Se você abriu alguma rede social nesta última semana, você provavelmente deu de cara com a palavra: antifascista! Exceto, claro, se você estiver assistindo esse vídeo já há algum tempo depois da sua publicação, tipo 2030, 2040. .
. mas daí fica tranquilo que a gente vai explicar sobre o que tá acontecendo em 2020 O principal ponto aqui é: você sabe o que é, de fato, o antifascismo? E eu estou falando aqui das bandeiras do movimento, como é localizado na história, qual a sua relação com outras reivindicações sociais… Bom, se você não sabe - ou ainda está um pouco confuso - continua nesse vídeo que o Segue o Fio de hoje vai te explicar mais sobre esse tema!
Porque, afinal, o Politize! está aqui para te trazer conteúdos gratuitos, didáticos e, acima de tudo, confiáveis! Segue o fio sobre o que é o antifascismo!
Desde 2010, podemos acompanhar manifestações antifascistas ganhando força no cenário internacional. Por exemplo, iniciativas como como Occupy Wall Street - um protesto contra a desigualdade econômica e social que ocorreu em 2011 nos Estados Unidos - e o movimento Black Lives Matter - fundado em 2013 - podem ser sim relacionados a luta antifascista. E apesar desses dois exemplos serem de origem estadunidense, não é só por lá que a gente vê a força que esse tema vem ganhando no debate político e social.
Um dos motivos para isso é ascensão de grupos considerados de ultra-direita pelo mundo. Isso porque geralmente tais grupos podem ser relacionados a disseminação de discursos de ódio, racistas e autoritários. Mas fique tranquilo que nós vamos começar pelo básico e ir resgatando a história para você não perder nada.
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Bom, sem mais delongas, bora entender o tal antifascismo. Como a própria palavra já diz: antifascismo é o nome que se dá a movimentos espontâneos e organizados ou regimes políticos que exercem oposição a tendências, movimentos ou com características fascistas. Norberto Bobbio, autor da obra Dicionário da Política, confirma essa definição.
Bom, então, isso significa que para entender o que é antifascismo, a gente tem que entender o que é fascismo, certo? Como esse assunto também não é tão simples, a gente vai deixar aqui o card do nosso vídeo do Politize! que explica os pontos essenciais para quem quiser se aprofundar no tema.
Por agora, vamos ficar com essa caracterização mais histórica: O fascismo pode ser relacionado a uma forma de comportamento político marcado pelo abandono das liberdades democráticas e perseguição violenta de certos grupos internos. Como os regimes italiano e alemão no século XX. Entretanto, tem uma "pegadinha": essa definição de simples oposição ao fascismo não nos ajuda a explicar todas as bandeiras dentro do movimento e nem o que vemos nas manifestações em junho de 2020.
De acordo com Mark Bray, autor da obra Antifa: o manual antifascista, o primeiro exemplo de manifestação antifascista pode ser visto na Itália. Em 1921, um grupo chamado Arditi del Popolo foi fundado para resistir à ascensão do Partido Nacional Fascista de Benito Mussolini. O grupo era formado por pessoas com várias ideologias de esquerda.
Existiam, no mesmo grupo, anarquistas, socialistas e comunistas. Bom, mas foi só na década de 30, na Alemanha, que o primeiro grupo a se denominar oficialmente como antifascista surgiu. A organização era basicamente uma rede de células fabris, grupos de vizinhos, bairros e outras associações distribuídas territorialmente.
Por isso, ficou conhecida como "comitês antifascistas" - ou em bom alemão. . .
. Isso aí que você acabou de ouvir. Eu não vou tentar repetir, porque é muito difícil.
A organização surgiu como iniciativa do Partido Comunista Alemão, mas contava com a participação de outras "esquerdas" da época - como o partido social-democrata Frente Única. A rede, nas palavras de Bray, visava “fornecer uma estrutura na qual pessoas de todas as classes sociais pudessem ser reunidas para combater a repressão econômica, social e, acima de tudo, criar uma base de defesa contra os nazistas”. Foi do nome dessa organização que a contração ANTIFA - que muito usamos hoje - teve origem.
Dali também veio o símbolo até hoje utilizado pelos movimentos de esquerda das duas bandeiras sobrepostas. Outro exemplo histórico da movimentação antifascista está na Guerra Civil Espanhola. A Guerra - que ocorreu entre 1936 e 1939 - foi marcada pela disputa entre republicanos e nacionalistas aliados ao nazifacismo.
Para Bobbio, a primeira ação unitária do Antifascismo, com divisões claras entre visões democráticas, comunistas, socialistas e anárquicas, ocorreu nas Brigadas Internacionais, que eram as unidades de combatentes que lutaram em favor da República Espanhola. Uma curiosidade: se você já assistiu ao filme Labirinto do Fauno, ele aborda, com várias metáforas, justamente esses movimentos antifascistas na Espanha. Os guerrilheiros enfrentam o Capitão Vidal, que o filme coloca como “a personificação do fascista”.
Enfim, após a Segunda Guerra Mundial, o antifascismo pareceu perdeu força. Basicamente, por entender que o fim da Segunda Guerra simbolizou uma vitória da democracia e da liberdade, em teoria, sobre o totalitarismo. Mas isso não significa que os regimes fascistas tenham acabado.
Entretanto, nos anos 70 e 80, os movimentos ressurgem com novas características. As organizações da época eram ainda formadas por um um grupo operário e estudantil, mas dedicados a se opor a manifestações da extrema-direita e tendências neo-nazistas - como, por exemplo, à atuação de grupos conhecidos como neo-skinheads - indivíduos que acreditam na supremacia branca. Bom, agora que você sabe toda essa questão histórica, podemos chegar a quatro conclusões sobre o que é antifascismo.
Primeiro: como você deve ter percebido, embora se fale muito de um "movimento antifa", o antifascismo não é um único movimento. Ou seja, não é uma organização com uma estrutura, uma hierarquia ou um manifesto. Como coloca o professor da Unifesp, Acácio Augusto, em entrevista para o Nexo: "o antifascismo é um método político, um lócus de identificação de um movimento espalhado por vários países".
Segundo: o antifascismo é originalmente um movimento marxista e anarquista. Entretanto, alguns grupos podem ser mais marxistas, enquanto outros podem ser mais anarquistas. Bom, caso você esteja um pouco perdido: no caso dos marxistas, a relação central levada em conta é a luta de classes na sociedade.
Ou seja, a noção de que o proletariado (a classe trabalhadora) é a classe oprimida no sistema capitalista pela burguesia. A corrente anarquista, por sua vez, não acredita em nenhuma forma de dominação - nem do Estado - e prega a autogestão. Assim, o tradicional símbolo do antifascismo é formado por uma bandeira vermelha (em referência ao marxismo) e outra preta (em relação ao anarquismo).
Como coloca o historiador Mark Bray, até certo ponto, a predominância de uma "vertente" sobre a outra pode ser percebida pelo logotipo do grupo: se a bandeira vermelha está na frente do preto ou vice-versa (ou se ambas as bandeiras são pretas). O antifascismo, ainda, pode abraçar outras reivindicações sociais e políticas. Como por exemplo de movimentos de libertação nacional, feministas, queer, etc.
E isso pode incluir o uso de uma das bandeiras do logotipo como rosa, roxa, etc. . .
A questão, sobretudo, é o inimigo comum. Como coloca Mark Bray - da obra O Manual Antifascista - a Antifa é apenas uma das várias maneiras de manifestações da política socialista e que é, sobretudo, uma das facetas de uma luta maior contra a supremacia branca e o autoritarismo. Terceiro: o antifascismo não é apenas sobre ser contra a extrema-direita, a supremacia branca e o autoritarismo - ou, no caso, o fascismo em si.
Mas sim ser contra todas as estruturas políticas, econômicas, legais e sociais que sustentam essas questões. É, nesse sentido, que muitos antifascistas argumentam que o movimento deve ser visto também como anticapitalista. Porque para os ideologos dessa corrente, o fascismo e o autoritarismo se sustentam através de mecanismos sociais criados pelo sistema capitalista.
Quarto: o antifascismo não se resume a embate físico. Apesar de ser tradicional ligarmos esses movimentos a manifestações, como explica a socióloga Sabrina Fernandes, grupos antifa também estão ligados a trabalhar com camadas populares da sociedade para introduzir a visão do antifascismo. Agora que ficou claro as principais características do antifascismo, podemos trazer o debate para os dias de hoje.
No último final de semana de maio, várias manifestações contra o racismo tomaram o mundo. Nas redes sociais, aqui no Brasil, vimos o símbolo da Antifa - aquele das bandeiras - ser utilizado quase que livremente. Várias profissões, pessoas, organizações, empresas utilizando os símbolo para se declarar antifascista.
E foi aí que um grande debate surgiu: as pessoas sabem o que é o antifascismo? mudar as cores da bandeira é despolitizar o movimento? se é um movimento de esquerda como pessoas de direita podem se dizer antifascistas?
E tem como ser antifascista e anticomunista? Bom, dá pra ver que o assunto causa bastante confusão na cabeça de muita gente. Em grande parte, isso pode ser atribuído a ideia de que antifascismo relaciona-se somente com aquela visão histórica - de direta oposição aos regimes fascistas que já mencionamos.
Entretanto, como vimos aqui, o antifascismo - principalmente o movimento contemporâneo - não está somente vinculado ao combate de fascista de fato. É um movimento vinculado ao combate da ascensão da extrema-direita e o que consideram como as diferentes formas de violência - como expressões de supremacia branca, elitistas e autoritários. Assim, apesar de o antifascismo poder abraçar outras ideologias políticas - como o feminismo, antirracismo - ele não deixa de ser um movimento com raízes marxistas e anarquistas.
A gente sabe que o assunto é bem complexo e que nesse vídeo é impossível discutir todas essas questões. Para quem quiser aprofundar mais em temas como esquerda-direita, socialismo, anarquismo, capitalismo, temos conteúdos no nosso portal - que vocês podem achar o link aqui na descrição. Então é isso gente, muito obrigada a quem ficou até o final do vídeo, Não esquece de deixar aqui nos comentários o que você achou se ficou com alguma dúvida, que a gente vai responder, hein?
E outra coisa, manda para os amigos, manda para aquele amigo que postou a foto da bandeira antifascista, pra ver se ele sabe mesmo o que é o Antifascismo. compartilhar esse com os amigos, manda no grupo do Whatsapp! Semana que vem voltamos com mais um Segue o fio!
Até lá!