Olá, moçada! Tudo bem? Sejam bem-vindos a mais uma meditação estóica.
Hoje, dia 10 de março, é um grande prazer reencontrar vocês. Aqui seguimos com as 365/366 meditações históricas que vocês estão trazendo ao longo da vida de vocês. Antes de fazer o comentário de hoje, gostaria de fazer um convite a vocês.
Nós estamos no mês de aniversário da Sociedade da Lanterna. Agora, no dia 8 de março, a Sociedade da Lanterna concluiu o seu quarto ano de atividades ininterruptas. Vocês sabem que eu tenho um grande orgulho da SDL, trago a SDL gravada na pele e acho que é o projeto mais bonito que eu já realizei na minha vida.
Nós somos centenas e centenas de pessoas dentro da SDL hoje, todas ligadas nas coisas da filosofia. E eu digo, sem medo de errar, que é o melhor espaço do Brasil para se traçar contato com a boa história da filosofia. Na meditação de ontem, nós falávamos ainda de ambiência, o quanto é importante frequentarmos bons ambientes, boas pessoas, pessoas altas que vivem num registro elevado, para que a gente também se deixe influenciar pela ambiência e por essas pessoas.
Na verdade, a meditação de hoje não é muito distante disso. Nós estamos no universo da consciência, de uma compreensão consciente das coisas. Eu gostaria de fazer esse convite a vocês: no mês de aniversário da SDL, nós seremos bem agressivos para apresentar a SDL a novos membros.
Portanto, cliquem aqui na descrição; vai ter um linkzinho de um grupo de WhatsApp que abrirá e fechará em menos de um mês, só para apresentar a vocês a Sociedade da Lanterna. Como eu disse, em condições bem agressivas, bem legais, imperdíveis para vocês que querem frequentar as boas coisas da filosofia. Em uma meditação anterior, a gente falava da importância que damos quando vamos fazer coisas no nosso corpo, né?
Então, qualquer massagem que você vai fazer em alguma clínica, você se preocupa com a reputação da massagista, da clínica. Qualquer coisa que você vai fazer no seu rosto, qualquer depilação, qualquer exercício, você vai olhar a qualidade de quem vai fazer. Mas, às vezes, você entrega a sua alma, o seu entendimento, o seu intelecto a qualquer pessoa.
Não faça isso! Você pode contar com a Sociedade da Lanterna, entrando no seu quinto ano de funcionamento. É um espaço realmente extraordinário de excelência que te apresenta a história da filosofia, trazendo a filosofia para o nosso dia a dia.
Pois bem, então está aqui o link na descrição; eu te encontro lá no grupo de WhatsApp, te apresento toda a SDL, depois a gente fecha o grupo e você já vai ser um lanterneiro também, como tantos que acompanham aqui essas meditações. Dito isso, 10 de março, uma meditação de Cênica intitulada “Encontre um Catão para você”. Cito Cênica: "Podemos evitar a maioria dos pecados".
Aqui, pecado não no sentido comum. A maioria dos erros, a maioria dos caminhos ruins que nós eventualmente tomamos na vida, se tivermos uma testemunha a postos quando estivermos prestes a errar, a alma deveria ter alguém que possa respeitar, por cujo exemplo ela possa tornar seu santuário interior mais inviolável. Feliz é a pessoa que pode tornar outras melhores, não só quando presente, mas mesmo em pensamento.
Como é importante nós termos em nossas vidas uma pessoa, uma referência que não precisa estar necessariamente presente fisicamente, mas cuja lembrança serve para nós como um freio, como uma baliza do modo correto, do modo mais ajustado, do modo mais temperante, sensato, prudente, de fazer uma determinada coisa ou de pensar ou de reagir a uma determinada situação. Eu tenho muito orgulho quando alguém me manda uma mensagem dizendo assim: “Denis, hoje eu ia reagir de forma impulsiva numa determinada situação, mas eu lembrei das nossas reflexões históricas. Você imediatamente se materializou diante de mim, falando: ‘Olha, segura a barra, porque as coisas não são assim’.
” O remédio está dentro. Nós não podemos controlar o que está fora, mas podemos controlar as nossas reações ao que está fora. E isso faz com que a pessoa module seu comportamento.
Então, quer dizer, o que mais poderia eu querer, como professor de filosofia, do que isso? Servir como essa baliza referida por Cênica, mas que não seja o Denis; que sejam os filósofos históricos, que sejam os filósofos antigos, que seja um amigo prudente, que seja um pai, uma mãe sensatos. Busque essa referência!
Claro que não dependa exclusivamente dessa referência, mas busque uma referência que sirva para você como um modelo de ação ou como alguém que, em um determinado momento, você se olha no espelho e diz: “Como essa pessoa agiria? ” O Aristóteles, na sua Ética, chama essas referências de "homem espos", um homem experimentado, um homem sério. Acho que eu já falei disso aqui em alguma meditação; se eu não falei, falo agora.
O Aristóteles tem essa referência: ele vai dizer da importância das pessoas experientes nas coisas da vida como uma referência para quem vem depois. Então, como é que o meu pai, que eu admiro, agiria diante desse fato? Nesta situação, como é que esse professor que eu admiro agiria ou o que ele pensaria?
Então, quando nós estivermos prestes a errar, se nós evocarmos essa testemunha, cujo exemplo possa tornar a nossa alma um santuário interior ainda mais inviolável, mais feliz, nós seremos. Agora, vou para o comentário dos nossos autores. Por que esse trecho é intitulado "Encontre um Catão para você", um nome estranho, por sinal?
Aqui fica explicado: Catão, o Jovem, já falamos dele aqui, um político romano mais conhecido por sua autodisciplina e por sua heroica defesa da República contra Júlio César, aparece constantemente em toda a literatura estóica. O que é interessante, porque ele não deixou nada escrito. Catão, o Jovem, era histórico.
As fontes registram a sua existência como a de um homem, de um político que levava muito a sério os ensinamentos históricos. Não deu entrevistas, não deu aulas; seu exemplo ousado e corajoso foi o que fez dele um filósofo muito mencionado e citado. Quer dizer, esse cara deveria ser realmente muito importante, porque, mesmo sem qualquer fonte escrita por ele, o mesmo acontece com Sócrates, né?
O Sócrates da Antiguidade Clássica não escreveu nada, mas muito se fala sobre ele devido à sua importância, ao seu exemplo. O mesmo acontece com Catão; Cícero nos diz que cada um de nós devia ter o seu próprio Catão, uma pessoa grande e nobre que podemos admitir em nossa mente e usar para guiar as nossas ações, mesmo quando ela não está fisicamente presente. Sócrates falava que tinha um daemon, uma espécie de voz da consciência, né?
Que ficava ali do ladinho, falando para ele: "Não se meta nisso, escapa disso. " Então, essa espécie de testemunha silenciosa daquilo que nós fazemos ou deixamos de fazer é, às vezes, realmente importante colocar isso no nosso horizonte, porque frequentemente deixamos de fazer ou fazemos algumas coisas porque há um olhar crítico testemunhando aquilo. Então, às vezes não tem uma pessoa física olhando, mas você vai dizer: "Vou imaginar que tem uma pessoa ali olhando o que eu estou fazendo.
" Mas não só uma pessoa, uma pessoa de qualidade, uma pessoa que sabe discernir as boas coisas das más coisas. O economista Adam Smith tinha um conceito similar que ele chamava de espectador indiferente; não precisava ser uma pessoa real, apenas alguém que, como disse Sêneca, pudesse ser testemunha do nosso comportamento, alguém que possa nos repreender com calma se estivermos pensando em fazer alguma coisa desonesta, egoísta ou de forma negligente. E se fizermos isso da maneira correta e vivermos nossa vida assim, talvez possamos servir como o Catão ou o espectador indiferente de outra pessoa quando ela precisar.
Talvez eu possa servir assim para vocês; talvez vocês possam servir assim a mim, a outras pessoas, e assim vamos nos corrigindo num grande laço de irmandade, de cordialidade e respeito, de pessoas que querem o seu próprio bem, o bem dos outros e, por via de consequência, uma sociedade melhor. Maravilha, maravilha! Tenham todos um excelente dia.
A gente se encontra aqui amanhã, no dia 11 de março, para mais uma reflexão estóica. Não se esqueçam de curtir, comentar, etc. , etc.
E não se esqueçam de me conceder a palma da confiança para vocês conhecerem a Sociedade da Lanterna. Para vocês que têm gostado das coisas da filosofia, vocês vão simplesmente se esbaldar. E quem conhece as coisas da filosofia, muda; a filosofia muda a vida das pessoas.
Beijão para vocês! Até amanhã!