando roubar o que é o era o próprio carro dele e ali ele foi espancado perdeu diversos dentes e tal essa foi a primeira história vamos Dizer assim que eu acabei me atendo um pouco
mais alguns fatos Ah vamos dizer assim mais ah reais não é pegos aí ali do que tava acontecendo naquele momento isso é por volta de 2009 eh para depois pensar em questões mais históricas e o Alan da Rosa Ele sempre foi um parceiro muito ah forte no sentido de que é alguém que vem da história mas sempre pensou na história Também como essa possibilidade de proximidade com a ficção com de certo modo você pensar a história mas com novas formas de contar essa história então a gente sempre trocou muitas ideias muitas figurinhas tanto sobre questões
históricas mas também sobre literatura sobre quadrinhos e sobre essas outras formas de pensar na narração desses fatos que nos interessavam bastante a gente fou participando do núcleo de Consciência negra aqui na USP também durante um tempo então se via muito por ali também nesse momento de militância não é no núcleo Ah que foi um espaço também ímpar de formação para mim para ele porque era um espaço onde diferentes intelectuais negros passavam e e realizavam formações não é com os alunos e acabou sendo Com certeza a o meu primeiro espaço for uma de militância Negra após
vamos dizer assim o rap Ah que foi o que me produziu Inicialmente dentro dessas questões do movimento negro no Brasil em São Paulo Maravilha eh Itamar Itamar Assunção Você tocou né eu acompanhava Itamar desde os anos final dos anos 80 com a orquidias selvagens depois o isca de polícia sensacional saí do interior de São Paulo em veit Tamar Assunção com arrigo aquela coisa forte né pujante que tinha no movimento cultural nos 80 em São Paulo assim como em noit luz né a temática eh Urbana né Eh estrutura vertebra o album Encruzilhada de 2011 né é
uma obra eh muito pujante né muito inquietante na qual você traz no traço preto e branco que te caracteriza sintomas eh eh dessa realid ade pesada que os cidadãos brasileiros e cidadã brasileiras eh das grandes cidades do país né qu essa esse essa parte da sociedade que são eh feitos sub cidadãos ou quase cidadãos né uma certa classe social majoritária quantitativamente mas menorzada né assim Eh eh ativamente excluída da cidadan pelas elites Esse é o é o teu teu foco ali né então você também estrutura esse esse livro em em seis Histórias Curtas né e
Encruzilhada acaba sendo uma metáfora quase que da sociedade eh violenta e Cruel que a gente vê todos os dias eh pelos eh noticiários e tal então a tesitura do do livro né expressa no no próprio título Encruzilhadas tá nesse entrecruzamento das histórias paralelas que acabam pintando um quadro geral né Muito verossímil então a questão da da da realidade que você colocou né Eh eh Às vezes a ficção pinta de maneira mais clara a realidade pra gente do que a própria descrição né Eh tá tudo ali porque o que tá representado ali é a rotina né
do abuso do poder sistemático contra as as classes eh inferiorizadas né as classes subalternas isso talvez seja eh isso acontece perdão eh quando mesmo eh quando bandidos por exemplo oprimem é A população circundante ou sobretudo a violência policial né o modo brutal humilhante com que a polícia trata a população sobretudo nas periferias né então Eh você já deu uma pista né uma história tem a ver tem esse lastro real Mas da onde que surgem essas histórias né Eh eh a tua a tua capacidade de ficcionalizar ou de criar a tua imaginação criadora né Você bebe
muito informações e tal quer dizer Você pesquisou acontece Reais além de encruzilhada né ou esse liame veio da tua da força da tua imaginação muitas dessas histórias elas surgem aí a partir da da observação e uma observação que às vezes é a partir de conversas com colegas falando sobre casos não é do Bairro no noite luz tem algumas histórias inspiradas nisso às vezes que eu lia no jornal em outros casos observação de algo que eu via na Rua entendeu como caso da o livro Encruzilhada naquela história que se passa com duas irmãs que são Camel
não é que vendem CDs e tal Foi algo que eu vi próximo disso não é and pelas ruas passando por um ponto de ônibus e aquilo vira meio que o estopin o ponto inicial para pensar nessas tramas e nesses personagens no caso do do da história Encruzilhada Isso foi um pouquinho além porque eu tinha ali eu vi não é o h esse homem negro fazendo relato sobre o que Aconteceu e aquilo foi muito tocante para mim não é ele tava relatando o que tinha acontecido junto com a esposa nesse perom mercado a forma como tinha
sido tratado não é de uma forma muito tocante dura e e contundente também não é de denúncia ã do que aconteceu e a gente sabe que esses Casos eles não são isolados não é eles fazem parte justamente de um sistema muito forte de opressão de Determinadas pessoas que ah por algum motivo eh saem da da linha não é esperada de marginalização ou seja um homem negro próximo de um carro de luxo né Na época era um ecoesporte Ah ele só pode ser visto nesse ponto de vista por esses grupos essas forças no caso ali eram
seguranças ah como uma ameaça entende e ao ser classificado como uma ameaça Ah ele só pode ser alvo da violência que É uma violência que ali no caso acontece de seguranças mas que a gente sabe também que as forças do Estado estão prontas também para efetivar sobre determinados corpos principalmente sentías periféricos ã em alguns casos de mulheres também não é claro inais homossexuais S Teve um caso Desculpa teve um caso não sei se acompanhou e e foi muito gritante também bom esses casos de violência contra a População negra sobretudo jovem é recorrente infelizmente todo dia
tem um caso né mas teve um é brutal e numa cidade do interior de São Paulo acho que foi numa feira agrícola em que um pai estava abraçado com o filho e e eles foram espancados isso não tem foi logo antes da pandemia brutalmente e eles falam assim olha mas ele é meu filho e as pessoas a certa altura já não queriam mais saber se era filho se não era queriam espancar tem um ódio né uma ira Contra determinados grupos que é uma coisa eh psicanalítica não dá para entender né é uma coisa brutal realmente
desculpa te interrompi não então entendo tem muitos desses casos não é que acontecem Ah e às vezes são casos que acontecem a partir das forças do estado ou ã não apenas as forças do Estado n é esses grupos vamos dizer assim mais conservadores que não aceitam né esse Tipo de vamos dizer assim eh de algo que não está dentro do esperado a partir do que eles entendem como certo ou errado e enfim claro que por trás disso tudo a gente tem uma estrutura de poder de determinadas pessoas e grupos que se beneficiam disso né se
beneficiam disso e que promovem indiretamente ou diretamente essa violência contra esses grupos também então Eh o Encruzilhada ele é um pouco esse Desenvolvimento do livro noit luz ah novamente com esse universo bem Urbano ah tratando de determinados personagens e grande parte de periféricos e muitas vezes também você tem alguns objetos não é elementos que são muito marcantes em cada uma dessas histórias seja uma pequena estatueta não é a história corrente Inclusive tem texto é um argumento original do kute essa história seja o CD ah ou diversas outras coisas então é Um pouco também algo que
eu tento trazer no Encruzilhada esse universo Urbano mas também esses objetos essa grafia essas marcas dentro da cidade da fichação do grafite eh mas também de certo modo a o conflito entre tanto essas marcas mais urbanas e anárquicas não é da Juventude marginalizada que é o caso da pichação mas também essas marcas H das grandes empresas das indústrias e como que isso muitas vezes se confunde não é com as Próprias pessoas eh Foi um momento então outro depois do noite luz onde ali eu tenho um traço um pouco mais uniforme ah em todo o livro
penso eu então no noite luz eu tava experimentando muito em termos de ah formas de elaborar o desenho de pensar o desenho no Encruzilhada isso está um pouco mais alicerçado e ah continuo mais ou menos no mesmo universo temático não é mas trazendo aí outras ah outros fatos aí formas de narrativas E de quadrinhos e a gente percebe uma uma continuidade ao mesmo tempo continuidade de com rupturas eh na busca pelo traço né Essa questão dos símbolos por exemplo que tá muito presente Encruzilhada no no questão dos objetos depois vai nos livros aspas históricos também
eh se trabalha muito legal isso então vamos faz virar essa chave né Aliás você vira a chave em cumbi né que é de 2014 você saiu da Periferia da Metrópole contemporânea e foi pros Sertões coloniais né dando protagonismo para African nos escravizados e a Batalha diária né para sobreviver a violência ao trabalho forçado a todo tipo eh de opressão então a obra foi super bem recebida foi publicada em Portugal na França na Itália na Turquia nos Estados Unidos muito premiada né te lançou como um quadrinista reconhecido internacionalmente eh mas vamos reforçar que cumb é um
romance né em que você conta eh também e branco né teu estilo Uma uma história possível do do do Povo bantu né na Perspectiva desse povo ou seja uma história verossímil de uma rebelião escrava verossímil das muitas que aconteceram e que não foram narradas né que caíram no esquecimento né Angola Janga já compõe uma uma uma situação diferente né já que a gente fala de um fato conhecido narrado docum entado né então antes da gente falar de Angola Janga conta para nós como é que foi o Processo de pesquisa né onde você se abasteceu de
informação a concepção do projeto realização de cumbi né pois ainda que seja uma narrativa ficcional ela é ancorada em muita pesquisa né que a gente pode perceber Sim essas histórias todas elas eu acabo vendo com uma certa sequência até embora sejam livros diferentes que tratam de tramas um pouco diferentes também não é No presente das últimas décadas e de séculos atrás mas eu acabo vendo como uma sequência porque ah desde o início não é da graduação eu tinha interesse Muito grande em artes plásticas Claro em quadrinhos mas também em história e a minha proximidade justamente
com alguns colegas da área da história assim como diversos ah professores né pesquisadores eu tive contato a partir de cursos como o caso do Petrônio Domingues e outros Isso foi me aprofundando dentro de uma série de historiadores pesquisadores com obras muito relevantes tratando do Brasil colonial e de Mares também ah as minhas primeiras leituras Elas acabaram sendo inicialmente focadas mais em Palmares em Angola Janga isso em 2004 antes já tinha algumas referências até de coisas que eu tinha lido dos cadernos negros né falando sobre história Negra em São Paulo também que me interessava Bastante frente
Negra mas depois disso a partir de um curso do do eu me interessei muito por Palmares E pensei ali numa Trama possível sobre sobre essa Saga enorme que é o clil dos Palmares tava pesquisando a bola Janga né qu forou a fila É sim sim por em 2004 quando eu tava começando a me interessar por isso e pensando nessa possível história eu tava lendo ali o Flávio Gomes dcio Freitas e alguns outros historiadores tratando Diretamente de Palmares e fiquei num bom tempo elaborando um primeiro esboço do roteiro sobre como poderia ser essa história Ah e
pesquisando diversos livros aí foram bem aí uns 5 se anos lendo muita coisa e pensando em alguns expostos iniciais Só que ainda me sentia muito inseguro para elaborar os desenhos ainda pensar em toda a iconografia em toda a parte visual dessa Trama do do livro não é Angola jâ Então por esse motivo eu tava Ainda elaborando essas histórias que foram pro noite luz e pro Encruzilhada que eram essas tramas tramas mais urbanas mas sempre voltava para essa pesquisa e interesse de trabalhar com Palmares em quadrinhos quando tinha um intervalo ali finalizava esses livros então Eh
Depois dessa leitura inicial a partir das histórias focadas diretamente em Palmares principalmente o Flávio Gomes o Ivan Alves Filho eh dcio Freitas e Diversos outros eu fui percebendo que eh ainda faltava elementos para compreender um pouco mais sobre a história do Brasil e sobre a população negra na história do Brasil em diferentes momentos e aí eu fui expandindo essa leitura Ah para diferentes momentos mas focada principalmente no século 17 um pouco século XVI mas também século XIX Então fui chegando em outros autores como Sidney saludo também o Robert slenes A a crisa Sá também nãoé
acabou influenciando aí muito esse último livro O mukanda Teodora e ali eu fui Descobrindo a esse lado da história social mais focada vamos dizer assim pensar a trajetória de alguns personagens específicos e a partir dessas trajetórias mais singulares tentar compreender o tudo e isso para mim foi muito valioso porque tem a ver com o meu modo de tratar essas tramas tanto no livro A cumbi como Angola Janga e diversos outros que é pensar a partir dos personagens tentar trazer essas experiências de vida não é a partir da ficção Sim claro mas fazer com que as
pessoas consigam imaginar a partir disso aqueles ambientes é aqueles contextos maiores também mas sempre a partir de casos mais singulares então o cumb ele foi publicado antes não é em 2004 por quê Depois dessas leituras todas e de ter a Trama sobre Palmares um pouco mais definida um pouco mais tratada não é mais próximo do que eu queria isso por volta de 2010 Depois de 5 6 anos então lendo bastante eu vi que poderia começar a elaborar os desenhos esboços finalizar E essas primeiras histórias que eu finalizei foram as histórias do cumbi o livro c
é uma narrativa uma história ah na verdade um conjunto de quatro Histórias falando do Brasil colonial Mais especificamente do século X e a região ali de Recife Pernambuco Ah mas são histórias que de certo modo elas estariam ali apresentando um pouco desse contexto da escravidão para depois se iniciar a Trama sobre Palmares diretamente era como uma introdução pro leitor sobre o universo que eu tava querendo tratar ah Mais especificamente depois em Angola changa eh inicialmente então for histórias que Eu pensei que estariam junto do livro Angola Janga A ideia é que funcionasse como uma espécie
de uma introdução Ah e algumas outras histórias no meio dessa saga sobre Palmares Na verdade era ali uma ou duas histórias pelo menos que entrariam no livro sobre Palmares no Angola Jor e aí aos poucos eu fui vendo que elas tinham uma força única uma força especial Ah uma energia não é uma contundência que me interessava e que de certo modo Cumpria ali fechava o universo de questões e aí Resolvi publicar o livro separadamente são quatro histórias que eu gosto muito e foi um desafio enorme incrível consegui realizar Ah porque era esse primeiro momento então
eu estava ainda no momento bem ah vacilante vamos dizer assim com dúvidas sobre o tom de cada uma das tramas não é ISO seria compreendido assim teve histórias como a primeira história Eh calunga que eu cheguei a elaborar fiz o roteiro o esboço finalizei ah escanei tudo comecei a montar e vi tá razoável mas ainda não está boa o suficiente como eu gostaria e eu fui revisitar essa história um ano depois E aí somente um ano depois é que surgiu alguns detalhes importantes e o verdadeiro desfecho dela por no momento Inicial Eu lembro que essa
foi uma história muito inspirada num texto falando sobre mulheres negras Escravizadas no Brasil colonial Ah um pouco inspirado e uns contos da nanc naro contos Não não é no artigo dela minha professora minha professora nense naro estudei com ela na uf 11 agora ela ela foi minha professora nos anos 80 na na na uf na Federal Fluminense aí voltou paraos Estados Unidos é ela é fantástica Ness Priscilla Smith narrow muito bem ela tem um artigo muito Interessante falando sobre mulheres negras no período colonial e escravizadas e como é que era esse primeiro esse primeiro desfecho
que é diferente do do que ficou porque essa história para mim é é é muito forte assim eu eu eh me impacte na tua obra o primeiro livro que eu comprei teu foi eh Kombi e essa história foi um uma porrada assim eh foi assim olha não para pera aí tem alguma coisa aqui viceral é muito forte né E como é que era a história o Final que você tinha elaborado para ela como sempre não é quando a gente recorre a os arquivos coloniais ou os arquivos do Brasil Império para trazer esses personagens marginalizados a
A violência é uma constante ã Ah muito presente nessas narrativas e a Trama Inicial que eu tinha desenvolvido levemente inspirado não é em alguns fatos que ela cita ela trazia muito dessa violência Ah e vamos dizer assim Que sem muito espaço para um certo respiro para um certo devaneio mas também para uma certa poesia que eu considerava relevante até como um um contraponto a toda essa violência que no final é uma história de amor né uma história de amor eh mais levada aos limites né da da do da afeição humana né É é uma história
de amor mas uma história vamos dizer nessas condições né de amor dentro de condições extremamente Violentas dentro de condições que a pessoas são transformadas em objetos e essas pessoas que são transformadas em objetos em coisas que são escravizadas também transformam em objetos outros não é elas transferem essa opressão também e ali no caso a gente tá vendo isso em relação à principal vítima que é uma mulher e que também é de certo modo vista de uma de um modo objetificado também pelo seu parceiro né Eh enfim é uma história vamos dizer assim de Uma Paixão
trágica trágica Total Ah mas muito inspirada então nesses relatos e a versão Inicial dela que me incomodava um pouco era justamente dessa ela tava muito literal terminava de uma forma muito um pouco abrupta e vamos dizer assim muito apenas dentro desse registro da violência então aquele final vamos dizer assim onde você tem uma abertura Ah até para você tentar ler a história de modos Diferentes é algo que eu achei muito relevante para tornar a história mais do que apenas o registro histórico entende no sentido de criar novas possibilidades de leitura não é da história inicial
a versão Inicial que eu tive contato é ela me pareceu muito asfixiante e por mais que ela seja parte de um relato e de um registro e que a gente saiba não é desculpe que aquilo ocorreu de uma forma próxima daquilo não é Eh acaba se tornando extremamente asfixiante pro leitor de hoje também eu não gostaria que ficasse apenas dentro dessas Chaves sabe eu gosto muito muito de trazer dúvida de trazer devaneios de trazer a outras possibilidades do próprio leitor construir essa Trama e esses finais eh para além apenas de toda a violência do período
perfeito Eh vamos continuar então né nos eh nos livros históricos entre aspas né o o romance eh Angola Janga né 2017 eh já produziu muitos estudos artigos dissertações acadêmicas né A Pequena Angola né a língua quimbundo ou como dizem os livros de história Palmares né Foi elaborado a gente eh toma conhecimento a partir das suas entrevistas depois de 11 anos né de Pesquisas exaustivas pariu um um cumbe no meio né Eh então nessa história em quadrinhos nessa Graphic novel não sei se você gosta desse termo você explora a formação do Quilombo de Palmares no fim
Do século X lá em Pernambuco né Por eh escravizados fugitivos dessa condição e a luta contra essas forças coloniais portuguesas os militares holandeses todo mundo ali então nessa obra premiadíssima né publicada nos Estados Unidos na Europa você buscou representar como na no no calunga de alguma maneira né resgatando a subjetividade você buscou representar a dignidade e a potência das pessoas negras n silenciadas desumanizadas Historicamente nos nas mais diversas narrativas que nos chegam né então ao reescrever essa história contrapelo Como diria o Benjamin Além de proporcionar o leitor entrever maneiras alternativas de compreender o mundo você
supera isso acho Fantástico a tentação de substituir heróis de contar uma história de heróis e bandidos né apena apenas invertendo os polos né e e isso humaniza muitos personagens né e da da veracidade da credibilidade PR história que você conta Então fala um pouco pra gente dessas estratégias de pesquisa e de escrita você já discorreu um pouquinho sobre Angola Janga mas esse aspecto né de colocar as contradições dos personagens e pro leitor também né do do homem diante das circunstâncias tudo isso sim bem retomando só um detalhe do cumb a palavra de origem banto não
é que significa chama sinônimo de Quilombo também em alguns espaços aqui na América Latina eh Nome que foi utilizado inclusive para eh como nomenclatura não é de alguns locais aqui no Brasil colonial Imperial eh eu sempre considerei o cumb como uma reunião de quatro histórias não é funcionando mais ou menos como um conto dentro desse universo do Brasil colonial e escravista no caso do Angola Janga Ah que é um dos termos Possivelmente utilizados não é para se referir a Palmares naquele período podendo significado pequena Angola não é o min Angola eh foi o meu primeiro
desafio vamos dizer assim de pensar numa história com começo meio e fim que se assemelha mais de uma espécie de novela ou de romance Então eu tinha ali que trazer alguns personagens a história ela inicialmente ah Parecia ter algo um pouco mais próximo do cumb em termos de pensar em contos ah retratando alguns fatos casos Importantes da narrativa de Palmares lendo e relendo diversos dos livros eh aí eu fui fechando quais seriam esses personagens principais e claro que quando eu eu lia e via o desfecho não é de zumbidos Palmares Ah e o caso ali
de traição com o suares eu fui vendo que suares era um personagem incrível para ser tratado para ser pensado dentro dentro dessa Trama até como uma forma de reaver não é de repensar esse personagem Dentro de outras possibilidades e não apenas dentro da questão de O Traidor né de um momento final ali da trama é um personagem que a gente conhece muito pouco mas enfim a minha intenção foi depois dessas pesquisas todas ah cheguei aí também para Maceió fui no memorial de Palmares ah linda muito com esse olhar de pensar e de tentar enxergar al
o que seria próximo desse Brasil de séculos atrás Que é claro hoje é muito diferente e mas ali principalmente em o lindo a gente tem algo que dá para Ah se aproximar em questão da paisagem não é do que que pode ter sido aquele espaço assim como no memorial de Palmares é algo incrível onde a gente pode ter Talvez um pouquinho do de vislumbre do que que seria mais ou menos a paisagem que aqueles palmaristas viam eh na Serra da Barriga enfim Ah a minha escolha então foi trazer o Soares como uma espécie quase de
um anti-herói dentro dessa narrativa junto de outros personagens mais conhecidos e bem discutidos na história de Palmares colocado cas de zumbi como é o caso também do Bandeirante né do paulista Domingos Jorge fério a coene gang Zumba e diversos outros eh a gente sabe a gente conhece pode falar Não não é o gang zumba é o personagem e Fantástico e mostra essa disputa de poder dentro né Da dos palmarinos que que essa coisa de humanizar e falar assim olha não né não são todos heróis são pessoas numa situação específica que que tem estratégias diferentes de
como lidar com a opressão né lutar até morrer ou eh eh tentar uma aliança então assim e fica difícil condenar né e ver um um vilão nesses personagens da maneira como você os constrói isso essa foi a intenção foi trazer esses personagens dentro de certa Complexidade e como a gente conhece pouco dos personagens porque não há registros né muito sobre eles apenas que esses personagens existiam e tinham determinadas posições em Palmares mas a gente sabe que há fatos muito relevantes não é de determinados conflitos conflitos em que as forças eh coloniais vamos dizer assim venceram
não é de certo modo e outros conflitos em que os palmaristas também Eh vamos dizer assim foram vitoriosos e a gente sabe também De outros momentos específicos como por exemplo a tentativa de acordo de paz que é o de cucaú ah e também o cerco a macaco ao principal Quilombo de Palmares entre 1690 E2 até 1694 quando ele é destruído assim como a morte desoli ano de depois 1695 Ah e de outros personagens que aparecem na história de Palmares mesmo depois da morte de Zombi e da queda do Seu Principal quilom Então a gente tem
alguns indícios desses personagens e nós temos também Eh esses principais fatos Então o que eu tentei fazer é olha a partir desses fatos conhecidos que são narrados aí pelos diversos historiadores eh como que esses personagens eles agiriam diante desses fatos ah pelo que a ficção nos permite imaginar não é tendo respeito Claro a esses fatos históricos Então esse foi o grande desafio eh eu não quis de certo Modo trazer como foco apenas a história de Zombi eu considero que é um personagem relevante sim mas eu eu considero que nós perdemos quando eh focamos apenas em
zumbi e esquecemos dessa trajetória que foi de milhares de palmaristas extremamente relevantes dentro dessa saga como um todo Incluindo aí os seus outros eh gangas não é muito importantes como gang zumba gang zona acotirene e diversos outros então a ideia era trazer esse conjunto de Personagens de forma que zumbi não fosse o principal e de forma que fosse possível imaginar nas razões de cada um desses personagens dentro dessa Trama então é importante lembrar também que esse livro de 2017 Angola Janga ele não foi o primeiro sobre Palmares então nós temos um livro de mais de
quase 70 anos atrás ah que é Palmares o nome do Álvaro Deia desenhando cont texto do Poxa grande Historiador agora que Ah faz essa referência no livro faço essa referência no no livro sim agora me perdi aqui na memória mas é um livro de ah da década de 50 aqui no Brasil foi republicado também depois pelo a governo de Minas Gerais e é um quadrinho onde esses dois autores em cerca de 50 páginas fala sobre Palmares só que de uma forma vamos dizer ainda bem resumida sobre a Trama de Palmares e não trata ali algo
eu acho extremamente relevante que é justamente Esse conflito aí dentro da ah do contexto alí detic caú e essa tentativa de acordo de paz Ah dos palmaristas não é com o diretamente com o Rei de Portugal e com o governo local e essa tentativa de acordo de paz ela é muito relevante Porque causa essa cisão dentro de Palmares e nós vamos ter ali mais ou menos é possível não é vamos dizer assim imaginar ah quais seriam as posições ali mais ou menos evidentes entre a zumbi e gang zumba nesse momento Né decisão dos cambos Esse
é um texto que é uma Trama que poucas vezes apareceram em outras a histórias mais ficcionais sobre Palmares que eu quis tornar como um dos elementos principais eu acho que é muito relevante Fantástico Eh vamos continuar então um pouquinho nessa pegada né é o thalis abser Né o psicanalista eh no livro do ano passado 2022 o soldado antropofágico trabalha conceitualmente essa ideia essa prática recorrente do silenciamento né Do não reconhecimento num abordagem que é histórica e psicanalítica ao mesmo tempo né da formação cultural do Brasil o thalis fala como a elite escravocrata brasileira lá no
século XIX que tá aí até hoje né criou um autorretrato de si muito distorcido né promovendo a recusa simbólica né ativamente Eh não dizer a realidade que sustentava essa Elite né não enunciar a escravidão né então a elite que na primeira metade do século XIX por exemplo e uma não literatura né O Antônio Cândido já falava isso uma literatura de formas vazias desconectadas do tempo talvez exão Antônio Manuel eh de Macedo né então isso marcou também o pensamento social brasileiro tem um artigo na revista lugar comum 2021 em que o autor o Cristian Ribeiro identifica
você né te identifica como um intérprete do Brasil tem uma nova geração eh de estudiosos né acadêmicos que tem feito um trabalho muito bacana arrebentando as portas pro Reconhecimento de intérpretes negros e negras do Brasil Antonieta de Barros lélia Gonzales Beatriz Nascimento C Carneiro Abdias Milton Milton Santos né eu ia falar meu nascimento é é um intérprete do Brasil também né entidade eh e mais recentemente o próprio Silvio Almeida então a tua existência né o teu reconhecimento Global o da tua obra tá nesse movimento de luta né no sentido de inludir as possibilidades do Silenciamento
como é que você se enxerga nesse movimento né como artista como educador que você faz sempre questão de reforçar esse lugar né de educador como ativista né E com quem você tem eh dialogado nessa luta antirracista que é de todos nós sim é rapidamente aqui fazendo uma retificação Acabei de ver no livro no Angola Janga Ah o quadrinho primeiro feito sobre Palmares ele é de 1955 ah com desenhos Do Álvaro de moia e o texto do clobes Moura tá é o clobes Moura mesmo eu tava Eu olhei aqui ele até na instante vi clobes Moura
mas sei que tava confundindo mas é o clobes Moura mesmo e o álvar de Mia desenhando e um quadrinho de 19 55 que já mostra como que a a linguagem dos quadrinhos ela é vamos dizer assim uma estratégia eh fundamental para você alcançar outros públicos e o Álvaro de mo e o Cloves Moura já sabia disso mais de 60 anos atrás já estava ciente disso né não é à toa aqui também quando a gente fala de quadrinhos no Brasil e a gente lembra aí de autores como o Angel e outros Ele sempre foi algo junto
com a charge Não é com a ilustração muito utilizado no início das publicações né dos jornais justamente como uma estratégia de chegar num grande público quando boa parte das pessoas eram iletradas Enfim agora sobre a sua pergunta fic lisongeado fico lisongeado pela por me colocar não é a no meio dessas pessoas todas que tem uma obra incrível eh eu considero que de certo modo o meu trabalho ele é parte aí de uma reflexão sobre o Brasil que tem a ver com a minha trajetória dentro da Universidade mas também dentro de certo modo estando próximo de
preocupações de intelectuais de pensadores de ativistas negros que eu acompanhei nessas décadas todas não é Mitei também em diversos momentos em prol disso imito sobre isso ah e o quadrinho ele foi um tanto a minha escolha por ser a linguagem que eu mais tenho apreço eh artisticamente falando então vamos dizer assim ele foi a estratégia que eu escolhi para trazer um tanto dessas experiências dessas discussões Que nós tínhamos eu tinha com diversas pessoas desde a época da graduação mesmo antes disso então de certo modo o meu trabalho Ele é expressão disso ele é expressão dessa
Juventude Negra militante de algumas Décadas atrás mas também de uma série de artistas que me instigaram nessa história Ah E aí é claro que eu tenho que falar de artistas que vêm do Rap sempre souberam não é trazer esse questionamento sobre história da periferia e da população negra não é dentro do contexto do Brasil moderno mas também poderia trazer aí ah desde Músicas que eu ouvia muito H em casa com a minha família pensando aí George bent Maia com músicas falando sobre zumbi sobre Palmares ou sobre África do Sul ah e o aparte enfim eu
eu me vejo um pouco como fruto dessa experiência histórica sabe e o quadrinho ele foi o caminho que eu melhor pude escolher para desaguar boa parte dessas experiências perfeito eu teria muito mais coisas mas já passou de uma hora Então eu vou deixar Angola Janga quetin pra gente poder falar e de tiadora né não podemos né então vamos falar um pouquinho agora do seu último trabalho solo né porque você tem várias parcerias também que não vou ter como eh trazer para cá como o belíssimo As Viagens de Simba né Simba jazir eh com o mestre
lein Lopes aliás lein Lopes que foi agraciado com o doutorado honores causa aqui pela Universidade do Rio Grande do Sul eh eu tenho muito meus colegas Inclusive que propuseram isso eh então eu gostei muito do modo né falando do do do último livro o modo eh como a crítica definiu o teu trabalho uma uma crítica que é um trao que lombado né então eu deixo para você eh falar da Concepção da obra eh A partir dessa personagem singularíssima né uma mulher negra escravizada eh que você conheceu a partir da da da pesquisa da da da
historiadora uspiana né Cristina vicar né que traz o livro você Já mencionou também então eh eh aqui você traz ao conhecimento do grande público eh estratégias de construção da liberdade e de afirmação de humanidade né nessa na luta dessa mulher negra pelo resgate de Laços afetivos laços afetivos interrompidos pela escravidão Então dessa história você ficou no meio tempo temporal espacial né nem no sertão do século eh 161 nem a periferia urbana do Século XXI tá ali né no meados do século XIX né Nemuma história de de ficção né o eh ou antes é ao mesmo
tempo história e ficção né então você você eh inclui nessa nessa Trama eh né passada na São Paulo da segunda metade do século X baseada nas cartas da Teodora que estão no arquivo você inclui personagens reais como o o Zé Ferreira de Menezes né que estudou lá no Laro de São Francisco luí Gama e tal mas você criou também outros personagens ponte vamos dizer assim personagens eh arquétipo como claro né o escravizado Letrado eh que escrevia para as cartas da Teodora e esse e eh eh eh aquele menino como é que ele chama o Bento
não é que que que é o Benê que que tava aprendendo a estudar e né se introduzindo na leitura e tal então esse esses personagens fictícios tem muito de reais né na verdade eles cumprem um papel fundamental na arquitetura da obra né então fala para nós desse livro que também é é outro livro unívoco né uma história como angol Janga com começo Meio Fino São historietas e que é um deleite realmente um livro muito sensível adorei demais canta Teodora eh ele foi um livro vamos dizer assim fundamental ah dentro da minha trajetória encaro ele como
livro fundamental porque ele é um passo vamos dizer assim além ah dos outros livros históricos que estava fazendo até então então Eh quando a gente pensa em Palmares e cumb grande parte desses registros Eh desses livros né dessas narrativas elas partem inspiradas em historiadores diversos mas também nos arquivos não é nos documentos que são esses documentos coloniais produzidos pelos agentes da repressão vamos dizer assim isso aconteceu em Palmares os registros que nós temos sobre Palmares São desses soldados desses militares entre aspas não é que subiam a serra para destruir aqueles quilombos e sempre tinham esse
olhar Vamos dizer a ass de dominação não é sobre aquele espaço isso seja dos eh dos grupos de soldados não é Luo brasileiros ou mesmo dos Holandeses não é que também chegaram a passar por Palmares então era sempre esse modo de ver e de descrição daquele daquele espaço ah daqueles personagens e daquela história isso inspirou também o livro cumbi no caso do mukanda Teodora é um outro momento histórico é o Brasil do século XIX Eh e é uma outra forma de você de é uma outra forma que eu utilizei para me inspirar para pensar nessa
Trama nessa Saga e nesses personagens e quais são essas diferenças principais em relação a Palmares ao século X quando a gente pensa no ca Teodora em São Paulo no século XIX bem primeiramente e o que é muito relevante mukanda Teodora ele é inspirado nas cartas Ah que vamos dizer assim foram ah praticamente escritas diretamente pela Teodora entendeu quem que era Teodora Teodora uma mulher negra escravizada que em 1860 está em São Paulo e ela foi escravizada por um Cônego espécie de um padre aqui na rua da Liberdade eh no centro da cidade de São Paulo
onde atualmente nós temos bairro da Liberdade que é um bairro conhecido ah por uma forte presença nipônica ah do último século mas antes disso não é em 1860 o contexto da Liberdade da Rua da Liberdade era totalmente outro e era Onde ficava a rua a Igreja do Rosário não é na Liberdade a Igreja do Rosário é em outro espaço é ficava no Largo do Rosário que antigamente 1860 por aí era onde hoje é a bolsa de valores de São Paulo ali na Praça Antônio Prado depois a gente pode falar um pouquinho mais sobre essa história
é muito boa também mas o que acontece em 1860 então a Teodora essa mulher negra que está em São Paulo e ela Escreve um conjunto de sete cartas mas a Teodora era uma mulher negra escravizada e analfabeta Então ela escreve esse conjunto de cartas com ajuda de outros escravizados E aí só uma pequena um pequeno adendo Jurandir A Teodora é uma personagem vamos dizer assim nós temos documentos né que falam diretamente sobre ela inclusive já foi encontrada uma possível data de morte dela não é que atesta essa figura por volta de 16 1868 mais ou
menos eh e o Claro também é uma figura que é conhecida pelos autos judiciais policiais da época então claro também é um personagem vamos dizer assim que tem registros históricos sobre ele é um personagem vamos dizer assim inspirado nesses registros históricos tá E é o personagem um homem negro escravizado que sabia ler e escrever e provavelmente um uma espécie de um Carpinteiro a Teodora encontra o Claro no centro de São Paulo perto da antiga Praça da Sé ah numa rua que era provavelmente a Rua dos Remédios ficava do lado da Praça da s ele está
lá trabalhando numa con ela repara que o Claro estava com a uma espécie de lápis não é Ou caneta e papel e ela repara que aquele homem negro ali sabe escrever né E ela pde para ele escrever essas cartas o Claro escreve cinco cartas para Teodora e Depois o Claro ele se envolve numa tentativa de roubo de um cofre de um cofre que estava na na casa do cônico que é o senhor da Teodora E aí por causa disso essas cartas os os pertences todos do Claro São apreendidos pela polícia não é da época e
essas cartas ficam guardadas no arquivo do estado aqui de São Paulo o CL Oi material entra no inquérito isso entra no inqu de isso e Inclusive a Teodora a gente pode chamar de Teodora Aparece grafado de diversos modos aparece Teodora Teodora tiadora aparece de vários modos né Eh entra ela entra também como réu né dentro desse processo depois os dois acabam sendo inocentados Mas eles viram réu nesse momento Então o que acontece essas cartas da Teodora Elas mostram a relação da Teodora com a escrita mas mostra também que a pessoas que escreviam cartas pessoas interessadas
em escrever Cartas não é o Claro Antônio ele escreve cerca de cinco cartas são reconhecidas né pela grafia como sendo Claro mas tem pelo menos outras duas cartas que foram encontradas também com uma grafia diferente de outra pessoa Talvez um outro escravizado então isso leva a gente a crer que existia um sistema mesmo que seja precário incipiente desses escravizados ao redor da escrita entendeu eles tinham uma relação com isso e a Teodora ela faz o Uso da carta como um instrumento a mais de pressão e inclusive contra o seu escravizador que é o padre não
é ela vai fazer isso ah solicitando não é a sua junta pecúlio para conseguir a sua liberdade escrevendo pro padre escrevendo pro irmão do do antigo senhor dela quando ela tava no interior ah escreve carta pro esposo que é o luí e escreve carta também endereçada ao filho que é o Inocêncio então a Teodora é uma das Imagino que provavelmente Talvez a única mulher negra escravizada no Brasil colonial em São Paulo escreveu um conjunto de cartas como esse a gente tem outras pessoas escravizadas que escreveram cartas sim mas poucas Ah que a gente conhece que
sejam mais do que um documento como é o caso da Esperança Garcia eh e ainda menos quando a gente pensa que são cartas escritas por escravizados e não por outras pessoas Livres não é às Vezes agentes policiais e tal ah enfim esse caso da Teodora ele é singular na história do Brasil e ele também me fazia pensar e tratar de algo que era muito interessante e que eu queria pensar que era a o contexto do sudeste no século XIX e da escravidão e em São Paulo por quê se em alguns espaços no Brasil a escravidão
já perdia força como é o caso do Oeste em algumas regiões eh no interior do Rio de Janeiro até Início do século X e depois no interior de São Paulo e a escravidão vira o grande motor não é do Brasil vamos dizer assim e em grande parte voltado paraa produção de café então Eh esse grande essa grande máquina não é de moer gente e que vai sustentar a escravidão durante muito tempo ela vai acontecer em grande parte no interior do Rio e interior de São Paulo né a gente não pode esquecer disso às vezes a
gente pensa em escravidão apenas como algo a visão Popular né algo afastado no interior a cana de açúcar e tal mas na verdade a gente tinha produção de diversas coisas cana de açúcar algo ão café e outras coisas assim como os escravizados urbanos as pessoas que trabalhavam dentro das cidades como escravo de gan então o livro ele traz um pouco disso na figura do Sabino que é um um tropeiro Ah e de outras figuras né Muito por imagens também mostrando ali os barbeiros e vários outros Chicos de Ofícios que esses escravizados realizavam em cidades com
no São Paulo no rio em outros locais e eh de certo modo tento mostrar essas outras estratégias também de sobrevivência e de busca ah por uma vida digna vamos dizer assim que muitas vezes passa sim pela obtenção da Euforia da Liberdade ah direta não é mas muitas vezes passa também por uma certa tensão e tentativa de negociação de melhores condições de Vida mesmo dentro da escravidão então quando um escravizado vai lá e negocia não é exige do Senhor tenta exigir isso não é negocia ah que ele quer se casar ou constituir família isso muitas vezes
é algo que está contra de certo modo certos interesses senhoriais mas des respeito também é uma tentativa de de busca de uma condição de vida mais suportável mesmo dentro desse sistema da escravidão e as cartas da Teodora elas Expressam um pouco disso também é a tentativa dela de alforria mas a tentativa também de estar junto do seu esposo do filho e que ela constitui família né provavelmente no interior quando depois é separada e a Teodora provavelmente é uma dessas mulheres que sai da região de Angola talvez passando por portos como de ambris que a Cristina
ficá cita inclusive num artigo muito interessante lá um falando sobre esse Porto lá no sul Eh de Angola passa pelo Rio de Janeiro Provavelmente por espaços onde próximo ali do que seria o Casos do Valongo não é que é fechado por volta de 1820 né mas a gente sabe que nos arredores ali tinha vários outros portos ondeas pessoas chegavam ela vai do de São Paulo gente trabalhando aí nesses grandes canavi é separada eh e aí chega na capital provavelmente talvez por algum Motivo né não ser considerada mais apta ess trabalhos nos canaris enfim pelos interesses
aí dos Senhores então a muanda Teodora eu considero como esse livro essencial para pensar num outro momento da população negra no Brasil dessas diferentes estratégias mas também para pensar no sudeste dentro desse contexto e na população negra em São Paulo dentro desse contexto para Além disso foi uma oportunidade de trazer outros Personagens então tem aí essa conversa a entre o luí Gama e o Ferreira de Menezes a gente não pode esquecer que na década de 1860 São Paulo tem aí Alguns intelectuais abolicionistas que são extremamente relevantes nas décadas seguintes no Brasil que é o caso
do Luiz Gama do Ferreira de Meneses que depois vai pro Rio de Janeiro e eles trocam uma frequente correspondência durante Décadas até 1880 quando o escama eh morre em 1860 Nós também temos em São Paulo o Ângela Agostini é esse conhecido caronista não é jornalista abolicionista e também ah Ant não é Império naquele momento em São Paulo começa a produzir os seus jornais onde o Luiz Gama despontava como um dos principais contribuidores né articuladores desses jornais então é um momento vamos dizer Assim rico interessante para pensar nesse início do movimento evolucionista que vai influir em
boa parte do Brasil nas décadas seguintes E aí acabou sendo um personagem que se impôs dentro dessa Trama o Ferreira de menees Lu Gama inicialmente eles não estavam na no primeiro roteiro mas aí depois eu fui lendo lendo lendo e o luí gama em São Paulo por volta de 1860 até 1880 ele se torna um personagem quase incontornável E aí depois eu fui descobrindo que lendo Lá vendo os autos sobre a Teodora o Luiz Gama ele é ele era escrivão né dentro da polícia em São Paulo até 18 66 67 e tem assina atura dele
dentro dos processos da Teodora então ele conheceu o caso da Teodora e provavelmente eles se viram também nessas ruas aqui de São Paulo então era esse momento momento também de falar do Largo da forca onde atualmente é o bairo da Liberdade São Paulo antigamente era o Largo da forca onde tinha A Capela dos Aflitos que existe Até hoje ah em São Paulo momento de falar da Igreja do Rosário A Irmandade do Rosário ela foi eh tem documentos sobre ela desde 1711 mais ou menos e as a primeira Capela foi construída algumas décadas depois Ah mas
por volta de 1850 e 60 a Igreja do Rosário era esse espaço de Congregação de uma comunidade Negra efervescente não é provavelmente ali de alforriados mas até de escravizados mas De pessoas que consideravam que a igreja era um local especial não é eh de culto mas onde também os seus afiliados poderiam ser enterrados não é e onde também ah nos arredores havia uma intensa eh troca não é de mercadorias de vendedores africanos naquela região eh e onde na frente também dessa antiga Igreja do Rosário havia celebrações de Congada isso aparece no final do livro aquela
festa não é com a Congada e tal é Um pouco essa referência a essas congadas negras que no Brasil em São Paulo no século XIX era uma das marcas da cidade de São Paulo a festa a da Congada na frente da igreja do Rosário eh geralmente celebrando Santos como São Benedito e diversos outros enfim eh o livro ele é uma tentativa também de pensar na cidade de São Paulo como um todo não é Ah naquele período eh trazendo aí como foco alguns personagens Negros perfeito poderia falar tem 1 coisas que eu queria te perguntar mas
a gente tá quase 1 hora e meia conversando eh a a especificidade desse livro não precisa explorar mas o fato de Diferentemente de do século 1 x você tem registros de imagens já inclusive fotográficos né Militão tava aí por exemplo Congada o Cristiano Júnior que na verdade morou no rio mas fotografou com gada terreiro de café Então é uma outra iconografia que pode nutrir o o Trabalho do cartonista né do do desenh do eh quadrinista né não sei se ée o nome correto eh e certamente certamente eh certamente você deve ter explorado né sim com
certeza porque no caso de Palmares e dos outros livros era difícil ter registros Ah que não fossem alguns poucos desenhos do e pinturas do século X e mais registros do início do século XIX lá no Rio de Janeiro e tal havia poucos registros tratando diretamente daquilo ali a gente sabe que existe Apenas um pequeno desenho e um mapa que trata diretamente sobre Palmares né esses vocos da Serra da Barriga então quando eu fui ver sobre São Paulo no século XIX e comecei a me deparar com essas fotografias do Militão foi um deleite assim enorme de
conseguir imaginar São Paulo também a partir desse registro da fotografia e o Militão ele tem uma trajetória incrível porque ele tira fotos de São Paulo num momento crucial que é 1860 A época em que São Paulo ainda é extremamente Rural uma pequena cidade e depois ele vai fazer um novo registro Em 1880 quando o São Paulo já começa a despontar por causa do dinheiro H conseguido não é nas fazendas de café ah como uma cidade não é maior já começando a rivalizar com as outras cidades maiores da região então ele retrata esses dois momentos muitas
vezes as mesmas construções como por exemplo a o Largo São Francisco Ah e a gente vê não é como que isso modificou os prédios as fachadas não é diversos outros detalhes da cidade para para encerrar eh a gente ficaria horas aqui te ouvindo mas eh uma possibilidade pelo que você mesmo falou de ter a experiência de trabalhado com o Brasil colonial depois com o império com a parte Urbana te eh atiça a vontade de trabalhar com pós imediato Pós Abolição né Quais são os projetos futuros né O que que você ou o que você tá
trabalhando agora eh que que a gente pode esperar desse seu interesse em revisitar a história do Brasil e traduzir para essa linguagem maravilhosa dos quadrinhos super Obrigado super Obrigado já te passo a palavra me despedindo de você e com muita gratidão Muito obrigado juran bem rapidamente ah atualmente eu tenho trabalhado em Pelo menos dois projetos um falando sobre Brasil do século XIX mais uma outra situação lá no Nordeste e um outro esse talvez seja o que surja primeiro aí é um livro tratando de São Paulo nas últimas décadas e aí é um pouco mais contemporâneo
vamos dizer assim que tô tentando eh mudar um pouquinho não é os períodos também explorando a as possibilidades de pensar também no Brasil e São Paulo nas últimas décadas e algumas tramas me Chamaram bastante atenção para [Música] [Música] isso k [Música]