Um repórter da Rede Brasileira de Televisão é demitido ao vivo durante o Jornal Nacional, em horário nobre, ao descobrir o motivo. Ele ficou perplexo e decidiu tomar uma atitude que chocou a todos. Roberto é um jornalista de 27 anos que se esforçou muito para se tornar repórter do Jornal da Noite do canal Rede Brasileira de Televisão.
Após anos fazendo matérias de relevância, ele finalmente conseguiu se firmar como o repórter dos links ao vivo do noticiário do horário nobre, antes da novela das nove. A sua função é entrar ao vivo durante o jornal para falar sobre os principais acontecimentos do momento; ele vai onde a matéria está, que pode ser em shows, em feiras, em manifestações, em qualquer lugar que tenha uma notícia importante. Ao longo do ano, ele se consolidou nessa função, e seu rosto passou a ser mais conhecido do grande público.
Para Roberto, é divertido ser reconhecido no supermercado ou em um restaurante. Porém, o que ele nunca imaginou era que ter seu rosto divulgado na televisão traria tanta confusão para a sua vida e levaria a uma demissão ao vivo. Além de problemas com a polícia, Roberto cresceu num lar amoroso.
Seus pais nunca esconderam que ele foi adotado, e isso nunca foi uma questão problemática. Os pais adotivos, Ângela e Cláudio, imaginavam que em algum momento da vida Roberto pensaria em procurar por sua família biológica e nunca se opuseram a isso. Porém, a vida como filho único daquele casal era tão boa que o jovem nunca teve esse desejo.
Roberto sempre teve muita afinidade com os pais que o acolheram e, por isso, nunca sentiu a necessidade de buscar pela família que o abandonou. Como foi adotado ainda bebê, não tem lembranças de familiares de sangue e nem mesmo do orfanato. Ao longo de sua carreira de jornalista, Roberto conheceu a história de muitos órfãos e sabe que teve muita sorte em ser adotado por uma família tão estável emocional e financeiramente.
Os pais adotivos de Roberto tinham boas condições financeiras e assim sempre proporcionaram a ele a possibilidade de estudar e aproveitar o melhor da vida. Quando criança, Roberto estudou idiomas, fez aulas de natação, viajou para vários destinos, teve muitos amigos e foi matriculado nas melhores escolas particulares. Sua infância foi repleta de amor e cuidado.
O casal que o adotou sempre quis ter um filho, mas descobriu muito cedo que não poderiam. Ângela tinha um sério problema em seu útero e Cláudio era estéril. O fato de os dois não poderem ter um filho fez com que essa nunca fosse uma questão problemática para o casal.
Porém, tanto Ângela quanto Cláudio queriam muito ser pais; eles sentiam que havia espaço a ser preenchido. A adoção foi uma forma de preencher esse espaço em seu coração e também dar uma oportunidade para uma criança que talvez não tivesse um bom futuro. Para Ângela e Cláudio, Roberto sempre foi o filho deles.
O destino colocou aquele garotinho na vida dos dois e eles construíram uma relação de muito amor. Quando se tornou adolescente, Roberto descobriu que gostava de escrever e de se comunicar. Não demorou para que ele decidisse que gostaria de ser um repórter e, quem sabe, até mesmo um âncora de telejornal.
Os pais ficaram muito felizes com essa decisão e deram todo o apoio para o filho. Roberto passou no vestibular de jornalismo da USP, um dos mais disputados do país. Ao longo do curso, Roberto desenvolveu ainda mais suas habilidades comunicativas e de escrita.
Ele participou de inúmeros projetos de extensão que deram destaque ao seu trabalho e se formou com honras. Desde que se formou, Roberto trabalhou em diferentes jornais. Primeiro, ele escreveu para um jornal impresso; depois, migrou para o jornalismo eletrônico e, por fim, realizou o seu sonho de se tornar um repórter do canal brasileiro.
Inicialmente, Roberto fazia as reportagens menores que passavam nos noticiários locais de menos destaque do canal. Porém, seu carisma e sua dedicação de sempre trazer para o público o mais interessante de cada história o ajudaram a conquistar o lugar de repórter dos links ao vivo do principal jornal do canal. As primeiras matérias foram um pouco difíceis e deixaram Roberto nervoso, mas logo ele passou a se sentir à vontade, especialmente porque sabe que os telespectadores gostam do seu trabalho.
Inclusive, ele passou a ter fãs, pessoas que gostam do trabalho dele e o procuram nas redes sociais para parabenizá-lo pelo excelente desempenho. O seu número de seguidores aumentou muito desde que se tornou o repórter oficial dos links ao vivo. Roberto é quase uma celebridade.
Após as primeiras semanas entrando nos links ao vivo, Roberto passou a ser reconhecido nas ruas e a receber muitos elogios pela sua performance. Certa dia, após ser abordado por uma senhora na fila do caixa no supermercado, Roberto percebeu que sua vida estava realmente muito boa. Sua carreira profissional caminhava muito bem e ele está feliz com a namorada, Gisele, que também é jornalista do canal brasileiro.
Ao voltar para a redação do jornal para se inteirar das últimas notícias, Roberto ficou surpreso ao saber que há um novo ladrão causando muito medo na cidade. Diversas mulheres relataram terem sido abordadas por um indivíduo mascarado que leva as suas joias e todo o conteúdo das suas bolsas. Ao que tudo indica, esse ladrão visa apenas mulheres como vítimas.
As mulheres que foram assaltadas relataram que, embora não tenham sido fisicamente agredidas, sentiram muito medo e parecia que o ladrão realmente estava gostando de vê-las tão assustadas. O bandido aproveita o momento dos assaltos para gritar e ofender essas senhoras. Curiosamente, todas elas têm características físicas em comum e uma média de idade entre 50 e 60 anos.
Esse modo de operação fez com que especialistas em perfis definissem que se trata de um homem que sente muita raiva das mulheres e que provavelmente tem alguma questão mal resolvida com a mãe. Roberto não sabe se acredita. "Muito nesses perfis traçados a partir de algumas informações vagas, mas, condena, terrível: mete as ações desse ladrão.
Os colegas de Roberto, que são responsáveis pelas matérias do jornal, estão bastante focados em conseguir alguma informação sobre o ladrão. Até então, o bandido foi cuidadoso e não deixou seu rosto visível. No entanto, os jornalistas com mais tempo de carreira dizem que se trata apenas de uma questão de tempo; o ladrão cometerá um erro e será pego.
Após algum tempo na expectativa de ter algo palpável para noticiar, finalmente os colegas de Roberto conseguiram algo. Eles comentaram que há uma notícia extraoficial de que uma das últimas vítimas travou uma briga corporal com o ladrão e conseguiu remover a sua máscara. O homem fugiu, mas seu rosto foi visto.
Então, isso significa que em muito breve haverá um retrato falado do bandido para divulgar na televisão. Assim, se alguém conhecer esse homem, poderá denunciá-lo e dar fim a essa sequência de roubos violentos. Roberto fica feliz com a possibilidade de esses assaltos terem fim, pois teme até mesmo por sua mãe.
Embora Ângela não corresponda ao físico procurado pelo bandido, está na faixa etária que tem sido o alvo do criminoso. Roberto estremece só de imaginar que sua mãe pode passar por uma situação assim. Esse ladrão precisa ser preso o mais breve possível.
Um dos jornalistas da redação confirma que o retrato falado será enviado pela polícia para o jornal a tempo da edição daquela noite. Isso significa que em poucas horas o rosto do ladrão finalmente será conhecido. Roberto sabe que essa é uma ótima notícia, mas teme que sua reportagem ao vivo daquela noite seja ofuscada.
Porém, se isso acontecer, será por um bom motivo: pegar um bandido que não pode continuar solto, aterrorizando mulheres. Antes de pegar o carro da produção para o local da sua reportagem ao vivo do dia, Roberto aproveita para tomar um café com Gisele, sua namorada. A jovem de 25 anos trabalha como jornalista do tempo.
Além de fazer as indicações no mapa, ela também entrevista meteorologistas para saber sobre as possíveis mudanças do clima para aquele dia em especial. A previsão é de tempo estável e temperaturas amenas. Ouvir isso é reconfortante, pois Roberto irá fazer a cobertura da entrada de um estádio da cidade que receberá o show de um grande astro internacional.
Isso significa que haverá muita gente e confusão. Com chuva ou temperaturas muito altas, a matéria poderia ser mais difícil. Roberto está pronto para sair para o trabalho e se despede de Gisele sem nem imaginar como a sua vida vai virar de cabeça para baixo a partir daquele instante.
Roberto já está posicionado diante do estádio, com a fila de fãs atrás dele. Na imagem, ele já selecionou dois fãs que estão acampados em frente ao estádio para entrevistar durante o link ao vivo. Agora, Roberto só precisa esperar ser chamado pelo âncora do estúdio para iniciar a sua participação.
Roberto foi informado que o retrato falado do ladrão será divulgado um pouco antes da sua entrada. Isso o animou, pois a audiência estará bem alta ao longo da programação do canal. Foi anunciado que o retrato seria divulgado no telejornal.
Essa pode ser a participação de maior audiência da carreira de Roberto. Pela primeira vez em muito tempo, ele sente um frio na barriga antes de fazer a sua entrada. Nesses momentos, Roberto percebe o quanto teve sorte na vida; ele poderia não ter tido nada e teve tudo.
Como poderia querer conhecer a sua família biológica? Realmente, esse era um plano que não fazia parte do seu planejamento. Roberto não vê as imagens do que está acontecendo no estúdio, apenas ouve o áudio pelo ponto eletrônico.
É quase sempre assim, pois para Roberto o que importa é receber a deixa falada do repórter; ver as imagens das matérias é indiferente. Contudo, dessa vez teria sido de grande ajuda estar a par das imagens que passarão na TV. Roberto ouve o âncora do jornal anunciar que o retrato falado do temido ladrão entrará na tela do jornal e que quem souber onde localizar esse homem deve ligar para o telefone que está aparecendo embaixo na tela.
Ele torce internamente para que alguém reconheça o homem e ajude a polícia. Sem acompanhar as imagens, apenas ouvindo o som, Roberto imagina que o retrato falado feito com as informações da vítima que viu o rosto do bandido está na tela. Há um minuto de silêncio.
Roberto imagina que é para que a audiência possa se concentrar em observar o rosto. Talvez seja difícil identificar alguém apenas através de um desenho. Uma vez, Roberto fez uma matéria com um retratista da polícia e soube como o trabalho era feito.
Nem sempre as vítimas têm uma boa lembrança dos bandidos, mas ainda assim, um traço marcante ou um formato de rosto característico é o que basta para que a polícia tenha sucesso. O produtor que acompanha Roberto nas reportagens ao vivo assiste às imagens do telejornal por um pequeno monitor, para que possa dirigir a matéria. O homem olha para Roberto com uma expressão bastante confusa.
O repórter fica imaginando que o rosto do bandido deve ser muito estranho, pois a expressão do colega é bem curiosa. O combinado com o pessoal da edição do jornal era que assim que o retrato falado fosse exibido, cortassem para a reportagem ao vivo de Roberto. Isso porque a ideia era dar um pouco de leveza após uma notícia tão séria.
Contudo, essa transição tem um efeito inesperado: quando a imagem muda do desenho do retrato falado para o rosto de Roberto em frente ao estádio, é impossível não perceber que o rosto do desenho é o rosto de Roberto. Foi ele que a vítima que fez o retrato falado descreveu. O âncora do jornal, sem perceber que seu áudio ainda estava ligado, não se contém e diz: 'Meu Deus!
É ele! Roberto é o ladrão misterioso! '" Apenas ouvindo o áudio do estúdio e com seu rosto na tela, Roberto parece confuso e olha para o produtor, que ainda está em choque.
O âncora recebe um aviso do diretor do telejornal em seu ponto e interrompe a entrada de Roberto. O jornalista que está no estúdio comunica aos telespectadores que Roberto não trabalha mais na Brasileiro. Desde aquele momento, ele prossegue dizendo que é impossível negar a semelhança extrema entre o retrato e o repórter; também afirma que a empresa atua com as atitudes de Roberto.
Sem entender nada, Roberto observa dois policiais se aproximando dele. Nesse momento, a imagem do repórter volta a ser transmitida. A polícia, que estava no local para garantir a segurança dos fãs acampados em frente ao estádio, logo foi informada sobre o retrato falado e a identificação ao vivo de Roberto como o principal suspeito.
A abordagem policial foi de certa forma providencial, pois os fãs que estavam acampados no local e assistiram ao jornal no momento da divulgação do retrato falado estavam prontos para avançar no repórter. Ao ser conduzido para dentro do carro da polícia, Roberto ficou em segurança. Quando chegou à delegacia, o repórter ainda não conseguia entender o que estava acontecendo e foi então que o delegado mostrou a ele o retrato falado.
O repórter quase caiu da cadeira ao ver o seu rosto naquele desenho. Era impressionante; é inegável que era ele ali representado. Roberto não podia acreditar em como a vítima realmente descreveu seu rosto nos mínimos detalhes: não só o formato, mas a distância entre os olhos, as sobrancelhas, as maçãs do rosto proeminentes.
Tudo naquele retrato representava Roberto. Mas como era possível que aquela mulher tenha se lembrado dele, se ele nunca a viu na vida e, obviamente, nunca tentou assaltá-la? Algo estava escapando da percepção de Roberto e ele não conseguia nem imaginar o que era.
O delegado perguntou a Roberto se ele reconhecia o próprio rosto naquele desenho e, sem perceber a armadilha, ele disse que sim. Então, o delegado lhe perguntou se aquilo era uma confissão e o repórter, mais do que depressa, negou ao ser questionado se era ele quem vinha assaltando aquelas mulheres. O repórter continuou negando; contudo, aquele era o seu rosto.
O delegado então conduziu Roberto para uma sala com outros homens parecidos com ele; era uma sala de identificação de suspeitos. O repórter entendeu isso ao observar o vidro que impedia que quem estava dentro da sala enxergasse do outro lado. A vítima, que havia visto o rosto do ladrão, deveria estar do outro lado do vidro.
Ao mesmo tempo em que estava nervoso, Roberto tinha a esperança de que aquela mulher dissesse ao delegado que não era ele o ladrão. Afinal, ele sabia que nunca tinha assaltado ninguém. Apesar de não reconhecer a atitude e a postura do ladrão, a vítima reconheceu o rosto; aquelas feições ficaram gravadas na memória dela.
O terror que ela sentiu enquanto era abordada tornava impossível esquecer aquele homem. A mulher confirmou para o delegado que Roberto era, sim, o homem que a assaltou, e o repórter teve a sua prisão decretada. Com direito a fazer uma ligação, ele ligou para os seus pais para pedir ajuda.
A essa altura, Ângela e Cláudio já estavam sabendo da prisão do filho; tudo aconteceu em rede nacional. Os dois haviam procurado o advogado da família, que já estava indo conversar com Roberto na delegacia. O advogado chegou rapidamente à delegacia e perguntou para Roberto se ele havia cometido aqueles crimes.
Muito ofendido, o repórter respondeu que, óbvio, que não. Então, o advogado lhe disse que eles precisavam provar que o repórter estava em outro lugar em pelo menos um dos crimes. Se pudessem provar isso em todas as situações, seria melhor; mas se não fosse possível, em pelo menos uma ocasião, seria importante, especialmente no assalto da mulher que o reconheceu, pois era esse o episódio que gerou sua prisão.
Era o que eles deviam lutar para esclarecer. Roberto estava começando a ficar realmente preocupado. Nas últimas horas, perdeu seu emprego dos sonhos ao vivo, quase foi agredido por uma multidão e agora estava sendo acusado de ser um criminoso.
Ao olhar a lista de dias e horários das ocorrências dos assaltos que o advogado lhe mostrou, Roberto percebeu que em pelo menos duas das ocasiões estava em um link ao vivo no jornal, inclusive na data do assalto da mulher que o reconheceu. Não podia existir um álibi mais perfeito do que esse. Em menos de uma hora, os pais adotivos de Roberto estavam na delegacia e pediram para conversar com o delegado.
Mesmo contrariado, o delegado decidiu receber o casal e ouvir o que eles tinham a dizer. Foi a mãe quem começou dizendo que Roberto era adotado. O delegado ficou se perguntando internamente se os dois estavam tentando tirar de si qualquer tipo de responsabilidade.
Sem entender por que essa informação seria relevante, o delegado deixou a mulher prosseguir. Ela então lhe contou que no orfanato, quando decidiram levar Roberto para casa, foram informados de que ele tinha um irmão gêmeo. O delegado começou a entender para onde aquela conversa estava sendo conduzida, mas tinha dúvidas a respeito de quanto aquilo não era apenas uma forma da família tentar inocentar seu filho.
Aquela mulher parecia querer contar uma história digna de novelas da Brasileiro, onde Roberto trabalhava. Ângela disse que, inicialmente, ela e o marido pensaram em adotar os dois meninos, que eram gêmeos idênticos. No entanto, a assistente social explicou que a mãe das crianças havia se esforçado para conseguir um emprego e desejava retomar a guarda de um dos meninos.
Dessa forma, apenas um dos irmãos estava disponível para a adoção. Foi assim que Roberto foi levado para o lar daquela família amorosa e Augusto, o irmão gêmeo, voltou para os braços da mãe biológica. Ângela e Cláudio se sentiam culpados ao pensarem que estavam dando uma vida de príncipe para Roberto enquanto Augusto sofria com uma vida.
Difícil ao lado da mãe biológica, teria aquela mulher conseguido sustentar aquele filho? No decorrer dos anos, o casal nunca escondeu de Roberto que ele era adotado e perguntou muitas vezes se ele desejava conhecer a sua família biológica. Ele sempre respondeu que estava feliz e satisfeito com a família que já tinha.
Como o filho nunca demonstrou interesse em conhecer seus familiares consanguíneos, o casal nunca contou sobre o irmão gêmeo. Porém, agora isso se fazia necessário, pois Roberto não havia assaltado ninguém, eles tinham certeza. O delegado ouviu a história, mas não estava muito inclinado a acreditar que o irmão gêmeo daquele repórter era o bandido.
No entanto, ele precisou reconsiderar essa posição quando foi informado pelo advogado que Roberto estava em links ao vivo na TV no mesmo momento de dois assaltos realizados pelo bandido, inclusive daquele que a mulher o acusava. Não querendo liberar o único suspeito conhecido pela grande mídia até aquele momento, o delegado decidiu que investigaria o irmão gêmeo, mas não soltaria Roberto. Afinal, os assaltos poderiam ter sido cometidos por mais de uma pessoa, e ele poderia ter criado esse álibi justamente para fugir da prisão.
Essa ideia não fazia sentido, mas era a forma que o delegado encontrou de acalmar os ânimos. Os dias seguintes foram muito difíceis para Roberto. Ele ficou sabendo que alguns colegas de emissora deram vistas falando sobre ele; seu nome estava na grande mídia.
Gisele, sua namorada, ainda não tinha vindo visitá-lo. A jornalista ficou com medo de ser associada a ele e acabar sendo demitida também. De certa forma, ele entendia, mas ficou um pouco decepcionado.
Roberto vinha pensando em pedir Gisele em casamento, mas essa situação o deixava com muitas dúvidas. Como poderia se casar com uma mulher que não confiava nele? Após cinco dias preso, Roberto foi avisado que seria libertado e que sua inocência estava provada.
Muito surpreso, ele quis saber o que tinha acontecido, mas essa parte não lhe foi informada. Quando saiu da delegacia, Roberto se deparou com muitos repórteres, câmeras e microfones; todos queriam que ele dissesse algo sobre o que havia passado. Uma das perguntas que ele ouviu foi: "Como foi descobrir que tem um irmão gêmeo e que ele é um criminoso?
" Como assim? Ele tinha um irmão gêmeo e esse irmão era um criminoso? Como uma pessoa que aparentemente tinha o mesmo rosto poderia ser alguém tão ruim?
Como ele poderia descobrir isso na TV? Roberto, mais uma vez, se via diante de uma câmera, sem reação, descobrindo algo revelador sobre si mesmo, sem nenhum tipo de preparação. Os pais adotivos de Roberto conseguiram se aproximar e o levaram para casa.
No trajeto, eles contaram a história toda para o filho. Ele descobriu que tinha um irmão gêmeo chamado Augusto e que ele era o assaltante. Contudo, o que realmente o impressionou foi descobrir que sua liberdade foi conquistada graças à ajuda de sua mãe biológica, Susana.
A mulher se apresentou voluntariamente na delegacia e denunciou Augusto como o ladrão que vinha aterrorizando as mulheres da cidade. Além de parar aqueles assaltos, a mulher desejava dar uma lição no filho; inclusive, ela já imaginava que era o filho do assaltante antes do retrato falado ser divulgado. Quando Roberto se tornou repórter do telejornal, Augusto descobriu que tinha um irmão gêmeo que foi adotado por uma família com boas condições financeiras.
Enquanto isso, ele e a mãe sempre viveram com dificuldades e passando necessidades. Augusto se revoltou ao perceber que poderia ter sido ele o escolhido para ter uma vida de luxo. Todos os dias, ele assistia ao irmão na TV e sentia mais raiva por ter tido uma vida tão difícil e nunca ter tido a oportunidade de sequer estudar.
Algumas vezes, Augusto perguntou por que a mãe não o deixou ser adotado também; e a mulher não tinha uma resposta para isso. Porém, ela sempre se lembrava da dor que sentiu ao abrir mão de Roberto. No fundo, ela alimentava a esperança de que o filho que foi adotado a procuraria depois de adulto e os dois iniciariam uma relação.
Porém, na prática, Roberto nunca procurou e ela compreendeu que, provavelmente, os pais adotivos preencheram esse espaço. Susana era muito jovem quando se envolveu com o mais velho que a iludiu. De repente, a moça, que tinha apenas 18 anos na época, se viu sozinha e sem perspectiva de ajuda.
O pai de Susana a expulsou de casa e ela ficou sem esperanças de poder sustentar os filhos. Foram tempos muito difíceis para ela, embora amasse os filhos mesmo antes de eles nascerem. Quando os gêmeos nasceram, ela entendeu que não tinha condições de cuidar deles e os entregou para a assistência social, com muita dor no coração.
Ela, então, se dedicou a conseguir um trabalho para que pudesse levar as crianças para casa. Infelizmente, com o dinheiro que ela ganhava, era possível cuidar de apenas um dos meninos. Ela decidiu na sorte que o escolhido seria Augusto.
Para Susana, foi um momento muito difícil esse de decidir que um dos seus filhos seria criado por outras pessoas, mas foi essencial para que pudesse saber que as crianças estariam bem: uma com ela e outra com os pais adotivos. Quando soube que Roberto seria adotado por um casal com boas condições financeiras, Susana ficou muito feliz e chegou a cogitar deixar Augusto ser adotado também. Porém, ela sentia que queria muito ser a mãe de pelo menos um dos meninos.
Quando descobriu que Augusto era o bandido de que falaram na TV, Susana ficou muito triste e se culpou. Ela pensou que se o menino tivesse sido adotado também, isso não teria acontecido. Susana percebeu que Augusto era o ladrão quando observou que o filho estava com bastante dinheiro, mesmo estando desempregado.
Aquilo era suspeito. Ela questionou o filho algumas vezes, que foi evasivo e sempre disse que certamente não estava ganhando dinheiro na TV como o irmão sortudo. Então, numa noite.
. . Ele voltou para casa muito assustado e, ao se deparar com a mãe assistindo ao seu irmão na TV, disse que talvez tivesse acabado com a vida de Roberto quando o retrato falado foi divulgado e Roberto foi preso injustamente.
A mãe entendeu o que havia acontecido. Susana não podia deixar que Roberto pagasse por um crime cometido pelo seu irmão. Além disso, ela precisava ajudar Augusto a perceber que estava agindo mal.
Susana entrou em contato com a polícia, que encontrou parte dos objetos roubados entre as coisas de Augusto. E, além disso, a mulher percebeu que o perfil das mulheres que o assaltante escolhia era muito parecido com o seu em termos de aparência. Ao assistir os especialistas falando sobre o assaltante estar descontando a sua raiva, ela entendeu que Augusto fazia aquilo como uma forma de puni-la.
Muito revoltado, ele sempre trazia problemas para Susana na escola, tirava notas baixas e era constantemente suspenso. Quando soube do irmão adotado por uma família de boas condições, Augusto ficou ainda mais amargurado e revoltado com a mãe. Susana acreditava que, se Augusto não tivesse sido o escolhido para ser criado por ela, talvez fosse uma pessoa diferente.
Menos amargo, seria tudo isso culpa dela por ter escolhido dar uma chance para amar um dos filhos. Após tudo ter sido esclarecido e Augusto preso, a Rede Brasileira de Televisão convidou Roberto para dar uma entrevista ao vivo no principal jornal da emissora. A ideia era usar esse período no ar para esclarecer que Roberto nunca foi o bandido.
Ele estava feliz, mesmo pensando que seu emprego estava perdido para sempre. Durante a entrevista feita no estúdio do jornal, o âncora perguntou para Roberto quais eram seus planos profissionais dali em diante. O repórter foi muito sincero ao dizer que não fazia ideia.
O âncora então perguntou se ele aceitava voltar para o seu trabalho nos links ao vivo. Roberto mal podia acreditar que as coisas finalmente pareciam voltar para o lugar; ele teria seu espaço na TV restabelecido e sua carreira seria retomada de onde havia parado. Roberto recuperou o seu emprego ao vivo e teve uma matéria inteira dedicada à sua extraordinária história.
Gisele se desculpou por não ter oferecido apoio ao namorado quando ele mais precisou; mesmo magoado, Roberto aceitou o pedido de desculpas. Diante do olhar magoado do namorado, Gisele decidiu pedi-lo em casamento. O repórter não pôde acreditar quando viu a namorada se ajoelhar diante dele com uma caixinha de alianças.
A redação do jornal parou para assistir à cena. A moça do tempo lhe disse que sempre teve muita ambição no trabalho e que isso a impediu de ficar ao lado dele naquele momento tão difícil, mas que isso nunca mais o separaria novamente. Reconhecendo que também priorizava o trabalho, Roberto aceitou o pedido de casamento e as desculpas de Gisele.
Antes do casamento, Roberto achou importante conhecer sua mãe biológica, pois considerava convidá-la. Ela não o havia criado, mas ele entendia que ela não poderia por falta de condições financeiras. Depois de fazer matérias contando a história de pessoas que precisaram deixar seus filhos para adoção, Roberto soube que não teria raiva de sua mãe biológica se a conhecesse.
Ele só não imaginava que a oportunidade de conhecer sua origem viria de uma situação tão caótica quanto essa. Ao mesmo tempo em que aquela mulher teria a oportunidade de conhecer o filho que foi destinado à adoção, também estava perdendo o seu outro filho, que estava preso e seria julgado em breve. Roberto conheceu sua mãe biológica e os dois deram início a uma relação amigável.
Aos poucos, Roberto e Susana foram se conectando e construindo uma relação forte e mais próxima. Eles descobriram que tinham muita coisa em comum e Roberto se deu conta de que teria agregado consideravelmente à sua vida ter convivido com a sua mãe biológica. Nesse meio tempo, Roberto se solidarizou com o sofrimento da mãe pela prisão de Augusto.
Roberto se ofereceu, inclusive, para ajudá-la com a contratação de um advogado. No começo, Susana não quis aceitar, por entender que Augusto prejudicou seu irmão, mas Roberto fez questão de deixar claro que fazia isso por Susana. Susana resolveu aceitar, mas pediu que Roberto considerasse a possibilidade de visitar Augusto na prisão.
Os dois eram irmãos gêmeos e, certamente, tinham muito para conversar. Roberto ficou relutante, mas depois de uma longa conversa com Ângela, sua mãe adotiva, ele optou por visitar Augusto na prisão. No dia da visita, Roberto estava nervoso.
Susana o acompanhou até o presídio, mas deixou que Roberto entrasse sozinho para falar com Augusto. Foi inevitável o choque para ambos: os dois eram realmente iguais, não havia a menor diferença em relação à aparência física; porém, os jeitos e até a postura eram bem diferentes. Os dois ficaram se olhando em silêncio por alguns minutos.
Foi Augusto quem falou primeiro. Para descontrair, ele disse: "Você é idêntico a mim. Os carcereiros nem perceberiam se a gente trocasse de lugar.
" Roberto então respondeu: "Acho que eu já tive uma experiência o suficiente um crime no seu lugar. " Augusto esboçou um sorriso e disse para Roberto que, durante algum tempo, sentiu inveja das oportunidades que ele teve na vida, mas ficar preso lhe deu outra perspectiva. Augusto pode refletir sobre o que levou Susana a dar um filho para adoção e criar outro para ela.
A dificuldade foi em dobro; teve que abrir mão de um filho e lutar para sustentar o outro. Augusto entendeu o quanto foi ingrato com a sua mãe e se arrependeu. Ele estava esperando a próxima visita de Susana para lhe dizer isso.
Os irmãos conversaram por algum tempo até que Roberto precisou ir embora. Ficou acertado que ele voltaria para conhecer mais sobre o seu irmão. Augusto lamentou não poder comparecer ao casamento de Roberto.
Alguns meses depois, aconteceu a cerimônia de casamento de Roberto, e dentre os convidados estava Susana, que se emocionou ao ver um dos seus. . .
Filhos se casando, ela tirou muitas fotos para poder mostrar para Augusto quando ele saísse da prisão. A lua de mel de Roberto e Gisele foi breve, pois ambos tinham que voltar para suas funções no jornal. A carreira de Roberto teve um bom crescimento.
Após todo o ocorrido, Gisele também viu seu tempo de tela crescer e, inclusive, ouviu de uma fonte segura que poderia ser remanejada para o papel de âncora de outro jornal da Rede Brasileira de Televisão. No fim das contas, Roberto colheu bons frutos de toda a situação que enfrentou. Ele estava, aos poucos, conhecendo melhor a sua mãe e o seu irmão.
Era interessante e diferente ter uma relação próxima com pessoas de sua família biológica. Roberto percebeu que manter essa relação com esses familiares não reduzia o seu vínculo com a família adotiva; ocorreu exatamente o oposto, ou seja, o vínculo com Ângela e Cláudio se tornou ainda mais profundo e todos saíram ganhando. A família cresceria ainda mais, pois Gisele engravidou de gêmeos.
Roberto achou curioso que ele seria pai de dois meninos gêmeos idênticos. Felizmente, os garotos seriam criados juntos e poderiam construir uma relação de amor e respeito. Espero que você tenha gostado desta história cheia de reviravoltas e emoções.
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