esse objeto aqui que faz com que eu acredite que eu sou livre quando eu aperto Isto ou Aquilo esse objeto Uhum é um objeto de Servidão Por quê o fato de que você é um usuário você não é o criador de nada daquilo você é um simples usuário e o criador são os grandes oligopólios que controlam né a sua mente os seus sentimentos o seu corpo a sua vida existir é ser visto se você não é visto você não existe isso então ser visto é a primeira marca do narcisismo e o o Espinoza fala muito
sobre Servidão e liberdade né a liberdade é essa palavra que voltou à moda no Brasil só que ela vem com uma roupagem um pouco Talvez deturpada né a gente vê muita discussão sobre liberdade de expressão eh a maneira como ela é usada instrument ada pela política que acabam virando ataques contra as instituições a suprema corte contra o próprio corpo político em si eh o o Espinoza conseguiria nos ajudar a entender esse uso da Liberdade no Brasil hoje eu acho que sim a duas coisas que são importantes na na ideia espinosana da Liberdade A primeira é
que a liberdade não é uma decisão voluntária de fazer Isto ou Aquilo você é livre quando aquilo que você sente aquilo que você pensa e aquilo que você faz nasce de dentro de você não vem de fora e se impõe a você você é a causa do seu do seus afetos das suas ideias e das suas ações então ser autodeterminado ser autônomo é é ser livre então a a a a ideia de que a liberdade é um é um exercício da vontade quando ela decide bem não é a posição de Espinosa a liberdade é o
instante no qual eu sou capaz de me reconhecer como a causa completa daquilo que eu penso daquilo que eu sinto daquilo que eu faço na minha relação com os outros e com o mundo perfeito eh saindo dessa dessa parte da a liberdade paraa parte da servidão ainda dentro da ideia do Espinoza eh a gente consegue atualizar ou incorporar a ideia dele por exemplo na ideia da servidão se a gente olhar por exemplo pro trabalho uberizado hoje isso tem uma relação eh eh você consegue adaptar isso esse pensamento do Espinoza Porque hoje a gente tem milhões
de pessoas no mundo todo eu diria até no mundo todo bilhões né vivendo em trabalhos chamados uberizado seja em vários aplicativos para vários tipos de serviços diferentes e a e e criou-se um pouco a o patrão sem rosto né o chefe invisível né você não sabe para quem você tá você você trabalha pra máquina para um software para um algoritmo e ao mesmo tempo há quase uma relação de Servidão ali a pessoa vai alegar assim ah mas se eu quiser eu posso parar de dirigir Uber muita gente fala isso né mas você pode mesmo se
você parar de dirigir Uber por TRS meses você vai ter seu sustento então é um é um uma liberdade condicionada também faz sentido essa ideia de Serv acoplada nessa nesse mundo de plataformas que a gente vive eu diria que nós vivemos no mundo da servidão né ah esse objeto aqui que faz com que eu acredite que eu sou livre quando eu aperto Isto ou Aquilo esse objeto Uhum é um objeto de Servidão por quê em primeiro lugar primeira característica que esse objeto tem ele anula a relação vivida que nós temos com o espaço porque o
espaço é isso que está aqui nessa tela a tela de tal modo que nós temos o um fenômeno chamado atopia topos em grego quer dizer lugar então um mundo sem espaço porque tudo se dá aqui é também um mundo sem o tempo porque tudo acontece agora é um mundo da acronia Então você tem um estreitamento da sua experiência a experiência do corpo como um como participante do do do mundo espacial de percepção e de sentimentos você não tem mais porque você tá descorado aqui também Você não tem a experiência plena do tempo do antes do
depois do agora do futuro do passado tudo é agora bom essa redução do tempo e do espaço tá ligada também a uma forma Econômica que fragmentou o mundo do trabalho e ao fragmentar ao mundo do trabalho criou a ilusão do empresário de si mesmo né Ou seja eu não trabalho para um outro eu trabalho para mim mesmo mas que que é eu trabalho não trabalho para um outro significa que aquilo que eu faço não não está a serviço de nada está a serviço de mim mesmo é claro que não é que as maneiras pelas quais
eu estou servindo ao que está estabelecido é através da ilusão da minha liberdade eu não sou empresária de mim mesma eu sou eu estou naquilo que o o Gessé chama de o precariado o mundo do precariado que é o mundo no qual você tem a ilusão da sua autonomia quando você tá em estado de completa dependência de completa insegurança e portanto de completa Servidão perfeito essa desconexão de de tempo e espaço eh se a gente pegar o dia um dia comum de uma pessoa nos anos 90 eh a pessoa poderia eh ter que ela tá
em casa então tá no faço da casa ela tem os seus afetos ali a sua família e tal ela sai de casa e ela vai para o trabalho então ela se movimenta o tempo passa ela sai de um lugar vai ao outro depois ela precisa passar no banco então ela sai de casa ela vai ao banco isso tudo pode ser resolvido em 5 minutos no telefone porque no telefone você tem os seus afetos no grupo de WhatsApp por exemplo da família você tem o seu trabalho você tem o aplicativo do banco isso será que de
de algum modo tá tá já mudando até mesmo a a maneira como a gente se entende no mundo Será que tá acontecendo um processo em relação a isso ah eu eu acho que sem sem sem dúvida nenhuma né e o efeito disso é é o é o que professor é eh eh apatia eh é mais do que isso tá surgindo uma uma um uma nova subjetividade produzida por esse mundo digital primeiro é uma uma subjetividade narcisista ou seja existir é ser visto se você não é visto você não existe isso então ser visto é a
primeira marca do narcisismo só que como você depende para ser visto do Olhar do outro e você não tem o controle sobre o olhar do outro você ininterruptamente e como Freud dizia o narcisismo é inseparável da depressão Então você tem uma uma uma subjetividade nova que é narcisista depressiva e que depende desesperadamente do Olhar alheio e por isso Ela depende do influencer do Coach do não sei quem ela depende desses olhares todos que garantem que ela existe ora quando ela quando ela não tem esses olhares de garant externos de garantia para si própria ela entra
em depressão e eu não sei se você sabe há estudos do aumento gigantesco da taxa de suicídio entre os jovens no mundo inteiro né então Eh nós nós nós passamos não é não houve uma mudança tecnológica houve uma mutação de civilizacional é é um é um outro mundo é uma outra coisa o mundo virtual é outra coisa você tem a ilusão da Autonomia né a ilusão da Liber dade e onde está a servidão o fato de que você é um usuário você não é o criador de nada daquilo você é um simples usuário e o
criador são os grandes oligopólios que controlam né a sua mente o seu sentimentos o seu corpo a sua vida então é uma mutação civilizacional não é não houve uma mudança tecnológica né O que houve Foi uma mudança no modo de vida uma uma mudança na economia que que é o surgimento do empresário de si mesmo Isto é do precariado é a desaparição da figura da classe trabalhadora né a classe trabalhadora que concretamente através do trabalho se relacionava com o mundo era a forma da relação social e política que vinha na na Constituição de classe e
agora o que você tem essa dispersão essa dispersão e essa ilusão que eu sou dono de mim mesmo tá aí pessoal mais um vídeo no nosso canal espero que vocês tenham gostado créditos filósofa Marilena chi e o canal TV Brasil apresentador Leandro demori links na descrição se você busca autoconhecimento espiritualidade sabedoria entre outros assuntos que vão te ajudar na tua caminhada pessoal se inscreve no canal ativa as notificações comenta e compartilha com seus amigos muito obrigado