ae em 1929 floyd propôs ao mundo uma grande reflexão com o seu texto mal estar na civilização onde elencou situações de impasse que leva o ser humano a sofrer o declínio natural do corpo as imperfeições das nossas leis e as exigências internas de satisfação há mais de 100 anos a questão do sofrimento humano gerou o nascimento da psicanálise hoje ela nos ajuda a compreender o mal estar presente à nossa sociedade contemporânea depressão ansiedade compulsões e tantos sintomas individuais somados à insegurança intolerância isolamento e tantos outros sintomas sociais nossos dias o que tudo isso revela sobre
a nossa forma de viver mal estar sofrimento sintoma como eles podem indicar caminhos para transformação tanto pessoal quanto social esse é o tema desta série do café filosófico viver sobre o imperativo de que é preciso ser feliz faz ironicamente muita gente infeliz uma sociedade como a nossa com idéias de sucesso beleza e felicidade a todo custo tem levado as pessoas a sofrer e procurar os de vans os psicanalistas a clínica reflete a cultura mas de que tipo de sofrimento estamos falando nós vamos falar sobre o sofrimento e sua relação com os ideais de felicidade e
aquilo que ao longo da conversa eu vou propor que a gente entenda como imperativos de gozo é preciso ser feliz então nós vamos discutir o sofrimento nessa cultura de sucesso será que é preciso ser feliz mesmo como é que o brasileiro sofre hoje de acordo com a visão ou melhor a escuta de um psicanalista e se um sujeito leva seu sofrimento um psicanalista ele não leva simplesmente as questões ligadas à a ele e ao mundo ele leva questões ligadas a ele no mundo então é nesse sentido que eu estou propondo que a gente considere a
clínica psicanalítica como reflexo da cultura para fritar psicanálise há uma relação intrínseca entre inconsciente subjetividade e cultura donde se parte do princípio básico de que a constituição da subjetividade humana e também as modificações que ocorrem com essa subjetividade sidão num campo chamado alteridade por alteridade compreendo o campo da relação com o outro ou se preferirem a subjetividade se constitui e se modifica naquilo que a gente chama de laço social nesse sentido nos interessa muito de perto o exame examinar a relação que se estabelece entre as subjetividades e as mudanças da ordem social as mudanças de
ordem política as mudanças de ordem econômica e financeira de um certo tempo de uma certa época em outras palavras eu estou dizendo que interessa ao psicanalista estudar as relações entre contemporaneidade e processos psíquicos nessa mesma direção e talvez por isso lacão reforça a importância da relação entre clínica e cultura e escreve que antes renuncia tudo isso tudo isso aí é esse a psicanálise aquele que não conseguir alcançar em seu horizonte a subjetividade de sua época se fred era um crítico da cultura e nós sabemos que era a pergunta que se apresenta é qual é a
crítica que hoje fazemos a cultura da qual pertencemos e à qual testemunhos qual é a do tipo de sofrimento frequenta a clínica psicanalítica hoje o que justifica o chamado ao psicanalista é o sofrimento mas é o sofrimento de cada um que a gente chama de lógica da singularidade aquilo que faz um sofrer o modo singular de sofrimento de cada um até porque uma pessoa pode procurar dificilmente vai procurar um psiquiatra quando sai do cinema mas é possível ficar na lista não vai estranhar que alguém lhe telefone pedindo pra marcar um primeiro encontro e dizendo olha
eu assistia ao filme eu preciso é um filme pattinson comédia inclusive talvez até por isso né mas é não é estranho eu quero dizer pra vocês não é estranho a um psicanalista que alguém lhe procura dizendo que precisa marcar o começo de um trabalho é no dia que a irmã vai casar sobretudo se for mais novo né no dia em que recebe a notícia de aprovação em um concurso vocês não vão encontrar no dsm porque que alguém vai procurar uma pessoa é quando é promovida a presidente da empresa né porque tirou 10 na escola são
motivos que freqüentam muito a clínica psicanalítica é e aí eu vou eu vou chamar floyd para me ajudar e dizer que ele tem uma expressão do meu ponto de vista bastante visionária do que aconteceria com a gente hoje é possível que pessoas sofreram na medida e que se sentem arruinadas pelo êxito isto é importante isso nos interessa esse sofrimento é muito singular é aquela pessoa por alguma razão que não está em manual algum que talvez ela própria não tem a mínima idéia do que está acontecendo com ela né até porque ela nos conta que é
isso que ela conquistou foi o projeto de uma vida inteira então tem qualquer coisa aí sobre se que ela própria não sabe indicando a existência do inconsciente sofre-se pelo que não se sabe contrapô a lógica da singularidade é propor uma felicidade no atacado uma felicidade para todos é acreditar portanto tudo o que tem a ver com para todos têm a ver com uma lógica universalizante portanto pautada nos ideais né o ideal de que a felicidade não só existe mas ela é acessível para todos se você ainda não acessou é porque você tem um problema o
fato é que nós vivemos numa cultura que propõe a felicidade articulada nesse campo do coletivo quer dizer como se houvesse a possibilidade de uma felicidade possível para todos ea psicanálise por sua vez vem a testá-la não dizer contestá mas vem atestar né com segurança de que cada um a despeito desses ideais sofre ao seu modo se a subjetividade se constitui nesse campo de alteridade toda a expressão de sofrimento traz em si uma demanda de reconhecimento a gente pode analisar o sofrimento ou constatar o sofrimento que decorre do desejo de reconhecimento que nos falta pessoas não
nos reconhecem ou pelo menos não nos reconhecem no lugar que a gente acha que devia ser reconhecido que a gente gostaria de ser reconhecido uma segunda possibilidade é a falta de reconhecimento do nosso desejo é a falta do reconhecimento por parte do outro da nossa condição de desejante e aqui é importante que se faça clara a equivalência estrutural é dizer que a condição desejante de um sujeito é que valem por estrutura a sua condição de faltante né muitas vezes sofre se por não poder ser reconhecido como alguém marcado pela condição de desejante pela condição do
faltante as pessoas por alguma razão preferem nos reconhecer como completos fálicos inteiros sem falta isso é a chave é chave importante fonte importante de sofrimento é muito difícil para algumas pessoas se apresentarem no laço social como portadores de faltas por conta mesmo da relação disso com os ideais de completude e felicidade que orientam a nossa cultura é habitualmente quem tem muita dificuldade se apresentar no laço social como portador de falta é alguém que interpreta suas faltas como falhas pontos falhos defeitos que deveriam ser consertados muito sofrimento hoje decorre de ideais da nossa cultura transformados em
imperativos seja o que você tem que ser a obrigação de atingir o ideal gera entre outras coisas sensação de fracasso e angústia à exigência de ter que ser independente e autônomo por exemplo traz uma série de contradições e problemas as transformações da cultura ao longo do tempo permitiram o que a felicidade fosse deslocava do campo do sonho o sonho de ser feliz para o campo dos ideais lembrando que sonham é ideais são duas noções caríssima sabe se canalize né o fato é que isso não fica sem consequência quando há a felicidade sai do campo do
sonho para o campo do ideal é claro que eu estou me referindo aqui ao ideal ao conceito de de ideal como aquilo que norteia é norte para a vida subjetiva de uma pessoa é aquilo que orienta a não dizer que desorienta também em algumas situações a decisão de uma pessoa quando alguém tem que decidir qual rumo tomar habitualmente ela se refere ainda que não fala isso pra ninguém mas ela se refere aos seus ideais um exemplo bastante comum no nosso cotidiano jovens diante da do desafio da escolha da profissão né não existe a possibilidade da
gente pensar num jovem e cada vez mais jovem diante de uma coisa dessas fazer uma escolha dessas sem se deparar com os ideais da cultura eu não estou nem falando os ideais da família dele os ideais da cultura e às vezes os ideais da família para ele é muito fácil ele vai pelo avesso né só isso e se fosse só isso talvez excelente estava fácil o problema é que se você diz para um jovem tenha visão de futuro na verdade não precisa ser dizer isso para um jovem diga isso para qualquer pessoa tem a visão
de futuro você abre uma porta chamada angústia né porque talvez a idéia não é o ideal mas a idéia de visão de futuro seja uma das coisas mais embuste antes que uma pessoa lúcida pode imaginar alguém tenha sobrevivido a uma crise de angústia só pode planejar o seu futuro baseado em elementos do seu passado ele vai ter que se posicionar frente há algo que lhe antecedeu a imaginar o que é que ele vai ser daqui pra frente toda decisão que precisa ser tomada é não vai na verdade na visão do psicanalista ser tomada apenas com
os elementos do tempo presente porque os elementos do tempo presente são muito frágeis né por mais evidentes que seja 900 sejam os únicos que estão na mesa o fato é que irá decidir coisas ligadas ao futuro a gente lança mão dos ideais ea gente lança mão das experiências passadas muitas delas que a gente nem lembra os ideais de nossa cultura podem muito bem ser representados por expressões como seja ele seja autêntico seja você mesmo tenha sucesso seja belo tenha autonomia tudo bem ideais vamos fazer as pazes com ele eles teriam a rigor a função de
orientar orientar decisões o problema é quando os ideais são interpretados por cada sujeito como imperativos ter que ser é diferente de o ideal é que você seja se nós somos pessoas que com os nos constituímos a partir da relação com o outro naquilo que o chamado há pouco de campo da alteridade é claro que a autonomia é uma condição cíclica que não é da bomba ela vai ser constituída e ela vai ser constituída construída justamente numa relação na qual eu sou um dependente porque eu quando chego no mundo chega numa condição essencialmente de desamparo e
não consigo me tornar de fato um ser humano se não for pelo acolhimento de um outro seja ele quem for então o que eu estou dizendo é que a autonomia é uma condição fica altamente complexa só que esticar da herdeira portanto de uma relação de dependência perderá portanto de uma relação que lá quem chama de alienação ninguém consegue chegar a esta condição de autônomo se não tiver sido antes um bom desafio para a ldu ninguém consegue de fato se constitui ninguém consegue se separar do outro se não tiver sido muito bem alienado né então vejam
que é nesta relação de dependência que eu consigo me constitui com um sujeito autônomo eu preciso do outro mas elton se virar sozinho é o a chance de uma criança escutar uma expressão dessa seja independente se vive sozinho chance na igreja escutar uma coisa dessa como abandono como desamparo é imensa né eu quase que digo que isso pode ser traumático né a idéia de que você tem que se virar sozinho é a idéia de que você não me interessa o que acontece com você não me interessa eu estou dizendo generalizando mas eu tô dizendo assim
é e supõe pais muito bem intencionados bastante angustiado porque o que eles vendam tal e qual é a medida qual é a dose até quanto eu posso deixar meu filho sozinho até quando deixar sozinho é cuidar vai abandonar essa é uma questão bastante contemporânea inclusive qualquer tipo de protocolo é arriscado porque ele nega a singularidade de cada caso para ter uma criança autônoma eu preciso de várias condições eu preciso de um adulto que acredite que ali naquela criança a um sujeito capaz de decidir e uma outra condição é o desejo desejo de se adulto de
que esta criança se torne um sujeito capaz de decidir portanto eu estou dizendo de um desejo de produzir um sujeito abrindo mão da criança como objeto de sua própria satisfação é isso não se compra isso faz parte da subjetividade isso é ou não constituído em um determinado momento da vida se ao tom o mia foi entendida como separação no campo do comportamento a gente vai acreditar que a distância é uma medida interessante quando na verdade a autonomia é a condição psíquica de se diferenciar do outro não é se distanciado sobre a autonomia é condição de
decidir né portanto dê me diferenciar do outro eu não sou aquele que se vivo como objeto de satisfação de quem rege então vocês vão perceber do que alguns equívocos são possíveis confunde distância com diferenciação não é a distância faz sofrer diferenciação não diferenciação pode libertar alguém inclusive libertar a ponto de que de alguém querer ficar junto não precisa separar neto a ter autonomia cada um sofre a sua maneira mas não é todo mundo que consegue falar sobre o seu sofrimento muitas vezes é o corpo que fala através de um sintoma no entanto os sintomas têm
leituras diferentes para medicina e para a psicanálise ter um diagnóstico e uma receita médica nem sempre significa tratar de um sofrimento narrativas de sofrimento que são frequentes na clínica psicanalítica que estou chamando aqueles nativa são formas de apresentação não é não são tantos se a gente for levar a coisa a sério mas eu vou destacar três primeira narrativa é a narrativa do fracasso pessoal imediatamente eu tenho que me relacionar isso com o que a gente acaba de falar os imperativos diferentes dos ideais produzem fracassados porque os imperativos quase sempre são josé são afirmativas que trazem
esse algo da ordem do impossível né pelo menos na singularidade então se eu é seu sigo o imperativo da autonomia eu sigo como um soldado parecendo que sou autônomo mas não sou né então isso contradiz o próprio conceito de autonomia diante do imperativo você tem que ser a resposta que o sujeito entende que ele deu ao imperativo é a resposta do fracasso ele portanto sofre porque ele se sente de fato pra cassado ou não tem correspondido ao que ele diz que se esperava dele é uma diferença muito sutil entre as noções de impossível e impotência
o que eu quero dizer aqui frente ao impossível é possível ao que não é possível o sujeito interpreta o impossível o impossível descer como algo relativo à sua impotência se sofrimento tem a ver com a demanda de reconhecimento esta é uma demanda de reconhecimento de uma impotência que nós não podemos analisar porque não se trata da impotência neste caso se trata de impossibilidade né se você por alguma razão absolutamente singular interpreta o impossível como impotência talvez isso seja uma ilusão de onipotência eu cito mário quintana num determinado momento quando ele diz assim se as coisas
são impossíveis isso não é motivo para não querer las afeto mas também não é suficiente para transformar o impossível em potência você pode querer sem problema nenhum realmente ninguém precisa adoecer por isso porque querer o impossível o desejar o impossível daí a transformar isso em possibilidade é sintoma isso é muito importante quando a gente é psicanalista trabalha no hospital com pessoas a dois idiotas se elas transformam o impossível é impotência elas perdem em potência para lutar frente ao impossível cabe o luto frente ao que é possível cabe à luta trabalhamos segunda narrativa freqüente de sofrimento
são narrativas que a gente escuta por falar em adoecidos em pacientes que chegam encaminhados pela medicina pessoas que chegam trazendo um sofrimento que passa pelo corpo o que já é uma coisa importante a gente for pensar na questão dos ideais de sucesso e felicidade ante eu assim antigamente não sei se eu posso dizer muito antigamente as pessoas às vezes utilizavam muito a idéia a desculpa de estarem doentes para não freqüentar em algum lugar sobretudo trabalho né a pessoa estava uma maravilha diesel não voltou doente eu tenho percebido que hoje as pessoas inventam desculpas um pouco
mais socialmente simpáticas porque ela se ela tem vergonha de adoecerem as pessoas têm vergonha de adoecerem aquilo que antes eram desculpa imbatível agora parece ser um constrangimento né então é essa segunda narrativa de sofrimento que eu dizia que a gente escuta de pessoas que chegam à clínica psicanalítica encaminhadas pela medicina é muito interessante porque são pessoas que sofrem por terem constatado que tem um corpo o que pode parecer estranho a quem não trabalha com isso mas é verdade né o corpo é frequentemente utilizado para muitas coisas não para lembrar alguém que esse alguém é finito
né então o corpo a 2 ido eu ouvia essa semana de um colega lhe dizer o corpo é a prova viva da passagem do tempo é disso que eu me refiro né cada um sabe o que estou dizendo preste atenção no corpo e você não vai ter a menor dúvida de que o tempo passa mas essa é uma constatação que a gente facilmente esquece a flórida a gente facilmente recalca no entanto se você está doente se existe no seu corpo um sinal de que alguma coisa não vai bem é é o adoecimento é uma experiência
singular que não serve só para conectar diversos profissionais da saúde ele indica pra você de que ali aonde você não pensava nisso a finitude o adoecimento é uma experiência que impõe e não propõe impõe limite e talvez por isso as pessoas hoje em dia se envergonha de adoecerem né agora porque os médicos encaminham certos casos para os psicanalistas porque são casos e isso é muito interessante é normalmente esses casos são casos que ilustram muito bem pra gente a diferença entre o sintoma na medicina e o sintoma para a psicanálise eu não vou trabalhar isso aqui
agora mas esse é um argumento importante que orienta essa discussão tem um outro que é mais importante ainda são casos clínicos que indicam pra gente com clareza a diferença entre sofrimento e sintoma não isso não é a mesma coisa para a psicanálise né aliás esse é o tema do nosso módulo sofrimento se relaciona com sintoma mas não é a mesma coisa no entanto essa diferença entre sintoma e sofrimento por sua vez não é clara para os profissionais da saúde nós não temos é profissionais atentos a essa diferença então percebam comigo quem acontece o indivíduo chega
na cena médica chega a instituição de saúde chega ao hospital e ele oferece o seu corpo doente ao saber médico com expectativa de obter de se saber soluções razoáveis pimento aqui eu estou chamando isso de sofrimento se eu tenho um corpo que me incomoda que me produz em um mal está eu ofereço esse corpo para um dispositivo de saber médico na expectativa de que este saber ao se dirigir a mim ali vi meu sofrimento esse sofrimento e sintoma não são a mesma coisa isso me permite dizer a vocês que uma das formas de alguém manifestar
tornar manifesto o seu sofrimento é o sintoma é fazendo um sintoma inclusive um sintoma no corpo ele não sabe falar de que ele sofre mas ele sofre por meio do corpo no entanto o médico eo a instituição a equipe tem um dispositivo clínico sustentado e orientado por critérios diagnósticos bastante muito bem estabelecidos na verdade mas quando enquanto o paciente oferece o seu sofrimento o que o médico recebe é o seu sintoma esse pra gente sintoma e sofrimento não são a mesma coisa nós temos aí a grande chance de um mal entendido eu tenho uma pessoa
que levou seu sofrimento mas eu tenho um profissional que codificou reconheceu ou não reconheceu o seu sintoma então é a questão que se coloca é no ato médico de fazer o diagnóstico do que esse tapa de sofrimento ou de sintoma a gente sabe que de sintoma mas o que o paciente foi buscar foi uma intervenção por seu sofrimento e alguém tem uma idéia chamem um psicanalista ea ele é pedido um esclarecimento diagnóstico relativo ao sintoma e ele sabe e tome sofrimento não são a mesma coisa e ele sabe que ainda que a equipe médica lhe
peça o um trabalho de avaliação diagnóstica para construirmos um conjunto a mente uma estratégia terapêutica ele sabe que na verdade é esta equipe que tem dúvidas sobre o sintoma não tem nenhuma dúvida sobre o sofrimento embora não chame dizendo alguém sofre chame dizendo faça o diagnóstico então assim a gente sabe que na verdade o chamado ao psicanalista eu comecei falando disso aqui com vocês se dá por conta do sofrimento muito antes de se dá por conta da presença do sintoma a demanda que sustenta esse chamado é me ajude a lidar com o sofrimento né e
o sofrimento que não é só do paciente sofrimento que é nosso né isso nos autoriza dizer com muita clareza que o ato médico de diagnosticar um sintoma não é que vale em absoluto a tratado mal está nem aí o reconhecimento do sofrimento lembra um sofrimento é a demanda de reconhecimento fazer um diagnóstico dar o nome da doença e o esquema terapêutico correspondente não tem absolutamente nada a ver com tratar de sofrimento se todo sofrimento traz em si uma demanda de reconhecimento que não é a mesma coisa de uma demanda de diagnóstico estar doente e não
ter o seu sofrimento reconhecido como seu como o próprio é um pesadelo e aumenta significativamente a dificuldade de nomeação do mal está modo ruim de estar no mundo há uma tendência importante de se tomar o sofrimento pela vertente da loge zação ea conseqüente vertente disso é a médica realização que já chegou na infância né é preciso dizer quantas vezes for necessário de que tomar o sofrimento pela vertente da patologia não trata isto não trata isso pode indicar inclusive uma indisposição pouquíssimo disponibilidade dos profissionais da saúde a lidar com o sofrimento é eu te dou um
diagnóstico para que eu não sofro né e se eu continuar nessa situação eu chamarei um psicanalista são várias as narrativas de sofrimento que refletem o modo como estamos vivendo e os ideais da nossa cultura sensação de fracasso impotência diante da exigência do sucesso sofrimentos que passam pelo corpo numa sociedade onde ninguém quer lembrar de finitude terceira narrativa do sofrimento frequentemente apresentada ao psicanalista é a primeira só lembrando é do fracasso do impossível a impotência a segunda é essa que diferencia sintoma e sofrimento portanto do corpo sofrimento pela via do corpo e essa última é a
narrativa de alguém que se apresenta até fala de quem sim a um sofrimento mas é um sofrimento sem nenhum tipo de questionamento é é a pessoa que chega dela dando o seu diagnóstico ela ela foi aquela que estava no hospital antes alguém de um diagnóstico é o filho olha eu vim aqui porque eu sei eu tenho x mas assim nenhum questionamento nenhuma implicação nenhum tipo de autoria eu repito o que eu escuto inclusive sobre mim mesmo é um sofrimento anunciado por uma pessoa mas eu posso dizer pra vocês que é um sofrimento sem sujeito aparece
também como queixa a idéia de que a sentimentos de inutilidade me sinto inútil expressão freqüente de vazio de sentido da vida falta de originalidade não consigo inventar nada não consigo nem sonhar eu sonho alguém poderia dizer tá primeiro né mas não precisa alguém dizer isso eu já disse eu tenho depressão né eu tenho uma tia vocês percebem a conversa entre os psicanalistas em situações como essa passa por uma preocupação que é a seguinte é uma demanda que não apresenta não traz consigo nada que se relacione com a dor da perda da que é é uma
coisa que antes era muito freqüente neste caso não há o que perder não há um objeto perdido a não ser este próprio que vos fala ele é ele que está perdido ele é o próprio objeto perdido eu tenho uma demanda melancólica né não há um trabalho de luto a ser feito pelo menos num primeiro momento sendo que perdido é esse que vos fala e provavelmente não dá pra dizer isso a priori mas é muito provável que você vai precisar rapidamente examinar as relações desse que não se apresentou nem como doente nem como fracassado mas se
apresentou como perdido examine a relação dele com os imperativos de sucesso como é que a gente trata disso porque eu não to diante de um sujeito sem sofrimento eu tô diante do sofrimento sem sujeito não adianta dizer olha a sociedade de consumo ea lógica capitalista produz o apagamento do sujeito produz uma sociedade sem diferenças é um discurso que vai produzir o apagamento das singularidades mas vou fazer por fazer emergir um sujeito e possibilitar a ele processos criativos distanciá lo dessa lógica da alienação processos criativos e modos de subjetivação mais afinados com a singularidade se os
conflitos primordiais principais na época do freud passavam pelo campo do recalque da sexualidade pela vida erótica digamos assim essa não é uma questão hoje né nos jovens num não precisam esconder que transam pelo contrário às vezes uma coisa que ele possa dizer que faz sob o risco de ficar fora do grupo né no entanto alguns jovens que não escondem sua vida sexual escondem comem escondem que gostam de comer exatamente aquilo que os ideais de beleza contradisse né eles escondem muitas vezes o que pensam eles escondem um bom rendimento escolar eles escondem o que sentem porque
sentir determinadas coisas parece que não implica uma boa aceitação num determinado grupo eles escondem que sofrem e talvez escondam isso desse mesmo né então nós estamos diante de um sofrimento sem sujeito mas talvez a gente esteja diante de um soft um sujeito que esconde de si mesmo o fato humano de sofrer ele sofre por muitas coisas diferentes da época do fred mas tem alguma coisa que permanece ele sofre pelo que não tem né talvez o brasileiro sofra por não ser americano por não ter cidadania europeia é é uma metáfora mas nem todos os casos né
ele se ele fica extremamente indignado com o pai que tinha um descendente de italiano e não conseguiu a cidadania isso faz dele um brasileiro menor né às vezes é isso ele leva para análise a falta do passaporte europeu não isso não é pouca coisa gente são maneiras contemporâneas de tratados e identidades a gente encontra um leque de possibilidades muito diferentes dos nossos dos meus avós né e viviam numa numa cultura onde mais ou menos dos projetos do que eles deveriam ser na vida eram entregues preta portê você vai ser isso porque eu quero que seja
porque eu sou seu pai que vai ser e hoje esse sonho de liberdade parece ter se transformado no pesadelo da escolha a gente trata disso levando em conta os princípios freudianos de excelência e à subjetividade se constitui na relação com o outro a pergunta do psicanalista hoje é qual é outro outro que eu devo oferecer a esse que me procura qual é a posição que eu ocupo nisso que a gente chama de relação transferencial o psicanalista não é o ideal que vai se ofertar a esse que ele procura lhe pedindo inclusive orientação vocês entendem que
esse tipo de cultura que a gente está conversando sobre eu não vou dizer criticando porque nós estamos conversando sobre se tem esse tipo de cor de cultura produz um sofrimento e que nesse sentido todo sofrimento produtos no mercado né não é à toa que a gente vê o quanto é pródigo o mercado de coaching alguém precisa me orientar eu não sei o que fazer na vida ótimo que dê certo eu acho que não é à toa também que proliferam aspas religiões né acho que não é à toa que proliferam tribos me diga o que eu
tenho que ser o psicanalista não tem nada disso por oferecer né todo o mercado que decorre desse tipo de cultura concorre com a psicanálise na medida em que o psicanalista ele não vai se oferecendo um lugar ideal sobretudo porque ele está entendendo que a pessoa que ele procura sofre demandando mais uma vez como se fosse mais uma droga uma nova nação né então é na falta de quem de término em um caminho quando esta pessoa chega um psicanalista o psicanalista vai lhe fazer um convite a resistir a essa submissão à psicanálise convoca o sujeito a
subvertê esta ordem fazendo oposição clara a esse movimento por que por que a psicanálise desde o princípio o princípio da psicanálise se põe a favor da alteridade mas também da singularidade então e em outras palavras eu concluo dizendo que nessa relação com o analista o analista não se oferece ao seu só frente como lugar de ideal mas um imperativo né seja um bom analisando dá pra dizer isso mas o psicanalista sabe perfeitamente que a psicanálise ela própria no lugar de ao fracasso o vigor da proposta de ficar na lista que está justamente na proposta de
fazer com que esse seja um entre vários mais um singular sem comparação como talvez estejamos nós aqui agora né cada um pelo seu motivo um entre vários certamente dispostos ao laço social esta velha angústia esta angústia que trago há séculos em mim transbordou da vasilha lágrimas grande imaginações um sonho sem estilo de pesadelo sem terror grandes emoções súbita sem sentido nenhum transbordou não sei como firme na vida com este mal estar a fazer entregas na alma se ao menos em 2006 se deveras mas não é este estar entre este quase este poder ser que isto
mais debates no site facebook do instituto cpfl você não acha que nós estamos criando a crianças adolescentes angustiados eu já vinha desde o berço com essa angústia da autonomia as pessoas confundem é a autonomia consolidam