Professor, eu queria até que o senhor retomasse desde o início a sua fala sobre o que que nós estamos vivendo neste momento, que guerra é essa? Olha, primeiro de tudo, né, a gente precisa entender, eu concordo inteiramente com o que o Josias estava dizendo, que a situação se encandeceu, né? A situação piorou, né, Josias?
A situação ficou mais grave, né? O problema é como que ela ficou mais grave, né? Ela ficou mais grave porque essencialmente ninguém, qualquer criança é capaz de perceber que a briga é desses dois grandões, né?
China e Estados Unidos, né? Pra gente entender porque que a briga dos dois grandões e entender a força que tem o Trump, não é? E e o e o jogo, pensa no seguinte, o o PIB norte-americano é de 28 trilhões de dólares, o PIB chinês é de 19 trilhões de dólares, dado do Fundo Monetário Internacional.
Tira esses dois de cena e pega os oito PIBs seguintes. Gente, quando você soma os oito PIBs seguintes, dá 22,4 trilhões. 30% menos que o americano.
Quando eu falo dos oito seguintes, eu tô falando de Japão, tô falando de Alemanha, tô falando de Índia, tô falando de Itália, tô falando dos países grandes, incluindo o Brasil. Tô falando dos países grandes. Eh, o poder americano e chinês é indiscutível.
28, 19, os outros oito, somado 22. É isso que nós temos que olhar. Então, a briga é Estados Unidos, China, Josias tem toda a razão.
Kremlin e Casa Branca falavam no telefone e paravam. É esse telefone, vamos pegar a imagem do Josias. É esse telefone que entrou em curto circuito.
Como que ele entrou em curto circuito? A China, de alguma forma olhou para as tarifas americanas e mudou de estratégia. Ela tava lidando com o Trump de um jeito.
Eu não, é muito difícil para dizer o motivo, mas a China girou de estratégia. Qual é a estratégia da China agora? Chega de conversa, chega de negociação, eu vou pagar na mesma moeda, eu vou pagar para ver.
Aí é que tá o ponto. Como é que a China pagou para ver, não é? A China tá se oferecendo ao mundo que tá sofrendo esse tipo de pressão uma alternativa.
Venho pro meu lado. E a China tá falando essa alternativa. Esse ponto é o mais sensível, né?
A China tá falando sobre a alternativa do lado sensato, do lado racional, do lado equilibrado. Ela diz: "Eu vou reclamar na OMC. Eu vou falar na Organização Mundial de Comércio que tem a função de resolver controvérsias para acomodar essa crise, para tentar fazer essa crise ter uma solução racional.
Mas eu vou negociar, mas mas eu vou impor minhas regras. Eu não vou negociar. As regras eram: "Nós vamos voltar ao que éramos".
O mundo tinha regras para fazer comércio, não era a imposição de alguém. O o Josias tá certo que queimou o fio porque foram os Estados Unidos de alguma forma que de algum modo abandonaram as regras internacionais. Um professor de Harvard disse isso na eleição americana.
Eu achei um exagero. Ele tinha toda a razão. O que os Estados Unidos vão fazer é quebrar as regras do comércio internacional.
O que a China tá fazendo é dizer assim: "Olha, eu vou peitar ou volta as regras do comércio internacional ou nós vamos paraa briga". A China tá certa, professor. A China tá certa em fazer isso?
Olha, se a gente olhar para nosso reflexo dessa situação, é só pensar no dato que a revista Economist fez, que é fantástico, né? A revista Economist todo mundo acha que acho que qualquer pessoa não acha que a revista Economist é de esquerda, anti-americana. Acho que ninguém racionalmente fala isso, né?
Então o que que a revista Economist fez, né? Ela calculou o que eram as tarifas médias norte-americanas, que eram de 2,5%, tarifa média. E o Trump saltou isso para 24%.
Isso significa a inviabilidade comercial de mais de 50 países que negociam com os Estados Unidos. Fabíola, para você entender a tua resposta, se a China tá certa, pensa no seguinte. Mais da metade da população ativa no mundo, dos que tão empregados, mas da metade, de uma forma direta ou indireta, trabalham para os Estados Unidos, trabalham pro consumo americano.
Consumo americano é de mais de 35% do total, Fabi. Quando a gente olha para isso aqui e é e o os Estados Unidos são um grande impulsionador. Olha o tamanho dos PIBs.
28. Você somar oito PIB seguintes dá 22. Então, de alguma forma, a China tá dizendo o seguinte: "Olha, nós tínhamos regras.
Eu era um aliado comercial dos Estados Unidos quando as regras existiam. Não fomos nós que rompemos as regras, não foi o resto do mundo que rompeu. Quem rompeu as regras?
Quem que pegou a tarifa média de 2,5 e de uma hora para outra multiplicou para 25, para 24%? Os dados da Economy são impossíveis de serem negados. Ele tá, Fabíola, a a o cálculo pelo qual os Estados Unidos fizeram essa mudança de tarifa é um cálculo absolutamente não racional.
É um cálculo que despreza uma série de vetores econômicos. Não dá pra gente ficar falando economis aqui, mas é um cálculo que despreza uma série de vetores econômicos. Então o que a China tá fazendo é dizendo o seguinte: "Olha, vamos voltar paraa razão.
Se não voltar paraa razão, não vamos ter outro jeito. " É o que disse o Josias, nós vamos ter que ir para brigou. Ô, ô, Josias, só um minutinho, Josias, a gente precisa chamar o intervalo.
Faz a sua pergunta no nosso intervalo. A gente vai para um intervalo para quem tá conosco na TV. E o Josias aí perguntando pro professor Trevisan.
Vai lá, Josias. Professor, o senhor tá lembrando bem, a China recorreu à OMC. A gente sabe que a OMC hoje é um organismo desdentado, né?
Mas há uma sinalização política. Há uma há uma sinalização política. Olha, nós estamos respeitando as regras, então estamos recorrendo ao OMC.
E com isso a China, como Real Sou, se oferece ao mundo como uma alternativa eh uma alternativa decente, uma alternativa sensata. Eh, ocorre que parte do mundo enxerga oportunidades na China, mas também um certo temor, né? Eu receio de sair do colinho da da Casa Branca e cair no colinho do XinPim, que é eh tá interessado em vender os seus produtos, né?
Onde é que nós vamos parar? Eh eh eh observados os parâmetros atuais, qual vai ser o day after? Eh que conformação terá eh esse cenário comercial internacional depois dessa confusão?
Olha, primeiro de tudo, a gente precisa entender o seguinte, né? Tua pergunta é básica porque quem é que tá aliado da China? imaginar, né, que a que a que sentar no colo da China é uma delícia, você tá tá maluco, né?
Porque é evidente que a China impõe regras, é evidente que a negociação com a China é dura, mas é evidente também que a China tá dizendo o seguinte: "Vamos negociar com regra, vamos negociar em cima de uma realidade", né? Josias, eh, se a gente fala deles baterem na porta da OMC, ajuda a gente a entender como o quanto nós estamos lidando com uma imprevisibilidade perigosa e uma imprevisibilidade que tá longe da realidade. Desculpe, Trump avança às vezes em realidade paralela.
Eu vou dar um exemplo concreto do que eu estou falando e talvez a gente possa entender a atitude da China por ele. Trump alardeou faz dois ou três dias. Primeiro que 50 países estão pedindo para negociar e depois ele aumentou.
Ele falou que eram 70 países. OK? Todo país que pede para negociar, ele comunica a Organização Mundial de Comércio.
A realidade não é essa. Existe um Global Trade Alert que é isso, tá no Financial Time de ontem, hein, Josias? Não, não é nenhum jornal de esquerda, nada disso.
Financial time, né? Então, vamos lá. O que é o que é que, o que é que deu, o que é que o o que que o Final Jat mostrou que existe um negócio chamado Global Trade Alert e que esse esse esse órgão que integra o conjunto da Organização Mundial do Comércio, ele recebe notificações.
As retaliações efetivas contra a China, desculpe, contra as medidas americanas são só de dois países, China e Canadá. as contramedidas, aqueles que se preparam para fazer alguma contramedida, exemplo, Brasil, né, que abriu no no Congresso uma medida. São só 10 países, é Austrália, Brasil, alguns países nesse perfil, Índia, Itália, que disseram: "Olha, comunicar, nós já fizemos medida".
Países que realmente queram buscar concessões são só 15 na Ele mentiu. Não tem 70 coisa nenhuma, tem 15. Eu não tô falando de graça.
E esses 15 países são Taiwan. União Europeia que propôs tarifa zero, Índia que propôs uma um acordo desse tipo. De alguma forma, esses países já abriram uma negociação e comunicaram a Organização Mundial do Comércio.
Países que fizeram concessão pros Estados Unidos. Tá bom, nós aceitamos Israel, Argentina, Vietnã, Bangladesh e Cambódia são esses. É bem diferente quando a gente olha para esses dados da realidade, realidade efetiva, quando nós vemos esse problema, nós entendemos porque a China mudou de lado, a China mudou de estratégia, a China passou para enfrentar.
E a tua pergunta, o que que vai acontecer daqui em diante? É a mesma lógica que a gente vai ver. E isso forma um sentido, Josias, a tua pergunta é boa porque ele forma um sentido.
Lembra quando os brques cresceram? Lembra que até o Brasil e a Índia disse: "Ô, vamos devagar e a China pressionou para crescer? " É nesse sentido, é no sentido de alguma forma, não é sentar no colo da China, é reabilitar uma ideia de uma globalização que tirou 2 bilhões de pessoas da miséria.
É disso que nós estamos falando. A tem interesse nisso por esse motivo, não é? ganhar dinheiro, mas ganhar dinheiro de alguma forma que seja racional dentro do contexto.
Desculpe, eu tô falando muito. Não, assim, a gente queria ficar muito tempo. É, começamos muito tarde essa entrevista, a gente precisa entregar o programa.
Mas é o fim da globalização, ô professor, não é o fim da globalização. Eu te diria como como respondeu o Pascal Lami, é o fim da globalização, como nós a conhecemos. O Pascal Lami fez uma imagem.
Pascal foi diretor da OMC, foi um sujeito bem eh diretor do do Fundo Monetário Intercal, no globalização. A gente pode dizer que a gente tá entrando até para para amarrar a história em 30 segundos, professor. É o é o início de uma nova globalização.
Vamos lá, vamos usar o Vamos usar o Pascal Lami. Se a gente usar o Pascal Lami, nós vamos ver que se acalmem, porque o mundo não vai acabar, porque comércio é como água, ele dá sempre um jeito de voltar. É genial a imagem, né?
Comércio é como água. Calma, nós vamos dar um jeito de votar de algum modo. Os dois estão trucando, sabe?
O jogo de truco do dia. O Leonardo Sacamou comigo com o truco. É exatamente isso.
Os dois estão trucando. Nesse truco novo, nós vamos ter uma outra realidade para pensar. Quando a gente falava, Josia, já de um outro programa de redesenho geopolítico, ele tá aparecendo.
O mundo vai ter outras pessoas sentada na mesa dos que decidem. Eu passei uns segundos, mas foi só um pouquinho.