At seora we know how you love to use makeup skin care Hair care and fragrances that work for you but also How important is to be in the know about the ingredients that are in them which is why we created Clean at Sephora curated products from brands like merit am Summer fridays and FL that have Everything you want min certain ingredients you Might not clean at Sephora is Sephora Now sephora.com [Aplausos] você está ouvindo o hisória [Música] FM salve ouvintes do FM bem-vindos a mais um episódio do podcast leit hist eu sou Rod E hoje
vamos falar grcia antiga um tema L que todo mundo acaba vendo na escola em algum momento mas afinal de contas O que que a gente precisa entender sobre igresso o que que a gente precisa aprender sobre esse assunto e é por isso justamente pela importância do Tema que tô trazendo ele hoje e para falar sobre esse assunto eu trouxe o professor Fábio Morales da Universidade Federal de Santa Catarina então Fábio Fique à vontade para se apresentar pro pessoal bom Olá icles fico muito feliz com o convite de participar do seu podcast que excelente né sou
um ouvinte também indico pros alunos bom eu sou o Fábio Morales Eu sou professor de história antiga da Universidade Federal de Santa Catarina eu tenho graduação em História pela USP aonde Eu também fiz o mestrado e o doutorado o mestrado eu defendi em 2009 o doutorado eu defendi no início de 2015 o meu mestrado foi sobre a democracia ateniense né A minha dissertação que depois virou o livro intitulado A democracia ateniense pelo avesso e eu trabalhei com a questão do estrangeiro né eu discuti a questão de se o estrangeiro participava ou não politicamente da democracia
ateniense a gente tem esse padrão né de que a Democracia ateniense era super restritiva eu tentei analisar ela pelo avesso concentrado lá no conjunto de textos escritos por um estrangeiro residente um meteco chamado lisas é que escreveu discursos para cidadãos pronunciarem na Assembleia ou no tribunal no meu doutorado eu trabalhei com arqueologia eu estudei Quais foram as mudanças urbanas que são visíveis arqueologicamente em Atenas quando Atenas é incorporada ao império romano Então eu discuti lá história Urbana evergetismo processos de reestruturação Urbana e as relações com o império e processo de integração e por aí vai
E daí eu sou professor da upsk desde 2018 e tenho realizado projetos de pesquisa relacionados especialmente ao período helenístico e a história Urbana tenho trabalhado com a categoria de cidades globais que é meu projeto atual Também faço parte de alguns Laboratórios um laboratório coordeno que é o Mitra o Laboratório de história antiga Global da upsk que é composto eh tanto por estudantes aqui da upsk quanto né estudantes de pós-graduação da USP e vários docentes tanto de sint Andrews da Escócia da federal do trângulo mineiro em Uberaba da Federal Rural de Pernambuco da Estadual de Goiás
do Instituto Federal Fluminense e várias outras instituições também lembrei da o fop né lá de Mariana né o campus Mariana da o fó então eu organizo eu coordeno Esse laboratório Mitra Também faço parte do laboratório de estudos sobre o império romano e Mediterrâneo antigo da USP que é coordenado pelo meu antigo orientador o Norberto guarinello lá na USP obviamente sou pesquisador também do grupo subalternos e poder popular da na antiguidade na USP um grupo coordenado pelo Júlio César Magalhães Oliveira e também colaboro com o centro Ciro falarão Cardoso de estudo sobre o pré-capitalismo que é
coordenado lá pelo Mário Jorge e o professor daul então esses são os três labor Nos quais eu sou pesquisador além de coordenar o m Então é isso vamos conversar mais sobre essa civilização depois dos [Música] comerciais pessoal eu não costumo falar muito disso aqui para não ser lá muito repetitivo mas imagino que vocês devem saber que nós temos um perfil no Instagram né ao contrário do que alguns podem pensar não é @ históia FM eu não Fiz um perfil exclusivo do podcast mas eu fiz @ obrigahistoria que é o Instagram que diz respeito ao canal
diz respeito aos outros podcasts da casa também ele é mais agregador mesmo E por que que eu tô falando do Instagram aqui é porque essa semana eu vou divulgar um livro ali para vocês e como é um livro que tem a ver com o tema desse Episódio eu achei que valia a pena avisar aqui para vocês seguirem a gente lá no Instagram não sei que dia da semana eu Vou postar o livro ainda eu tenho que olhar ele melhor para bolar Um textinho de divulgação etc e é um livro de historiografia da história antiga então
ele é bem Hardcore bem para acadêmico Mas se tiver alguém curioso ou curiosa para ir mais a fundo sobre como historiadores e historiadoras trabalham com história antiga a recomendação vai ser bem bacana então dá uma olhada lá @bg storia no Instagram fica de olho que eu acho que vocês vão gostar da Recomendação e sem mais enrolação eu queria agradecer aos nossos colaboradores e colaboradoras no apoia-se que financiam esse POD você aí que tá ouvindo história FM você tá ouvindo graças a eles graças a esse pessoal aqui Paulo azu Marcelo Freitas Marcelo Rúbio Rafael Moreira Gabriel
modenuti Vitor Quintas Fernando alter hoffen Leandro Barbosa Salomão Batista Thiago B Juan Garcez Henrique Rodrigues Lauana Vicente Mateus cadem maror ivson Alves Michael Araújo ou Michel não sei Micaela Mota Raiane Augusto Márcio tondim Caetano Costa e Leonardo Garcia Muito obrigado pessoal Como eu disse são vocês que financiam esse podcast e se você que tá ouvindo quer se tornar apoiador ou apoiadora é só acessar apoia.se bar obriga hisória e colaborar a partir de R 2 por mês com qualquer valor que você achar adequado para seu orçamento para manter esse projeto e os outros podcasts da casa
no ar e com R 5 Por mês você pode ouvir os episódios do histor FM com antecedência agora chega de papo e vamos para Episódio quando eu fui procurar material para ler sobre esse assunto sobre Grécia para bolar as perguntas desse Episódio levando em conta que eu sempre falo pros ouvintes né que eu não sou um pesquisador de história antiga é uma área muito distante para mim porque eu estudo mais contemporâneo e tal eu fui ver o que que tinha sobre o assunto na Wikipédia E eu logo de cara primeiro parágrafo já me chamou a
atenção Ele começava né o texto em português falava assim Grécia antiga foi uma civilização pertencente a um período da história grega que abrange desde o período homérico nos séculos 12 a 9 antes de Cristo até o fim da atividade mais ou menos 600 depois de Cristo e o que me chamou a atenção nessa frase foi a noção de que a Grécia antiga foi uma civilização e eu entendo que o parágrafo Tá tentando fazer um recorte temporal do que seria considerado Grécia antiga e tal mas me suou meio generalista né começar pela ideia de uma civilização
já que ela foi formada por diferentes povos ela tinha diferentes cidades estado ela era mais plural assim não me parece uma civilização assim fechadinha como a gente costuma pensar a ideia de civilização né E tem quem prefira e o Norberto guarinello você citou né seu ex orientador é um exemplo disso prefire Enxergar a história da Grécia como um uma coisa mais mediterrânica né um contexto mais de conexão com Mediterrâneo do que uma coisa local Então eu queria começar te perguntando o seguinte o que nós sabemos sobre a formação do que hoje a gente chama de
Grécia antiga dá para falar que ela era uma civilização Você concorda com isso ou você acha que é um pouco mais complexo do que isso é maravilha é uma ótima questão é certamente é muito mais Complexo que isso né é uma ótima porta de entrada para discutir esse tema primeiro a gente tem que fazer uma diferenciação entre a história ensinada principalmente no âmbito da Educação Básica que tem seu ritmo tem suas lógicas tem suas demandas próprias ligadas à própria cultura escolar e a cultura histórica mais geral e a história acadêmica pesquisada normalmente é um descompasso
entre as duas e não quer dizer que elas tenham Que a história ensinada tem que se submeter à história acadêmica mas deve dialogar assim como a história acadêmica ela também se transforma e aprende com a história ensinada a história ensinada ainda que é presente nos livros didáticos em diversos discursos que atravessam o campo Educacional brasileiro é um modelo de história antiga ainda centrado na história de povos ou civilizações tomados isoladamente isso foi constituído no Século XIX junto com toda a disciplina histórica para resolver um problema muito concreto né O problema que eles tinham no século
XIX era primeiro explicar como que uma região periférica até então do mundo que era Europa se tornou o centro do mundo que dependia lá de todo tipo de artimanha para tentar pegar uma rebarba do Comércio asiático até o século XVII e no século XVI século XIX a Inglaterra foi lá e Dominou a Inglaterra e dominou e estabeleceu uma Soberania sobre a China então explicar esse Enigma né Por que que a Europa de Periferia passou a centro da eurásia né contando obviamente com apoio das colônias Qual que é a razão disso e uma solução encontrada foi
os europeus se tornaram o centro do mundo ou o ocidente num sentido mais ampliado o que tinham gregos no passado e aí se constitui a ideia de que a Grécia é o berço da civilização ocidental contemporânea na Grécia surgiu a razão surgiu a Democracia surgiu a filosofia uma estética clássica da ático aquelas estátuas de mármore branco e por aí vai e outro os povos deram outras contribuições pra civilização os romanos inventaram o direito o Egito inventou o estado a Mesopotâmia inventou a escrita os hebreus inventaram o monoteísmo os fenícios inventaram o comércio e o capitalismo
e por aí vai ou seja a história do mundo foi vista como uma espécie de revis momento testamentário Quem deu mais heranças pra civilização ocidental e esse modo de contar a história ia pulando de um povo para outro então a gente fala lá do Egito e da Mesopotâmia pra idade do Bronze daí pulamos para hebreu Deus e o Egito desaparece inja totalmente desaparece depois pulamos para persas depois pulamos para gregos e depois pulamos para os romanos E quando aparecem os romanos parece que os gregos também desapareceram e depois vem os cristãos Ou seja é uma
história baseada na sucessão para isso funcionar você tem que acreditar que cada povo existia enquanto unidade e era uma totalidade isolável e daí vem essa categoria de civilização que tenta articular vários aspectos de uma sociedade encontrando os denominadores com comuns dessa sociedade é é um procedimento que na Europa no ocidente depois do movimento global ao longo do século XIX e XX tá ligado a formação dos estados nacionais ou seja Cada região que tava se constituindo enquanto Estado Nacional tava tentando encontrar os denominadores comuns para diversas populações formarem uma nação e um estado né Pensa no
caso da Alemanha no século XIX várias cidades principados reinos aldeias com todo tipo de regramento jurídico cada uma de um jeito você tem um jeito de casar um jeito de de divorciar uma composição de família como que você articula isso tudo então eles vão buscar um espírito alemão um Espírito italiano um espírito inglês como no Brasil o ihgb fez com o espírito brasileiro tentando construir pela literatura pela história criar uma unidade Então como as pessoas no 19 e também no 20 estavam atrás essa unidade civilizatória para cada civilização faz todo sentido procurar isso no passado
então procuravam nos gregos não a diversidade de características ou de traços culturais da Grécia Antiga mas sim aquilo que eles consideravam que era O denominador comum ou ainda a característica mais significativa e daí vem o que é mais significativo dos gregos ou da história da chamada Grécia antiga para a civilização ocidental é a razão a filosofia a democracia aonde teve razão filosofia e democracia em Atenas então a história da Grécia é basicamente a história de Atenas outros outras sociedades outras unidades ais históricas apareciam em função do contato com Atenas então a gente até Fala de
Império Persa só para falar que os atenienses venceram a gente fala dos espartanos para falar que eles derrotaram os atenienses E aí começou a decadência dos gregos Mas é uma série de procedimentos metonímicos que eu tomo uma parte a sociedade ateniense clássica pelo todo por toda a diversidade da Grécia Então esse conceito de civilização ele é uma projeção contemporânea pro no passado que tenta criar uma unidade que é artificial isso Não quer dizer que os próprios gregos antigos não se viam como uma comunidade E aí a questão é diferente é a diferença entre perspectiva ética
e perspectiva êmica na Perspectiva ética ou seja exterior a gente pode encontrar determinados traços da cultura grega a perspectiva êmica nos diz nos informa sobre como uma sociedade via a si própria quando você pergunta isso pras Fontes tanto textuais quanto materiais aí as resp são mais interessantes porque Aqueles que nós classificamos como gregos se viam de diferentes maneiras e tinha a sociedade que entrava no mundo grego e tinha sociedade que saía do mundo grego o critério para ser grego era variável era mutável então por exemplo né um um critério tradicional tem vários estudos que exploram
a história da produção da identidade grega que mostram que pro período arcaico era fundamental o critério da genealogia ou seja grego eram os descendentes desse Herói mítico Heleno Quem era reconhecido enquanto descendente de Heleno um dos critérios para definir quem era o descendente legítimo ou não era a participação das Olimpíadas que só poderiam participar os considerados descendentes de helenos Isso significa que uma comunidade poderia também manobrar a genealogia e os sociedades mediterrânicas faziam isso o tempo inteiro como os ancestrais são normalmente personagens míticos Você Pode muito bem acoplar mais uma história no mito de de
Heleno no mito de jonio de chuto dos ancestrais gregos e falar que o Fulano foi para uma cidade fez uma viagem matou um monstro lá se casou teve filhos e Os descendentes desses filhos deram origem a tal cidade e daí portanto eles também são descendentes de Heleno Ou seja a mesma genealogia ela não é fixa porque ela é historicamente construída e várias sociedades vão manobrar com isso os persas também vão Jogar com essa brincadeira entre eles se chamarem persas e terem um herói grego chamado Perseu e e há esse discurso de que os persas descendem
de Perseu como outras sociedades vão fazer isso né os árabes vão instituir Ismael como ancestral e até como ascendente em relação a Isaac filho de Abraão e para e vai ou seja genealogia foi um dos critérios mais importantes ao longo do Período Clássico e período helenístico o critério para você entrar no clube de Quem é considerado grego passa a ser menos genealogia e mais paideia mais pertencimento à cultura em particular a cultura literária grega se você soubesse falar grego soubesse ler grego e mais importante soubesse citar corretamente os textos clássicos da literatura grega fizesse uma
bela citação de Homero no dialeto homérico bonitinho né com versos exam étrica presentarse a sua erudição se você citasse direitinho Platão se você citasse direitinho os historiadores Ou Heródoto eides você poderia ser considerado grego Então essa Fronteira Ela é bem mais fluida do que a gente imagina e daí vem o problema do denominador comum assim tá o que que havia de comum aos Gregos essa resposta é impossível né porque depende da época quem é considerado grego ou não muda então quando a gente fala né sen usar um critério ético externo era grego quem falava grego
como língua Nativa bom aí tinha cidades estados tinha aldeias Independentes tinha reinos tinha Confederações de aldeias que os gregos chamavam de etnos que a gente traduz normalmente por povo mas pode ser algo próximo né da dessa ideia de confederação de aldeias tinha cidade independente tinha cidade dominada por outra cidade tinha cidade dominada pelo Império Persa ou seja era tudo muito variado tinha a cidade Car era democrática tinha a cidade que era Oligárquica tinha monarquia tinha Aristocracia tinha todo tipo de sistema então é muito difícil encontrar um denominador comum mesmo quando a gente usa esse critério
é grego quem fala grego né para ir para além da língua você pode falar assim ah também a religião eles cultuavam os mesmos Deuses Mas isso é é o uma outra polêmica enorme O Zeus cultuado em Olímpia é o mesmo Zeus cultuado em Atenas é o mesmo Zeus cultuado em corcira é o mesmo Zeus cultuado em Delos as práticas rituais Eram diferentes tem um Zeus que gosta de bolo de farinha de trigo tem outros Zeus que gosta de cabra tem outros Zeus que gosta de gado de boi ou seja os diferentes Deuses né diferentes cultos
pediam diferentes sacrifícios diferentes oferendas é a mesma coisa hoje um paralelo com o culto de Nossa Senhora né Os cultos Marianos a Nossa Senhora de Fátima é a mesma da Nossa Senhora de Aparecida e da Nossa Senhora de Guadalupe bom isso é uma questão PR os Teólogos resolverem o fato é que os cultos eram meio diferentes então falar que os gregos também né compartilhavam os mesmos Deuses é uma baita simplificação que quando a gente vai no Chão das fontes textuais as inscrições e as fontes arqueológicas a gente vê que a coisa é muito mais caótica
e é muito mais tensa e na própria sociedade grega do passado existiam tentativas de padronização como a literatura que apresenta um Zeus uma Era um dioniso a literatura é uma tentativa de padronização mas também tem debates dentro da literatura por exemplo orent uma pesquisa dec da Pâmela Martins sobre o poeta do pred lítico cimac que ele faz escreve um hino em homenagem a Zeus e lá ele discute qual é a verdadeira história do nascimento de Zeus porque tem grupos na Arcádia que dizem que Zeus nasceu e foi criado na Arcádia os cretenses dizem que Zeus
nasceu e foi criado lá no monte ida em Creta Ou seja a própria literatura apresenta essas inconsistências então a Rigor o que a gente faz a gente nem acredita que havia uma civilização grega consistente com características e uma periodização fechadinha nem a gente abandona completamente essa ideia a gente Tom Toma essa ideia de civilização grega como um problema de pesquisa e a gente pergunta pras fontes O que que é Grécia o que que é civilização grega para cada período para cada contexto Para Homero é uma coisa né quando Homero fala Grécia o elad ele se
refere não a todas as comunidades que em outros períodos os gregos também vão falar que é elad ou Grécia então isso muda muito ao longo do tempo se a gente toma isso como problema de pesquisa a gente pode entender como que a própria sociedade que a gente tá estudando se via e se inseria dentro de um espaço mais amplo mais complexo muito mais plural e quando se fala de Grécia normalmente se fala Sobre uma periodização né como período pré-homérico homérico arcaico clássico helenístico e embora eu saiba que atualmente a historiografia classifica alguns desses períodos de
maneiras diferentes os nomes podem ter mudado não sei bem eu prefiro me manter essas classificações nas perguntas porque isso dá oportunidade do pessoal entender melhor quando cada coisa acontece e também abre imgem para se você achar que olha tal conceito já não é mais usado Esse conceito é mais aceito hoje em dia isso dá oportunidade do pessoal que tá ouvindo saber exatamente Quais são esses conceitos que hoje são chamados de outras maneiras né então para começar eu queria te perguntar qual é a história por trás do período pré-homérico né Quais povos que habitavam a Grécia
nesse período como é que foi essa passagem desse período pro período homérico e enfim maravilha Muito bem colocado a gente tem que lidar com os conceitos com As categorias e orações que circulam até pra gente se posicionar dentro da pesquisa esse termo pré-homérico ele obviamente ele tá relacionado ao chamado período homérico e esse é certamente um dos maiores enigmas da pesquisa em história da Grécia ou no campo helenista dos chamados estudos clássicos né a gente sabe que a gracia antiga não é estudada só por historiadores mas também por pessoal da Letras pelo pessoal da filosofia
da história da arte da Arquitetura e por aí vai né Isso tudo é incorporado dentro do que se chama normalmente estudos clássicos tem até graduações em estudos clássicos fora do Brasil a no Brasil até tem algumas universidades que brincam com uma espécie de caminho dentro das graduações de história de letras com a habilitação em estudos clássicos bom qual que é o grande Enigma poemas homéricos eles se referem a Qual período histórico né os poemas homéricos que nós temos são a Ilíada e a odisseia que a própria tradição antiga atribuem a um poeta chamado homérico mas
o que que isso significa né a tradição clássica né os autores do Período Clássico com Platão Heródoto falam de Homero como sendo alguém que viveu lá por volta do século VII ou século vio um poeta mas a gente não tem segurança de que houve de fato um poeta chamado homérico que Ele viveu nesse período quando os estudiosos passaram a ler a Il da i odiceia Perceberam que havia uma série de marcas de oralidade na Ilíada e na odse ou seja fórmulas poéticas que eram repetidas ao longo dos versos criando até um estranhamento algo muito próximo
ao que a gente tem hoje nas canções que é o refrão o refrão normalmente é o que a gente mais lembra de uma música porque ele é repetido isso acontece na ilia da in neot seia tem algumas fórmulas alguns pedaços diversos que são repetidos para encaixar na métrica para ficar com uma Para pro verso fechar para a poesia grega não tem rima né mas cada verso tem uma duração de sílabas muito padronizada muito fixa então para encaixar nessa padronização que é a métrica eles usavam essas fórmulas repetidas e alguns pesquisadores o milman Perry é um
dos principais né lá no começo do século XX ele viaja para yugoslávia e ele descobre que lá tem poetas que cantam as histórias os bardos da yugoslávia e ele grava esses poetas e compara o método Desses poetas de rememoração de um poema longo que pode durar mais de um dia com as técnicas visíveis na Ilíada e na outs e daí ele descobre que a Il da e odiceia foram primeiro cantadas e num determinado momento elas foram fixadas na escrita ah e você tem um problema enorme que é já era difícil determinar Quando que o poema
virou texto quando ele foi escrito um problema mais complicado ainda é quando ele foi composto oralmente Provavelmente por uma Comunidade de poetas de cantadores algo no Brasil a gente pode fazer o paralelo com os repentistas né que cantam as histórias de Lampião assim como os poetas gregos cantavam as histórias de Édipo de Aquiles de Eitor E por aí vai quando que esses poemas foram compostos bom daí vem a pesquisa dos estudos homéricos para tentar identificar bom o determinado canto na eliada o na odiceia faz referência a um objeto né um capacete feito de presa de
dente de Javali eu posso ir lá na arqueologia ver quando que havia capacete com dente de javali E se eu souber datar esse capacete por exemplo do século X antes de Cristo então eu posso saber que esse trecho da odisseia ou da eliada faz referência àquele Período os arqueólogos se uniram aos classicistas para tentar buscar esses elementos né tentar encontrar informações para datar o poema e o que que eles Encontraram o poema faz referências a objetos que existiram em Períodos diferentes e que não são necessariamente simultâneos ou seja o poema ele é mais uma colcha
de retalhos de várias épocas e sendo composto em várias épocas mais é uma coxa de retalhos do que remete a um período específico Então quem usa né quem tenta usar os poemas homéricos para falar do período pré-homérico Ah é um problema enorme porque a gente não consegue datar direito as fontes homéricas Eu tenho um colega recomendo muito que vocês busquem Ele ele já deu entrevista lá no colunas de Hércules que é o Gustavo Oliveira que é um dos maiores especialistas em Homero hoje no Brasil professor da P Campinas Ele defende que os poemos homéricos são
uma fonte para estudar os períodos posteriores Como assim a gente consegue saber como várias sociedades depois do século vi entenderam Homero ou seja ele propõe um estudo da tradição homérica agora usar os poemas homéricos para falar do passado dos próprios poemas é Um problema que é é complicadíssimo dito isso é importante ressaltar aqui essa questão homérica motivou um monte de gente a viajar pra Grécia a viajar pra Turquia paraas ciclades pras ilhas do mar egu procurando vestígios de coisas relacionadas ao poema em particular um alemão que fez Fortuna na corrida do ouro nos Estados Unidos
chamado aish liman aish liman ele vai lá nos anos 1860 pra Grécia e tenta encontrar Troia ele vai pra Turquia então o império Turco-otomano Procura lá indícios uma série de pistas que levavam alguns sítios arqueológicos e ele descobre Troia né hiral chamada de Fortaleza pelos turco-otomanos lá no norte da Ásia menor né já na costa mediterrânica da Turquia ele encontra o sítio e faz uma escavação e é Troia ele encontra até o tesouro ele chama aquele tesouro de tesouro de príamo o rei de Troia em Homero a gente sabe que aquele tesouro não é da
época que os gregos acreditavam Que priamo existiu lá pelo século X tesouro que o chilim encontrou é de outro período e ele destruiu muita coisa mais recente nas escavações em busca desse período homérico lá nas escavações de Troia mas o fato é que ele descobriu uma sociedade né ou todo um conjunto cultural que Alguns chamam de civilização que não se tinha a menor ideia que existia essa civilização esse mundo foi chamado de civilização do Bronze ou o Egeu do bronze e daí a gente Tende a falar desse período pré-homérico como a idade do Bronze a
idade do Bronze foi a idade em que surgiram uma série de cidades no continente e nas ilhas gregas em particular no continente grego e a gente sabe que as pessoas que habitavam essas cidades em particular no Peloponeso na Ática também na beócia eram falantes do grego porque eles tinham um sistema de escrita que foi decifrado no século XX Esse sistema de escrita que é próximo do coniforme o Chamado linear b o linear a é o que existe em Creta e até hoje não foi descifrado mas o linear B uma série de filólogos trabalharam na decifração
quando gel chadwick que terminou o processo e eles descobrem que ele é usado para expressar a língua grega mas eram sempre tabletes tabuinhas burocráticas registrando o que entrava e o que saía do Palácio mas estava escrito em grego ou seja população grega estava na Grécia a partir de pelo menos o Século XV antes de Cristo que é o período que essa cidades passam a ser mais bem documentadas nenas Tebas tirinto pilos são as cidades mais conhecidas tem uma outra coisa na Ática né a região que depois vai ter Atenas increta também e por aí vai
quando os gregos ou seja essa população que a gente sabe que falava grego e que expressava essa língua num sistema de escrita próprio chegaram no egu possível ente antes da formação das cidades os Estudiosos normalmente postulam no século XX antes de Cristo para essa chegada das populações mas ninguém sabe se eles migraram mesmo ou se é uma população autóctone né Isso é uma questão dificílima de definir arqueologicamente quando aparece um tipo de vaso diferente o que significa é um povo novo que chegou ou o povo antigo que mudou a sua técnica Então esse é é
um dos grandes problemas da arqueologia mas se postula né meio arbitrariamente No século XX antes de Cristo a chegada de populações gregas ou a formação dessa sociedade que vai fundar as cidades num período em que o Mare geu sofreu uma forte influência da sociedade cretense e o que havia em Creta Isso é muito difícil de definir a gente conhece muito da arqueologia de Creta mas nada dos textos justamente porque a língua aquela escrita linear a não foi decifrada a gente não sabe nem que língua eles falavam tem gente que defende que era Uma língua semita
como dos hebreus das populações do levante árabes fenícios mas também a controvérsias S que defendem que é indo europeu mas a Rigor ainda não se tem a menor ideia os cretenses eles viviam em grandes cidades Palácio é como se o palácio concentrasse dentro de si a cidade se alguém já leu a caverna do José Saramago tem um pouco dessa imagem né o centro que concentra várias atividades esses Palácios que foram escavados no início do século X Pelo Arthur Evans né um arqueólogo que era colaborador do shiman e ele descobriu a chamada com cultura ou sociedade
cretense esses grandes Palácios eles tinham sala do trono tinham lugares específicos para culto mas também tinham espaços para armazenamento espaços para moradia espaços de trabalho e oficinas internas e o que é muito estranho desses Palácios é que eles não tinham morala seja era a própria parede do Palácio aparentemente Não havia guerra dentro de Creta existem se eu não me engano cinco ou seis Palácios em Creta eh que foram escavados e estudados um deles é até parte dele é o Palácio de malha é estudado por brasileiro o Álvaro Alegrete que é professor da puque de São
Paulo eles não tinham muralhas a gente conhece muito melhor o primeiro Palácio e é o maior de todos que é o de k nosos eles TM lá uma cultura material própria uma centralidade da figura do touro muito Grande também personagens Associados à serpente havia uma prática que é isso é visível nas pinturas nos afrescos dos palácios que era o salto ao touro né então tem desenhos belíssimos de touros e pessoas saltando por cima dando pirueta né quase uma ginástica olímpica lá em cima do touro então havia uma cultura consistente naqueles vários Palácios e fragmentos ou
traços dessa cultura também eram encontrados no continente eh grego nas ilhas do mar Egeu por vários lugares então Possivelmente os cretenses ou esses Palácios cretenses eles dominavam a navegação dos arredores ou seja o mar era a própria Muralha deles porque eles controlavam por meio de Frota e influenciavam interagiam culturalmente com as populações há um momento de vir os primeiros Palácios em Creta eles aparecem por volta de 2100 antes de Cristo é o final do Terceiro Milênio é o período né que o Egito tá num processo De confusão muito grande éo segundo período intermediário não desculpem
é o primeiro período intermediário no Egito a Mesopotâmia também tá né vivendo lá a época da terceira dinastia de uro chamado renascimento sumério mas entra em colapso que Vai resultar depois na Babilônia de amorabi E por aí vai é um momento de bastante transformação no Oriente próximo e no mar Egeu e no Mediterrâneo oriental como um todo esses primeiros Palácios portanto eles surgem Por volta de 2100 tem processo de destruição né Muito difícil determinar porque que esses Palácios são destruídos em diversos períodos da história mas no século X por volta de 1450 ocorre uma mudança
radical a gente encontra nos palácios de Creta datados desse período 1450 né os extratos datados desse período nesses Palácios é começa a encontrar vasos gregos escrita linear B expressando língua grega o que indica Possivelmente né provavelmente a Invasão de populações que viviam Nessas cidades do continente grego da idade do Bronze que tomaram Creta e passam a administrar esses Palácios a primeira cidade encontrada né Desse período foi a cidade de micenas por isso há quem chame essa sociedades de civilização micênica Mas isso é um termo também potencialmente enganador não quer dizer que Miss a cidade de
Agamenon dominava todas as outras simplesmente foi a primeira que descobriram e deu nome pro Período Então pode aparecer como período micênico civilização micênica E por aí vai então em síntese isso tudo é chamado de idade do Bronze a pré-história também é conhecida tem ser humano na Grécia já em 100.000 antes de. Cristo mas uma continuidade visível arqueologicamente é a partir de por volta de 2000 quando num primeiro momento na primeira metade do segundo Milênio antes de Cristo né de 2100 a 1500 havia uma hegemonia de Creta e de 1500 1400 até 1200 a uma hegemonia
Dessas cidades que dominam o continente grego e também surgem cidades na costa da Ásia menora a região de Mileto que vão interagir com Troia por volta de 1200 ocorre um grande colapso e esse é um outro tema gigantesco é um dos maiores enigmas junto da questão homérica da história antiga que é o chamado colapso da idade do Bronze o império que existia na anatólia atual Turquia o império itia ele desaparece né Tem uma série de batalhas uma série de Guerras que são documentadas e o império ele se fragmenta o Egito consegue resistir a esse período
de caos por um momento mas depois o próprio reino egípcio vai se fragmentar entra no chamado terceiro período intermediário a Mesopotâmia os reinos não vão desaparecer mas vão diminuir grandemente a sua influência a quantidade de documentação conforme cai bruscamente agora em Creta e Na GR que a coisa mais brutal as cidades desaparecem a escrita Em linear B desaparece completamente tem sinal de incêndio tem sinal de né todo tipo de de coisa e algumas Fontes falam que povos novos chegaram nessa região que são chamados povos do mar os termos que os egípcios e e titas da
anatólia usam para falar dos povos do Mar são bastante intrigantes eles falam por exemplo sequel sequel lembra muito sículos na língua grega que se refere a sicília eles falam em aqueles que lembra muito Aquiles eles falam tirreni que Pode remeter Ao Marte Reno e potencialmente aos etruscos E por aí vai ou seja existem vários povos que invadem vários reinos Mas provavelmente Esses povos eles estão ligados a uma crise maior que é o colapso de uma economia própria que é economia do Bronze então o que que eu tô dizendo por volta de 1200 o mundo Como
era conhecido e vivido pela as sociedades do oriente próximo do Vale do Nilo e do Mediterrâneo oriental colapsou as grandes potências Desapareceram o modo de viver em cidade sistemas de escrita desapareceram chegaram povos novos os aramaicos né os arameus lá da Síria eles vão se expandir vão para todo lado chegam filisteus na Palestina que provavelmente Vem do Mar egu potencialmente de Creta ou de alguma ilha e muita coisa começa a se transformar com o desaparecimento da escrita do linear B a gente entra num período sem escrita pra história do mar egu tanto Creta quanto as
Ilhas quanto Continente grego e a Asia menor a gente fica 400 anos assim de 1200 até por volta de 750 o final do século VII né entre 400 e 500 anos sem escrita esse período por muitos é chamado de idade do ferro para não dizer simplesmente pré-homérico então tem uma idade do Bronze em que existem algumas cidades Gregas escrevendo e lineá B com uma língua grega e que dominam até Creta né a partir do século XV depois de 1200 essas cidades desaparecem As populações Elas vão pro campo as populações diminuem bruscamente o número de sepultamentos
é infinitamente menor né para 10000 1900 o tipo de cerâmica muda as decorações encontradas na cerâmica do chamado período memmo da idade do Bronze que eram decorações com figuras animais em particular figuras Marinhas né tinha povo peixe alga para vai essas figuras desaparecem e começa a se formar um estilo que vai ser chamado de estilo geométrico que é o que a gente mais Conhece da arte grega com os meandros gregos com círculos concêntricos feitos com compasso com listras com Triângulo com balãozinho com todo tipo de coisa eh Ou seja a cerâmica muda a escrita desaparece
as pessoas se concentram agora em pequenas aldeias Possivelmente governadas por grandes chefes há quem defenda que o os textos homéricos quando falam de Reis se referem não aos reis da idade do Bronze mas os reis da idade do ferro que não é o rei de um reino Inteiro com né vários camponeses é o cara que domina uma aldeia é um chefe tribal né od disu como chefe tribal menelau Aquiles como chefe tribal É possivelmente o que acontecia na Grécia na idade do ferro nesse período os gregos eles não ficam isolados eles estão em contato com
fenícios que nessa época estão fundando colônia até na Espanha né os fenícios eles mandam colônias para fundar Cades por exemplo né colonizadores que f no Cades em Contato com os fenícios que estão levando pro Mediterrâneo produtos do Egito produtos do oriente próximo é por exemplo a gente consegue acompanhar os caravelhos né aqueles pequenos amuletos egípcios viajando com os fenícios e chegando até Portugal né até a costa atlântica da Europa e levam pro Egito e pro Oriente próximo produtos do Mediterrâneo inteiro os gregos eles estão vivenciando aquilo a partir de pequenas comunidades e muito por conta
Desse contato é que eles vão adotar uma das invenções nícias que é a escrita alfabética o alfabeto ele é muito diferente dos sistemas de escrita anteriores a escrita hieroglífica ou coniforme era uma escrita silabar quer dizer que cada sinal tinha um som de uma sílaba o hieróglifo né Você tem um desenho de passarinho passarinho significava tanto a ideia de passarinho quanto a sílaba pa se eu quiser sei lá fazer formar a Palavra pata em hieróglifo eu deveria escrever um passarinho e depois desenhar uma sei lá tábua né um tablete porque eu tenho o valor fonético
do tá Daí eu faço pata só que escrita cabara para eu aprender são algumas centenas de caracteres que eu tenho que dedicar muito tempo para entender como que aquilo funciona e poder escrever e criar em hergo em coniforme é muito difícil o que os fenícios fazem a partir de influências que estão se organizando lá Na na região da círia no sul da anatólia é criar um sistema em que cada sinal significa uma soante e qual é a vogal fica a critério de quem esteja falando tanto que a gente não sabe direito Quais são as vogais
que os fenícios usavam a gente tem um sistema de escrita que são só consoantes os gregos pegam essa escrita alfabética consonantal da língua Fenícia e botam lá junto com Chii otas né é um processo coletivo criam as letras de vogais e daí basta aprender de 20 a 23 letras você consegue escrever todas as palavras com todos os sons que você quiser combinando essas letras é um sistema muito fácil o Grande Templo de Apolo era a casa de uma espécie de profeta o Oráculo de Delfos seus pronunciamentos poderiam afetar o destino dos homens e a história
das Nações os cidadãos comuns poderiam consultar se deveriam casar com determinada mulher ou se ela era Infiel os Generais poderiam perguntar se Deveriam ir para guerra e esse período que você falou em que nós temos Fontes que é a escrita meio que some é esse período que alguns textos chamam de idade das Trevas Greg porque quando eu fui pesquisar sobre o assunto eu fui ver material em inglês e eu encontrei esse termo é esse período é exatamente é é chamado de idade das Trevas porque não tem Fontes escritas mas tem muita documentação arqueológica né assim
tem muita Sepultura com muita Riqueza e material tem forma de arquitetura não é monumental mas tem soluções arquitetônicas locais uma mudança radical né que na idade do Bronze as regiões eram mais culturalmente coerentes a cerâmica era mais padronizada na idade do ferro tem um processo de regionalização muito maior cada região tem o seu próprio estilo cada Aldeia tem seu próprio estilo Possivelmente porque não tem mais um Palácio controlando então não tem Palácio não tem escrita mas daí os gregos eles adotam a escrita alfabética Fenícia e curiosamente a Fonte mais antiga que nós temos com alfabeto
grego é um vaso grego com figuras gregas encontrado na Itália na região da etrúria e que tem um verso de Homero que fala sobre a taça de Nestor é algo como quem beber da taça de Nestor será tomado pelo Desejo de Afrodite que remete ao contexto dos banquetes né as pessoas ficavam bêbadas loucas começar a transar E recitar poema homérico que fazia parte daquele contexto Ou seja a chamada Idade das Trevas É uma idade de renovação de experimentação cultural gigantesca tem um arqueólogo trabalhou com isso que é o Anthony snodgrass que ele chama né ele
brinca com essa coisa igual Dark ages da Grécia mas chamando de a era da experimentação Então o que a gente conhece como cultura grega é resultado de alguma coisa que aconteceu nesse período e os arqueólogos vêm trabalhando E daí aparece o tal do período homérico período homérico é esse relacionado relativo a um período que supostamente nós poderíamos conhecer a partir das fontes homéricas mas hoje o Consenso é as fontes homéricas podem mais atrapalhar do que ajudar confia na arqueologia a arqueologia mostra mudanças no padrão dis ap també mudanças no padrão de fabricação de cerâmica nos
padrões de moradia no tamanho dos assentamentos no tamanho da população e Os contatos culturais que cada região tinha contatos culturais econômicos que cada região tinha com o Egito com a Fenícia com a Asia menor com o Mar negro com a Itália e por aí vai a arqueologia nos diz muito é por isso que a gente não usa mais nem período homérico nem período pré-homérico a gente fala em idade do Bronze para 2000 até 1200 e idade do ferro para 10000 até 700 porque o ferro né vai substituir o bronze é diferente do Bronze o ferro
não é uma Liga metálica o bronze precisa comprar estanho que às vezes só tem na Espanha e no Afeganistão né misturar com cobre que tem em Chipre para fazer o bronze só um grande Palácio organizava esse tipo de comércio de longa distância o ferro pelo contrário você encontra qualquer lugar né Qualquer Aldeia vai ter o seu ferreiro o de difícil do ferro é conhecer a técnica de extrair o ferro do minério de ferro disponível em cada região mas quando essa técnica é Dominada isso acontece por volta do século XI na anatólia rapidamente o ferro se
desfundamentado pelo Mário liani que é um assiri cólogo importantíssimo atuante de o metal democrático que tem em todo lugar e daí todo mundo consegue se armar essa idade do ferro chamada idade das Trevas na Grécia é um período de formação de um contexto de guerra endêmica porque cada comunidade vai est muito bem armada com armamentos de ferro Ou seja não tem mais o palácio que funde o cobre o estanho para fazer bronze e fornecer armas pro seu exército agora cada Aldeia consegue fazer os seus armamentos ão um período de muita intensidade militar né para esse
contexto his arqueologia nos diz tanta coisa que a gente pode até se dar o luxo de falar que Homero mais atrapalha do que a auda Então esse é o estado da arte e para terminar esse bloco eu queria te perguntar sobre o que seria o período Seguinte que seria o arcaico né não sei se é usado esse nome ou não mas que seria um período de expansão pelo Mediterrâneo né h e o que que a gente pode falar sobre esse período e essa expansão a ideia de que os gregos estavam colonizando outras regiões ela é
um consenso é então esse período seguinte né é chamado de arcaico e ainda é chamado hoje é um termo igualmente problemático arcaico deriva da língua grega a da palavra arqué significa poder Mas tambémm significa começo então período arcaico é o mesmo que dizer período Inicial período formativo e a referência para esse termo é o período em que surgem as cidades gregas do Período Clássico a gente começa a ouvir falar de Atenas Esparta nesse período né no período propriamente arcaico que vai de 700 até 500 em linhas Gerais antes de Cristo se a gente deixa de
lado um pouco o que vai acontecer no Período Clássico e se atenta para o período arcaico é um Período de aumento da intensidade das coisas que já existiam no período anterior na chamada idade do ferro Então os gregos Eles já estavam em contato com vários movimentos mediterrânicos em particular o comércio dos fenícios eh que estavam colonizando o norte da África e todo o caminho pro Atlântico né os fenícios eles conectaram as duas pontas do Mediterrâneo o ocidental e o oriental no período arcaico Ou seja a partir do século vi os gregos eles Entram nesse movimento
e começam a também fundar colônias em grande medida os gregos fundam colônias aonde os fenícios ainda não fundaram ou seja os gregos eles são periféricos nesse movimento e a colonização grega a chamada colonização a gente não pode fazer o paralelo muito imediato com colonizações da idade moderna a colonização grega em geral era o envio de população para fundar uma comunidade Nova e que tinha laços mais ou menos Frágeis com as suas metrópoles tinha que eventualmente mandar oferenda para o Festival de um grande Santuário mas não tinha que pagar tributo no geral as colonias gregas formavam
cidades independentes e tem o caso de colonização duplicada Uma colônia Funda uma outra colônia que Funda uma outra colônia e cada uma delas Independentes que podem inclusive entrar em guerra fazer aliança pra frente e por aí vai é diferente do que os fenícios faziam os Fenícios faziam principalmente entrepostos comerciais né pontos de parada com pequenas fortificações e santuários para interagir com as populações locais os fenícios faziam algo mais próximo do que os portugueses chamavam de Feitoria os gregos eles montavam propriamente lá algumas colônias que a gente diria com alguma dificuldade né colonia de povoamento Mas
é claro que tirando todas as implicações pra história do capitalismo nesse Processo de expansão os gregos eles intensificaram o contato com as populações mediterrânicas com fenícios e com etruscos a difusão da língua da escrita alfabética provavelmente é um dos elementos dessa interação Mas eles vão levar lá também cultos dos Deuses e histórias mitos gregos para outras regiões e essas populações Esses povos vão interpretar do jeito que eles bem entendem essas histórias então por exemplo o Deus fundador de cidades dos Fenícios que era melcar que significa né o Fundação o o fundador de cidades Car cidade
em Fenício ele vai ser associado a héracles em grego né que é ou Hércules em latim na religiosidade Romana porque Hércules também era um viante que ia para lugares distantes então melkart heracles virou um Deus mediterrânico por meio dessa seleção de atributos né o Deus protetor da principal cidade de Fenícia que era tiro com o herói civilizador desbravador dos gregos que Era o eracles e outros cultos vão sendo reinterpretados e apropriados por várias populações um ponto de encontro de várias dessas influências é o norte da Itália é etrúria a etrúria vai estar em forte intenso
contato tanto com fenícios quanto com gregos e os etruscos vão fazer suas próprias cidades seus próprios templos e a sua própria escrita alfabética de olho nesses contatos Roma por exemplo surge Nesse contexto né a fundação de Roma tradicionalmente datada Do século VII que é quando etruscos estão em contato com fenícios em maior grau e em menor grau com os gregos as mudanças cívicas que estão acontecendo em Roma na Grécia também são Paralelos às mudanças cívicas das cidades fenícias Esse sistema de cidade por conselho que tem dois Reis que vai acontecer em Esparta e que vai
aparecer em Roma é uma solução Fenícia é por isso que muitos autores né você mesmo lembrou Norberto guino n e outros T pensado nesses termos De uma história mediterrânica porque não dá para separar a história dos gregos da história de várias outras populações do Mediterrâneo que aprenderam que o mar mais conecta do que divide então eles estão criando conexões e reproduzindo as suas próprias fronteiras Nesse contexto você está ouvindo o história [Música] FM o período seguinte seria o Período Clássico e É nesse momento pelo menos me parece que as duas cidades estados mais Famosas da
Grécia Antiga ganham o protagonismo que elas TM hoje no Imaginário Popular sobre gréce que são Atenas e Esparta então resolvi dedicar uma pergunta para cada então a gente pode começar com Atenas né qual é o papel de Atenas na Grécia daquele período porque que ela ganhou toda essa projeção você já deu uma pista disso né No começo do programa Mas enfim o que era Atenas nesse período tá excelente primeiro começar no contexto mais geral Né Atenas e Esparta se tornam mais importantes a partir do século vi elas são duas cidades muito particulares e excepcionais no
mundo grego porque elas são grandes São enormes Atenas é apenas a capital de uma região chamada Ática e todas as aldeias que compõem a Ática os chamados Deme em plural né no singular é demos se submetem a essa capital Atenas Esparta que nunca chegou a ser uma cidade Era só a cabeça de uma ampla região de cidades e aldeias dominadas Por Esparta que era a lacônia misturada com a messênia a messênia era uma região independente que os espartanos escravizaram né a população da messênia que são chamados de lotas nenhuma outra cidade grega conseguiu ser tão
grande quanto foram Esparta e Atenas eram cidades que tinham regiões e redes de aldeias para sustentar aquilo tudo só que mesmo assim Atenas e Esparta no século vi e depois do Período Clássico século V e qu não eram nada comparado ao Império Persa quando a gente fala da história da Grécia isoladamente parece que os gregos são máximo mas os gregos eles são assim é o Osasco do Império Persa né Não sei se todo mundo aqui tem a referência da importância central de Osasco mas era a periferia da Periferia ninguém ligava pro que tava acontecendo na
Grécia quando algum grego que queria viver o luxo e queria ficar rico ele viajava pro Império Pérsia ia ser Mercenário na Pérsia o centro do mundo Era a província da Pérsia era persépolis a capital do império que se estendia da Índia até a Macedônia do Azerbaijão até o Egito então é algo completamente fora de proporção quando a gente compara né Grécia e Pérsia a Grécia era uma periferia do P Pércia nessa Periferia existiam duas megacidades que morriam de medo de ser anexadas pelo Império Persa esse medo ele se constituiu né em realidade lá por volta
de 494 quando cidades Gregas da Ásia menor tentaram se Rebelar contra o Império Persa elas já haviam sido anexadas daí os atenienses ajudaram essas cidades a se rebelarem os ques falaram assim ah ah é a gente vai punir vocês e fizeram uma expedição para atacar Fogo com Atenas essa competição que tem as batalhas das termópilas né com os 300 espartanos tem uma série de conflitos Foi um sucesso eles conseguiram depois de né algum tempo conseguiram incendiar atenos atenes sobreviveram porque fugiram pros navios Mas é muito em função dessa proximidade ameaçadora do Império Persa né que
por fim não conseguiu anexar a Grécia Mas conseguiu destruir Atenas é que tanto Atenas quanto Esparta constituíram seus impérios Então vamos lá para Atenas at Atenas a gente conhece muito a arqueologia de Atenas já no século VII por meio da arqueologia funerária pelas sepulturas Atenas passa por um crescimento demográfico de toda a Ática né toda aquela região a partir do final Do século vi a população cresce o crescimento dessa população no período arcaico provavelmente levou a conflitos ou a tensões sociais você tem mais gente nascendo mais gente vivendo e você tem que definir quem que
vai governar ao longo do período arcaico várias soluções apareceram surgiram tiranos ou os mais ricos manipulavam e monopolizavam o poder ou na época de Solon criou-se um sistema que ao mesmo tempo protegia a riqueza dos ricos mas abrir a política Para uma classe média tem momentos que eles tentam cancelar as dívidas dos mais pobres em relação aos mais ricos e o período arcaico ele é muito agitado só que isso resulta numa estabilidade ou numa pacificação no final do século vi quando Atenas vira uma democracia sãoas chamadas reformas de clens qual que foi o acordo ateniense
acordo o seguinte a instituição mais importante em Atenas a que daria a Palavra Final pras questões era a assembleia a Assembleia de Atenas Na democracia ateniense concentrava por exemplo que hoje é o STF mais o Congresso Nacional eles elaboravam as leis e davam a Palavra Final para qualquer coisa que fosse discutido a assembleia elegia os magistrados que corresponderiam ao nosso Poder Executivo a assembleia ia decidir os casos que os tribunais eventualmente não decidissem eraa a palavra final e quem podia entrar na Assembleia podia entrar na Assembleia todo Ateniense filho de pai ateniense se era pai
e mãe desde o começo isso muda ao longo da história também é uma polêmica e que fosse maior de idade isso normalmente é visto como uma espécie de clube de condomínio né a assembleia tenens uma reunião de condomínio tem lá 30 pessoas mas a população habilitada a participar da democracia ateniense chegava a 40.000 ou seja 40.000 pessoas poderiam se reunir em assembleia e ter a Palavra Final sobre a maior questão não Há nenhum exemplo histórico de democracia direta tão Ampla isso era tão escandaloso que os aristocratas atenienses odiavam a democracia né Platão lá no diálogo
praxiteles ele chega a falar isso né põe na boca de Sócrates o absurdo que é um filósofo político um estudioso da apis ter o mesmo poder de voto que um salsicheiro porque na na prática na Assembleia Não importa se você é rico ou pobre se você é cidadão ateniense você participa Atenas portanto cresceu e ampliou alargou o seu sistema político mais gente passou a entrar pra vida e pro cotidiano político em Atenas em particular os mais pobres Possivelmente por conta disso as decisões de Atenas começam a ter uma agenda popular mais clara e essa agenda
Popular tá relacionada ao império tem um momento que é decisivo na história de Atenas né os peças estão lá ameaçando Atenas daí os aten Eles encontram uma mina de prata Na Ática na região chamada do Laura e daí o maior né Líder o político mais importante da democracia na época o temistocles Ele vai tentar definir o que que se faz né O que que eles devem fazer com a prata e ele consegue sugerir pra assembleia que eles mandem enviados pro Oráculo de Delfos pro santuário de Apolo falava do Futuro para dizer o que que eles
têm que fazer com aquela prata toda o oráculo diz que eles têm que construir uma muralha de madeira todo mundo ficou Indignado Como assim uma muralha de madeira coisa mais fácil de tacar fogo de derrubar mas o temisto ele sacou Muralha de madeira era uma Frota eles investem essa prata na construção de armamento de uma Frota enorme uma Frota que tem navios tremes né com três andares de remadores tem velas mas as manobras militares são feitas por esses remadores e quem são esses cadores são os cidadãos mais pobres o cara que não tem nada que
não tem oficina que não tem Um escravo que não tem terra ele vai ser remador então as decisões na Assembleia muitas vezes são tomadas pelo cara que não tem nada e esses cadores o que que eles querem eles querem domínio eles querem aumentar o império eles querem ter mais guerra para ir para serem remadores para alimentarem a Frota e conseguirem tributo das outras cidades então Atenas começa o seu processo de expansão por meio de uma Frota muito poderosa isso também atrai pra cidade Que vai ter mais dinheiro atrai intelectuais atrai a gente que era especialista
em Direito na sicília os caras mudam viajam para Atenas os que eram especialistas no discurso na retórica o sofistas viajam para Atenas dramaturgos Artistas em geral eles vão para Atenas Porque o mercado de Atenas é muito grande para alimentar tudo isso Atenas também vai aumentar o seu contingente de população escravizada os escravos eh vem principalmente da região Da trácia próximo da Macedônia no norte do mar egu e de outras regiões onde há guerras e os atenienses conseguem comprar populações escravizada existe um enorme debate sobre o papel da escravidão em Atenas né hoje em dia se
defende Não não é absolutamente um consenso mas se defende que é a escravidão o peso demográfico da escravidão era muito grande né devia ultrapassar o número de cidadãos se não ultrapassar chegava muito perto e que Havia formas de manumissão para tentar criar um equilíbrio e uma estabilidade social com a população escrava ou seja os escravos poderiam se tornar libertos o liberto em Atenas virava estrangeiro em grego meto ikos né aquele que mora junto assim como qualquer outro estrangeiro Eles não iam virar cidadãos era muito difícil virar Cidadão em Atenas diferente de Roma né que o
filho de um liberto em Roma era quase imediatamente cidadão romano em Atenas Não estrangeiro para verar cidadão e um Deus no acuda escravo liberto também mas isso criava uma possibilidade de pacificação e Ordem tem uma fonte interessantíssima do Século IV que fala que a democracia tenía é Absurda porque os escravos e os estrangeiros TM isonomia e isegoria isonomia é igualdade perante a lei junto dos cidadãos isegoria é a liberdade de discurso Por que que o cara fala isso né um texto chamado Constituição de Atenas um autor Conhecido como o velho oligarca do Século IV antes
de Cristo o velho oligarca ele fala olha por que que eles têm isonomia e isegoria você não distingue na rua Quem é cidadão e quem não é cidadão um cidadão ateniense de um estrangeiro ou de um esc usam a mesma roupa tem o mesmo rosto você não consegue distinguir eles claramente isso impede que um cidadão em particular um homem rico bata num escravo porque se você bater num escravo você corre o Risco de est batendo num cidadão pobre e se você bater num cidadão pobre em Atenas você tá ferrado ele vai te denunciar no tribunal
e você vai ser julgado por 200 pessoas que cujo sustento é ser jurado do tribunal ou seja outros cidadãos pobres Então os ricos e tendos o tempo inteiro tinham que mostrar que eram amigos da Democracia que apoiavam os mais pobres que davam presentes na forma de festival de teatro que armavam navios pra cidade Inteira e quem dava a Palavra Final era o cidadão pobre por ter esse poder extraordinário os escravos também tinham possibilidades de atuação e segurança porque os ricos eles se sentiam coibidos é por isso que é imediatamente compreensível porque os ricos atenienses odeiam
a democracia a democracia ser ateniense ela era Popular porque ela conseguia enquadrar os ricos e criava formas de participação da escravidão o que não quer dizer que era uma maravilha Ser escravo em Atenas tinham que trabalhar os escravos na mina morriam tinham uma média de vida baixíssima tinha todo tipo de violência sobre os escravos as mulheres estavam excluídas existiam formas também de brecha de participação das mulheres mas é um um um regime de exclusão em geral o que me parece que é importante paraa democracia ateniense é a gente entender que é uma experiência democrática com
limites que ainda pode ajudar a gente a pensar né a Pensar a nossa própria democracia Mas é isso né Atenas em síntese era uma cidade gigantesca que tinha uma rede de aldeias para sustentar aquela cidade enorme fez uma Frota montou um império que era gerido pelos cidadãos mais pobres o que tinha como consequência o impulso para aumentar o império o impulso para aumentar a população escrava no geral enquadrando os mais ricos e atraí a população até que chegou um ponto que Atenas era de longe a cidade de mais Populosa da Grécia apesar de somente 30.000
homens terem direito ao voto todos os oficiais da cidade eram eleitos e suas deliberações eram tomadas em público foi uma ideia que sobreviveu aos reis e tiranos dos séculos subsequentes para surgir novamente nas democracias do mundo moderno e Esparta ela ficou bastante famosa acho que dá para dizer que nas últimas décadas ela ficou bem famosa por causa da indústria cultural né grande parte por conta do filme 300 Dirigido pelo Z sneider que não é exatamente um um parâmetro para se estudar a Grécia Mas querendo ou não botou o nome Esparta e algumas concepções gerais do
que seria Esparta na cabeça das pessoas né então o que que a gente pode falar sobre Esparta é Esparta Era bastante diferente né normalmente aparece essa oposição que Atenas era política e Esparta era militar não Atenas era militar também e Esparta era política também mas o Militarismo em Esparta era mais estruturante paraa vida do do que em Atenas Esparta era um grande acampamento militar os espartanos Ou seja a pequena Elite que tinha direitos cívicos plenos em Esparta eles eram guerreiros profissionais né o tempo inteiro por toda a vida eles eram os guerreiros mais famosos da
Grécia no período arcaico e clássico com isso eles conseguiram submeter uma população enorme a um regime de escravidão que eram a População da messênia que alimentava esse ritmo e essa a o militarismo da própria sociedade espartana Esparta não era uma democracia era uma oligarquia a instituição mais importante em Esparta que dava a Palavra Final era a guercia né o conselho dos gueres dos velhos algo como foi o O Senado conselho dos senex os velhos em Roma portanto Esparta ela não era pequena ela era muito grande tinha muita gente ao redor era muito conectada com o
mundo esse mito do Isolamento Espartano é puramente um mito existiam populações submetidas a escravidão mas existiam comunidades adjacentes a Esparta os chamados periecos que eram eram populações do Peloponeso que tavam faam comércio faziam todo tipo de coisa com várias regiões do Mediterrâneo e Esparta portanto estava conectada Esparta diferente de Atenas não investiu numa Frota mas investiu na sua Infantaria então a Infantaria de Esparta tinha fama De ser imbatível tanto que as quatro aldeias que formavam o Esparta que não chegou nem a ser um um centro Urbano não eram amuralhada né os espartanos diziam que os
muros de Esparta eram peito de seus cidadãos os espartanos com isso eles conseguiam prestígio suficiente para serem os diretores ou os comandantes das grandes guerras gregas eles vão comandar a defesa da do continente grego contra o Império Persa quer dizer que não são eles que estão Guerreando o tempo inteiro eles estão comandando batalhões que vê de vários lugares mas eles conseguem fazer isso porque quando eles entram quando eles guerreiam Normalmente eles vencem dá para falar portanto de uma talassocracia em Atenas um império marítimo que vai se estabelecer sobre a Ilhas e depois sobre as cidades
do Caminho do Mar Negro enquanto Esparta tem o império territorial no Peloponeso isso tem manifestações diferentes na arqueologia Do Cis ele fala isso na história da Guerra do Peloponeso ele fala olha se a posteridade se alguém do Futuro viajasse hoje né viajasse pro meu tempo lá do século V e visse Atenas e Esparta acharia que Atenas é muito mais poderosa do que é e Esparta é muito menos poderosa do que é porque em at Atenas e os Péricles e os grandes dirigentes da democracia e a própria Assembleia decidiu por projetos de monumentalização construíram grandes templos
com os Tributos das cidades dominadas grandes santuários grandes edifícios estoa e prédios multifuncionais e por aí vai os espartanos eles não se urbanizaram ou seja se a gente achar que tamanho da paisagem urbana monumentalidade significa poder os atenienses podem parecer mais poderosos e os espartanos menos porque em Esparta eram essas quatro aldeias mas o fato é que Esparta tinha um império direto sobre se eu não me engano 3/5 mais a metade do que o Peloponeso e tinha um prestígio ou um império indireto sobre outras populações que cediam soldados para as expedições comandadas pelos espartanos então
Atenas e Esparta eram as grandes potências no mundo grego na periferia desse enorme gigantesco Império Persa quando os persas TM então anexar a Grécia os persas não conseguem por uma coalizão comandada por Esparta mas que tem uma proeminência muito forte de Atenas os persas abandonam o projeto de anexar de Transformar a Grécia numa satrapia mas Eles continuam dominando a geopolítica grega tanto que quando Atenas e Esparta entraram em guerra isso foi motivado por Corinto Corinto e Atenas disputavam o comércio no Mediterrâneo Central Corinto era aliada de Esparta provocou Esparta a entrar no conflito e daí
vem a Guerra do Peloponeso mas o que vai decidir a Guerra do Peloponeso foi a sessão de navios pelo Império Persa para os espartanos os espartanos venceram os Atenienses com apoio persa seja os persas continuaram governando controlando a geopolítica do mundo grego mesmo sem ter anexado diretamente essas cidades e daí quando os gregos queriam fazer qualquer coisa pediam apoio de um governador de um satrapa persa paraas suas próprias guerras né como hoje na América Latina em relação a Estados Unidos a outras grandes potências O que é importante ressaltar É também sobre o Século IV quando
tem a Guerra do Peloponeso a histografia mais tradicional começa a falar que a derrota de Atenas dá início à decadência da Grécia né Porque os gregos eles perdem o ímpeto democrático e daí é só uma preparação pras conquistas de Alexandre Só que essa ideia ela é parte do discurso político de Atenas quando a Macedônia aparece no Século IV como uma potência a Macedônia era um reino em parte grego em parte cultura trácia e balcânica e que vai se helenizar vai Adotar muitos traços culturais gregos em particular na corte mas tá muito ligada a Pérsia também
então a Macedônia ela junta o que há de mais interessante na Pérsia que é a sociedade corte e a centralidade na figura do Rei com o que há de interessante no mundo grego que é um tipo de guerra feita por oplit né Por camponeses que se armam e que guerreiam lado a lado quando a Macedônia aparece no horizonte geopolítico grego a alguns políticos são contrários e vão criar Argumentos um deles é o Demostenes e daí o Demostenes fala olha no Período Clássico ou melhor no século V nós vivíamos em casas pobres mas tínhamos um grande
império hoje no Século IV nossas casas São suntuosas e não temos mais nenhum poder é o reino do privatismo demoss dizia isso mas ele tava mais jogando com a plateia do que descrevendo a realidade arqueologicamente isso não é visível não tem isso daí não faz menor sentido mas o que que o demos estava Dizendo Olha a gente tem que de novo pensar no público para se defender da Macedônia como a gente se defendeu do Império Persa o problema que em Atenas é que tinha um monte de gente que queria aliança com a Macedônia para atacar
o Império Persa e demos era contrário a isso mas aí ficou a ideia o Século IV é de decadência da história da Grécia decadência nada né Atenas perdeu o império Esparta construiu o império depois perdeu daí Tebas fez o império e As cidades continuaram vivendo as cidades continu existindo Esse é um dado importante existiam mais de 1000 cidades Gregas nós conhecemos o nome de cada uma dessas mais eu acho são 1030 cidades Gregas no total as cidades gregas nunca foram independentes e Livres totalmente porque boa parte do da história da Grécia havia um império seja
um império externo seja o império de uma cidade sobre todas as outras então Independência geopolítica era um Privilégio de algumas poucas cidades no geral a cidad estava submetida D uma liga dominada para uma cidade mais importante então isso não muda os gregos não deixam de ser gregos depois que são dominados por outros impérios porque isso é parte da história grega é só os atenienses perderam o poder mas outras cidades cresceram também e o período conhecido como helenístico esse termo ainda é usado e o que que ele tem de diferente em relação Aos outros por que
que se classifica esse período de uma maneira diferente é o o termo ainda é usado com os mesmos problemas do período arcaico e clássico ó sempre fazendo a a ressalva mas ainda não tem nenhuma grande alternativa grande mudança desse período é que uma sociedade do Norte da Grécia a Macedônia Conquista estabelece hegemonia sobre as cidades gregas do continente exceto Esparta Esparta ainda mantém uma Independência até o século II mas depois Vai perder também e a Macedônia o reino da Macedônia primeiro o rei Felipe depois seu filho Alexandre usam a potência militar dessas cidades que faziam
guerra desse tipo específico que é guerra tica em que os guerreiros guerreiam lado a lado com armamento defensivo pesado né com armadura capacete escudo lança e Espada mas principalmente defensivo para ir avançando em bloco com uma inovação que é guerra em Falange né que são Corredores de guerreiros com lanças de tamanhos diferentes a Macedônia Ela Une essas várias cidades Gregas e direciona essa energia contra o Império Persa Esse é o projeto de Felipe da Macedônia ele morre antes de realizar mas quem vai realizar é Alexandre Magno né O Chamado Alexandre o Grande Alexandre ele com
o exército gigantesco composto por gente de várias cidades Gregas ele invade o Império Persa e ele vence três grandes batalhas conquistar o império não Significa conquistar todas as regiões Palma a Palma isso tem a ver com a natureza do próprio Império Persa o Império Persa não era nada parecido com o Estado Nacional contemporâneo o Império Persa era uma dinastia uma família governante que ficava viajando em quatro capitais persépolis sua a Babilônia e equ batana que é a capital da Média essa família com cabeça com o imperador viajava entre essas várias cidades e recebia tributos de
várias Regiões mas não simplesmente recebia tributos ela também devolvia na forma de presentes na forma de estrada na forma de um monte de coisa era um sistema tributário que também gerava crescimento econômico para várias regiões o que que dava direito a essa família de se dizer rei dos reis né dizer que eles eram imperadores era o fato de que ninguém mais podia dizer isso se alguém no Império Persa dissesse que não o cherches não o daril mas beltrano era o Rei dos Reis aí cherches com toda sua rede de alianças montava um exército e ia
acabar com esse rival os gregos não tentaram dizer isso ninguém tentou dizer isso até Alexandre Alexandre ele jogou todas as fichas na primeira grande batalha e venceu quando ele vence a primeira da Batalha já boa parte da rede de alianças da casa aquemênida lá com daril iceo começa a se desestabilizar porque as pessoas pensam bom e agora quem é o rei dos reis é o Dari io filho De um aquemênida como todos os outros anteriores ou é esse novo cara Alexandre vamos ver a segunda batalha vem a segunda batalha Alexandre vence isso gera uma onda
de deserção da causa aquemênida na direção de Alexandre a terceira batalha foi o golpe de misericórdia é algo parecido né ainda que com muitas diferenças com a conquista espanhola de México né os espanhóis eles não conquistaram o México inteiro eles conquistaram uma cidade que Era México tenan a capital mexica a capital do império Azteca ao conquistar a cabeça do império Azteca conquistar México teno chuã as várias redes de aliança fiéis aos Aztecas agora não passam para a corua espanhola Então os espanhóis eles trocaram a cabeça do império tanto que populações Aztecas e elites Aztecas guerrearam
no norte do México para a coroa espanhola cedendo territórios conquistados que eles nunca haviam conquistado mas que agora eles Iam administrar as tecas submetidos à coroa espanhola Então o período helenístico é o período que começa com essas conquistas de Alexandre que realmente são coisas incríveis acabando com o império Universal da época que era o Império Persa e construindo um novo agora administrado por gregos por esse período chamei helenístico que é o primeiro momento que os gregos deixam de ser Periferia e passam a controlar um sistema muito amplo que ia da sicília Até a Índia o
Afeganistão o tajiquistão E por aí vai no entanto né E essa é a tragédia da história Alexandre morre né pouco tempo depois de pacificar o império né de acabar com as guerras de conquista deixam o herdeiro criança filho dele com a filha do Imperador persa ele próprio se colocou como um continuador do Império Persa deixou um filho né criança Alexandre que vai ser Ass assinado pelos postulantes ao trono pelos pretendentes e daí o grande Império de Alexandre se fragmenta em três grandes reinos cada reino vai tentar ser o império Universal Mas vai ser bloqueado pelos
outros dois um reino no Egito governado por pitolomeu um general de Alexandre outro reino na Macedônia governado primeiro por lisímaco depois vai ser governado por antígono que gera uma dinastia também General de Alexandre e um terceiro reino maior deles que é o reino da s ou reino da Ásia que foi dado que foi conquistado Por seleuco e d origem à dinastia seleucida esses três reinos eles vão ter uma história muito particular cada um o reino ptolomaico do Egito ele tá centrado no Vale do nilo apesar da capital ser em Alexandria por conta dos contatos mediterrânicos
o que sustenta esse Império é o Vale do nilo que é um estado Unificado desde 3000 antes de Cristo com alguns períodos de de autonomia local né são chamados períodos intermediários a Macedônia é a Macedônia Há muito tempo e vai ter estabilidade o problema da Macedônia vão ser as cidades gregas tentando se rebelar o tempo inteiro e pedindo ajuda do Egito e da Ásia já o império seleucida na Ásia é muito mais complicado porque é o território de quase todo o antigo Império Persa então tem populações muito distintas tem cidade independente tem Principado tem reino
que devem ser submetidos ao novo Imperador que ninguém sabe da onde vem que é o tal do seleuco Quando seleuco morre e acende seu filho vem Aquela ansiedade o filho vai continuar o pai vai manter a estabilidade ou vai zonear E daí grupos começam a querer a separação inclusive generais macedônicos que governavam províncias distantes Tipo na baa no Afeganistão ou a pártia também Lá próximo do Cáucaso começam a tentar Independência ou os atalas IMP perg e aos poucos né paulatinamente o império celeus ele vai se fragmentando em vários Reinos Independentes que se separam do império
até que no final do período helenístico quando dos Romanos entram na história o Império celeus da corresponde só à Síria e um dos povos uma das províncias que conseguiu Independência que é a partea independência construída por um povo que vinha da Ásia Central Os farne e da dinastia arsa eles próprios começam a fazer um império no Oriente próximo e reconquista territórios que antes pertenciam aos persas E então Pertenciam aos selêucidas ou a reinos independentes e daí os arsacid ou o império parto que começa na partea se coloca como uma espécie de continuador tanto dos aquemênidas
quanto de alexandrea eles vão cunhar moedas com escrita grega mas com figuras típicas da Ásia Central tipo o Arqueiro né com simbologias dos povos nômades da Ásia Central que é da onde vem a população pelo menos o grupo dirigente Esse é o contexto geopolítico geral três grandes Reinos com características diferentes no meio disso as cidades gregas estão tentando se virar e cada uma se vira do jeito que dá Esparta ainda tem um exército razoável Atenas não tem nem Frota nem exército mas tem prestígio Cultural de um jeito inigualável tem três escolas filosóficas a escola de
Platão academia o liceu de Aristóteles e o grupo que vai dar origem a estoa dos estóicos depois aparece uma quarta escola dos Jardins de Epicuro dos Chamados epicuristas então onde a gente vai estudar lá tem santuários construídos após a vitória sobre os persas cheio de referências aos persas então Atenas é uma espécie de monumento da Vitória prga sobre os peças e por aí vai Delos tem o santuário de Apolo Delfos o outro santuário de Apolo Olímpia o santuário de Zeus aonde eram realizadas as Olimpíadas outras cidades tentam jogar dentro desse mundo se a gente olha
um pouquinho pro Mediterrâneo Central esse é o momento que Roma tá fazendo guerra contra Cartago e aí durante essas guerras tem um momento que Cartago faz uma aliança com a Macedônia contra Roma Porque os gregos estão de olho nesses bárbaros aí os tais romanos Nesse contexto Grécia entra no momento da expansão Imperial Romana quando os romanos vencerem os cartagineses a próxima coisa que eles fazem é fazer guerra contra os macedônios e aos poucos os romanos vão dominando as cidades e os Grandes reinos helenísticos do Mediterrâneo oriental quando os romanos fazem isso lembra que eu falei
dos partos lá no Oriente próximo eles aumentam o império deles no Oriente próximo o final dessa história é já com Augusto Antônio já no final do século io antes de Cristo é que o mundo está dividido em dois Mega impérios universais ou seja impérios que se querem únicos unicamente legítimos o império romano no Mediterrâneo o império Parto arsa no Oriente próximo que são impérios de poder equivalente os partos conseguem se sobrepor aos romanos nos dois primeiros séculos depois começam a sofrer uma série de derrotas e que os romanos vão considerar os grandes rivais são os
arque inimigos como a gente tem uma visão ainda eurocêntrica da história da antiguidade parece que os romanos Eles simplesmente vão conquistando e o território o mundo inteiro vai submetendo a eles mas o fato é que no Final do período helenístico se organiza um sistema Imperial Dual o império romano no Mediterrâneo o império parto no Oriente próximo que depois na antiguidade tardia vai virar um sistema dual com o império romano tardio cristão no Mediterrâneo e o Império Persa sassas Zoro asista no Oriente próximo Eu particularmente né hoje estudo pío eu tô interessando AD nessa transição no
momento clássico em que só havia Império Universal no Oriente próximo e o Mediterrâneo tinha várias cidades e Ligas para um período posterior ao helenístico quando existem impérios nas duas macror regiões o período helenístico é o período de passagem é a grande transição se quiser um paralelo é o que a gente tá vivendo né É é o modo como eu entendo o perodo contemporâneo ou seja essa exceção na durante a qual um povo periférico a Europa ocidental e os Estados Unidos se tornaram centro do mundo a gente tá voltando agora para um Sistema mais equilibrado de
centralidade na China e na Índia né com a Rússia e com a articulação do ocidente como um dos blocos de poder mas não como o grande bloco o que a gente assistiu nos últimos 200 anos me parece é a formação de um bloco Imperial consistente no ocidente assim como no período helenístico o mediterrâneo aprendeu a brincar de império e agora a gente volta para um sistema mais equilibrado com um componente a mais como havia no período Em que romanos e partos dividiram a afro eurásia [Música] ocidental o leitura obriga história é um selo de produção
de podcasts de história e humanidades e a nossa campanha no apoia-se financia esse e todos os outros podcasts Então acesse apoia.se barriga hisória e colabore para manter esse projeto Educacional gratuito no ar [Música] enquanto nesses dois primeiros blocos eu Resolvi focar um pouco mais num história factual vamos dizer assim eu queria pegar esse último bloco para falar um pouco mais de historiografia e coisa do tipo e eu queria começar perguntando sobre religião na Grécia antiga eu não quis fazer uma pergunta específica a qu quem eram os deuses do Egito esse tipo do Egito não da
Grécia perdão esse tipo de coisa porque isso rola né se eu for falar sobre isso dá um episódio inteiro mas eu quis trazer essa questão porque Tem um livro relativamente conhecido pelo menos pra galera de história que é um livro do polven chamado os gregos acreditavam em seus mitos que tem até uma versão mais antiga que foi publicada com o título traduzido acreditavam os gregos nos seus mitos né e bom eu comecei a ler esse livro eu larguei ele logo no começo porque eu tinha outros interesses falta de tempo etc mas eu queria te perguntar
exatamente qual é a tese que o pol vend tá defendendo ali Que debate é esse que o polven tá trazendo sobre religião na Grécia antiga Maravilha is é um grande campo de pesquisa né uma área dentro da história da Grécia ou da história antiga em geral que é muito rica e que é objeto de uma série de inovações metodológicas e teóricas o padrão anterior assim até meados do século XX era de se fazer essa história mais coerente da religião grega né que os gregos têm lá os 12 Deuses olímpicos Quais são os 12 obviamente Varia
eh com o tempo tem os seus sistemas de santuários tem uma quase uma teologia grega a partir dos anos 70 né 60 e 70 se organiza a chamado escola de Paris o grande representante da escola de Paris é o Jean Pierre vernan O vernan e que tá em diálogo com o Paul ven né o vernan é até talvez mais conhecido né do pco brasileiro tem mais livros traduzidos como mito e política na grcia antiga mito e tragédia na grcia antiga desde os anos 80 Ele defende uma visão Estruturalista da religião grega ele fala que é
possível fazer a história da religião grega em termos de oposições existem Deuses opostos a partir de atributos semelhantes por exemplo Atena é a deusa da guerra e Marte é Deus da Guerra só que a guerra representada por Atena e por Marte é uma guerra diferente são guerras Opostas Atena protege ou orienta ou guia a guerra estratégica enquanto Marte guia ou ele próprio é a guerra destrutiva existe o Deus da Monarquia positiva e o Deus da monarquia negativa Zeus e posseidon o céu e o mar existem figurações diferentes da mulher e sempre em termos de oposições
o Deus civilizado Apolo a razão o direito é irmão gêmeo da deusa selvagem ártemis a caça a floresta e por aí vai ou seja se a gente consegue estabelecer todo o jogo de oposições dos deuses gregos a partir dos mitos a gente entenderia a gramática da religiosidade grega se Quais são as regras gramaticais que estruturam as Oposições que criam-se sentido dentro da religiosidade grega algo que o listr fazia com os sistemas de parentesco né revelados pela etnografia mais ou menos contemporâneo ao a grande produção do do jeanpierre vernan mas principalmente a partir dos anos 80
aparece uma linha representada por um Historiador arqueólogo alemão que é o Walter burket que vai defender que a religião grega ela é mais caótica do que o vernan apresenta quando você olha Santuário por Santuário é tudo muito mais complicado né Eu já comentei se eu não me engano no primeiro bloco cada santuário de um mesmo Deus tem rituais diferentes pede sacrifícios diferentes tem músicas diferentes a composição do pessoal sacerdotal se é composto por homens por mulheres por homens velhos por crianças é diferente varia de Santuário para Santuário então a Rigor não dá para falar de
uma coerência ou de uma gramática da religiosidade grega se é Tudo tão variado se é tudo tão diversificado é difícil até falar em uma deusa chamada Atena porque existem várias Atenas vários cultos de Atena que apontam para relações diferentes com essa divindade então isso tudo é muito mais complicado e aí a gente vem pro problema da crença ou seja se a gramática da religião grega é mais uma invenção intelectual do que uma realidade do que que os gregos acreditavam e é a questão que o po veine Vai abordar um dos exemplos muito interessantes que o
o Paul veine usa é de Heródoto Heródoto né que é um habitante de alicarnasso é uma cidade antigamente dominada pelos persas por algum período independente depois se fixa em Atenas e depois vai virar um dos colonizadores de turio que é uma colônia feita por Atenas Heródoto escreve lá por volta de 440 antes Cristo uma história da Guerra dos gregos e dos persas né ele chamou esse livro de histórias a Abertura das histórias é marcada por uma frase né Heródoto diz a o típico Heródoto de alicarnasso expõe aqui aos seus investigações acerca né dos feitos gloriosos
tanto de gregos quanto de Bárbaros e das origens das desavenças entre gregos e bárbaros para que não se evam com tempo etc etc Heródoto ele quer falar que a história das Guerras Médicas entre gregos e persas ela é apenas uma etapa da oposição entre gregos e bárbaros Bárbaro não é necessariamente Pejorativo para Heródoto ele representa o sábios bárbaros Os Bárbaros ensinam os gregos a fazer algumas coisas mas ele faz essa história e quais são os antecedentes das oposições ou da oposição entre gregos e bárbaros Heródoto menciona O Rapto de Europa Europa seria uma mulher raptada
por um grego né que levou lá pra Creta ele menciona Il e ele menciona Helena Europa Il e Helena São personagens míticos Europa foi raptada por Zeus e né a Argiva é a mãe se não engano do Perseu Helena é filha de Zeus né que foi raptada lá por pares Alexandre só que Heródoto menciona esses mitos tirando os deuses e dizendo que ah Europa foi raptada por um grego Il foi raptada por um Fenício Helena foi raptada por um Troiano como se fossem populações de Mercadores Navegantes fazendo aquilo ou seja ele faz algo parecido com
o que o diretor do filme Troia com Brad Pitt fez contar a história da guerra de Troia sem Os deuses ele tirou os Deuses para deixar a história mais plausível bom isso significa que Heródoto não acreditava nos Deuses que era tudo uma bobagem não p ven ele vai investir pelo caminho do gênero ele vai falar olha quando você tá escrevendo história os deuses não podem ter uma agência tão constante ou tão direta na sua narrativa os Deus eles constroem eles fazem eles têm alguma agência por meio de Tempestades por meio de grandes Catástrofes ou transformações
da natureza mas os deuses não dessem na terra nos livros de história isso é considerado fábula pelos historiadores da antiguidade o que não quer dizer que Heródoto não fizessem um sacrifício para Zeus ou seja os modos de se fazer referência aos deuses e de se pensar aos Deuses variavam em função de qual contexto e qual prática social o indivíduo estava inserido Sócrates ofertava bolo no altar de Zeus o que não Impedia ele de questionar se tinha sido Zeus ou não que guerreou contra os Gigantes né os filhos da terra percebe Ou seja a tese aqui
ó e esse é o debate contemporâneo é entender como cada prática social concreta e específica modula a crença que os indivíduos e grupos tinham em relação aos deuses e daí fundamental definir qual é o contexto de cada prática e daí nós temos pelo menos três contextos O Primeiro o mais tradicional é o contexto da polis Alguns chamam isso de Polis Religion ou religião polad a polis era uma esfera de relação com os deuses era uma mediação importante porque apolis tinha cultos oficiais polí Ades que envolviam às vezes a comunidade inteira e eram financiados com dinheiro
da comunidade inteira culto de ártemis no bruum em Atenas né o culto de Atena polí de os rituais das panateneias E por aí vai então tem todo um regime né e um sistema de santuários e cultos e práticas Religiosas que são do universo da pólis o efebo Né o jovem que tá sendo educado para ser um guerreiro para ser um um Pensador grego ele fazia uma série de rituais religiosos que eram rituais de passagem para ele se tornar adulto né ele por exemplo eles pegavam um navio e iam pra Creta para repetir o caminho que
tezeu fez para combater o Minotauro no labirinto de Creta Então tinha esse tipo de ritual um segundo contexto é religião privada as casas também eram focos da Atividade religiosa as casas tinham a sua lareira tinham o seu Altar tinham seus objetos tinham seus amuletos e a arqueologia mostra uma riqueza e uma diversidade muito grande da religiosidade doméstica que às vezes envolvia o culto de Zeus que não era um Deus exclusivo da pólis uma terceira esfera é a chamada esfera panela ou seja cultos feitos para todos os gregos em grandes santuários que recebem seja todos os
gregos seja toda a humanidade e Daí é a religião praticada no Oráculo de Delfos que é a coisa mais próxima do Google que havia na antiguidade todo mundo ia fazer pergunta pro Oráculo de Delfos para Apolo os sacerdotes ouviam a pergunta dava uma resposta se a coisa desse certo a pessoa ia lá e dava uma oferenda em agradecimento ao Apolo ou seja os sacerdotes sabiam o que dava certo e o que dava errado e todo mundo ia falar todas as coisas doos sacerdotes eles sabiam tudo era um poder Extraordinário tinha o santuário de Apolo em
Delos que é a ilha onde diz o mito Apolo nasceu tinha as Olimpíadas em Olímpia né esses eram rituais que envolviam todos os gregos tinham também rituais de mistério por exemplo os mistérios de eleuses em Atenas eram abertos para toda humanidade homem mulheres escravo grego Bárbaro tanto faz todo mundo ia lá passava por rituais de purificação e iniciação nos mistérios de eleuses que era uma um dos Demons de Atenas e depois de purificado iniciado ouvia qual era o mistério que envolvia o mito de demetter indo resgatar Perséfone no mundo dos mortos de Hades e era
um mito ligado à agricultura porque Perséfone volta floresce as plantações depois ela vai de novo pra terra com uma semente no período que tem que esperar pra germinação e o crescimento e até a a colheita e num ritmo cíclico a gente não sabe qual era o Mistério de Eleusis ou se alguém sabe não pode falar porque se Alguém profana O mistério é imediatamente morto né Tem até o caso de um arqueólogo grego no século XX que ele dormia em eleuses para ver se em sonho demetter aparecia para ele para falar qual que era o mistério
se demeter apareceu ou não a gente não sabe né o fato é que ele não contou pelo menos disse que não sabia qual era o mistério mas todo mundo se iniciava em eleuses né Os imperadores romanos vão se iniciar em eleuses tem um episódio que Otávio Augusto vai se iniciar em Eleusis e lá ele recebe uma Embaixada da Índia e um braman indiano taca fogo em si mesmo lá em eleuses que é uma cena que a gente vê até hoje acontecer né os indianos tacando fogo e sem emitir nenhum grito de dor isso aconteceu e
tá documentado no ano de 19 antes de Cristo em eleuses próximo de Atenas diante do Imperador Otávio Augusto isso era um nível panelo ou até ecumênico né para toda a humanidade da religiosidade grega então A gente tá a pesquisa hoje é estudar como cada contexto cria mediações e modulações específicas na relação dos gregos com os deuses com os os heróis e consigo mesmo você já falou um pouco disso aqui no episódio mas eu quero tocar no assunto de novo porque abre brecha para a gente aprofundar um pouco mais que é essa coisa de que né
a historiografia Em algum momento começou a ver uma historiografia já antiga né nem tô falando de uma historiografia Contemporânea mas começou só a ver a Grécia com esse olhar de berço da civilização ocidental o berço da Democracia o berço da filosofia filosofia teria nascido na Grécia coisa assim e a gente sabe que esse debate é muito mais complexo do que isso né que tem muita questão política e até nacionalista por trás desse tipo de fala então eu queria deixar Berto não vou nem direcionar a pergunta mas queria pedir para você comentar um pouco essa noção
De Grécia como beço da civilização ocidental né de quando que isso surge E por que não é bem por aí né é o isso que eu já comentei né a ideia de berço a Grécia com o berço da civilização em geral isso é muito curioso é uma ideia ateniense os próprios atenienses quando perderam a frota começaram a dizer que eles haviam inventado a cultura usando para isso o exemplo de Eleusis o mito de Eleusis né demeter quando tá em busca de persanes que foi raptado a por Ades ela Passa por várias localidades até que ela
para em eleuses para ver se alguém tem alguma pista e os reis de heleus recebem muito bem demeter quem estava lá envolvido el mpo tripop recebem muito bem demeter e em reconhecimento a essa boa recepção pelas regras gregas né eles davam uma importância extraordinária só leceia para ver como que eles davam importância para os rituais de recepção e de cordialidade né você ter bons anfitriões em recompensa demetre ens num Agricultura pros Reis de eleuses e os reis de eleuses ensinaram agricultura para toda a humanidade os atenes tavam essas né eles falam Olha a gente inventou
a agricultura ensinamos eh para vocês fomos ensinados por demetter a gente também a escola da Grécia né isócrates falava isso nos seus discursos temos a filosofia nós ensinamos vocês a pensar nós somos os grandes líderes vencemos os persas Ou seja a cultura grega começa aqui aqui é o foco no Século IV ninguém caía nessa no século io quando as monarquias helenísticas governadas por macedônios precisavam se apresentar como gregas essas monarquias começam a dar um monte de presente para Atenas e começam a reforçar essa ideia de que o centro da cultura grega é Atenas quando os
romanos chegam na Grécia eles chegam no momento em que Atenas é considerado Super Centro com filiais IMP pérgamo em Alexandria e os romanos compram essa ideia e as próprias Fontes romanas começam a falar que a cultura surgiu em Atenas e na Grécia em geral ou seja essa ideia já existia na antiguidade era uma jogada política de Atenas consu de sobreviver sem Frota sem exército num contexto extremamente perigoso essa ideia será retomada depois da hegemonia da Bíblia e do Cristianismo né no prio de hegemonia da cultura Cristã na consciência europeia né e também nos contatos com
as outras populações a Grécia não é tão importante Muito mais importante é Jerusalém e a história bíblica de Israel quando no século XVII a Bíblia Deixa de ser a referência orientadora para organizar a história geral da humanidade os estouradores vão ter que buscar outra fonte E aí tem um personagem que é fundamental que é um sujeito chamado barton Nibo o Nibo é filho de um explorador que foi até para persépolis né o carsen Nibo dinamarquês ele próprio barton Nibo el é dinamarquês mas vai se Fixar na Prússia estudava grego latim árabe todas as línguas e
geografia e etnografia desde criança sem poder sair de casa ele diz né que não podia nem sair pro quintal para brincar que a mãe ficava desesperada então ele devorava a biblioteca dele ele era muito bom de grego E latim fez faculdade de direito começou a estudar Direito Romano e foi convidado em 1810 para ser professor de história antiga e história de Roma na universidade de Berlim que foi uma Universidade criada pelo filósofo pelo Fist com um tom antin napoleônico muito grande e a missão da Universidade de Berlim era identificar o que que era a cultura
alemã em particular no âmbito do direito visando a formação de um Estado alemão Unificado né o unívoco vai ser colega por exemplo do Hegel e do savini né o Hegel na filosofia o savini na história do direito que é o fond savini da história do direito ou seja o nibor ele tá nesse contexto e daí ele tem esse Problema como que eu conto a história da antiguidade e a história do mundo em geral sem a Bíblia porque tentar juntar a história de todos os povos lá na história dos judeus é muito artificial ele diz ele
escreve literalmente isso né era as aulas dele foram gravadas foram gravadas não desculpa né foram anotadas né e registradas pelos alunos ele diz na primeira aula eu falo olha como eu sou filólogo estudo grego E latim e não teólogo não estudo hebraico não me Oriento pela bíblia Eu escolho os textos gregos e latinos para organizar história e assim ele cria um método de crítica documental a chamada crítica histórico documental para se fazer história do mundo antigo a partir das fontes textuais Gregas e romanas o método é eu não posso acreditar totalmente nas fontes eu não
posso duvidar totalmente das fontes eu tenho que avaliar por critérios de plausibilidade qual trecho é confiável qual trecho é implausível ou Seja ele faz algo parecido com Heródoto assim ele faz nada menos do que inventar a disciplina moderna de história um aluno do nibor é alguém que a gente conhece mais que é o hanke que vai fazer isso pra história geral e o nibor ele começa a contar a história da Europa a partir dessa figura de da Grécia como berço da civilização ele nem começa a história na Grécia mas a Grécia do Período Clássico é
o grande período de Apogeu a Grécia do período helenístico é O fim do mundo é o que eles ele faz a comparação da Prússia dominada por Napoleão Bonaparte a época de decadência e por aí vai então essa ideia de que a Grécia tá no berço ela vem da antiguidade e ela tá no nascimento da própria ideia de história contemporânea acadêmica Universitária para essa inovação metodológica do nibor que é o que a gente ainda faz hoje né refinando os critérios isso foi usado pelos estados nacionais no século XIX e XX Para fortalecer a sua própria identidade
então Roma fez um grande império baseado num direito racional supostamente racional então vai se ensinar nas universidades e escolas direito romano e é o Direito Romano que vai orientar as constituições dos vários países em diálogo com os direitos consult ordinários vários nas universidades vai se ensinar filosofia como Platão sistematizou nos diálogos então começa a estudar os gregos vai se fazer teatro e Fazer escultura e arquitetura a partir dos moldes gregos e das releituras romanas os órgãos públicos os edifícios de órgãos públicos são construídos com colunas com arquitrave com frontão triangular com escultura de estilo greco-romano
ou seja o mundo greco-romano passou a ser considerado o berço da cação ocidental e desses traços que o ocidente trazia para si que era racionalidade tanto no estado quanto no nível do pensamento acompanhado por uma Estética PR que é chamada estética clássica o problema dessa ideia é que ela serviu para justificar ou para explicar como que a Europa se tornou de periferia em Império Central num nível mundial e os impérios europeus justificavam a dominação sobre os outros povos dizendo Olha a gente Domina vocês porque nós temos gregos nós tivemos gregos vocês não tiveram tem né
o movimento de intelectuais no México o martir em Cuba participou disso também Né no final do século XIX de tentar procurar os gregos e os romanos da América os maias viraram gregos intelectuais os Aztecas viraram Romanos expansionistas mas era tão louca essa febre de encontrar gregos e Romanos na própria história que todo mundo tentava fazer por quê Porque essa foi considerada a chave da dominação europeia era preciso encontrar um grego no passado para justificar a sua Dominação e só os europeus supostamente Tinham isso quando os impérios europeus caem depois da segunda guerra mundial de modo
mais intenso até os últimos né em portug 75 essa ideia fica completamente bizarra ou seja se os gregos são a chave do Sucesso europeu os impérios europeus deveriam durar para sempre não deviam ter criado e gerado tanta barbaridade quanto fizeram na África na Ásia e na América se os impérios europeus são mais violentos do que civilizatórios e acabam né sendo finitos ao invés de infinitos Talvez os gregos não sejam lá tão decisivos para uma história e aí continuar contando a história dos gregos como berço da civilização em geral no mundo inteiro no Brasil na África
na China na Índia é uma coisa completamente bizarra Porque os gregos eles né a cultura grega foi uma das múltiplas culturas do Mediterrâneo que é uma das múltiplas regiões do mundo que geraram cultura que geraram tradição literária que geraram formas políticas e por aí Vai ou seja essa excepcionalidade dos gregos ela só funcionava para falar que os europeus eram excepcionais quando europeus e norte--americanos ocidentais em geral perdem a centralidade já não faz mais sentido ter que explicar que eles são excepcionais e daí não faz sentido falar que os gregos eram excepcionais é por isso que
hoje a gente tem flertado muito mais com a história Global seja a história Global insere a cultura grega nos seus contextos Espaciais assim como a cultura brasileira só se entende no seu contato com as diferentes partes do mundo em diferentes momentos de sua história não existe história isolada a história Global entra aqui não para tratar das origens do presente das origens da civilização dental não sei o quê mas sim da história de como diferentes sociedades do mundo criaram processos de integração que criaram um trabalho moto que foi sendo acumulado selecionado Congelado renascido e que eventualmente
o ocidente ia transformar na globalização contemporânea e que a China vai transformar em outra coisa na China Os caras estão estudando loucamente história do Egito história da Grécia história de todo mundo porque eles estão propondo uma outra globalização também vinculado também em paralelo com a própria história chinesa e dos vários períodos da história chinesa que eram contemporâneos da história da Grécia ou Seja pensar que a Grécia é o bril do ocidente é errado porque justifica é moralmente errado porque justifica o imperialismo e a violência Imperial europeia contemporânea e é intelectualmente errado porque esquece que várias
outras sociedades também se apropriaram de saberes gregos por exemplo a filosofia grega no mundo árabe e por aí vai ou seja os gregos eles não são europeus a Grécia nem ficava na Europa a Grécia também era a Turquia a Grécia também era África né então esse saque europeu da Grécia é moral e intelectualmente equivocado as ideias de Sócrates vivem até hoje mas com o passar do tempo sua amada Atenas tornou-se parte de impérios os macedônios os romanos Os turcos otomanos no livro novos combates pela história que saiu há pouco tempo pela Editora contexto o professor
Pedro Paulo Funari argumenta que o que se considera uma cultura helenística e mesmo romana a Partir do século 4 antes de Cristo teria sido na verdade um caldeirão de influências de povos de vários lugares aí você acha Mesopotâmia Síria Egito Afeganistão Pérsia índia entre outros né isso quebra um pouco qual queer eventual noção de Pureza cultural quando se fala da Grécia antiga e de um ponto de vista étnico ou racial entre aspas acho que foi no Nações E nacionalismos desde 1780 do hsb que eu li alguma coisa sobre os gregos contemporâneos não serem uma Idade
direta dos gregos do passado justamente porque como você falou né o mediterrâneo conecta mais do que separa e todas as mudanças de povos migrações reinos regiões mudando com toda essa troca que o mediterrâneo proporcionava faz com que falar em uma pureza cultural grega no passado ou uma continuidade da Grécia do passado hoje seja uma coisa meio esdrúxula meio forçada né e eu acho que é importante falar disso porque a Extrema direita europeia ela se apega Muito a um passado idealizado a mitos de Pureza a distorções históricas e um dos grupos de extrema direita mais famosos
da Europa é o aurora dourada que é um grupo grego né então eu queria pedir para você comentar um pouco sobre essa apropriação do passado grego e essa ideia de uma Grécia pura versus uma Grécia multicultural multiétnica enfim é maravilha essa é uma uma excelente questão né de fato como você aponta e como o Prof sor Pedro Paulo também Discute né no novos com da história não é só o período helenístico que não dá para falar em impureza cultural não tem nenhum período e nenhuma sociedade humana que se isole completamente né exceto que alguém que
vive numa ilha Mas mesmo as Ilhas também são conectadas a ponto de falar numa mesmo uma coerência absoluta cultural muito menos de Pureza né que seria esse nível máximo de coerência de unidade é não tem isso no período helenístico mas também não tem No período arcaico não tem na idade do Bronze não tem no no período imperial romano e também não tem no Egito também não tem na Mesopotâmia todas as culturas elas estão interagindo claro que em ritmos diferentes e fazendo seleções de Quais elementos interagem essa ideia da Pureza grega e mesmo da superioridade grega
que é o que orienta né muitos grupos de extrema direita e eventualmente grupos de esquerda né quando alguma história também da Democracia ateniense vista de um modo acrítico ela é uma ideia também que a gente encontra nas fontes alguns gregos pensavam isso é o caso por exemplo de esquelo esquelo que foi um Combatente nas guerras contra os persas ele escreveu uma tragédia chamada os persas em que ele descreve na peça né é a mãe de cherches preocupada com o fim do Império ela tem um sonho e nesse sonho que ela conta pra cherches a persa
né a mãe de xeres ela tem um sonho que tem Duas mulheres que estão puxando um carro de cavalos né só que a invés do cavalo de cavalo são as mulheres e dessas mulheres estão com julo nos ombros uma das mulheres que tá muito enfeitada ela tem orgulho daquele jogo e ela tá acostumada e ela gosta daquilo a outra não se submete fica irritadíssima joga fora aquele julo e acaba destruindo o carro inteiro a mulher que gosta do julo é oriental persa a mulher que não gosta do jogo e da dominação é a ocidental Grega
e daí vem uma ideia de que os persas são despóticos são escravizadores ou escravistas são Sei lá místicos são teocráticos por o posição aos Gregos que são livres que são racionais que são Democráticos que não se submetem a nada e por aí vai essa é uma ideia que circulava em Atenas em algumas cidades Gregas não é uma ideia que pode orientar a pesquisa histórica a gente sabe assim ó quando surgiu Rei helenístico no mundo grego os gregos começaram a cultuar Esses Reis Como deuses Os imperadores romanos foram cultuados em vida como deuses pelos gregos e
os gregos não deixaram de ser gregos e fazendo em filosofia porque estavam cultuando um rei ou ou o Imperador como um Deus e até aquela questão eles acreditavam que era Deus bom o Imperador Era Deus no sentido do Poder não da imortalidade mas tinha um poder equivalente a um Deus dentro disso assim a história grega ela é muito variada e assim como tinha gregos como Esquilo que falavam numa superioridade grega da Liberdade contra o despotismo também tinham gregos que falavam que os orientais e que os bárbaros que não falavam grego eram superiores aos Gregos eles
próprios tinham mitos de que quem inventou eh quem levou o alfabeto e a escrita para Grécia foi um Fenício cadm Quem levou a arquitetura pra Grécia foi um egípcio rikos né esses personagens eles só existem na cultura grega mas os gregos achavam inventavam histórias de Que outros povos haviam ensinado coisas para ele é uma Fanfic muito louca da Grécia antiga ou seja a ideia de que os gregos são superiores é uma das ideias que circulavam na Grécia antiga então a gente comprar esquilo mas não comprar Heródoto que elogia às vezes mais os orientais os persas
do que os atenienses é uma seleção né também tá metodologicamente errada e no que que ela é usada é para tentar resgatar a ideia de que o ocidente é excepcional Isso é muito candente na Europa por conta das migrações de trabalhadores pra Europa né ou seja hoje como herança do imperialismo multinacionais europeias norte-americanas estavam lá e estão lá esfacelando a África inteira o capital da Europa migra livremente pra África quando o trabalho da África quer migrar paraa Europa EUR aí não pode aí os caras morrem no Mediterrâneo né pode ir o dinheiro mas não pode
ir o trabalhador para justificar as políticas xenófobas Contra os trabalhadores que conseguem chegar nadando de barco na Europa eles têm que falar que eles são etnicamente puros como os gregos eram puros no passado e isso né em alguns países é mais forte ou menos forte na França essa pureza cultural é mais filosófica ou é mais intelectual na Grécia ela é genealógica de um jeito muito particular os gregos hoje muitos né também tô generalizando mas quando eu fui lá e conversei com muitos era isso se sentem Herdeiros dos gregos antigos até aí tudo bem fisicamente Eles
parecem mesmo é engraçado andar no museu grego com gregos junto e você vê são as mesmas pessoas até é o mesmo fenótipo só que eles também se sentem herdeiros dos conflitos então por exemplo a tensão Militar hoje entre Grécia e Turquia se manifesta normalmente no Chipre né mas em outros territórios também eu trabalhei com um arqueólogo grego que ele me falava que os gregos iam entrar Em guerra contra a Turquia porque diz ele fazemos isso desde 494 antes de Cristo ou seja o império turco era visto como Novo Império Persa e eles como a Nova
Grécia antiga em guerra contra a Turquia seja isso é manobrado politicamente para criar uma suposta ideia de superioridade Qual é o antídoto para isso é entender que não há hierarquia razoável das culturas humanas a gente não tem nenhum elemento científico e e mesmo moral para Classificar culturas como superiores e inferiores as culturas TM soluções e t arranjos específicos de acordo com seus contextos históricos qualquer decisão cultural ela tem que ser analisada e discutida democraticamente a partir de critérios mais ou menos compartilhados né a ONU normalmente é um dos fóruns para isso agora daí para resolver
questões específicas para falar que uma cultura é superior e mais pura do que outra isso não faz o menor né o menor Sentido e por fim queria te perguntar o seguinte se alguém que tá ouvindo isso aqui se empolgou gostou do assunto e decidiu Pô eu quero estudar história e eu quero pesquisar Grécia antiga o que que um pesquisador que quer se tornar pesquisador de Grécia antiga lidando com fonte primária etc o que que esse Historiador precisa saber em termos de Treinamento que conhecimentos ele tem que dominar Quais são as fontes com as quais ele
vai lidar enfim o que que é Preciso para se tornar um especialista em Grécia antiga é legal né Essa é a parte propriamente informativa né metodológica uma coisa que é básica é aprender grego antigo né a gente tem uma série de métodos de grego antigo disponíveis online tem cursos de grego antigo que são periodicamente dados por pesquisadores recomendo por exemplo Leonardo Antunes que é professor est não engano da urgs também o Félix jacom do Instituto mundo antigo eles oferecem Cursos introduções de cursos introduções ao grego antigo mas vocês podem comprar manuais como o elad introdução
a grego antigo do Jacinto Lin andão o aprendendo grego da editora odisseu Então esse é o fundamental né começar a ler grego e aprender a ler grego para ler as fontes textuais no original o próximo passo Daí depende de cada pesquisador se o pesquisador quisesse concentrar na documentação textual aí tem que aprender muito grego tem que estudar letras tem Que aprender filologia tem que ler muito texto grego para entender as referências que um autor faz aos outros né esse é um ramo dos estudos clássicos que a filologia né E daí tem a filologia a Latina
e a grega quem quer ir para um lado mais material vai pra arqueologia e daí na arqueologia tem que fazer um treinamento em arqueologia tanto teórico quanto prático entender como a arqueologia pensa porque a arqueologia é diferente de história ela é próxima Talvez até contígua né Ela é vizinha Mas ela é diferente tem regras próprias tem uma dinâmica própria e daí tem que entender como a arqueologia funciona de preferência ter uma experiência em campo né fazer escavação trabalhar em museu trabalhar com reserva técnica dos materiais e visitar muito Museu pegar qualquer financiamento que tiver ir
para museus na Europa nos Estados Unidos no museu de arqueologia e tecnologia da USP que tem bastante material conhecer os Museus falar com as pessoas para ir na reserva técnica pegar nas coisas entender como funciona e assim tem um repertório de arqueologia Essas são as habilidades ligadas às Fontes né aprender grego e ter um bom repertório de artefatos algo que falta no Brasil e temos poucos especialistas nesse Campo é epigrafia grega que daí você tem que ser muito bom em grego e tem que ser bom em arqueologia que é para estudar as inscrições mas tem
que ser bom em grego Num nível que você vai corrigir o erro de grego que o cara que fez o texto na pedra cometeu né então é um outro nível eu tô longe desse desse nível de conhecimento gramática grega isso no nível das fontes no nível da bibliografia quase tudo tá escrito em inglês né hoje dá para fazer um mestrado lendo inglês e incorporando essas coisas lendo só português é muito dif ainda que a gente tenha muitos pesquisadores no Brasil trabalhando em história antiga Temos né quase 90 professores por todo o Brasil com tese em
história antiga ainda é preciso ler inglês e talvez sempre será preciso ler inglês para conhecer o que outro centro de pesquisa estão fazendo hoje sobre aquele tema pro doutorado daí já depende do tema se você quiser estudar Império Romano vai ter que aprender certamente italiano francês e eventualmente alemão óbvio não tô nem contando aqui espanhol o espanhol é o que é mais próximo dependendo da região Se você vai estudar arqueologia de pérgamo que foi escavada pelos alemães você tem que estudar muito profundamente Alemão se você vai estudar escavações na própria Grécia que tem autores que
Escreveram em grego moderno tem que aprender grego moderno daí ou seja o tema direciona qual é a necessidade linguística que você vai ter mas eu arrisco dizer talvez a a história antiga seja paralela à história indígena uma história indígena que não se limita à História do doos indígenas do ponto de vista dos portugueses que daí você precisa aprender só português mas uma história indígena que trabalha também com tradições orais das várias comunidad você tem que aprender a língua dos caras me parece que a história antiga no Brasil é um desses Ramos o mais internacionalizado né
O que aponta para uma necessidade de interlocução mais Ampla próximo do que a história da escravidão faz ainda que em menor escala Muitas vezes no mundo ibérico e anglófono eventualmente francófono e algo talvez tão complexo quanto a históri indígena que tem que lidar com os vários idiomas de populações indígenas no [Música] Brasil recomendação de leitura para quem tá começando agora para quem se interessou e quer ir além do podcast e ler alguma coisa um livro dois até três livros para quem tá começando o que que Você recomendaria olha como uma introdução Eu recomendo fortemente o
livro história antiga do Norberto guarinello que foi lançado pela Editora contexto se eu não me engano em 2014 essa história antiga do Norberto guarinello é o resultado de algumas décadas de reflexão sobre a história antiga o Norberto ele é Ele estudou a história da escravidão no depois já com o professor da USPA ele fez a crítica da história antiga eurocêntrica e nesse Livro ele propõe uma alternativa uma alternativa mediterrânica pra história antiga então recomendo fortemente esse livro inclusive você aí que tá ouvindo se você quer comprar esse livro você vai lá em editora contex.com.br e
usa o cupom obriga hisória 30 que você ganha 30% de desconto esse cupom vale para todo o ano de 2021 e vale para qualquer compra no site da editora contexto Beleza então fica aqui a dica de cupom e que outros livros você recomendaria Fábio além do do stor antiga Eu recomendo fortemente dois volumes né recentemente lançados duas coletâneas que são uma bela introdução aos estudos de antiguidade tanto pelas Fontes quanto pela historiografia que foram organizados pelo Professor gadon José da Silva da Unifesp e com outros coorganizador dependendo do livro que é o primeiro um pouco
mais antigo a ideia de História na antiguidade que é uma bela coletânea tem vários autores Especializados nos diferentes autores que discutem Fontes antigas e o que é história para essas Fontes antigas e um segundo livro que acabou de ser lançado pelo Gladson José da Silva e o Alexandre Carvalho que tá em lançamento agora né Vocês encontram lá na Editora da Unifest que é um livro chamado Como se escreve a história da antiguidade Olhares Sobre o antigo lá tem vários capítulos sobre história da história antiga eu mesmo escrevi um capítulo sobre o Battle nibor Tem capítulo
sobre o finley sobre Paul vin sobre cartelet sobre Momsen do século XIX e século XX todos os grandes autores do campo de história antiga estão representados em capítulos escritos por especialistas então recomendo fortemente esses dois livros a ideia de História na antiguidade e como se escreve a história da antiguidade para quem quiser mais sugestões recomendo que visite os sites dos laboratórios de história antiga Todos eles vocês encontram no portal do grupo de trabalho de história antiga grupo de trabalho do qual eu sou junto com o meu colega Alex degan e o dominque Santos O Alex
degan da outos que Dominic Santos da Furb nós somos os coordenadores nacionais entrem no portal é www.gt antiga.com e lá vocês vão ver a lista de todos os laboratórios os links a lista de todos os professores e tudo que se Faz de história antiga no Brasil atual bom então é isso Fábio alguma consideração final só agradecer muito a oportunidade convidar todos os interessados a dialogarem a conhecerem a a história antiga não é um terreno absolutamente estrangeiro né porque já tá no nosso cotidiano Universitário há bastante tempo existe uma nova história antiga uma história antiga que
é crítica do eurocentrismo dialoga com perspectivas decoloniais e que é Fundamental pra gente entender também o mundo que a gente vive os processos de globalização as tensões políticas e fazer a crítica dessas tensões políticas também que vivemos na atualidade então convido a todos a discutir história antiga e insisto também Convido os antiquitas a conversarem com todos os historiadores com toda comunidade porque a gente precisa defender o nosso campo e também mostrar a relevância do que a gente tem a dizer para todas as pessoas Então é isso muito obrigado a todo mundo que ouv até o
final não se esqueçam que o historia FM É financiado pela nossa campanha no apoia-se apoia.se bar obriga hisoria com R 2 por mês você financia todos os projetos da casa e com R 5 por mês você pode ouvir o histor FM com antecedência Então é isso muito obrigado e até a próxima [Música] este podcast foi financiado por nossos colaboradores no apoia-se acesse Apoia.se bar obriga hisória e contribua para manter esse projeto Educacional gratuito no ar