Olá, moçada! Tudo bem? Sejam muito bem-vindos ao dia 3 de fevereiro, com mais uma meditação histórica, hoje com Epicteto.
Uma meditação muito, muito legal; tenho certeza de que vocês vão gostar bastante, intitulada "A Fonte da Sua Ansiedade". Mal do século, né? Essa maldita ansiedade, coisa que nos afeta praticamente a todos.
Como lidar com isso? E Epicteto tem uma sugestão. Cito um trecho extraído dos seus discursos: "Quando vejo uma pessoa ansiosa, pergunto a mim mesmo o que ela quer.
Quando vejo uma pessoa ansiosa, pergunto a mim mesmo o que quer essa pessoa ansiosa. Pois se a pessoa não estivesse querendo algo que está fora de seu controle, por que sentiria ansiedade? Por que sentiria ansiedade?
De um ponto de vista histórico, a ansiedade deriva necessariamente — não poderia ser diferente — de uma percepção errônea da realidade. Porque a ansiedade eu só posso experimentar relativamente àquilo que eu não domino. Ah, estou ansioso com a minha dieta!
Alguém está injetando comida na sua garganta? É autocontrole. Ah, estou muito ansioso com o resultado deste trabalho que eu tenho que fazer!
Mas você está sob o seu controle, não há motivo para ter ansiedade. Simplesmente faça o seu trabalho. Aliás, lá em janeiro, nós fizemos uma meditação muito boa sobre isso: não fique de firula, de conversinha atravessada.
Senta a bunda na cadeira e faz o que tem que ser feito, sem conversinha! Então, a ansiedade é um desejo de controlar o que não é controlável. Se não é controlável, por que eu me angustio?
Por que eu fico ansioso? É uma questão de foco na coisa errada. Tá desajustado isso daí!
Eu preciso adestrar isso. Eis o comentário dos autores: o pai ansioso, preocupado com o filho. Vocês aí que são pais: todo pai preocupado com o filho.
Será que tá seguro? Será que tá bem? Nossa, viajou.
Será que chegou direitinho? E tal. O que esse pai quer?
Um mundo que seja sempre, [Música] seguro. O mundo é seguro? Não!
Não foi no passado, não é hoje e nunca será completamente seguro. Então, você cuida do que é, do que você pode cuidar: "Ó, mais ou menos, os horários são esses. Aqui você vai fazer isso.
Ó, aqui você me manda uma mensagem, tá legal? " Não sei que que, não sei que. Agora o que vai acontecer daqui até lá, ninguém sabe.
Ninguém controla! E ficar ansioso por causa disso é descontrole. Uma viajante inquieta: o que ela quer?
Que o tempo continue firme e o trânsito esteja livre para que ela possa embarcar em seu voo. Você controla isso? Não!
Ah, eu vou chegar mais cedo! Então, ah, eu tenho muito receio! O tempo, enquanto eu faço esse comentário aqui, o tempo aqui em Minas Gerais tá do avesso, muita chuva, ah, destruindo cidade para todo lado.
Eu tenho que ir para algum lugar. Ah, mas o voo pode não. .
. Bom, sai mais cedo. Mas saiba que, mesmo saindo mais cedo, você não tem controle sobre isso.
No momento do seu voo, a companhia aérea pode te mandar uma mensagem dizendo: "Olha, não vai sair". Adianta tirar as calças, sentar em cima, sapatear? Se isso resolvesse e tirasse as nuvens do céu, mas não tira, né?
E o investidor nervoso quer que o mercado mude de rumo e o investimento vá a pena. Quem investe trabalha com risco, e o risco às vezes se mostra contra você, né? Mostra as garras contra você.
Faz parte do jogo, não é isso? A vida é isso. Eu não sei se já comentei isso daqui, mas é muito legal, acho que já, porque isso tá muito na minha formação.
Acho que já sim, que os verbos gregos, quando conjugados no futuro, os gregos antigos já olhavam para isso com estranheza. A ideia de conjugar um verbo no futuro. "Amanhã eu vou almoçar com vocês" é uma carta de intenções, né?
Porque daqui até amanhã, moçada, pode acontecer tudo, inclusive nada! Pode acontecer tudo, inclusive dar certo. Então, não faz sentido você se angustiar com isso.
Não faz sentido você experimentar essa ansiedade a respeito daquilo que não tá na sua mão. Todas essas situações têm uma coisa em comum: como diz Epicteto, é querer algo que está fora do nosso controle. Ficar tenso, afobado, andar de um lado para o outro nervosamente.
. . Esses momentos intensos, dolorosos, ansiosos nos revelam o nosso lado mais fútil e servil.
É pra gente se olhar no espelho e sentir vergonha mesmo. "Por que que eu tô assim? Não, eu não vou me dobrar.
Isso eu não vou me entregar a essa situação. Eu vou afastar de mim essa mentalidade servil, essa mentalidade que deseja controle onde não é possível ter controle. " Ah, eu tô com parente doente.
Isso tá me angustiando. Você é médico? Que você.
. . Você estudou.
. . A sua especialidade em medicina vai ajudar a curar alguma coisa.
Você pode ir lá ajudar com algum tratamento e tudo. Então, meu amigo, se controla, a borboleta! Se controla.
Faz o que é possível dentro das suas possibilidades. O resto é só vida acontecendo, pro bem ou pro mal. Não é duro, hein?
Descer com essa mensagem é duro. Paciência! Se fosse fácil, a gente não daria aqui.
Olhar fixamente para o relógio, para o registrador de cotação na bolsa, para a próxima fila do caixa, terminada para o céu. . .
Ah, não! É como se nós todos pertencêssemos a um culto religioso que acredita que os deuses da sorte só nos darão o que queremos se sacrificarmos nossa paz de espírito. Quer dizer, se eu ficar com a cabeça muito infernizada, isso pode dar certo, né?
Se eu ficar muito irritado, se eu ficar muito angustiado e ansioso, isso vai acabar dando certo. É uma mentalidade bem deturpada! É um modo bem deturpado de ver a realidade.
Hoje, quando perceber que está ansioso, pergunte a você mesmo: "Por que estou com estômago embrulhado? Por que que eu tô. .
. ? " Com essa taquicardia, quando eu penso nesse negócio, tá na minha mão.
Não posso fazer alguma coisa. O que eu poderia fazer? Eu fiz.
Acabou, meu amigo, acabou! Sou eu que estou aqui ou é a minha ansiedade? E mais importante: minha ansiedade está me fazendo algum bem?
Ou seja, a minha ansiedade resolve o problema. O fato de ficar ansioso faz com que eu controle a parte da realidade sobre a qual eu não tenho controle, não, né, bebê? Nós sabemos disso.
Então, cabe a nós reconfigurar a máquina da percepção, do modo como nós percebemos esta realidade. Aliás, se vocês se lembrarem bem, nós estamos na fé de Abil, de acordar a divisão dos doses do livé. O final de Abil é exatamente sobre a disciplina da percepção, o modo como eu percebo a realidade.
E se eu percebo mal a realidade, eu imediatamente me coloco sujeito a coisas que são controláveis, como a ansiedade. Boas escolhas para vocês! Não deixem de curtir aqui e de repassar o material pro pessoal.
É um prazer compartilhar essas meditações com vocês. Beijão, juízo e excelente dia!