Olá, tudo bem com vocês? Sejam muito bem-vindos à plataforma de estudos UNIEPR. Hoje abordaremos temas relacionados à saúde.
O núcleo saúde UNIEPRE tem dois pilares principais: prevenção de ocorrências e prevenção de doenças. Estes temas são extremamente importantes para o currículo e a formação do educador. Completa o seu conteúdo de conhecimentos da importância de trabalhar com a educação infantil.
Espero que vocês aproveitem, tirem suas dúvidas, entrem em contato conosco para que vocês tenham o melhor aproveitamento. Então, vamos seguir. Hoje o tema da do nosso encontro é prevenção de acidentes.
E eu gostaria de te convidar a uma interação. É bem possível que hoje ou ontem você, ao abrir suas redes sociais ou ao ouvir algum telejornal, você tenha alguma notícia sobre acidentes, acidentes no trânsito, acidentes eh domésticos, acidentes na aviação ou coisas do gênero. A palavra acidentes, ela é muito comum no nosso meio, no senso comum da sociedade.
Mas será que essa palavra ela é aplicada corretamente? Será que nós temos conceito real do que significa acidente? Vamos seguir com a nossa explicação.
A palavra e o conceito prevenção de acidentes, ele é um conceito equivocado. Como eu posso dizer isso? É só nós olharmos a conjunção das palavras.
A palavra prevenção, ela é composta pelo menos de outras três palavras. o pré, que é o prefixo de antecedência, o ver, que é olhar com atenção, ser minucioso naquilo que olha e a ação. Ou seja, o conceito prevenção já nos convoca a agir com visão antecipada, a termos um olhar detalhado para fatos que podem acontecer.
Este é o conceito original da prevenção. E o conceito do acidente? Ah, o acidente já não é previnível.
O acidente é um fato casual, inusitado, imprevisível. Então, se o acidente é um termo incorreto quando associado à prevenção, o que seria realmente um acidente? Então vou contar para vocês de forma lúdica uma cena que se encaixa no conceito de acidentes.
Você vai viajar, você pretende viajar de carro e você organiza a tua viagem com antecedência. Calibra pneus, troca óleo, verifica freios, faz toda a revisão do carro. Escolhe viajar de dia para ter melhor visibilidade.
Escolhe uma estrada melhor, apesar de ser pedageada. não vai na velocidade máxima ou opta por ir eh 20, 30 km menos e faz a sua viagem de forma tranquila, todos com cintos de seguranças afivelados e do nada, no meio da tua viagem cai um fragmento de meteorito sobre o teu carro. Este é um evento que se nomeia acidente.
É um fato casual, inusitado, nunca ocorrido ou muito pouco ocorrido. Então, o verdadeiro acidente, ele é algo que foge a toda a prevenção humana ou pelo menos a maior parte da prevenção humana. Então, o acidente é aquilo que ultrapassa todas as ações que nós, como pessoas, indivíduos, profissionais temos total condição de evitar.
Aí sim nós podemos dizer: "Foi uma fatalidade, tinha que acontecer, porque é muito incomum estar viajando numa estrada e cair um fragmento de meteorito, por exemplo. É uma coisa completamente inusitada. Agora dizer que acidentes de moto que o motociclista corre na chuva é acidente, não é?
Que a criança que cai do terceiro andar porque não tinha na tela na janela é um acidente, não é? Que pessoas que mexem com eh álcool, produtos inflamáveis em em fogo, churrasqueiras, desatentamente é um acidente, não é? Porque todos nós sabemos que estas situações têm alto potencial de acontecer riscos e danos à integridade física de adultos e crianças.
Então, é muito importante nós não eh normalizarmos o conceito de acidentes dizendo que isso acontece, isso é coisa de criança, criança cai e quebra o braço mesmo, criança o eh acontece isso mesmo, isso é acidente. Não é isso é uma forma muito errada de nós lidarmos com algo muito sério. Então, hoje nesse encontro nós queremos te chamar a atenção para o olhar do que são as ocorrências.
Por exemplo, no ambiente de trabalho, somente 2% de todas as ocorrências eh que se chamam acidentes de trabalho, deveriam ou poderiam acontecer de fato. 98% são causas, ocorrências de causas evitáveis. E o como chamam essas 98 ocorrências?
Como se chama 98% daquilo que não deveria acontecer? Se chama negligência, imperícia ou imprudência. Então nós vamos entender um pouco como como relacionar uma ocorrência por negligência, uma ocorrência por imperícia, uma ocorrência por imprudência.
A negligência, ela é aquela ação que, por algum motivo nós deixamos de cuidar, descuidamos ou desleixamos. Sabe aquela situação? Ah, amanhã eu faço.
Eu sei, eu tenho acesso ao protocolo, eu tenho acesso ao procedimento, eu sei quais são as consequências, mas por algum motivo eu decido postergar, eu decido deixar para amanhã, eu decido fazer a ação corretiva mais tarde. E aí vem a situação que é considerada um acidente por negligência. Então, todo ato negligente é aquele fruto do desleixo, do descuido, da inobservância do procedimento.
E o que seria uma imprudência? Também é uma palavra que merece ser olhada. é o não.
Prudência é a virtude de evitar o que é fonte de dano ou perigo. Logo, ser prudente é evitar situações que eu já avalio com antecedência que pode me trazer fonte de dano ou perigo. A prudência, ela é uma virtude, ou seja, pode ser aprendida e desenvolvida.
Em geral, nem todos os seres humanos têm a virtude da prudência de forma natural. Olha, não vamos por ali, olha, isso pode nos trazer dano. Não.
Existem pessoas e até faz parte do desenvolvimento humano, a fase da adolescência, da juventude, onde a prudência nem se encaixa muito. Você fala pro jovem: "Vamos passear". Vamos, só vamos.
Não existe aquele aquela análise para onde vamos, como vamos dormir, o que vamos fazer, tem perigo, tem algo que eu dei, eu tenha que preparar. Em geral não é uma virtude da imaturidade, é uma virtude da maturidade e da vivência. Então essa experiência de vida fortalece a prudência do ser humano.
Em se tratando de termos profissionais, a experiência profissional, ela vai te dar condições de prudência em relação à prevenção de ocorrências no ambiente escolar, na educação infantil, séries iniciais, por exemplo. Na sequência, nós podemos falar o que é imperícia. A imperícia, ela tem a ver com a aptidão do da pessoa.
Então você tem aqui uma situação de uma criança que fica sozinha em casa e ela vai preparar o seu próprio café. Ela manuseia objetos que aquecem, equipamentos eletrônicos e ela deixa isso ligado e pode vir a pegar fogo na sua cozinha, na sua casa, de quem é a culpa? Então, quando a gente fala de imperícia, nós estamos falando de inaptidão e de alguém que está assumindo uma função para a qual ainda não está habilitado ou não tem aptidão para fazer.
Então, o profissional que é contratado e não é treinado e é exposto a um procedimento direto à criança, ele pode alegar que isso é um ato de imperícia, porque ele não tinha conhecimento suficiente. Cabe a nós líderes treinar, capacitar tecnicamente, teoricamente, para que a pessoa se sinta habilitada para exercitar a ação. E aí sim eu estou prevenido, prevenindo qualquer risco de imperícia.
Quando a gente fala de culpa, nós temos até uma aversão. A palavra culpa ela incomoda porque em geral as ocorrências, principalmente na no ambiente escolar, elas não são decorrentes de nenhum desejo, de nenhuma intenção. E aí vem uma sensação de injustiça, mas eu não queria que tivesse acontecido isso.
Às vezes é uma situação onde a criança cai do brinquedo, onde prende o dedinho na porta, onde acontece uma situação de queimadura na ponta do da pistola de cola quente ou em ou entre outras situações que podem acontecer. Eh, no ambiente doméstico também, crianças com acesso a produtos químicos, crianças acesso a equipamentos quentes, secadores, eh, modeladores de cabelo, isso tudo queima, machuca, fere, eh, e outras situações muito traumáticas como afogamentos. Então, nenhuma dessas situações, tanto no contexto familiar quanto no contexto escolar, são, em grande maioria intencionais.
Elas são normalmente fora da nossa intenção. Por isso traz uma tristeza, uma frustração, um sentimento muito dolorido, tanto pra vítima quanto para quem estava no cuidado desta criança. Porque a culpa não tem a ver com a intenção.
O dolo tem. A culpa ela é a responsabilidade daquele que deveria prestar situações preventivas e por algum motivo falhou. Ou por negligência, que é o descuido, ou por imprudência, que é não teve uma visão de antecipar o perigo, ou por uma imperícia, que é aí na ftidão para exercitar alguma função.
Então, infelizmente, nós tratamos da culpa a evitáveis. Alguém poderia ser responsabilizado e ter uma ação preventiva. Nós desejamos muito ter, enquanto comunidade científica, comunidade da saúde, o poder da cura do câncer infantil, por exemplo.
Quem de nós não gostaria de ter acesso ao conhecimento que livrasse crianças de sofrimentos, por exemplo, decorrentes desta doença? No entanto, a maior causa morte no Brasil de entre 0 a 14 anos não são doenças, são ocorrências evitáveis, consideradas acidentes. Então, as crianças têm o maior, a maior perda das suas vidas ou de partes do corpo ou da sua mobilidade decorrentes de ações totalmente evitáveis.
Para isso eu chamo a sua atenção, o quanto nós podemos, enquanto profissionais da educação infantil, mudar o curso da vida de uma criança, se formos negligentes, se tivermos imperícia ou imprudência, ao ponto que quanto podemos proteger e salvar a vida dessa criança se tivermos total atenção de prevenção, como é a nossa função ter. sobre os acidentes ainda. Dados estatísticos de 2024 e da ONG SOS.
Então, por hora, 13 crianças são internadas no Brasil vítimas de, entre aspas, acidentes. As causas maiores da hospitalização dessas crianças, vejam o número, 13 por hora. são internadas.
Podem imaginar que nem todas as ocorrências levam a uma internação, mas as que levam são 13 crianças internadas no território brasileiro a cada hora. Quando você terminar essa aula de hoje, 13 crianças foram internadas de causas evitáveis. É sobre isso que nós estamos falando.
45% são de quedas. Então, para a criança ser internada por uma queda, significa que ela não caiu da própria altura quando estava aprendendo a andar em torno de 1 ano, 1 ano e 4 meses. Ela caiu de uma elevação de mais de 50 cm.
Ela caiu em velocidade, ela caiu do ombro do adulto, ela caiu do parapeito de uma janela, ela caiu de forma completamente eh inadequada a sua condição física, ao ponto de ter uma fratura, um trauma de crânio e ela ter que ser internada para observação. Eh, queimaduras. Em torno de 20% das crianças que dentre essa uma hora serão internadas estão por queimaduras, acesso ao calor devido fogo ou devido equipamentos que aquecem.
Então, a dor da queimadura, a cicatriz da queimadura, as lesões que são extremamente dolorosas, o tratamento que é extremamente doloroso, acontece pelo menos em 20% destas crianças. Sinistro de trânsito. As pessoas ainda carregam crianças no colo, no banco da frente.
Não é incomum você estar no bairro, você estar no trânsito e você ver pessoas com crianças de colo no banco da frente de forma solta. Então, hoje a gente ainda tem uma taxa muito elevada de ocorrências traumáticas ou fatais. por acidentes de trânsito, simplesmente porque as crianças não são carregadas de forma que a lei exige, que é dentro da cadeirinha de segurança com o cinto afivelado no banco de trás.
A criança desde a saída da maternidade já deve sair de forma protegida para não ter exposição a acidentes em relação ao trânsito. A outra parcela de internação para as crianças são as intoxicações, acessos a substâncias químicas, sejam elas produtos de limpeza, venenos ou produtos medicamentosos. E aqui nós temos um parêntese onde no grupo NIEPRE, em todas as unidades, as crianças não têm acesso aos medicamentos.
Nenhum medicamento pode ficar eh ou no ambiente da criança ou guardado na mochila da criança. E também nenhuma brincadeira ou situação de acesso a objetos como frascos, embalagens, onde as crianças brincam de rosquear, desrosquear, podem ser realizados com eh embalagens que foram de substâncias químicas, como sabões, detergentes, desinfetantes, eh sem citar nomes, nós sabemos os frascos, embora higienizados, não são adequados para brincadeiras como equipamentos, objetos não estruturados. A criança não tem discernimento que no ambiente escolar ela pode ter acesso à aquele frasco de sabão e ali é um brinquedo e na casa dela ela não é brinquedo.
Então é um desserviço nós oferecermos esse tipo de brinquedo pra criança. Então, no grupo UNIEP, nós temos o cuidado de que a criança brinque, sim com frascos e outros objetos, por exemplo, em situações de compra, mercadinho ou situações lúdicas, eh, de casinha, com frascos de eh shampoos infantis, eh produtos de higiene corporal, sem substâncias químicas, produtos de ordem alimentar, frascos de suco, qualquer coisa que não tenha nenhum resíduo e nem confunda a criança que aquilo pode ser um brinquedo e tem acesso. Então, voltando, muitas crianças passam por intoxicações, às vezes ingerem eh várias quantidades de medicamentos ou de substâncias químicas que ficam acessíveis em lavanderias, eh, em próximos da cozinha.
E isso é muito evitável e deve ser cuidado por famílias e educadores. OK? Então vamos seguir mais um pouco.
O que significa então? Como seria então o termo mais correto? Prevenir ocorrências.
aquilo que ocorre, aquilo que é comum, aquilo que é do conhecimento do ser humano, poder evitar, ter condições de eh prevenção. Então, o termo correto não é prevenção de acidentes, o termo correto é prevenção de ocorrências. Agora, no próximo módulo, nós vamos olhar para a escola e ver para todos os setores da escola como prevenir ocorrências.
Até mais.