Exu é o mensageiro, O guardião do movimento e da palavra, Quem anda na frente, Quem abre, fecha e ensina a atravessar. Laroyê, Exu. Eu tô cansada, meu pai.
Mas ainda tô caminhando. Andei quebrada, feito caco Carregando pedaço de mim Nas encruzilhadas da mente Tentando sair, tentando seguir O medo não tem nome certo É medo do medo voltar É dor de tanta incerteza Que insiste em me acompanhar Quando eu piso a rua sozinha Algo em mim se endireita Você na frente caminha É Ogum me dando firmeza Laroyê, Exu Mensageiro do viver Se eu tropeço, você ri E me ensina a aprender Laroyê, Exu Senhor da comunicação Transforma meu desespero Em ponte, palavra e ação Teus recados me empurraram Pra lugares que eu nem ia Buscar ajuda onde dói Mesmo com medo da terapia Tentam me dar tantos nomes Tentam me encaixar, rotular Mas eu sinto que o mundo É que não tá sabendo cuidar Quem enxerga a ferida aberta E resolve falar em voz alta Vira louca, vira problema Mas só quer mudar essa falta — Minha filha, se acalma Cê nunca andou só Desde a noite mal iluminada Eu tava ali, pode crer, ó Tem gente que precisa de ajuda Onde ninguém quer pisar Você se cura ajudando Mesmo sem tudo entender, devagar Laroyê, Exu Guardião da travessia Se a mente pesa demais Me lembra: ainda é dia Laroyê, Exu Dono da palavra que abre Uma frase, um gesto simples Às vezes salva, às vezes cabe A medicina também é caminho Tem curador de jaleco e intenção Não se assuste com teus pensamentos Nem com o peso do coração Egum ronda quem faz luz Quem anda entre sombra e clarão Mas filho de axé não cai fácil Tem proteção na comunicação Continua, minha filha. Transforma dor em arte.
Eu entrego as mensagens, Você toca as almas. Laroyê… Caminho aberto não se fecha.