[Música] Vamos ver aí o imaginário fascista na cultura pop. É possível escapar? Muita gente falou muito bem desse vídeo. Vamos ver. Em julho de 2022, o New Gam deu uma entrevista pro site Omelette e na conversa com a jornalista Carol Costa, o autor comentou sobre as polêmicas envolvendo as mudanças de gênero e raça na adaptação de Sandman da Netflix. Espera aí. É sempre essa mesma história. Meu, o personagem, meu, ele não pode mudar o personagem, meu. O personagem meu cagarra. Per, pera aí, peraí, pera aí. Vamos voltar um pouquinho. Em julho de 2022, estreou na
Netflix a série Sandman. Eu ainda não vi. Acredita? Adaptação de um quadrinho publicado pela DC Comics Entre 1989 e 1996 e criado por Sam Keith, Mike Dringerberg e claro New Gam que é também um dos responsáveis por adaptar essa mesma história pra TV agora esse ano 2022. A trama do quadrinho é contada em partes pelo ponto de vista do protagonista Morfeus, o Twink, que é tipo a personificação dos sonhos ou algo do tipo. Por isso que ele também é chamado de sonho. E esse personagem é um dos sete perpétuos que são manifestações antropomórficas de alguns
aspectos da Existência humana, como destino, morte, destruição, desejo, desespero, delírio, danação e descaralhamento. Brincadeira. É que no original, em inglês, todos os nomes desses personagens começam com a letra D. Então, um sonho e morte seriam dream e death, respectivamente. Oi, Paulo Tejano, parabéns. Beijinhos da Tidinha. Tá traduz quê? Alô, Paulo Atejano. Alô, alô Paula Tejano. Alô, alô Paula. Alô. Aqui é a Bet. É Copeuva. Quem tá falando? Alô. Tudo isso pra TV nos dias de hoje, os hotiristas tomaram algumas liberdades em relação à obra original em vários pontos diferentes, como, por exemplo, a época em
que a história se passa, a sequência de alguns eventos e a etnia e o gênero de alguns dos personagens principais, o que, como era de se esperar, não despertou nenhuma reação de ninguém e definitivamente não foi assunto em lugar Nenhum da internet. Brincadeira, todo mundo sabe o que que aconteceu, a mesma coisa que acontece todos os dias. O cic fofoca a confusão disse me disse leva e trai caco de fru na rua parando na me leva de volta a entrevista do New Gam pro omelete. Quando a jornalista pergunta pro autor sobre tudo isso, ele responde
o seguinte: "O Sandman!" Interessante, né, a resposta? Mas esse vídeo não é sobre Sandman. Eu quero falar um pouco sobre essa abordagem do New Gam. quando ele diz que as pessoas que estão reclamando não leram Sandman ou não entenderam o que elas leram? Esse tipo de resposta é relativamente comum. Você já deve ter lido alguma versão dessa resposta algumas vezes. Eu provavelmente já devo ter falado sobre esse assunto nesses termos em algum momento da minha vida. Os próprios Autores costumam falar isso às vezes. Os fãs que têm alguma coisa na cabeça também falam isso às
vezes. E até a mídia especializada também de vez em quando engaja nesse tipo de argumento de que o Nerdola não entendeu ou não tem a capacidade de entender os subtextos políticos de Star Wars, The Boys, Sandman e Xuxa e o mistério de Feiurinha. E não me entendam mal, existe alguma verdade nesse argumento? Tem muita gente burra e ignorante no mundo. Eu não tô aqui para refutar nada disso, mas eu sinto que essa é uma maneira, no mínimo, incompleta de lidar com esse problema que insiste em aparecer na nossa timeline semana após semana. Perfeito, né? Eu
acho que é importante a gente perceber que todas essas reclamações e essas eh esses apontamentos que esses nerdolas reaças fazem é com relação mesmo à construção de uma cultura pop muito pautada por esses determinados ideais, né, de Branquitude, de heterossexualidade, enfim, de tudo isso. São as mesmas discussões, são os mesmos argumentos e são os mesmos contragumentos. Será que o problema tá só nesse Nerdola que não sabe interpretar filme? É claro que não. Não, mas calma, eu não tô aqui para passar pano para dólar, não. Deus me livre. O que eu quero mostrar é que, como
sempre, o buraco, esse buraco político, estético, ideológico e Epistemológico que a gente tá enfiado, ele tá um pouquinho mais embaixo. E eu vou mostrar esse buraco todinho para vocês hoje. Vamos. Eita, rapaz. [Música] Ô, desbravar esse buraco juntos. Claro, né? [ __ ] a Claro que a culpa não é dos fãs, é uma é uma explicação preguiçosa e ruim essa, né? Você falar: "Ah, as pessoas que não entenderam, ninguém que entendeu porque eu quando fiz a obra, não, gênio, [ __ ] eu pensei Em tudo, não sei o que, não sei o que lá". Aí
você vai ver o, você vai ver, [ __ ] não é todo um imaginário cultural em torno disso. É ideologia dominante. É isso então, né, menina? Sobre o New Gamer, beber água. Eu gosto dele, nada contra ele, especificamente. Até tem um amigo que se chama Newil Gamman, que coincidentemente é o mesmo Neil Gam que escreveu Sandman. Coincidência, né? Eu tenho até amigos que são, [ __ ] o New Gamer. Inclusive, eu tenho um livro de contos dele que tá aqui em algum lugar na minha casa. Pera aí, pera aí, pera aí. É esse aqui, ó.
Fumaça e espelhos. Eu li quando eu tinha uns 16 ou 17 anos e esse livro se tornou uma referência muito importante para mim. Dito isso, eu acho que a resposta que ele deu para Esse problema dos fãs malucos e racistas é uma resposta muito superficial. Na minha humilde opinião e meu objetivo com esse vídeo é sair um pouco dessa superficialidade. Eu acho que existe sim um problema de interpretação de texto, mas ele não é o único problema e ele não tá restrito a essa figura do nerdola que todo mundo fala. E para ilustrar meu ponto,
vamos voltar pra 1997. Cara, é uma doideira pensar que 1997 muitos de vocês sequer existiam. Eu Tinha 3 anos de idade em 1997. Não que alguém tenha pedido essa informação. Olha o Barne Stinson, o New Patrick Harrison. Lembra desse episódio Mother? O episódio que ele ensina o Ted a fazer currículo. Lembra dissetines [Música] parte. O estranho caso do filme que ninguém entendeu. Quando Power Roven assumiu a responsabilidade de adaptar Pro cinema o livro Tropas Estelares, clássico da ficção científica, escrito por Robert Hein e publicado em 1959, o diretor se deparou com um pequeno probleminha. É
que esse livro é uma merda, ok? O babado é o seguinte: Tropas Estelares é um livro muito importante pra ficção científica. Vários elementos da obra influenciaram diferentes manifestações do gênero nas décadas seguintes, com destaque para as armaduras robóticas que inspiraram Visualmente os famosos mecas japoneses e toda uma vertente de ficção científica militarista rolana que inclui filmes tipo Elísium No Limite do Amanhã, Homem de Ferro e Tropa de Elite 3 Xe entre no caveirão. A trama se passa num futuro próximo e narra uma guerra entre os humanos e a dona baratinha. No decorrer do livro, a
gente acompanha a carreira militar do personagem principal e os bastidores das Forças Armadas durante uma guerra intergaláctica. E essa História, vamos dizer assim, ela tem um um retrogosto, uma glorificação da guerra em si e uma defesa explícita da Nossa, velho, é na nossa militarismo total, velho. [ __ ] é tipo, é tipo tropa de elite do espaço da violência, em especial a violência bélica como instrumento de progresso. [Aplausos] [Música] Isso aqui, meus amores, É um livro fascista. Perfeito, perfeito. Eu não tô nem exagerando. Tem um personagem na trama que é um professor de história e
exmitar. A função dele aqui é fornecer pra gente de a legitimidade, de uma forma exageradamente didática, as principais teses dessa obra. E o que eu vou ler aqui para vocês agora, deixei até marcadinho aqui, é uma das falas desse personagem durante o filme. A base De toda a moralidade é o dever. Ninguém pregou o dever para essas crianças de um jeito que elas pudessem entender, ou seja, com uma surra. Mas a sociedade em que estavam contou a elas inúmeras vezes sobre os seus direitos, entre aspas, né? [ __ ] velho. Nossa, mano. [ __ ]
que pesado. Vocês sabem, né? Facista total. Aquela velha história, direitos humanos para humanos direitos. Eu joguei o Livro, mas eu ainda preciso dele, né? A principal preocupação desse livro é com a ideia de que a sociedade tá enfraquecendo por falta de disciplina. E a resposta que o livro traz é que o militarismo seria a grande solução para esse problema. Hum, onde será que eu ouvi isso antes? Enfim, de volta para 1997, Wver Hoven, o mesmo diretor de Robocop, Show Girls e o filme Amizade entre Mulheres, teve que engolir a bucha de adaptar Tropas Esteladas para
um Filme em 1997. Mas olha o que o diretor fala sobre o livro. Eu parei depois de dois capítulos porque era muito chato. É realmente um livro muito ruim. Eu pedi o Edne Meer, o roteirista para me contar a história, porque eu simplesmente não conseguia terminar de ler. É um livro muito direitista. E com o filme tentamos, e eu acho que pelo menos parcialmente conseguimos, comentar sobre isso. Durante todo o processo, estávamos lutando contra o fascismo e o Ultramitarismo. [ __ ] consciência. Não, mas é impressionante, né? Porque várias obras, é, da cultura pop, nesses
termos mais de uma cultura nerdola pop ou qualquer coisa assim, tem sempre essas referências muito muito sinistras, né, sobre fascismo, sobre a criação de um de um elemento eh ideológico de personagens que reproduzem essa lógica, né? Sei lá, pensar no exemplo do próprio Batman, né? [ __ ] o Batman é na sua essência Bilionário, né? uma pessoa que herdou a fortuna do Zay e a função dele é bater nas pessoas. E é isso. E ele mantém a ordem fascista de Gothaman, né? O o próprio capitão nascimento é mais ou menos a mesma coisa. Tá muito
próximo, né? Essa ideia da da transformação de um agente nesse exemplo de disciplina, de violência extrema, né? Mas acho que de sobretudo, eu acho que talvez isso seja mais importante, não só de violência extrema, mas no processo de criação de Um tipo de identificação que faz com que o inimigo, né, do Batman, o inimigo da tropa de elite e tal, seja desumanizado, né? Eu acho que isso é absolutamente fundamental e é um ponto crucial pra retórica fascista, né? você conseguir desumanizar o outro, você transformá-lo num objeto de eh num objeto prejudicial à existência daquela comunidade
que, portanto, é passível de eliminação para que você possa retornar as condições de como a vida era boa, como tudo era Maravilhoso. É, é bem isso mesmo. Bem isso. Queria que o público se perguntasse: "Essas pessoas são loucas?" Pois é, a solução que o diretor encontrou para essa disson ideológica foi transformar o filme numa espécie de paródia do livro. Em vez de atenuar os aspectos fascistas, Bervenou o ultramitarismo em alguns. [ __ ] velho. Se você, se você trocar se você trocar o discurso desse cara e Meter o Hitler ali, é igualzinho, velho. É igualzinho.
momentos até replicando literalmente a estética nazista para retratar não os alienígenas, não os vilões, mas a própria humanidade. Mano, essa essa propaganda é uma propaganda que tem essa propaganda não, mas isso aqui ele tá fazendo referência a um filme chamado O Triunfo da Vontade da Lenis Henai aí que eu não sei o sobrenome. E é um filme que foi e encomendado pelo governo nazista. E aí é Um filme que tem nessa uma cena que eles estão mostrando trabalhadores numa obra pública lá e ele fica filmando um por um de cada lugar de onde eles são,
tal. É sinistro, velho. Sinistro. Nossa, juventude hitlerista para [ __ ] Essa cena que acabou de passar aqui é o primeiro de vários. Ele não vai meter que é o triunfo da vontade. Vários anúncios de propaganda militar que são exibidos durante todo o filme. São vários vídeos de recrutamento que não existem no livro, produzidos com o intuito de incentivar a população dessa versão fictícia do nosso planeta. [ __ ] eu fiquei curioso para assistir agora o filme. Fiquei bem curioso a se juntar às Forças Armadas, a apoiar a guerra e a mostrar o conflito bélico
e as atrocidades cometidas pelos militares como algo não só justificável, mas também glorioso. Esse insert aí que acabou de passar é a primeira cena do Filme. E esse a primeira cena do filme [ __ ] hein? Pô, o diretor mandou bem. Mandou bem. Não, ele tem cara de ser horrível. Parece ser um filme horrível. tipo de intervenção é meio que uma marca do diretor que já tinha usado isso em Robocopia anteriormente, também como uma maneira de deixar bem claro o absurdo moral e ideológico que tá sendo mostrado na tela. Mano, Robocop é uma outra obra
incrível, Velho. Robocop é maravilhoso. Maravilhoso, porque mostra exatamente uma sociedade fascistizada. Que é isso? É, é tanto fascismo, tanto fascismo, que você transforma um policial que era para ter virado um pudim, né? Um pudim de carne, porque ele explodiu e uma máquina de matar a gente que segue ordens, né? O robocó do governo é frio. Exatamente. [Música] Em tropas estelares, o diretor. [ __ ] velho, que loucura. Usa a propaganda para evidenciar que o filme é um deboche do viés fascista dessa história. Mas como é, mano? E tem um episódio de Black Mirror que conta
exatamente isso, velho. Fala exatamente isso. É o episódio inclusive do militar, né? Eh, eu não posso falar mais, mas é um episódio que mostra isso. É o são os militares lutando contra insetos. E eu só digo uma coisa, assistam esse episódio. Eu não lembro Qual que é, mas eu acho que chama baratas. Que é isso? Alguma coisa assim. É o episódio das baratas. Essa são sim ferramentas de doutrinação ideológica e de recrutamento militar. Power Ren deliberadamente construiu uma utopia fascista para demonstrar de uma forma muito bom a utopia fascista e que tipo os soldados estão
lutando num num planeta arrasado no meio de um deserto. É isso. Deu certo. Uma muito didática. Por que que o fascismo é ruim e como que ele permeia o imaginário holwidiano e o imperialismo estadunidense? Nossa, velho, sinistro, hein? Isso aqui não é um filme heróico, é um aviso, é uma crítica ácida e pertinente. Agora pergunta se as pessoas entenderam isso. Eu não tô falando só de Nerdola. Não tinha Nerdola nessa época. Eu tô falando da crítica especializada. Uma jornalista chamada Rita Kemplin numa Crítica do Washington Post na época falou o seguinte de tropas estilares. Olha
o que ela falou. O tom do verhoven, que varia entre o camp e o cic é tão inconsistente que é impossível decidir se ele está parodiando o terceiro hi ou apaixonado por ele. [ __ ] que pariu, velho. Pessoa faz essa crítica, mano. Meu Deus, mano. Quero assistir tropa os Estelares. Fiquei muito curioso. É impossível decidir. Chegou tão perto, Né? Impossível decidir. Já numa crítica do LA Times, também da época, um jornalista chamado Kenestan disse que o filme era uma experiência alegremente lobotomizada, sempre assistível, com a simpledade de uma história em quadrinhos de ação. É
galera, é isso, né? O o Kenestur também entendeu nada, né? A simpleiedade. Isso. O nome do episódio é engenharia reversa. Esse é o nome do episódio do Black Mirror que tem o soldado, engenharia reversa. De uma história de quadrinhos em ação. Isso é pejorativo, tá? Ele tá dizendo que o filme não tem nuance. E não foi só esse cara, não. Muitas pessoas interpretaram Tropas Estelares como um filme literal sobre uma guerra intergalática desprovido de nuance. Um filme literal sobre uma guerra intergaláctica. Um filme literal sobre uma guerra intergalática. Porque a Humanidade já esteve em muitas
guerras intergaláticas. Um filme de navinha qualquer. Toda parte da paródia, da ironia, do deboche passou despercebida por muita gente. E o desempenho do filme nas bilheterias refletiu esse desconhecimento, essa interpretação equivocada. Por que isso aconteceu? Eu tenho uma teoria. Independence Day. Tropas Estelares foi lançado um ano depois de Independence Day, um filme que Também narra um encontro devastador de seres humanos com alienígenas unidimensionalmente malvados que precisam ser aniquilados sem cerimônia por militares amando do presidente dos Estados Unidos. [Música] Ai, ai, cara. O que a indústria cultural faz é inacreditável, velho. Inacreditável. Não é? A única
forma de você conseguir manter essa dominação. É você criar Subsequentes discursos, tá ligado? Para poder desumanizar esses sujeitos. A Aninha trabalha comigo. Beijo pra Ana. Ela falou aqui: "Troca inseto por comunista". Cara, se você trocar no Tropas Estelares Comunista bom e comunista morto, é perfeito, velho. Mandem um beijo para ela. E esse foi o filme mais assistido de 1996. Imagina você lançar um filme de espaço depois de Independence Day. Tem como. O Nome disso, gente, é imperialismo. O nome disso é Ideologia Dominante. Esse é o momento cultural que Hollywood tá vivendo. É para isso que
as pessoas vão ao cinema nos Estados Unidos em 1996. Mano, se parar para pensar Vingadores é igualzinho, velho. Tá escapar da realud todos os os filmes são assim. Todos, todos. É muito difícil ter alguma coisa muito destoante disso. Idade para enaltecer o próprio patriotismo, para sentir que ela, Mano. E eu vi, eu vi uma matéria uma vez que falava, e aí é baseado, né? A fonte é confia, mas todo filme de Hollywood tem uma bandeira dos Estados Unidos no filme. Todo filme, todo filme tem uma bandeira dos Estados Unidos da América em alguma parte do
filme. Todo filme. É isso, né? É a exaltação do patriotismo. É a criação dessa ideia daquilo que a gente falou, né? É, você cria a ideia do outro, né? aquele que é o estrangeiro, que tá distante e é o o grande Responsável pelas desgraças que a gente vive na nossa sociedade. É isso. Elas vivem no melhor país do mundo. E para consumir a narrativa de que quando as Forças Armadas Americanas entram em ação, tudo pode ser justificado desde que o sonho americano permaneça. Quando um filme diz isso pras pessoas num momento desses, mesmo que ironicamente
a audiência, uma parcela considerável dela, pelo menos, tende a concordar. Por mim, beleza. A obra do povo em Ren era Sutil demais para um mundo que já vivia de certa forma a distopia que o diretor tava parodiando. Nos anos 90, os Estados Unidos se envolveu em dois grandes conflitos militares, a guerra do Golfo e a guerra da Bónia. As duas com intervenções diretas americanas em território estrangeiro, tudo com apoio da maioria da população local. Fora que é durante os anos 90 que a gente tem também a política dos três strikes do Bill Clinton, né? né?
É a Política que a gente vai ter um aumento de escalada do encarceramento em massa da população negra dos Estados Unidos. Então, acho que é muito interessante pensar sobre essa perspectiva também de que essa máquina de indústria cultural, ela serve não só para poder colocar nesse lugar, né, do estrangeiro, esse esse sujeito ruim, né, que as forças armadas devem intervir, mas eu acho que esse discurso também funciona pra questão policial doméstica dos Estados Unidos, tá ligado? porque também opera na mesma lógica de fascistização. É isso, né? Eles estão lá para defender, estão lá para poder
garantir a a ordem, para poder garantir a liberdade e a democracia, né? É, é isso. Tipo, no final das contas, a gente tem é o MIB é um filme sobre o serviço de imigração, né? O MIB é isso. MIB é o é o escritório de imigração, porque fala que, ah, não, a gente tem que perseguir os alienígenas porque os alienígenas são malvados, tá Ligado? É isso, é, [ __ ] É isso. No final das contas são só elementos culturais para poder produzir discursos que desumanizem um determinado sujeito. É isso, velho. Por mim, beleza. Hoje Tropas
Estelares vem sendo revisitado como um clássico subestimado. Hoje existe um entendimento mais profundo sobre o significado dessa obra e as mensagens que ela tenta passar. Mas na época, na minha opinião, pelo menos, faltou um certo entendimento Sobre quem era a audiência que ia consumir essa história em 1997. Talvez seja esse o motivo do fracasso. As pessoas simplesmente não estavam prontas para entender esse tipo de ironia. Talvez. É, acho que as contradições daquele período, na verdade, se desenhavam muito mais para um apoio, né, substancial a esse tipo de narrativa do que a uma crítica fundamentada ou
qualquer coisa assim. Não sei. Eu adoro Tropas Estelares, o filme, óbvio, eu acho genial, incrível, impressionante, o marco, mas eu não sei o que é que eu teria achado se eu tivesse assistido 20 anos atrás. Eu era bem burrinha nessa época. E se nem a crítica especializada entendeu, imagina eu 20 anos atrás. O motivo de eu citar esse filme aqui é para mostrar um exemplo dessa dissonância entre o que uma obra tentou dizer e como ela foi interpretada pela audiência. De quem foi a culpa do Fracasso de tropas estelares? Do público que não entendeu, dos
críticos que não entenderam? ou de um diretor que não soube comunicar suas ideias paraa audiência que ele tava tentando atingir. Eu não sei. Por enquanto fica por imaginário subjetivo de vocês. Talvez não exista uma resposta única para essa pergunta, mas a gente vai voltar para ela daqui a pouco, porque eu quero trazer uma outra resposta possível. Coloca um pin nessa pergunta. Pim. Por Enquanto eu vou falar o seguinte. Eu pensei muito sobre esse filme. Como eu falei, existe hoje uma percepção diferente sobre ele. Hoje, Tropas Estelares é visto como um clássico incompreendido, uma obra à
frente do seu tempo. E dá para entender por, eu concordo. Mas independente disso, uma coisinha ficou na minha cabeça. E na verdade é por causa dessa coisinha que eu trouxe esse exemplo especificamente. Tropas Estelares é um filme que diz Ironicamente que militarismo e guerra são coisas boas, são coisas necessárias. Nossa, como você é necessária. Sem a percepção da ironia, a obra pode parecer boba, simplória, medíocre, mas imagina se as pessoas tivessem curtido genuinamente. Tipo Tropa de Elite, cara. Igual Tropa de Elite, velho. Igual Tropa de Elite, igual o Hor Shark de Watchman. A galera passa
a curtir porque eles representam esses ideários, né? É isso. Pô, é um personagem mais fascista que o Capitão Nascimento. Imagina esse cenário. Imagina criar uma história para criticar o fascismo e as pessoas, além de não entenderem a crítica, passarem a glorificar aquilo que você tá criticando. Imagina que loucura uma paródia, uma crítica ser percebida não só como algo genuíno, mas também louvável. [Música] Parte dois, o estranho caso da série que ninguém entendeu. The Boys é uma série Da Amazon Prime Vídeo, produzida por Eric Crep, que estreou em julho de 2019 e é baseada no quadrinho
de 2006, criado por Garth Enis e Derek Robertson. A trama se passa num superheróis existem. Uau! São agenciados por uma mega corporação que não tem exatamente como principal foco o bem-estar da sociedade. É, como qualquer empresa, o foco é lucrar. [Aplausos] A série é um retrato bem cínico, não só Do gênero superherói, mas da forma como o capitalismo tende a comodificar tudo à nossa volta. Eu acho que esse é uma, esse é um bom termo para definir o funcionamento ideológico do The Boys, que é cinismo. Cinismo é uma série cínica, uma série cínica, é maravilhosa.
Eu tô, eu terminei a segunda temporada esses dias, v pra terceira. Se no capitalismo tudo é um produto a ser consumido e fetichezado, segundo essa série, é exatamente isso que aconteceria Com os superheróis se eles existissem de verdade. Por um lado, um bando de McLunch feliz ambulante. Por outro, uma espécie de força militar super poderosa a serviço do capital. E eu sei que eu já falei de The Boys aqui nesse canal antes. É um dos vídeos que mais despertou a raiva de uma certa galera por aqui. E eu falo isso com muito orgulho, sabe? A
gente tem que se orgulhar do que a gente tem. E se você Assistiu esse vídeo que eu fiz lá atrás, você deve lembrar que eu na verdade não gosto muito do The Boys. Eu acho a crítica que a série faz meio simplória, meio vazia. É, a crítica é vazia mesmo, porque ela não fala qual que é o cerne da questão, né, que é exatamente o capitalismo. E um pouco contraproducente, porque a trama é muito focada em mecanismos de choque, violência, sexo, morte, mulheres brutalizadas, tudo isso numa história de Superherói. Uau, que adulto. Mas por mais
que a crítica seja meio besta, na minha opinião, eu não posso negar que essa crítica existe. E um dos personagens da série que mais sintetiza essa crítica é ele, o quem humano. Homelander ou Capitão Pátria em português, é um personagem interpretado por Anthony Stark e é possível dizer que ele é o vilão de The Boys. Eu posso falar isso em voz alta? Ok, talvez ele não seja o vilão. Vil Nossa, eu tenho certeza que deve ter chegado um monte de nerdola racionário para falar: "Ah, meu, o capitão pátria, meu, ele ele é um herói, meu.
Ele é um herói do The Boys, mas herói eu sei que ele não é, né? Ninguém acha que ele é um herói, né? Ninguém fala isso. Claro que vai ter gente que fala isso. Eu tô doida. Ok. Esse personagem é tipo uma mistura entre o Superman, Capitão América e Cristina da novela Alma Gêmea. Ele é loiro, branco, do olho azul. A Capa do uniforme dele é a bandeira do [ __ ] A Cristina da alma gêmea que era interpretada pela Flávia Alessandra. Essa era a vilã. Essa era a vilã. Eu lembro que no final agora
eu já posso, né? Eu posso falar o final de Alma Gêmea, né? Eu tá quase 20 anos aí, né? Ela mata a personagem da Prisla Fantina, do Eduardo Moscoves. Eu lembro disso. Eu lembro que o final da novela era esse, os dois mortos. E aí quando eu ficava alma gêmeas, bate o coração. As metades da laranja. Dois amantes, dois irmãos. Duas forças que se atraem. Sonho lindo de viver. Tô morrendo de vontade de você. [ __ ] tem como velho dos Estados Unidos. E ele é vendido pro público do universo da série como um símbolo
de nacionalismo, uma inspiração a epítome de um verdadeiro herói. Mas o Homelander de verdade, atenção spoiler, tá? Por trás das câmeras é um sociopata. Diria que ele é um fascista, né? Nossa, essa cena é [ __ ] velho. Essa cena, essa cena eu assisti assim, [Música] sabe? Você fica tão angustiosa que faz. Nossa, velho, foi [ __ ] assistir isso. Não é a pior cena, tem uma pior ainda que eu achei. Tenta justiça. A cena do julgamento, mano. A cena do julgamento. Issa, nem moral, nem a verdade, nem qualquer outro valor. Homelanda é caos. Ele
é uma pessoa Horrível. Não, ele tem o valor, aí eu discordo. Ele tem os valores americanos, mano. É [ __ ] velho. Que usa seus poderes extraordinários com objetivos egoístas para controlar os outros, para conseguir o que ele quer ou por puro sadismo. É poder pelo poder. Sim. É o poder pelo poder econômico, né? É que eu acho que no caso do Homelander, a gente tem uma questão psíquica forte, Né? Porque você vê que ele tem um negócio com amor materno, ele tem a parada do leite. Inclusive o leite é essa referência ao white power,
né, que tem essa simbologia que não sei se vocês já ouviram falar, mas um presidente aí do do tal já apareceu em live tomando leite, dando fazendo um brinde. Tem toda essa simbologia, né? É um ex-presidente, um ex-presidente. [ __ ] que pariu. É isso. Simplesmente, right? E é claro, é, no caso ele é, eu acho que é o reforço desse poder, né? Ele acho que o Homelander ele faz essa, ele tem essa, esse comportamento, ele tem esse, esse desenvolvimento com o personagem para poder fazer essa reflexão sobre a questão do abandono, né? A questão
da a questão da transformação de um sujeito em uma máquina de lucratividade, né? Porque no final das contas o Hlender é isso, né? Uma máquina de imprimir Dinheiro. É óbvio que esse personagem é idolatrado por jovens de direita dos Estados Unidos. O que mais poderia ter acontecido em novembro de 2020? Após os resultados das eleições presidenciais dos Estados Unidos, apoiadores do ex-presidente Donald Trump se reuniram na frente da prefeitura de Washington DC para demonstrar seu apoio à batata de peruca com bandeiras de Batata de peruca Estados Unidos e faixas com os dizeres América em primeiro
lugar. Até aí normal. A cerejinha do bolo é que um desses manifestantes chegou no local vestido de Homelander. É possível e usando uma máscara do Trump. Esse cara aqui, ó. Por mim, beleza. Logo depois que essa foto começou a circular na internet, os criadores de The Boys reagiram a ela em tom de debe. Eric Creepk falou que ã eles estão realmente assistindo a série e o ator que interpreta Homeland se referiu à situação toda como a arte da estupidez ignorante. K k kak. Eles não entenderam. A impressão que fica é que essa situação específica virou
alguma chavinha na cabeça dos roteiristas que nas temporadas seguintes de The Boys passaram a deixar um pouco mais explícita a natureza fascista desse personagem e o tom satírico da série, Que vem deixando alguns fãs bem incomodados e surpresos ao finalmente perceberem que a série que eles gostam é uma sátira política. Quem poderia imaginar? [Aplausos] Em 2022, Eric Creeper admitiu numa entrevista para Rolling Stone que parte da inspiração pro Homelander veio de ninguém menos que a própria batata de peruca. Nossa, Donald Trump realmente parece uma Batata de peruca, né? Realmente. Mas ele elabora um pouco mais
que isso. Olha o que ele diz. Homelander sempre foi um análogo de Trump para mim. Admito que estou um pouco mais ousado nessa temporada do que nas temporadas anteriores. É que o mundo está ficando mais grosseiro e menos elegante. Estamos mais irritados e assustados com o passar dos anos. Então isso vem se refletindo em nossos roteiros, mas parte disso é a jornada natural do Homelander. Ele tem Essa combinação inflamável entre fraqueza, insegurança e poderes e ambições horríveis. E isso é uma combinação mortal. Tudo que ele quer é ser a pessoa mais poderosa que ele pode
ser, mesmo que ele seja completamente inadequado em suas habilidades para lidar com isso. Mas eu acho que é fundamental a gente retirar do campo do indivíduo essa esse debate, né? Acho que isso é fundamental. O Homelander, ele é ele é um produto da Sociabilidade, da forma como a sociabilidade tá sendo construída ali, tá ligado? Que a gente, eu eu porque senão fica parecendo que a pessoa tem uma sede de poder que vem do nada pro nada e é isso assim, ah, ah, eu quero poder, poder, poder. Tipo, mas qual que é o contexto em que
essa ideia surge, né? Eu acho que isso que é esse é um elemento fundamental, assim, é exatamente, tira a responsabilidade de quem fez o Homelander, que é a VOT. né, Que é a empresa, [ __ ] que é a verdadeira responsável por tudo isso, tá ligado? É é a verdadeira responsável por tudo isso. E no final das contas é essa a forma de sabilidade que constrói um personagem assim. Então, é a vitimização de um homem branco combinada a uma ambição descontrolada. E essas questões simplesmente refletem o cara que era a [ __ ] do presidente
dos Estados Unidos. E essa é uma questão maior do que apenas O Trump. Quanto mais figuras públicas agem de forma terrível, mais fãs eles ganham. Esse é um fenômeno que queríamos explorar, que o Homelander está percebendo que ele pode realmente mostrar às pessoas quem ele é de verdade e elas vão amá-los por isso. Então, é fascismo, né? É isso. Ah, capitalismo, né? Na realidade é a dimensão capitalista do processo familiar, né? Eu gostei do que ele falou. Eu acho que essa fala dele Demonstra um certo conhecimento de mundo e da gravidade das coisas e da
responsabilidade dele como alguém que tá contando histórias. E eu acho que The Boy se tornou uma série melhor depois dessas coisas. Eu ainda não gosto muito, não é muito minha pira, mas eu admito que melhorou. Mas olha o que aconteceu depois disso. Essas declarações irritaram muito alguns fãs que simplesmente se recusavam a entender o Homelander como o vilão ou mesmo Entendendo The Boys em si como uma crítica, ficaram ofendidos ao se perceberem como alvo da crítica. E a série vem deixando cada vez mais explícito o tom satírico e político com a terceira temporada abordando diretamente
questões raciais e traçando paralelos. Bem, e tem um elemento até interessante, né, que a Arninha até comentou comigo aqui agora. O capitão Pát ele é o resultado da ideologia do que a VOD acredita que é O homem. Eu vou, eu vou além até. Eu vou além. Não acho nem que seja só o que a VT acha sobre qual é o ideal do homem. Vai vir. Eu não vi essa cena ainda. Meu Deus. Eu vou tomar um spoiler muito grande agora. Putz. Ah, tudo bem. É, spoiler não existe. Isso é besteira. Se eu não assisti até
agora, o problema é meu. Mas eu acho que é muito isso. A Ana até comentou aqui, vai, vai tomar um spoiler. Mas eu acho engraçado porque eu vou até além, né? Não é como a VOD pensa O ideal do homem americano. É como toda a sociedade dos Estados Unidos. Isso é muito louco, né? Como a sociedade estadunidense foi construída a partir de um ideal de perfectibilidade de uma determinada forma de humanidade, né? Eles realmente acreditam nisso, né? Tipo, se a gente pega, a gente aprendeu na escola, né, o bagulho lá do destino manifesto, né, em
que os os wasp, né, os os true Americans, né, os os peregrinos, os patriotas, tal, qual que é o objetivo Deles? é explorar a Terra e levar, né, essa sociedade que é perfeita, da democracia, da república, de tudo isso. E é muito interessante a gente observar como a construção desse ideário é um negócio que permeia toda a história da cultura pop dos Estados Unidos, mas também a própria VOT, né? A quem fundou a VOT foi um nazista, tá ligado? Era um nazi. É isso, o cara era nazi. E se a gente pegar para olhar, tem
troca de isso tem no livro do Stalin, história Crítica de uma lenda negra do Domíico Lurdo que tem carta de chanceler alemão trocando carta com outro chanceler dos Estados Unidos. Chanceleira alemão elogia as políticas de segregação racial nos Estados Unidos, sabe? Então eu acho que quando a gente tá falando da construção desse ideário, né, desse ideário de eugenia que a gente tá tá se referindo aqui, essa defesa da eugenia, a gente tem que primeiro, em primeiríssimo lugar, pensar no senhor Estados Unidos da América, porque é essa a ideia de que eles são destinados ao mundo,
né? E eles receberam esse fardo, né? Essa coisa de carregar a humanidade nas suas costas e tal. Aí você produz uma sociedade que vai realmente precisar para funcionar criar, né, aqueles que são escolhidos e aqueles que não são, aqueles que merecem o mundo e aqueles que não merecem o mundo, né? Não é à toa que, enfim, aprenderam. A Alemanha nazi aprendeu muito bem, né? E e tinha, pô, Você tem nos Estados Unidos um filme como O Nascimento de uma nação, que é um filme que exalta a Cucus Clã, que faz muitas pessoas olhem a cucus
clã e falam: "Porra, da hora, massa." É isso mesmo. É um filme que produz essa significação, né? que produz esse movimento. Então acho que isso é fundamental a gente falar bem óbvios com o problema da brutalidade policial nos Estados Unidos. Fechei Alles mano. Muito bom, hein? Então, né? A repercussão online depois dessa cena especificamente foi aparentemente a gota d'água pros fãs direitistas de The Boys. Não foi a única gota, mas foi uma gota, um pandemônio. Como assim? O cara que fala que todas as vidas importam diante de um grupo de pessoas negras, tá errado. Como
assim? De repente tem lacração na série que eu gosto. Como assim o cara que se veste Com a bandeira dos Estados Unidos é um sociopata fascista? Meu Deus. A lacrosfera. O jornalista Ryan Brotherck relatou em detalhes no Twitter o colapso dessa galera no Reddit. Refletindo sobre o problema de uma forma geral, ele diz o seguinte: "Os usuários que reclamam da terceira temporada de The Boys querem um passado trágico pro Homelander para que eles não precisem refletir sobre porque que eles se sentiram tão atraídos pelo personagem em primeiro lugar." E aí que Tá, né? Por que
que as pessoas gostam do Homelander? Por que que tem gente que insiste em glorificar esse cara, mesmo com a série fazendo esse esforço enorme de retratar esse personagem como um vilão? É porque o mundo todo pensa assim, porque toda a sociedade capitalista foi calcada nisso, calcada na perseguição às minorias, na exploração do homem pelo homem, em todas essas questões, né? Então é normal que se a gente vive numa sociedade que a Gente vê a brutalidade policial da forma como a gente vê, a gente vê o racismo da forma como a gente vê, a gente vê
todos os elementos de opressão como a gente vê, as pessoas queiram se identificar essencialmente com aquele sujeito que transporta elas para um ideal de sociedade, tá ligado? Então, tipo, ninguém vai querer parecer, né, fazendo a transposição, né, pro cinema brasileiro no Tropa de Elite. Ninguém vai querer pensar, aparecer, entender a Questão, por exemplo, do baiano, do traficante do primeiro filme, tá ligado? Vai sempre haver a identificação com a força estruturante que exerce o poder, que, portanto, tá moralmente superior, que é o Neto, o Matias e o capitão Nascimento. A galera quer se identificar com quem
no imaginário social é entendido como herói, tá ligado? Mesma coisa com o Homelander. O Homelander é o protagonista da série. Eu acho que isso é fundamental. Ele é o protagonista, né? Ele é o personagem principal, mas ele não tem a carga de personagem principal como um protagonista no sentido de ser um bom protagonista, né? Moralmente bom, tá ligado? É isso, sim. É, é fundamentalmente é isso. Você deixa de enxergar a estrutura como um emaranhado complexo de relações, de questões, etc, etc. Então, o cara ele é o protagonista, né? E aí as pessoas naturalmente vão querer
se identificar com aquele protagonista que faz referência a esses Valores, que faz referência a essa dinâmica de como a sociedade tá inserida. É isso. E tudo bem gostar de vilão. Não tem nada de inerentemente errado em gostar da bruxa da Pequena Sereia ou achar a Malévula um ícone LGBT. Tá tudo bem. Mas no caso de The Boys, as pessoas não estavam simplesmente se divertindo com o personagem que elas gostavam. Elas estavam incorporando para si a estética desse personagem em manifestações Políticas. Eu vou dizer ainda, na segunda temporada tem uma personagem muito boa, a Tempesta, e
tem uma cena de um fã da Tempesta que vai seguir bem essa lógica, vai passar a reproduzir a dinâmica discursiva do que ela fala, levando a um ato determinado que eu não vou falar o que é, mas é muito bom. Uma pessoa literalmente se fantasiou de Homelander numa manifestação a favor do Donald Trump, o cara que tava supostamente Sendo parodiado nessa série. Tipo, galera, gente, amores, que delírio é esse? Dá vontade de chegar numa manifestação dessa, pegar o microfone e falar assim: "Gente, vocês não vão recuperar o afeto que o pai de vocês negou na
infância. Não adianta correr atrás disso agora". Eu acho que é isso também, né? Sei nem se é afeto, mas acho que é é essa transposição de fantasia e realidade, né? Tô falando de The Boys, mas vocês sabem que esse fenômeno não é restrito a The Boys, né? Isso vem acontecendo repetidamente. Existe uma ideia de que algumas obras de ficção são e sempre foram progressistas de esquerda, antifascistas, lacradoras, mas que de uns tempos para cá elas vêm sendo mal interpretadas por uma fan base ignorante e reacionária, o famoso e arquetípico Nerdola. Pessoas estranhas que não conseguem
entender que Star Wars é e Sempre foi uma narrativa anti-imperialista, por exemplo, ou que X-Men é uma alegoria sobre minorias sociais e que uma série que mostra um grupo de pessoas endividadas se sujeitando a uma competição sádica e violenta, que funciona como um espetáculo para meia dúzia de bilionários, é uma perfeita descrição da vida no capitalismo, ao contrário do que diz o deputado Kim Kardashian. King Kardasan, meu Deus do céu. Enfim, eu me lembrei dessa história aí também, embora o vídeo não seja exatamente sobre isso. E a resposta a esse estranho queem Catagueira é muito
burro, né? Nossa senhora, como ele é burro. Não, ele é mau caráter, safado, safado, safado, safado, safado. Fenômeno é quase sempre muito parecida com essa declaração do New Gaman. Eles é que não entenderam. O que dá a entender que a situação é a seguinte. De um lado, a Gente tem um grupo de criadores, roteiristas, diretores, que tão dando o melhor de si para que suas ideias vanguardistas e progressistas sejam compreendidas pela audiência. E do outro lado, a gente tem uma massa monolítica de nerdolas, ignorantes, misógenos e racistas, que se tornaram fãs dessas histórias quase que
por acidente. É uma explicação muito preguiçosa, né? Ouvindo o Hora Thago falar, só reforça aquilo que eu comentei no começo. É uma Explicação muito preguiçosa essa. Ah, eles que não entenderam. aparece o professor que fala: "Ah, é o aluno que não quer aprender, ele que não entendeu o que eu tô falando". Pô, amigo, aí fica difícil, né? Porque se eles tivessem entendido direito desde o início, a situação seria outra. Como o mundo seria se as pessoas tivessem entendido Star Wars? A barreira do entendimento midiático, político, ideológico, tá na Burrice desse grupo de pessoas ignorantes. Mas
será que é só burrice mesmo? E como eu disse no início, eu não tô descartando totalmente a burrice. Existe a burrice, mas será que não tem algo a mais? Será que não tem alguma armadilha semiótica nessa situação toda? Claro, armadilha semiótica total. É arm total. É isso. Você não faz essa reflexão nas bases culturais e você reforça os elementos quando você produz Uma obra assim. É muito, é um lance meio realismo capitalista, né? É um lance meio assim, você evidencia com tanto cinismo, com tanta, com tanto escrchamento, é [ __ ] velho. [ __ ]
É, é, é um, é, é, é um negócio muito interessante, né? Porque você não faz uma crítica política ao modelo de como a ideologia tá colocada. Justamente por quê? Porque ela tá mercantilizada. Ela tá mercantilizada dentro de uma sociedade que reproduz essa dinâmica, Essa lógica, esse discurso. Aí é [ __ ] né? [Música] Será que ele vai, será que ele vai meter o triunfo da vontade? Vai ser [ __ ] hein? Ó o Atlas aí. Não, eu acho que eu eu acho que eu já vi esse filme. Aí o cara vai Não é uma estátua,
é uma pessoa. Aí ele fica mostrando os músculos. [Música] Como esperar uma interpretação diferente das pessoas que veiem em The Boys quando elas vem isso? Olha como armadilha semiótica. Leni Rifestol foi uma cine [ __ ] que pariu, velho. [ __ ] que pariu. Casta alemã do começo do século XX e uma grande filha da [ __ ] Ela produziu uma série. [ __ ] velho. Análises. Ah, gente, mas ó, brincadeiras à parte, é só fazer análises, tá ligado? É só a gente Acompanhar o processo, tá? Tá, tá ciente desses, dessas coisas e vai, tá
ligado? [ __ ] velho. Incrível, incrível, simplesmente incrível. Aliás, esse filme tem no YouTube, tá, certos partidos e foi uma das principais representantes do ideal estético promovido por essa galerinha tão bacana. Essa imagem que tá passando na tela é um trecho de um filme dela de 1938 chamado Olímpia, que documenta os Jogos Olímpicos realizados nesse ano em Berlim, na Alemanha. A obra ganhou muitos prêmios na época, principalmente por causa do rigor técnico e das inovações de linguagem cinematográfica. Muito do foco do filme tá nos corpos dos atletas, na performance deles e na alombra visual de
uma forma geral. Essa queridona aqui foi uma grande pioneira em várias técnicas de filmagem e muito do que ela fez continua sendo replicado até hoje. Depois da Segunda Guerra, ela tentou muito se distanciar de certas Pessoas e se recolocar no imaginário coletivo como uma grande apreciadora da beleza. E vários estudiosos e professores de cinema até hoje se referem a esta nobre senhora como uma grande visionária. E a conexão dela com passa às vezes como um detalhe desconfortável que não merece muito mais do que uma simples menção. Bobagem, gente. Vamos aprender a separar o artista dos
crimes contra a humanidade. Perfeito, perfeito. Não tem como fazer Essa separação, tá gente? Não tem como. É impossível. É como se a contribuição estética da Len Rifen Sall tivesse separada de todo o resto. Mas isso não é verdade. Tudo que a Len Rifenstall fez fé. É, algumas pessoas estão perguntando o que é semiótica. Deixa eu então procurar aqui o significado no dicionário, só para ficar mais fácil. É a teoria geral das representações que leva em conta o signo sobre todas as formas e Manifestações que assumem linguísticas ou não, enfatizando especialmente a propriedade de convertibilidade recíproca
entre os sistemas significantes que integram. Então, basicamente, gente, só para poder ficar explicação, semiótica é um ramo de estudo que mostra o significado das imagens, da linguagem no geral, e de como que esse significado se se relacionam dentro de um determinado ambiente, de um determinado contexto. Muito resumidamente é isso. Passa, passa a nazismo e a supremacia branca. A maneira como ela retrata os corpos dos atletas e a forma como ela glorifica o triunfo do indivíduo em contraste com o coletivo é totalmente coerente com os ideais do terceiro hait. E isso não sou eu que tô
dizendo, não, tá? São especialistas e estudiosos. O escritor Heiner Rotter, especialista em história do cinema, explica da seguinte forma: no filme Olímpia, os atletas são colocados Em cena por ela. É, para quem quiser estudar mais sobre o sistemiótica, eu recomendo muito o canal da Senhorita Bira, que é o algoritmo da imagem. Beleza? A condição de ideais. Desde então, a apresentação do corpo atlético adquiriu um viés de propag é é todo o processo de produção de significado, de compreensão de significados, que ele fala que é uma armadilha semiótica, porque você tá Querendo produzir um tipo de
significado, mas esse significado tem outras relações com outras coisas e, portanto, vai produzir outras formas de significado. É isso.Aganda e se tornou o ideal moderno de beleza. Olímpia glorifica a Alemanha nazista como herança da Grécia antiga, tanto do ponto de vista estético quanto político. A acentuação do estético, do ideal purificado, purgado de todas as imperfeições, inseriu-se fluidamente na Propaganda racista. Essa joinha aqui, essa queridona, não foi só influente na arte de fazer filme. Quando ela glorifica um objeto, um líder, uma pessoa, um atleta, um indivíduo, ela faz uma série de escolhas estéticas. E essas escolhas
estéticas a produção de determinados significados. Essa é a questão, tá ligado? A pessoa, a, a Lene Rifenstal, ela escolhe determinadas formas para poder retratar essas questões, exatamente para com a intenção De produzir determinados significados que vão ter impactos, eh, emocionais nas pessoas, né? Eu acho que isso é fundamental. continuam aparecendo em tudo que é lugar até hoje. O nosso jeito de glorificar as coisas, de identificar o que merece ser glorificado, ainda é muito parecido com o jeito dela. E não é só ela não. Várias direções. Filme de 1915 chamado. [ __ ] velho. Vou sério.
Ou sério ou Gente estudem, leiam leiam livros. Muito bom velho. Bom, muito bom. Muito bom, [ __ ] Muito bom, velho. Dei um spoiler do vídeo. Excelente. O nascimento de uma nação é tido como a obra que basicamente codificou a linguagem do cinema. É a primeira vez que um filme tinha um closeup, uma trilha sonora original, montagem paralela e vários outros recursos usados para contar uma narrativa coesa. Muito da gramática do audiovisual começou com As técnicas que aparecem pela primeira vez aqui. E o diretor, o DW Griffit, usou essas técnicas para contar uma história que
glorifica a Cuclus Clan, que justifica o racismo e que enaltece a supremacia branca. Inclusive, uma curiosidade pra gente ver como isso é impactante. A Cuclus Clã, ela tem a sua história dividida em mais ou menos três momentos. Um primeiro momento é no na virada do século XIX pro século XX, logo depois do processo de Abolição da escravatura nos Estados Unidos. E você tem alguma organização, né? Você tem esses relatos de pessoas que andavam com lençóis e perseguiam e linchavam negros, sobretudo no sul. Mas foi a partir do filme do DW Griffit que recupera essa história
que vai haver novamente o fortalecimento da Kakaká. Tem uma foto da marcha da Cucus Clã em Washington em 1920. Naquela época a Cucus Clã tinha de membros associados. Membros associados fora simpatizantes do Caralha qu membros associados 2 milhões de pessoas. 2 milhões de pessoas. E uma inovação que o DW Griff traz no nascimento de uma nação é a cruz. Porque hoje a gente identifica a Kakaká como essa organização que queima cruz nos lugares, tá ligado? Mas eles não faziam isso. Eles passam a fazer isso porque o DW Grift insere isso como um elemento gráfico no
cinema, tá ligado? Então, olha só que importante, né? Você vê que a produção semiótica, sabe? A produção Semiótica cria significantes pras pessoas que para poder reforçar esses aspectos reproduzem esses elementos, tá ligado? Então você é o que o Bolsonaro faz, né? Fazia, né? faz ainda. Mas é o que Bolsonaro fazia é trazer esses elementos, né, de significação para poder produzir significados e engajar as pessoas nisso. É o leite, é é o pedestal. É que ele nem percebe isso porque eu acho que ele não percebe isso porque ele é burro, mas é ele pegar Aquele microfone
e fingir que é um fuzil, é ele fazer arminha na mão da menina. São todos esses significados para produzir esses elementos, esses signos culturais, né, que a gente tá inserido, vão ser reforçados, vão ser reproduzidos e vão ser superados, né? Eu acho que esse é o ponto fundamental, é dialética. Eles são superados porque eles vão ser inovados nesse nesse sentido, tá ligado? Eu acho que é bem bem nesse caminho. Bem nesse caminho. Meu objetivo aqui não é cancelar esses filmes antigos. O que eu tô tentando dizer é que esses filmes não podem ser separados do
contexto ideológico em que eles são produzidos. Essas técnicas, essas formas de se fazer filme, não podem ser dissociadas do objetivo ideológico delas. Isso não significa que a gente precisa esquecer que elas examit. Perfeito. Porque é isso, o nascimento de uma nação é um filme que tem inovações cinematográficas, da mesma Forma como o Triunfo da Vontade também tem. É isso, é isso. Mas é preciso pensar isso. Os elementos ideológicos que cercam essas produções são elementos ideológicos advindos exatamente do tipo de sociedade que tá construída ali, que existe ali. Fundamental isso. Existem ou que essas obras precisam
ser apagadas da história. Novamente não é uma questão de cancelamento, é justamente o contrário. É sobre a gente lembrar, sobre a gente resgatar Criticamente. A forma como certos valores morais e políticos são glorificados no audiovisual, tá muito conectada com o nazismo e com a supremacia branca. Uma boa parte do nosso cinema hoje ainda fede a nazismo e a supremacia branca. Uma boa parte da nossa arte e de muitas outras coisas ainda tá impregnada por essas ideias. E a gente precisa entender como e por isso acontece. E na minha opinião, é isso que tá Errado, hein,
The Boys e tantos outros filmes e tantas outras séries. Por mais que o roteiro diga com todas as letras que esse personagem não deve ser cultuado, ele é esteticamente cultuado por causa da forma como ele é filmado, por causa da forma como ele é apresentado pra audiência. E porque é isso, ele é a reprodução desses significados sociais que estão enraizados na cultura estadunidense, na cultura da supremacia branca, que é a Cultura que interliga esse elemento ideológico da formação dos Estados Unidos. É isso. [ __ ] galera. E é claro que The Boys não é o
único exemplo. A cultura pop tá cheia de personagens. E aí é isso, você reforça esses esses elementos, né? Aí você tem várias obras que fazem isso. Demer faz isso, uma outra história americana faz isso, eh, o filme Elefante que fala sobre Columbine Faz isso. Então, toda vez, e eu acho que isso é uma questão que a gente precisa pensar, toda vez que a gente vai tentar trazer essas críticas para um campo da crítica social [ __ ] né, para evidenciar essas questões, tem vários piroquinha da cabeça que vão aderir essas ideias. Por quê? Porque existe
uma exaltação, né? [ __ ] a pessoa foi objeto de um filme, sabe? a pessoas ganhou um destaque internacional e dentro de uma sociedade em que esses valores culturais são eh Constantemente reforçados e a gente passa por um tipo de sociedade que nos ensina que a gente deve se destacar e ser especial e não sei o quê, mas tem vários [ __ ] da cabeça que vão seguir isso. E aí você tem a produção de sujeitos que vão defender a supremacia branca, de incels, de toda essa comunidade que reforça esses elementos para poder se colocar
como um sujeito ativo do processo político. Pô, eu tava até vendo aqui antes de começar a live Dando uma olhada nos vídeos do Redcast, dos cortes do Redcast. Mano, é só atrocidade, velho. Só atrocidade. É só coisas horríveis. É misogenia pura, pura, pura, pura. É, é celeiro de nazista, velho. Celeiro de nazista. masculinos, brancos, moralmente questionáveis, que são como grandes aspirações de moralidade por um grupo de homens brancos ressentidos. O que não significa que é necessariamente errado você gostar desses caras ou dessas Histórias. Você gosta do que você gosta, longe de mim te julgar, mas
talvez seja interessante refletir sobre como a gente engaja com esses produtos, porque são muitos e eles não estão só nos Estados Unidos, não. A gente tem até uma versão brasileira desse personagem. Olha que bacana. Talvez o exemplo mais didático, não só do cinema brasileiro, como do cinema como um todo. Olha que honra que a gente tem. Olha como a nossa arte é poderosa. Esse exemplo é tão Representativo, tão icônico, que talvez você já saiba do que que eu tô falando. Você sabe do que que eu tô falando, não sabe? Ou é Os trapalhões na terra
do nunca, ou é capitão nascimento, ou é Trapalhões na Terra do Nunca. Hã, bom, eu preferia que tivesse sido o Did Mocó e os trapalhões. Tropa de Elite é um filme de 2007, dirigido por José Padilha e estrelado por Wagner Moura, que interpreta um Capitão do batalhão de operações policiais especiais do Rio de Janeiro. E eu diria ainda, Tropa de Elite é ainda pior. É ainda pior porque não é uma história centrada num personagem específico, como é Breaking Bad, como é é sei lá, Watchman, como é e não é fictício. É essa é a parada
mais sinistra, né? O Hom Lener ele não existe, mas esses policiais, essas forças existem. É pior, é realidade. Torna mais palpável ainda, sabe? Torna Esse sonho fascista ainda mais palpável. O famoso Bob. O BOP foi criado para intervir quando a polícia convencional não consegue dar jeito. Não consegue dar jeito, não cons ó, e e as escolhas das palavras, gente, faz diferença. Não consegue dar jeito. Dar jeito no quê? Tá ligado? E no Rio de Janeiro, isso acontece o tempo todo. A trama acompanha esse cara enquanto ele mesmo narra o cotidiano do combate ao tráfego e
o treinamento de um possível Substituto quando ele finalmente supostamente em algum momento, criar coragem para sair do batalhão. É isso que ele quer aparentemente. Eu já tava naquela guerra faz tempo e tava começando a ficar cansado dela. Esse personagem tá sofrendo, tendo crise de ansiedade, o casamento dele tá abalado. Mas é isso, a galera não vê essa parte da complexidade do personagem. Casamento abalado, crise, o cara vive em pânico o Tempo inteiro. É isso, velho. É isso. É um personagem super complexo, mas que a galera resolveu capturar para isso. Ah, é um filme que faz
ódio a matar bandido. É isso. O filme. É isso. É um óde para matar bandido. Ele tá à beira de um ataque de nervos por causa da constante exposição à violência e as barbaridades do mundo do crime e do sistema policial. Imediatamente eu tenho crise de Tropa de Elite é um filme Crítico à polícia enquanto instituição e ao uso de violência nas favelas, mas é uma crítica meio esquisita, é uma crítica que exalta, né? Tanto que o próprio José Padilha é um outro facho, viu? José Padilha apoiou o Sérgio Moro, apoiou essa galera toda, antipetista
para [ __ ] É, é, estamos ligado, viu? Ao mesmo tempo em que o filme denuncia as barbaridades cometidas por policiais e a forma como essa instituição tá corrompida por dentro, O nosso símbolo mostra o que acontece quando a gente entra na favela. Ah, [ __ ] parceiro. Faca na caveira, irmão. Vamos dizer assim. Quando eu vejo um passeata contra violência, parceiro, eu tenho vontade de sair metendo a porrada, sendo bem gentil. Mas é assim mesmo que a gente tem que ser. Vai embora. É uma exaltação, velho. É isso. É uma Exaltação. É uma exaltação,
velho. É isso. Volta para onde você veio. Os nossos homens são formados na base da porrada. É um filme que tem muita dificuldade de escapar de certas armadilhas semióticas. Olha isso. Nosso símbolo mostra o que acontece quando a gente entra na favela. Paca na caveira, irmão. E Eu sei que eu tô colocando várias cenas fora do contexto da história, mas é justamente esse o ponto. Quando você ouve essa música, o que que você pensa? Ou melhor, o que é que você se sente induzido a pensar? Letra A, nossa, que instituição corrupta e estruturalmente danosa para
a sociedade. Ou letra B, aqui é BP. Tropa de Elite é um filme que se vale de uma suposta crítica ao aparato policial para espetacularizar a violência contra a favela e alimentar o Ódio contra o pensamento de esquerda e que deu ao personagem principal, um policial, aquele gostinho de antiherói torturado que luta contra o sistema e extravaza os próprios demônios em gente pobre e em mulheres. É um filme que na ânsia de construir uma estética apalatável para uma grande audiência faz questão de repetir as mesmas frases que qualquer fascistoide médi punitivista educado pelo Datena ouve
todos os dias na TV. Quem matou esse cara aqui foi você, seu [ __ ] É você que financia essa merda aqui, seu maconheiro. Seu merda mesmo. Olha isso, velho. Como que você vai não vai fascistizar meio Brasil com isso? [ __ ] que pariu. Que o filme em tese diga que esse cara tá errado. Eu não sei se ele diz tanto assim não, viu? Não, não disse. [ __ ] eu só fui ter essa percepção de que Tropa de Elite é um filme fascista Mesmo, [ __ ] Muito, muito tempo depois, velho. Depois de
adulto, esteticamente, olha como esse cara é apresentado pra audiência. Olha como ele é glorificado. E olha como ele é transformado num símbolo de uma só. E o Wagner Moura trabalha pra [ __ ] hein? [ __ ] que pariu, como atua bem o Wagnão. Ansiedade ressentida. O nosso símbolo mostra o que acontece quando a gente entra na favela. Então não é à toa que esse personagem é idolatrado por tanta gente que tá ali na beirada do imaginário fascista. Não é à toa que tantas pessoas incorporaram para si a estética de tropa de elite, a caveira
do BOP, as músicas, as frases do Capitão Nascimento que eram repetidas em tudo que era lugar. E não ajuda também que o diretor de tropa de elite, o José Padilha, se tornou um grande xarope. E uma das principais referências do antipetismo, que é o berço do Bolsonarismo, que é a carinha do fascismo brasileiro do século XX. Discorde aí na sua casa. Tropa de Elite não inventou o fascismo brasileira, mas o filme fez um excelente trabalho em reconstruir esse imaginário pros nossos tempos. Ele fabricou uma estética onde esse pensamento se torna aceitável em mainstream. Eu não
sei se José Padilha fez isso de propósito, porque eu não leio mentes, mas intencionalidade e lógica importam muito pouco, porque o Imaginário fascista é mais estético do que lógico. E eu não tô falando necessariamente dos grandes líderes, mas da pessoa comum que embarca nessas ideias. A parte sedutora desse imaginário fascista para uma pessoa comum que às vezes nem sabe o que que é fascismo é justamente a sensação de poder, a estética do poder. A eu acho que é esse elemento que reforça o lugar histórico da forma como a sociedade foi construída e sobretudo Também é
uma forma de conseguir explicar as contradições, né? Acho que o fascismo ele se apresenta como esse fenômeno político ideológico que feito pelas classes dominantes. É uma radicalização da forma como a ideologia dominante se reproduz, né? Porque tipo, não foi o bolsonarismo que inventou a violência policial, não foi o bolsonarismo que inventou o racismo, não foi o bolsonarismo que inventou o machismo, não. Esse esses elementos já eram Elementos que existiam na sociedade brasileira há muito tempo, tá ligado? O bolsonarismo ele é uma radicalização desse processo. Ele é uma evidenciação, uma radicalização de sobretudo ele é um
apreço estético a esse processo. Ele é a tomada desses elementos ideológicos como um apreço estético e que vão passar a constituir, portanto, a identidade dos sujeitos. vai passar o o cara vai ver o Capitão Nascimento batendo, eh, discutindo, gritando com a mulher, tudo Isso. E essa lógica, né, que o Bolsonaro faz também, né, a da piadinha, do racismo, não sei o quê, não sei o que lá. É um jeito de garantir essa homogeneidade do discurso para garantir que, ah, não, eh, a gente vai reforçar esses aspectos históricos que existem na sociedade brasileira. E aí a
pessoa que consome isso, né, que tá eh sob a contradição do capital trabalho, que tá com a vida cagada, que sempre nunca teve uma educação antiracista, que nunca Parou para refletir sobre suas posições masculinas, né? Isso pega muito para homens. Se você vai ver o público, o público da massa do bolsonarismo, é o tiozão do Zap. É o tiozão de 40 anos do Zap, tá ligado? você passa a defender esses elementos, porque a defesa desses elementos dá significação, dá dá uma explicação pra sociedade que a gente vive. É como se ele falasse: "Não, ó, tá
aqui, ó, tá aprovado, viu? Pode fazer, pode fazer esses elementos Históricos aqui de violência, de exploração, pode fazer, tá liberado?" Funciona nessa, nessa dinâmica, pô. É isso. Narrativa de recuperar um poder que você sente que foi retirado de você. Perfeito. Exatamente isso. O fascismo opera nessa lógica. é uma forma de explicar as contradições, reforçando esses elementos ideológicos presentes na sociedade brasileira, mas que não vai no cerne da questão, que é a contradição Capital trabalho, que é a contradição da exploração, que é toda a sociedade montada a partir disso. É isso. E tanto o Capitão Nascimento
quanto o Homelander estão justamente nesse lugar, o lugar da estética do poder. Mesmo que o texto de Tropa de Elite ou de The Boys diga que não é certo idolatrar esses personagens, eles são esteticamente idolatrados. Mas eu não tô falando isso da minha cabeça, não, tá? Deixa eu citar um negócio aqui para eu parecer Inteligente. Um professor da Universidade de Yale chamado Jason Stain, ele fala o seguinte: "Parte do que a política fascista faz é dissociar as pessoas da realidade. Você faz com que elas embarquem nessa versão fantasiosa da realidade, geralmente uma narrativa nacionalista sobre
o declínio do país e a necessidade de um líder forte para devolvê-lo à grandeza. E a partir daí, sua âncora não é o mundo ao seu redor, é o líder. E na falta de um Líder literal, o imaginário fascista conduz a pessoa a procurar essa âncora em outros lugares. E a cultura pop tá repleta de [ __ ] meti até o Batman, velho. [ __ ] Figuras que preenchem esse vazio do Capitão Nascimento é um Homelander, mas não só eles. Você tem toda uma gramática audiovisual que é construída em grande parte a partir de uma
estética militar e individualista que glorifica ações individuais em detrimento do Coletivo. E é muito essa ideia mesmo, né, de pessoas escolhidas para isso, que vão conduzir a população para isso. É muito essa ideia do complexo do Salvador. Muito, muito, muito, muito, muito, muito incrível. O Homem-Aranha não, né? O Homem-Aranha, ele é o o amigo da vizinhança, é o herói proletário, o grande líder, o escolhido, o cara que sozinho resolve, o que se destaca no meio de uma multidão amorfa, homens Brancos com corpos esculturais desprovidos de libido, corpos que só servem pra performance de guerra. Então,
quando você mostra um personagem assim, não importa o que ele diz, a estética já conta a historinha inteira antes que qualquer palavra seja dita. E a gente tá cercado por essa estética. Ela tá em tudo que é lugar, na propaganda, no cinema, no videoclipe, na internet. E é muito louco porque toda a dinâmica de funcionamento do capitalismo opera Para poder nesse processo individualizar. [ __ ] a Aninha falou aqui para mim que o Homem-Aranha é o ideal do Incel. Tô triste. Bom, fica aí para nós então porque eu não peguei. Mas, pô, olha essa propaganda,
velho. Faça. Vai lá, você consegue. É. o reforço eternamente do individualismo, né? Porque eu acho que o fascismo ele tem um pouco isso, né? Ele um pouco não, né? Ele é isso, ele é essa esse reforço de um aspecto do individualismo, né? De Defesa do do seu lugar no mundo, né? O lugar como homem branco, etc, etc. É a defesa do seu lugar como indivíduo na sociedade. Você deve apoiar o fascismo porque senão o fascismo vai destruir a sociedade como a gente conhece e vai te prejudicar. É um ódio ao indivíduo, né? É, é um,
é um, é um OD que massifica o indivíduo nesse aspecto, tá ligado? Ele serve para poder atender a essas demandas individuais que aparecem. É praticamente impossível escapar disso, O que me leva de volta a 1997. Tropas Estelares flopou em 1997. E dá para entender por não era só o contexto cultural da época, não era só porque as pessoas não entenderam, é porque o filme é um desafio semiótico. É difícil, é porque o povo Roven estava tentando subverter a estética em si. Ele não quis cair nas armadilhas que The Boys e Tropa de Elite caíram. O
diretor não usa os códigos e símbolos convencionais que indicam pra audiência para quem ela deve Torcer na história. E como resultado, o filme parece vazio, simplório, mesmo sendo exatamente o contrário disso. É esquisito assistir Tropas Estelares mesmo entendendo todo esse contexto. É um filme muito dissonante de tudo que a gente tá acostumado a assistir. Os protagonistas não são heróicos, mas sim apáticos. Os momentos que supostamente deveriam Que [ __ ] isso, né? os protagonistas serem apáticos, porque é bem isso mesmo. Eh, o Bolsonaro ele dá vazão a uma a uma condição de sentimentos que visa
criar nos sujeitos um lugar de sabe de falar: "Ó, agora vai". Tá ligado? Ser triunfantes ou algo do tipo parecem letárgicos. É tudo meio dormente, o que é ainda mais distuante num gênero narrativo e numa indústria tão dominados por narrativas triunfantes de militarismo e de individualismo. Existe um problema maior do que supostamente a burrice de alguns fãs. Os nossos Códigos, a nossa grama, ó, eh, porque o Homem- Aranha é o ideal do Incel, é o cara que é fraco, invisível, nerdola, que todo mundo ignora. Aí ele fica poderoso, conquista gostosa e novamente, né, é a
obra aí dos fãs não entenderam. Acho que o homem não foi criado com esse intuito, mas é isso, né? É muito interessante ver como esses elementos ideológicos são atravessados pelas condições materiais que a gente vive. Exatamente. Ele é o martírio dos Nerdolas. Gramática, a nossa forma de comunicar ideias já são naturalmente envieszadas. Existe história por trás dos códigos e símbolos que aparecem no nosso cinema. Existem valores, existem ideologias implícitas por trás de um ângulo de câmera, de um jogo de luz e de uma paleta de cores. Esses elementos contam histórias inteiras antes mesmo de qualquer
frase ser formulada. É por isso que é mais fácil para pessoas como Neil Gayman e o Eric Crepk simplesmente jogar a culpa num grupo de fãs alucinados. Dizer que um cara que foi numa manifestação antidemocrática fantasiada do personagem que você criou é simplesmente a arte da estupidez ignorante ou algo do tipo: "Ah, ele não entendeu a história". E como é uma desculpa pequeno burguesa também, né? Tipo, ah, você não entendeu, mas olha aqui com a minha genialidade, você que não entendeu. É mais fácil usar esse tipo de retórica do que tentar entender o que que
você, enquanto criador, fez de errado. O que é que tem na história que você escreveu que faz com que tanta gente interprete exatamente o contrário do que você quis dizer? É mais fácil embarcar nesse tipo de argumento do que tentar encontrar novas formas de se construir narrativas e escapar dessas armadilhas semióticas. E eu falo isso enquanto criador também, enquanto pessoa que faz vídeo na Internet, como uma pessoa que muitas vezes, por isso que inclusive eu parei de fazer react do Monark, é outro. É por isso, porque é uma armadilha semiótica. É uma armadilha semiótica você
ficar refutando, dando risada, não sei o quê, não sei o quê, pô. Pô, claro, né? Agora com ele falando isso, dá pra pensar que no cerne é essa a conclusão que se chega, mas ficar refutando, batendo, mostrando, mostrando, mostrando, Mostrando, pô, pra galera que é piroquinha da cabeça e não tá vinculada ali com a mensagem que a gente tá construindo, pô, vai exaltar o cara, vai exaltar o que ele fala. Exatamente. A divulgação, pô, é mal interpretada como uma pessoa que tem essa dificuldade também. Não é fácil, não é simples, não é uma chavinha, mas
a gente tem que continuar trabalhando, aprimorando essas coisas. E eu sei que é difícil, já que como a gente demonstrou aqui, isso não é Um problema que se resolve só com decisões individuais. Mas ainda assim, quando quando alguém como New Gam é questionado sobre os fãs racistas do quadrinho que ele criou, eu esperava uma resposta melhor do que simplesmente eles não entenderam. Porque sim, eles podem não ter entendido, mas por quê? E o que que você acha que precisa ser feito para que você seja melhor compreendido? Ou pelo menos para Proteger as pessoas que são
alvo do discurso de ódio promovido em partes pelo seu trabalho? Existe um nível de responsabilidade aí. Não é o autor sozinho que precisa carregar esse fardo, mas esse fardo existe. E do jeito que as coisas estão assim do lado de cá da história de quem assiste, de quem acompanha a cobertura na imprensa, longe de mim se não há nada, mas parece que o discurso de ódio acaba sendo meio lucrativo para vocês que estão aí do Lado de lá. Se você olha para Claro, é lucrativo, velho. É isso. Esse é o Sen central da questão. É
lucrativo. Cobertura de Sandman nas semanas antes do lançamento da série, é até difícil achar um artigo que não tivesse relacionado aos comentários racistas. Quando eu terminei de assistir a série, eu fiquei muito interessado em ler textos de pessoas negras falando sobre a troca de raça de alguns personagens. Eu queria muito saber se algum crítico Negro tinha tido algum olhar interessante sobre essa questão, sobre a morte e sobre as questões raciais como um todo. Na série, eu me interessei muito sobre esse assunto, mas foi muito difícil encontrar alguma coisa. Esses textos existem, mas para eu conseguir
chegar neles, eu precisei primeiro ser bombardeado com a extensa cobertura da imprensa sobre os discursos de ódio. É quase como se esse discurso de ódio tivesse sendo usado como marketing da Série. Claro, é marketing. Hum. E talvez você esteja pensando assim agora que ah, que se a gente parar para analisar no The Boys e isso aparece também, sei lá, em casamento a cegas, tá ligado? Isso aparece também, é marketing, vira propaganda, vira um elemento para poder construir um público consumidor diferente. É isso. A culpa é da imprensa e não da Netflix ou dos autores. Mas
eu queria lembrar a Você que assessoria de imprensa existe. A cobertura da imprensa sobre um determinado produto cultural, ela não é tão orgânica assim quanto ela parece. Ela é parcialmente impulsionada pelas empresas que produzem esses conteúdos. Claro. Tá. Você cria uma polêmica, mano. Polêmica vende, velho. É isso. É isso, mano. Parcilmente longe de mim ensinar alguma coisa. Mas assim, longe de mim, muito Longe de mim, assim, longe, longe pr [ __ ] Longe de Osasco. Longe, longe de Osasco. Longe de mim. Eu só queria relembrar um negócio aqui agora, antes de terminar. Lembra que eu
falei que os fãs de boy estavam derretendo no Reddit depois que a série referenciou o movimento Black Lives Matter? Pois é, vários desses comentários racistas viraram notícia porque eles apareceram primeiro no Twitter oficial da série para promover a Temporada. [ __ ] velho. É, no final das contas é isso. A galera tá cagando o que que isso pode produzir, desde que isso produza propaganda e marketing. Por mim, beleza. Entenda, eu não tô dizendo que a culpa é do New Gam ou da pessoa que administra o perfil de The Boys no Twitter. O que eu tô
dizendo é que existe um problema maior do que todas essas pessoas. Um problema que abrange a cultura pop e a crítica Especializada e o modelo de negócio que mantém essas duas coisas funcionando e a forma como essa crítica é distribuída na internet, que faz com que polêmicas sejam fabricadas para que o conteúdo chegue mais longe, para que meia dúzia de bilionários lucre muito às custas de disseminação indiscriminada de ideias fascistas. A culpa do capitalismo, basicamente. Obrigado pela atenção. Incrível, incrível, incrível. Ora, Thago. Simplesmente incrível. 10 de 10. Incrível, incrível, incrível, incrível. Melhor do que o
quadrinho na sarjeta, inclusive. Achei bem melhor do do da crítica, da da abordagem, da análise. Muito bom. Muito, muito, muito, muito bom. Dê a ordem, camarada. Thaago, que edição boa, que roteiro bom, bom pra [ __ ] velho. Bom pra [ __ ] Assistam esse vídeo. Vamos, a gente vai ver os créditos para apoiar todo mundo, mostrar o nome de todo mundo que apoiou. Trabalheira danada esse vídeo, viu? Muito bom, hein?